segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Ventania


Assim como se espalhadas pelo vento…

Pena
Herr Shauble tem pena dos portugueses.
Os portugueses de há muito que sabem que o que tem penas são as galinhas.
E outros pássaros, passarinhos e até passarões.
Cuide-se Shauble e cuide ele do seu Deutsche  Bank (a coisa está preta, não está, caro Herr?) e deixe os portugueses cuidarem de si próprios.

Juros
Desapareceram as notícias sobre taxas de juros.
Quando subiram, a culpa era do OE (que ainda não é) e não dos maus resultados da economia em 2015 (que já foram).
Agora que baixam, a que se deve?

Mariano
Este vizinho, atolado até ao mais empertigado cabelo, em escandaleiras de toda a ordem, também está preocupado e assusta os espanhóis: «estão a ver o que se passa em Portugal?».
Mas o que se terá passado em Portugal que tanto o assusta?

Produto novo
Consta que Portas será o novo comentador de Portugal. Talvez SIC, Talvez TVI.
Que produto, vão produzir agora?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Abjectividade



Obviamente que descuro o sublinhado que o corretor ortográfico usa para chamar a atenção de erro.

Sou recorrente neste tipo de erros.

E o título assim escrito relaciona-se com muito do que se passa na comunicação dita social.
A acompanhar a nova situação política há uma situação nova que finalmente traz para a claridade aquilo que existindo, estava um tanto ou quanto obscuro, ou seja, não há comunicação social livre, ou até mesmo só tendencialmente livre, mas sim, só um conjunto de serviços informativos formatados pela ideologia dominante.

Factos

Depois das eleições foram caixa-de-ressonância dos patéticos discursos da ilegitimidade da solução democrática encontrada para formar governo.

Depois, de novo, alinharam no papão europeu de não aprovação do orçamento. Sempre de cócoras no papel de aluno subserviente e queixinhas.

Agora agitam as bandeiras do irrealismo das metas.

Aterrorizam com a subida vertiginosa (nas palavras deles) das taxas de juro da dívida.

Ficamos a saber pelos seus importantes alertas que esses valores estavam hoje (às 09.45, porque às 09:46 os valores já podiam ser outros) ao nível de …2013. 2013?

Paralelamente, sabemos que em subida se encontram os valores dos juros de…Alemanha e França (Ai o irrealista OE Português os males que traz à Europa…)

E também sabemos que descem em Espanha; Itália e…Grécia.

Ah pois…

Os investidores querem lá saber dos pormenores (zinhos) das nacionalidades em Espanha, da não existência de Governo, dos problemas (zinhos) de Itália e da Grécia.

O irrealista OE do Estado Português esse sim, pode desequilibrar toda a Europa e pelos vistos é até responsável pela situação grave que se passa no Deutche Bank.

Realista era ele contemplar como definitivo o que nos disseram que era temporário. Manter a sobretaxa, os cortes nos salários e nas pensões e medidas «estruturais» semelhantes. Isso sim é realismo.

Mas os órgãos de informação do regime apresentam outros traços interessantes.

Na greve da função pública recente, aceitaram, divulgaram e não piaram sobre as percentagens de adesão divulgadas pelos sindicados.

Num tempo muito recente…

Divulgam também com fulgor todas as posições de BE e PCP que sejam contrárias ao PS no Governo.

Interessante…



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

SELOS de GARANTIA



Muitos de nós. Mas mesmo muitos. Temos uma fé inquebrantável (e a redundância não é mero exercício) em determinados selos de garantia.

Apostos eles e nada mais há para dizer e muito menos para duvidar, quer se trate de produtos, ou mesmo ideias.

Alguns exemplos:

Verdades cientificamente provadas:

Foi (é) quase sempre o arremate final em muitas discussões, quase sempre expressa assim: «desculpa lá! Mas isso está cientificamente provado».
E assim chegados, não há mais espaço para questionar, para procurar saber como foi o «processo científico» e muito menos para contra argumentar.
A ciência ao serviço de dogmas e a anular-se enquanto tal.

É verdade! Deu na televisão.

Pronto. Deu na televisão é verdade. Passou a ser real. Mesmo que algum tempo depois, em nota pequena, se tenha admitido o “erro”, o facto, só porque foi objeto de cobertura televisiva passou a real, mesmo que tenha sido só mera e grosseira encenação.
Por mim, inclino-me muito mais para partir de constatação contrária, ou seja…se “deu” na televisão convém ter alguma reserva…

A Europa não deixa.

Este é o mais recente dos dogmas. Se queremos diminuir o iva das bicas, se se deve taxar a 13 ou a 23 as ervilhanas ou alcagoitas, se … surge logo a questão derradeira: «Não pode ser! A europa não deixa! E se alguém argumenta: «então saímos da europa» é pronta a resposta: «Não pode ser…a europa não deixa».

