Eu tive um sonho.
Todos temos sonhos, não é verdade?
Nesse sonho:
Vivia numa pequena cidade do sul. Uma cidade nova encostada às muralhas de uma velha cidade.
Casario branco, rasteiro, ruas limpas e cuidadas .
No centro, becos, ruelas, praças fervilhando de gente - muitos visitantes - esplanadas plenas de cor.
E muita luz, muito sol.
E grandes monumentos a lembrarem-nos outros tempos, antes de nós - ou antes do sonho.
Na cidade nova, as casas tinham pequenos quintais e jardins.
Espantosamente - pequenos jardins e até pequenos hortejos - não lajes e cimento.
Nesse sonho, nessa manhã, a vizinha do lado tinha vindo pedir-nos hortelã e bem fresca a levou para a sopa da panela.
À tarde, num passeio pelos arrabaldes, visitámos um centro de interpretação do mundo rural. Deambulando pelos campos bem tratados, trocámos umas palavras de circunstância com o homem que olhava pelas ovelhas. Apanhámos uns espargos e fomos até ao monte. Traça antiga, barrinha azul em todo o casario, rua empedrada e limpa. Ali funcionam uma padaria, uma leitaria e queijaria. Comprámos pão quente e leite fresco.
Em volta do centro de interpretação funcionam outras unidades de exploração agrícola, modernas e bem geridas. Algumas são cooperativas, outras empresas familiares.
Há pleno emprego, para os de cá e para muitos que têm vindo para cá.
Na aldeia há escola, centro de actividades infantis, posto médico com médico. Um pequeno Centro Cultural - cinema de qualidade uma vez por semana .
Quatro vezes por dia, um moderno mini autocarro liga a aldeia à cidade.
De forma tão inexplicável como inexplicável é a razão para o sonho, este acaba.
E:
Procuro conferir coincidências. Encontro uma:
vivo numa pequena cidade do sul…
Ruas descuidadas e sujas.
Ambiente sombrio. Monumentos que como chorando, largam pedaços de si sobre quem os contempla. Ninguém tem o direito de contemplar a sua decadência…
Casas abandonadas. Cada vez menos gente. E os filhos dos que ficam - os que ainda resistem - a partir para outras cidades à procura dos seus sonhos
Quintais cobertos de cimento e lajes.
E os campos envolventes abandonados, cercados de arames.
E as noticias dos jornais amedrontando. «O Mundo não tem capacidade para produzir alimentos para todos».
Este «mundo» não tem não.
Mas o mundo que sonhei, esse tem.
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sexta-feira, 4 de março de 2011
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Vou partir de novo
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Nesta inconstância de textos errantes, que ora se elevam brusca e violentamente em espiral, ora de sossegam numa brisa quase imperceptível, concentro-me por vezes em questões muito próprias desta cidade que me acolhe.
Alguns textos só fazem mesmo sentido se lidos no enquadramento destas ruas sinuosas, destas casas, palácios e monumentos, que dão o encanto a Évora.
Vou partir de novo.
Há vida e inquietude bastante para além destes muros que me desafiam os sentidos.
Mas antes de partir…
Uma pergunta, uma corrente de perguntas, que se funde numa só:
Que se passa aqui?
Nos cafés, nos supermercados, nas festas de amigos, nas conversas de ocasião, nos centros de saúde, perdão, unidades de saúde familiar, na praça e nas praças é voz corrente e não contradita que a cidade definha.
Que aquilo a que assistimos é de um mau gosto dilacerante (daí, textos como o de ontem - o homem bala), que nos envergonhamos da cidade que antes nos enchia de prazer assumir como nossa, onde se acaba com o cinema, onde se promete em cada dia um dia que nunca mais acontece, onde se vendem ilusões, como quem vende algodão doce, fábricas, empregos, inovação, inteligência, excelência, excelência e onde não temos para onde ir…
E, mesmo assim…
Na hora da verdade…
Escolheram continuar assim.
Pois agora… aí tendes.
