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terça-feira, 11 de maio de 2010

GRAFICO



Aqui só chega papa e por aí?
Abençoados lares com televisão por cabo e coragem para usar os que não projectem papa.
O país parou para papar. E por três dias seguidos como se espera de uma boda de renome.
Não mais deficit, nem desemprego, nem impossibilidades de satisfazer os empréstimos bancários, nem meses muito compridos para salários muito curtos. Só papa.
Pobre homem que se vê forçado a pedir que o deixem dormir.
Por mim…faça favor.
O que me preocupa é o sono dos que deviam estar acordados.
Quantos gritarão nestes dias, para as multidões paradas acenando bandeiras: vão mas é trabalhar malandros, como fazem quando nos manifestamos?
Os funcionários públicos que vão ter ponte forçada agora não são malandros?
Entretanto Brown demitiu-se.
A bolsa que ontem estava farta, hoje está com azia.
Os impostos ontem não subiam.
Hoje sobem.
O 13.º mês já está destinado.
A crise ontem era internacional.
Hoje é nacional.
Ao palácio onde mora agora um dos responsáveis pela crise, afluíram outros e juntos fizeram queixinhas dos responsáveis de agora.
Se em matéria criminal se diz que o criminoso volta sempre o local do crime nesta -com grande similitude - gostam de estar juntinhos.
Hoje foi possível sabermos, com referencia por distrito, as percentagens de católicos em cada um deles. Dizem que em Évora 83% - é obra.
Mas já que gostam tanto de dados porque não nos apresentam quadro com:
Ano
Valor do deficit das contas públicas.
Valor do saldo (exportações - importações)
Nome do Ministro das Finanças
Partido no poder.
Período de referencia: 1974 -2009.
Se possível em gráfico.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Mistura



O texto de hoje é um pouco como esta minha viagem, uma mistura de assuntos.
É que a viagem começou por ser ferroviária, passou para rodoviária e creio que ainda passará por ser fluvial.
Em pleno século xxi assim é. De Évora a Lisboa.
Mas não é sobre a viagem, o assunto, ou como já disse, os assuntos.
Na hierarquização confesso-me confuso. Atribuo primazia ao benfica campeão ou à visita do papa que amanhã se inicia.
Pelo meio a nuvem…mas estejam os fiéis (porque é tão frequentemente nome de cão???) descansados. Há um plano b.
Também empolgantes são as noticias dos espectaculares resultados (os melhores de sempre…faz-me lembrar o braga) do jogo de ricos a que chamam bolsa. Bolsou depois da míngua da semana passada.
Procurei noticias da renania mas só me davam das filipinas, porque será? Falo de eleições.
Na renania, ah… alemanha, parece que a direita levou tau tau a sério, passemos para outros temas… por exemplo…eleições nas filipinas, logo ali…
Na grécia, logo aqui, durante uma entrevista de sua excelência o senhor ministro da educação os professores ocuparam o canal de televisão e só à bastonada foram expulsos, sabiam ??? Claro, a nossa comunicação social é livre e plural, não repararam na notinha de roda pé?
Privilegiados dizem os entendidos. Não sabem fazer sacrifícios pelo seu país. Em portugal é a mesma coisa.
Julgava ter o capítulo do cenoura raquítica encerrado. Mas o homem não resiste. Antes da partida - para mais um sacrifício pelo seu país - insiste em mandar os recados de sempre : sacrificai-vos vós (que somos nós), diz ele.
Que grande mistura.
Parece, não parece?

domingo, 9 de maio de 2010

Bandeira Vermelha



Compreendo.
É normal.
Temos a visita do papa.
A nuvem.
O deficit e a grécia.
A turbulência nas bolsas.
O benfica campeão.
Que importância noticiosa pode ter uma efeméride tão simples como…
a que comemora a derrota do nazi fascismo e o fim (na Europa) da 2ª Guerra Mundial.
O fim de uma guerra que semeou destruição e morte. Milhões de mortes.
Inclino-me perante a memória das vitimas.
E procuro juntar o meu contributo ao contributo de tantos outros que insistem em lutar pela paz.
Hoje festejo a paz.
Se sair para a rua com uma bandeira vermelha ninguém me vai julgar doido.
Talvez aproveite.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Gravadores



Vou cuidar bastante da adjectivação e relatar só os factos e destes só parte.
Não vá o diabo tecê-las e sei dos riscos.
Um deputado, um senhor deputado, mete ao bolso dois gravadores que não são seus.
Acção directa, afirma.
Os seus parceiros aplaudem-no e elegem-no para mais uma comissãozinha.
Fim do relato.
Pronto. Fim do relato.
Esperavam que comentasse???
Livra!.
Assim de forma enviesada assalta-me o alerta, que há muito e repetidamente anda a ser feito sobre o crescimento de um fenómeno social que o Prof. Boaventura Sousa Santos denominou de fascismo social.
Atentemos seriamente nos seus desenvolvimentos

