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quarta-feira, 10 de agosto de 2011
O que estão a encenar em Londres?
A questão é obviamente referente aos confusos e mal explicados acontecimentos, que nos últimos quatro dias têm assombrado Londres e inquietado o mundo e não mera curiosidade sobre a programação de qualquer um dos imensos teatros que me dizem Londres ter.
Aqui, à distância e tendo por dado unicamente a informação secundária expressa pelos media, as coisas tendem a não encaixar.
Vêem-se bandos organizados a vandalizar tudo à sua passagem, casas e carros incendiados e a policia quase que indiferente.
Há mesmo uma imagem em que um desses «amotinados» leva uma vergastada de um policia, cai desamparado e por pouco não vimos o mesmo polícia dar-lhe a mão para o ajudar a levantar, mas vimos que logo que se levanta, ensaia um bailado pseudo marcial e eis que seis policias (1 já referido e mais 5 que o acompanhavam) recuam, temerosos.
E a malta quase que grita: aí benjamim, grande herói.
Os bandos são compostos por cem , cento e cinquenta indivíduos, dizem-nos, e os bandos de policias, em pose com mãos atrás das costas são bem mais numerosos e ao todo perto de 16 mil.
Se a polícia, de um país policia do mundo, não é capaz de travar acções de algumas centenas de miúdos de 13 anos (como não se cansam de nos dizer) então o que há a esperar do futuro?
Temo já, aflito, pela segurança de sua majestade e de todos os majestosinhos (ou mastuncinhos?)
Julgo mesmo que o COI deveria desde já encontrar alternativa para os Jogos de 2012, talvez no Afeganistão, digo eu.
E é até mesmo de supor que os taliban já estejam em Londres a recrutar estes «putos».
Não fosse a coisa séria e poderia ser tentado a dar continuidade à brincadeira, mas a verdade é que é muito preocupante e sabendo nós que esta mesma policia, há bem poucos dias, foi bem capaz e eficaz a reprimir com violência desmedida protestos sociais ordeiros e de justas reivindicações.
O que também é verdade, é que os amigos ingleses, do assassino norueguês, puseram as garras de fora e preparam-se para dar azo aos seus intentos fascizóides.
O que é verdade é que já vimos políticos de meia leca de vassoura em punho, preparados para varrer o que não é difícil supor o que consideram lixo (tão asseadinhos que são os porcos…).
O que também é verdade é que, dizia hoje um chefe de polícia, existem milhares de imagens televisivas para visionar e consequentemente centenas ou milhares para deportar.
Bela oportunidade para se verem livres do que não gostam, agora que já usaram.
Os ingleses são mestres nestas artes.
E são muitas mais as interrogações que me assaltam.
Reparem que a primeira coisa que vão berrando os que fazem o mal e a escaramuça é que o multiculturalismo falhou.
Fazem-no Cameron, Merkel, Sarkozy e respectivas damas de honor.
Querem voltar às tribos.
O que querem mesmo os que permitiram o que está a acontecer em Londres?
Coisa boa não é.
Quem ainda consegue pensar, sabe a resposta.
(É que vem sempre à memória Marx e o seu «18 de Brumário de Louis Bonaparte»)
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Patetices e marias que vão com as outras
Estou convictamente convencido (não sei mesmo se não deveria acentuar o grau) que o conjunto de cinzentões que governa o país e a europa, julga que por aqui, somos todos um grupo de patetas.
Ou em alternativa (solução para que me inclino mais) os patetas são o grupo de cinzentões e nós, apenas uma imensa mole de marias que vão com as outras.
As conversadas (longas e entediantes) sobre os mercados e a forma como procuraram explicar a gula e a especulação desenfreada destes, é só um dos sintomas da patetice.
Nervosos, agitados, perturbados, por causa da chuva, por causa do sol, por causa das inundações, por causa dos fogos, porque corriam rumores que os príncipes não casavam, ou que casavam na coxixina, tudo foi aduzido.
Só não compreendo é como, numa situação tão prolongada de «nervosismos» os ditos cujos não foram levados a uma loucurazinha. Sei lá…
E ninguém pergunta quem são? De onde vêem e de onde vem o dinheiro?
E ninguém pergunta o destino da usura?
Convenhamos que para anti depressivos é uma verba já muito alta…
E também ninguém pergunta, porque carga de águas temos que estar nas mãos destes nervosos mercados?
Devemos biliões???
Quem os pediu emprestados em nosso nome?
Onde os gastou?
Perguntaram-nos alguma coisa?
Agora encenam outro jogo.
Todos os dias atiram barro à parede para verem qual cola melhor.
Como a toque de uma batuta, cadenciadamente, bombásticamente, vão «anunciando» as medidas que a «troika» se prepara para impor.
A par dessa preparação, preparam o acompanhamento. Que consiste em afirmar que é inevitável viver pior.
Que é inevitável viver de cabeça baixa.
Que é inevitável levar uns tautauzinhos (quais meninos mal comportados) de tudo o que se julga impante nesta europa.
E que é inevitável «unir» o gato da vizinha, o doberman vadio, o peixe do aquário, o elefante e a formiga, o rato e o saca rabos e tudo no mesmo saco.
E o senhor presidente dá-lhe a ênfase de estado. É preciso que o próximo governo tenha o apoio maioritário do Parlamento, diz.
Claro. Se não, não é possível termos governo não é verdade?
Que saibamos, o governo tem que submeter e ver aprovado o seu programa na AR, não é verdade?
Ou já não é verdade porque a «troika» assim o determinou?
Ontem vi «48» um filme / documentário impressionante.
Só espero que as marias vão com os outros não sejam cúmplices de um regresso a um tempo, tão triste, tão cinzento e tão violento como aquele que é ali tratado.
Se quisermos, somos capazes.
Ou então (se surtir mais efeito) e remoendo-me:
We can.
Ou em alternativa (solução para que me inclino mais) os patetas são o grupo de cinzentões e nós, apenas uma imensa mole de marias que vão com as outras.
As conversadas (longas e entediantes) sobre os mercados e a forma como procuraram explicar a gula e a especulação desenfreada destes, é só um dos sintomas da patetice.
Nervosos, agitados, perturbados, por causa da chuva, por causa do sol, por causa das inundações, por causa dos fogos, porque corriam rumores que os príncipes não casavam, ou que casavam na coxixina, tudo foi aduzido.
Só não compreendo é como, numa situação tão prolongada de «nervosismos» os ditos cujos não foram levados a uma loucurazinha. Sei lá…
E ninguém pergunta quem são? De onde vêem e de onde vem o dinheiro?
E ninguém pergunta o destino da usura?
Convenhamos que para anti depressivos é uma verba já muito alta…
E também ninguém pergunta, porque carga de águas temos que estar nas mãos destes nervosos mercados?
Devemos biliões???
Quem os pediu emprestados em nosso nome?
Onde os gastou?
Perguntaram-nos alguma coisa?
Agora encenam outro jogo.
Todos os dias atiram barro à parede para verem qual cola melhor.
Como a toque de uma batuta, cadenciadamente, bombásticamente, vão «anunciando» as medidas que a «troika» se prepara para impor.
A par dessa preparação, preparam o acompanhamento. Que consiste em afirmar que é inevitável viver pior.
Que é inevitável viver de cabeça baixa.
Que é inevitável levar uns tautauzinhos (quais meninos mal comportados) de tudo o que se julga impante nesta europa.
E que é inevitável «unir» o gato da vizinha, o doberman vadio, o peixe do aquário, o elefante e a formiga, o rato e o saca rabos e tudo no mesmo saco.
E o senhor presidente dá-lhe a ênfase de estado. É preciso que o próximo governo tenha o apoio maioritário do Parlamento, diz.
Claro. Se não, não é possível termos governo não é verdade?
Que saibamos, o governo tem que submeter e ver aprovado o seu programa na AR, não é verdade?
Ou já não é verdade porque a «troika» assim o determinou?
Ontem vi «48» um filme / documentário impressionante.
Só espero que as marias vão com os outros não sejam cúmplices de um regresso a um tempo, tão triste, tão cinzento e tão violento como aquele que é ali tratado.
Se quisermos, somos capazes.
Ou então (se surtir mais efeito) e remoendo-me:
We can.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Irra.
Experimentei todas as formas.
A sério e de semblante carregado, de forma aligeirada, por vezes ironicamente (no que não é de certeza o meu campo favorito), optei por deixar andar, omiti, mudei de assunto vezes sem conta, mas nenhuma destas estratégias resultou.
O problema subsiste.
Ganhou hoje de novo honras de 1ª página.
«Os mercados continuam muito nervosos».
As taxas de juro atingiram novo recorde.
Depois do novo recorde ontem obtido.
E os jornalistas nada mais têm a escolher para título do que a expressão já useira e referente ao equilíbrio emocional e psíquico dos ditos mercados: «Os mercados continuam nervosos».
E nada parece acalmá-los.
E não há um. Um que seja. Que titule: « A usura continua».
Ou:
«Continua o roubo descarado».
E a par dele, desse frenesim de loucura, finlandeses, turcos, marroquinos, alemães, luxemburgueses, franceses e todos os restantes fregueses, vão ditando postas de pescada:
Os portugueses têm de …
É preciso que os portugueses aprendam a…
Vão ter que ter juízo.
Oposição e oposição à oposição têm que se unir…
Vão ter que aprender a poupar.
Vão ter que aprender a viver sem comer (e nós que estamos avisados sobre o burro do espanhol)…
E os portugueses…
Que têm na mão uma oportunidade soberana de os mandar comer um cão…
Preparam-se para engolir toda esta cachorrada…
Irra.
A sério e de semblante carregado, de forma aligeirada, por vezes ironicamente (no que não é de certeza o meu campo favorito), optei por deixar andar, omiti, mudei de assunto vezes sem conta, mas nenhuma destas estratégias resultou.