A cidade que definha tem o contributo daqueles que acreditaram (teimosamente) na cidade das maravilhas.
Quando passam pelo Salão Central não se sentem responsáveis? E pelo Eborim? E quando vão ao cinema ao Montijo porque aqui fechou? E quando passam pela cerca onde anunciam o complexo desportivo? E quando se encontram no Fórum…Almada - porque o de Évora «foi»?
Não sentem ao menos um pinguinho de culpa?
Se não sentem, deviam.
É tempo de passarmos a assumir plenamente as responsabilidades sociais e políticas dos nossos actos.
Chega de, primeiro votamos (porque é…talvez…chique) e depois, às vezes logo no dia a seguir, lamentamos…
Lamentemos sim as desgraçadas escolhas e corrija-se o rumo.
Mas… já se prenunciam novas seduções, novos erros e novas lamentações.
Um dia aprender-se-á.
Temo é que, com custos sociais muito elevados.
domingo, 11 de abril de 2010
O Homem Bala
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Magnifica cidade.
Excelente cidade.
Cidade de excelências.
Em que outro lugar do mundo podemos desfrutar do maravilhoso homem bala?
De que ponto do globo se pode disparar semelhante inovação? Quem mais se pode dar a este luxo?
E como é bom adormecer (tentar) ao som (berrante) de uma harmoniosa música (pimbalhada grosseira).
E despertar ao som dumas cornetas roufenhas, não é bom? Estas não fazem mais que anunciarem-nos o espectáculo: o homem bala.
À tarde podemos ir ao cinema, para relaxar…ou ao complexo desportivo…assistir à conferência sobre…no moderno pavilhão de congressos, enquanto aguardamos pelo aguardado concerto à noite.
Oh, como é bom viver nesta cidade excelente.
O que seria de nós sem suas excelências?!!
terça-feira, 6 de abril de 2010
Coisas soltas por um fio
Barracas ou tendas … mistério esclarecido:
Salvo erro, a 27 de Dezembro do ano passado, já aqui havia abordado a importante temática das barracas ou tendas que proliferavam então na cidade.
Chegada a Páscoa eis que de novo assistimos ao ressurgimento do fenómeno.
A história recente da cidade parece inevitavelmente marcada por barracas…ou tendas.
A inovação expressa-se pois desta forma e quase sempre com a presença de sua excelência o primeiro excelente.
Cada cidade tem o que merece.
Na Guarda têm os projectos de grande profundidade estética e funcional assinados altruisticamente pelo senhor engenheiro.
Évora tem excelentes barracas ou tendas, inauguradas por sua excelência o primeiro excelente.
O senhor esteves:
No tempo do país amordaçado - agora vivemos no país açaimado - existia um senhor a quem chamavam o senhor esteves do qual nunca se sabia onde ia, simplesmente se ficava a saber onde tinha estado.
Agora neste país açaimado, onde se pode ladrar, mas onde é impedido morder, há de novo um senhor esteves…
Esteve hoje em Évora… a inovar
Os sobre dotados:
Juntamente com o senhor esteves, esteve cá o senhor sobredotado que amealha milhões por, diz ele, terem sido ultrapassados os objectivos e daí terem resultado benefícios para a economia.
Evidentemente que quem traçou os objectivos e quem definiu que os mesmos haviam sido ultrapassados não foram a mesma pessoa…credo, vá-se lá pensar tal coisa.
Benefícios para a economia, qual?
Participação de outros no atingir desses objectivos? Quais?
Só a dor de corno nos impede de ver os sobredotados que proliferam na sociedade portuguesa.
Ganham mais que qualquer outro, em qualquer outra parte do mundo.
Somos grandes de novo, o mundo está de novo a nossos pés.
Porque teimamos em não ver tal desígnio?
Uma cambada de invejosos é o que há mais por aí e depois querem que o país avance…
O homem e os outros que tal, valem milhões, pronto.
Reduzamo-nos à nossa insignificância, pobres mortais.
terça-feira, 30 de março de 2010
Modernos...???
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Ganhem coragem e de uma vez enfrentem o vosso problema.