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Grécia


(foto da 1ª página do Público de 05.05.2010)
Sempre tivemos, por força da cultura, uma forte ligação à Grécia, mas ultimamente, mais do que desejávamos, ela tem sido ainda mais forte, amargamente.
De Sócrates aos ratings (porque não taxas?) um pouco de tudo associamos no presente ou por herança cultural da antiguidade, a este país.
Esperamos ficar por aqui.
O que está a acontecer neste nosso parceiro na europa e berço da nossa civilização é demasiado sério.
Os gregos estão a ser as primeiras vítimas do apogeu dos ataques aos direitos sociais de quem trabalha, que estão em curso há anos, um pouco por todo o mundo. Ali atingiram agora um nível nunca antes visto.
Coloquemos as nossas barbas de molho, pois as primeiras cenas deste filme que lá está em exibição há muito que aqui foram rodadas.
A tragédia ontem atingiu dimensões gritantes. Três pessoas foram mortas. Três pessoas duplamente vítimas das barbaridades de homens sem escrúpulos. Homens que em majestosos gabinetes, de olhos ramelosos e gulosos, miram o decote da «secretária», enquanto agendam mais um almoço e decidem o destino de povos inteiros.
Continuai assim suas bestas em forma de gente. Hoje são precisos oito mil policias, marinha, força aérea, exército, sis e outros para proteger o papa, amanhã quantos serão precisos para proteger os vossos bunkers?
Uma escrevedora de trazer por cá perguntava sob cândida capa, a propósito das trágicas mortes de Atenas: manifestantes ou terroristas?
Três vítimas. Três vidas humanas perdidas às mãos dos terroristas de Frankfurt, Wall Street e outras paragens fabricadoras de colossais riquezas à força de descomunais misérias.
É esta a resposta para esta escrevedora de meia tigela.
Há muito que especialistas (são todos aqueles que dominam determinados assuntos e a quem os «media» nunca perguntam nada) alertam para o perigo de uma explosão social em Portugal que pode assumir proporções nunca antes vistas neste país de brandos costumes, mas quem se devia importar, assobia para o lado e segue em frente.
De vez em quando arranjam um alarido para desviar as atenções e para poderem continuar.
Outras, arranjam um entretenimento. Uma visita de um papa por exemplo.
Até um dia.
Não como ameaça.
Mas como uma grande preocupação

terça-feira, 4 de maio de 2010

Um país ajoelhado



Apesar dos solavancos - projectamos TGV mas ainda temos linhas neste estado - consegui concluir as palavras cruzadas e agora cruzo os olhos para a paisagem que me projecta a janela.
E penso igualmente no papa, não que me tenha tornado seu seguidor, mas porque se aproxima a sua visita a Portugal e daí derivarem implicações várias na minha e na vida de todos os portugueses.
Tolerâncias de ponto, cidades bloqueadas, oito mil polícias na protecção de sua santidade, mobiliário urbano tirado, impedimentos de estacionamento, mobílias novas, palcos gigantescos e isto se só falar das coisas grandes…
Num país cujo o Governo nos disse que não tinha meios para aumentar os salários, que enche a boca a toda a hora a falar de crise, que nos aterroriza com o deficit, que nos ofende com a questão da produtividade.
Num pais com 700000 desempregados e dois milhões de pobres.
Num país cuja Constituição assegura a sua condição laica.
E nesse mesmo país, SESPR (Presidente da República) agenda passar todo o tempo de estada de sua santidade, de joelhos…já que não pretende faltar a uma missazinha sequer…
Somos um país ajoelhado.
Ajoelhamos perante o papa, ajoelhamos perante as agências especuladoras internacionais, ajoelhamos perante o Presidente Checo…
Aos governantes, alguns políticos - com destaque para as recentes crias saídas da cartola - empresários, economistas (alguns dos seus gurus) e toda a restante vassalagem do capital financeiro, ficar-lhes-ia bem um pouco de decoro ( e alguma coerência), mas como sabemos, é coisa que não cultivam e assim é vê-los nesse seu ajoelhar colectivo como se assim conseguissem purgar todos (ou até mesmo, algum) os seus pecados.
Mas o que dói é verificar que muitos dos esquecidos da igreja do papa que vem de visita, também ajoelham e acham bem, mas estes certamente pensando que assim poderão acalmar o deus que tem sido tão impiedoso para consigo.
Com todo o respeito do mundo para com os católicos crentes e que como eu querem um mundo melhor para os homens:
papa não, muito obrigado.

