Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

PARADOXOS

Vivemos no tempo dos paradoxos

Paradoxos da liberdade

Aparentemente é verdade que somos livres, no entanto quase todas as atitudes que tomamos enquanto homens «pretensamente» livres contradizem a lógica dessa afirmação.

Julgamos-nos homens livres mas agimos segundo a formatação que nos é feita pelos nossos opressores.

São eles que nos determinam formas de agir e pensar. São eles que formatam a nossa liberdade.

E eles não são uma coisa abstracta, são gente palpável, que se nos apresentam de bons modos e por vezes, em determinadas situações, até apelam ao nosso sentido de liberdade… para que, livremente… os escolhamos para «gerir» a nossa liberdade.

Paradoxos da informação

Dispomos de uma plêiade de meios, através dos quais circula e temos acesso à informação.

Minutos depois de um terramoto numa qualquer remota região a milhares de quilómetros do local onde nos encontramos e já estamos a visionar imagens das desgraças entretanto causadas.

Acompanhamos os motins de Londres em direto e sabemos dos avanços dos rebeldes Líbios quase com a mesma cadência com que a NATO manda bombas sobre Trípoli.

Mas paradoxalmente, vemos e opinamos da mesma forma que o pivot do telejornal que por sua vez opina da mesma forma que opina o porta voz da NATO ou de Cameron.

Paradoxos da tecnologia

Os telemóveis servem para telefonar, para agendar, para lembrar, despertar, localizar, os aviões varrem os ares, às televisões só falta servirem para estrelar ovos, os automóveis falam e leem sinais de trânsito, os gps encontram tudo (ou quase) e no entanto, sabemos de noticias de telemóveis que explodem nas mãos dos utilizadores, de aviões que se estatelam ou simplesmente desaparecem, de televisões que perdem inexplicavelmente o pio, das mortandades provocadas pelos automóveis e de guerras que se pensam ter ganho graças aos gps.

Sabemos até de casos em que indivíduos que se anunciam terem sido mortos ontem se anuncia terem sido presos hoje (e que logo de seguida fogem) e de quartéis generais (últimos redutos de resistência) bombardeados até não ficar pedra sobre pedra e nos quais não estava nem sequer um soldado raso, quanto mais os generais.

E que dizer de gigantescos complexos subterrâneos que os gps e os poderosos satélites não descobrem, mas que se sabe que existem?

Paradoxos da economia

Para além de todo o conjunto de paradoxos que se expressam na constatação da metamorfose da economia num dramático jogo financeiro, assistimos incrédulos à tomada de posições por parte de multimilionários que imploram verem os seus impostos aumentados e se queixam de serem demasiado mimados pelos governos (os seus governos) e ao mesmo tempo assistimos ao silencio cúmplice e cobarde destes (os governos dos multimilionários) enquanto cortam nos subsídios de inserção dos mais desprotegidos, nos abonos de família, nos cuidados médicos e nos salários.

Paradoxos do «espojinho»

Quando era suposto, por força da pouca produtividade, registar uma quebra no número de visitantes e (eventualmente) leitores dos escritos que aqui se vão anichando, regista-se ao invés, um crescimento.

Talvez não seja tão paradoxo como parece, ao fim e ao cabo, talvez queiram mesmo certificar-se que o escriba não escrebeu mesmo mais nada…

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O que estão a encenar em Londres?


A questão é obviamente referente aos confusos e mal explicados acontecimentos, que nos últimos quatro dias têm assombrado Londres e inquietado o mundo e não mera curiosidade sobre a programação de qualquer um dos imensos teatros que me dizem Londres ter.

Aqui, à distância e tendo por dado unicamente a informação secundária expressa pelos media, as coisas tendem a não encaixar.
Vêem-se bandos organizados a vandalizar tudo à sua passagem, casas e carros incendiados e a policia quase que indiferente.
Há mesmo uma imagem em que um desses «amotinados» leva uma vergastada de um policia, cai desamparado e por pouco não vimos o mesmo polícia dar-lhe a mão para o ajudar a levantar, mas vimos que logo que se levanta, ensaia um bailado pseudo marcial e eis que seis policias (1 já referido e mais 5 que o acompanhavam) recuam, temerosos.
E a malta quase que grita: aí benjamim, grande herói.
Os bandos são compostos por cem , cento e cinquenta indivíduos, dizem-nos, e os bandos de policias, em pose com mãos atrás das costas são bem mais numerosos e ao todo perto de 16 mil.
Se a polícia, de um país policia do mundo, não é capaz de travar acções de algumas centenas de miúdos de 13 anos (como não se cansam de nos dizer) então o que há a esperar do futuro?
Temo já, aflito, pela segurança de sua majestade e de todos os majestosinhos (ou mastuncinhos?)
Julgo mesmo que o COI deveria desde já encontrar alternativa para os Jogos de 2012, talvez no Afeganistão, digo eu.
E é até mesmo de supor que os taliban já estejam em Londres a recrutar estes «putos».
Não fosse a coisa séria e poderia ser tentado a dar continuidade à brincadeira, mas a verdade é que é muito preocupante e sabendo nós que esta mesma policia, há bem poucos dias, foi bem capaz e eficaz a reprimir com violência desmedida protestos sociais ordeiros e de justas reivindicações.
O que também é verdade, é que os amigos ingleses, do assassino norueguês, puseram as garras de fora e preparam-se para dar azo aos seus intentos fascizóides.
O que é verdade é que já vimos políticos de meia leca de vassoura em punho, preparados para varrer o que não é difícil supor o que consideram lixo (tão asseadinhos que são os porcos…).
O que também é verdade é que, dizia hoje um chefe de polícia, existem milhares de imagens televisivas para visionar e consequentemente centenas ou milhares para deportar.
Bela oportunidade para se verem livres do que não gostam, agora que já usaram.
Os ingleses são mestres nestas artes.
E são muitas mais as interrogações que me assaltam.
Reparem que a primeira coisa que vão berrando os que fazem o mal e a escaramuça é que o multiculturalismo falhou.
Fazem-no Cameron, Merkel, Sarkozy e respectivas damas de honor.
Querem voltar às tribos.

O que querem mesmo os que permitiram o que está a acontecer em Londres?
Coisa boa não é.
Quem ainda consegue pensar, sabe a resposta.
(É que vem sempre à memória Marx e o seu «18 de Brumário de Louis Bonaparte»)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Alentejanices

Li há dias, em sitio que agora não consigo precisar, noticia sobre a realização do 1.º Congresso do Baixo Alentejo.
Aí rezava que este ía ter lugar, em data próxima, em Odemira segundo creio.

