sábado, 19 de novembro de 2016

Sonho de uma noite de outono

Sonhei que, numa bela manhã deste sereno Outono, nem um cliente, nem um sequer, entrava em qualquer uma das lojas deste grupo que se prepara para mudar a sede social para a Holanda.
E durante todo o dia assim continuou a ser.
Nada.
Nada houve nesse dia para registar a não ser o registo da magnífica tomada de posição coletiva dos consumidores portugueses.
Louco. Sonho louco. Apressam-se a dizer.
Retribuo dizendo: loucos, comportam-se como loucos ou pior…
Ao burro, para comer erva seca, puseram óculos verdes para ele a ver verde.
A nós, nem precisam de nos pôr óculos, mas se tal se tornar necessário, eles farão uma «promoção» e todos compraremos os óculos.
Mas são todos iguais, dizem-me alguns com um ratinho na consciência. Pois deixariam de ser, pelo menos este deixaria de ser e bastava o meu sonho concretizar-se, por um dia, só um dia.
Querem adivinhar se todos continuariam a ser iguais depois desse dia?
Experimentem.
Por um dia só que seja.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O comboio passante


Está viva a discussão sobre os malefícios da passagem do comboio no traçado proposto pela Infraestruturas de Portugal, no troço entre Évora (estação) e Évora Norte.

Este troço faz parte do Corredor Internacional Sul que visa ligar o Porto de Sines a Espanha e está integrado no Plano de Investimentos em Infraestruturas Ferrovia 2020.

O custo total estimado é de 626,1 milhões de euros e projeta-se a conclusão (traçado Évora /Fronteira – Caia) para o 4º trimestre de 2019.

Acreditando, em 2020, os eborenses poderão ir de comboio a Badajoz comprar caramelos.
Poderão mesmo?

Poucas são as vozes que anunciam a vertente de passageiros. Só se fala de carga e de carga passante entre Sines e Espanha.

Pois a ser assim, os benefícios para a cidade e para a região poderão cingir-se a…ver passar os comboios.

15 por dia, segundo declarações de responsáveis da IP,  com 750 metros de comprimento (ena) e carregadinhos e rápidos.  O plano já citado, refere que serão 51 comboios (uma pequena diferença).

Se não tem passageiros nem plataforma de carga para servir Évora e a região pois que vá passar longe.

Claro que o interesse não será a compra de caramelos (evidente ironia) mas sim a importância estratégica que o comboio poderá ter para a cidade e para a região.

Olhando só na perspetiva turística, ressalto duas possibilidades:

As praias do litoral alentejano passariam a ser as praias de fim de semana para muitos milhares de espanhóis que poderiam usar o comboio em detrimento do automóvel e acrescentar assim rapidez, comodidade e segurança na deslocação.

Muitos alentejanos, principalmente da raia, fariam o mesmo.

Cidades Património da Humanidade (Évora; Elvas; Mérida; Cáceres) passariam a estar ligadas por comboio, tornar-se-iam mais próximas e disso resultariam dinâmicas acrescidas de procura.

A existirem benefícios, sou de opinião que há lugar para a discussão e para a aceitação de medidas que possam ser de mitigação para os problemas que um projeto deste tipo acarreta.
Se não existirem e sabendo que eles existem para o país, pois que o «país» não sacrifique Évora e estude e aplique um traçado que se afaste da cidade e afaste esta dos inconvenientes de comboios passantes.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O que Marx não disse...

 

Ou talvez tenha dito

 

Ele disse que o capitalismo acabaria por implodir minado pelas suas contradições internas.

O que são então as explosões que estão a ocorrer pelo mundo fora?

Para os analistas de alcofa, devotos de uma sebenta rançosa, são meros percalços de caminho, que o «sistema» depressa corrigirá.

Corrigirá de facto?

Algum dia quererão eles (os ditos) procurar saber o que se passa realmente?

Não creio e não anotei a mais pequena tendência para tal.

A pergunta mais honesta que se ouviu (a propósito da Trumpada) foi: «Como foi possível?»

Mas creio que subjacente, não estava a dúvida, mas sim a estupefação.

Pois fiquem sabendo que as explosões que se ouvem podem não ser mais que o culminar do processo de implosão da engrenagem.

Vocês, os analistas, ainda vão continuar com os vossos doutos saberes.

Tão doutos que nem se apercebem que quase só vocês se convencem da sua «bondade».

Mas

Marx parece ter esquecido de alertar para a gravidade dos danos colaterais.

E não o tendo feito, os desempregados, os sem direitos, as mulheres, os negros e todo um vasto leque de «desesperados» que votando Trump,  contribuíram para mais uma deflagração interna, irão também ser vitimas – senão as primeiras – dos nefastos efeitos da explosão.

Mas será que não disse, que não alertou mesmo?

Uma releitura (sim, porque toda a gente leu Marx – se não, não citavam, não é verdade?) de 0 “18 de Brumário”, talvez se aconselhe.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Bebam mais uma que pago eu


Soeiro Pereira Gomes dedicou «Esteiros» aos filhos dos homens que nunca foram meninos.

Com as salvaguardas por mais que evidentes, dedico este escrito de hoje aos boémios revolucionários que acordaram tarde para a revolução e que se entretêm dizendo mal dos que a fizeram.

Estes boémios revolucionários fazem quartel-general ali para os lados do Palácio do Barrocal, mais propriamente na esplanada que fica no seu átrio. Regam abundantemente as suas teorias e ao invés de pokemons caçam temas fraturantes.

Extinção de comandos, uso de pesticidas que queimam ervas, abundancia de ervas (por não uso do pesticida), cidade suja, grupos desportivos com dinheiros públicos.

