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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

VIVA A GREVE GERAL



Não, não foi um acto heróico, foi simplesmente o cumprimento de um dever de cidadão.
Foi o renovar do compromisso com a paz e com o direito dos povos à autodeterminação.
Foi o repúdio à ingerência, à ocupação, à guerra e à morte.
Muitos mais o fizeram.
Foi, como dissemos: “Somos muitos, muitos mil…”
E quarta-feira temos uma nova etapa, uma nova jornada, neste processo de construção de uma sociedade que queremos mais justa.
Uma e outra, são jornadas de afirmação da dignidade humana.
No sábado procuraram calar o nosso protesto. Assustaram. Mobilizaram todos os meios - alguns nem sequer chegaram a tempo - para o associar (o nosso protesto) a atitudes vazias e de show off,
Agora procuram o mesmo.
Definem serviços mínimos, ameaçam com requisição civil, arvoram-se em defensores dos direitos dos que querem impedir o livre exercício dos nossos legítimos direitos.
Procuram esvaziar o direito à greve, fazer dela um uso banal.
È preciso salvaguardar o direito dos que não querem fazer greve, dizem embevecidos. E que direito é esse e quem o viola?
Direito a obrigar os que têm direito a fazer greve, a transportar os que não a fazem?
A limpar as ruas, a dar aulas e a tomar conta dos seus filhos?
A confeccionar as suas refeições, a prestar-lhes informações e serviços?
Como podem invocar serviços mínimos em serviços que não têm qualquer justificação (porque não essenciais)?
E porque não o fizeram quando mandaram parar muitos desses serviços (vejam-se todos os sedeados no Parque das Nações)?
Não vai ser fácil. Sabemos. Mas tal como sábado não fomos heróis, mas sim cidadãos socialmente responsáveis, na próxima quarta-feira, faremos o mesmo.

VIVA A GREVE GERAL

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dúvidas

Compreendo que tenham lido dívidas...

Nunca fui muito dado a regatear preços.
Já me alertaram que em determinados contextos e culturas este meu «princípio» pode mesmo ser mal interpretado. A ser assim e acredito que seja, se forçado assim farei, mas penso que «regatearei» mal.
Alertaram-me também que, se partir de mim o estabelecimento do preço, ou seja se eu disser: «por isso dou-lhe tanto…» não será depois uma atitude digna da minha parte se não consumar o negócio .
Vem esta nota a propósito da situação decorrente dos negócios da dívida pública portuguesa e a voracidade dos mercados (jarrões que não carecem de explicação dada a profusão de uso).
Queixa-se o Sr. Ministro das Findanças, perdão, das Finanças, que os mercados estão a praticar taxas muito elevadas (6,67 verificados ontem), mas não foi ele próprio que afirmou que o país não suportará taxas acima dos 7%?
Então, para o que o Sr. Ministro se mostrou disponível para pagar ainda existe uma margem para os agiotas, ou seja ainda podem vir buscar mais 0,33%.
Foi ele que estabeleceu o preço, porque se queixa?
Razões de queixa temos nós, os que pagamos.
Uma outra questão merecedora das minhas dúvidas prende-se com o Candidato que é Presidente, mas que não é Candidato e aqui estas, as dúvidas surgem em turbilhão:
Disse-nos (ou mandou dizer) que se não fossem os seus avisos a «situação» estaria muito pior.
Sabendo quão negra está a «situação» fica por esclarecer, o que conseguiu evitar?
Diz-nos (ou mandou dizer) depois da aprovação do Orçamento (instrumento que todos afirmam penalizar trabalhadores e a população desfavorecida) que na sua discussão na especialidade se deve procurar distribuir equitativamente os sacrifícios.
Referir-se-á à distribuição equitativa pelos mesmos de sempre não é verdade?
Sabendo-se que acumula pensão com vencimento e preocupado (como mandou dizer que está) com os mais desfavorecidos, porque não tomou a iniciativa de prescindir ou do salário ou da pensão?.
Não é verdade que o Sr. Candidato que é Presidente, mas que não é Candidato, foi Ministro das Finanças e do Plano entre 1980 e 1981 ; Presidente do Conselho Nacional do Plano em 1981; 1.º Ministro de Portugal entre 1985 e 1995; Presidente da República há quase 5 anos a que quer acrescentar-lhe mais 5?
Tem portanto na bagagem 17 anos de actividade política ao mais alto nível.
Não tem culpas no cartório? Será que sou eu que as tenho?
Afirma abnegar a «política» (ou manda afirmar) e nós interrogamo-nos o que seria se gostasse?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