Não me admirará que a este se sigam os congressos do alentejo litoral, central, do norte, raiano e qualquer outra encenação geográfica que alguns lhes julguem útil.
Estou ainda em crer que a própria anedotaria sofrerá, em consequência, uma profunda reformulação, ou seja, em vez do useiro começo . «sabes aquela do alentejano…?» se passará a usar: «sabes aquela do baixo alentejano…?» ou: «sabes aquela do alentejano do norte…?».
Já conhecíamos a tendência para este tipo de «geografismos» por força da nomenclatura do INE, ao terem sido criados por este Instituto Público, os conceitos de Alentejo Central, Baixo Alentejo, Alto Alentejo, Alentejo Litoral, a que acrescentaram a pérola, Lezíria do Tejo.
Foi assim que as gentes das campinas Ribatejanas, com base num clique, passaram a ser alentejanos.
Paradoxos dos tempos, os homens e mulheres de Rio Maior, são agora alentejanos e paradoxos de lugar, os morenses e souselenses andam frequentemente aos pulinhos entre o central e o alto.
A inclusão destes territórios além tejo (para os que estão aqui a sul dele) parece ter fundamento no PIB. (e desta discussão andamos servidos).
Já as outras mexidas internas, julgo encontrarem fundamento naquilo que se poderá integrar na sigla: TASSDT - Tenho Aspirações a Ser Senhor Deste Território.
Descontada a ironia, a verdade é que os argumentos (‘) que vão sendo conhecidos, se inserem em estratégias de nichos partidários onde se alojam ambições pessoais desmedidas.
O Alentejo que vem de Niza e vai até Odemira e que abarca a planície, as serras, os rios, o mar e que é vizinho de espanhóis e acena na lezíria a ribatejanos e se cruza com algarvios nos enrodilhados caminhos do Caldeirão, é uno e indivisível.
Condicionar e procurar fragmentar a identidade de um povo por força de complexos sobre onde vai ficar a capital com base no cavernoso argumento que não se quer um novo terreiro do paço na praça do giraldo é de uma grande baixeza e só procura camuflar outras reais intenções de ambições desmedidas.
É que o tempo em que havia capitais de tudo, desde a farinheira ao caracol, já lá vai.
Discutamos regionalização e integremos nessa discussão a imperiosidade de podermos definir o rumo político de tudo aquilo que à região diga respeito.
A possibilidade de os nossos representantes serem por nós (mal ou bem) eleitos e não serem os directores regionais escolhidos.
E não venham outros com o fantasma dos custos. Os custos já existem. A legitimidade de quem os autoriza é que é duvidosa.

O Alentejo pode até ser terra de gente gorda, não queremos é que seja terra de gente «baixa».

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

É a crise

A coisa pública

Com base e enquadramento na onda geral de discursos de diverso tipo, em torno ou tendo por base a CRISE, várias consequências, digamos, colaterais, vão surgindo e assumindo dinâmicas, sem que sobre elas se trave, o necessário debate .
Assim é com o BPN. Em que pagamos e nada sabemos. E em nada fomos ouvidos.
Assim é com as PPP - Parcerias Público Privadas. Sem que, na maior parte das vezes saibamos sequer quem são os ditos «parceiros».
Assim é com o déficit. Porque há déficit? Quem autorizou mais despesa do que a que estava orçamentada? Quem inflacionou as receitas para poder fazer despesas para as quais sabia não ter condições?
E colateralmente, digamos assim desta forma «moderna», aumenta a desigualdade na repartição dos rendimentos com óbvio prejuízo para os trabalhadores. Reduzem-se direitos e espezinham-se garantias. Aumentam-se impostos, estagnam-se salários. Aumentam-se os transportes públicos e reduzem-se ou mesmo eliminam-se contribuições sociais. Aumenta-se o desemprego e facilitam-se os despedimentos.

Enfim… é a crise.

Mas o objectivo deste texto, não é chover mais no molhado (até porque parece que muitos gostam de andar enlameados) mas colocar uma questão de ordem local:

Por causa da crise, suspende-se o TGV (até mesmo a linha Poceirão - Caia) com passagem e estação em Évora.
Por causa da crise, suspende-se a conclusão do Projecto de Alqueva, aqui no Alentejo.

E parece construir-se uma unanimidade de aceitações para tais factos (como para os outros): é a crise.
Não podemos dar-nos a tais «luxos», arrematam.
Mas duas questões (para facilitar) me intrigam:

Porque não questionaram (com a mesma unanimidade opinativa e com base no mesmo argumento - ou seja, a crise) os 2,4 mil milhões que se esfumaram no BPN (creio que esta verba - somados os outros 2,6 mil milhões que agora se deixou de referir - é (seria) suficiente para construir o TGV e concluir Alqueva)?
Se estivéssemos a falar da ligação TGV Aveiro - Salamanca, ou Lisboa - Porto ou de qualquer outro investimento na Madeira, teríamos a mesma unanimidade de pensamento por parte dos opinólogos de serviço?

Mas é do Alentejo que falamos não é?!.

Pois é… e todos (quase) continuamos muito apostadinhos em partilhar dos unanimismos balofos, das soluções más mas as únicas possíveis, em não gastar tempo a interrogar porque isso dá trabalho, em mandar umas atordoadas tipo «eles são todos a mesma …» a pagar os impostos e não interrogar a que se destinam.
Entregamos sem pestanejar a gestão da coisa pública, aos corredores que melhor nos posicionam para o efeito e estes depois fazem dela coisa sua e dos seus.

É a crise.

E… «cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas».

quinta-feira, 7 de julho de 2011

PROPORCIONALIDADES DESPROPORCIONADAS

Informação prévia:

O «espojinho» atravessou nestes dias, o período mais longo de inactividade desde o seu aparecimento. Aos amigos que me acompanham , devo uma explicação, mas não a tenho. Talvez porque cheira a férias, talvez por desalento com o sentido de voto de tantos que sendo tão vítimas quanto eu optaram por votar nos carrascos, talvez á procura de um rumo…
Talvez.
Mas caminhar é uma luta constante contra o cansaço e por vezes este julga que ganhou a batalha…
Adiante pois porque o caminho é para percorrer.

