Confesso que não me sinto muito seguro para falar do assunto.
Já houve muito boa gente, bem informada, que avisou solenemente, ou mesmo ameaçou severamente, que não se deve falar de tal coisa.
É perigoso falar de tal.
São conhecidos os humores instáveis.
Qualquer coisa os irrita.
Pode ser que hoje, que parece haver uma acalmia breve, não venha grande mal ao mundo se eu falar de tal coisa.
Pode ser.
E eu também só quero fazer uma pergunta.
Uma pergunta muito simples.
Alguém acredita? Alguém acredita mesmo nas tretas que nos vão impingindo sobre a irritabilidade dos mercados?
Repare-se:
Compram a 1 e vendem a sete.
Não pagam impostos sobre os lucros (até parece não terem lucros).
O comprador faz o preço (até sete estamos dispostos a pagar, lembram-se?).
Ninguém conhece os ditos (são simplesmente… os mercados) e por isso não podem ser, nem moral nem criminalmente acusados de usura.
Porque haveriam então de estar zangados os ditos mercados?
Dizem-nos que os irrita a perspectiva de aumento do deficit.
Se não houvesse deficit não precisaríamos de recorrer aos seus serviços nos volumes que os satisfaçam
Dizem-nos que os irrita o aumento da divida externa.
Se assim fosse, de que viveriam então os ditos mercados?
Dizem-nos que os irrita a instabilidade política (temos que ter o orçamento de sócrates, passos e cavaco e temos de ter cavaco).
E depois de desgraçadamente termos tudo isto porque continuam irritados?
Se os irrita a instabilidade porque paga menos o Egipto?
Se os irrita a insegurança porque paga menos a Colômbia?
Não sei se a Bélgica tem divida externa nem sei se recorre a financiamentos externos, mas se sim , nem quero imaginar, coitados, o que vão ter de pagar de juros. É que há mais de seis meses que não consegue formar governo…
Posto isto e na perspectiva de não chatear os mercados digo:
VÂO BUGIAR
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
RODAS PARADAS DE UMA ENGRENAGEM CADUCA
Tão frios como os dias que fazem por estes dias são as noticias, que se expressam quase sempre em números, que se referem às pessoas sem trabalho.
Seiscentos e dezassete mil (números oficiais), duzentos e quarenta e sete mil (desde a crise) mais não sei quantos mil que em período homólogo, sessenta e não sei quantos mil são detentores de um curso superior…
Mas muitos mil são os dias de angústia, de desespero, de sonhos adiados.
Homens, mulheres e sobretudo jovens que iniciam cada dia na permanente esperança de um dia diferente e que o terminam sob a triste amargura de mais um dia falhado.
E ao longo de meses, de anos. Assim é.
«Rodas paradas de uma engrenagem caduca» como escreveu Soeiro.
Até quando? Porquê? É isto inevitável?
A estas acrescentam outras, muitas outras interrogações.
Têm tempo, muito tempo, para interrogar.
E para interrogar acima de tudo a ausência de respostas.
E os dias passam.
E os sonhos adiam-se. Só não se adia o presente.
Adia-se a vida.
Distribuem-se uns flyers no centro comercial, impingem-se tvs por satélite, repõem-se pacotes de farinha nas prateleiras de supermercado, vendem-se seguros a quem se afoga na insegurança.
Arrastam-se. Mais um dia.
Há rendas por pagar.
E contribuições para a segurança social, para o irs, para o IVA por causa de um recibo verde de 30 euros.
E depois ainda há que aturar um energúmeno qualquer que lhes berra: « vão trabalhar malandros» ou enojar-se com a escrita de um escrevedor de jornais pançudo, que esborratou que a culpa da situação é dos direitos laborais e sociais que os seus pais desfrutam.
Para todos os trabalhadores sem trabalho e para todos os que estão em situações laborais vegetativas uma palavra de solidariedade activa.
Não são os meus direitos que vos retiram o trabalho.
Quem vos retira o trabalho são os mesmos que me retiram os direitos.
Encontramo-nos por aí.
Na luta.
Seiscentos e dezassete mil (números oficiais), duzentos e quarenta e sete mil (desde a crise) mais não sei quantos mil que em período homólogo, sessenta e não sei quantos mil são detentores de um curso superior…
Mas muitos mil são os dias de angústia, de desespero, de sonhos adiados.
Homens, mulheres e sobretudo jovens que iniciam cada dia na permanente esperança de um dia diferente e que o terminam sob a triste amargura de mais um dia falhado.
E ao longo de meses, de anos. Assim é.
«Rodas paradas de uma engrenagem caduca» como escreveu Soeiro.
Até quando? Porquê? É isto inevitável?
A estas acrescentam outras, muitas outras interrogações.
Têm tempo, muito tempo, para interrogar.
E para interrogar acima de tudo a ausência de respostas.
E os dias passam.
E os sonhos adiam-se. Só não se adia o presente.
Adia-se a vida.
Distribuem-se uns flyers no centro comercial, impingem-se tvs por satélite, repõem-se pacotes de farinha nas prateleiras de supermercado, vendem-se seguros a quem se afoga na insegurança.
Arrastam-se. Mais um dia.
Há rendas por pagar.
E contribuições para a segurança social, para o irs, para o IVA por causa de um recibo verde de 30 euros.
E depois ainda há que aturar um energúmeno qualquer que lhes berra: « vão trabalhar malandros» ou enojar-se com a escrita de um escrevedor de jornais pançudo, que esborratou que a culpa da situação é dos direitos laborais e sociais que os seus pais desfrutam.
Para todos os trabalhadores sem trabalho e para todos os que estão em situações laborais vegetativas uma palavra de solidariedade activa.
Não são os meus direitos que vos retiram o trabalho.
Quem vos retira o trabalho são os mesmos que me retiram os direitos.
Encontramo-nos por aí.
Na luta.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
NUS E CRUS
Nus e crus
Os números são divulgados pelo Tribunal de Contas.
O deficit das contas públicas foi em 2009 de 9,3%.
Havia sido, no ano anterior, 2,9%. (grande êxito, recordamo-nos).
Esta derrapagem fica a dever-se (dizem-nos) à crise, essa coisa aberrante de que muitos falam e nem todos sofrem das consequências.
Acontece que só 22,9% (menos de 1/3) do valor desse deficit se devem às denominadas medidas de incentivo à economia.
Destas medidas, de incentivo à economia, 2/3 do valor do deficit foram para os bancos (estas pobres entidades que tanto têm sofrido com a crise).
Para ajuda ao emprego - 1%.
Perante isto ainda são precisas palavras?
Só se forem de espanto.
Porque no mesmo dia em que temos acesso a estes números, nus e crus, ficamos a saber que as sondagens indicam que aquela criatura, que não é político e não faz outra coisa há quase vinte anos, que diz que se não tivesse avisado seria pior e quando é pior foi por ter avisado, que entregava docilmente solenes declarações de bom comportamento aos carrascos do seu povo, que nada mais sabe que uma retórica estafada , que como outros tristes exemplos da nossa história recente e até bem contemporânea, gosta e adora o uso do título : «professor», que cada vez (e são muitas) que aparece na televisão percorre no ar um intenso e agressivo cheiro a naftalina… dizem-nos as sondagens, vai ganhar as eleições à primeira volta.