INDIGNAÇÃO



Ao longo da minha infância e adolescência, ouvi vezes sem conta o desabafo lastimoso de um familiar próximo que dizia, perante a dor de uma perda: «o meu chorar é seco. Já verti todas as lágrimas».
Revivi agora esta triste memória quando me confronto com uma certa incapacidade que começo a sentir, de me indignar e pergunto-me se, não terei já perdido ou secado a indignação.
Perante a avalanche de medidas penalizadoras para os trabalhadores e os desfavorecidos (e volta de novo a política económica e financeira e o orçamento) confrontamo-nos com uma outra de noticias sobre mordomias que nem sequer conhecíamos.
Publicita o «Público» (relemos por parecer incrível) que o total das remunerações em 2009 dos 12 membros do CA da REN foi de 3,152 milhões de euros. Se tivesse sido equitativa essa distribuição, cada uma dessas preciosidades arrecadou 262 667 Euros.
Numa outra, tomamos conhecimento que os quadros superiores da REFER suspensos (?) no âmbito do processo «Face Oculta» continuam a receber por inteiro todas as suas mordomias. A um deles foi necessário enviar a Policia para que restituísse a viatura de «serviço».
Ficámos também a saber que a administração da PT pretende pagar antecipadamente um dividendo excepcional que permitirá aos 15 maiores accionistas (95% do capital) pouparem 260 milhões de euros (que o Estado deixa de arrecadar).
É esta PT a do interesse estratégico para Portugal, lembramo-nos.
Anuncia-se pela enésima vez que vão acabar as acumulações de pensões e salários públicos, mas a verdade é que elas continuam escandalosamente (Não é Sr. Presidente, desinteressado da política???)
E vimos empresas públicas com estruturas tão densas, tão densas, que se fica com a curiosidade de saber como se articulam administradores, directores, gestores, directores de departamento, chefes de divisão, assessores, secretárias e motoristas.
E vemos agiotas dizerem que a culpa é do RSI.
E vemos estúpidos dizerem que a culpa é dos desempregados.
E vemos beatos retirarem o abono de família às famílias.
Ignorantes a aplaudirem o corte nos salários da função pública.
E vemo-los juntos, alienados, proclamarem que agora vão votar no empregado dos banqueiros.
Por isso, questiono-me por vezes: ainda mantenho a minha capacidade de indignação?.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

POIS...



Pobres homens do Teatro, para além de todas as sacanices e gravilhices a que têm estado sujeitos, são ainda agora alvo de concorrência desleal na prática da sua actividade.
Aguentem amigos, em muitas outras áreas isso já vinha acontecendo…
Mas têm que admitir que têm concorrentes de peso.
Como actor, aquele fulaninho do Brasil - o que foi barbaramente atingido por uma bolinha de papel - não está nada mal pois não? - Talvez uma melhor coordenação dos tempos, mas caramba o homem não se apercebeu logo da agressão, teve que receber a dica pelo ponto - via telemóvel.
Como encenadores, os homens do PS e os do outro PS com D, são magníficos. O ambiente e a envolvência que criaram em torno do Orçamento é digna dos grandes criadores.
Suspense até ao fim.
Uma carga dramática impressionante.
A bolsa deu um trambolhão.
O gráfico da divida pública subiu vertiginosamente.
Mas, deixando por agora o teatro e voltando ao real, uma pergunta se me impôe: se o que é preciso é ter um orçamento, um qualquer, mesmo um mau orçamento, (dizem) porque não um que:
Não roube salários e pensões.
Não agrave com impostos as precárias condições de vida;
Promova o investimento e o emprego.
Porque não???
Uma pergunta, uma simples pergunta.
Adiante.
Não tendo saído fumos, nem brancos, nem negros, das reuniões dos com e sem D, saiu pelo menos algum que indicia quem são os homens dos «mercados».
Bancos de França e da Alemanha e os seus porta vozes , o senhorinho e a senhorinha, querem dar tautau aos seus embaixadores locais pois temem poder haver aqui alguma interrupção no fluxo da usura que estão a praticar.
Começam a ter nome e rosto os ditos «mercados». Mesmo que ainda só os nomes dos seus ponta de lança sejam por agora conhecidos.
Termino com algumas dados sobre «Economia»:
Lucro da Jerónimo Martins cresce mais que o previsto;
Lucro da GALP sobe 18,4% e bate estimativas;
Lucros do BCP aumentam 22%
Liga dos Clubes teve lucro de 180 milhões.
Pois…

domingo, 24 de outubro de 2010

ABSURDO ?



O Parlamento Europeu , instituiu em 1985, pelas razões que sabemos mas que por agora opto por «deixar para lá», o denominado Prémio Sakharov, para premiar, disseram , pessoas ou organizações que se tenham destacado em acções de defesa dos direitos humanos e da liberdade.
Honrando excepções (Mandela - 1988; Mães da Praça de Maio - 1992 e alguma outras) os galardoados são-no sempre ou quase sempre, escolhidos por força de uma estratégia e de interesses políticos dominantes.
Os que julgam que ganharam a história (e que esta acabou, lembram-se?) a procurarem escrevê-la com os seus próprios caracteres de preconceito, sobranceria , ódio.
Pensando em torno disto e do próprio Nobel e pensando na barbárie e nas milhares de vitimas do canalha ataque ao Iraque (violações, tortura, humilhações de todo o tipo, assassinato de mais de 80 mil homens, mulheres e crianças) pensei em nomes para o próximo laureado com Sakharov:
Busch - O mandante primeiro, o cobarde mentiroso que mandou (resguardado) a matança.
Obama - O mandante das boas falas e da continuidade das mesmas praticas.
Sadam - O ditador (os comunistas iraquianos e o povo iraquiano são os únicos que poderiam usar esta designação por doloroso conhecimento de causa) que acabou por ser vitima.
O prémio honrando-se!
É negro o sarcasmo? É!
Como são negros e horríveis os relatos que nos chegam do que foi feito no Iraque.
Um abraço para os homens e mulheres da minha mítica mesopotâmia, que um dia, tal como nós, hão-de ser livres.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Verdade, verdadinha



