sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Porque hoje é…sexta-feira




A água voltou às torneiras.
Os professores estabeleceram um acordo com o Ministério.
O delgado teve que meter a viola no saco e dizer hoje o que havia contradito ontem.(Não percebo, santo ingénuo, esta coisa das noticias comentadas)
Foi aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Creio que a bolsa está no verde (embora a minha esteja no fundo)
É sexta-feira.
Tudo parece correr bem no reino da dinamarca.
A não ser…
Que ficámos a saber que 600 000 conterrâneos não têm emprego. (e publicassem eles os dados sobre a qualidade do emprego daqueles que têm uma coisa que se assemelha a isso…)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Viva a Economia





Aqui na minha cidade, continua o problema do abastecimento público de água.
Transformaram um bem público num negócio de alguns e agora, todos (quase) sofrem as consequências.
Tenho um fiozinho que o esquentador se recusa a reconhecer.
Ainda por cima o S. Pedro, para ajudar, parou a chuva que sempre dava para aproveitar alguma água dos beirados e mandou o frio de rachar.
Banho assim??? Arre!!!
Há que aguentar e de cara à banda.
Há quem, noutro espaço da blogosfera esteja a tratar e bem do Zé do Cano.
Mas é de negócios que quero falar.
Pela manhã ouvi na telefonia (posso dizer assim, não posso?) um senhor economista vociferando contra os professores porque, dizia ele - sem contraditório, como gostam - que é inadmissível que todos os professores pretendam chegar ao topo das suas carreiras.
Claro, para quem atinge o topo só com golpes de cintura, é inadmissível que os professores se revoltem contra as tentativas de impedir - através de artimanhas regulamentares - a normal progressão na sua carreira.
Mas, como disse, é de economia que quero falar, até porque alguns economistas - as vedetas mediáticas - é que são dadas a falar sobre tudo e com eloquência, além de que não tenho a menor dúvida, que os professores sabem bem melhor falar de si.
E pretendo dizer uma coisa muito simples: Fiz as pazes com a Economia.
Que culpa poderá esta ter, por albergar no seu seio semelhantes araras?
Que culpa poderá ter, se o interesse mediático se centra, não na Economia, mas sim nos porta vozes de serviço ao sistema capitalista?
Que culpa poderá ter se silenciam aqueles que a respeitam?
Que culpa poderá ter de, em seu nome, só se abordarem questões financeiras - fundamentalmente na perspectiva especulativa - e pouco ou nada da ciência económica?
Aos economistas não araras do regime devo um pedido de desculpa.
Por vezes considerei tudo farinha do mesmo saco e há diferenças.
Expressivas diferenças.
Viva a Economia

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Oh natureza, oh santa incompetência




E, arremessando a bíblia, o velho abade
Murmurou:

«Há mais fé e há mais verdade
Há mais Deus com certeza
Nos cardos secos d'um rochedo nú
Que n'essa bíblia antiga... Ó Natureza,
A única bíblia verdadeira és tu!...»

