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domingo, 1 de maio de 2011

Viva o 1.ºde Maio

Maio começou chuvoso.
Uma chuva miudinha, teimosa.
Mas resolvemos não ligar.
E fizémos bem.
E uma juventude irrequieta, talentosa, trouxe-nos o Maio da Luta.
E foram bonitos os reencontros.
Há muito que não víamos por aqui, a fraternidade tão solta.
E encheu-se com a dança graciosa o espaço.
E reentoámos Fausto, Sérgio Godinho, Zeca.
E cruzámos olhares cúmplices.
Abraços sentidos e largos.
E o desejo de um grande beijo.
E pusémos os olhos no futuro, em Junho, futuro imediato.
Que faremos?

terça-feira, 26 de abril de 2011

Não há outro caminho

Agora, depois do tempo de todas as misturas, avançamos para o 1.º de Maio com a confiança de quem sabe que afrouxar não é solução e com a apreensão que resulta desta ampla orquestração contra os direitos de quem trabalha.
A Páscoa é por aqui , só por si, tradicionalmente, um período de confluência de padrões religiosamente distintos e mesclados com hábitos pagãos.
Não se comemora de igual forma em Évora e em Castelo de Vide, por exemplo.
Em muitos locais desta pátria grande (O Alentejo), a Festa é a segunda-feira, o dia de ir para o campo comer o borrego.
A Páscoa (dor e lamento), cinge-se ao interior dos Templos.
A Festa ganha o colorido dos campos.
Quis o calendário que à «Festa» se juntasse este ano a Festa da Liberdade.
E foi com toda esta mescla que comemorámos.
Com cravos de liberdade nascidos em campos de tradição.
Este ano menos viçosos por causa das preocupações…
Mas eis Maio.
Já aí está à nossa espera.
À espera das cores vivas com que vamos enfeitar a luta.
Não há outro caminho.

domingo, 17 de abril de 2011

Uma receita para a Finlandia

A vós que aí no norte, frio e distante, ou pelo menos a parte de vós - parte expressiva, diga-se - que optaram por votar na extrema direita, xenófoba e racista, como todas as extremas direitas e que por mal dos nossos pecados, nos escolheram como alvos preferenciais, digo-vos que por aqui esteve um dia lindo.
Cheio de sol.
É Abril em Portugal, sabeis?
Ficai pois com o vosso dinheiro e a vossa boçalidade que nós ficamos com o nosso sol.
E a todos vós - também muitos - que nos queiram visitar, como amigos, vos digo: sois bem vindos e partilhemo-lo - o sol.
E eu talvez vos receba com uma sopa:
Um pouco de azeite num tacho, dois dentes de alho picados finamente, quando estes tiverem loiros junta-se um molho de espinafres cortados grosseiramente e junta-se sal, Passados poucos minutos, estando os espinafres estufados, juntamos coentros e poejos picados e alguma água a ferver. Escalfam-se ovos e pronto.
É tão simples.
Por aqui ainda há quem dê valor às coisas simples.

domingo, 10 de abril de 2011

Não os mandemos à fava

Mandemo-los antes ...

Tendo em conta as grandes alhadas em que nos têm metido, desleixei a ideia que sempre tive, de ao domingo, escarafunchar por aqui qualquer coisa, «coisas leves…de domingo» e que por norma pudesse andar em torno da gastronomia e em sentido mais amplo se inserisse numa determinada perspectiva de regresso ao campo.
E assim, enjoado do congresso comício e não suportando mais a indelicadeza com que os seus grandes figurões me entram casa a dentro, eis que me apetece falar de coisas leves.
Leves e doces.
Se ainda não experimentaram, experimentem passar pela Vidigueira e comprem laranjas, são simplesmente magnificas. Só mais um dos néctares que saem destas terras solarengas…
Por estas terras, que também são de vinho, organizam-se umas iniciativas engraçadas: O Festival Pão e Laranjas (que me deu o acesso às ditas) e em Vila de Frades um Festival de Vinho, com vinho novo a provar-se nas enormes talhas de barro de inúmeras adegas de pequenos produtores da terra.
Experimentem, mas agora, só já no próximo ano.
E experimentem também por agora, que elas estão tenras, novas e saborosas, um bom prato de favas estufadas (com enchidos e os fortes aromas do coentro espigado).
Numa caçarola fritam-se umas tiras de toucinho salgado, rodelas de linguiça e de chouriço de sangue (de Estremoz e de porco preto).
Completada a fritura, retire e reserve as carnes. No pingo quente da fritura deite as favas (obviamente descascadas e desolhadas) tape a caçarola e vá revolvendo (de preferência com movimentos certos e sem destapar).
Coloque a «boneca», um molho de cheiros que consistem num abundante ramo de coentros espigados, ramos de hortelã enrolados em folhas de alhos , envolvendo sempre.
Tempere de sal e deite água a ferver (mais água se gostar delas caldosas, menos água se gostar delas mais secas - é o meu caso).
Deixe estufar bem.
Acompanhe com uma abundante salada de alface cortada em juliana.
Envolva ou coma à parte os enchidos fritos.
Complemente com um queijo fresco de cabra.
E, inevitável, acompanhe com um bom tinto alentejano e com amigos.
Amanhã, já sabemos.
O mesmo de hoje e de ontem.
Até que gente troque as voltas ao diabo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