Por isso, só palavras de espanto aqui fariam sentido.
«Ai nós !!! Ai nós!!! Começa a ser difícil acreditar em nós».
Mas vou deixar para lá as magoas e vou poupar as palavras de espanto.
.
Apesar de tudo, pelos menos cultural e sociologicamente, é Natal, e assim sendo, um Bom Natal.
Os números são divulgados pelo Tribunal de Contas.
O deficit das contas públicas foi em 2009 de 9,3%.
Havia sido, no ano anterior, 2,9%. (grande êxito, recordamo-nos).
Esta derrapagem fica a dever-se (dizem-nos) à crise, essa coisa aberrante de que muitos falam e nem todos sofrem das consequências.
Acontece que só 22,9% (menos de 1/3) do valor desse deficit se devem às denominadas medidas de incentivo à economia.
Destas medidas, de incentivo à economia, 2/3 do valor do deficit foram para os bancos (estas pobres entidades que tanto têm sofrido com a crise).
Para ajuda ao emprego - 1%.
Perante isto ainda são precisas palavras?
Só se forem de espanto.
Porque no mesmo dia em que temos acesso a estes números, nus e crus, ficamos a saber que as sondagens indicam que aquela criatura, que não é político e não faz outra coisa há quase vinte anos, que diz que se não tivesse avisado seria pior e quando é pior foi por ter avisado, que entregava docilmente solenes declarações de bom comportamento aos carrascos do seu povo, que nada mais sabe que uma retórica estafada , que como outros tristes exemplos da nossa história recente e até bem contemporânea, gosta e adora o uso do título : «professor», que cada vez (e são muitas) que aparece na televisão percorre no ar um intenso e agressivo cheiro a naftalina… dizem-nos as sondagens, vai ganhar as eleições à primeira volta.
Por isso, só palavras de espanto aqui fariam sentido.
«Ai nós !!! Ai nós!!! Começa a ser difícil acreditar em nós».
Mas vou deixar para lá as magoas e vou poupar as palavras de espanto.
.
Apesar de tudo, pelos menos cultural e sociologicamente, é Natal, e assim sendo, um Bom Natal.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Contributos para (uma) psicologia
(cada um dá o que pode…)
Alguns traços comportamentais do empresário nacional:
Valores que caracterizam os seus traços comportamentais:
Patriotismo - Utiliza todos os ardis para fugir aos impostos. (cfr caso PT). Sempre que é contrariado ameaça ir embora e levar a sede da empresa (para a Holanda (cfr caso PT), para a Suiça, para o Bangladesch, para onde lhe der na real gana, (sim, também).
Responsabilidade - Por razões conjunturais da economia (o que eles gostam disto) é aconselhável rever a política de investimentos - então está na hora de comprar um novo ferrari. As razões conjunturais aconselham isso sim a reduzir os salários, não é???.
Cultura - Produto em que não gasta dinheiro. Charutos importados, uisques importados, sexo importado, são os pequenos desvios a esse principio (são cultura não são).
Responsabilidade social - Responsabilidade que tem para com a sociedade (accionistas).
Religião - uma coisa chata em que por vezes são forçados a pensar nos outros, Principalmente nos mais desfavorecidos (coitados) …eles até têm pena.
A pensar…mas só a pensar e uma a duas vezes por ano, no natal, na páscoa….até porque o padre, depois da missa e no jantar para aonde o convidam, até é um bom compincha (o que ele gosta da pinga e de…) e isso ajuda a aliviar a pressão.
Caridade - Ah. Sim. A caridade. Aquelas festas no casino, os flasches, as revistas e …
Será dotados destas qualidades, que discutirão hoje o valor do salário mínimo.
Mais 25 euros por mês? Não podes ser.
Ah, já tínhamos dito que sim???
Pois então, lá terá quer ser.
Mas nós dissemos que seria em 2011.
Então a 31/12/2011 ainda estamos em 2011.
Aumentemos a partir de 31/12/2011.
Se a conjuntura económica o permitir.
Sendo assim.
Se a conjuntura económica o permitir.
Um Bom Natal
Alguns traços comportamentais do empresário nacional:
Valores que caracterizam os seus traços comportamentais:
Patriotismo - Utiliza todos os ardis para fugir aos impostos. (cfr caso PT). Sempre que é contrariado ameaça ir embora e levar a sede da empresa (para a Holanda (cfr caso PT), para a Suiça, para o Bangladesch, para onde lhe der na real gana, (sim, também).
Responsabilidade - Por razões conjunturais da economia (o que eles gostam disto) é aconselhável rever a política de investimentos - então está na hora de comprar um novo ferrari. As razões conjunturais aconselham isso sim a reduzir os salários, não é???.
Cultura - Produto em que não gasta dinheiro. Charutos importados, uisques importados, sexo importado, são os pequenos desvios a esse principio (são cultura não são).
Responsabilidade social - Responsabilidade que tem para com a sociedade (accionistas).
Religião - uma coisa chata em que por vezes são forçados a pensar nos outros, Principalmente nos mais desfavorecidos (coitados) …eles até têm pena.
A pensar…mas só a pensar e uma a duas vezes por ano, no natal, na páscoa….até porque o padre, depois da missa e no jantar para aonde o convidam, até é um bom compincha (o que ele gosta da pinga e de…) e isso ajuda a aliviar a pressão.
Caridade - Ah. Sim. A caridade. Aquelas festas no casino, os flasches, as revistas e …
Será dotados destas qualidades, que discutirão hoje o valor do salário mínimo.
Mais 25 euros por mês? Não podes ser.
Ah, já tínhamos dito que sim???
Pois então, lá terá quer ser.
Mas nós dissemos que seria em 2011.
Então a 31/12/2011 ainda estamos em 2011.
Aumentemos a partir de 31/12/2011.
Se a conjuntura económica o permitir.
Sendo assim.
Se a conjuntura económica o permitir.
Um Bom Natal
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Valha-nos ele...
Valha-nos ele…
JMF - Público - 3/12//2010 ((considerando como boa noticia a não aprovação da taxação dos dividendos, como propunha o PCP): “Ela corresponderia à violação de um principio básico de estabilidade do quadro legal fundamental no exercício de qualquer actividade económica” e “Depois, porque a decisão de taxar os dividendos das SGPS é idiota e só as levará a mudarem as suas sedes para outros países, nomeadamente para a Holanda. A médio prazo a receita fiscal diminuirá, não aumentará, mas isso é algo que escapa à mentalidade justicialista de muitos, se não da maioria, dos nossos deputados”.
Valha-nos ele, supra sumo da inteligência e da visão estratégica lusa.
Sem cobrar, sugiro-lhe que leia atentamente, se é que ler os outros não lhe cria «engulhos», o trabalho publicado no «seu» Público, pg.((s)4 e 5 P2. Só para o caso de não ser apanhado no turbilhão das suas certezas…
Mas vamos às suas “ideias”.
Em primeiro lugar a taxação das mais valias das SGPS - coisa que já devia acontecer há muito - está contemplada no OE para 2011.