Porra!
Não está cientificamente provado.
Não deu na televisão
E a europa não deixa.

Por isso. Porra não.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Um sério problema

Confesso que num primeiro impulso pensei em abordar a questão na base da ironia. E essa base residia no facto de parecer não fazer sentido falar-se e fazerem-se em Portugal eleições, quando se verifica que é «bruxelas» que dita as regras e as consequências do seu não cumprimento.

Quando esta abstrata figura, «bruxelas»,até com o IVA das nossas bicas se mete, creio que se justifica que a ironia passe para uma preocupação muito séria.

Em Portugal, os que passaram a vida a acusar outros de falta de patriotismo, assinaram de caras o que não conhecemos, mas cujas consequências são a mais grosseira perda de autonomia.

À luz do direito, tais compromissos, assumidos por aqueles em quem confiámos para garantir e fazer garantir a Constituição e o seu princípio central de soberania nacional, deveriam constituir-se como atos de traição à pátria e como tal, julgados.

E esses, têm nome. São os que assinaram Maastricht, Lisboa e outros tratados (atentados) à soberania nacional.

Mas não só não são julgados como ainda se arvoram em agentes dos usurpadores da nossa soberania. É ouvi-los clamar que não nos resta outro caminho que não seja o de cumprir, rigorosa e cegamente, o que «bruxelas» impõe.

Miguel de Vasconcelos, ao pé destes, foi um pobre infeliz. Não se estranha pois que tivessem acabado com o feriado do 1.º de dezembro.

Outros, com bocas mais pequeninas e culpas só assentes na estupidez que patenteiam, esganiçam: «pediram? pois agora paguem! e cumpram as regras».

Não se interrogam sequer sobre quem pediu e para que pediu e muito menos sabem que há mais mundo para além deste clube de bruxelas e que nesse mundo, todos os dias e a todas as horas se processam operações de dívidas públicas. E também não sabem que, todos os países, têm dívidas públicas e que os EUA têm uma das maiores do mundo.

No entretanto…energúmenos suecos, de rosto tapado, juntam-se em manada e atacam crianças filhas de refugiados.

Em paragens próximas confiscam os bens miseráveis dos refugiados lembrando práticas nazis em que nem os dentes (de ouro) das vítimas escapavam.

E «bruxelas» não age, não ameaça.

Sobre isto nada tem para fazer cumprir, o que é aliás isto ao pé do IVA da bica dos portugueses?

Jorge Sampaio disse que estamos prestes a ter um problema muito grave.
Não estamos prestes. Estamos perante um problema muito grave.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Contributos para um dicionário de europees

Contributos para um dicionário de europeês

Economeira – Ciência oculta que nasceu da implosão da economia  a cujos destroços associaram os ditames financeiros.

Divida – Sistema central da economeira através do qual se procede à moderna delapidação dos patrimónios dos povos.

União Europeia – Processo nascido de uma sucessão de medidas clandestinas lesivas da independência e soberanias nacionais.

Porreiro Pá – Grito de guerra proferido no final de uma das cimeiras clandestinas na qual se usurparam independências e soberanias.

Euro – Mito moderno sem o qual a vida não é possível. Moeda da economeira através da qual a Alemanha está a conseguir tudo o que tentou através das guerras e não conseguiu com estas.

Comissão Europeia – Grupo de ativistas da economeira que ninguém conhece de lado nenhum mas que põem e dispõem em todo o lado.

Governos nacionais – Delegados submetidos aos ditames da Comissão Europeia.

Parlamento Europeu – Coisa gigantesca com complexos de inferioridade.

Fundos Europeus – Fabulosa encenação para entretenimento e ilusão das vítimas da economeira.

Construção Europeia – Processo iniciado com base num projeto menos mau, mas que com o decorrer do tempo foi sofrendo alterações, o que, associado às escolhas dos empreiteiros, deu lugar a uma «coisa» prestes a implodir.

Democracia – Sistema anterior à construção europeia e com base no qual, os cidadãos escolhiam através do voto os seus governantes. Na atualidade, continuam alguns simulacros, mas os governantes escolhido têm de se subordinar ao «poder do escritório» de Bruxelas.

Eurocentrês – Corrente filosófica em torno da qual se constrói a ideia que a Europa é a União Europeia e que não há vida para além dela. Nos outros países do mundo anseia-se desesperadamente para que um dia os deixem fazer parte deste mundo maravilhoso. Os seguidores do eurocentrês que já uniformizaram a economeira, preparam-se para uniformizar outras áreas. Côr da pele; dos olhos, altura, formas de andar; língua e cultura, gastronomia e outras.

E por aqui, vamos cantando e rindo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Presidenciais, claro

Ila (i)ções

Pululam os analistas fabricando teses a propósito do descalabro eleitoral do candidato Edgar Silva que foi apresentado e apoiado pelo PCP.