O problema subsiste.
Ganhou hoje de novo honras de 1ª página.
«Os mercados continuam muito nervosos».
As taxas de juro atingiram novo recorde.
Depois do novo recorde ontem obtido.
E os jornalistas nada mais têm a escolher para título do que a expressão já useira e referente ao equilíbrio emocional e psíquico dos ditos mercados: «Os mercados continuam nervosos».
E nada parece acalmá-los.
E não há um. Um que seja. Que titule: « A usura continua».
Ou:
«Continua o roubo descarado».
E a par dele, desse frenesim de loucura, finlandeses, turcos, marroquinos, alemães, luxemburgueses, franceses e todos os restantes fregueses, vão ditando postas de pescada:
Os portugueses têm de …
É preciso que os portugueses aprendam a…
Vão ter que ter juízo.
Oposição e oposição à oposição têm que se unir…
Vão ter que aprender a poupar.
Vão ter que aprender a viver sem comer (e nós que estamos avisados sobre o burro do espanhol)…
E os portugueses…
Que têm na mão uma oportunidade soberana de os mandar comer um cão…
Preparam-se para engolir toda esta cachorrada…
Irra.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Ai Abril...
Parece que muitos - a maioria, para também fazer uso desta entidade mítica - perderam a memória, a capacidade de indignação e acima de tudo a de interrogação.
Dizer hoje que Portugal não precisa de ajuda e dois dias depois afirmar que a ajuda que Portugal precisa não é só para seis meses mas para muito mais tempo, não envergonha o seu autor, não indigna a maioria e não conduz à curiosidade dos seus concidadãos.
Fazer de uma candidatura uma batalha de honra (segundo o conceito do próprio) contra os malefícios do partidarismo e passados alguns dias aceitar convite para integrar essa mesma partidocracia, não envergonha o próprio, não indigna a maioria e não conduz à curiosidade dos cidadãos.
Outros exemplos, imensos outros, poderiam aqui ser trazidos.
Há mesmo casos em que de tão recorrentes, muitos de nós aprendemos a interpretar os ditos nos exactos termos dos seus contrários.
Alguns afirmam - enveredando pela perspectiva moralista - que este estado de coisas é o retrato da condição e «estatura moral» do país. Em boa medida é verdade, mas a questão vai para além disso.
O que está a acontecer insere-se numa estratégia geral de descredibilização da democracia, procurando e em boa medida conseguindo, o alheamento e a culpabilização «cega» da política por todos os males.
Tudo se consubstancia na máxima das massas «são todos iguais».
E sob essa cobertura, vai ficando claro em cada dia que passa - para os que ainda não perderam as faculdades de memória, dignidade e capacidade de interrogação - que o governo de Portugal - e da Europa, acrescente-se - é o governo do capital.
São os bancos que ditam, decidem, arrecadam, arruínam famílias e países.
O dinheiro deixou de ser um factor de produção e passou a ser um instrumento de mera comercialização assente na mais descarada especulação.
A um gerente - supra sumo da inteligência «capital» - pagam-se somas escandalosas.
A um investigador que contribui com a sua inteligência, a sua dedicação e o seu trabalho para procurar encontrar soluções para os seus iguais, com merecido destaque para os que trabalham nas áreas da saúde, mitiga-se o que se lhe paga.
Pobres coitados dos gestores de meia tigela que dentro dos seus b emes e empanturrados nos tavares se julgam o supra sumo da sociedade.
Admitamos que em certa medida o são.
Desta sociedade decadente e medíocre.
Mas reconheçamos - os que ainda têm as faculdades já descritas - que homens com H são os outros.
Mas voltando à questão da natureza do poder político.
Se dúvidas existissem, bastava estar atento, aos últimos dias e às melhores prestações dos agentes nacionais do governo do capital.
Reunião de banqueiros - quais múmias -, recados de banqueiros seguidos à risca pelos seus diligentes empregados no governo, entrevistas a banqueiros - quais múmias - chegada do homens do FMI - qual Força de Intervenção - discursos dos pseudo especialistas empregados dos banqueiros, agachamentos dos outros que nem empregados são dos banqueiros. E a religião metida ao barulho, como sempre.
E o povo - as massas - as vítimas - compreendendo que a situação está difícil. Que é preciso salvar o País. Que o Sr. Presidente tem razão e que é preciso que todos se unam.
E vai daí,o povo - as massas - preparadinho para homologar mais um governo do capital, estando só indeciso se o há-de fazer com o cõnsul geral que lá tem estado se escolhe o outro cônsul geral.
E..
O general diz fanfarrão que assim não tinha feito a revolução.
Ah, pois não. Mas ela tinha-se feito muito bem sem ele.
Mas
Ai Abril….
Ai Abril.
Dizer hoje que Portugal não precisa de ajuda e dois dias depois afirmar que a ajuda que Portugal precisa não é só para seis meses mas para muito mais tempo, não envergonha o seu autor, não indigna a maioria e não conduz à curiosidade dos seus concidadãos.
Fazer de uma candidatura uma batalha de honra (segundo o conceito do próprio) contra os malefícios do partidarismo e passados alguns dias aceitar convite para integrar essa mesma partidocracia, não envergonha o próprio, não indigna a maioria e não conduz à curiosidade dos cidadãos.
Outros exemplos, imensos outros, poderiam aqui ser trazidos.
Há mesmo casos em que de tão recorrentes, muitos de nós aprendemos a interpretar os ditos nos exactos termos dos seus contrários.
Alguns afirmam - enveredando pela perspectiva moralista - que este estado de coisas é o retrato da condição e «estatura moral» do país. Em boa medida é verdade, mas a questão vai para além disso.
O que está a acontecer insere-se numa estratégia geral de descredibilização da democracia, procurando e em boa medida conseguindo, o alheamento e a culpabilização «cega» da política por todos os males.
Tudo se consubstancia na máxima das massas «são todos iguais».
E sob essa cobertura, vai ficando claro em cada dia que passa - para os que ainda não perderam as faculdades de memória, dignidade e capacidade de interrogação - que o governo de Portugal - e da Europa, acrescente-se - é o governo do capital.
São os bancos que ditam, decidem, arrecadam, arruínam famílias e países.
O dinheiro deixou de ser um factor de produção e passou a ser um instrumento de mera comercialização assente na mais descarada especulação.
A um gerente - supra sumo da inteligência «capital» - pagam-se somas escandalosas.
A um investigador que contribui com a sua inteligência, a sua dedicação e o seu trabalho para procurar encontrar soluções para os seus iguais, com merecido destaque para os que trabalham nas áreas da saúde, mitiga-se o que se lhe paga.
Pobres coitados dos gestores de meia tigela que dentro dos seus b emes e empanturrados nos tavares se julgam o supra sumo da sociedade.
Admitamos que em certa medida o são.
Desta sociedade decadente e medíocre.
Mas reconheçamos - os que ainda têm as faculdades já descritas - que homens com H são os outros.
Mas voltando à questão da natureza do poder político.
Se dúvidas existissem, bastava estar atento, aos últimos dias e às melhores prestações dos agentes nacionais do governo do capital.
Reunião de banqueiros - quais múmias -, recados de banqueiros seguidos à risca pelos seus diligentes empregados no governo, entrevistas a banqueiros - quais múmias - chegada do homens do FMI - qual Força de Intervenção - discursos dos pseudo especialistas empregados dos banqueiros, agachamentos dos outros que nem empregados são dos banqueiros. E a religião metida ao barulho, como sempre.
E o povo - as massas - as vítimas - compreendendo que a situação está difícil. Que é preciso salvar o País. Que o Sr. Presidente tem razão e que é preciso que todos se unam.
E vai daí,o povo - as massas - preparadinho para homologar mais um governo do capital, estando só indeciso se o há-de fazer com o cõnsul geral que lá tem estado se escolhe o outro cônsul geral.
E..
O general diz fanfarrão que assim não tinha feito a revolução.
Ah, pois não. Mas ela tinha-se feito muito bem sem ele.
Mas
Ai Abril….
Ai Abril.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Democráticas formalidades (3)
Dando continuidade ao processo cénico conducente ao cumprimento da formalidade de convocar eleições, anuncia-se para hoje «importante» reunião do Conselho de Estado.
O Diário Económico anuncia este facto e articula: «…e das eleições antecipadas, terá obrigatoriamente que sair um governo maioritário, se possível, com mais que dois partidos».
Nem mais, faltando só acrescentar, digo eu, qual a obrigatoriedade de voto para cumprir a premissa.
Por mim, julgo que ponderam a possibilidade seguinte: PCP; BE e PEV. Não creio que seja outra.
Mas mesmo falando de embustes, seria aconselhável alguma parcimónia.
Em primeiro lugar, as eleições destinam-se a eleger deputados, que por sua vez se constituem em assembleia, à qual, o líder do partido mais votado, fica incumbido de apresentar um programa.
Será então primeiro ministro aquele que vir o programa apresentado ter a aprovação maioritária da assembleia.
Logo, será sempre um governo maioritário, aquele que sair das próximas eleições.
Mas sabemos o que querem dizer.
O que querem é uma maioria obediente. De ámen sempre pronto. Que esteja tolhida (pelo jogo de interesses) na sua acção.
Ou seja, o contrário do que deve ser uma assembleia.
Que deve ser representativa, interveniente, fiscalizadora da acção dos governos. Que represente a cada momento o sentir e a vontade daqueles que neles votaram.
Se querem uma maioria de maiorias asfixiantes e obediente, para quê as eleições?
A maioria que querem impor nas próximas eleições já existe actualmente. PS; PSD e CDS já têm essa ampla maioria.
Assumam-na já e poupem-nos.
Ou então calem-se e criem as condições para o povo poder decidir se não em consciência, pelo menos com o mínimo de dignidade.