MERCADOS



Viajo muito menos, mas muito menos mesmo, do que aquilo que gostaria.
Tal facto é consequência e não opção.
Mas sempre que o faço, nutro uma grande simpatia por mercados e só por manifesta impossibilidade não os incluo no roteiro.
E assim, um dia, descobri aquela expressão suprema de cores e harmonia que é o Mercado de La Boqueria em Barcelona. Um espaço aonde apetece voltar a cada momento, com tempo, fogão e tacho para complementar aquele quadro da natureza no quadro das pinceladas gastronómicas possíveis.
E o Mercado de Olhão, onde a perfeição se expressa na anarquia dominante, na mistura absurda de elementos conjugando-se num resultado final de extraordinária expressão da diversidade social, étnica e cultural.
E o Mercado de Évora, a quietude da planície nas bancas dos quintaneiros. Nos espargos bravos, diospiros e azeitonas pisadas.
E o Mercado de rua de Estremoz. Pedacinhos de campo e história expostos nos passeios. Galos capões, patos marrecos, gansos, coelhos, melros e tordos.
E o pequenino e abalroado mercado de Armação de Pêra. Amostras do mar vivo.
E Vila Real de St. António, ali onde desagua o grande rio do sul e onde as conchas das conquilhas parecem ter sido trabalhadas nos seixos soltos de S. Domingos. E o atum, escuro, grande e apetitoso.
E…
Sim, foi possível.
Falei de Mercados.
E julgo não ter assustado ninguém.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Pior



Diz-nos o empregado dos banqueiros que o pior ainda está para vir.
É verdade.
Ele sabe do que fala.
É ele próprio.

domingo, 24 de outubro de 2010

ABSURDO ?



O Parlamento Europeu , instituiu em 1985, pelas razões que sabemos mas que por agora opto por «deixar para lá», o denominado Prémio Sakharov, para premiar, disseram , pessoas ou organizações que se tenham destacado em acções de defesa dos direitos humanos e da liberdade.
Honrando excepções (Mandela - 1988; Mães da Praça de Maio - 1992 e alguma outras) os galardoados são-no sempre ou quase sempre, escolhidos por força de uma estratégia e de interesses políticos dominantes.
Os que julgam que ganharam a história (e que esta acabou, lembram-se?) a procurarem escrevê-la com os seus próprios caracteres de preconceito, sobranceria , ódio.
Pensando em torno disto e do próprio Nobel e pensando na barbárie e nas milhares de vitimas do canalha ataque ao Iraque (violações, tortura, humilhações de todo o tipo, assassinato de mais de 80 mil homens, mulheres e crianças) pensei em nomes para o próximo laureado com Sakharov:
Busch - O mandante primeiro, o cobarde mentiroso que mandou (resguardado) a matança.
Obama - O mandante das boas falas e da continuidade das mesmas praticas.
Sadam - O ditador (os comunistas iraquianos e o povo iraquiano são os únicos que poderiam usar esta designação por doloroso conhecimento de causa) que acabou por ser vitima.
O prémio honrando-se!
É negro o sarcasmo? É!
Como são negros e horríveis os relatos que nos chegam do que foi feito no Iraque.
Um abraço para os homens e mulheres da minha mítica mesopotâmia, que um dia, tal como nós, hão-de ser livres.

domingo, 17 de outubro de 2010

Revista de Imprensa (com um cheirinho de radio)



Prevenido sobre os riscos (gastrites), vou deixar por agora a declaração de guerra aos mais desprotegidos que se consubstancia no Orçamento por tantos tão desejado e vou procurar fazer aqui uma espécie de revista de imprensa.
Notas soltas deste fim de semana:

Da Bélgica de novo…uma figura sinistra.