Fabricam eles que, tendo sido assim, o «peso» do PCP no acordo que conduziu à formação do governo atual, se torna bastante mais reduzido.

Há mais vontade de fabricar – e fabricar nesse sentido – do que em analisar.

Começo pelo óbvio: o resultado de Edgar Silva é desastroso. E sendo-o, não compreendo os discursos redondos e até deselegantes por parte de dirigentes do PCP ao invés de darem a mão à palmatória e reconhecerem o óbvio.

Por outro lado, ao terem proposto e apoiado é também óbvio que deram o flanco para este tipo de fabricações.

Mas, sobre a fabricação.
Sugiro que se analisem então as eleições presidenciais na sua relação com as eleições legislativas, porque é isso que estão a fazer com Edgar Silva e o PCP.

Assim:
A candidatura de Marcelo, na sua relação com os partidos que o apoiaram PSD e PP sai beneficiada em mais 324121 votos.
Consegue fidelizar o eleitorado do PSD e CDS e acrescenta-lhe mais 15%.
(Como se tivesse sido assim...)

As candidaturas de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, no conjunto (e considerando que ambas foram apoiadas pelo PS) perdem em relação a este (PS), 490296 votos.
Só conseguem fidelizar 72% do eleitorado do PS.

Marisa perde em relação ao Bloco, 81571 votos.
Fideliza 85,2% do eleitorado do Bloco.

Edgar perde, em relação à CDU, 263074 votos.
Só fideliza 41% do eleitorado da CDU.

Estes são os números e as relações óbvias.

Procurar passar a ideia que só Edgar não consegui fidelizar o eleitorado da CDU e que isso se traduz numa perda da influência da CDU é mera fabricação de desejo.

Analisemos as Presidenciais enquanto tal, ou seja, enquanto Presidenciais e, por mim, creio que há um universo de factos que lhe estão associados e que devem merecer toda a atenção analítica.
Desde que se faça com o mínimo de isenção exigível.
E esse mínimo de exigência não implica a abdicação do nosso entendimento e ideia de partida, antes pelo contrário. Todos metemos um pouco de nós na análise.
Não partilho nem existe neutralidade axiológica.

Por mim, declaro, que simpatizei com a candidatura de Edgar Silva.
Tal facto não me dá o direito à distorção.
Os outros, os que nutrem outras simpatias de partida – que nem sequer têm o cuidado de identificar – também não têm o direito de distorcer.

Às Presidenciais o que é das Presidenciais.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Surpresas


Se há coisas pelas quais as eleições presidenciais de ontem podem ficar marcadas, não será pela existência de grandes surpresas.

Algumas, houve, no entanto.

A eleição de Marcelo à primeira volta não é surpresa.
Os resultados de Maria de Belém, não são surpresa.

Meia surpresa podem ser os resultados de Marisa (apesar dos quase 100 mil votos a menos face ao resultado obtido em Outubro de 2015 pelo Bloco) e surpresa inteira e grande a baixa votação de Edgar Silva.

Confesso que esperava que Edgar Silva, até como resultado da sua postura de certa forma nova e não encaixável no padrão dominante no PCP, tivesse uma votação que não se desviasse muito da votação que considerava consolidada e esta situa-se próxima dos 400 000 votos.

Mas não, Edgar Silva teve menos de metade dessa votação.

Sou de opinião, que as razões para tal devem ser procuradas, não tanto no candidato (mas também) mas principalmente no Partido que o propôs.
O candidato foi um bom candidato (os resultados obtidos na Madeira assim o atestam) e a sua candidatura uma decisão acertada do PCP.
Então o que não correu bem?
Essa é uma discussão a travar noutro espaço.

A análise dos resultados,  evidencia-nos que os resultados para eleições presidenciais são quase sempre inferiores aos resultados para outras eleições que ocorrem no mesmo período ou em períodos próximos:

A exceção ocorre em 2006, em que a candidatura de Jerónimo de Sousa obtém mais votos que os obtidos pela CDU nas legislativas de 2005.

Francisco Lopes em 2011 só obtém 68,1 % dos votos (-140 931) que a CDU obtém nas legislativas do mesmo ano.

António Abreu em 2001 só obtém 58,6% dos votos (-156669) que a CDU obtém nas legislativas seguintes, em 2002.

E agora Edgar Silva, obtém 41% dos votos (-263074) dos obtidos pela CDU em outubro passado.

É uma diferença muito grande que não pode ser explicada pela tendência.
Existirão outras razões.

Nota: Afirmei aqui que estava convicto que iria haver uma 2ª volta. Enganei-me. Por pouco, mas enganei-me. A saqueta funcionou. Misturou-se água e escolheu-se um presidente.