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terça-feira, 24 de agosto de 2010

As cidades (tambem) morrem de pé



A lógica moderna da vida nas cidades é marcada pela construção desenfreada. Pelo rasgar de avenidas longas e rectilíneas. Pelas construções esquadráticas e em altura. Pela normalização de tubos, ligações, perfis, parafusos, canos, coberturas, caixilharias.
Por periferias ricas com vivendas, garagens, piscinas, relvados e zonas de churrasco, tudo devidamente amuralhado - qual reminiscência medieval - e protegido por ferozes cães.
Pontificam os jipes, motos quatro e de água, barcos, skis para a neve - que dista centenas de quilómetros - e milhares de outros visíveis adornos.
Esta lógica moderna está a matar as cidades enquanto espaço de socialização, democracia e liberdade.
As cidades estão a virar meros aglomerados, de centros vazios e decadentes, de costas viradas para a história e para a cultura.
E a par desse processo, no Alentejo, as cidades seguem o curso de esvaziamento demográfico do meio envolvente.
Parece ter-se registado aqui um fenómeno de migração bietápico. Numa primeira fase dos campos para as cidades da Região e posteriormente destas para as grandes cidades do litoral.
Nem Évora é já excepção a este cenário.(Havia sido nas ultimas décadas)
O centro está abandonado e as suas casas e palacetes vão ruindo com o passar dos anos.
Os velhos arrastam-se pelas suas velhas ruas em perfeita simbiose no adeus.
O crescimento - que tantos insistem em apresentar como factor de desenvolvimento - leva a que grandes manchas da área urbana estejam sujas, feias, decadentes.
A cidade está vazia. O café toma-se encapsulado em casa.
Perde população, envelhece a que fica, a actividade económica está fragilizada, perde dinâmica social e cultural.
Estes são os traços de uma cidade, não só em processo de decadência acelerado mas que está a morrer, de pé.

sábado, 16 de janeiro de 2010

ALQUEVA




Pronto, o grande lago está finalmente cheio (a 13 Jan 2010). 250 Km2 de espelho e cerca de 4150 hectómetros cúbicos de água.
Tão cheio que está a proceder a descargas debitando cerca de mil metros cúbicos segundo.
Eis então a grande reserva estratégica de água de que o país precisava.
E que estratégia é essa?
Hidroeléctrica? Agrícola? Turística?
Não tendo vindo nenhum mal de maior (até agora) e bem também é de registo menor, por tal, a verdade é que a expressão maior que se faz sentir é no plano turístico.
Mas a propósito de Alqueva e da aspiração que ao longo de anos ele (o empreendimento) representou para ao Alentejanos (quem não se recorda do famoso: «Construam-me porra») e por um mero imperativo de memória decidi aqui recordar que a decisão da sua construção foi tomada, num Conselho de Ministros de… 1975.
Aliás, é nesse mesmo ano que um outro empreendimento estratégico para a Região e para o País recebe via verde para avançar: a construção da Petroquímica de Sines.
Veja-se…1975.
Quando hoje nos pintam tais tempos, como tempos tenebrosos em que não ficou pedra sobre pedra nem na economia, nem nos valores, recordam-nos depois alguns (teimosos) que afinal foram anos de tentativas de construção de um sonho para quem acabava de despertar de um longo pesadelo.
Para além disso, fica também claro, que foram anos de planeamento.
Não deixa de ser interessante, quando se verifica que a única coisa que os governantes actuais (e próximos) sabem planear é a forma de obter a próxima maioria parlamentar.
Para fazer aquilo que amargamente sabemos.