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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O nome das Coisas



“Com o devido respeito pela memória e pela obra de Sophia de Mello Breyner Andresen” – porque este título é título de uma obra sua.



Atribuir um nome a uma coisa pressupõe um conhecimento, mesmo que mínimo, sobre essa coisa. Não se dá nome à coisa se não há coisa ou, havendo, dela não tomámos ainda conhecimento.
Não sei se por força do meu marcante ateísmo (ou agnosticismo) – esta é outra discussão – dar um nome à coisa é baptizar. Calma – não comecem já – bem sei que este é um termo caro à Igreja Católica – uso-o portanto sobre empréstimo e com o sentido lato que lhe dou: acto solene de atribuição de nome à coisa.
Assim sendo, concluo que quem deu o nome – baptizou – a agora muito em voga “operação face oculta” sabia minimamente algo sobre a coisa, sabia que a coisa existia e que essa coisa teria uma face oculta. Será que saberia até mesmo, permitam-se a pequena especulação, a quem pertence a verdadeira face oculta?
A questão é saber, se nós chegaremos a saber um dia de quem é a face ou se só ficaremos a conhecer as faces dos farsantes (secundários).
À justiça o que é da justiça, não é?!.
Ainda sobre a atribuição de nomes, divulga a imprensa espanhola, revelações interessantes sobre o trio de ataque que se engalinhou nas Lajes para anunciar a matança no Iraque, sendo que uma delas se prende exactamente com o nome (e a escolha condizente do local) a atribuir à cimeira. Parece que Aznar se opôs a que a mesma fosse nas Bermudas porque o nome sugeria peças de roupa…
O nome tem que encaixar na coisa.
Lajes não sugere roupa. Pode é ter passado a sugerir mentira colossal e despudorada.

sábado, 31 de outubro de 2009

Faces ocultas até quando?

Confesso que o turbilhão de mal cheirosas notícias associadas à denominada operação “Face Oculta” alterou substancialmente o meu plano de inserção de post(s).
Interrogo-me desde logo sobre as consequências do nome da coisa… julgo que todos (quase, não é?) esperamos que acabe por ser uma operação face …exposta.
Face (s) expostas, crimes apurados e justiça feita… será?
A este propósito, o sapiente, o mestre, aquele a que, a todos nós concede – divinamente – o direito ao breve acesso ao seu bafo (livra) de pura sabedoria que dá pelo nome de VPV, esborratou no esborratado público de hoje: “Não sei se há rede ou não há rede. Só sei, como sabe, ou desconfio, a maioria dos portugueses, que o regime se tornou numa enorme rede de corrupção”.
Passo a desbarato a contradição (não sabe se há e logo de seguida afirma que há) assim como a presunção demonstrada (traço aliás que lhe é distintivo), preocupa-me isso sim que (perante a generalizada condenação da corrupção) se aloje um claro minar do regime democrático.
Tão perniciosa é para a democracia a corrupção, como é a propagação da ideia de que ela – a democracia – é propiciadora dessa corrupção.