O Diário Económico anuncia este facto e articula: «…e das eleições antecipadas, terá obrigatoriamente que sair um governo maioritário, se possível, com mais que dois partidos».
Nem mais, faltando só acrescentar, digo eu, qual a obrigatoriedade de voto para cumprir a premissa.
Por mim, julgo que ponderam a possibilidade seguinte: PCP; BE e PEV. Não creio que seja outra.
Mas mesmo falando de embustes, seria aconselhável alguma parcimónia.
Em primeiro lugar, as eleições destinam-se a eleger deputados, que por sua vez se constituem em assembleia, à qual, o líder do partido mais votado, fica incumbido de apresentar um programa.
Será então primeiro ministro aquele que vir o programa apresentado ter a aprovação maioritária da assembleia.
Logo, será sempre um governo maioritário, aquele que sair das próximas eleições.
Mas sabemos o que querem dizer.
O que querem é uma maioria obediente. De ámen sempre pronto. Que esteja tolhida (pelo jogo de interesses) na sua acção.
Ou seja, o contrário do que deve ser uma assembleia.
Que deve ser representativa, interveniente, fiscalizadora da acção dos governos. Que represente a cada momento o sentir e a vontade daqueles que neles votaram.
Se querem uma maioria de maiorias asfixiantes e obediente, para quê as eleições?
A maioria que querem impor nas próximas eleições já existe actualmente. PS; PSD e CDS já têm essa ampla maioria.
Assumam-na já e poupem-nos.
Ou então calem-se e criem as condições para o povo poder decidir se não em consciência, pelo menos com o mínimo de dignidade.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Democráticas formalidades (2)
O voto é, no plano formal, o instrumento democrático por excelência.
E porque assim é, constitui-se hoje como a expressão suprema do embuste.
Quer se analise no processo de construção, quer se analise na produção de efeitos fácil é constatar que ele é cada vez mais uma expressão banal e vazia de sentido.
E para o embuste, tanto contribuem aqueles que dele precisam para «legitimar» as políticas como aqueles que o usam de forma leviana.
Basta de considerar os utilizadores do voto numa perspectiva de condescendência e numa permanente desculpabilização.
Quem dele (voto) faz mau uso, tem que ser, no plano social, responsabilizado pelos seus actos.
Só assim a democracia fará sentido.
Só assim o voto não será um instrumento do embuste.
Mas a conversada que vai grossa na praça, só serve para verificar que faz cada vez mais sentido falar de embuste.
Diz-se que SE exige que o próximo governo tenha suporte numa sólida maioria absoluta.
Os senadores e os bem instalados enchem a boca (nos intervalos em que esta está vazia para digestão) com a afirmação da necessidade sagrada de uma maioria absoluta.
Um padre com boa carreira, sorridente, expressa que gostaria de uma maioria ps, psd, cds.
Os patrões e os seus empregados dilectos, falam no mesmo sentido, divergindo apenas, pontualmente, nas pontas.
Paulo Rangel diz hoje que Merkel ficaria muito contente por ver o PSD no Governo (compreendemos…sempre seria uma vitória num land já que para as suas bandas…)
Pois o que fica claro é que o que pretendem é simplesmente e rapidamente ultrapassar este pequeno embaraço (eleições) e considerando que não podem (para já ) dispensar esta formalidade, que da mesma resulte o ámen necessário a que tudo continue na mesma.
Assim será, concluem. Não há razões para perder o sono.
Até que numa serena e limpa madrugada possam ser despertados com a angústia de um novo «e depois do adeus».
E porque assim é, constitui-se hoje como a expressão suprema do embuste.
Quer se analise no processo de construção, quer se analise na produção de efeitos fácil é constatar que ele é cada vez mais uma expressão banal e vazia de sentido.
E para o embuste, tanto contribuem aqueles que dele precisam para «legitimar» as políticas como aqueles que o usam de forma leviana.
Basta de considerar os utilizadores do voto numa perspectiva de condescendência e numa permanente desculpabilização.
Quem dele (voto) faz mau uso, tem que ser, no plano social, responsabilizado pelos seus actos.
Só assim a democracia fará sentido.
Só assim o voto não será um instrumento do embuste.
Mas a conversada que vai grossa na praça, só serve para verificar que faz cada vez mais sentido falar de embuste.
Diz-se que SE exige que o próximo governo tenha suporte numa sólida maioria absoluta.
Os senadores e os bem instalados enchem a boca (nos intervalos em que esta está vazia para digestão) com a afirmação da necessidade sagrada de uma maioria absoluta.
Um padre com boa carreira, sorridente, expressa que gostaria de uma maioria ps, psd, cds.
Os patrões e os seus empregados dilectos, falam no mesmo sentido, divergindo apenas, pontualmente, nas pontas.
Paulo Rangel diz hoje que Merkel ficaria muito contente por ver o PSD no Governo (compreendemos…sempre seria uma vitória num land já que para as suas bandas…)
Pois o que fica claro é que o que pretendem é simplesmente e rapidamente ultrapassar este pequeno embaraço (eleições) e considerando que não podem (para já ) dispensar esta formalidade, que da mesma resulte o ámen necessário a que tudo continue na mesma.
Assim será, concluem. Não há razões para perder o sono.
Até que numa serena e limpa madrugada possam ser despertados com a angústia de um novo «e depois do adeus».
terça-feira, 29 de março de 2011
Democráticas formalidades (1)
A democracia é cada vez mais um embuste, mas um embuste ainda necessário e melhor que todos os outros embustes até agora conhecidos.
A analogia à celebre frase de Churchil é óbvia.
Mas há uma outra carga. Embuste significa a intenção de fazer passar por real o que se sabe ser falso.
A questão a saber é, até quando vai ser possível a aceitação deste facto?
Até quando vai o embuste ser considerado necessário?
Até quando vamos aceitar participar na farsa?
Os episódios da nossa vida política recente são bastante elucidativos (sobre os embustes), concentremo-nos em alguns:
1. A crise (financeira).
A crise é o somatório de um conjunto de problemas associados à dificuldade de pagamento da nossa dívida soberana. Para pagar a dívida temos que contrair mais dívida e quem empresta o dinheiro, quer que, cada vez paguemos mais por ele.
Um dos factores (para só falar no mais recente) que mais contribuiu para o volume da dívida, foi o que resultou da «nacionalização» do BPN. O BPN era um banco privado, mal gerido pelos vistos e bem aproveitado por alguns (poucos). Os lucros (chorudos) foram privados. Os prejuízos (volumosos) são agora dolorosamente pagos por cada um de nós
Alguma vez esta decisão, assim como muitas outras que levaram à contracção de tantos mil milhões, foi colocada para decisão democrática por parte de cada um de nós? Algum dos partidos (que uma vez no poder contraiem dívida em nosso nome) colocou tal hipótese nas promessas e nas campanhas eleitorais?
Quando votámos e quando escolheram (os que assim votaram) o PS e Sócrates, sabíamos que o PS e Sócrates iriam tomar estas decisões?
A questão é que os que pedem o nosso voto, se estão borrifando para explicar o que quer que seja do que pretendem fazer depois de ganhar, e muitos de nós (uma perigosa maioria de nós) se está borrifando para o que quer que seja.
Muitos definem o seu voto com mais leviandade do que na escolha de uma camisa.
Votam como quem aposta numa corrida de cavalos: «Qual é o cavalo que vai à frente?».
Pois este é só um dos embustes.
Pretendo voltar a outros.
A analogia à celebre frase de Churchil é óbvia.
Mas há uma outra carga. Embuste significa a intenção de fazer passar por real o que se sabe ser falso.
A questão a saber é, até quando vai ser possível a aceitação deste facto?
Até quando vai o embuste ser considerado necessário?
Até quando vamos aceitar participar na farsa?
Os episódios da nossa vida política recente são bastante elucidativos (sobre os embustes), concentremo-nos em alguns:
1. A crise (financeira).
A crise é o somatório de um conjunto de problemas associados à dificuldade de pagamento da nossa dívida soberana. Para pagar a dívida temos que contrair mais dívida e quem empresta o dinheiro, quer que, cada vez paguemos mais por ele.
Um dos factores (para só falar no mais recente) que mais contribuiu para o volume da dívida, foi o que resultou da «nacionalização» do BPN. O BPN era um banco privado, mal gerido pelos vistos e bem aproveitado por alguns (poucos). Os lucros (chorudos) foram privados. Os prejuízos (volumosos) são agora dolorosamente pagos por cada um de nós
Alguma vez esta decisão, assim como muitas outras que levaram à contracção de tantos mil milhões, foi colocada para decisão democrática por parte de cada um de nós? Algum dos partidos (que uma vez no poder contraiem dívida em nosso nome) colocou tal hipótese nas promessas e nas campanhas eleitorais?
Quando votámos e quando escolheram (os que assim votaram) o PS e Sócrates, sabíamos que o PS e Sócrates iriam tomar estas decisões?
A questão é que os que pedem o nosso voto, se estão borrifando para explicar o que quer que seja do que pretendem fazer depois de ganhar, e muitos de nós (uma perigosa maioria de nós) se está borrifando para o que quer que seja.
Muitos definem o seu voto com mais leviandade do que na escolha de uma camisa.
Votam como quem aposta numa corrida de cavalos: «Qual é o cavalo que vai à frente?».
Pois este é só um dos embustes.
Pretendo voltar a outros.
terça-feira, 15 de março de 2011
PARADOXOS
Falam-nos muito em imensas maiorias. Sempre que queremos valorizar um argumento ou evidenciar um atributo, logo nos socorremos deste jarrão. Tem quase o mesmo peso argumentativo do que aquele que consiste em usar recorrentemente : «está provado cientificamente».
A História está repleta de exemplos das expressões práticas dessas amplas maiorias e muitos deles são de molde a que neles não se procurem exemplos.
