segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O Rei vai nu




É evidente que o Rei vai nu, mas quem se atreve a abrir a boca?

Julgo que é chegada a hora de com serenidade, verdade e isenção discutir a «saúde» da CM de Évora.
Os sinais de uma oposição atenta e actuante criam-nos algumas expectativas, mas é necessária coragem…
Algumas dicas para aprofundamento (por quem o pode fazer):
-Quem são, como foram recrutados e que privilégios usufruem as chefias? Que enquadramento legal têm alguns desses privilégios? (por exemplo o uso privado de viaturas municipais)
- A assiduidade e pontualidade são deveres de todos ou alguns podem-se dar ao luxo de uma segunda ocupação coincidente com o seu horário de trabalho?
- Com quem tem a CM avenças? Em que montantes, para que fins e com que enquadramento legal?
- Quanto é o montante da divida – principalmente a fornecedores - mas também a Instituições, como por exemplo a ADSE e a CGA?
- Qual é o tempo médio de pagamento das dividas aos fornecedores?
- Quantas são as Empresas Municipais? Quem são os seus dirigentes (administradores e assessores) e quanto auferem?
- Será possível à CM apresentar estudo comparativo dos custos de alguns serviços (por exemplo Mercado Municipal) quando eram administrados directamente e agora que são administrados por Empresas Municipais ou similares?
- Quanto gasta a CM mensalmente em horas extraordinárias? São todas necessárias e justificadas? Não há alternativas?
- E gastos em telemóveis com telefones fixos à sua frente, qual é o montante mensal?

Chega?

domingo, 29 de novembro de 2009

Perguntas...idiotas




Na página do SAPO é costume colocarem uma pergunta, para resposta on line.
Tipo: “Hoje jogam Sporting e Benfica, na sua opinião quem vai ganhar?”.
Num destes dias, a pergunta tinha um pouco mais de profundidade filosófica. Apresentando como exemplo de um determinado Estado dos EUA (que para combater a crise, decidiu encerrar serviços públicos), perguntavam aos “navegadores” se concordavam com a adopção de uma medida semelhante em Portugal.
Não consultei sequer os resultados, mas não será difícil supor quais foram, dada a grandeza dos ataques ao prestígio “da função pública”que diversos sectores da sociedade portuguesa desferem, motivados pelos mais escusos objectivos.
Nos últimos anos esses ataques têm sido coordenados pelo Governo, chefiados pelo seu 1.º Ministro em pessoa e assessorados por um macaquinho de repetição. Existem outros figurões, mas são de 2.º plano.
Mas voltando à pergunta: porque não nos era dada uma indicação sobre que serviços poderiam encerrar?
É que ao não ser esclarecida esta questão, podemos livremente admitir que poderiam por exemplo estar a referir-se aos serviços de cobrança de impostos, aos hospitais, aos serviços de segurança e protecção civil, às escolas…
Seguindo este caminho, estou ansioso por uma pergunta que passo a sugerir: Para fazer face aos inúmeros problemas causados pela crise e já que o Governo se mostra incapaz de os resolver, como encara a possibilidade de deixar de proceder aos descontos no seu vencimento e ao pagamento de impostos?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Re - Apresentação



Procurar cumprir e ter cumprido até agora o objectivo de colocar um texto diário neste espojinho impõe regras e acima de tudo estabelece compromissos.
Verificadas as visitas (n.º modesto, mas crescente e acima de tudo de origens geográficas muito diversificadas) coloca-me uma necessidade que de inicio não tinha e que é a necessidade de corresponder e para isso sinto também a necessidade de me explicar, ou seja de me re-apresentar.
O espojinho é a resposta aos meus desabafos mudos, é a minha caixa de eco perante os ecos que nos ensurdecem, é a procura de dizer a forma diferente como pensamos e para a qual não encontramos a ressonância que é atribuída aos outros - aos dominantes.
È mais um grito, que complemento com outros gritos.
Não é uma adesão à moda bloguista, até porque julgo que a onda já passou e muito menos uma procura de afirmação literária – não há talento, tempo e oportunidade para tal.
É escrever como se pensa e falar de igual forma – esperando ser ouvido e partilhado.
È um grito mudo chamando a atenção.
É sentir a revolta e querer partilhá-la, face ao modo dominante e asfixiante de oficialmente dizer e interpretar.
È procurar dizer: aqui está mais um que pensa como alguns de vós pensam.
É um espojinho, levantado num final de verão (prolongado).
É simplesmente um grito mudo chamando a atenção saído do grupo dos gritos mudos que nada dizem.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O nome das Coisas



“Com o devido respeito pela memória e pela obra de Sophia de Mello Breyner Andresen” – porque este título é título de uma obra sua.