Um tal monsenhor, pastor chefe de uma igreja que em vestes de púrpura e coberta de oiro tem por hábito sentar-se à mesa dos tiranos e farta proclamar as suas caridosas preocupações com os pobres e desvalidos, afirmou: «a epidemia da sida é uma forma de justiça imanente».
De batina, com ar de beato e falando em nome de deus…
Um, mais um, bruto de batina.

Na EN 125, nu em Outubro


Um operário foi detido na EN 125 (Algarve) por protestar nu contra o facto da empresa onde trabalha, não lhe pagar salário há SEIS meses.
Tem três filhos a passar fome.
Agitador, deve berrar o caloteiro enquanto bebe o seu uisquezinho de malte…

Viva a liberdade de (dizer bem de mim) na imprensa

O tal produto mal esgalhado, filho do cronista destilado, que apareceu aqui pelo Alentejo (sabemos bem como), acrescenta mais uma ao seu longo corolário de afirmações e comportamentos democráticos.
Ingeriu-se na linha editorial do Diário do Alentejo. A liberdade de imprensa, claro … mas não para dizer mal do fulano.
O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas condenou por unanimidade tal atitude.
Palavras para quê, é democrata, ha! E socialista, logo… de esquerda, não é?!

Sócrates acusa a esquerda

Ou ouvi mal (noticiário de esta tarde na Antena 1) ou pela primeira vez sou obrigado a reconhecer a digna atitude de SE. O PS de Sócrates e do fulano a que se refere o texto acima, não é de esquerda.
Nós já o sabíamos, mas não há como a confissão.
Dizem que atenua…

Faça alguma coisa por este país


Pede um popular à outra SE, Cavaco de seu nome.
Mas o homem já fez.
Durante 10 anos a que está a acrescentar mais 5 e quer outros tantos.
E nós estamos a pagar a factura.

Cheques

Brincaram com cheques (como já o haviam feito antes com cheques e com o respectivo dinheiro) durante o debate na AR. Um dizia que não passava cheques em branco ao governo e o outro retorquia que quem precisava desse cheque era o país (pudera).
Mas o que acaba por acontecer é que vão passar cheque … mate ao país e aos portugueses. ((aos portugueses que pagam as crises).

domingo, 10 de outubro de 2010

SACRIFICIOS




Os mercados andam nervosos, quais deuses famintos…
Nada lhes amaina os apetites.
Já entregámos em sacrifício as benesses de sempre.
Salários, direitos, funcionários públicos, emprego, reformados… e eles continuam famintos…
Obviamente, resguardam-se os crentes e a fé.
Não se espera que os servidores, sempre fiéis, sempre de acordo, sempre disponíveis, sejam eles próprios entregues em sacrifício, pois não ???
Porque continuam tão nervosos, os mercados, então???
Que mais lhes podemos entregar?
Os deuses pedem mais. Pedem um sacrifício supremo.
Pois que subamos ao Monte Moriá e lhe entreguemos Isaque.
Ou Teixeira…
Ou o próprio José
Mesmo que tal implique uma certa desordem cronológica.
Nada que Saramago não tenha já tratado magnificamente no jogo dos presentes em Caim.

Coisas leves... de domingo.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Higiene oral