Qualquer um de nós, possuirá os registos mais diversos sobre as afirmações das verdades.
Dos mais beatos: «deus sabe que o que estou a dizer é verdade», aos científicos: «é verdade, não há duvida, está cientificamente provado», aos ontológicos «é verdade, isto foi sempre assim»; aos ditatoriais. «claro que é verdade e não admito que duvidem da minha palavra».
Entretanto, surgiram nos últimos tempos, no léxico econofinanceiro dominante, novas versões.
Mesmo no plano semântico as verdades destes senhores passaram a ter uma outra significação e uma amplitude que se dirá…quase mítica.
Ou seja, não só é verdade, como é inevitável, inadiável, imutável. Em suma…Sagrado!
Quem assim não pensa, não sabe o que diz.
Só há este caminho para a economia, dizem.
Mesmo o mais caloiro do econofinanceiro, acabadinho de sair da faculdade onde venerou o econofinanceiro sénior, proclama: «É assim, não há volta a dar».
Encontramos no entanto, econofinanceiros de dois tipos:
Um, implacável, que assevera que os danos sociais provocados são meros danos colaterais, necessários ao sucesso da «medida» e outro, mais sensível, que toma as mesmas posições mas que afirma ter dores em tudo o que é sitio por as ter tomado.
E falam-nos de entidades intangíveis. Algumas tenebrosas, sendo a mais tenebrosa de todas a que eles denominam de “mercados” e que parece ter um apetite insaciável.
A discussão paradigmática aceitável cinge-se em aplicar um ou dois por cento sobre a taxa de iva e em saber se a margarina e o leite com chocolate passam da taxa reduzida para a taxa máxima.
Toda e qualquer outra ideia é inaceitável, impraticável, utópica.
Não tem enquadramento na verdade dominante da esplendorosa «nova ciência» econofinanceira.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

LIDER



Confesso que não é fácil resistir à tentação (quase imperativa) de voltar à temática do orçamento e à encenação bacoca do dramatismo que as figuras instaladas lhe proporcionam.
Estes personagens, senhores imaginados da verdade verdadeira, ditam sentenças com a rapidez da luz, talvez cegos por esta, não vêem para além da sombra das suas anafadas barrigas.
Da Grécia; Espanha; França, Reino Unido (sim); Itália e tantos outros, chegam-nos indicadores que, alguém com preocupações, que saiam do mero campo da sua mesquinhez, é levado a seguir com atenção e procura identificar rumos futuros.
Mas é pedir de mais. Adiante então. Deixo-os por agora à mesa do orçamento.
Dia 24 de Novembro (como antes e depois) eu cumprirei a minha obrigação.
Mas hoje decidi escrever sobre liderança e lideres, ou melhor lider.
É usual, mesmo banal, na CS, apresentarem-nos um pretenso «líder da oposição».
Como andam gastos os conceitos...
Apresentam-nos jogadores de casino e dizem-nos economistas.
Chefes partidários que são funcionários de banqueiros (não confundir com bancários).
Presidentes que antes haviam sido carrascos agora são coveiros.
Malabaristas das palavras que sempre foram mentirosos.
Mas, voltemos a lider.
Líder da oposição? Antes um duplo choque de conceitos desfasados.
Quanto muito é fúhrer do seu partido.
E oposição pressupõe o acto de a algo opor algo.
Mas este não opõe… apõe.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

GASTR ITES



Estas coisas da crise, dos orçamentos, das hipocrisias e das pouca vergonhas andam a azedar-me.
Vou ter que me cuidar não vá agravar as coisas com uma gastrite ou qualquer outra coisa terminada em ite, como socratite, cavaquite, bochechite, coelhite.
As ites de sempre, que nos azedam e angustiam.
E assim, para descongestionar, vou dedicar-me por agora à futurologia.
Já dotado dos seus grandes saberes e poderes, posso desde já afirmar, em primeira mão e sem que ninguém mais saiba (porque raio não poderei também usar da redundância?!) que : VAMOS TER ORÇAMENTO - PS sem D vota a favor (novidade?); PS com D abstém-se (convém-lhe); CDS vota contra (para o alarido); BE vota contra, PCP vota contra e Verdes votam contra.
E assim temos orçamento. A BEM DE PORTUGAL.
Votam também a favor: Banqueiros; Especuladores; Jogadores de Casino; Belmiros; Amorins, Confederações Patronais; Bastonário da Ordem dos Advogados; Balsemão; o Mário da Fundação e o seu candidato Cavaco; a minha vizinha tonta que dizia que o aumento do IVA não a afectava.
E todos juntos, com a taça (que pelintrisse), queria dizer com a floot, brindarão e arrotarão vivas a Portugal.
E os portugueses verão agravadas as suas condições de vida e nem gastrites poderão ter, pois neste país fantástico podem-se dar fenómenos como aquele que noticiava hoje um dos serviços televisivos da hora de almoço: «Os medicamentos baixaram hoje em média 6% mas os utentes vão pagar mais».
Cuidado pois com elas: as gastrites, e muitas outras ites.
A propósito, de que país falam eles e a que brindam quando falam de Portugal?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Ridícula encenação