Logo, os ditos investidores, ou fugiriam para a Holanda a 22 de Dezembro de 2010 ou a 1 de Janeiro de 2011.
Pois então que fossem, se fossem, a 1 de Janeiro mas depois de pagar os seus impostos.
Mas o que está a acontecer é uma labreguice bem lusitana que consiste em chamar nomes doces aos crimes dos grandes senhores.
Em segundo lugar, para que serve ter a sede das SGPS em território luso? Para que possam estar isentas de impostos, contrariamente ao que acontece com a generalidade dos agentes económicos?
O que ganha o país?
E para que querem os holandeses a sede destas sanguessugas?
Em terceiro lugar, é legítimo que se pergunte se o salário não é um principio básico de estabilidade do quadro legal da actividade económica?
È que nestes mexem, sem qualquer preocupação ética ou legal.
Ai como é musica, depois disto, recordar cândidas afirmações de responsabilidade social das empresas.
São tão hipócrita, não são?!.
JMF - Público - 3/12//2010 ((considerando como boa noticia a não aprovação da taxação dos dividendos, como propunha o PCP): “Ela corresponderia à violação de um principio básico de estabilidade do quadro legal fundamental no exercício de qualquer actividade económica” e “Depois, porque a decisão de taxar os dividendos das SGPS é idiota e só as levará a mudarem as suas sedes para outros países, nomeadamente para a Holanda. A médio prazo a receita fiscal diminuirá, não aumentará, mas isso é algo que escapa à mentalidade justicialista de muitos, se não da maioria, dos nossos deputados”.
Valha-nos ele, supra sumo da inteligência e da visão estratégica lusa.
Sem cobrar, sugiro-lhe que leia atentamente, se é que ler os outros não lhe cria «engulhos», o trabalho publicado no «seu» Público, pg.((s)4 e 5 P2. Só para o caso de não ser apanhado no turbilhão das suas certezas…
Mas vamos às suas “ideias”.
Em primeiro lugar a taxação das mais valias das SGPS - coisa que já devia acontecer há muito - está contemplada no OE para 2011.
Logo, os ditos investidores, ou fugiriam para a Holanda a 22 de Dezembro de 2010 ou a 1 de Janeiro de 2011.
Pois então que fossem, se fossem, a 1 de Janeiro mas depois de pagar os seus impostos.
Mas o que está a acontecer é uma labreguice bem lusitana que consiste em chamar nomes doces aos crimes dos grandes senhores.
Em segundo lugar, para que serve ter a sede das SGPS em território luso? Para que possam estar isentas de impostos, contrariamente ao que acontece com a generalidade dos agentes económicos?
O que ganha o país?
E para que querem os holandeses a sede destas sanguessugas?
Em terceiro lugar, é legítimo que se pergunte se o salário não é um principio básico de estabilidade do quadro legal da actividade económica?
È que nestes mexem, sem qualquer preocupação ética ou legal.
Ai como é musica, depois disto, recordar cândidas afirmações de responsabilidade social das empresas.
São tão hipócrita, não são?!.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
O amor a Portugal fica-lhes tão bem, não fica?
As confederações patronais querem rever o que já haviam acordado e pretendem não cumprir com os 500 € de salário mínimo para 2011.
Falam da crise e blá, blá, blá.
Descaradamente propõem como alternativa um aumento de 1,7%.
De 475€ para 483€.
8 € por mês.
Aproximadamente 27 cêntimos por dia.
E não coram.
Que crise combatem com esta medida?
E estes mesmos, antecipam criminosamente a distribuição de dividendos, para fugir aos impostos.
PT, Jerónimo Martins, Semapa, Portucel, todos eles anunciam e outros se juntarão, a distribuição antecipada de dividendos dos lucros de 2010.
Afinal tiveram lucros.
De que crise falam quando recusam um aumento de 25 € mês a quem ganha 475?
E, garantidamente, ao domingo, de manhã, ajoelham, rezam a deus e tomam devotamente a hóstia.
Ao almoço, melhor, ao repasto, falarão da economia nacional e das medidas que vão sugerir (???) Que sejam tomadas.
A bem do país, claro.
Só na PT, antecipando os lucros e fugindo aos impostos, vão sacar ao país cerca de 250 milhões de euros.
Normalmente, os dividendos, seriam pagos no final do 1.º trimestre de 2011, quando dos encerramentos de contas. Mas como em 2011 se aplicará uma taxa sobre as mais valias, antecipa-se essa distribuição e poupam-se uns milhões.
A bem do país, claro.
A este propósito, diz o PSD (que votou contra a proposta do PCP de taxar essas mais valias): “O valor da estabilidade fiscal é importante”.
Diz o PS (que votou contra a proposta do PCP de taxar essas mais valias): “taxar essas mais valias seria criar um imposto extraordinário”.
Diz o CDS (que votou contra a proposta do PCP de taxar essas mais valias”: “que o PCP queria era criar outro PREC” (ou uma baboseira semelhante).
São todos iguais não são? Mas todos…ESTES. Com nome e currículo.
E são estes, os que protegem os outros. Os que fogem aos impostos.
Os que querem salvar Portugal. Afundando-o.
Quando roubam aos que pouco têm, quando mexem no salário dos outros com o mesmo à vontade com que o carteirista esbulha o pobre cidadão, quando tiram o abono de família, quando cortam nas prestações dos medicamentos e outras prestações sociais, não os preocupa o valor da estabilidade fiscal? Não os preocupa o efeito de impostos extraordinários que o roubo dos salários representa?
Nunca o descaramento foi tão longe.
E juram amores a Portugal.
Certamente com a mesma lata, com que rezam a deus.
Falam da crise e blá, blá, blá.
Descaradamente propõem como alternativa um aumento de 1,7%.
De 475€ para 483€.
8 € por mês.
Aproximadamente 27 cêntimos por dia.
E não coram.
Que crise combatem com esta medida?
E estes mesmos, antecipam criminosamente a distribuição de dividendos, para fugir aos impostos.
PT, Jerónimo Martins, Semapa, Portucel, todos eles anunciam e outros se juntarão, a distribuição antecipada de dividendos dos lucros de 2010.
Afinal tiveram lucros.
De que crise falam quando recusam um aumento de 25 € mês a quem ganha 475?
E, garantidamente, ao domingo, de manhã, ajoelham, rezam a deus e tomam devotamente a hóstia.
Ao almoço, melhor, ao repasto, falarão da economia nacional e das medidas que vão sugerir (???) Que sejam tomadas.
A bem do país, claro.
Só na PT, antecipando os lucros e fugindo aos impostos, vão sacar ao país cerca de 250 milhões de euros.
Normalmente, os dividendos, seriam pagos no final do 1.º trimestre de 2011, quando dos encerramentos de contas. Mas como em 2011 se aplicará uma taxa sobre as mais valias, antecipa-se essa distribuição e poupam-se uns milhões.
A bem do país, claro.
A este propósito, diz o PSD (que votou contra a proposta do PCP de taxar essas mais valias): “O valor da estabilidade fiscal é importante”.
Diz o PS (que votou contra a proposta do PCP de taxar essas mais valias): “taxar essas mais valias seria criar um imposto extraordinário”.