Tantas atrocidades foram cometidas com suportes em amplas maiorias.
A História de Portugal fornece-nos sobejos exemplos. Se nos situarmos nos mais recentes, lembrar-nos-emos da imensa maioria que adorava salazar (dispensando por isso eleições livres), da maioria silenciosa que queria abafar a liberdade que despontava e das imensas maiorias que com o nome de democráticas e com a «legitimidade do voto» dos portugueses, delas se serviram par anular Abril.
Não gosto por isto e muito mais, das «imensas maiorias», mas faço, evidentemente, ressalvas a este meu não gosto.
Gosto, por exemplo, que a imensa maioria dos homens e mulheres de todo o mundo amem a paz e a liberdade, que a imensa maioria rejeite todas as formas de descriminação.
Dados estes exemplos de ressalvas (onde se se incluirão todas as outras que estão associadas à condição humana, à igualdade de oportunidades para todos e aos direitos universais que devem ser garantidos ), aduzo ainda contra as imensas maiorias (de pensamento, comportamentais, de submissão) o facto elementar da enorme diversidade humana.
Os homens e as mulheres de todo o mundo se constituem uma imensa maioria esta só pode ser a imensa maioria da diversidade. De cores, crenças, culturas, línguas diferentes.
Vem tudo isto a propósito e o paradoxo reside aqui, no facto de eu considerar que a imensa maioria do povo português está farta deste governo.
E o paradoxo ainda ganha mais expressão por força de eu considerar que é exactamente esta imensa maioria que «suporta a existência e permanência» do governo.
Passo a explicar (desagregando, para o efeito, a «imensa maioria»):
Os trabalhadores estão contra, porque o governo corta nos salários, aumenta os impostos, fomenta a precariedade, aduba o desemprego.
Os reformados estão contra, porque o governo corta nas pensões e diminui as prestações sociais.
Os estudantes estão contra porque pioram as condições de ensino, aumenta o desemprego e a saída é o desemprego.
Os camionistas estão contra, os professores estão contra, os militares estão contra…
Mas…
A imensa maioria dos portugueses, teme que a este se siga outro igual chefiado por Passos Coelho.
E…
O PS também está contra, porque queria ter a tal maioria absoluta que não tem, mas evidentemente não vai derrubar o seu próprio governo.
O PSD está contra (ou finge estar) mas não vai interromper a execução de uma política que agrada socialmente ao seu eleitorado sem ter a certeza ABSOLUTA de que será ele o escolhido maioritariamente.
O Presidente está contra, mas está à espera de uma oportunidade.
E assim, neste periclitante desequilíbrio de contras se vai mantendo um governo que está contra o País.
A História está repleta de exemplos das expressões práticas dessas amplas maiorias e muitos deles são de molde a que neles não se procurem exemplos.
Tantas atrocidades foram cometidas com suportes em amplas maiorias.
A História de Portugal fornece-nos sobejos exemplos. Se nos situarmos nos mais recentes, lembrar-nos-emos da imensa maioria que adorava salazar (dispensando por isso eleições livres), da maioria silenciosa que queria abafar a liberdade que despontava e das imensas maiorias que com o nome de democráticas e com a «legitimidade do voto» dos portugueses, delas se serviram par anular Abril.
Não gosto por isto e muito mais, das «imensas maiorias», mas faço, evidentemente, ressalvas a este meu não gosto.
Gosto, por exemplo, que a imensa maioria dos homens e mulheres de todo o mundo amem a paz e a liberdade, que a imensa maioria rejeite todas as formas de descriminação.
Dados estes exemplos de ressalvas (onde se se incluirão todas as outras que estão associadas à condição humana, à igualdade de oportunidades para todos e aos direitos universais que devem ser garantidos ), aduzo ainda contra as imensas maiorias (de pensamento, comportamentais, de submissão) o facto elementar da enorme diversidade humana.
Os homens e as mulheres de todo o mundo se constituem uma imensa maioria esta só pode ser a imensa maioria da diversidade. De cores, crenças, culturas, línguas diferentes.
Vem tudo isto a propósito e o paradoxo reside aqui, no facto de eu considerar que a imensa maioria do povo português está farta deste governo.
E o paradoxo ainda ganha mais expressão por força de eu considerar que é exactamente esta imensa maioria que «suporta a existência e permanência» do governo.
Passo a explicar (desagregando, para o efeito, a «imensa maioria»):
Os trabalhadores estão contra, porque o governo corta nos salários, aumenta os impostos, fomenta a precariedade, aduba o desemprego.
Os reformados estão contra, porque o governo corta nas pensões e diminui as prestações sociais.
Os estudantes estão contra porque pioram as condições de ensino, aumenta o desemprego e a saída é o desemprego.
Os camionistas estão contra, os professores estão contra, os militares estão contra…
Mas…
A imensa maioria dos portugueses, teme que a este se siga outro igual chefiado por Passos Coelho.
E…
O PS também está contra, porque queria ter a tal maioria absoluta que não tem, mas evidentemente não vai derrubar o seu próprio governo.
O PSD está contra (ou finge estar) mas não vai interromper a execução de uma política que agrada socialmente ao seu eleitorado sem ter a certeza ABSOLUTA de que será ele o escolhido maioritariamente.
O Presidente está contra, mas está à espera de uma oportunidade.
E assim, neste periclitante desequilíbrio de contras se vai mantendo um governo que está contra o País.
segunda-feira, 14 de março de 2011
E agora?
Perguntam muitos.
Depois dos protestos, depois das ruas cheias. Depois da coragem finalmente assumida. Depois dos gritos que deixaram de ser mudos.
O que fazer agora?
Agora que as «compreensões» vão seguir o seu rumo normal e voltam ao plano das acções que deram origem aos protestos.
Agora que os «especialistas» encartados - polítólogos, politicos sem ólogo, outras coisas com ólogo resfaltados, procuram amenizar as ondas de choque dos protestos.
Aos que pela primeira vez vieram para a rua, aos trabalhadores sem trabalho, às novas gerações de escravos sem salários, respondo que não ficará em vão o vosso protesto.
Eu e muitos outros mil, vamos dar-lhes continuidade já no próximo sábado.
E acredito, sempre acreditei.
Um dia a coisa muda.
Tal como eu tive o prazer indescritível de ver a festa de um povo a libertar-se, acredito que vocês irão viver a festa da esperança a construir-se.
Haverá um dia essa alegria.
Acreditem.
E participem na sua construção.
Há anos que muitos de nós fazem desse processo uma condição de vida.
Talvez , também por isso, lá tenham estado, com vocês, tantos cotas.
E também pela vossa generosidade, pelo vosso apelo tão simples e tão sincero.
E tão justo.
Por isso, agora, vamos continuar a construir a esperança.
Depois dos protestos, depois das ruas cheias. Depois da coragem finalmente assumida. Depois dos gritos que deixaram de ser mudos.
O que fazer agora?
Agora que as «compreensões» vão seguir o seu rumo normal e voltam ao plano das acções que deram origem aos protestos.
Agora que os «especialistas» encartados - polítólogos, politicos sem ólogo, outras coisas com ólogo resfaltados, procuram amenizar as ondas de choque dos protestos.
Aos que pela primeira vez vieram para a rua, aos trabalhadores sem trabalho, às novas gerações de escravos sem salários, respondo que não ficará em vão o vosso protesto.
Eu e muitos outros mil, vamos dar-lhes continuidade já no próximo sábado.
E acredito, sempre acreditei.
Um dia a coisa muda.
Tal como eu tive o prazer indescritível de ver a festa de um povo a libertar-se, acredito que vocês irão viver a festa da esperança a construir-se.
Haverá um dia essa alegria.
Acreditem.
E participem na sua construção.
Há anos que muitos de nós fazem desse processo uma condição de vida.
Talvez , também por isso, lá tenham estado, com vocês, tantos cotas.
E também pela vossa generosidade, pelo vosso apelo tão simples e tão sincero.
E tão justo.
Por isso, agora, vamos continuar a construir a esperança.
terça-feira, 1 de março de 2011
CCCG
CCCG
Eis Março.
Prenuncia-se a Primavera.
Os dias estão cheios de sol e há uns bafejos solarengos que nos aquecem os ossos e preparam a nossa desibernação .
Preparamos as máscaras e as patifarias carnavalescas.
Depositamos casacões e mesmo tremendo de frio vestimos apressadamente trapinhos mais frescos.
…
Talvez passe a ser assim.
Talvez passe a escrever sobre o tempo.
O sol, as andorinhas.
Talvez me dedique aos meus hobbies e escreva sobre poejos, hortelã da ribeira, cardos, cogumelos e espargos.
Talvez.
Mas é assim aqui. Noutros sítios não
E também sabemos que mesmo aqui ainda virá chuva e dias sem sol solarengo.
Sabemos que é sempre assim - assim tem sido - esta sucessão .
E assim sendo e mesmo inseguro , vou continuar a falar por força dos impulsos que me vão impelindo para os mais diversos sítios e coisas.
Por força deste espojinho, que serena mas decididamente me vai movendo.
Que os abrigos em que nos protegemos das tempestades não se transformem nas nossas próprias masmorras.
Adiante
Num primeiro impulso confronto-me com a violência da afirmação patética proferida por Kadafi em que afirma, delirando, que o povo o ama e ele fará tudo para proteger o povo.
E o povo, mesmo sob as rajadas (de amor?) clama pela sua saída. Outros, muitos, atropelam-se nas fronteiras para procurar abrigos de paz.
E enquanto homens, mulheres e crianças são chacinados por lutarem pelo direito a poder serem seres, por aqui discutem-se as consequências no aumento do petróleo e nos incumprimentos das metas para reduzir os déficites.
E tinha eu pensado em escrever sobre tempo…porque receava escrever sobre…legalidade e legitimidade ( a propósito de uma sentença que condena um bloguer ).