Ex presidentes, banqueiros, ex - ministros, figurões de sempre, palradores, governadores de qualquer coisa ainda cá ou já por lá, todos e em todo o momento sabem a sua deixa: é imperioso aprovar o orçamento.
Mesmo que esse orçamento provoque, como é o caso, já demonstrado por diversas entidades, uma recessão na economia.
E que essa recessão acrescente mais desemprego ao exercito de desempregados, mais falências de pequenas e médias empresas, mais pobres e mais miséria.
Imprescindível é ter Orçamento.
Só falta vir o papa, mas conhecendo-se a figura é homem para não recusar dar a sua valiosa contribuição.
O Orçamento é condição para evitar o desastre.
Mas não é por causa deles que estamos como estamos?
Ou seja, não tem havido orçamentos nos anos anteriores?
Não foi nesses orçamentos de «estabilidade» que se consubstanciaram:
4 mil milhões para queimar no BPN .
1,1 mil milhões (há quem diga mais) para afundar em submarinos.
1,5 mil milhões para modernizações da FAP que incluem a compra de aviões de sucata holandesa.
Compra de centenas de viaturas topo de gama (Águas de Portugal e outras ainda mais inquinadas).
Carros blindados que de tão blindados nem andam.
Festas de bar aberto, comemorações de aniversário de agências, festas das maravilhas (que pelo preço, são garantidamente mais de sete).
Administração aberta para os boys.
E assim sendo (porque foi, não foi?) é porque correm o risco de fazerem o mesmo mas em duodécimos que vos preocupa tanto a não aprovação do Orçamento?
As vítimas dos orçamentos anteriores e do que se projecta, os mesmos que são vitimas dos vossos crimes (praticados pelos que lá estão hoje e dos que estiveram antes e hoje fazem o joguinho do voto não voto) essas não temem as vossas ameaças de crises tenebrosas resultantes da não aprovação do orçamento.
O que temem e têm sofrido, é a crueldade e desumanidade dos vossos orçamentos que consubstanciam as vossas tenebrosas políticas.
Por isso, meus senhores …
Deixem-se de encenações…nem para isso têm jeito

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A nossa vida não tem de ser uma merda

Hoje emergem da terra e para a vida os mineiros chilenos.
Bem ajam.
Aproveito para dizer o que sei que sabem: nada mudou de substancial desde o soterramento da vossa saída.
O mundo continua igual. Por aí e por aqui.
Acredito que ao retomarem o contacto pensem, por momentos, que afinal parece que algo mudou.
Tendes um mundo de gente, holofotes, jornalistas e até o presidente à vossa espera.
Mas vós sabeis como são tratados os mineiros
Vós sabeis como ireis ser tratados logo que acabe a febre mediática..
Por aqui, neste meu país de vós distante, as atenções mediáticas convergem para uma encenação dramática que visa, ao invés de salvar, agravar intoleravelmente as condições daqueles que vivem como vós: da força do seu trabalho.
Apresentam uma proposta que visa assegurar que a lei - do Orçamento - consagre o principio da espoliação. Espoliação de direitos, de salários, de pensões, de serviços de saúde.
Bebericam champanhe e saltitam gulosos entre umas delicias de lagosta ou um souflé de cherne e falam de crise.
E encenam o espectáculo. Juntam-se velhos comensais do banquete permanente e babando-se proclamam desgraças sem fim se não «houver orçamento».
Juntam-se as sanguessugas donas do dinheiro impresso com o nosso suor e vão à casa do seu político seu empregado impor-lhe que mande os seus rapazes votar «o Orçamento», senão… desgraça das desgraças…
E os bichos maus ameaçam com outros bichos maus e dizem: «os mercados andam nervosos».
E o «Orçamento» sem o qual todas estas desgraças acontecem ao «País» é tão só a materialização do mais vil e canalha roubo feito a quem trabalha.
O «País» que estas sanguessugas, velhas e novas, falam, é o país centrado nos seus gordos umbigos, de salões de seda empestados a naftalina e tresandando a croquetes rançosos. É o país das coisas boçais. Das pessoas sem escrúpulos e gananciosas.
É o país dos que julgam que sempre assim será.
Não contem.
Há um outro país.
De homens e mulheres solidários. Obreiros disponíveis para construir um mundo novo.
Mais justo e mais fraterno.
O mundo velho está podre.
De França vêm sinais.
Uma jovem dizia: È tempo de agir, se não a nossa vida vai ser uma merda.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