Diz o CDS (que votou contra a proposta do PCP de taxar essas mais valias”: “que o PCP queria era criar outro PREC” (ou uma baboseira semelhante).
São todos iguais não são? Mas todos…ESTES. Com nome e currículo.
E são estes, os que protegem os outros. Os que fogem aos impostos.
Os que querem salvar Portugal. Afundando-o.
Quando roubam aos que pouco têm, quando mexem no salário dos outros com o mesmo à vontade com que o carteirista esbulha o pobre cidadão, quando tiram o abono de família, quando cortam nas prestações dos medicamentos e outras prestações sociais, não os preocupa o valor da estabilidade fiscal? Não os preocupa o efeito de impostos extraordinários que o roubo dos salários representa?
Nunca o descaramento foi tão longe.
E juram amores a Portugal.
Certamente com a mesma lata, com que rezam a deus.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
A Greve Geral continua nesta agenda...

Porque por aqui não se obedece a uma agenda «mediática» em cujo processo não sabemos se a agenda corresponde ao ritmo determinado pelos acontecimentos ou se à intenção de esta determinar os acontecimentos, volto à Greve Geral.
E volto por força de um artigo hoje publicado no Público, assinado por Miguel Gaspar e sob uma rubrica denominada «uma linha a mais», (julgo que serão mais…). É, apesar de tudo, um artigo interessante e com o mérito de fugir aos jargões habituais nos cronistas de serviço ao status quo.
Retive a afirmação de que foi inegável que foi uma grande Greve Geral, mas que não conseguiu capitalizar todo o descontentamento que existe em Portugal.
Tem razão o cronista, em parte, pois se capitalizou ou não, nem ele, nem ninguém o sabe. Mas sabemos e daí a razão parcelar que nem todos os descontentes puderam expressar o seu descontentamento fazendo greve.
Os reformados, os estudantes, os milhares de trabalhadores a recibo verde, os comerciantes e pequenos empresários, os militares e agentes das forças policiais, os trabalhadores com profissão liberal, os desempregados, entre muitos outros, não puderam manifestar o seu profundo descontentamento.
Não o puderam fazer através da Greve, mas muitos fizeram-no através das mais diversas expressões de solidariedade.
Afirma o cronista que o direito à greve não é um direito universal. Claro que não, como facilmente se constata pela verificação das situações de facto (não ser trabalhador por conta de outrem ou estar limitado legalmente - caso dos militares) ou por situações de condicionamento da livre opção individual (situações de evidente dano social imediato) mas tal constatação não pode ser usada para dar cobertura a interpretações através das quais se procura minimizar o direito à greve. O direito (?) que o cronista diz assistir aos que não querem fazer greve, não lhes pode dar o direito de obrigar os outros a não fazer greve. Não confundamos os conceitos, não existe um «direito» a não fazer greve, o que existe é o «direito» à greve, conquistado com a luta de gerações de trabalhadores ao longo da história.
Usufruir ou não dele, por força da livre interpretação de cada um, essa é outra questão.
Alude, o dito cronista, que o insucesso da greve também pode ser verificado pelo facto de rapidamente ter saído da «agenda» dos media. É caso para afirmar que fazem o mal e a escaramuça pois os ditos agendamentos são processos externos aos trabalhadores e às suas organizações sindicais.
Compara (o que só por perfeita ignorância pode ser comparado) os níveis de mobilização de voluntariado em torno do denominado projecto «Banco Alimentar» e o verificado quando da Greve e manifesta uma certa simpatia pelo que denomina de voluntariado social em detrimento do que ele também denomina de voluntariado político.
Opções. Por mim, prefiro não seguir o caminho da caridadezinha, o que não invalida o meu empenho nas acções de solidariedade social.
Conclui, afirmando que a greve geral foi uma oportunidade perdida e com uma analogia de um rio que desagua num lago e aí fica represo. Veremos.
Pode acontecer que esse rio seja de tal forma caudaloso que o lago não seja suficiente para reter as suas águas revoltas.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Pois, que assim seja, senhorita

Aqui o diminutivo não é caridoso, é de asco e pejorativo
Disse uma senhorita, que a Greve Geral de 24 de Novembro, foi, quanto muito, um requiem por um tempo que passou.
Não tinha até hoje imaginado, escrever reconhecendo razão a semelhante criatura.
Mas que assim seja.
Pessoalmente julgo que assim será.
Que a Greve Geral tenha sido um requiem por um tempo que já é tempo de dar por terminado. O tempo das faustosas senhoritas, do desemprego, da juventude sem presente e com medo do futuro, dos sacrifícios para os trabalhadores, o tempo das caridadezinhas, dos baixos salários e da ganância para que sejam cada vez mais baixos, dos ferraris de sobranceria face à miséria de tantos.
Que tenha sido o fim desse tempo e o começar de um novo, senhorita.
Você, pobre senhorita, esteve sempre do lado errado da história, mesmo quando em tempos, hipocrita e oportunistamente tenha julgado acompanhá-la.
Você, pobre senhorita, foi sempre desprezível.
Será que agora, em que quase ninguém se lembra da sua desgraçada figura, a senhorita acertou?
Pois que assim seja.
Que a Greve Geral tenha sido um requiem pelo tempo dos hipócritas e das suas novas sanguessugas.
VIVA A GREVE GERAL, porque foi grande e as cócegas que provocou nesta senhorita, assim o põe em evidência.
VIVA UM NOVO TEMPO.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Dúvidas
Compreendo que tenham lido dívidas...
Nunca fui muito dado a regatear preços.
Já me alertaram que em determinados contextos e culturas este meu «princípio» pode mesmo ser mal interpretado. A ser assim e acredito que seja, se forçado assim farei, mas penso que «regatearei» mal.
Alertaram-me também que, se partir de mim o estabelecimento do preço, ou seja se eu disser: «por isso dou-lhe tanto…» não será depois uma atitude digna da minha parte se não consumar o negócio .
Vem esta nota a propósito da situação decorrente dos negócios da dívida pública portuguesa e a voracidade dos mercados (jarrões que não carecem de explicação dada a profusão de uso).
Queixa-se o Sr. Ministro das Findanças, perdão, das Finanças, que os mercados estão a praticar taxas muito elevadas (6,67 verificados ontem), mas não foi ele próprio que afirmou que o país não suportará taxas acima dos 7%?
Então, para o que o Sr. Ministro se mostrou disponível para pagar ainda existe uma margem para os agiotas, ou seja ainda podem vir buscar mais 0,33%.
Foi ele que estabeleceu o preço, porque se queixa?
Razões de queixa temos nós, os que pagamos.
Uma outra questão merecedora das minhas dúvidas prende-se com o Candidato que é Presidente, mas que não é Candidato e aqui estas, as dúvidas surgem em turbilhão:
Disse-nos (ou mandou dizer) que se não fossem os seus avisos a «situação» estaria muito pior.
Sabendo quão negra está a «situação» fica por esclarecer, o que conseguiu evitar?
Diz-nos (ou mandou dizer) depois da aprovação do Orçamento (instrumento que todos afirmam penalizar trabalhadores e a população desfavorecida) que na sua discussão na especialidade se deve procurar distribuir equitativamente os sacrifícios.