Atribuir um nome a uma coisa pressupõe um conhecimento, mesmo que mínimo, sobre essa coisa. Não se dá nome à coisa se não há coisa ou, havendo, dela não tomámos ainda conhecimento.
Não sei se por força do meu marcante ateísmo (ou agnosticismo) – esta é outra discussão – dar um nome à coisa é baptizar. Calma – não comecem já – bem sei que este é um termo caro à Igreja Católica – uso-o portanto sobre empréstimo e com o sentido lato que lhe dou: acto solene de atribuição de nome à coisa.
Assim sendo, concluo que quem deu o nome – baptizou – a agora muito em voga “operação face oculta” sabia minimamente algo sobre a coisa, sabia que a coisa existia e que essa coisa teria uma face oculta. Será que saberia até mesmo, permitam-se a pequena especulação, a quem pertence a verdadeira face oculta?
A questão é saber, se nós chegaremos a saber um dia de quem é a face ou se só ficaremos a conhecer as faces dos farsantes (secundários).
À justiça o que é da justiça, não é?!.
Ainda sobre a atribuição de nomes, divulga a imprensa espanhola, revelações interessantes sobre o trio de ataque que se engalinhou nas Lajes para anunciar a matança no Iraque, sendo que uma delas se prende exactamente com o nome (e a escolha condizente do local) a atribuir à cimeira. Parece que Aznar se opôs a que a mesma fosse nas Bermudas porque o nome sugeria peças de roupa…
O nome tem que encaixar na coisa.
Lajes não sugere roupa. Pode é ter passado a sugerir mentira colossal e despudorada.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

ABRIL, mesmo se novembro



Hoje a coisa resume-se ao poema, para quem só veja até aí.
E abre-se para quem veja para além disso.
Já aqui havia dito que não gostava de algumas efemérides de novembro.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

CRISE

Vamos falar muito de crise. Fizemos um breve intervalo, por razões higiénicas, mas vamos voltar em força ao tema. A propósito… já tenho saudades da velha questão do deficit!
Sobre isto, o regresso da crise, dei por mim a pensar se não existirão duas crises em vez de uma só. Porventura até mais – mas solicito-vos para não sairmos da economia p.f.- fala-se tanto dela, porque afinal, não há uma mas sim duas. É um pouco como as variantes dos vírus (lagarto, lagarto, lagarto).
Eu explico: há a crise com que nos afectam a quase todos e com a qual justificam os baixos salários e o desemprego (alguns defendem mesmo que para preservar o emprego os trabalhadores deviam ser mais tolerantes… menos reivindicativos, poderiam, p.e. abdicar do salário) e há a crise que alimenta os lucros dos bancos (Lucro do Espírito Santo Financial Group aumentou – crescimento de 54% no resultado liquido consolidado - nos nove primeiros meses do ano, para os 101,3 milhões euros) e (o Goldmam Sachs prepara-se para oferecer bónus generosos) e outras, muitas outras noticias semelhantes.
É evidente que sofreram muito com a crise os banqueiros…
Dói-nos a alma confrontarmo-nos com notícias que nos trazem para essa dura realidade e nos confrontam com a dor de saber que em Londres, inúmeros banqueiros agora desempregados, estão a frequentar aulas de teatro em algumas das melhores escolas dramáticas.
É fácil de supor que se tratam de meras reciclagens…
Estamos todos na expectativa de ver em cena, um dueto entre Madoff e Oliveira e Costa, encenado por Dias Loureiro, com o sugestivo nome: Só o mar nos separava.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O fantasma



Não sei a que propósito mas a propósito lembrei-me desta canção de Zeca Afonso. Nem a propósito

O fantasma da casa assombrada está de volta.
Já o esperávamos. Aliás este ano tardou. Costuma aparecer mais cedo.
É pequenino, cabelo e zona envolvente cor de cenoura raquítica, atarracado, do género de quem levou uma forte porrada no píncaro do sitio de onde despontam os cabelos (se não levou é pena) e diziam os caça fantasmas que se preparava ou prepara para mudar de habitat, parece que para os lados de Bruxelas.
É míope – só de um olho, porque do outro vê muito bem. Avistam-no por vezes lá para os lados da Rua do Ouro em Lisboa.
Há mesmo quem afirme que é aí a casa assombrada.
O seu mais enervante tique é ser repetitivo e enfadonho.
Que vá pois para Bruxelas, aliás poderíamos mesmo lançar uma campanha do género “salvemos o fantasma da casa assombrada – mandemo-lo para Bruxelas.”
O que devia assombrar, não assombrou e aí está ele de novo, no seu mais que predilecto papel: atazanar a vida aos funcionários públicos.
O refrão da cantiga (só sabe o refrão) é:
os funcionários púbicos iô
têm que perceber iô
Que a crise não deixa iô
Aumentar os vossos (e dá uma grande entoação a VOSSOS) iô
Salários iô.
Às vezes substitui crise por deficit.
Também já está taralhouco, os fantasmas não estão imunes…
Mandemo-lo pois para Bruxelas (para não o mandar para outro sítio pois somos gente educada e até os fantasmas merecem algum respeito).
Se precisar de uns carrinhos novos é só dizer…