Vivemos tempos muito «higiénicos» e tanta «higiene» assusta.
E assusta ainda mais a desfaçatez com que certas afirmações são feitas.
A propósito dos vergonhosos cortes nas prestações sociais, dizia um senhor responsável pela segurança social: «Sabe, antes o 1.º adulto valia o mesmo que o segundo adulto e agora este vale menos que o primeiro». Agora vale menos???, estaria o senhor perturbado e referir-se-ia ao carro que havia comprado há seis meses?
Perante o problema (grave) da obesidade infantil, defendeu um responsável: «deve-se ponderar a retirada destas crianças aos seus pais, pois estes dão provas de comportamento negligente».
E creio que não questionou, em nenhum momento, que uma dessas crianças, sabendo ler e percebendo, poderia estar a folhear o jornal e a ler este título.
Já tinham havido campanhas paranóicas sobre o tabagismo e as encenações mediáticas da segurança alimentar e da intervenção da asae.
Há muitas coisas, que alguns, gostariam de ver higienizadas...
Sobre os «valores» dos cortes das prestações sociais, será que o dito responsável, nos saberá dizer quantos audis novos pode o governo comprar com o que poupou?
Sobre a obesidade infantil, saberá o dito responsável, que a obesidade é também o reflexo das graves carências económicas de milhares de famílias? E porque não defender também o internamento compulsivo dos pais dos pais, os ditos avós e outros, o dono da mercearia, por exemplo?
Perante o gravíssimo drama dos fogos florestais, advogava Paulo Portas que deviam ser dado poderes à policia para prender aqueles que lhe parecessem suspeitos. Sem intervenção judicial. Só na base da suspeita (fundada, ou infundada).
Ou seja, sem mais nem menos, como noutros tempos.
Mais tarde alargar-se-ia esta possibilidade para outras actividades… e ele anda disso tão ansioso!
Nem vou perder tempo, para lembrar campanhas de «higienização» de tempos passados e algumas presentes. Só a ideia arrepia.
Assim. evitando conspurcar este meu texto e para os arautos das «limpezas» endereço um conselho:
Antes de quererem «limpar» o que quer que seja, limpem primeiro a cabeça e com especial atenção a língua.
Com muita água e algum sabão.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Um pequeno bafejo



O espojinho anuncia-se como coisa errante.
Que ora se assume vigoroso, varrendo em espiral o seu percurso, ora lento, quase só uma aragenzita, como um bafejo.
Nos últimos dias nem mesmo um bafejo.
Mas está presente.
Simplesmente um pequeno retemperar de energias.
Ele gosta por vezes de ver o mar, de sentir a sua frescura ao fim de tarde, de imaginá-lo como caminho para encontros e como elo de ligação entre todos os povos.
Quando a noite cai e a lua cheia abre sobre ele um caminho prateado, quase apetece pôr pés ao caminho…
Mas fica em terra.
E encontra povos que conclui oriundos de várias paragens mas que não comunicam entre si. Percorrem e acotovelam-se nas ruas que cruzam, mas não se comunicam.
Chega mesmo a considerar-se estrangeiro no seu próprio país. Visitante e não anfitrião.
E consulta informações em língua que não a sua e vê ementas absurdas para a sua cultura gastronómica.
Absurdas não porque não lhe são comuns, mas porque não são elas mesmo comuns.
É possível numa pastelaria pedir um café e um rodriguinho ao mesmo tempo que se pode pedir uma dose de sardinhas com batatas fritas.
As ementas são tão ecléticas que associam cavalas grelhadas, hamburguer e esparguete à carbonara.
Vale tudo. É grande a ganância, mas não me parece que a coisa vá dar resultado.
Experimentem mudar de rumo.
Valorizar a autenticidade e o que tem identidade.
Experimentem, porque eu não quero repetir a experiência,
Agora estou à procura de uma aldeia, talvez na costa alentejana, onde me encontre com gentes que vindas de todo o mundo, nos procurem pelo que somos.
Pelo sol, pela praia e pelo mar, pela hospitalidade, pela imperial, pelos percebes, berbigões e companhias.
Ainda encontrarei?