Tragam os bulldozers e abram alamedas, rectilíneas, rodeadas de casas rectilíneas (cúbicas), com semáforos, passagens aéreas, relva sintética em pequenos espaços ajardinados e néons, muitos néons, muitos estacionamentos, muitos automóveis…
Mandem abaixo as casas velhas, bolorentas, acabem com as ruas estreitas, sinuosas. Impludam palácios, casas senhoris e pátios.
Construam casinos, estádios, autódromos em vez de teatros e museus. (que fazer às Igrejas?)
Assumam-se plenamente Modernos.
Destruam as vossas memórias, as ruas e becos onde brincastes às escondidas. O recanto do jardim onde se trocaram os primeiros beijos.
Sejais Modernos.
Mas acabemos com esta hipocrisia.
Por cobardia, não fazemos nada disso - não destruímos as cidades, mas deixamo-las nesta triste agonia, no mais desprezível abandono e construímos novo. Construímos sempre, mais.
E as cidades definham.
Mas mesmos tristes, sujas e maltratadas recebem-nos e lembram-nos em silêncio, em tristes memórias ecoadas em conjunto com o som dos nossos passos, o vosso crime.
Os que têm memória, respeitam-vos, cidades gente e com rosto.
E sofrem convosco.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Promessas

Há oito anos que vivemos de promessas. Ou melhor, um pouco mais, pois elas começaram antes ainda.
Não deixa de ser verdade que eram aliciantes.
Pavilhões de Congressos, Multiusos, Parque de Feiras e Exposições, Complexo Desportivo. Habitação para todos ao preço da uva mijona, empregos aos milhares, fábricas de aviões de todos os modelos, desenvolvimento a levantar voo…Uma cidade de excelência.
De tal forma são as expectativas que hoje, mal uma escavadora remexe umas terras e logo se conclui: já começaram as obras da fábrica dos aviões, até já estão a receber inscrições…ou… já começaram as obras do Fórum…antes do final do ano temos Centro Comercial…ou…
E assim foi quando foram detectadas escavações junto ao IZI. Eis as ambicionadas obras de construção do Fórum…aspirou-se.
Afinal não são.
São de um outro empreendimento.
Mas tudo indica que ainda este ano se iniciarão as obras não do Fórum, mas de um Retail Park, com algumas dezenas de lojas, duas salas de cinema e restauração.
Uma lufada de descompressão pela mão da iniciativa privada.
Pelo menos parece que vamos ter cinema na cidade de excelência.
Mas o que parece ser evidente é que já acabou a embriaguez.
Falta saber como se vai viver a ressaca.
E ela é dolorosa.
Ainda só estamos na fase das náuseas.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Cidades


Duas cidades são hoje objecto de especial abordagem pelo «Público» uma no corpo do próprio jornal e outra na Revista Pública que é um seu suplemento.
Duas cidades portuguesas e ambas classificadas cidades Património da Humanidade.
Retive algumas passagens dos textos publicados:
“Durante mais de vinte anos (…) trabalhou para ser reconhecida a nível nacional. Agarrou-se à história e ao património para contornar os problemas estruturais de uma região marcada pela agonia das indústrias tradicionais. Hoje é uma das cidades mais reconhecidas entre os portugueses (…) a afirmação internacional é o próximo passo e (…) quer ser um exemplo de desenvolvimento para as pequenas e médias cidades europeias”
«O ambiente urbano e a cidade também são cultura. A regeneração urbana é um investimento que induz um estar cultural na população - diz Maria Manuel Oliveira, professora Universitária.
Guimarães e é esta a cidade que centra as observações reproduzidas é Capital Europeia da Cultura em 2012. Investe na recuperação patrimonial, projecta residências para criativos e para artistas.
Sobre a outra cidade:
«Em (..) não há nada para fazer. Não há concertos, não há bares giros, não há um cinema» diz uma jovem entrevistada.
«Não há empregos nem uma perspectiva de vida aqui» todos os jovens entrevistados sonham ir para Lisboa.