Coisas dos impulsos.
Mas penso voltar à questão da legalidade e da legitimidade.
Mas com CCCG (com cautelas e caldos de galinha).
A partir de agora, sempre
CCCG
Eis Março.
Prenuncia-se a Primavera.
Os dias estão cheios de sol e há uns bafejos solarengos que nos aquecem os ossos e preparam a nossa desibernação .
Preparamos as máscaras e as patifarias carnavalescas.
Depositamos casacões e mesmo tremendo de frio vestimos apressadamente trapinhos mais frescos.
…
Talvez passe a ser assim.
Talvez passe a escrever sobre o tempo.
O sol, as andorinhas.
Talvez me dedique aos meus hobbies e escreva sobre poejos, hortelã da ribeira, cardos, cogumelos e espargos.
Talvez.
Mas é assim aqui. Noutros sítios não
E também sabemos que mesmo aqui ainda virá chuva e dias sem sol solarengo.
Sabemos que é sempre assim - assim tem sido - esta sucessão .
E assim sendo e mesmo inseguro , vou continuar a falar por força dos impulsos que me vão impelindo para os mais diversos sítios e coisas.
Por força deste espojinho, que serena mas decididamente me vai movendo.
Que os abrigos em que nos protegemos das tempestades não se transformem nas nossas próprias masmorras.
Adiante
Num primeiro impulso confronto-me com a violência da afirmação patética proferida por Kadafi em que afirma, delirando, que o povo o ama e ele fará tudo para proteger o povo.
E o povo, mesmo sob as rajadas (de amor?) clama pela sua saída. Outros, muitos, atropelam-se nas fronteiras para procurar abrigos de paz.
E enquanto homens, mulheres e crianças são chacinados por lutarem pelo direito a poder serem seres, por aqui discutem-se as consequências no aumento do petróleo e nos incumprimentos das metas para reduzir os déficites.
E tinha eu pensado em escrever sobre tempo…porque receava escrever sobre…legalidade e legitimidade ( a propósito de uma sentença que condena um bloguer ).
Coisas dos impulsos.
Mas penso voltar à questão da legalidade e da legitimidade.
Mas com CCCG (com cautelas e caldos de galinha).
A partir de agora, sempre
CCCG
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Comparações essenciais e acidentes
Antes de mais importa reter que uso sempre do maior cuidado no uso da comparação.
É uma técnica possível em ciência (e também nas ciências sociais) que requer todos os cuidados e deve-se garantir antes de mais, que não se compare o não comparável.
Assim e disso prevenido, vou cingir as comparações a que quero proceder, ao domínio da essência, desprezando os contextos.
No Magreb, na Península Arábica e no Médio Oriente decorrem nestes dias de alvorecer de esperanças, dinâmicos, corajosos e épicos movimentos populares.
Precisando «geografismos» porque têm sido usados de formas tão diferentes e até erróneas e esclarecendo «posicionamentos», informo que tenho presente os acontecimentos em Tunísia, Argélia, Egipto, Bahrein, Iémen e obviamente, Líbia. Outros também, mas porque ainda embrionários, não dou agora o mesmo destaque.
As comparações então (exclusivamente na essência):
Todos os ditadores afirmaram nos momentos críticos que sem eles seria o caos.
O que fizeram (fazem) por aqui, governantes e políticos em estágio (ou de licença sabática) para a governação?
Afirmam que precisam de maiorias absolutas e estáveis, para poder governar, porque senão o país cai no caos.
Os ditadores agarraram-se que nem lapas ao poder, enquanto viveram ou os deixaram, durante vinte, trinta, quarenta anos.
Ocidentalmente, nesta lusitana praia, embora não seja desprezível o tempo (alguns já levam bem mais de uma dúzia de anos), preferem perpetuar as políticas, mudando sempre que necessário de actores.
Nas ditaduras, reprime-se, mata-se, prende-se .
Ocidentalmente, neutraliza-se, cerca-se económica e socialmente, amedronta-se. Ah… e também se prende, também se dão umas boas pauladas, também se produzem sentenças amedrontadoras para a liberdade de expressão, delimitam-se os «galinheiros» onde podemos protestar.
Nas ditaduras semeiam a fome e cultivam a opulência dos agentes do regime.
Ocidentalmente, choram lágrimas de crocodilo pelos pobres e indigentes que as politicas que praticam, produzem aos milhões.
Por isso, na essência, existem essenciais concordâncias.
E como o contrário de essência é o acidente, estes por vezes ocorrem sem que deles se consigam aperceber antecipadamente.
D.E ((depois do escrito). Tudo o que aqui escrevi é legal não é? É que uma pessoa já não sabe.
Correm por aí noticias arrepiantes sobre liberdade de expressão na blogosfera.
E eu não sou dos que uso do anonimato (que tecnicamente todos sabemos não existir) para chamar nomes, difamar e ofender, mas…posso pôr os meus pontos de vista ou não?
Por suspeitar de algumas respostas no sentido do não, vou pois cuidar de cautelas e caldos de galinha nesta ocidental, lusitana e democrática pátria…
É uma técnica possível em ciência (e também nas ciências sociais) que requer todos os cuidados e deve-se garantir antes de mais, que não se compare o não comparável.
Assim e disso prevenido, vou cingir as comparações a que quero proceder, ao domínio da essência, desprezando os contextos.
No Magreb, na Península Arábica e no Médio Oriente decorrem nestes dias de alvorecer de esperanças, dinâmicos, corajosos e épicos movimentos populares.
Precisando «geografismos» porque têm sido usados de formas tão diferentes e até erróneas e esclarecendo «posicionamentos», informo que tenho presente os acontecimentos em Tunísia, Argélia, Egipto, Bahrein, Iémen e obviamente, Líbia. Outros também, mas porque ainda embrionários, não dou agora o mesmo destaque.
As comparações então (exclusivamente na essência):
Todos os ditadores afirmaram nos momentos críticos que sem eles seria o caos.
O que fizeram (fazem) por aqui, governantes e políticos em estágio (ou de licença sabática) para a governação?
Afirmam que precisam de maiorias absolutas e estáveis, para poder governar, porque senão o país cai no caos.
Os ditadores agarraram-se que nem lapas ao poder, enquanto viveram ou os deixaram, durante vinte, trinta, quarenta anos.
Ocidentalmente, nesta lusitana praia, embora não seja desprezível o tempo (alguns já levam bem mais de uma dúzia de anos), preferem perpetuar as políticas, mudando sempre que necessário de actores.
Nas ditaduras, reprime-se, mata-se, prende-se .
Ocidentalmente, neutraliza-se, cerca-se económica e socialmente, amedronta-se. Ah… e também se prende, também se dão umas boas pauladas, também se produzem sentenças amedrontadoras para a liberdade de expressão, delimitam-se os «galinheiros» onde podemos protestar.
Nas ditaduras semeiam a fome e cultivam a opulência dos agentes do regime.
Ocidentalmente, choram lágrimas de crocodilo pelos pobres e indigentes que as politicas que praticam, produzem aos milhões.
Por isso, na essência, existem essenciais concordâncias.
E como o contrário de essência é o acidente, estes por vezes ocorrem sem que deles se consigam aperceber antecipadamente.
D.E ((depois do escrito). Tudo o que aqui escrevi é legal não é? É que uma pessoa já não sabe.
Correm por aí noticias arrepiantes sobre liberdade de expressão na blogosfera.
E eu não sou dos que uso do anonimato (que tecnicamente todos sabemos não existir) para chamar nomes, difamar e ofender, mas…posso pôr os meus pontos de vista ou não?
Por suspeitar de algumas respostas no sentido do não, vou pois cuidar de cautelas e caldos de galinha nesta ocidental, lusitana e democrática pátria…
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Valha-nos ele...
Valha-nos ele…
JMF - Público - 3/12//2010 ((considerando como boa noticia a não aprovação da taxação dos dividendos, como propunha o PCP): “Ela corresponderia à violação de um principio básico de estabilidade do quadro legal fundamental no exercício de qualquer actividade económica” e “Depois, porque a decisão de taxar os dividendos das SGPS é idiota e só as levará a mudarem as suas sedes para outros países, nomeadamente para a Holanda. A médio prazo a receita fiscal diminuirá, não aumentará, mas isso é algo que escapa à mentalidade justicialista de muitos, se não da maioria, dos nossos deputados”.
Valha-nos ele, supra sumo da inteligência e da visão estratégica lusa.
Sem cobrar, sugiro-lhe que leia atentamente, se é que ler os outros não lhe cria «engulhos», o trabalho publicado no «seu» Público, pg.((s)4 e 5 P2. Só para o caso de não ser apanhado no turbilhão das suas certezas…
Mas vamos às suas “ideias”.
Em primeiro lugar a taxação das mais valias das SGPS - coisa que já devia acontecer há muito - está contemplada no OE para 2011.
Logo, os ditos investidores, ou fugiriam para a Holanda a 22 de Dezembro de 2010 ou a 1 de Janeiro de 2011.
Pois então que fossem, se fossem, a 1 de Janeiro mas depois de pagar os seus impostos.
Mas o que está a acontecer é uma labreguice bem lusitana que consiste em chamar nomes doces aos crimes dos grandes senhores.
Em segundo lugar, para que serve ter a sede das SGPS em território luso? Para que possam estar isentas de impostos, contrariamente ao que acontece com a generalidade dos agentes económicos?
O que ganha o país?
E para que querem os holandeses a sede destas sanguessugas?
Em terceiro lugar, é legítimo que se pergunte se o salário não é um principio básico de estabilidade do quadro legal da actividade económica?
È que nestes mexem, sem qualquer preocupação ética ou legal.
Ai como é musica, depois disto, recordar cândidas afirmações de responsabilidade social das empresas.
São tão hipócrita, não são?!.
