terça-feira, 17 de maio de 2016

Aboberices ou um filosofar de algibeira

A propósito da simplificação…ou do seu contrário…

Não há coisa mais difícil e mais injustamente tratada, que a simplificação.
Simplificar é difícil, mas depois de (se simplificar), todos se apressam a dizer: «mas é claro».
Incapazes de simplificar, muitos, na expetativa de transmitir aos seus auditórios aquele ar de eloquência que é próprio daqueles que desta, nada têm, e na espectativa dos aplausos, lançam-se num uso desenfreado de termos «complicados».
Depois do discurso, os eloquentes, adoram saber que ninguém percebeu nada do que disseram.
Essa é a garantiam que julgam adequada ao estatuto.
E são quase sempre bem-sucedidos.
Por outro lado têm também a garantia de que não serão contestadas (pois se não foram percebidas) as ideias expostas e muito menos, que sobre elas, alguém se atreverá a perguntar o que quer que seja.
Os discursos servem os seus propósitos:
Nada dizem, porque nada os seus autores tinham para dizer.
Os termos complicados e o arredondado discursivo transmitem a ideia de eloquência.
E porque nada dizem, também nada haverá para contestar ou lugar para dúvidas.
Haja palmas (e essas são garantidas) e eles ficarão satisfeitos.
Dependendo dos contextos, o uso de termos complicados e do discurso redondo pode ser substituído por frases fortes e curtas do tipo chavão.
Todo o resto se manterá.
Trata-se, nestes casos, de mera cosmética.

Simplificar…?
Para quê?
Além de que isso é difícil!

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Caldeirada



A presidência europeia da união europeia, a Holanda, num documento oficial distribuído a propósito de uma reunião daquilo a que eles chamam eurogrupo (designação que o corretor ortográfico teima em não aceitar e faz muito bem) promoveu um jornalista a ministro das finanças do governo de Portugal.
Se promoveu, está promovido. A fotografia do nosso novo ministro corresponde ao jornalista José Gomes Ferreira.
Os parabéns, obviamente, não dou. Mas pronto…eis o nosso novo ministro.
Afinal quem são os donos disto tudo han?!

Ficámos também a saber que o afilhado fica feliz quando o país está bem.
Que bom!
Mas… (adiante).

No Reino Unido – os ilhéus, coitados – teimam em referendar a continuação na união europeia.
Atrevam-se e serão uns infelizes para toda a vida, coitados.
Até Obama está preocupado e prometeu dar uma ajuda.
De facto é preciso dar uma lição aos ilhéus para que se deixem de parvoíces.
Na Síria, na Líbia, no Iraque lançaram democracia sob a forma de bombas.
De que forma enviarão agora sobre os ilhéus a dose de bom senso de que estes precisam?

Há, pois há. Há. Há.
Há plano B sim senhor.
Um esforçado jornalista (sempre eles, esforçados, abnegados, livres, isentos e sei lá que mais) descobriu-o sob a forma das cativações orçamentais.

E continuação da austeridade e subida de impostos?
Também há. Há. Há. Há.
Porque não sei quem da união europeia disse que ia haver, porque uma comissãozita de não sei quê disse que ia haver e porque o comentador de tudo disse na televisão que ia haver e porque um jornalista escreveu que ia haver.

Portanto…

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Nós já vivemos o futuro


Lembram-se?