Proporcionalidades desproporcionadas.

Não tenho a menor intenção de questionar a legalidade do «sistema» mas a mesma garantia não posso dar sobre a sua legitimidade.
Habituámo-nos a citar Churchil, a enaltecer as qualidades do método de atribuição dos mandatos (Hondt), a aceitar polidamente distorções de representatividade e tendo sido assim e há tanto tempo que assim é, que não questionamos e quando alguns o fazem, surgem logo argumentos contrários de todo o tipo e estranhamente, de sítios impensáveis.
Mas porque agora andam por aí uns «papões» falando em nome do povo e enchendo o peito sob o peso da ampla maioria, decidi abordar o assunto e para tal necessitarei de mais que um «post».
A ampla maioria de que falam representa pouco mais de 50 % de 58% dos eleitores.
Mais de quatro milhões de portugueses não podem aqui ser contabilizados.
A ampla maioria representa aproximadamente 25%, um em cada quatro dos cidadãos eleitores.
Legal? Obviamente. Mas não fica mal precisarmos o dado.
Artificializando círculos - quando se recusam regiões - obtêm-se preciosas distorções.
Chamando nulos a votos que são votos activos também damos um contributo - Cavaco Silva livrou-se de uma 2ª volta (em que as coisa lhe poderiam correr mal) graça aos votos nulos.
No quadro* seguinte, parto das premissas seguintes:
+Só existência de um circulo no contexto nacional;
+Contabilização de votos brancos e nulos para atribuição de mandatos (obviamente, para o caso, não mandatos - ou seja, os mandatos que resultam destes votos, não serão preenchidos por ninguém);
+Os restos, ou sejam os votos em partidos que não conseguem mandatos não serão aproveitados por ninguém.
Da hipotética situação resultante, fica claro que os 230 mandatos não serão totalmente atribuídos, mas também fica claro que a % de mandatos de cada um, corresponde à % de votos de cada um.

PSD obtém 38,65% dos votos, que se traduzem em 108 mandatos, ou seja a 46,96% destes.
Uma proporcionalidade não desproporcionada, corresponderia a 89 mandatos.

PSD obtém 28,06% dos votos, que se traduzem em 74 mandatos, ou seja a 32,17% destes.
… corresponderia a 65 mandatos.

CDS obtém 11,7% dos votos, que se traduzem em 24 mandatos, ou seja a 46,96% destes.
… corresponderia a 27 mandatos.

PCP / CDU obtém 7,91% dos votos, que se traduzem em 16 mandatos, ou seja a 6,96% destes.
…corresponderia a 18 mandatos.

BE obtém 5,17% dos votos, que se traduzem em 8 mandatos, ou seja a 3,48% destes.
… corresponderia a 12 mandatos.

MRPP obtém 1,12% dos votos, que se traduzem em 0 mandatos, ou seja a 0% destes.
… corresponderia a 3 mandatos.

PAN obtém 1,04% dos votos, que se traduzem em 0 mandatos, ou seja a 0% destes.
…corresponderia a 2 mandatos.

MPT obtém 0,41% dos votos, que se traduzem em 0 mandatos, ou seja a 0% destes.
Uma proporcionalidade não desproporcionada, corresponderia a 1 mandato.
Teríamos assim um Parlamento com 217 mandatos (-13 do que o legalmente estabelecido) e muito mais representativo daquilo que foi a expressão do voto.
O não preenchimento de 13 lugares corresponderia de igual forma a esse sentido de voto na medida que resulta da soma de votos nulos, brancos e de votos em partidos que não conseguem eleger mandatos. Não parece legítima (embora seja legal) a apropriação por outros destes mandatos
Não se distorcia a maioria de mandatos no Parlamento que PSD e CDS obtiveram nas urnas.
O Parlamento teria uma representatividade mais próxima da realidade sociológica.
Respeitar-se-ia (nos planos formal e ético) o sentido de voto dos que optam por dar um sentido «nulo» aos seus votos.

Sabemos no entanto que pretendem , PSD e CDS, namorando já nesse sentido o aplicador de passadeiras (PS), proceder a alterações à Lei Eleitoral.
Mais distorções à representatividade são de esperar.
Para eles, a democracia é aquela coisa formal e chata através da qual «legalizam» os seus mandatos.

Nota*. Por problemas técnicos e incapacidades próprias tive que reformular este «post» e passar para texto o que era tabela.
Vou procurar resolver estas dificuldades mesmo que tal implique a eventual alteração de morada do «espojinho». Vou ver…

segunda-feira, 20 de junho de 2011

V(M)IRAGEM

Volto ao assunto
Insistem alguns, que virámos à direita a 5 de Junho e, aduzem em favor dessa tese que basta ver a composição da Assembleia em que a maioria dos seus mandatos é de partidos de direita (do PSD e do CDS).
Olhando por este prisma, nada mais haveria a dizer .
Mas a questão é uma alegada viragem à direita do sentido de voto dos eleitores portugueses e aí sou de opinião que outros factores têm de ser ponderados.
Primeiro, o que já tinha afirmado: ter-se verificado um êxito não desprezível da estratégia da direita de esvaziar de conteúdo os conceitos. (São inúmeros os exemplos e o caso Fernando Nobre não é inocente e não é tiro no pé).
Segundo, porque a ter-se verificado um movimento com essas características, estaríamos na presença de um rodopio em torno da direita e não de uma viragem, ou seja não se vira para onde se está.
Terceiro, sou de opinião que a vitória do PSD é mais a expressão da vontade «quase obsessiva » de uma massa muito grande de eleitorado de se livrar de Sócrates e entender que a melhor forma era votando PSD.
Quarto, não me apetece segurar no arquinho do Sr. Portas (salvo seja) e não o considero um vencedor.
Quinto, com esta argumentação simplificada da viragem à direita estamos a contribuir muito significativamente para a estratégia do PS que agora aposta tudo para se assumir como partido de esquerda, melhor, como sendo a própria esquerda.
Por mim, não estou disponível para branqueamentos.
Adiante.
Pretendo em breve abordar a questão da representatividade do voto e das distorções à proporcionalidade e dessa forma dar mais um contributo, assim julgo, em favor da tese que defendo.
Por agora, sigo expectante o desabrochar de inúmeros movimentos espontâneos de protesto social que ocorrem um pouco por todo o lado. Grécia; Espanha, por aqui, em Itália, para falarmos só do nosso cantinho europeu.
E regozijo-me por verificar a solidez analítica dos porta vozes que confronto com a total incapacidade dos dirigentes das democracias formais (formatadas) em perceber o que está a acontecer.
E se um dia os policias se cansam e percebem que mesmo tendo o emprego em risco não é possível mais não passar para o lado certo das barricadas?
A democracia é também participação sabiam?