JMF - Público - 3/12//2010 ((considerando como boa noticia a não aprovação da taxação dos dividendos, como propunha o PCP): “Ela corresponderia à violação de um principio básico de estabilidade do quadro legal fundamental no exercício de qualquer actividade económica” e “Depois, porque a decisão de taxar os dividendos das SGPS é idiota e só as levará a mudarem as suas sedes para outros países, nomeadamente para a Holanda. A médio prazo a receita fiscal diminuirá, não aumentará, mas isso é algo que escapa à mentalidade justicialista de muitos, se não da maioria, dos nossos deputados”.
Valha-nos ele, supra sumo da inteligência e da visão estratégica lusa.
Sem cobrar, sugiro-lhe que leia atentamente, se é que ler os outros não lhe cria «engulhos», o trabalho publicado no «seu» Público, pg.((s)4 e 5 P2. Só para o caso de não ser apanhado no turbilhão das suas certezas…
Mas vamos às suas “ideias”.
Em primeiro lugar a taxação das mais valias das SGPS - coisa que já devia acontecer há muito - está contemplada no OE para 2011.
Logo, os ditos investidores, ou fugiriam para a Holanda a 22 de Dezembro de 2010 ou a 1 de Janeiro de 2011.
Pois então que fossem, se fossem, a 1 de Janeiro mas depois de pagar os seus impostos.
Mas o que está a acontecer é uma labreguice bem lusitana que consiste em chamar nomes doces aos crimes dos grandes senhores.
Em segundo lugar, para que serve ter a sede das SGPS em território luso? Para que possam estar isentas de impostos, contrariamente ao que acontece com a generalidade dos agentes económicos?
O que ganha o país?
E para que querem os holandeses a sede destas sanguessugas?
Em terceiro lugar, é legítimo que se pergunte se o salário não é um principio básico de estabilidade do quadro legal da actividade económica?
È que nestes mexem, sem qualquer preocupação ética ou legal.
Ai como é musica, depois disto, recordar cândidas afirmações de responsabilidade social das empresas.
São tão hipócrita, não são?!.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
O amor a Portugal fica-lhes tão bem, não fica?
As confederações patronais querem rever o que já haviam acordado e pretendem não cumprir com os 500 € de salário mínimo para 2011.
Falam da crise e blá, blá, blá.
Descaradamente propõem como alternativa um aumento de 1,7%.
De 475€ para 483€.
8 € por mês.
Aproximadamente 27 cêntimos por dia.
E não coram.
Que crise combatem com esta medida?
E estes mesmos, antecipam criminosamente a distribuição de dividendos, para fugir aos impostos.
PT, Jerónimo Martins, Semapa, Portucel, todos eles anunciam e outros se juntarão, a distribuição antecipada de dividendos dos lucros de 2010.
Afinal tiveram lucros.
De que crise falam quando recusam um aumento de 25 € mês a quem ganha 475?
E, garantidamente, ao domingo, de manhã, ajoelham, rezam a deus e tomam devotamente a hóstia.
Ao almoço, melhor, ao repasto, falarão da economia nacional e das medidas que vão sugerir (???) Que sejam tomadas.
A bem do país, claro.
Só na PT, antecipando os lucros e fugindo aos impostos, vão sacar ao país cerca de 250 milhões de euros.
Normalmente, os dividendos, seriam pagos no final do 1.º trimestre de 2011, quando dos encerramentos de contas. Mas como em 2011 se aplicará uma taxa sobre as mais valias, antecipa-se essa distribuição e poupam-se uns milhões.
A bem do país, claro.
A este propósito, diz o PSD (que votou contra a proposta do PCP de taxar essas mais valias): “O valor da estabilidade fiscal é importante”.
Diz o PS (que votou contra a proposta do PCP de taxar essas mais valias): “taxar essas mais valias seria criar um imposto extraordinário”.
Diz o CDS (que votou contra a proposta do PCP de taxar essas mais valias”: “que o PCP queria era criar outro PREC” (ou uma baboseira semelhante).
São todos iguais não são? Mas todos…ESTES. Com nome e currículo.
E são estes, os que protegem os outros. Os que fogem aos impostos.
Os que querem salvar Portugal. Afundando-o.
Quando roubam aos que pouco têm, quando mexem no salário dos outros com o mesmo à vontade com que o carteirista esbulha o pobre cidadão, quando tiram o abono de família, quando cortam nas prestações dos medicamentos e outras prestações sociais, não os preocupa o valor da estabilidade fiscal? Não os preocupa o efeito de impostos extraordinários que o roubo dos salários representa?
Nunca o descaramento foi tão longe.
E juram amores a Portugal.
Certamente com a mesma lata, com que rezam a deus.
Falam da crise e blá, blá, blá.
Descaradamente propõem como alternativa um aumento de 1,7%.
De 475€ para 483€.
8 € por mês.
Aproximadamente 27 cêntimos por dia.
E não coram.
Que crise combatem com esta medida?
E estes mesmos, antecipam criminosamente a distribuição de dividendos, para fugir aos impostos.
PT, Jerónimo Martins, Semapa, Portucel, todos eles anunciam e outros se juntarão, a distribuição antecipada de dividendos dos lucros de 2010.
Afinal tiveram lucros.
De que crise falam quando recusam um aumento de 25 € mês a quem ganha 475?
E, garantidamente, ao domingo, de manhã, ajoelham, rezam a deus e tomam devotamente a hóstia.
Ao almoço, melhor, ao repasto, falarão da economia nacional e das medidas que vão sugerir (???) Que sejam tomadas.
A bem do país, claro.
Só na PT, antecipando os lucros e fugindo aos impostos, vão sacar ao país cerca de 250 milhões de euros.
Normalmente, os dividendos, seriam pagos no final do 1.º trimestre de 2011, quando dos encerramentos de contas. Mas como em 2011 se aplicará uma taxa sobre as mais valias, antecipa-se essa distribuição e poupam-se uns milhões.
A bem do país, claro.
A este propósito, diz o PSD (que votou contra a proposta do PCP de taxar essas mais valias): “O valor da estabilidade fiscal é importante”.
Diz o PS (que votou contra a proposta do PCP de taxar essas mais valias): “taxar essas mais valias seria criar um imposto extraordinário”.
Diz o CDS (que votou contra a proposta do PCP de taxar essas mais valias”: “que o PCP queria era criar outro PREC” (ou uma baboseira semelhante).
São todos iguais não são? Mas todos…ESTES. Com nome e currículo.
E são estes, os que protegem os outros. Os que fogem aos impostos.
Os que querem salvar Portugal. Afundando-o.
Quando roubam aos que pouco têm, quando mexem no salário dos outros com o mesmo à vontade com que o carteirista esbulha o pobre cidadão, quando tiram o abono de família, quando cortam nas prestações dos medicamentos e outras prestações sociais, não os preocupa o valor da estabilidade fiscal? Não os preocupa o efeito de impostos extraordinários que o roubo dos salários representa?
Nunca o descaramento foi tão longe.
E juram amores a Portugal.
Certamente com a mesma lata, com que rezam a deus.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
A Greve Geral continua nesta agenda...

Porque por aqui não se obedece a uma agenda «mediática» em cujo processo não sabemos se a agenda corresponde ao ritmo determinado pelos acontecimentos ou se à intenção de esta determinar os acontecimentos, volto à Greve Geral.
E volto por força de um artigo hoje publicado no Público, assinado por Miguel Gaspar e sob uma rubrica denominada «uma linha a mais», (julgo que serão mais…). É, apesar de tudo, um artigo interessante e com o mérito de fugir aos jargões habituais nos cronistas de serviço ao status quo.
Retive a afirmação de que foi inegável que foi uma grande Greve Geral, mas que não conseguiu capitalizar todo o descontentamento que existe em Portugal.
Tem razão o cronista, em parte, pois se capitalizou ou não, nem ele, nem ninguém o sabe. Mas sabemos e daí a razão parcelar que nem todos os descontentes puderam expressar o seu descontentamento fazendo greve.
Os reformados, os estudantes, os milhares de trabalhadores a recibo verde, os comerciantes e pequenos empresários, os militares e agentes das forças policiais, os trabalhadores com profissão liberal, os desempregados, entre muitos outros, não puderam manifestar o seu profundo descontentamento.
Não o puderam fazer através da Greve, mas muitos fizeram-no através das mais diversas expressões de solidariedade.
Afirma o cronista que o direito à greve não é um direito universal. Claro que não, como facilmente se constata pela verificação das situações de facto (não ser trabalhador por conta de outrem ou estar limitado legalmente - caso dos militares) ou por situações de condicionamento da livre opção individual (situações de evidente dano social imediato) mas tal constatação não pode ser usada para dar cobertura a interpretações através das quais se procura minimizar o direito à greve. O direito (?) que o cronista diz assistir aos que não querem fazer greve, não lhes pode dar o direito de obrigar os outros a não fazer greve. Não confundamos os conceitos, não existe um «direito» a não fazer greve, o que existe é o «direito» à greve, conquistado com a luta de gerações de trabalhadores ao longo da história.
Usufruir ou não dele, por força da livre interpretação de cada um, essa é outra questão.
Alude, o dito cronista, que o insucesso da greve também pode ser verificado pelo facto de rapidamente ter saído da «agenda» dos media. É caso para afirmar que fazem o mal e a escaramuça pois os ditos agendamentos são processos externos aos trabalhadores e às suas organizações sindicais.
Compara (o que só por perfeita ignorância pode ser comparado) os níveis de mobilização de voluntariado em torno do denominado projecto «Banco Alimentar» e o verificado quando da Greve e manifesta uma certa simpatia pelo que denomina de voluntariado social em detrimento do que ele também denomina de voluntariado político.
Opções. Por mim, prefiro não seguir o caminho da caridadezinha, o que não invalida o meu empenho nas acções de solidariedade social.