Ficámos então, nesse futuro vivido, a conhecer os campos e as gentes que julgávamos já conhecer.
Conhecemos e apaixonámo-nos pelos sítios de onde antes queríamos fugir.
Passou a ser bom e a saber bem, viver onde vivíamos.
Receber visitas como recebemos.
Trocar abraços.
Aprendermos novo significado para a palavra camarada.
Aprendemos a cantar, mesmo os que hoje ainda não sabem.
Conhecemos poetas, escritores, revolucionários.
E tratávamo-los por tu.
Como se os conhecêssemos e conhecíamos.
Soubemos a que sabem os beijos.
Aprendemos a amar.
E para esse tempo futuro vivido, não fomos levados por máquinas nem por imaginações.
Não datámos o tempo, mas sabemos que esse tempo, o futuro, foi o tempo que alguns construíram.
Com muito esforço e coragem.
E hoje, com esse futuro tão distante é nos homens e mulheres que construíram esse tempo que penso e a quem quero deixar o obrigado.
Um obrigado a eles e a elas e um lamento por não termos sido capazes de guardar o futuro para os nossos filhos.
Hoje, é de novo passado.
É certo que que por vezes há uma aberta e um rasgo de sol surge tímido por entre as nuvens.
Mas é só uma aberta.
Já não sabemos o que significa a palavra camarada.
Mesmo aqueles que a usam.
Já não nos lembramos dos nomes dos homens e das mulheres que construíram o futuro que vivemos.
Os beijos já não sabem a sal, a sol, a amor.
Os abraços, são de circunstância.
Mas…
Alguns resistem.
Eu quero resistir.
Por isso, estas palavras, nas vésperas (quase vésperas) de nas ruas e praças, se comemorar o dia que foi então o primeiro dia do futuro que vivemos.
E por isso também, uma palavra de gratidão para os homens e mulheres que ajudaram a construir o nosso futuro.
E a esperança de ainda sermos capazes de dizer camarada.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Silêncios

Silêncios

E tantas vozes…

Nomes
Saiu de cena, recentemente e pela porta pequena, um personagem que marcou – negativamente – a história recente do país.
As marcas que deixou ficam gravadas a betão e perpetuam o nome de amigos e colaboradores próximos enlameados nas mais diversas lamas.
É uma perda de tempo lembrá-lo.
Se este apontamento aqui trago é para falar de nomes e no caso das pessoas, só os uso em relação àquelas que fazem por merecer essa condição.
Nunca usei nome para me referir á personagem.
E não tenho a menor intenção de o fazer em relação ao substituto, até porque ele próprio não deve gostar muito do seu próprio nome, já que faz questão de usar sempre cognome.
Chamar-lhe-ei, já que recuso o uso do cognome, afilhado.
E tal designação ocorre em contexto bem português e com significado preciso: «aquele que é apadrinhado por alguém».
Nada mais.
Pois o afilhado, frenético, na ânsia de ganhar agora, o que o eleitorado não lhe deu, todos os dias aparece a falar de qualquer coisa. Mas é mesmo de qualquer coisa, porque das coisas sobre as quais deveria falar, fecha-se em copas.
Nada diz sobre a grosseira e malcriada intromissão do homem das dragagens e da reprografia (onde imprime as notas) nos assuntos internos de exclusiva soberania nacional.
Nada diz sobre as criminosas fugas aos impostos de que se tem somente pequena perceção neste levantar de véu através dos papéis do panamá.
É traço do seu frenesim Julgar que foi eleito para governar.
O convite ao homem das dragagens se outra coisa não configura (submissão) configura pelo menos uma perceção confusa sobre o Conselho de Estado. Trata-se de um Conselho de Estado ou de um Conselho de Chefe de Estado?

quinta-feira, 10 de março de 2016

Coroação

Coroação

O rei foi coroado.
Há festa nas ruas e luz nas nossas vidas.
E almas (de todos os credos).
Todos. Todos. Todos. Gostam do rei.
Não é verdade?!
Quem se atreverá a não gostar de homem tão gentil e fraterno?!
Se houver, merece ser chicoteado.
O rei assinará o édito.

Lembrete

Quando em eleições internas do PCP uma determinada eleição atingia valores próximos da unanimidade, ou quando num dos países do chamado leste se escolhia por plesbicito e elevadas percentagens o seu Chefe de Estado, abundavam as anedotas e os ditos sarcásticos.
Os que o faziam, parece agora, que perderam, todo o sentido de humor.
O PSD só tem um candidato e parece reunir unanimidade.
O CDS só tem uma candidata e parece reunir unanimidade.
O PR (eleito há pouco, com 52% dos 50 e pouco que foram votar) projetam-no agora como o senhor desejado e amado por todos (tipo, grande líder do povo).
O mundo está mesmo virado do avesso e a coerência está extinta ou em vias de extinção.