A este propósito:
Sabia Sr. Presidente?

Após o Sr. Presidente ter afirmado que os que não votassem não tinham o direito a criticar - coisa absurda - pensei em escrever a SE, mas desisti da ideia por não gostar de perder tempo. No entanto, deixo aqui duas ideias principais que havia pensado em lhe transmitir:
_ Queria solicitar-lhe, muito respeitosamente que não se intitulasse presidente de todos os portugueses, mas que se limitasse à condição (honrosa) de Presidente da República Portuguesa.
_E, lembrar-lhe que mais de metade dos portugueses não votaram nele (não votaram em ninguém) e que por esse facto ninguém tem o direito de lhes diminuir os direitos da sua cidadania).

A bem da nação (democrática)

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Patrão

A crise tem as costas largas e grandes coberturas.
De tal ordem que ninguém se atreve a questionar a própria coisa, ou seja o que é a crise, quais as suas causas e quem são os seus responsáveis?
Da Islândia chega-nos (encapotada) a noticia de que o ex - primeiro -ministro responde em tribunal pelo crime de má gestão da coisa pública.
Em Portugal, os responsáveis passam a gestores de excelência excelentemente pagos ou pela coisa pública ou pelas coisas privadas beneficiárias da coisa pública.
Mas são tão largas as costas da crise que por causa dela e com ela se abocanham direitos e se questiona a própria democracia.
Abespinham-se alguns porque são muito elevados os custos com o funcionamento das instituições democráticas. Proclamam que há municípios e freguesias a mais, deputados a mais, ministérios a mais e tudo o mais, principalmente quando o mais é o resultado da(mesmo que distorcida) representatividade popular.
Belmiro o patrão diz que 100 deputados chegavam. Julgo mesmo que com 2 ele resolveria o problema. Um do PSD, outro do CDS e ele seria o Presidente. Vitalício, para evitar chatices. Em caso de empate ou de desempate ele desempataria.
Muitos dos que acham excessivos os custos com as instituições democráticas, achariam adequados os custos com o funcionamento dos organismos de controlo próprios dos regimes antidemocráticos, como por exemplo policia politica, corpos policiais e paramilitares de repressão, cadeias, informadores e muitos outros.
Belmiro anda exuberante. Fala ao país antes do escolhido (por si e ratificado pelos outros). E publicamente traça orientações.
Imagino as que traça em privado.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Dinâmicas dos sentidos de voto

Teimam muitos, por vezes mesmo sob pretensa cobertura académica, em procurar interpretar resultados eleitorais, consubstanciando as apreciações a imaginadas transferências de sentidos de voto - à boa maneira das transferências em futebol.
Dizem agora, que o voto virou à direita. E pronto.
Ora se PSD e CDS tiveram mais votos que PS; CDU e BE, logo…
Antes, votantes do BE e do PS, votaram agora PSD ou CDS, afirmam.
Não têm o mais elementar indicador lógico de que tal se tenha processado assim. Mas afirmam.
Não questionam.
Por exemplo:
Estratégia de esvaziamento de sentido à dicotomia esquerda, direita:
Sabemos que PSD e CDS se esforçaram por esvaziar conteúdos ideológicos e transmitir a ideia que Esquerda e Direita eram artificialismos e que as questões com que Portugal se defrontava eram bem mais importantes do que «esta pequena questão».
Recordemos que o PSD se esganiçou para fazer passar esta mensagem e para afirmar a sua «vertente» social democrata. Acrescentemos-lhe o facto de Portas ter passeado cravo vermelho na lapela. Concentremo-nos ainda no facto de que ambos fizeram passar a ideia de que o importante era derrubar Sócrates (insinuando que poderiam participar num futuro governo até com outros - desde que não com Sócrates..
E interroguemo-nos: Não terá tido êxito esta estratégia?
E se sim, é legítimo concluir que os que se deixaram arrastar para ela, consubstanciaram uma «viragem à direita»?

Dinâmicas de sentidos de voto
Pode alguém afirmar com rigor qual o trajecto do sentido de voto mais verificado entre os eleitores?
Do PS para o PSD? Do BE para o PS, Do PS para a abstenção; do PSD para o CDS, Da abstenção para o PSD? Da CDU para o PS? Do PS para a CDU?
O único dado que parece ser objectivamente quantificado é o que se traduz no voto contra Sócrates.
E o voto contra Sócrates pode ser enquadrado no sentido de viragem à direita que alguns analistas, comentadores e dirigentes partidários agora parecem identificar?
Agora, ninguém parece afirmar que o que aconteceu foi a dura penalização do Governo de Sócrates e da política de direita que sempre seguiu.
E Sócrates até sai de mãos lavadas.
Ele bem tentou evitar esta «viragem à direita»…

Podem outros subestimar a importância de uma análise objectiva a estes factores. Por mim e cuidando-me com uma ensinamento do menino Carlinhos (quando este afirma que o que é preciso é publicidade…) atormenta-me a ideia que vamos sedimentando na direita de que o eleitorado votou à direita.
Portas, esperto como é, já fala em alterar a lei do aborto, facilitar os despedimentos - incluindo na FP - alterar a Constituição?