domingo, 11 de julho de 2010

Gaspachos...de novo



Por aqui, quando anunciam uma baixa na temperatura prevista de 39 para 35, exclamamos: Ah bom.
Porque assim tem sido e porque o calor teima, volto aos gaspachos, não para vos dar receita, que isso já fiz, mas para contar uma história, daquelas histórias tristes de um Alentejo ainda presente que os alentejanos sabem contar com uma graça inimitável.
Sou alentejano mas não fui dotado com essa graça, assim como com a de cantar. Desgostos meus, mas vou tentar (contar a história, porque cantar não me atrevo…):
Numa ceifa (para manter a tradição de uma linda oralidade deveria escrever: «acêfa) de finais de Junho, com dias já bem quentinhos e grandes, um rancho de homens e mulheres param por momentos o penoso trabalho e preparam-se para a bucha (farta de miséria).
Naquele dia tinham tido uma visita,
O patrão tinha vindo acompanhar ,“de passagem”, a jornada.
Não precisava de se preocupar com visitas frequentes pois o manajeiro tomava-lhe muito bem conta do recado.
Ao chegar, depois de um sonoro bom dia e da breve pausa para a vénia, atirou; «faz um calor de rachar». Era meio da manhã.
Ficou até à pausa para a bucha e ficou a saber que a maioria dos trabalhadores trazia gaspacho para o almoço.
Ficou curioso, Já na semana passada traziam gaspacho…
Chegado ao monte, gritou para a criada: «Hoje fazes gaspacho para o almoço. Porque é que nunca fazes gaspacho???»
Esta, a medo respondeu: «pensava que o patrão não gostava…»
Passado pouco tempo resfolgava-se com um gaspacho recheado com bons pedaços de presunto gordo, paio, azeitonas, jaquizinhos fritos, arrematado com uma boa talhada de melão,
Enquanto se preparava para a sesta, remoía; «Queixam-se, queixam-se mas comem bem os sacanas…»
Entretanto, já há mais de duas horas que curvados sobre o peso do amassador sol, ceifeiros e ceifeiras já nem memória tinham do gaspacho de pão, azeite, vinagre e poucas azeitonas. Arrastavam os corpos naquela dolorosa cadência, com tanto de cansaço como de fome…
E ainda vinha longe o pôr do sol.

domingo, 20 de junho de 2010

Uma espécie de fábula



Num lugar muito recôndito, numa enorme clareira aberta no coração de uma densa selva viviam dois homens.
Um, mau como as cobras - coitadas destas que nem elas lhe escapavam -e o outro, um homem bom.
O homem mau julgava-se o senhor da clareira. Coelhos, cordeiros e todo o tipo de alimento que por ali passasse, garantidamente que não escapava ao seu cajado ou flecha. Conta-se mesmo que chegou a matar um cordeiro que depois abandonou sem ser capaz de comer pois estava farto.
O homem bom, ia subsistindo, comendo bagas, cogumelos, por vezes uns ovos.
Como será fácil de supor, o homem mau não gostava nada do homem bom e este, cansado de tanta diatribe e mázura, resolveu ir viver para outra clareira.
Aqui, chegavam noticias trazidas por pássaros falantes, amigos do homem bom, de que o homem mau, agora em novas e ainda mais importantes funções, era cada vez mais mau.
Havia já em marcha uma revolta na selva.
Os pássaros falantes avisaram mesmo o homem bom de que alguma coisa má ia acontecer ao homem mau.
O homem bom, porque era bom, resolveu ir à clareira de onde tinha saído para ver se convencia o homem mau a mudar de atitudes e avisá-lo de que se não o fizesse, corria sérios riscos.
Ao chegar à clareira onde agora só já vivi o homem mau, julgou que os seus passos tinham sido em vão, a revolta estava em marcha.
Encostado contra o tronco de uma enorme arvore, o homem mau comprimia-se, lívido e acagaçado, enquanto avançava sobre si toda a espécie de animais da selva.
Mesmo assim, perante um cenário tão real e ameaçador, porque por ser bom é também corajoso, o homem bom aproximou-se, abriu os braços e gritou e num ápice todos os animais fugiram.
Intrigou-se, pois sabia da ferocidade de muitos daqueles animais e perguntou aos pássaros falantes se eles lhe sabiam explicar a razão para tal comportamento e estes também intrigados perguntaram-lhe:
Não sabes???
Não.
Nunca te apercebeste do teu tamanho???
Não. Nunca liguei, trato todos por igual.
Pois fica sabendo que os animais fugiram por força do teu tamanho. Os homens bons são enormes e os maus, pequeninos, muito pequeninos.
Disseram-lhe também os pássaros falantes, dias depois, que o homem mau tinha partido para uma ilha, ao largo da costa e que de lá só chegavam os seus murmúrios.
Contam também que no caminho feito pelo homem mau, não passa agora nenhum animal da selva, tal o fedor que lá ficou impregnado.