São só alguns exemplos. Uns de natureza mais abrangente, outros bem locais.

Salta à evidência que estes boémios revolucionários estão em campanha eleitoral. E fazem-na, com a arte do que sabem fazer: dizer mal (principalmente de comunistas).

Agora é de novo o comboio. Que faz barulho, que corta a cidade. Que faz tremer as casas.
Évora não merece que o comboio aqui passe causando todos estes danos. Comboios nos centros de cidades só em cidades que em nada se podem comparar a Évora, como sejam Madrid, Barcelona, Lisboa, Porto, sei lá quantas mais.

Pois eu quero o comboio. Com medidas para atenuar ou eliminar consequências negativas (atrito, som, atravessamento da linha).

E quero o comboio «completo», ou seja, que por aqui não circulem só comboios de mercadorias, mas e também de passageiros e neste último caso com paragem e possibilidade de embarque e desembarque.

Porque eu quero ver passar (e parar) os comboios.

E vocês, boémios revolucionários, bebam mais uma que pago eu.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Regresso


O «espojinho» regressa e por agora vai focar-se (não em exclusivo) à cidade.

Sabe que é tema “arenoso”, mas assume os riscos.
O que agora por aqui é tema central, é o estado de limpeza (ou da sua ausência) de praças e ruas.
Nos borrões blogueiros do burgo estampam-se escritos que expressam as raivas e as frustrações diversas.
Num ou noutro caso, genuínas expressões de descontentamento.

E é no campo destas últimas que o «espojinho» se centrará, quer para as questões da higiene pública, quer para outras áreas.

A cidade está de facto suja. Os matagais abundam. As sarjetas cheiram mal.

As causas para tal situação serão várias. A autarquia centra-as exclusivamente na escassez de recursos humanos.
Tal escassez pode ser causa principal, mas outras razões existirão.

No que à autarquia diz respeito (no que concerne aos recursos humanos) poderá começar por avaliar gestão (p.e. : grandes equipas, ou áreas específicas sob responsabilidade de equipas mais reduzidas?), planeamento (p.e. horários, dias de descanso, férias), capacidade de motivação e  o moral (não se entenda como “ a moral”).

Os recursos técnicos (máquinas) obviamente que estão condicionados pela escassez de recursos financeiros, mas devem ser priorizados investimentos nesta área.

Algumas questões “pequenas”:

Os contentores subterrâneos são solução ou são problema? Em sua volta é uma verdadeira imundice.
Os caixotes da Gesamb  para a recolha selecionada não são uma aberração?
Os oleões deveriam imediatamente ser retirados e a Gesamb obrigada a reparar as zonas encharcadas de óleos que as circundam.
De certeza que não há uma viatura com problemas de estanquicidade? O rasto que fica nas ruas parece indicar a existência de problemas a esse nível.
Há fiscalização (na hora de fecho de restaurante e bares) quando arrastam sacos de plástico rotos deixando atrás de si um rasto de sujidade?
Se há, que penalizações foram aplicadas aos donos dos restaurantes e bares sitos na Alcárcova de Baixo (e limítrofes), na Praça Joaquim António de Aguiar, na Rua Nova?
O relvado da Praça Joaquim António de Aguiar virou parque canino? – Se sim, indiquem-no para evitar que as crianças brinquem naquele espaço que julgam verde e limpo.
Quantos proprietários de cães já foram autuados por força da conspurcação que deixam com os passeios noturnos que fazem?
Experimentam o período entre as 20 e as 22 na denominada estrada das piscinas.
Que medidas tomaram para controlar a praga de pombos?
O horário de recolha no CH é o melhor? Pelo menos nas zonas de bares e esplanadas deveria ser alterado.

A cidade está suja.
É preciso agir.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Autuações

As sanções nada mais são que revanche.
E assim sendo, não percebo as caras de pau, para não usar outra expressão, de Passos e Luis.
No mínimo parecem não ter vergonha alguma na cara.
Caladinhos, talvez alguns se esquecessem, mas assim?

A atitude deles, fez lembrar uma estória antiga, passada na minha terra.

Um soldado da GNR, zeloso e sempre disponível para apresentar serviço, ao ver que o pai se aproximava de bicicleta, logo se pôs impante à sua frente e mandou parar e apresentar documentos.
O velho, incrédulo, cumpriu.
O guarda, circundou, circundou e finalmente exclamou: Vou ter de o autuar, a luz da frente está fundida.
O velho balbuciou: mas é dia e bem claro e foste tu que me emprestaste a bicicleta.
O guarda ripostou no tom habitual com que os guardas ripostavam naquele tempo:
Nada de conversa. Está autuado.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Sansao e Dalila


O que eles querem sancionar não é o déficit coisa nenhuma mas sim o facto de aqui haver um governo não-alinhado com o status quo liberal que domina a U.E.

Esse status quo sob a batuta alemã e tenores de paragens (em todos os sentidos) próximos, não se sentem incomodados com o crescimento da extrema-direita e com os riscos de implosão que ela arrasta, mas estão furiosos com o facto de os portugueses terem despedido os seus rapazes que aqui tinham de serviço.

(E a Espanha aqui tão perto…)

E usam a sanção como Dalila e julgam que o povo de cabelo cortado não terá mais condições de se erguer.

Creio que como na história bíblica estes filisteus ainda não se aperceberam que a Sansão de novo crescerá o cabelo.

E nesta história reinventada, Sansão é o povo.

Já não se pode ouvir falar de sanções.

Por isso prefiro Sansão…

Ou futebol…ou microfone no lago…ou hiperatividade presidencial (à nossa custa, claro).