Vamos continuar a alimentar-lhe o seu egozinho?
Se com três deputados a mais ele parece ter ganho o país…(o sol, a lua e tudo o mais)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Pois, pois, jota belmiro

Tal como suspeitava e temia, eles aí estão. Impantes.
Presidente, maioria, governo, troika.
Nem em sonhos o outro sonhou tanto.
E estão porque alguém lhes abriu as portas e porque muitos, contra natura, assim o quiseram.
Agora vamos ter tempo para saber o que contêm todas as versões do pacto de rendição.
Vamos saber o que vamos acrescentar aos cortes salariais.
Vamos saber quantos mais de nós iremos para o desemprego.
Vamos tomar ainda mais consciência de que é necessário pôr duas embalagens de leite, em vez de uma, nos carrinhos do banco alimentar.
Vamo-nos render à caridadezinha depois de vermos destruído o estado social.
E vamos ver socialistas ferrenhos socratianos até ontem, dizerem mal de sócrates e defender «uma viragem à esquerda». (são sempre de esquerda os socialistas quando são empurrados para fora da esfera do poder).
E vamos ver muitos votantes chorar baba e ranho amaldiçoando os seus pecados (que logo em outra oportunidade estão dispostos a voltar a cometer).
E vamos ver a continuação do filme trágico que temos visto temendo pelo seu epílogo.
Os grandes e gananciosos senhores conseguiram que as vitimas das suas ganancias votassem nos rapazes que eles escolheram para mandar.
E eles vão mandar neles.
E nós vamos contribuir para a renovação das frotas de ferraris e de iates.
E tantos que entre nós, deram o seu voto e até a sua alegria e palmas para que assim fosse.
Devem-se ter imaginado «grandes» juntando os seus votos aos votos dos «grandes».
Agora
AGUENTEM (os)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Notas de campanha

Soltas e (creio)que únicas


Preparação
Passos Coelho atirando no sitio do pé onde já tinha um buraco provocado pelo último tiro, vem colocar na ordem do dia a necessidade da nomeação de um comissário para negociar com a troika de lá. Paralelamente assistimos incrédulos à defesa por parte da oligarquia europeia da ideia de entregar a uma agência privada a gestão das privatizações e a própria cobrança de impostos na Grécia.
Complementarmente Passos grita que está preparado para cumprir o acordo assinado entre as troikas (de cá e de lá). Considero oportuna uma pequena correcção: ele não está preparado ele foi preparado para tal.
Está ainda preparado para, distraindo os que parecem gostar de andar distraídos, ver ratificada a sua escolha e assumir ele próprio as funções de comissário da troika (de lá).
Para lixar os de cá - não tenham dúvidas.

Duelo
Num país com gente tão atenta às mundanices televisivas e similares é incrível que não se repare no duelo televisivo entre Sócrates e Passos. Hoje afirmo eu depois tu comentas, amanhã comento eu o que tu disseres. E nada dizem.
Porque assinaram, eles são duas das peças da troika de cá.

A terceira peça.
E que peça…
Esturra o dinheiro dos contribuintes em dispensáveis submarinos e nada tem a ver com o assunto.
Participa nos governos e nada tem a ver com eles.
Assina a capitulação (com as outras duas peças) e não tem nada a ver com o assunto.
Ele não ofende. De ele, não vêm insultos, ele é um apóstolo eugenizado.
Ele não é de esquerda, nem de direita…
Como são perigosos os homens de direita que se dizem nem de esquerda nem de direita…
Saberão do que falo muitas das cabeças pensantes que se deixam ir nesta cantiga?
Não creio. Infelizmente.

O futuro
Começa às 20,00 de domingo.
Aí começaremos a saber em pormenores angustiantes o que nos espera.
Até lá, a troika de cá (para os que teimam em andar distraídos, reforço: PS; PSD e CDS) tudo farão (se for necessário, fazem o pino - a cola da peruca é de boa qualidade - ou põem cravo vermelho na lapela) para que os portugueses se distraiam e não conheçam o que eles conhecem e assinaram.
E que distraídos eles parecem andar…os portugueses.

Convite
A todos os que vieram a Évora ao comicio de Sócrates, vindos dos lados de Lisboa, emigrantes paquistaneses, indianos e africanos e a todos os outros, quero deixar um convite muito sincero: visitem Évora, por vossa iniativa. Vão ver uma cidade linda, acolhedora e que recebe bem todos os povos do mundo.
Verão que a Praça do Giraldo é majestosa sem aquela amontoado de ferros e tubos.
Verão ainda que há nela uma fonte, onde nos juntamos aos fins de tarde. Reparararm nela?
Verão uma Praça de gente e não reconhecerão a praça cenário de 20000 euros construida e preenchida por vós.


Um apelo
Para todos os que teimam em se distrair.
Para todos os que não querem «chatices» e andam aqui como marias que vão com todos.
Para todos os que cómoda e cobardemente insistem em dizer «eu quero lá saber… eles são todos a mesma coisa…»
Para todos eles, eu faço um apelo: Não me moam.
Não venham na segunda feira chorar lágrimas de crocodilo.
Já não há pachorra para aturar a vossa irresponsabilidade.

domingo, 29 de maio de 2011

Pirâmides de Barcelona

Em plena praça da Catalunha, tal como nas Puertas del Sol ou no lisboeta Rossio, acampam sob improvisados abrigos, esperanças e desejos de uma vida melhor e mais digna, caldeadas em anos de desprezo.
Constroi-se naquelas praças e em tantas outras praças e ruas do mundo, um nesgo, uma pequena abertura, por onde se quer chegar ao futuro.
Nós, que de há muito, fazemos das nossas vidas, uma jornada constante pela liberdade e pela dignidade, sentimo-nos encorajados e tantas vezes tentados em juntar-mo-nos a vós, nestas acampadas de esperança.
Em Barcelona -para nos situarmos aí – erguem-se novas pirâmides, em muito semelhantes às que se ergueram na Praça Thair. Só que no Egipto, por razões que sabemos, denominaram (com todas as imprecisões ocidentais), as lutas aí travadas, sob o a poética designação de primavera árabe .
Em Barcelona, os mesmos que hipocritamente apelidavam a luta dos outros, sob tão poética designação, carregam ou mandam carregar à bastonada sobre os jovens construtores das brechas de esperança.
Cada bastonada dada na Praça da Catalunha, são bastonadas nas Puertas del Sol, no Rossio e em toda a parte onde tantos se levantam procurando prescrutar o futuro.
Nesta simbologia a que associo o texto, está muito presente Vitor Mora e os Plátanos de Barcelona. Continuam por aí e por aqui, muitos Francos. Com outros trajes, mas sempre trágicos.
Vamos continuar a resistir.
Vamos em conjunto procurar que as brechas de esperança se transformem em Alamedas de Liberdade.
Pessoalmente não estou muito esperançado, mas por aqui, já a 5 de Junho, podíamos (se quizessemos) abrir um grande rombo nesta estúpida muralha que nos veda o futuro.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Talvez