TEMPESTADES



Vivemos os tempos das grandes tempestades.
As noticias delas aí estão. Monções, chuvadas torrenciais, deslizamentos de terras, inundações.
E desgraças e perdas de vidas.
Habituámo-nos, ao longo do percurso humano, a enfrentar as suas fúrias e a reconstruir o que elas destroem.
Num misto de esperança e determinação convencemo-nos que após elas, vêm as bonanças.
Para alguns, não todos infelizmente, assim parece ser de facto.
E há tempestades, outras tempestades, que não são de chuva, nem vento e que por vezes, são carregadas de esperança.
Que varrem e destroem coisas obsoletas e que permitem construir novo e melhorar a vida dos homens.
Sabemos dessas tempestades, somos mesmo o resultado das novas construções delas resultantes.
Mas não essas as tempestades que agora nos fustigam.
Estas, que não são de chuva, nem vento, não trazem esperança e nenhuma bonança se espera que se lhe possa seguir.
São tempos de perda de direitos, de descaramentos como não há memória, de revanchismo, de hipocrisias, mentiras e engodos.
São tempos em que só a descrição dos factos, a invocação dos indicadores e a própria análise nos criam repulsa.
São os tempos em que com o dinheiro dos nossos impostos se queimam 4 mil milhões no BPN, se afundam 1,1 mil milhões em submarinos para guerras estúpidas e alheias, em que se atiram ao ar 200 milhões para aviões de sucata.
São os tempos em que roubam os salários dos funcionários públicos, em que lhes destroem as carreiras, em que vilmente tiram pensões e obrigam velhos doentes a pagar medicamentos que não podem comprar.
São os tempos em que um velho, sempre engordado e abochechado nos dinheiros públicos, diz candidamente que é fácil pedir mais dinheiro para os salários o e que o difícil é saber de onde vem o dinheiro.
Senil e duplo erro. Não é fácil. A luta é difícil e o dinheiro sabe-se bem de onde vem - dos nossos impostos e sacrifícios - às vezes não sabemos bem é para onde ele vai …
Tal pensamento foi seguido por outros. Um, disse mesmo que este não é o tempo para «agitações».
Talvez para recolher obrigatório seja o tempo que esta triste figura preconiza. As únicas agitações que gostaria de ver seria a de bandeirinhas aplaudindo os seus desmandos…
Mas vão ver outras bandeiras. Vermelhas. De Luta.
Porque estes são tempos de agir.
Porque ainda há quem resista e ainda há quem lute.
Neste tempo de tempestades pode, até com a ajuda de pequenos espojinhos, levantar-se uma tempestade carregada de esperanças, que varra este mundo velho e injusto e que permita aos homens construir um mundo melhor.
O que estes velhos nos apresentam como eterno e inevitável é findável e evitável .Pode ser levado com o vento.
E esse vento é criado por nós, quando brandimos as bandeiras das nossas lutas.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Palavras e com(textos)



Televisões, rádios e jornais abriram os seus noticiários de hoje com a bombástica «caixa» : «Chavez perdeu a maioria».
Ontem, num trabalho marcado pelo rigor informativo publicado num diário da nossa praça, um jornalista proclamava: «A partir de hoje, o Parlamento Venezuelano perderá a hegemonia vermelha» .
A constatação de «hegemonia vermelha» assenta que nem uma luva nos contextos anteriores (recentes) em que Chavez tinha sempre o epíteto de ditador.
É preciso ler depois as «miudinhas» para saber que afinal, Chavez ganhou com maioria absoluta de mandatos (90 em 165) as eleições legislativas, não tendo conseguido atingir o objectivo a que se tinha proposto de uma maioria qualificada de 2/3.
Mas a mensagem passou. Para o cidadão comum intoxicado, a conclusão é simples: O ditador Chavez perdeu as eleições. Nem perderá um minuto (porque o grau de alienação já não lho permite) a tentar perceber: «como é que um ditador perde eleições?».
Assim como não perderá para procurar saber que a hegemonia vermelha que existia no Parlamento se devia ao facto de «os democratas» incapazes de aceitar o veredicto do povo, se terem recusado (em 2005) a apresentar-se perante o eleitorado.
E tinham sido esses mesmos democratas que já haviam tentado de tudo - inclusive a prisão do Presidente democraticamente eleito - para através de golpadas assegurarem o poder e assim perpetuar os seus desumanos privilégios.
Há na América Latina sobejos exemplos dessa escola democrática.
E são esses «democratas» que a comunicação social idolatra em Portugal (para situarmos as coisas).
E idolatram os estrangeiros e os seus comparsas nativos.
A Comunicação Social é a voz do dono e o dono é desse calibre - tem essa formação «democrática».
Por isso nada nos admira.
As palavras não têm para eles qualquer importância, o que conta é a sua «contextualização».
E assim, para eles e porque têm de agradar aos donos, democratas são os que exploram, escravizam e aniquilam a dignidade dos povos.
«Ditadores» os que - mesmo errando - abrem as portas da esperança aos povos sempre oprimidos.
Mas há quem tenha dicionário e vos saiba decifrar e muitos vão aprender também a fazê-lo e então, quando assim acontecer, as palavras voltarão a ter a importância que sempre deveriam ter tido.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Providência cautelar



Por mais que insista em procurar estabelecer um rumo e uma cadência editorial, não consigo.
A periodicidade e a temática dos textos que aqui publico, continua pois a ser dominada pelos impulsos diversos a que estou sujeito.
Confesso que a figura abjecta que já me fez tirar do sério mais que uma vez, voltou à carga. (é Sexta-Feira e o Público dá-lhe guarida) Ignoro-o por agora, sem que antes me confronte com pensamentos no campo da genética e nos desgraçados efeitos desta - no caso em apreço - para as gentes de Beja (estes sabem do que falo) - Adiante.
Hoje estou mais na interrogativa.
Quem terá atribuído o direito a tanto gato pingado para falar do meu salário e propor-lhe cortes?
É verdade que o empregador é uma entidade pública, mas por o ser está acima da lei e pode-se dar ao luxo de não respeitar compromissos legais e regulamentares?
Ah e tal, agora não tenho dinheiro, vou ficar com o teu 13.º mês! Assim, sem mais nem ontem?!
Espero sinceramente que a assim acontecer, os Sindicatos saibam desenvolver as acções adequadas também no plano jurídico e accionem todos os mecanismos possíveis, nomeadamente recorrendo para os tribunais (nacionais e comunitários) por violação contratual.
Julgo mesmo que faria sentido accionar-se de imediato uma providência cautelar.
Não é o aconselhável perante a iminência da prática de um crime?