Tipo raposa

Todos conhecemos a estória. As raposas gostam muito de uvas.
Passeando uma raposa sob alta latada e não conseguindo chegar aos cachos de uva, comentava para si, numa tentativa de justificação, não tem importância, as uvas ainda estão verdes», mas deu um brusco salto, quando persentiu que alguma coisa caíra lá do cimo. Azar da raposa, tratava-se de uma simples parra.
Pois assim parece Passos Coelho. Não há dia (agora) que não diga que bem, enfim, temos um Governo (e a custo, aceita, legítimo) e ele até aceita que dure o tempo da legislatura. Mas de imediato dá um pulo brusco sempre que lhe parece que uma parra caiu ou está para cair.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Ufa

Sobre o que vai

Adeus ó vai-te embora...
Saudades...so do futuro.

Sobre o que vem

O tal com nome de esquentador, presidente da comissão liquidataria, afirmou que este (agora)é o homem certo no lugar certo.
Se não fosse...quem nos iria indicar?

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Évora Comercial


Anda por aqui grande azáfama discursiva em torno da construção ou não construção de um Centro Comercial, ou de dois.

É uma discussão, como não podia deixar de ser, quase sempre pautada por razões de ordem ideológica e quase sempre destituída de argumentação plausível.

As decisões sobre abrir ou não abrir, abrir um ou dois, assim como as decisões de abrir ou não abrir uma mercearia no meu bairro, são – desde que respeitados os condicionalismos legais – decisão e problema para os investidores.

Se “dá” ou não “dá” para dois é questão que, quem investe, não vai descurar com toda a certeza.

Sobre os impactos que tal ou tais aberturas poderão provocar no comércio de base familiar são questões que estes agentes económicos terão de ponderar e tomar medidas para evitar ou minimizar eventuais consequências negativas.

Não parece que a inexistência de tais empreendimentos, tenha até agora, de alguma forma, contribuído para a vitalidade do comércio de base familiar.

Para esta discussão também quero dar o meu contributo.

O «universo» de eventuais clientes (no caso, com base em estudo associado ao empreendimento cuja construção se iniciou a sul) é de cerca de 300 mil pessoas. Aproximadamente o dobro da população do extinto Distrito de Évora e menos um pouco, do conjunto da população do Alentejo.

Sobre tal número, importa ter claro que não há uma territorialização de origens definida de forma estanque. Francisco Xavier Fragoso, Alcaide de Badajoz, disse. «Badajoz é também núcleo comercial importante do Alentejo e esta construção pode afetar o número de portugueses que visita Badajoz» ao que posso acrescentar que também (a construção) poderá afetar, trazendo a Évora, cidadãos de Badajoz.

E os 300 mil, possíveis clientes, a existirem dois centros comerciais, ao repartirem-se, não passarão a ser 150 mil para cada lado, mas sim, continuarão a ser 300 mil que repartirão destinos.

O Fórum Almada, afirma no seu sitio na internet, ter 18 milhões de visitas por ano. Não vamos extrair daqui, que todos os portugueses e uma parte dos espanhóis, visitam anualmente tal espaço.

A visita a Centros Comerciais e as compras, são atividades sociais e por isso, as dinâmicas que eventualmente ocorram em consequência da construção  e entrada em funcionamento de novos espaços, só podem ser entendidas na base das dinâmicas sociais e não por força de réguas, esquadros e máquinas de calcular.

Viseu (cidade), tem aproximadamente o mesmo número de habitantes e tem em funcionamento dois Centros Comerciais (12 salas de cinema).

A área de influência é maior? Sim. Mas também é maior a concorrência de outros centros urbanos próximos.

Deixando opinião, que mais não pretende ser que opinião e não me constituindo como adepto muito fervoroso de Centros Comerciais, julgo que investimentos e criação de postos de trabalho são bem-vindos num território sedento de tal.

Continuarei a ir ao comércio tradicional à procura do nosso pão, do nosso vinho, enchidos e queijos, frequentarei a loja do meu bairro e tomarei café nos cafés da cidade e irei ao Centro Comercial ao cinema e talvez para jantar, para poder estar até mais tarde em conversa com os amigos sem ter de olhar para a cara de enfadonho do dono do restaurante que após as sobremesas servidas à pressa anseia que a gente pague e se vá embora.

Fontes: www.economico.sapo.pt e www.tribunadoalentejo.pt , respetivamente a 25.11 e 29.11