Conclui, afirmando que a greve geral foi uma oportunidade perdida e com uma analogia de um rio que desagua num lago e aí fica represo. Veremos.
Pode acontecer que esse rio seja de tal forma caudaloso que o lago não seja suficiente para reter as suas águas revoltas.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Pois, que assim seja, senhorita

Aqui o diminutivo não é caridoso, é de asco e pejorativo
Disse uma senhorita, que a Greve Geral de 24 de Novembro, foi, quanto muito, um requiem por um tempo que passou.
Não tinha até hoje imaginado, escrever reconhecendo razão a semelhante criatura.
Mas que assim seja.
Pessoalmente julgo que assim será.
Que a Greve Geral tenha sido um requiem por um tempo que já é tempo de dar por terminado. O tempo das faustosas senhoritas, do desemprego, da juventude sem presente e com medo do futuro, dos sacrifícios para os trabalhadores, o tempo das caridadezinhas, dos baixos salários e da ganância para que sejam cada vez mais baixos, dos ferraris de sobranceria face à miséria de tantos.
Que tenha sido o fim desse tempo e o começar de um novo, senhorita.
Você, pobre senhorita, esteve sempre do lado errado da história, mesmo quando em tempos, hipocrita e oportunistamente tenha julgado acompanhá-la.
Você, pobre senhorita, foi sempre desprezível.
Será que agora, em que quase ninguém se lembra da sua desgraçada figura, a senhorita acertou?
Pois que assim seja.
Que a Greve Geral tenha sido um requiem pelo tempo dos hipócritas e das suas novas sanguessugas.
VIVA A GREVE GERAL, porque foi grande e as cócegas que provocou nesta senhorita, assim o põe em evidência.
VIVA UM NOVO TEMPO.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Experimentem...

Fiz a minha iniciação cívica e política no período compreendido entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975. Tinha então dezasseis anos de idade.
Ressalta daqui, desde logo, uma certa perplexidade (se sob os olhares de hoje) sobre a maturidade possível nessa idade. Um tema interessante para voltar mais tarde, com tempo.
Entretanto decorreram 35 anos.
A primeira das datas é a mais generosa oferta até hoje recebida.
Não esquecerei nunca - respeitando e dando continuidade - o esforço de tantos para tornar possível essa oferenda. Obrigado - Sempre.
A segunda das datas, é para mim, a tomada de consciência de que a vida não é um sonho cheio de coisas bonitas.
E que tal como nos processos normais da vida das pessoas, o 25 de Novembro, foi um acontecimento que interrompeu abruptamente uma deliciosa adolescência.
Caldeei pois a minha aprendizagem social e política nas lutas pela defesa dos sonhos que os novembristas queriam destruir.
Nas barricadas que então erguíamos nesse frio e triste Novembro, aprendi o amargo sabor da derrota. Mas aprendi também que os sonhos (esses sonhos realidade) só são destruídos nas pessoas que perdem a capacidade de sonhar.
Recordo-me do silvar provocado pelo atrito das panhards no asfalto e nos gritos mudos de todos nós, que naquela madrugada fomos forçados a deixar passar a coluna dos que iam para Lisboa em sentido contrario à Liberdade e à Democracia.
Mas os sonhos continuam vivos, hoje. 35 anos depois.
Não foram propriamente as questões novembristas (cinzentas e tristes) que motivaram a vontade de hoje escrever.
Foi sim, a já histórica Greve Geral de ontem.
Sobre o patético jogo do governo sobre os níveis de adesão só faço questão de notar uma esclarecedora analogia. Cavaco Silva em 1988 afirmou: “Greve Geral??? Quanto muito uma greve parcelar”. Em 2010, Vieira da Silva, Ministro e socialista afirmou: “Greve Geral??? Quanto muito uma greve parcelar”.
Uma questão de escolha de mentores …e de sentidos de percurso.
Mas o que despertou a vontade de escrever foi ter constatado que a generalidade dos analistas oficiais, de politólogos a sociólogos institucionalizados, convergem na opinião (vontade?) de considerar que não há margem de manobra e que não há alternativa, por mais justas que possam ser as reivindicações (condescendem).
Mas não há margem para quê? Para continuar este caminho de desastre estou em crer que é verdade, não há de facto margem de manobra.
Mas para mudar, inverter rumos e praticar uma nova política (a principal reivindicação da Greve Geral) há espaço e ontem constatou-se que alargado, para iniciar um novo rumo.
Aos instalados, institucionalizados, acomodados, descrentes, frustrados, sem coragem, fica uma palavra: experimentem.
Há um caminho contrário a percorrer.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
VIVA A GREVE GERAL

Não, não foi um acto heróico, foi simplesmente o cumprimento de um dever de cidadão.
Foi o renovar do compromisso com a paz e com o direito dos povos à autodeterminação.
Foi o repúdio à ingerência, à ocupação, à guerra e à morte.
Muitos mais o fizeram.
Foi, como dissemos: “Somos muitos, muitos mil…”
E quarta-feira temos uma nova etapa, uma nova jornada, neste processo de construção de uma sociedade que queremos mais justa.
Uma e outra, são jornadas de afirmação da dignidade humana.
No sábado procuraram calar o nosso protesto. Assustaram. Mobilizaram todos os meios - alguns nem sequer chegaram a tempo - para o associar (o nosso protesto) a atitudes vazias e de show off,
Agora procuram o mesmo.
Definem serviços mínimos, ameaçam com requisição civil, arvoram-se em defensores dos direitos dos que querem impedir o livre exercício dos nossos legítimos direitos.
Procuram esvaziar o direito à greve, fazer dela um uso banal.
È preciso salvaguardar o direito dos que não querem fazer greve, dizem embevecidos. E que direito é esse e quem o viola?
Direito a obrigar os que têm direito a fazer greve, a transportar os que não a fazem?
A limpar as ruas, a dar aulas e a tomar conta dos seus filhos?
A confeccionar as suas refeições, a prestar-lhes informações e serviços?
Como podem invocar serviços mínimos em serviços que não têm qualquer justificação (porque não essenciais)?
E porque não o fizeram quando mandaram parar muitos desses serviços (vejam-se todos os sedeados no Parque das Nações)?
Não vai ser fácil. Sabemos. Mas tal como sábado não fomos heróis, mas sim cidadãos socialmente responsáveis, na próxima quarta-feira, faremos o mesmo.
VIVA A GREVE GERAL
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Paranoias
Cada vez que abre a boca…
Aumentam os juros da dívida pública:
Ninguém «concorre» à privatização do BPN.
Meio mundo grita que o FMI vem aí.
Biliões do nosso dinheiro ( 5 a 7, nem se sabe bem - mais coisa, menos coisa, metade do déficit) vão parar não se sabe onde por força da nacionalização do BPN.
(Nacionalização que ora não era precisa, ora se apresentava como indispensável à solidez da nossa economia e do nosso sistema financeiro).
Pois, por cada vez que o homem abre a boca…
Sai-me dinheiro do bolso.
Por isso, mandem-no calar, por favor.
Se for preciso pedir ajuda ao Rei de Espanha (já tem experiência), que alguém o faça, mas urgentemente.
É que sempre que o homem fala…
E somos sempre os mesmos, a pagar a factura dos disparates dele (es).
Um país a dois tons
Os trabalhadores portugueses não prestam, têm baixos índices de produtividade.
Em contrapartida os gestores portugueses são dos mais bem pagos do mundo.
Por não querer ficar mal na fotografia, Sócrates faz-se pagar em mais 20 000 € que o seu congénere espanhol.
Amigos, amigos, competências (e salários) à parte.
E com muitas paranóias.
Uma:
Ontem tocaram os sinos a rebate numa determinada aldeia, para mobilizar o povo para impedir que três assistentes sociais, uma professora e uma auxiliar, no cumprimento de um mandato legal, retirassem a quem as negligencia e agride, duas crianças, ao que indica, vítimas de maus tratos por parte da mãe.
Não vi nenhuma noticia que relatasse mobilização semelhante para proteger as crianças vitimas dos maus tratos.
Outra
Hoje noticia-se que a GNR prendeu dois cidadãos espanhóis (as fronteiras estão de novo sob controlo por causa dos senhores da guerra) por terem em sua posse armas brancas (que perigo para os ditos…) e panfletos anarquistas. A noticia é mesmo assim.
Fica a dúvida se foram presos pelas armas ou pelos panfletos?
Que prova pesará mais em Tribunal?
Se for a Badajoz, às compras vou cuidar de verificar se não levo comigo o meu inseparável canivete (à MacGyver) e retirar todos os comunicados de apelo à Greve Geral do próximo dia 24.
É que pelos vistos não foi só a livre circulação que foi suspensa, mas parece que a própria democracia.
E outra:
Ainda por causa da mesma gente, as pontes (25 de Abril e Vasco da Gama) o Eixo Norte Sul e a 2ª Circular vão estar encerradas em períodos da próxima sexta-feira e sábado.
Não abrem nem um corredorzinho de emergência?
E se alguém está em trânsito de emergência? Vá morrer longe não empate.
Ah …e que ninguém pense em emergências médicas. O INEM está de serviço à cimeira. Ponto.
Mas vamos cá ter o Obama, o Sarkozi (e a respectiva, pensa-se), a senhora alemã da cabeça esparrachada nos ombros e outras figuras ilustres, muitas.
Olaré.
Aumentam os juros da dívida pública:
Ninguém «concorre» à privatização do BPN.
Meio mundo grita que o FMI vem aí.
Biliões do nosso dinheiro ( 5 a 7, nem se sabe bem - mais coisa, menos coisa, metade do déficit) vão parar não se sabe onde por força da nacionalização do BPN.
(Nacionalização que ora não era precisa, ora se apresentava como indispensável à solidez da nossa economia e do nosso sistema financeiro).