Referir-se-á à distribuição equitativa pelos mesmos de sempre não é verdade?
Sabendo-se que acumula pensão com vencimento e preocupado (como mandou dizer que está) com os mais desfavorecidos, porque não tomou a iniciativa de prescindir ou do salário ou da pensão?.
Não é verdade que o Sr. Candidato que é Presidente, mas que não é Candidato, foi Ministro das Finanças e do Plano entre 1980 e 1981 ; Presidente do Conselho Nacional do Plano em 1981; 1.º Ministro de Portugal entre 1985 e 1995; Presidente da República há quase 5 anos a que quer acrescentar-lhe mais 5?
Tem portanto na bagagem 17 anos de actividade política ao mais alto nível.
Não tem culpas no cartório? Será que sou eu que as tenho?
Afirma abnegar a «política» (ou manda afirmar) e nós interrogamo-nos o que seria se gostasse?
Nunca fui muito dado a regatear preços.
Já me alertaram que em determinados contextos e culturas este meu «princípio» pode mesmo ser mal interpretado. A ser assim e acredito que seja, se forçado assim farei, mas penso que «regatearei» mal.
Alertaram-me também que, se partir de mim o estabelecimento do preço, ou seja se eu disser: «por isso dou-lhe tanto…» não será depois uma atitude digna da minha parte se não consumar o negócio .
Vem esta nota a propósito da situação decorrente dos negócios da dívida pública portuguesa e a voracidade dos mercados (jarrões que não carecem de explicação dada a profusão de uso).
Queixa-se o Sr. Ministro das Findanças, perdão, das Finanças, que os mercados estão a praticar taxas muito elevadas (6,67 verificados ontem), mas não foi ele próprio que afirmou que o país não suportará taxas acima dos 7%?
Então, para o que o Sr. Ministro se mostrou disponível para pagar ainda existe uma margem para os agiotas, ou seja ainda podem vir buscar mais 0,33%.
Foi ele que estabeleceu o preço, porque se queixa?
Razões de queixa temos nós, os que pagamos.
Uma outra questão merecedora das minhas dúvidas prende-se com o Candidato que é Presidente, mas que não é Candidato e aqui estas, as dúvidas surgem em turbilhão:
Disse-nos (ou mandou dizer) que se não fossem os seus avisos a «situação» estaria muito pior.
Sabendo quão negra está a «situação» fica por esclarecer, o que conseguiu evitar?
Diz-nos (ou mandou dizer) depois da aprovação do Orçamento (instrumento que todos afirmam penalizar trabalhadores e a população desfavorecida) que na sua discussão na especialidade se deve procurar distribuir equitativamente os sacrifícios.
Referir-se-á à distribuição equitativa pelos mesmos de sempre não é verdade?
Sabendo-se que acumula pensão com vencimento e preocupado (como mandou dizer que está) com os mais desfavorecidos, porque não tomou a iniciativa de prescindir ou do salário ou da pensão?.
Não é verdade que o Sr. Candidato que é Presidente, mas que não é Candidato, foi Ministro das Finanças e do Plano entre 1980 e 1981 ; Presidente do Conselho Nacional do Plano em 1981; 1.º Ministro de Portugal entre 1985 e 1995; Presidente da República há quase 5 anos a que quer acrescentar-lhe mais 5?
Tem portanto na bagagem 17 anos de actividade política ao mais alto nível.
Não tem culpas no cartório? Será que sou eu que as tenho?
Afirma abnegar a «política» (ou manda afirmar) e nós interrogamo-nos o que seria se gostasse?
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
INDIGNAÇÃO
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Ao longo da minha infância e adolescência, ouvi vezes sem conta o desabafo lastimoso de um familiar próximo que dizia, perante a dor de uma perda: «o meu chorar é seco. Já verti todas as lágrimas».
Revivi agora esta triste memória quando me confronto com uma certa incapacidade que começo a sentir, de me indignar e pergunto-me se, não terei já perdido ou secado a indignação.
Perante a avalanche de medidas penalizadoras para os trabalhadores e os desfavorecidos (e volta de novo a política económica e financeira e o orçamento) confrontamo-nos com uma outra de noticias sobre mordomias que nem sequer conhecíamos.
Publicita o «Público» (relemos por parecer incrível) que o total das remunerações em 2009 dos 12 membros do CA da REN foi de 3,152 milhões de euros. Se tivesse sido equitativa essa distribuição, cada uma dessas preciosidades arrecadou 262 667 Euros.
Numa outra, tomamos conhecimento que os quadros superiores da REFER suspensos (?) no âmbito do processo «Face Oculta» continuam a receber por inteiro todas as suas mordomias. A um deles foi necessário enviar a Policia para que restituísse a viatura de «serviço».
Ficámos também a saber que a administração da PT pretende pagar antecipadamente um dividendo excepcional que permitirá aos 15 maiores accionistas (95% do capital) pouparem 260 milhões de euros (que o Estado deixa de arrecadar).
É esta PT a do interesse estratégico para Portugal, lembramo-nos.
Anuncia-se pela enésima vez que vão acabar as acumulações de pensões e salários públicos, mas a verdade é que elas continuam escandalosamente (Não é Sr. Presidente, desinteressado da política???)
E vimos empresas públicas com estruturas tão densas, tão densas, que se fica com a curiosidade de saber como se articulam administradores, directores, gestores, directores de departamento, chefes de divisão, assessores, secretárias e motoristas.
E vemos agiotas dizerem que a culpa é do RSI.
E vemos estúpidos dizerem que a culpa é dos desempregados.
E vemos beatos retirarem o abono de família às famílias.
Ignorantes a aplaudirem o corte nos salários da função pública.
E vemo-los juntos, alienados, proclamarem que agora vão votar no empregado dos banqueiros.
Por isso, questiono-me por vezes: ainda mantenho a minha capacidade de indignação?.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
POIS...

Pobres homens do Teatro, para além de todas as sacanices e gravilhices a que têm estado sujeitos, são ainda agora alvo de concorrência desleal na prática da sua actividade.
Aguentem amigos, em muitas outras áreas isso já vinha acontecendo…
Mas têm que admitir que têm concorrentes de peso.
Como actor, aquele fulaninho do Brasil - o que foi barbaramente atingido por uma bolinha de papel - não está nada mal pois não? - Talvez uma melhor coordenação dos tempos, mas caramba o homem não se apercebeu logo da agressão, teve que receber a dica pelo ponto - via telemóvel.
Como encenadores, os homens do PS e os do outro PS com D, são magníficos. O ambiente e a envolvência que criaram em torno do Orçamento é digna dos grandes criadores.
Suspense até ao fim.
Uma carga dramática impressionante.
A bolsa deu um trambolhão.
O gráfico da divida pública subiu vertiginosamente.
Mas, deixando por agora o teatro e voltando ao real, uma pergunta se me impôe: se o que é preciso é ter um orçamento, um qualquer, mesmo um mau orçamento, (dizem) porque não um que:
Não roube salários e pensões.
Não agrave com impostos as precárias condições de vida;
Promova o investimento e o emprego.
Porque não???
Uma pergunta, uma simples pergunta.
Adiante.
Não tendo saído fumos, nem brancos, nem negros, das reuniões dos com e sem D, saiu pelo menos algum que indicia quem são os homens dos «mercados».