Talvez

Talvez porque espojinhos de outras dimensões têm assolado estes sítios, ribombando nos céus enfaíscados …
Talvez porque parei expectante olhar e atenções nas Puertas del Sol e em outras praças de Espanha…
Talvez porque atónito verifiquei que os construtores do inferno nos prometem de novo édens deslumbrantes …
Talvez porque tenha alimentado a vaga esperança de ver a guerra calada contra o povo libio ser finalmente denunciada…
Talvez porque acreditasse no amor…
Talvez… e por isso, parei.
Mas parar não parece solução.
Porque…
Podem ribombar de novo os céus.
Podem continuar o jogo das ilusões, encenando.
Podem ter quem vos bata palmas e encha os vossos cenários em troca de nada ou coisa nenhuma.
Podem até ter os votos…
Podem até brindar com champanhe a nossa derrota.
Mas tomem atenção.
São cada vez mais os que já não vos suportam mais.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Amigos

...ou Friends
(amigos em Alemão segundo a ajuda do Google)
…e também em Inglês (técnico)


Contam-me que numa aldeia sita algures neste imenso Alentejo existiu em tempos não muito longínquos um homem muito rico e muito bondoso.
Estava sempre disposto a ajudar os seus amigos.
Rendeiros, seareiros, pequenos agricultores em dificuldade para pagar as rendas encontravam a porta da sua modesta residência sempre aberta.
Claro que essa amizade tinha um pequeno custo…tão pequeno que a maior parte dos ajudados, passados poucos meses da ajuda, perdiam para o amigo, as terras, as searas e os gados.
Custos de se ter amigos agiotas…
Lembrei-me destes episódios (dolorosamente bem reais) a propósito da «ajuda» a Portugal que vários países «amigos» generosamente nos estão a conceder.
Uma das personagens irritantemente mais interveniente neste processo de «ajuda» é a senhora alemã. Em nome da «ajuda» lança frequentemente «bitates» sobre nós e sobre a forma como ela considera que nos devíamos comportar.
Agora afirmou que temos férias a mais e nos reformamos demasiado cedo. Basta um pequeno exercício de comparação para verificarmos que também aqui está a faltar à verdade, mas seria oportuno que alguém a questionasse no sentido de ela aprofundar o seu exercício comparativo ou que simplesmente a mandasse calar a boca sempre que mete o feio nariz (devidamente enquadrado) em assuntos que são da única competência dos portugueses.
Mas sobre a «ajuda»:
Sabe esta senhora tão bem (melhor) como nós o quanto vai arrecadar com ela.
Pela «ajuda» Portugal vai pagar 30 mil milhões de euros, 4,1 mil milhões por ano. O triplo dos custos com o Serviço Nacional de Saúde.
Sendo a Alemanha, um dos principais «ajudantes», será com certeza um dos principais arrebatadores.
Se não houver dinheiro para a saúde, para as pensões, para as prestações sociais…paciência.
Custos de ter amigos agiotas…
Mas pior ainda é ter os culpados por tudo isto a aparecerem agora como vítimas.
Sócrates não tem culpa. A culpa é da crise e dos outros.
Passos não tem culpa. Votou todos os PEC (s) e só não votou o último porque estava com pressa.
Portas. O apóstolo que comprou (e gora pagamos nós) ferro velho imersível (ou nem sequer) por milhares de milhão também não tem culpa.
É usual por aqui e perante situações semelhantes dizer-se que a culpa morre solteira, mas para o caso parece fazer mais sentido dizer-se que morre viúva.
A senhora alemã tem aqui um bom trio de compinchas.
Custos de se ter amigos agiotas...

terça-feira, 17 de maio de 2011

ÓPIO DO POVO

Hoje, talvez Marx hesitasse entre Religião e Televisão, para a definição de ópio do povo.

Se continua a ser verdade - e de que maneira - que a religião (qualquer uma), continua a desempenhar importante papel nos processos de alienação, não é menos verdade e menos dinâmico esse mesmo papel, desempenhado pela televisão.
A caixa que mudou o mundo, mudou-o à sua imagem e colocou o mundo na caixa.
Intelectuais de toda a espécie, onde proliferam os que se armam aos cucos, deleitam-se com as suas grandes tiradas sobre o papel da televisão no mundo actual, gostando muito de concluir que esta, só o reflecte e proporciona o que este quer, ou seja, a televisão é medíocre porque o povo é medíocre.
E nesse processo medíocre tem crescido a mediocridade ao ponto de hoje atingir níveis em que a adjectivação pode ganhar contornos grosseiros.
Tudo em televisão (e não tenho, propositadamente, o cuidado de dizer quase tudo) é banal, grosseiro e alienante., desde o entretenimento à informação.
Esta última, nem sequer é actual. Um facto, tratado pelos jornais, é depois encenado para televisão, dois, três dias depois. Ganha então e só então, a real dimensão de facto: «deu na televisão» comenta-se no outro dia no café da esquina.
Instalam, dentro da caixa e sob pretexto de informar, um conjunto de jarrões especialistas nas mais diversas áreas - comentadores, comendadores, professores, politólogos, ECONOMISTAS (Com destaque de maiúsculas, porque, os outros - os que são de facto - denominam-se de Economistas) e muitos outros istas que dizem todos o mesmo num jogo divertido em que até parece que se contradizem.
É incrível verificar que estes cujos, passam mais tempo a analisar e comentar os factos do que o tempo de ocorrência dos próprios factos. Exemplos perfeitos destas aberrações, são os comentários de horas a um jogo que dura noventa minutos ou agora, muito actual, os comentários aos debates entre candidatos às próximas eleições.
A televisão é pois um instrumento maldito.
Seríamos hoje mais livre sem ela.
Assim quase como um despropósito a propósito lembro-me de uma história que me contaram e que se passou algures por aqui. Conta-se que, um homem já bem vergado pelo peso da idade e farto de ouvir um determinado individuo a «pregar» frequentemente na televisão, foi à arrecadação, trouxe a caçadeira e zás… pregou um tiro na televisão «aqui não pregas mais» tê-lo-ão ouvido dizer os familiares que acorreram atónitos e em pânico.
Fôssemos nós capazes de fazer, se não o mesmo, pelo menos algo semelhante…
Abaixo a televisão.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

