quarta-feira, 13 de julho de 2016

Autuações

As sanções nada mais são que revanche.
E assim sendo, não percebo as caras de pau, para não usar outra expressão, de Passos e Luis.
No mínimo parecem não ter vergonha alguma na cara.
Caladinhos, talvez alguns se esquecessem, mas assim?

A atitude deles, fez lembrar uma estória antiga, passada na minha terra.

Um soldado da GNR, zeloso e sempre disponível para apresentar serviço, ao ver que o pai se aproximava de bicicleta, logo se pôs impante à sua frente e mandou parar e apresentar documentos.
O velho, incrédulo, cumpriu.
O guarda, circundou, circundou e finalmente exclamou: Vou ter de o autuar, a luz da frente está fundida.
O velho balbuciou: mas é dia e bem claro e foste tu que me emprestaste a bicicleta.
O guarda ripostou no tom habitual com que os guardas ripostavam naquele tempo:
Nada de conversa. Está autuado.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Sansao e Dalila


O que eles querem sancionar não é o déficit coisa nenhuma mas sim o facto de aqui haver um governo não-alinhado com o status quo liberal que domina a U.E.

Esse status quo sob a batuta alemã e tenores de paragens (em todos os sentidos) próximos, não se sentem incomodados com o crescimento da extrema-direita e com os riscos de implosão que ela arrasta, mas estão furiosos com o facto de os portugueses terem despedido os seus rapazes que aqui tinham de serviço.

(E a Espanha aqui tão perto…)

E usam a sanção como Dalila e julgam que o povo de cabelo cortado não terá mais condições de se erguer.

Creio que como na história bíblica estes filisteus ainda não se aperceberam que a Sansão de novo crescerá o cabelo.

E nesta história reinventada, Sansão é o povo.

Já não se pode ouvir falar de sanções.

Por isso prefiro Sansão…

Ou futebol…ou microfone no lago…ou hiperatividade presidencial (à nossa custa, claro).

sexta-feira, 24 de junho de 2016

É a cultura, estúpido

Agora que, nem todos pelas melhores razões, os britânicos disseram não à União Europeia, talvez fosse oportuno que a oligarquia europeia parasse para refletir um pouco.

Sinceramente não creio que o venha a fazer. Fará, isso sim, mais do mesmo.

Retomará o caminho de arrogância e de prepotência que conduziu a estes resultados no referendo britânico e conduzirá a União Europeia para a implosão.

Gostaria de estar errado e de acreditar que, face a este resultado, esta gente cega e arrogante irá infletir, por pouco que seja, a sua ação.

Mas, quando na véspera do referendo, Junker, se porta como elefante em loja de porcelana (quantos britânicos não terão decidido votar não, graças às palavras dele) não se pode esperar que agora tenha juízo.

Vai, ele e os outros, continuar a ignorar que o povo pode ser fustigado pela economia (leia-se lógica liberal financeirista) mas que a cultura acaba por prevalecer e com ela os povos se libertam.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Texto para depósito



Confesso que sinto algum desconforto ao verificar que, partilhando da vontade de os britânicos dizerem não à UE no referendo, verificar que muitos dos que assim pensam, não se situarem (nem de perto, nem de longe) na minha forma de ver a Europa e a cooperação entre os seus povos, mas situarem-se sim, no seu antípoda.

Gostaria que os britânicos dissessem não à UE, não por receio da emigração, não por se recusarem a receber refugiados ou por qualquer subordinação a racismo e xenofobia, mas sim como forma de dizer não a uma eurocracia financeira, arrogante e cega.

De qualquer forma (e não menosprezando os enormes riscos, principalmente os que pendem sobre a paz e convivência pacífica) gostaria que os britânicos votassem claramente não.

Outras artimanhas os eurocratas irão inventar se tal acontecer, mas do murro no estômago, ou melhor dito, nas trombas, não se livrariam.

Aguardemos.

A UE é uma farsa que permite uma cortina atrás da qual se albergam variados interesses e ganâncias.
Pode ser que o brexit ajude na mudança de papel.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Contributos para um TGdA

Aboberices…

TGdA?!

Sim! É óbvio.