Bancos de França e da Alemanha e os seus porta vozes , o senhorinho e a senhorinha, querem dar tautau aos seus embaixadores locais pois temem poder haver aqui alguma interrupção no fluxo da usura que estão a praticar.
Começam a ter nome e rosto os ditos «mercados». Mesmo que ainda só os nomes dos seus ponta de lança sejam por agora conhecidos.
Termino com algumas dados sobre «Economia»:
Lucro da Jerónimo Martins cresce mais que o previsto;
Lucro da GALP sobe 18,4% e bate estimativas;
Lucros do BCP aumentam 22%
Liga dos Clubes teve lucro de 180 milhões.
Pois…
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Verdade, verdadinha
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Qualquer um de nós, possuirá os registos mais diversos sobre as afirmações das verdades.
Dos mais beatos: «deus sabe que o que estou a dizer é verdade», aos científicos: «é verdade, não há duvida, está cientificamente provado», aos ontológicos «é verdade, isto foi sempre assim»; aos ditatoriais. «claro que é verdade e não admito que duvidem da minha palavra».
Entretanto, surgiram nos últimos tempos, no léxico econofinanceiro dominante, novas versões.
Mesmo no plano semântico as verdades destes senhores passaram a ter uma outra significação e uma amplitude que se dirá…quase mítica.
Ou seja, não só é verdade, como é inevitável, inadiável, imutável. Em suma…Sagrado!
Quem assim não pensa, não sabe o que diz.
Só há este caminho para a economia, dizem.
Mesmo o mais caloiro do econofinanceiro, acabadinho de sair da faculdade onde venerou o econofinanceiro sénior, proclama: «É assim, não há volta a dar».
Encontramos no entanto, econofinanceiros de dois tipos:
Um, implacável, que assevera que os danos sociais provocados são meros danos colaterais, necessários ao sucesso da «medida» e outro, mais sensível, que toma as mesmas posições mas que afirma ter dores em tudo o que é sitio por as ter tomado.
E falam-nos de entidades intangíveis. Algumas tenebrosas, sendo a mais tenebrosa de todas a que eles denominam de “mercados” e que parece ter um apetite insaciável.
A discussão paradigmática aceitável cinge-se em aplicar um ou dois por cento sobre a taxa de iva e em saber se a margarina e o leite com chocolate passam da taxa reduzida para a taxa máxima.
Toda e qualquer outra ideia é inaceitável, impraticável, utópica.
Não tem enquadramento na verdade dominante da esplendorosa «nova ciência» econofinanceira.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
GASTR ITES
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Estas coisas da crise, dos orçamentos, das hipocrisias e das pouca vergonhas andam a azedar-me.
Vou ter que me cuidar não vá agravar as coisas com uma gastrite ou qualquer outra coisa terminada em ite, como socratite, cavaquite, bochechite, coelhite.
As ites de sempre, que nos azedam e angustiam.
E assim, para descongestionar, vou dedicar-me por agora à futurologia.
Já dotado dos seus grandes saberes e poderes, posso desde já afirmar, em primeira mão e sem que ninguém mais saiba (porque raio não poderei também usar da redundância?!) que : VAMOS TER ORÇAMENTO - PS sem D vota a favor (novidade?); PS com D abstém-se (convém-lhe); CDS vota contra (para o alarido); BE vota contra, PCP vota contra e Verdes votam contra.
E assim temos orçamento. A BEM DE PORTUGAL.
Votam também a favor: Banqueiros; Especuladores; Jogadores de Casino; Belmiros; Amorins, Confederações Patronais; Bastonário da Ordem dos Advogados; Balsemão; o Mário da Fundação e o seu candidato Cavaco; a minha vizinha tonta que dizia que o aumento do IVA não a afectava.
E todos juntos, com a taça (que pelintrisse), queria dizer com a floot, brindarão e arrotarão vivas a Portugal.
E os portugueses verão agravadas as suas condições de vida e nem gastrites poderão ter, pois neste país fantástico podem-se dar fenómenos como aquele que noticiava hoje um dos serviços televisivos da hora de almoço: «Os medicamentos baixaram hoje em média 6% mas os utentes vão pagar mais».
Cuidado pois com elas: as gastrites, e muitas outras ites.
A propósito, de que país falam eles e a que brindam quando falam de Portugal?
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Ridícula encenação

Ex presidentes, banqueiros, ex - ministros, figurões de sempre, palradores, governadores de qualquer coisa ainda cá ou já por lá, todos e em todo o momento sabem a sua deixa: é imperioso aprovar o orçamento.
Mesmo que esse orçamento provoque, como é o caso, já demonstrado por diversas entidades, uma recessão na economia.
E que essa recessão acrescente mais desemprego ao exercito de desempregados, mais falências de pequenas e médias empresas, mais pobres e mais miséria.
Imprescindível é ter Orçamento.
Só falta vir o papa, mas conhecendo-se a figura é homem para não recusar dar a sua valiosa contribuição.
O Orçamento é condição para evitar o desastre.
Mas não é por causa deles que estamos como estamos?
Ou seja, não tem havido orçamentos nos anos anteriores?
Não foi nesses orçamentos de «estabilidade» que se consubstanciaram:
4 mil milhões para queimar no BPN .
1,1 mil milhões (há quem diga mais) para afundar em submarinos.
1,5 mil milhões para modernizações da FAP que incluem a compra de aviões de sucata holandesa.
Compra de centenas de viaturas topo de gama (Águas de Portugal e outras ainda mais inquinadas).
Carros blindados que de tão blindados nem andam.
Festas de bar aberto, comemorações de aniversário de agências, festas das maravilhas (que pelo preço, são garantidamente mais de sete).
Administração aberta para os boys.
E assim sendo (porque foi, não foi?) é porque correm o risco de fazerem o mesmo mas em duodécimos que vos preocupa tanto a não aprovação do Orçamento?
As vítimas dos orçamentos anteriores e do que se projecta, os mesmos que são vitimas dos vossos crimes (praticados pelos que lá estão hoje e dos que estiveram antes e hoje fazem o joguinho do voto não voto) essas não temem as vossas ameaças de crises tenebrosas resultantes da não aprovação do orçamento.
O que temem e têm sofrido, é a crueldade e desumanidade dos vossos orçamentos que consubstanciam as vossas tenebrosas políticas.
Por isso, meus senhores …
Deixem-se de encenações…nem para isso têm jeito
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
A nossa vida não tem de ser uma merda
Hoje emergem da terra e para a vida os mineiros chilenos.
Bem ajam.
Aproveito para dizer o que sei que sabem: nada mudou de substancial desde o soterramento da vossa saída.
O mundo continua igual. Por aí e por aqui.
Acredito que ao retomarem o contacto pensem, por momentos, que afinal parece que algo mudou.
Tendes um mundo de gente, holofotes, jornalistas e até o presidente à vossa espera.
Mas vós sabeis como são tratados os mineiros
Vós sabeis como ireis ser tratados logo que acabe a febre mediática..
Por aqui, neste meu país de vós distante, as atenções mediáticas convergem para uma encenação dramática que visa, ao invés de salvar, agravar intoleravelmente as condições daqueles que vivem como vós: da força do seu trabalho.