Guerra Junqueiro


Hoje, o adorno mais usado em Évora, foi o garrafão de água. Por ele, travaram-se as mais épicas peripécias.
Sítios houve em que se vendeu tanta água até às 10 horas da manhã como a que se vende num mês inteiro.
Não fora o facto de não ter podido tomar banho, ter simplesmente sarapintado a cara para tirar os restos de espuma da barba, lavado os dentes usando uma pequena garrafa de água mineral, amontoando a loiça suja, contraído as vontades (aquelas) e até tinha achado piada à coisa.
As bicas foram tiradas com água mineral e ganharam um gostinho diferente e as pessoas, todas, transitavam, não de guarda chuva - que até essa parou ao meio dia - mas de garrafanito ou garrafanitos nas mãos.
Uma nova tendência da moda - uma consequência de criatividade certamente resultante do Évora Moda - e que sem dúvida, será seguida nas grandes cidades europeias - cidades de excelência - como Évora.
À hora que escrevo, aguardo a próxima conferencia de imprensa do excelente presidente da câmara desta cidade excelente, a informar que o problema está resolvido e que nas próximas horas o abastecimento de água estará restabelecido.
Convencido, interrompi e fui verificar: nem uma gota ainda…
Dizem que a causa do problema reside nos níveis de alumínio presentes na água da albufeira onde se faz a captação - elevados, por força das enxurradas provocadas pelas fortes chuvas. Parece ser verdade que as chuvas influenciam o fenómeno, o que me intriga é a expressão desse fenómeno, ou seja, seria a concentração de alumínio tão elevada que determinasse uma medida tão drástica? Teria níveis de toxidade tão elevados que não permitisse sequer o seu uso para outros fins que não o consumo?
Por força deste facto, reflecti sobre hábitos, dados adquiridos e acima de tudo sobre a propagada infalibilidade da ciência (quem não ouviu já: está cientificamente provado, por isso não questiones).
À pretensa infalibilidade científica juntou-se a não menos arrogante infalibilidade da técnica. O homem como senhor da natureza.
E entretanto assistimos todos os dias, às vezes com consequências dramáticas, à desmaterialização desta certeza da modernidade.
A Ciência - que alguns quiseram elevar ao estatuto dos dogmas religiosos - um novo Deus - não é mais que uma forma (correcta) de procurar as respostas e de se aproximar do real
O caso de Évora é, uma expressão leve (pela dimensão dos efeitos)do fracasso da técnica e uma demonstração inequívoca da incapacidade dos gestores da cidade.
Apesar de tudo, confio mais na técnica que na capacidade dos governantes da cidade.
Tenho FÉ que amanhã de manhã possa tomar duche.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Nós e os outros





Quando os homens e as mulheres sem emprego, interrompem por momentos a circulação numa estrada para manifestar a sua mágoa, há quem, apressada e finamente logo proteste: «não há razão, por mais razões que julguem ter, este comportamento, é um comportamento bárbaro. Nós temos compromissos e horários» dizem - mesmo que sejam só os de cabeleireiro, sabemos nós.
E têm logo a cobertura da lei feita ou que apressadamente se vai fazer: «estas manifestações são selvagens e como tal são um crime».
Quando enfrentam a Polícia que os desaloja do BPP que ocuparam, correm a bradar: «Não há direito, isto não é próprio de uma sociedade democrática».
E são recebidos na Comissão Parlamentar e têm lugar assente em todos os telejornais.
Quando roubam uma carteira é de certeza obra de um preto criminoso que devia ir para a terra dele (que por acaso é Moscavide).
Quando desfalcam milhões são vedetas nas televisões.
Quando desabam as estufas por causa dos temporais, logo correm ministros e comitivas prometendo mundos e fundos (e só é errado, se não cumprirem, dizemos nós).
Quando desabam as muralhas do Castelo de Campo Maior e 50 famílias ficam desalojadas, logo alguns dizem: só foi pena as pedras não terem caído sobre os ciganos.
Quando os que despedem são os que compram bentleis e iates e planeiam uma viagem espacial.
Quando os que ganham milhões em operações especulativas (sobre as quais não pagam impostos) são os mesmos que consideram inaceitável um aumento de 25 € no salário mínimo.

Quando…
Nós ouvimos cândidos e hipócritas apelos à convergência

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mais uma receita, do mesmo...papagaios.





“Não há verdadeira redução da despesa sem privatização de serviços” diz Daniel Bessa.

Se não chover vamos ter seca, diz um vizinho meu.

Mas tem chovido tanto…

E eu, apesar de tudo, retenho-me mais na afirmação do meu vizinho - merece-me mais respeito - do que a grande tirada teórica, do grande teórico, professor de tudo e especialista em mais alguma coisa ainda.
É óbvio que sim, porque sim, se o Governo privatizar escolas e hospitais - como advoga o grande professor - diminuem as despesas…do Estado e aumentam as do cidadão.
O problema é que nós pagamos impostos no pressuposto de o Estado assegurar um conjunto de direitos que estão legal e constitucionalmente assegurados.
Assim, se privatizam será legítimo esperar que diminuam os impostos.
Mas não oiço o grande professor advogar tal principio.
O Público de hoje apresenta-nos alguns indicadores macro económicos dos últimos dez anos, p.e.:

Indicador 1999 2009
Número de desempregados 225800 494800
PIB Per Capita 11600€ 12000€
Investimento (% do PIB) 26,8 18,2
Dívida Pública (% do PIB) 51,4 77,4


Apresentado o quadro (cuja fonte é o Público de hoje) e de forma a não prolongar o texto, concluo formulando algumas perguntas:

Sabe o distinto professor quem tem estado à frente dos negócios públicos e quem tem governado o País neste intervalo de tempo?
Quantos anos tem já à sua conta o seu amigo Sócrates?
Não encontraremos o seu próprio nome, distinto professor, na lista dos responsáveis?
Não tem sido sempre esta a escola dominante - aquela onde de que é distinto professor?