VOTO ÚTIL

Não sei se teria algum sucesso comercial mas sinto cada vez mais a necessidade de um dicionário de eleitoralês.
Não que não se conheça o significado dos termos. O que não se conhece é o significado que assumem em determinados contextos e vindos de determinadas personagens.
Por exemplo: Voto Útil.
Uns, usam-no com uma desfaçatez com tudo de ridículo. Segundo eles, o voto útil, é aquele voto que não só vai sancionar tudo o que de mau foi feito até agora, como ainda vai dar novo mandato e alento aos que o fizeram.
É muito usado pelo PS (e compinchas afim, onde se incluem peças de trens diversos) acompanhado com o uso dos sacro argumentos de governabilidade e estabilidade a que acrescem (sem ruborescer) a salvaguarda de uma política social que salvaguarde os mais desfavorecidos das gulas do capital.
A utilidade é a mesma.
É também usado pelo PSD. Que entende que o voto útil é em si, porque são os verdadeiros e mais dignos representantes da política actual. Servirão melhor as troikas de cá e de lá. Não apresentam nada de novo ou diferente - prometem mais do mesmo e da mesma forma - mas apresentam-nos numa nova embalagem.
A utilidade é a mesma.
É também usado pelo CDS. Outro dos falsos gémeos, sendo que aqui a «lamúria» é ainda mais pungente. Todos os desgraçados deste país tem neste apóstolo a garantia da sua estóica defesa. Todos, desde que não sejam emigrantes, ciganos, negros, vermelhos, amarelos, desempregados, trabalhadores conscientes, sindicalizados, ateus. Ou seja, se obedientes, crentes e beatos, aos domingos haverá esmolazinha.
A utilidade é a mesma.
E há ainda quem pareça vir brincar. Com vassouras e outros instrumentos.
A utilidade é a mesma.
E quem, como quem não quer a coisa, vá dizendo: «com políticos deste calibre o melhor é não votar ou votar em branco».
A utilidade ´a mesma.
Qualquer uma destas expressões de voto útil, traduz-se, se oriunda de quem trabalha e de quem é vítima da política actual, num voto útil para os carrascos.
O voto é útil sim e muito.
Usado em consciência e como expressão da livre vontade de cada um.
Não há nele outra utilidade.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

IMPORTARÁ?

Porque se calam?

Porque se calam os órgãos de comunicação social, os fazedores de opinião e os pensadores ditos livres que costumam perorar sobre direitos humanos?

Porque nada - ou muito pouco - dizem sobre as tragédias que diariamente ocorrem aqui neste mar que sempre considerámos «mar nostrun»?

Quantos homens, mulheres e crianças já morreram na fuga a Tripoli, bombardeada pela NATO em consequência dos jogos de estratégia das grandes potências?

No post anterior afirmei terem sido lançados ao mar os corpos de 11 seres humanos que morreram por fome e sede num barco a quem foi recusado o devido socorro. Não foram 11. Foram 64.
Alguém já foi indiciado pelo crime de recusa de socorro?

Porque nos parece que os direitos humanos são cada vez mais, não isso, mas sim, estandartes de propaganda?

E nós?

Arrastamo-nos em dolorosas peregrinações e prostramo-nos perante as bentas imagens de santos e santas, também eles usados no trágico xadrez onde se jogam as nossas vidas. E onde se destinam as mortes de tantos..

Do Paquistão chegam imagens de mais morte. 80, dizem-nos as primeiras informações. Importará quantos são?

Quantos filhos não poderão hoje abraçar os pais? Quantos pais estarão a chorar os seus filhos?
Importará?

O que é que nos importa?

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Vemos, ouvimos e muitos calam

Vemos, ouvimos e muitos calam

Parece que muitos, muitos mesmo, perderam a capacidade de se indignarem.
Retiram direitos, humilham, abusam e gozam-nos.
E muitos calam .
Gastam sem escrúpulos recursos que só foram postos à sua disposição para gestão e não há quem lhes peça contas.
Alguns desses sumptuosos gastos, não só são actos imorais, como constituem crime de abuso de poder e ninguém responde por esses actos.
Dois acontecimentos distintos reforçam este comentário:
Aqui, nesta pacata cidade onde vivo, dei por mim a observar, preocupado, a profusão de bmw, audis e mercedes estacionados em cima do passeio junto da CCDRA.
Junto de cada um dos bólides estavam os respectivos motoristas, fardados a rigor. Alguns deles tinham fardas militares ou de forças de segurança.
Para fazer o trajecto, que faço a pé e para o efeito é normal usar o passeio, tive que sair deste e usar a faixa de rodagem.
Como eu, outros foram forçados ao mesmo.
E calam-se. De tão anormal esta anormalidade, acham até mesmo que é normal.
Suas excelências que deduzo seriam directores regionais de diversas coisas, representantes locais dos poderes diversos, porventura arcebispos e bispos, presidentes de algumas câmaras, não podem conduzir as suas próprias viaturas e também não podem deslocar-se até ao parque de estacionamento que estava vazio a 20 metros do local.
Eles podem estacionar em cima dos passeios, desfrutar de benesses absurdas. Eu tenho que levar cortes no salário, aumentos de irs e ter a carreira congelada.
Muitos calam. Eu, enquanto puder, NÃO.
Um dos outros acontecimentos que me indignaram, tomei dele conhecimento quase à socapa: um barco com 72 homens, mulheres e crianças, fugindo de Tripoli fez-se ao mar numa barcaça (como tantos outros pobres desgraçados à procura de uma possibilidade de viver). Acabado o gasóleo, ficaram à deriva no mar alto. Pediram ajuda e comunicaram com um navio militar e com um helicóptero da Nato e com a Guarda Costeira de Itália. Demasiado ocupados em descarregar bombas de democracia sobre Tripoli, criminosamente ignoraram os apelos e pedidos de socorro.
11 dos 72 homens, mulheres e crianças, morreram à fome e à sede.
Andaram assim, durante 16 dias. Lançando em cada dia ao mar os corpos dos que não haviam resistido.
Corpos de homens, mulheres e crianças. Tão humanos como nós.
E os «democrata»» continuaram ciosamente a lançar bombas sobre Tripoli.
Muitos calam. Eu, enquanto puder, NÃO.

Há sessenta e seis anos a Europa procurava erguer-se por entre os escombros e começar de novo a paz.(De novo tantos a quererem que a gente esqueça)
A barbárie nazi chegava ao fim e em Berlim erguiam-se bandeiras de esperança.
Calculo - só posso mesmo calcular - a imensa alegria dos sobreviventes.

Que haja um dia, em breve, a mesma alegria.
Para todos os povos do mundo.