Pois, por cada vez que o homem abre a boca…
Sai-me dinheiro do bolso.
Por isso, mandem-no calar, por favor.
Se for preciso pedir ajuda ao Rei de Espanha (já tem experiência), que alguém o faça, mas urgentemente.
É que sempre que o homem fala…
E somos sempre os mesmos, a pagar a factura dos disparates dele (es).
Um país a dois tons
Os trabalhadores portugueses não prestam, têm baixos índices de produtividade.
Em contrapartida os gestores portugueses são dos mais bem pagos do mundo.
Por não querer ficar mal na fotografia, Sócrates faz-se pagar em mais 20 000 € que o seu congénere espanhol.
Amigos, amigos, competências (e salários) à parte.
E com muitas paranóias.
Uma:
Ontem tocaram os sinos a rebate numa determinada aldeia, para mobilizar o povo para impedir que três assistentes sociais, uma professora e uma auxiliar, no cumprimento de um mandato legal, retirassem a quem as negligencia e agride, duas crianças, ao que indica, vítimas de maus tratos por parte da mãe.
Não vi nenhuma noticia que relatasse mobilização semelhante para proteger as crianças vitimas dos maus tratos.
Outra
Hoje noticia-se que a GNR prendeu dois cidadãos espanhóis (as fronteiras estão de novo sob controlo por causa dos senhores da guerra) por terem em sua posse armas brancas (que perigo para os ditos…) e panfletos anarquistas. A noticia é mesmo assim.
Fica a dúvida se foram presos pelas armas ou pelos panfletos?
Que prova pesará mais em Tribunal?
Se for a Badajoz, às compras vou cuidar de verificar se não levo comigo o meu inseparável canivete (à MacGyver) e retirar todos os comunicados de apelo à Greve Geral do próximo dia 24.
É que pelos vistos não foi só a livre circulação que foi suspensa, mas parece que a própria democracia.
E outra:
Ainda por causa da mesma gente, as pontes (25 de Abril e Vasco da Gama) o Eixo Norte Sul e a 2ª Circular vão estar encerradas em períodos da próxima sexta-feira e sábado.
Não abrem nem um corredorzinho de emergência?
E se alguém está em trânsito de emergência? Vá morrer longe não empate.
Ah …e que ninguém pense em emergências médicas. O INEM está de serviço à cimeira. Ponto.
Mas vamos cá ter o Obama, o Sarkozi (e a respectiva, pensa-se), a senhora alemã da cabeça esparrachada nos ombros e outras figuras ilustres, muitas.
Olaré.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
A nossa vida não tem de ser uma merda
Hoje emergem da terra e para a vida os mineiros chilenos.
Bem ajam.
Aproveito para dizer o que sei que sabem: nada mudou de substancial desde o soterramento da vossa saída.
O mundo continua igual. Por aí e por aqui.
Acredito que ao retomarem o contacto pensem, por momentos, que afinal parece que algo mudou.
Tendes um mundo de gente, holofotes, jornalistas e até o presidente à vossa espera.
Mas vós sabeis como são tratados os mineiros
Vós sabeis como ireis ser tratados logo que acabe a febre mediática..
Por aqui, neste meu país de vós distante, as atenções mediáticas convergem para uma encenação dramática que visa, ao invés de salvar, agravar intoleravelmente as condições daqueles que vivem como vós: da força do seu trabalho.
Apresentam uma proposta que visa assegurar que a lei - do Orçamento - consagre o principio da espoliação. Espoliação de direitos, de salários, de pensões, de serviços de saúde.
Bebericam champanhe e saltitam gulosos entre umas delicias de lagosta ou um souflé de cherne e falam de crise.
E encenam o espectáculo. Juntam-se velhos comensais do banquete permanente e babando-se proclamam desgraças sem fim se não «houver orçamento».
Juntam-se as sanguessugas donas do dinheiro impresso com o nosso suor e vão à casa do seu político seu empregado impor-lhe que mande os seus rapazes votar «o Orçamento», senão… desgraça das desgraças…
E os bichos maus ameaçam com outros bichos maus e dizem: «os mercados andam nervosos».
E o «Orçamento» sem o qual todas estas desgraças acontecem ao «País» é tão só a materialização do mais vil e canalha roubo feito a quem trabalha.
O «País» que estas sanguessugas, velhas e novas, falam, é o país centrado nos seus gordos umbigos, de salões de seda empestados a naftalina e tresandando a croquetes rançosos. É o país das coisas boçais. Das pessoas sem escrúpulos e gananciosas.
É o país dos que julgam que sempre assim será.
Não contem.
Há um outro país.
De homens e mulheres solidários. Obreiros disponíveis para construir um mundo novo.
Mais justo e mais fraterno.
O mundo velho está podre.
De França vêm sinais.
Uma jovem dizia: È tempo de agir, se não a nossa vida vai ser uma merda.
Bem ajam.
Aproveito para dizer o que sei que sabem: nada mudou de substancial desde o soterramento da vossa saída.
O mundo continua igual. Por aí e por aqui.
Acredito que ao retomarem o contacto pensem, por momentos, que afinal parece que algo mudou.
Tendes um mundo de gente, holofotes, jornalistas e até o presidente à vossa espera.
Mas vós sabeis como são tratados os mineiros
Vós sabeis como ireis ser tratados logo que acabe a febre mediática..
Por aqui, neste meu país de vós distante, as atenções mediáticas convergem para uma encenação dramática que visa, ao invés de salvar, agravar intoleravelmente as condições daqueles que vivem como vós: da força do seu trabalho.
Apresentam uma proposta que visa assegurar que a lei - do Orçamento - consagre o principio da espoliação. Espoliação de direitos, de salários, de pensões, de serviços de saúde.
Bebericam champanhe e saltitam gulosos entre umas delicias de lagosta ou um souflé de cherne e falam de crise.
E encenam o espectáculo. Juntam-se velhos comensais do banquete permanente e babando-se proclamam desgraças sem fim se não «houver orçamento».
Juntam-se as sanguessugas donas do dinheiro impresso com o nosso suor e vão à casa do seu político seu empregado impor-lhe que mande os seus rapazes votar «o Orçamento», senão… desgraça das desgraças…
E os bichos maus ameaçam com outros bichos maus e dizem: «os mercados andam nervosos».
E o «Orçamento» sem o qual todas estas desgraças acontecem ao «País» é tão só a materialização do mais vil e canalha roubo feito a quem trabalha.
O «País» que estas sanguessugas, velhas e novas, falam, é o país centrado nos seus gordos umbigos, de salões de seda empestados a naftalina e tresandando a croquetes rançosos. É o país das coisas boçais. Das pessoas sem escrúpulos e gananciosas.
É o país dos que julgam que sempre assim será.
Não contem.
Há um outro país.
De homens e mulheres solidários. Obreiros disponíveis para construir um mundo novo.
Mais justo e mais fraterno.
O mundo velho está podre.
De França vêm sinais.
Uma jovem dizia: È tempo de agir, se não a nossa vida vai ser uma merda.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
TEMPESTADES

Vivemos os tempos das grandes tempestades.
As noticias delas aí estão. Monções, chuvadas torrenciais, deslizamentos de terras, inundações.
E desgraças e perdas de vidas.
Habituámo-nos, ao longo do percurso humano, a enfrentar as suas fúrias e a reconstruir o que elas destroem.
Num misto de esperança e determinação convencemo-nos que após elas, vêm as bonanças.
Para alguns, não todos infelizmente, assim parece ser de facto.
E há tempestades, outras tempestades, que não são de chuva, nem vento e que por vezes, são carregadas de esperança.
Que varrem e destroem coisas obsoletas e que permitem construir novo e melhorar a vida dos homens.
Sabemos dessas tempestades, somos mesmo o resultado das novas construções delas resultantes.
Mas não essas as tempestades que agora nos fustigam.
Estas, que não são de chuva, nem vento, não trazem esperança e nenhuma bonança se espera que se lhe possa seguir.
São tempos de perda de direitos, de descaramentos como não há memória, de revanchismo, de hipocrisias, mentiras e engodos.
São tempos em que só a descrição dos factos, a invocação dos indicadores e a própria análise nos criam repulsa.
São os tempos em que com o dinheiro dos nossos impostos se queimam 4 mil milhões no BPN, se afundam 1,1 mil milhões em submarinos para guerras estúpidas e alheias, em que se atiram ao ar 200 milhões para aviões de sucata.
São os tempos em que roubam os salários dos funcionários públicos, em que lhes destroem as carreiras, em que vilmente tiram pensões e obrigam velhos doentes a pagar medicamentos que não podem comprar.
São os tempos em que um velho, sempre engordado e abochechado nos dinheiros públicos, diz candidamente que é fácil pedir mais dinheiro para os salários o e que o difícil é saber de onde vem o dinheiro.
Senil e duplo erro. Não é fácil. A luta é difícil e o dinheiro sabe-se bem de onde vem - dos nossos impostos e sacrifícios - às vezes não sabemos bem é para onde ele vai …
Tal pensamento foi seguido por outros. Um, disse mesmo que este não é o tempo para «agitações».
Talvez para recolher obrigatório seja o tempo que esta triste figura preconiza. As únicas agitações que gostaria de ver seria a de bandeirinhas aplaudindo os seus desmandos…
Mas vão ver outras bandeiras. Vermelhas. De Luta.
Porque estes são tempos de agir.
Porque ainda há quem resista e ainda há quem lute.
Neste tempo de tempestades pode, até com a ajuda de pequenos espojinhos, levantar-se uma tempestade carregada de esperanças, que varra este mundo velho e injusto e que permita aos homens construir um mundo melhor.
O que estes velhos nos apresentam como eterno e inevitável é findável e evitável .Pode ser levado com o vento.
E esse vento é criado por nós, quando brandimos as bandeiras das nossas lutas.