«Ele apostou (referindo-se uma entrevistada ao Presidente da Câmara) numa ideia de modernidade para a cidade, que nunca se concretizou» - e acrescentou: «Quando vim para cá viver, há 20 anos, havia várias livrarias, havia teatro, havia cinema, agora não há nada. Nem um grande centro comercial como quase todas as cidades médias em Portugal…»
Em (…) ninguém acredita no que diz o Presidente da Câmara. Temos a sensação que ele anda a gozar com as pessoas.
Desgraçadamente estas últimas referências são sobre a nossa cidade.
Já aqui afirmei que Évora é uma cidade deprimida.
O diagnóstico que o trabalho do jornalista Paulo Moura expõe é a confirmação dessa enfermidade e a indicação do seu estado agudo.
Se eu fosse Presidente de Câmara (desta cidade, onde os cidadãos formam esta opinião e outras… muitas outras não já só sobre o trabalho, mas até sobre o carácter) …amanhã, logo na abertura dos serviços, apresentaria a demissão e tudo faria para entregar ao povo o direito à correcção de rumo.
Mas ficar-se-á (ele) só pelas ameaças, por mais meia dúzia de parangonas sobre a cidade do faz de conta em que ele (e só ele) acredita viver e por mais um ou dois ataques de fúria contra todos os que ousem dizer-lhe não.
Uma é Capital Europeia da Cultura - Guimarães.
A outra, a nossa amada cidade de Évora, é desgraçadamente a cidade da não cidade.
Que renega a sua identidade e se projecta para o vazio.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Sinais de depressão

O I.N.E. publicou em Novembro de 2009, o Anuário Estatístico da Região Alentejo 2008.
Numa consulta breve aos dados referentes a Évora e independentemente de abordagens mais profundas que se justificam para alguém que quer compreender a sua cidade e a sua região, ressaltam informações, no tocante às questões demográficas, que merecem desde já uma necessária reflexão:
A população residente diminui de 56519 (em 2001) para 54780 em 2008 - Uma perda de 1739 pessoas (3% da população).
Mesmo admitindo, no plano meramente técnico, a insuficiência da estimativa de 2008 e aguardando a confirmação ou infirmação da tendência de diminuição populacional através dos Censos de 2011, a verdade é que estamos na presença de um fenómeno (diminuição ou estagnação populacional) que difere grandemente das projecções demográficas que a CM fez constar dos Relatórios do PDM (projectavam 64614 habitantes para 2011) e que em nada se associa a uma dinâmica propalada de cidade de excelência onde dá gosto viver.
Preocupante é também o facto de, em 2008, se registarem 2456 pessoas a auferir o subsídio de desemprego -logo, o n.º de desempregados é bem superior). Em 2001 eram 1727, ou seja, em 2008, há mais 729 pessoas desempregadas a receber subsídio de desemprego o que representa um crescimento de aproximadamente 30%.
Não havendo possibilidades de comparação com 2001, registamos que em 2008 há 2204 pessoas a receber o Rendimento Social de Inserção e 16568 pensionistas (invalidez, velhice, sobrevivência) + 735 pessoas.
Assim e não disponibilizando o INE ao nível concelhio dados sobre população activa, atente-se nos seguintes factos:
De 46708 indivíduos residentes em Évora com mais de 15 anos, identificámos:
2456 (5%) Auferem subsídio de desemprego;
2204 (4,7%) São beneficiários do RSI
16568 (35,5%) São Pensionistas.
Dos 24480 não referenciados, sabemos que 12029 são trabalhadores por conta de outrem.
Os restantes 12451serão empresários, trabalhadores por conta própria, profissionais liberais, estudantes, desempregados sem auferir subsídio e outras situações.
O intervalo de idades grosso modo correspondente à população activa, apresenta claros sinais de envelhecimento.
Convenhamos que são indicadores que não atestam da vitalidade da cidade e desfazem a argumentação panfletária de uma cidade moderna.