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

CONFISSÃO



Tenho um vicio diário.
Libertado que estou de um outro, com outro tipo de malefícios (não sei se maiores) mantenho no entanto este que perdura há anos e que se traduz na necessidade imperiosa de ler um jornal antes de começar o dia de trabalho.
A escolha - dado o panorama actual - recai sobre o Público.
E nesta dependência estabeleço quadros de um certo conservadorismo, que me levam a amuar perante uma reformulação gráfica, ou quando diminuem o tamanho dos caracteres nas palavras cruzadas ou quando da retirada (imperdoável) da tira de Calvin.
Apesar de tudo, são menores - ou de menor projecção cénica - as doses de toxicidade a que estou sujeito quando leio o Público, do que as que sou exposto quando vejo televisão ou quando se percorrem certos pasquins.
No entanto…
Há dias em que ao folheá-lo - o Público - ou simplesmente ao segurá-lo, ficamos com as mãos empestadas de imundice. Tal facto ocorre muito às Sextas-feiras. Hoje foi o caso.
Na última página, alguém verteu asquerosamente, todo o seu ódio e raiva de uma forma tão suja que se tornou difícil pegar decentemente no jornal. Fá-lo recorrentemente às Sextas-feiras.
Desta vez embirrou com Fidel (o que também é recorrente), declarou a sua morte (coisa já tão natural) e proclamou, qual Zandinga, o regresso de Cuba ao capitalismo.
Julgo mesmo que já se imagina nos seus bordeis, bebendo rum com Fulgêncio (ou este já morreu mesmo?) enquanto se baba sobre a companhia alugada.
Na sua verborreia, mata uns (Fidel), bate noutros já mortos (Sartre), proclama como verdades inquestionáveis as suas vontades.
Esta insignificante figura gosta de se arvorar em homem culto, conhecedor - o mais culto e mais conhecedor de entre todos os outros insignificantes seres.
Coitado, não consegue distinguir entre «saberes enciclopédicos» - de que ele se constitui como caixa de arquivo bafienta - e a inteligência que permite aos homens articular esses dados e construir assim novos saberes.
E assim, confunde - todo ele é uma confusão - as medidas económicas anunciadas para Cuba, como o reconhecimento inquestionável das supremas qualidades do capitalismo e distorce grosseiramente o que de facto foi dito.
Fidel disse que o modelo económico até agora vigente JÁ não é solução. Ele omite o JÁ.
O regime anuncia a abertura de novas actividades à iniciativa privada. Ele consagra tal facto como o reconhecimento do capitalismo como via salvadora.
Aconselho então que na sua bafienta caixa de arquivo procure definições para capitalismo (qualquer uma) e certamente constatará que o capitalismo é um sistema político - económico (Cuba não deixou de se proclamar como Socialista) e que pressupõe a propriedade plena da propriedade privada e a possibilidade da acumulação de capital por força disso - através de processos brutais de que todos somos testemunhas - (em Cuba, anunciam-se concessões para o exercício de actividade privada - não para a posse plena, coisa bem diferente).
Não aprofundou - porque não sabe articular - e porque o ódio o cega, outros modelos económicos presentes em projectos de Partidos Comunistas, onde estes preconizam a coexistência de uma economia com os pilares privados, públicos e cooperativos.
Em que se enquadram as medidas anunciadas para Cuba.
Conclui, porque lhe convém, que a solução é o capitalismo.
E essa «solução» causou no mundo 1,2 mil milhões de seres humanos em situação de pobreza extrema.(Citando só um dos enormes males que provocou e provoca)
Não creio que se justifique que perca mais tempo com sujeitos desta laia.
Vou lavar as mãos.
E depois pensar sobre o que devo fazer nas próximas Sextas-feiras. Coloco três hipóteses:
1. Continuar a comprar o jornal e assim acompanhar o evoluir do estado de demência do dito.
2. Ignorá-lo, o que é difícil pois ele é tipo sarna e manusear o jornal com luvas.
3. Deixar de comprar o Público.
Obs. A hipótese aventada em 1 não dispensa o uso de luvas e dependendo da evolução, provavelmente, será necessário o uso de máscara.
Vou pensar.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Uns e Outros



Descubra as diferenças

Há dias, durante as férias, numa fuga aos amontoados de toalhas e concertos de toque de telemóvel, fizemos uma incursão pelo interior algarvio.
Numa bonita aldeia, numa loja de artesanato, fazendo conversa com o proprietário, veio à liça a crise - tema inevitável - e o desabafo do meu interlocutor - resignado como quase todos - : «O que é que havemos de fazer…os outros também não são melhores…»
Não são não! Mas há mais «outros».
Explicitamente dei a entender ao meu companheiro de desabafo, que havia alguns «outros», a quem, pelo menos devia ser dado o beneficio da dúvida.
Percebida a «coisa», concordou.
Agora, com pontais e outras diatribes, lembrei-me da frase do homem da loja de artesanato: «…os outros também não são melhores».
Por facilidade narrativa, utilizarei a designação de «uns» e «outros». Sendo «uns» os que estão no Governo e «outros» os que lá estiveram antes. Aliás, este render de guarda entre «uns» e «outros» é rotina de décadas.
Assim, «uns» aproveitando os ditos de «outros», logo bradaram que os «outros» queriam mergulhar o país numa crise. (???). Retorquiram os «outros» que não. Que simplesmente apresentavam condições.
«uns» e «outros» jogam matreiros jogos de poder. Para «uns» e «outros» a crise é só um vocábulo de arremesso nesse jogo.
«uns» e «outros» aguardam o momento certo, não para atacar a crise, mas para assaltar o poder. «uns» para lhe garantirem maior «estabilidade», outros para a ele voltar pois já têm a clientela sedenta e nervosa.
E nós que sabemos que havia uma forma tão simples de dar por terminado este jogo…