Apresentam uma proposta que visa assegurar que a lei - do Orçamento - consagre o principio da espoliação. Espoliação de direitos, de salários, de pensões, de serviços de saúde.
Bebericam champanhe e saltitam gulosos entre umas delicias de lagosta ou um souflé de cherne e falam de crise.
E encenam o espectáculo. Juntam-se velhos comensais do banquete permanente e babando-se proclamam desgraças sem fim se não «houver orçamento».
Juntam-se as sanguessugas donas do dinheiro impresso com o nosso suor e vão à casa do seu político seu empregado impor-lhe que mande os seus rapazes votar «o Orçamento», senão… desgraça das desgraças…
E os bichos maus ameaçam com outros bichos maus e dizem: «os mercados andam nervosos».
E o «Orçamento» sem o qual todas estas desgraças acontecem ao «País» é tão só a materialização do mais vil e canalha roubo feito a quem trabalha.
O «País» que estas sanguessugas, velhas e novas, falam, é o país centrado nos seus gordos umbigos, de salões de seda empestados a naftalina e tresandando a croquetes rançosos. É o país das coisas boçais. Das pessoas sem escrúpulos e gananciosas.
É o país dos que julgam que sempre assim será.
Não contem.
Há um outro país.
De homens e mulheres solidários. Obreiros disponíveis para construir um mundo novo.
Mais justo e mais fraterno.
O mundo velho está podre.
De França vêm sinais.
Uma jovem dizia: È tempo de agir, se não a nossa vida vai ser uma merda.
Bem ajam.
Aproveito para dizer o que sei que sabem: nada mudou de substancial desde o soterramento da vossa saída.
O mundo continua igual. Por aí e por aqui.
Acredito que ao retomarem o contacto pensem, por momentos, que afinal parece que algo mudou.
Tendes um mundo de gente, holofotes, jornalistas e até o presidente à vossa espera.
Mas vós sabeis como são tratados os mineiros
Vós sabeis como ireis ser tratados logo que acabe a febre mediática..
Por aqui, neste meu país de vós distante, as atenções mediáticas convergem para uma encenação dramática que visa, ao invés de salvar, agravar intoleravelmente as condições daqueles que vivem como vós: da força do seu trabalho.
Apresentam uma proposta que visa assegurar que a lei - do Orçamento - consagre o principio da espoliação. Espoliação de direitos, de salários, de pensões, de serviços de saúde.
Bebericam champanhe e saltitam gulosos entre umas delicias de lagosta ou um souflé de cherne e falam de crise.
E encenam o espectáculo. Juntam-se velhos comensais do banquete permanente e babando-se proclamam desgraças sem fim se não «houver orçamento».
Juntam-se as sanguessugas donas do dinheiro impresso com o nosso suor e vão à casa do seu político seu empregado impor-lhe que mande os seus rapazes votar «o Orçamento», senão… desgraça das desgraças…
E os bichos maus ameaçam com outros bichos maus e dizem: «os mercados andam nervosos».
E o «Orçamento» sem o qual todas estas desgraças acontecem ao «País» é tão só a materialização do mais vil e canalha roubo feito a quem trabalha.
O «País» que estas sanguessugas, velhas e novas, falam, é o país centrado nos seus gordos umbigos, de salões de seda empestados a naftalina e tresandando a croquetes rançosos. É o país das coisas boçais. Das pessoas sem escrúpulos e gananciosas.
É o país dos que julgam que sempre assim será.
Não contem.
Há um outro país.
De homens e mulheres solidários. Obreiros disponíveis para construir um mundo novo.
Mais justo e mais fraterno.
O mundo velho está podre.
De França vêm sinais.
Uma jovem dizia: È tempo de agir, se não a nossa vida vai ser uma merda.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
TEMPESTADES

Vivemos os tempos das grandes tempestades.
As noticias delas aí estão. Monções, chuvadas torrenciais, deslizamentos de terras, inundações.
E desgraças e perdas de vidas.
Habituámo-nos, ao longo do percurso humano, a enfrentar as suas fúrias e a reconstruir o que elas destroem.
Num misto de esperança e determinação convencemo-nos que após elas, vêm as bonanças.
Para alguns, não todos infelizmente, assim parece ser de facto.
E há tempestades, outras tempestades, que não são de chuva, nem vento e que por vezes, são carregadas de esperança.
Que varrem e destroem coisas obsoletas e que permitem construir novo e melhorar a vida dos homens.
Sabemos dessas tempestades, somos mesmo o resultado das novas construções delas resultantes.
Mas não essas as tempestades que agora nos fustigam.
Estas, que não são de chuva, nem vento, não trazem esperança e nenhuma bonança se espera que se lhe possa seguir.
São tempos de perda de direitos, de descaramentos como não há memória, de revanchismo, de hipocrisias, mentiras e engodos.
São tempos em que só a descrição dos factos, a invocação dos indicadores e a própria análise nos criam repulsa.
São os tempos em que com o dinheiro dos nossos impostos se queimam 4 mil milhões no BPN, se afundam 1,1 mil milhões em submarinos para guerras estúpidas e alheias, em que se atiram ao ar 200 milhões para aviões de sucata.
São os tempos em que roubam os salários dos funcionários públicos, em que lhes destroem as carreiras, em que vilmente tiram pensões e obrigam velhos doentes a pagar medicamentos que não podem comprar.
São os tempos em que um velho, sempre engordado e abochechado nos dinheiros públicos, diz candidamente que é fácil pedir mais dinheiro para os salários o e que o difícil é saber de onde vem o dinheiro.
Senil e duplo erro. Não é fácil. A luta é difícil e o dinheiro sabe-se bem de onde vem - dos nossos impostos e sacrifícios - às vezes não sabemos bem é para onde ele vai …
Tal pensamento foi seguido por outros. Um, disse mesmo que este não é o tempo para «agitações».
Talvez para recolher obrigatório seja o tempo que esta triste figura preconiza. As únicas agitações que gostaria de ver seria a de bandeirinhas aplaudindo os seus desmandos…
Mas vão ver outras bandeiras. Vermelhas. De Luta.
Porque estes são tempos de agir.
Porque ainda há quem resista e ainda há quem lute.
Neste tempo de tempestades pode, até com a ajuda de pequenos espojinhos, levantar-se uma tempestade carregada de esperanças, que varra este mundo velho e injusto e que permita aos homens construir um mundo melhor.
O que estes velhos nos apresentam como eterno e inevitável é findável e evitável .Pode ser levado com o vento.
E esse vento é criado por nós, quando brandimos as bandeiras das nossas lutas.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Providência cautelar
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Por mais que insista em procurar estabelecer um rumo e uma cadência editorial, não consigo.
A periodicidade e a temática dos textos que aqui publico, continua pois a ser dominada pelos impulsos diversos a que estou sujeito.
Confesso que a figura abjecta que já me fez tirar do sério mais que uma vez, voltou à carga. (é Sexta-Feira e o Público dá-lhe guarida) Ignoro-o por agora, sem que antes me confronte com pensamentos no campo da genética e nos desgraçados efeitos desta - no caso em apreço - para as gentes de Beja (estes sabem do que falo) - Adiante.