Não partilho das ideias dos que associam sempre desenvolvimento, a crescimento e muito menos a crescimento populacional, no entanto, o que os dados nos mostram é que não só não se verifica crescimento como antes se verifica regressão , isto a par do registo do fenómeno do duplo envelhecimento que vem marcando a Região.
Os dados, são característicos de uma cidade deprimida.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Oh natureza, oh santa incompetência

…
E, arremessando a bíblia, o velho abade
Murmurou:
«Há mais fé e há mais verdade
Há mais Deus com certeza
Nos cardos secos d'um rochedo nú
Que n'essa bíblia antiga... Ó Natureza,
A única bíblia verdadeira és tu!...»
Guerra Junqueiro
Hoje, o adorno mais usado em Évora, foi o garrafão de água. Por ele, travaram-se as mais épicas peripécias.
Sítios houve em que se vendeu tanta água até às 10 horas da manhã como a que se vende num mês inteiro.
Não fora o facto de não ter podido tomar banho, ter simplesmente sarapintado a cara para tirar os restos de espuma da barba, lavado os dentes usando uma pequena garrafa de água mineral, amontoando a loiça suja, contraído as vontades (aquelas) e até tinha achado piada à coisa.
As bicas foram tiradas com água mineral e ganharam um gostinho diferente e as pessoas, todas, transitavam, não de guarda chuva - que até essa parou ao meio dia - mas de garrafanito ou garrafanitos nas mãos.
Uma nova tendência da moda - uma consequência de criatividade certamente resultante do Évora Moda - e que sem dúvida, será seguida nas grandes cidades europeias - cidades de excelência - como Évora.
À hora que escrevo, aguardo a próxima conferencia de imprensa do excelente presidente da câmara desta cidade excelente, a informar que o problema está resolvido e que nas próximas horas o abastecimento de água estará restabelecido.
Convencido, interrompi e fui verificar: nem uma gota ainda…
Dizem que a causa do problema reside nos níveis de alumínio presentes na água da albufeira onde se faz a captação - elevados, por força das enxurradas provocadas pelas fortes chuvas. Parece ser verdade que as chuvas influenciam o fenómeno, o que me intriga é a expressão desse fenómeno, ou seja, seria a concentração de alumínio tão elevada que determinasse uma medida tão drástica? Teria níveis de toxidade tão elevados que não permitisse sequer o seu uso para outros fins que não o consumo?
Por força deste facto, reflecti sobre hábitos, dados adquiridos e acima de tudo sobre a propagada infalibilidade da ciência (quem não ouviu já: está cientificamente provado, por isso não questiones).
À pretensa infalibilidade científica juntou-se a não menos arrogante infalibilidade da técnica. O homem como senhor da natureza.
E entretanto assistimos todos os dias, às vezes com consequências dramáticas, à desmaterialização desta certeza da modernidade.
A Ciência - que alguns quiseram elevar ao estatuto dos dogmas religiosos - um novo Deus - não é mais que uma forma (correcta) de procurar as respostas e de se aproximar do real
O caso de Évora é, uma expressão leve (pela dimensão dos efeitos)do fracasso da técnica e uma demonstração inequívoca da incapacidade dos gestores da cidade.
Apesar de tudo, confio mais na técnica que na capacidade dos governantes da cidade.
Tenho FÉ que amanhã de manhã possa tomar duche.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Ai Évora, Évora

Nós sabemos o que temos em Évora, que de Évora nos estamos esquecendo.
Querem pintar-te os lábios, dar um retoque no cabelo, rosar-te as maçãs do rosto, dizem que para embelezar - eu julgo que é mais alisar - a tua Acrópole, mas nada fazem pelo teu corpo que se escanzela a cada dia que passa e onde as casas em ruína marcam as tuas ruas, travessas e recantos.
Na sala de visitas, põem agora toda a tralha que habitualmente guardamos nos quintais. Dizem que para animar o comércio tradicional e este assiste à patinagem e fecha portas ás sete, domingos e feriados, porque eles também são gente.