sexta-feira, 18 de junho de 2010

PONTES



O PS, a quem se juntou ruidosa e alegremente toda a restante direita, pretende meter ao bolso alguns feriados.
Julgo que esta iniciativa se integra em mais uma acção directa.
E vale tudo. Agitar a bandeira da produtividade, quantificar as perdas por cada dia de trabalho, mistificar refrescantes e luxuosas pontes.
No meio deste coro de aprovação da direita, ressalto as afirmações de um senhor deputado do PSD, prestadas e transmitidas pela RTP no seu serviço noticioso da tarde de hoje, que se traduzem em afirmar que: «todas as medidas que contribuam para o aumento da produtividade merecem o apoio do PSD», assim…, sem mais nem menos. Não nos espantará por isso que este mesmo coro de direita em uníssono venha defender e aplaudir, outras medias, tais como - e espero não me arrepender pela sugestão - que se regresse à jornada de trabalho de sol a sol, que só se mantenha o domingo como dia de descanso ou que por e simplesmente se acabe com o direito a férias - esse desperdício.
Para já, só mexem em alguns feriados. Para já…
Mas é legítimo supor que pretenderão que festejemos a 24 o que a 24 não queremos comemorar, mas sim repudiar e que a 2 ou 3 se comemore o que a 1 em todo o mundo (em alguns sítios com grande sacrifício e heroicidade) se comemora.
Tal como supomos não terem coragem para retirar o direito ao descanso ao domingo, não a terão certamente para comemorar o Natal a 26 ou 27 de Dezembro - porque aqui vale-nos deus.
Falam os senhores ilustres deputados desta ilustre grande maioria (PS/PSD/CDS) que são imorais algumas pontes.
Só se falam com base na sua própria experiência, porque os trabalhadores portugueses, se querem um fim de semana prolongado, o fazem à custa das suas férias. Férias que são um direito seu e que naquele dia, ou noutro qualquer têm direito a gozar.
Os pilares das pontes que os senhores ilustres falam, são direitos dos trabalhadores.
Mas há poucos dias, sem qualquer explicação, em plena «crise» e em violação do direito de consciência de muitos, decretou o governo um fartote de «tolerâncias de ponto».
Quanto custou ao país este arremesso de mau pecador? Não teve efeitos na produtividade.
E quando, para tentar calar o descontentamento, oferecia dias de férias aos trabalhadores da administração pública (por idade, por antiguidade), quando estava obrigado sim, mas era a proceder a actualizações salariais?
Quanto custam?
Vem tirá-los agora?
Desta gente espera-se tudo - de mau.
Porque não têm vergonha para meter assim ao bolso. Descarada e publicamente.
Mas nenhuma vergonha mesmo.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Crise e Europa


(toda a Europa e não só a UE)

Confesso um certo cansaço na abordagem da crise.
Parece que tudo já foi dito e explicado e que tudo é perceptível por todos.
Parece.
Mas assim não é de facto, porque se o fosse não seriam possíveis os resultados que as sondagens atribuem a Passos Coelho e ao PSD.
Como é possível a este, que ainda por cima preconiza o que de mais velho e esfarrapado foi feito e que contribuiu para a situação em que nos encontramos, granjear da simpatia da maioria dos inquiridos?
Tal só é possível à luz de uma realidade bem mais grave que por diversas vezes tenho abordado por aqui e que se associa a uma quebra ou mesmo perda de valores, de energia e de vontade de agir, em suma, por força de um crescente processo de alienação.
Mas não é um processo que ocorra em exclusivo em Portugal.
Indicadores de igual ou maior gravidade vão surgindo com origem nos mais diversificados pontos desta Europa desenhada.
Da Holanda em que nos falam do crescimento eleitoral de um partido xenófobo, da Bélgica que muitos analistas consideram estar em vias de extinção, de Espanha que se prepara para regressar ao PP, de Itália onde é legítimo perguntar se ainda há significado para democracia, da Hungria, da Eslováquia, da República Checa e…
Existe uma União Europeia ou só já subsiste a sua ideia, ou melhor que ideia vingou no processo de construção europeia seguido?
Vinte e sete países, um número maior de povos, 23 línguas (oficiais) e dezenas de dialectos, várias moedas, 374 milhões de cidadãos … não acharão ainda os burocratas europeus que forçaram unicidade onde deveriam ter estimulado a convivência harmoniosa da diversidade?
Nesta Europa de 27, só Portugal; Espanha e Grécia têm Governos assentes em maiorias (relativas) de partidos socialistas (e que socialistas são, sabemo-lo por triste e dura experiência própria), mas de qualquer forma não deixa de ser um indicador do rumo em curso.
Será por caso que são precisamente estes os países que têm estado na berlinda por força da crise?
Garantidamente não estamos a construir a Europa dos povos e esta crise criada pode ser só o principio do seu fim.
Terá alguém no velório?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O espelho quebrado da Srª Merkel