Hoje estou mais na interrogativa.
Quem terá atribuído o direito a tanto gato pingado para falar do meu salário e propor-lhe cortes?
É verdade que o empregador é uma entidade pública, mas por o ser está acima da lei e pode-se dar ao luxo de não respeitar compromissos legais e regulamentares?
Ah e tal, agora não tenho dinheiro, vou ficar com o teu 13.º mês! Assim, sem mais nem ontem?!
Espero sinceramente que a assim acontecer, os Sindicatos saibam desenvolver as acções adequadas também no plano jurídico e accionem todos os mecanismos possíveis, nomeadamente recorrendo para os tribunais (nacionais e comunitários) por violação contratual.
Julgo mesmo que faria sentido accionar-se de imediato uma providência cautelar.
Não é o aconselhável perante a iminência da prática de um crime?
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terça-feira, 21 de setembro de 2010
Números redondos

Tanta crise, tanto número, tanta desfaçatez, tanta insensibilidade social, tanta grosseria…
Agora (envergonhados?) põem a falar das medidas que eles tomam, directores gerais e de institutos que falam de pessoas como se estivessem a falar de coisas e transformam cada beneficiário de uma determinada prestação social num miserável, corrupto, oportunista que vai ter que ir para a fila de abate provar que não é assim tanto e até tem uns laivozinhos de ser honesto.
Talvez…talvez e sendo assim, bem…temos que ser caridosos, não é?
Socialistas, hein?
Agora gabam-se de terem poupado tostões nos cortes canalhas que fizeram às prestações sociais … e vão cortar mais!
Anunciam baixas no preço dos medicamentos (em 6%) mas tudo indica que os mais usados vão aumentar de preço e os idosos carenciados vão passar a pagar sobre eles o que até agora não pagavam.
Porque aqui é usual dizermos: “é preciso ter lata”!
Perante todo este nevoeiro em que nos entretêm e nos exploram, procurei alguns indicadores pois hoje tudo nos é apresentado em percentagem ou em números tão redondos que redundam em redondo.
E assim fiquei a saber:
Os submarinos tridente custam qualquer coisa como mil milhões de euros. Brinquedos de almirante que ninguém questiona.
Mas questionam os 2,4 mil milhões de euros que parecem custar (no percurso em território nacional) a ligação TGV de Lisboa a Madrid. Será porque a mesma passa pelo Alentejo, tem uma estação em Évora e é um investimento que pode contribuir para o desenvolvimento desta região?
E calmas que estão agora as águas (aproveitando e dando sequência à questão dos submarinos), depois da patriótica intervenção do nosso 1.º Ministro em defesa dos interesses estratégicos da pátria economia - Negócio PT /Vivo / Telefónica - e quando vão entrar (onde?) 4 dos 7,5 mil milhões (o resto virá para o ano), quanto vai entrar nos cofres do Estado?
Se aplicado o IRC era expectável que entrassem 0,8 mil milhões (agora) e (0,7 mil milhões) para o ano.
Pois…, era expectável, mas a verdade é que não vai entrar um cêntimo.
Porquê? Ora porquê?! Porque… o que é preciso é combater os usos indevidos do RSI.
E acabar com o investimento público.
E acabar com o Estado Social.
E acabar com os serviços públicos (Escola, Serviço Nacional de Saúde…)
E acabar com essa mordomia que consiste na impossibilidade de alguém ser despedido sem justa causa.
Desde que se passe para lei a causa (e tão fácil que é) então passará a ser possível legalmente despedir por: “causas legalmente aceitáveis”.
Quem quiser saber a diferença entre justiça e lei tem aqui um bom exemplo.
Nós sabemos bem quão injustas são tantas leis…
Que texto mais redondo!!
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Desperdicios
Conhecemos sobejamente as receitas que os responsáveis da crise apresentam até à exaustão para combater a crise (que geraram, repito).
A mais badalada de entre todas é a de redução dos salários. O grande arauto desta medida em Portugal - O Sr. Governador de Coisa Nenhuma - difunde-a agora à escala europeia - vejam-se as «conclusões» ontem divulgadas do BCE de que agora é vice. Vicio.
Mas, salvo lapso de memória, não há notícia de que algum tenha proposto a eliminação do desperdício.
Talvez porque muito dele, seja correspondente a mordomias de que usufruem escandalosamente milhares de «dirigentes» da coisa pública.
Viaturas de serviço usadas e respectivos motoristas para fins particulares.
Telemóveis de serviço e colossais gastos de comunicação, que se usam mesmo em férias.
Representações e custos de utilidade duvidosa.
Tecnologias, mobiliário e inúmeros «gadgets» só para «marcar estatuto».
Edifícios - alguns, verdadeiros palácios - que são meros castelos de meros generais, que estão sub aproveitados ou mesmo abandonados e na mesma cidade, arrendamentos de milhares para albergar serviços.
Estruturas orgânicas feitas à medida dos interesses de alguns. Departamentos sem divisões. Divisões minuciosamente divididas.
Gastos ridículos - há serviços que imprimem diariamente o Diário da República electrónico.
Recrutamento de funcionários só porque o domínio do chefe A não pode ser inferior ao do chefe B.
Se há coisa que chefe gosta é de ter domínio sobre detentores de formação académica elevada. E contrata por isso um técnico superior para desempenhar tarefas de complexidade adequada para um assistente administrativo ou técnico
Deslocações em serviço, com o mesmo destino, de inúmeras viaturas que se cruzam nas estradas com lotação reduzida.
E um infindável campo de outros exemplos. E podem ser mais explícitos. Com factos, nomes e números. Assim queiram.
Combatam o desperdício e garantidamente eliminam o deficit.
Mas preferem continuar a insistir na diminuição dos salários.
E nós sabemos porquê.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Estrutura de custos

Com o calor que por aqui faz, sempre com a ideia na sesta, do jornal retenho só alguns títulos.
Sugestivos.
Acrescente-se.
Enigmáticos.
Também.
Mas acima de tudo: Ofensivos.
Anote-se:
“Aumento de receitas faz disparar lucros da Zon”
“Brasil e renováveis ajudam resultado recorde da EDP”.
“Melhoria na estrutura de custos beneficia Sonaecom”.
A que poderia acrescentar outros de dias recentes e que referem lucros fabulosos dos bancos.
E os 7 500 milhões pelos quais “vendemos” a “nossa” posição estratégica no mercado das telecomunicações.
E ofensivos porque ocorrem num contexto em que se retiram direitos sociais, em que cresce o desemprego, em que aumenta o IRS e em que cortam nos salários.
Em nome da crise. Que provadamente só afecta quem trabalha e quem menos tem.
Mas um dos títulos dá uma pista curiosa para os distraídos perceberem o significado de CRISE.
“Estrutura de custos beneficia…”
Claro, se nessa estrutura se diminuir o peso dos salários, se diminuírem as contrapartidas sociais, se for possível despedir os que tem direitos e substitui-los por quem desesperadamente procura uma ocupação e um rendimento, mesmo que miserável…
É para esta “diminuição da estrutura de custos” que muito contribui o discurso oficial, unânime, incontestável, da dita crise.