A chuva tem dado uma ajudinha na lavagem das ruas e o frio também tem retidos os cavalinhos cagões, pelo que aqui não temos por agora que nos queixarmos, já no que toca ao amontoar dos lixos…
A ópera por aqui nem bufa, o ballet mostra-se em Portalegre, o cinema vê-se em Montijo (aquando de uma visita para compras) o almoço toma-se em Arraiolos porque aqui a cidade fechou.
Não há alegria nas tuas ruas e gentes.
Há uma cidade que definha.
E acorda para o novo ano acabrunhada, sem saber o que se esta a passar, de que mal padece.
Pode ser que rapidamente façam mais uma festa do forcado ou que a Caneças tenha saudades dos croquetes e que assim reganhe algum ânimo.
É que cada vez está mais pálida.
Nem com pozinhos lá se vai.
E sua excelência, o Sr. Presidente, fala de ingovernabilidades e de coligações negativas.
Alguém o oiça e dê uma ajudinha (a concretizar as suas ameaças veladas).
É que com esta governabilidade é o que se vê.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
FÁBRICAS

A ideia da construção de uma, ou duas, ou mais… fábricas de componentes de aviões, ou mesmo de aviões (lembram-se da fábrica anterior?) ou até mesmo fábricas de componentes de carrinhos de bebé, desde que contribuam para a criação de emprego e consequentemente gerem desenvolvimento, é uma ideia que me é grata.
A mim e à generalidade dos cidadãos e especialmente àqueles que estando desempregados ou procurem o seu 1.º emprego encontram nestes anúncios uma esperança, uma possibilidade concreta de melhorar a sua vida.
Tenho por isso dificuldades em acreditar que alguém de bom senso, se serve destas justas aspirações para outros fins.
Eternamente ingénuo ou a velha questão filosófica sobre a natureza humana.
No entanto com uma, a Skylander, ganharam eleições e com outra, a Embraer, voltaram a ganhar.
Para as próximas, a aposta terá de ser mais alta, talvez Boing…
E empregos? E desenvolvimento (este levantou voo, lembrem-se?)
A história recente de Évora é marcada por episódios em torno de fábricas de aviões.
Falconwings, voou para trás das grades.
Skylander aterrou em França.
Embraer, para já, uma pazada de areia atirada em dia de muito sol com muita pompa e circunstância e até agora nada mais.
As chuvadas recentes podem ter trazido um novo fim para os terrenos do denominado Parque Aeronáutico Industrial (PAI ?) ou Parque Industrial Aeronáutico (PIA ?) é que era tão grande a enxurrada nos acessos e os terrenos pareciam lagos (mas lagos grandes - o nosso alqueva) que talvez e não desvirtuando a génese aeronáutica, se possa aproveitar o mesmo para a construção de … hidroaviões.
domingo, 27 de dezembro de 2009
TENDAS

Agora, que estamos de volta ao mundo real, dei por mim, também de novo, a pensar a nossa cidade.
E discorrendo, conclui (da mesma forma apressada com que vemos quase todos a concluir) que, aqui onde tudo só tem valor histórico e patrimonial se levar uma datação e classificação romana (qualquer pontezeca com 200 anos é romana) há mais influência cultural árabe do que aquela que muitos querem admitir.
Tal discorrencia vem a propósito das tendas montadas na cidade nesta época natalícia.
Para patinagem, artesanato, circo, solidariedadesinhas ou caridadezinhas não se vislumbram hoje as diferenças e para outros fins.
E neste, os outros fins, inclui-se uma tenda para lançar uma fábrica e garantir os votos para a reeleição e uma outra tenda para ver passar os comboios.
Convenhamos que o futuro de Évora está nas tendas. Ou nas calendas…
Poucas praças da cidade lhe escaparam.
Só não tivemos tenda para o complexo desportivo (sim, havemos de ter um, um complexo desportivo) mas temos cerca (tem piada…também construída dias antes das eleições autárquicas), uma cerca toda catita, em chapa ondulada, muito bonita.
Aguardamos pela tenda da Acrópole onde serão expostas as lajes graníticas que alisarão a colina.