Os senhores são os grandes responsáveis.

O distinto professor; o distinto Governador, o outro distinto professor que agora prega às tardes mandando recados, os menos distintos mas seguramente eficazes professores que agora lá estão.
Tenham pelo menos a humildade de o reconhecer.

O meu vizinho diz tinto e eu tenho-o em muito maior consideração.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Ai Évora, Évora




Nós sabemos o que temos em Évora, que de Évora nos estamos esquecendo.

Querem pintar-te os lábios, dar um retoque no cabelo, rosar-te as maçãs do rosto, dizem que para embelezar - eu julgo que é mais alisar - a tua Acrópole, mas nada fazem pelo teu corpo que se escanzela a cada dia que passa e onde as casas em ruína marcam as tuas ruas, travessas e recantos.
Na sala de visitas, põem agora toda a tralha que habitualmente guardamos nos quintais. Dizem que para animar o comércio tradicional e este assiste à patinagem e fecha portas ás sete, domingos e feriados, porque eles também são gente.
A chuva tem dado uma ajudinha na lavagem das ruas e o frio também tem retidos os cavalinhos cagões, pelo que aqui não temos por agora que nos queixarmos, já no que toca ao amontoar dos lixos…
A ópera por aqui nem bufa, o ballet mostra-se em Portalegre, o cinema vê-se em Montijo (aquando de uma visita para compras) o almoço toma-se em Arraiolos porque aqui a cidade fechou.
Não há alegria nas tuas ruas e gentes.
Há uma cidade que definha.
E acorda para o novo ano acabrunhada, sem saber o que se esta a passar, de que mal padece.
Pode ser que rapidamente façam mais uma festa do forcado ou que a Caneças tenha saudades dos croquetes e que assim reganhe algum ânimo.
É que cada vez está mais pálida.
Nem com pozinhos lá se vai.
E sua excelência, o Sr. Presidente, fala de ingovernabilidades e de coligações negativas.
Alguém o oiça e dê uma ajudinha (a concretizar as suas ameaças veladas).
É que com esta governabilidade é o que se vê.

sábado, 2 de janeiro de 2010

A que cheiram certos discursos?




O senhor PR no seu discurso de votos de Bom Ano, uma das tradições políticas a que nos habituaram, traça um quadro de preocupação face ao crescimento do desemprego e da dívida externa e apela a uma ampla convergência no sentido de evitar o desastre.
É também quase tradição, serem intocáveis as posições dos PR (s) sejam eles quem forem. Como em muitas outras, não me apetece integrar o espírito dessa tradição.
E não me apetece porque, todos sabemos e o senhor PR também por força do «todos», o sabe, que só convergem os que procuram atingir o mesmo fim (os afluentes convergem num mesmo rio que se dirige para o mar).
Como podem convergir os desempregados com quem os despediu?
Os que procuram aumentar os lucros à custa da redução do custo dos salários, com os que já têm salários curtos?
Os que tudo têm com os que têm a miséria toda?
E os partidos, os destinatários do apelo do senhor PR são a representação política destes posicionamentos divergentes e o senhor PR sabe-o bem. Ao que o senhor PR apelou foi para a capitulação daqueles que se batem pelos menos favorecidos.
E por outro lado fica também a interrogação: quem causou a situação em que nos encontramos?
Não têm nome, os responsáveis?
Quem têm sido os que têm conduzido os destinos do País? Não encontraremos também o nome do senhor PR como timoneiro mor desta barcaça durante quase uma década?
Quer continuar esta convergência senhor PR?
Pela minha parte advogo antes ruptura como solução.
Uma ruptura que leve a uma novo caminho.
Estes discursos da convergência cheiram-me a bafiento.
Estamos a convergir há tempo demais.