Coisas leves de domingo ou ... nem tanto.

domingo, 13 de junho de 2010

Noivas de St.º António



Não sei se por influência ( e se assim foi, só por associação de ideias como é óbvio) da carga simbólica do dia, principalmente as manias casamenteiras do seu santo patrono, dou comigo a pensar sobre alguns pares interessantes da cena política actual.
E assim surgem-me:
Sócrates e Coelho e por consequencia a política de austeridade de cortes salariais e de aumento de impostos.
Mário Soares e Fernando Nobre (vá-se lá saber porquê!!!).
Vasco Prurido Valente e Cavaco Silva. Para se perceber é preciso ler a croniqueta que o primeiro hoje esborrata no público.
Cavaco Silva e Bagão Félix por causa da posição do primeiro, sobre casamentos.
Francisco Louçã e Manuel Alegre e uma alegre esquerda que se cansa de o proclamar e tarda em o confirmar.
Um tal de Brito e de novo Manuel Alegre. Serodios amores?
Coisas leves…de domingo.

domingo, 6 de junho de 2010

Dose para cavalo



A preguiça já vai longa e apesar de ser domingo, aqui estou.
Não foi por acaso que criei um «rubrica» que denominei de «coisas leves» de domingo. Procurarei encaixar aí este pequeno texto.
Mas o que procuro acima de tudo é desintoxicar-me de selecção.
Por favor não me façam deixar de gostar de futebol, que até é um desporto bonito. Mas eu estou farto de vocês.
Joguem e ganhem, ou não… mas eu não quero saber por nada, dos vossos afazeres, gostos e depravações.
Tristes figuras a dos jornalistas… e eu que sonhei ser jornalista…que têm que fazer estes acompanhamentos, não sei se estes já apuraram, quantas das vedetas ressonam e quantos salpicam a tampa da sanita quando fazem xixi, mas vão apurar certamente.
Por ser um texto «leve» e porque também nele o futebol é dominante, abstenho-me de me pronunciar sobre a última reacionarice do novel coelho.
Se quer despedimento sem justa causa, pois que o haja por antecipação e que ele seja o primeiro objecto de tal media.
Vou para a minha mini com tremoços.
Porque hoje é domingo.
A sugestão gastronómica?
Migas de tomate com qualquer coisa.

domingo, 23 de maio de 2010

Coisas leves



Para desintoxicar e porque gosto.
Vou experimentar aos fins de semana, uma abordagem um pouco mais «leve».
Daí que talvez escreva sobre gastronomia ou essa coisa que em mim consiste em misturar produtos na perspectiva de apaladar um produto final.
E para misturar produtos, nada como abordar primeiro os próprios produtos.
Os supermercados facilitam essa tarefa. Quase sempre estão descritos, indicam as proveniências, e ultimamente até o meio e forma de criação - no caso dos peixes, se de captura ou de aquacultura.
Para a sua escolha tenho um padrão muito subordinado a um leque que muitos designam por dieta mediterrânica, mas não cristalizo aí os gostos e prefiro, sempre que a preferência é possível, que sejam resultado de criação «artesanal».
Só quem já provou um frango do campo pode compreender as diferenças com os frangos de supermercado. Na cor, na textura e acima de tudo no sabor.
E agrião dos ribeiros, quantos conhecem a diferença para com os molhos supermercadizados?
E as beldroegas? E os espargos? as túberas? E os cagarrinhos ou cardos? O achigã ou a boga e a carpa como esta se come na Jerumenha?
Uso muito e profusamente as chamadas ervas aromáticas. Coentros, poejo, salsa, hortelã e hortelã da ribeira.
Já experimentaram temperar uma salada de tomate com uma boa mão cheia de orégãos?
Experimentem por estes dias os que são de cá, e os outros que não sendo, se por cá passarem e se o tempo estiver quente - o que é bem previsível - um refrescante gaspacho acompanhado com uns jaquizinhos fritos : nada mais que água fria que se tempera com azeite, alho pisado, vinagre e sal à qual se acrescenta cebola (nova) picada, pepino cortado miudamente em cubos, tomate (de salada) de igual forma, umas rodelas de linguiça ou pedacinhos de presunto gordo e sopas de pão ..ah e acompanha-se a sopa assim obtida com os jaquizinhos fritos.
É saboroso, refrescante e muito económico.
Nos dias que correm, com o Governo a ir-nos ao bolso, pode ser uma boa solução
Bom apetite.
Coisas de domingo…