Circula por aí, ou mais apropriadamente por aqui, já que o meio difusor é a net, um vídeo onde aparece Sócrates a mascar a língua inglesa - naquele seu jeito para línguas no qual no espanhol é expoente - e enquanto isso, ou seja enquanto ele masca, uma plateia de ilustres senhores da europa - de onde se destaca a Sr.ª Merkel - riem, por isso, à bandeirada.
A quem se dá ao ridículo não se reza pela alma, poderá passar a dizer-se, no entanto, de que se riem os comparsas dele?
Saberão porventura falar a língua de Camões?
Eu estou-me borrifando para as tristes figuras de Sócrates, agora não sou imune ao desrespeito pelo meu país e pela sua cultura.
E a risota pegada destes senhores é um acto de desrespeito.
Fale a língua de Camões Sr. Primeiro Ministro, respeite-a e exija que a respeitem.
Assim como é um desrespeito, grosseiro e agressivo, a Sr-ª Merkel descaradamente sugerir / ditar regras a países soberanos, aconselhando-os a tomarem determinadas medidas e afirmando que as que tomou para o seu país deviam constituir-se como exemplo a seguir.
Que cuide a Sr.ª Merkel mas é dos exemplos que o povo do seu país parece demonstrar querer seguir e que apontam para lhe dar por terminado o reinado.
O espelho da Sr.ª Merkel está partido - também pudera - e por isso ela não se enxerga e só vê o ridículo dos outros.
Para além do mais, seria de todo conveniente, que a Chanceler Alemã não sugerisse o exemplo alemão como exemplo a seguir.
Quanto mais não seja por uma questão de melindre...ou de exemplos.

terça-feira, 8 de junho de 2010

A crise vai acabar



Claro que também tenho o direito à adivinhação, era o que faltava que ele me fosse cerceado, logo a mim que sou tão dado às questões próprias da magia.
E mesmo que não fosse e a afirmação fosse sarcástica, não é o espectáculo diário que nos é dado: a projecção e ribalta de tanto adivinhador?
Anotai pois esta minha afirmação, adivinhação:
A crise vai acabar.
Quando os direitos dos trabalhadores forem completamente excomungados do texto constitucional e da legislação, quando despedir for mais fácil do que trocar de operadora de telemóvel, quando não existirem direitos sociais e estar desempregado passe a ser uma condição facilitadora da escravatura.
Quando a função pública se limitar à função repressora do estado e tudo o mais estiver entregue à lógica gananciosa do lucro.
Quando quem não tiver dinheiro para os cuidados de saúde morrer às portas dos hospitais e nas escolas só entrarem os filhos daqueles que tenham dinheiro para pagar as propinas, mesmo que burros…
Quando… e esse tempo não está assim tão distante.
Então acabará a crise.
O que sobra então?
Um perigoso e triste mundo de homens e mulheres alienados.
Não homens e não mulheres.
Gente, simplesmente.
E ricos, cada vez mais ricos, mais balofos e vazios.
Cada vez mais: NINGUÉM.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Tragédia e efemérides



Até quando esta impunidade? Até quando?
Como é possível um bando de terroristas a mando de um estado, atacar em pleno mar e em águas internacionais um navio e matar indiscriminadamente os seus tripulantes?
Já nada basta a estes sanguinários?
E por aqui, por estas bandas de cá deste mar nostrun os nossos governos dizem que condenam e coisa e tal, chamam embaixadores, pedem mais provas (os corpos das vitimas?)
È música a que os criminosos estão habituados,
Não podemos lavar as mãos de um problema criado por nós.
Quem inventou a terra prometida na terra palestiniana de sempre?
Temos pelo menos o direito de exigir a estes facínoras que lavem a boca antes de nos virem dizer que lamentam , mas que foi necessário.
O que é necessário é pôr fim ao bloqueio a Gaza, aos colonatos e à ocupação de uma pátria que não é sua.
É uma tragédia que ensombra as efemérides deste 1 de Junho que gostaria de comemorar convosco;
A primeira, é do foro pessoal, mas como considero ter constituído também um acto libertador, partilho assim, a alegria do meu terceiro aniversário sem tabaco,.
Comemoramos também, mesmo que as crianças da casa só já o sejam aos nossos olhos - mas existem todos os outros milhões de crianças em todo o mundo - o Dia da Criança,
Por último e anotem esta efeméride:1 de Junho de 2010 é o 1.º dia sem Constâncio. Foram 10 longos anos! O homem foi embora e vai mudar de ares depois de 10 anos da sua lengalenga: aumentar os impostos, diminuir os salários, aumentar os impostos, diminuir o salários, aumentar os impostos, diminuir os salários…
Raios partam o homem que não só não sabia dizer mais nada como nunca lhe deu para inverter as coisas.
Dir-me-ão não mudou nada. Eu sei.
Mas já não havia pachorra.
Eu sei que vai continuar com a mesma lengalenga, mas está um pouco mais longe.
Livra.