Sim porque somos uma cidade de planície, nada de colinas. E esta (a tenda) será montada de forma a tapar as vistas do miradouro do Jardim Diana não vá daqui avistar-se a cidade que se desmorona
Vamos voltar à tenda…
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
SALA DE VISITAS

A nossa sala de visitas virou parque de diversões.
Tendas de gelo e sem gelo preenchem agora o nobre espaço em nome do que afirmam ser a dinamização do comércio local.
Com uma lotação de 40 pessoas para a patinagem, as filas são contínuas.
Estará ganha a aposta, dirão aqueles para quem vale tudo.
Aguardamos pelas barraquinhas de farturas, pipocas e outros complementos, assim como estamos ansiosos por renovadas diversões, carrinhos de choque, carroceis e afins.
É a nossa sala de visitas no seu melhor. Se há quem tenha cães de loiça e leões jubosos em pó de pedra nas salas das suas casas porque não parques de diversão na sala de visitas na cidade que lhes entregaram para governar?
Mas os que agora transformaram a praça para estes fins são os mesmos que há pouco vociferavam contra a sua utilização como sala de espectáculos e que chegaram mesmo a transferir para praças «secundárias» as festas da Liberdade.
Quando há uns anos se fizeram obras que visavam devolver a praça aos cidadãos, o jornal agora oficial desenvolveu uma feroz campanha - quase arruaceira - do tipo que ninguém ouse tocar nas pedras sagradas. Marcou mesmo um levantamento popular (frustrado como se viu) e agora escreve candidamente pela pena do jornalista António Rafael:..“o que não estávamos de modo nenhum à espera é que o gelo fizesse a sua aparição, e logo no espaço nobre da cidade, ou seja na Praça do Giraldo” diz e nós acrescentamos - não deslumbrados como AR, mas estupefactos - também nós não esperávamos…
ou até talvez não…
dos governantes desta cidade já tudo (de negativo) esperamos.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
ÉVORA

Uma cidade de excelência
Ou armados ao pingarelho.
Évora está a tornar-se uma cidade deprimida e preocupantemente deprimente.
No entanto, foi-nos apresentada como uma cidade de excelência. Solidária; Inteligente; Educadora; Inclusiva; Amiga do Ambiente e não sei mais quantos adjectivos. Cidade dos clusters e de milhares de empregos a que se somavam não sei quantos centros comerciais…
E infelizmente não temos empregos, não temos centros comerciais, não temos cinemas, não temos gente no Centro Histórico, não temos vida cultural.
Mas temos, no fim do fim-de-semana ou de um feriado, filas contínuas de carros vindos de Lisboa ou de Badajoz. Gente que logo que pode sai de Évora, porque a cidade deprime.
Andaram armados ao pingarelho e diga-se em abono da verdade que não se deram mal com a caçada, e agora é desolador verificar a sua incapacidade e as patéticas fugas para a frente.
Há quem diga que esperam só um ou dois pretextos da tal coligação que designaram por negativa, para saltarem de novo, armados das suas armadilhas, bradando aos sete ventos que a coisa está preta, sim senhor, mas que eles, coitadinhos, não têm a culpa.
Será que caçam de novo?
Dirão os cativos: temos a Arena de Évora e temos…
Sim, completemos e temos: touradas, forcados e marialvas, fados, faduchos e vozes do brasil e salas vazias e tabuleiros da Praça esmagados por camiões grua em vã tentativa para montagem de sino «gigante» e tendas em todas as praças – 1.º de Maio; Giraldo e dentro de dias, disseram-nos, na Joaquim António de Aguiar e porque não também na do Sertório?
Mas vamos ter….trum….trum…trum… (a onomatopeia pode estar mal usada, mas pretendia-se imitar o rufar de um tambor) pela 1ª vez em Évora, uma magnífica, uma esplendorosa Pista de Gelo.
Vamos então todos patinar…
(para uma melhor percepção do texto ajuda conhecer o significado de “pingarelho”)