Porque ainda há quem não se cale. Tal como eu.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

TROIKAS

Uma troika nacional, a que uns chamam «eixo da governação»» e que tem de facto estado nos governos nos últimos trinta anos, prepara-se agora, de novo, para se apresentar aos Portugueses como solução e ainda por cima como solução «patriótica» - o país precisa da «aliança de todos» clamam empresários, presidentes (actuais e ex), cardeais, doutores de tudo e vassalos de sempre.
Esta troika - que designei de nacional só por força do local de registo da patente - é constituída (formalmente) pelo PS, PSD e CDS e informalmente por todos os que se sentem confortáveis e bem retribuídos em resultado das políticas e acções que ela desenvolve.
São os responsáveis e apresentam-se como solução.

Uma outra troika, internacional, assentou por aqui praça e munidos da autoridade que lhes advém do facto de serem os «patrões»» da outra troika - a de patente nacional - determinam das nossas vidas, como não determinam sobre as suas vidas privadas. Vende-se isto, privatiza-se aquilo, aumentam-se os impostos, cortam-se os salários e as pensões, banalizam-se os despedimentos, determinam o valor do empréstimo, o valor das taxas de juro, o prazo de pagamento e os destinatários do dinheiro assim emprestado - ou seja, regressa à barriga dos mesmos.

E perante estas, uma outra se forma. E com a formação desta, assegura-se a perpetuação do domínio das outras. E nesta troika associam-se o medo, a alienação e a impotência.
As vítimas preparam-se para ajoelhar.
Uns, deixam-se levar pela candura de ex qualquer coisas que candidamente imploram «agora não é tempo de apurar responsabilidades» e por outros ex qualquer coisas - trânsfugas de toda a espécie que cresceram nos partidos e que agora mordem nas mãos dos que os empurraram para onde estão e que em suma só pretendem: deixem-se ficar quietinhos, porque senão é pior…
E a vítima nem se interroga: porque carga de águas é levado a aceitar como menos mau o que só é a continuação de todo o mal que lhe têm feito.
E prepara-se para juntar o seu voto ao voto do seu carrasco.
E provavelmente virá para a rua dar vivas à morte dos seus direitos.

E há ainda uma outra troika. Formada pelos que nunca aceitaram, sempre denunciaram e que fazem da luta o caminho possível para a mudança.
Que amam o país, a liberdade e a dignidade.
Que não ajoelharam, não ajoelham e não ajoelharão.

Que troika vencerá a 5 de Junho?

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Patetices e marias que vão com as outras

Estou convictamente convencido (não sei mesmo se não deveria acentuar o grau) que o conjunto de cinzentões que governa o país e a europa, julga que por aqui, somos todos um grupo de patetas.
Ou em alternativa (solução para que me inclino mais) os patetas são o grupo de cinzentões e nós, apenas uma imensa mole de marias que vão com as outras.
As conversadas (longas e entediantes) sobre os mercados e a forma como procuraram explicar a gula e a especulação desenfreada destes, é só um dos sintomas da patetice.
Nervosos, agitados, perturbados, por causa da chuva, por causa do sol, por causa das inundações, por causa dos fogos, porque corriam rumores que os príncipes não casavam, ou que casavam na coxixina, tudo foi aduzido.
Só não compreendo é como, numa situação tão prolongada de «nervosismos» os ditos cujos não foram levados a uma loucurazinha. Sei lá…
E ninguém pergunta quem são? De onde vêem e de onde vem o dinheiro?
E ninguém pergunta o destino da usura?
Convenhamos que para anti depressivos é uma verba já muito alta…
E também ninguém pergunta, porque carga de águas temos que estar nas mãos destes nervosos mercados?
Devemos biliões???
Quem os pediu emprestados em nosso nome?
Onde os gastou?
Perguntaram-nos alguma coisa?
Agora encenam outro jogo.
Todos os dias atiram barro à parede para verem qual cola melhor.
Como a toque de uma batuta, cadenciadamente, bombásticamente, vão «anunciando» as medidas que a «troika» se prepara para impor.
A par dessa preparação, preparam o acompanhamento. Que consiste em afirmar que é inevitável viver pior.
Que é inevitável viver de cabeça baixa.
Que é inevitável levar uns tautauzinhos (quais meninos mal comportados) de tudo o que se julga impante nesta europa.
E que é inevitável «unir» o gato da vizinha, o doberman vadio, o peixe do aquário, o elefante e a formiga, o rato e o saca rabos e tudo no mesmo saco.
E o senhor presidente dá-lhe a ênfase de estado. É preciso que o próximo governo tenha o apoio maioritário do Parlamento, diz.
Claro. Se não, não é possível termos governo não é verdade?
Que saibamos, o governo tem que submeter e ver aprovado o seu programa na AR, não é verdade?
Ou já não é verdade porque a «troika» assim o determinou?

Ontem vi «48» um filme / documentário impressionante.
Só espero que as marias vão com os outros não sejam cúmplices de um regresso a um tempo, tão triste, tão cinzento e tão violento como aquele que é ali tratado.
Se quisermos, somos capazes.
Ou então (se surtir mais efeito) e remoendo-me:
We can.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Irra.

Experimentei todas as formas.
A sério e de semblante carregado, de forma aligeirada, por vezes ironicamente (no que não é de certeza o meu campo favorito), optei por deixar andar, omiti, mudei de assunto vezes sem conta, mas nenhuma destas estratégias resultou.
O problema subsiste.
Ganhou hoje de novo honras de 1ª página.
«Os mercados continuam muito nervosos».
As taxas de juro atingiram novo recorde.
Depois do novo recorde ontem obtido.
E os jornalistas nada mais têm a escolher para título do que a expressão já useira e referente ao equilíbrio emocional e psíquico dos ditos mercados: «Os mercados continuam nervosos».
E nada parece acalmá-los.
E não há um. Um que seja. Que titule: « A usura continua».
Ou:
«Continua o roubo descarado».
E a par dele, desse frenesim de loucura, finlandeses, turcos, marroquinos, alemães, luxemburgueses, franceses e todos os restantes fregueses, vão ditando postas de pescada:
Os portugueses têm de …
É preciso que os portugueses aprendam a…
Vão ter que ter juízo.
Oposição e oposição à oposição têm que se unir…
Vão ter que aprender a poupar.
Vão ter que aprender a viver sem comer (e nós que estamos avisados sobre o burro do espanhol)…
E os portugueses…
Que têm na mão uma oportunidade soberana de os mandar comer um cão…
Preparam-se para engolir toda esta cachorrada…
Irra.