TGdA significa: Teoria Geral do Absurdo

Brexit
Não compreendo a preocupação. Se a não permanência na U.E. for a escolha dos britânicos a escolha dos que agem proclamando proteger os britânicos será anular a escolha e simular quantas as necessárias escolhas até que os britânicos escolham bem, ou seja, ficarem.
Sabemos que não seria a primeira vez...e que será no futuro o nº de vezes que se mostrar necessário para a lucidez prevalecer…

Trump
Corre-se o risco de ele ser nomeado presidente dos EUA.
E qual é o medo?
Sim, qual é o medo?
Não me digam que se corre o risco de os EUA invadirem o Iraque, o Afeganistão, a Líbia. De promoverem a guerra na Síria.
De afrontarem a Rússia usando povos como quem usa peões num jogo de xadrez (Ucrânia).
De promoverem modernos golpes de estado (que usam como armas a economia, a espionagem, a diplomacia e os media) como recentemente fizeram no Brasil.
De abafarem em petróleo os países produtores de petróleo.
De minarem a esperança que nascia na américa do sul.
De continuarem o bloqueio a Cuba apesar da generosidade (ingenuidade) cubana.
De manterem Guantánamo.
Não me digam, porque se o disserem, então sim, é preciso ter muito medo de Trump como futuro presidente dos EUA.

Glifosato
Uau, tantos que agora são especialistas em química. A um país assim o futuro só pode ser radiante ( nao confudir com nenhum derivado de radio)

Simplex
Sim, ótima ideia essa de não ser necessário preencher a declaração.
Mas… assim não há o quadradinho para a cruzinha. Pois...então nao pode ser.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Aboberices ou um filosofar de algibeira

A propósito da simplificação…ou do seu contrário…

Não há coisa mais difícil e mais injustamente tratada, que a simplificação.
Simplificar é difícil, mas depois de (se simplificar), todos se apressam a dizer: «mas é claro».
Incapazes de simplificar, muitos, na expetativa de transmitir aos seus auditórios aquele ar de eloquência que é próprio daqueles que desta, nada têm, e na espectativa dos aplausos, lançam-se num uso desenfreado de termos «complicados».
Depois do discurso, os eloquentes, adoram saber que ninguém percebeu nada do que disseram.
Essa é a garantiam que julgam adequada ao estatuto.
E são quase sempre bem-sucedidos.
Por outro lado têm também a garantia de que não serão contestadas (pois se não foram percebidas) as ideias expostas e muito menos, que sobre elas, alguém se atreverá a perguntar o que quer que seja.
Os discursos servem os seus propósitos:
Nada dizem, porque nada os seus autores tinham para dizer.
Os termos complicados e o arredondado discursivo transmitem a ideia de eloquência.
E porque nada dizem, também nada haverá para contestar ou lugar para dúvidas.
Haja palmas (e essas são garantidas) e eles ficarão satisfeitos.
Dependendo dos contextos, o uso de termos complicados e do discurso redondo pode ser substituído por frases fortes e curtas do tipo chavão.
Todo o resto se manterá.
Trata-se, nestes casos, de mera cosmética.

Simplificar…?
Para quê?
Além de que isso é difícil!

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Caldeirada



A presidência europeia da união europeia, a Holanda, num documento oficial distribuído a propósito de uma reunião daquilo a que eles chamam eurogrupo (designação que o corretor ortográfico teima em não aceitar e faz muito bem) promoveu um jornalista a ministro das finanças do governo de Portugal.
Se promoveu, está promovido. A fotografia do nosso novo ministro corresponde ao jornalista José Gomes Ferreira.
Os parabéns, obviamente, não dou. Mas pronto…eis o nosso novo ministro.
Afinal quem são os donos disto tudo han?!

Ficámos também a saber que o afilhado fica feliz quando o país está bem.
Que bom!
Mas… (adiante).

No Reino Unido – os ilhéus, coitados – teimam em referendar a continuação na união europeia.
Atrevam-se e serão uns infelizes para toda a vida, coitados.
Até Obama está preocupado e prometeu dar uma ajuda.
De facto é preciso dar uma lição aos ilhéus para que se deixem de parvoíces.
Na Síria, na Líbia, no Iraque lançaram democracia sob a forma de bombas.
De que forma enviarão agora sobre os ilhéus a dose de bom senso de que estes precisam?

Há, pois há. Há. Há.
Há plano B sim senhor.
Um esforçado jornalista (sempre eles, esforçados, abnegados, livres, isentos e sei lá que mais) descobriu-o sob a forma das cativações orçamentais.

E continuação da austeridade e subida de impostos?
Também há. Há. Há. Há.
Porque não sei quem da união europeia disse que ia haver, porque uma comissãozita de não sei quê disse que ia haver e porque o comentador de tudo disse na televisão que ia haver e porque um jornalista escreveu que ia haver.

Portanto…