domingo, 2 de maio de 2010

Para os galaritos emproados




S (M/O)S aos Maria vai com as outras

Aos meus amigos, que vão lendo os meus desabafos, peço hoje mais um favor, remetam este S(M/O)S para os endereços de Maria vai com as outras que conheçam.
Todos conhecemos um número expressivo destas espécimes.
Reenviem-lhes então o texto seguinte:
“Para ti que pavoneias os teus ray ban enrodilhados nos teus cabelos talvez não lavados mas suficientemente pegajosos de gel, que julgas deslumbrar pelo lagarto do teu polo, que gastaste uma pipa de massa nuns sapatos de vela onde surfam os teus mal cheirosos e que consegues conviver com o fedor que libertam os teus sovacos besuntados com boss na simbiose gorjitada com a água de colónia lacoste, para ti, sim para ti, que não tens onde cair morto, mas que passaste impante, olhando de soslaio e sobranceiramente pelos que estavam na praça, estes num assomo de coragem e dignidade a pugnar por um mundo melhor para todos, deixa-me dizer-te, também te incluímos nas nossas reivindicações.
Achas estranho?
Nós não.
Não passas de um pobre coitado.
Se quiseres fazer alguma coisa por ti, ainda estás a tempo.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

CRISE?! Responsáveis e lágrimas de crocodilo



A monotonia da viagem é agravada pela acalorada discussão que tem lugar no banco do lado sobre o jogo do próximo domingo.
Vai ou não o Benfica ser campeão e festejar (já) no Porto? É o tema dominante da conversa dos meus acompanhantes de viagem.
Interrogo-me como é possível falar durante tanto tempo e parece que de forma tão entendida sobre futebol?
Como eu gostaria de ter capacidade semelhante para entender a economia, ou deverei dizer finanças, ou jogo especulativo? Enfim, para entender a «crise», esta instituição que nos trama.
Mas não percebo.
Acima de tudo para procurar isolar o problema, reflectir sobre as causas, punir os culpados e tomar medidas para evitar cair nos mesmos erros.
As causas parecem indiciar, no que às contas públicas dizem respeito, que assentaram em medidas de despesa que não tiveram em conta as capacidades de receita. Gastou-se mais do que o que tínhamos. Com quem? No quê?
Se há mais pobres e se aumentaram as desigualdades na distribuição da riqueza produzida é lícito supor para que áreas se canalizaram os dinheiros que tínhamos e não tínhamos.
E quem tomou essas medidas? Eu não fui! Assim como também não o foram a generalidade dos portugueses, mas é fácil saber quem foram.
Porque mantemos sempre as culpas nos anonimatos?
Sabe tão bem certamente aos verdadeiros culpados ouvir expressões do tipo: «os políticos são todos iguais». É que enquanto durar essa capa social, dificilmente lhes pedirão contas.
E se não apontarmos claramente os culpados, não poderemos puni-los.
E… sem isolarmos o problema, sem reflectir sobre as causas, sem punir os responsáveis…vamos continuar com tudo na mesma.
Como lhes convém.
É por isso que hoje, em mais uma saída da cartola, o coelho gémeo do coelho filósofo vem solenemente, em nome dos interesses do país, propor que se pague aos funcionários públicos o subsídio de férias com certificados de aforro.
Pena é que, grande número de funcionários públicos e dos outros trabalhadores deste país, ainda não tenham procedido ao pagamento a estes políticos todos iguais (os que tem estado no poder nos últimos 30 anos e respectivos herdeiros) na mesma moeda.
Eu por mim tenho pago.
Mas temos de ser todos a fazê-lo.
Porque todos nós somos a imensa legião das vítimas destes senhores.
Deveríamos pois pagar-lhe de forma equitativa.
Com certificados de incompetência.
Os que assim não procedem e lhe deram e porventura se preparam para lhe dar votos são tão responsáveis como eles.
Têm de passar a assumir as respectivas responsabilidades.
Não pode haver mais lugar para lágrimas de crocodilo.

PC.Evidentemente amanhã não haverá «post» porque faz anos que sou trabalhador: VIVA O 1º de MAIO,

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O homem novo? Está atrasado?



Por aqui vou-me cruzando com paisagens, amigos, memórias, vontades.
Exercito-me (deslocando-me entre carruagens) e penso (uma actividade nobre a que o ritmo dos dias de hoje reserva pouco tempo), consulto jornais, bebo café, trabalho, falo com amigos.
Maravilhosos dias. Espantosas tecnologias.
E os seus falhanços? clamorosos!
À nossa volta estoira a mais requintada invenção da modernidade. Aquela que determinou rumos, moldou as vidas de milhões de seres humanos.
E que a par das ilusões que criou - a abundância para todos - gerou os milhões daqueles que quase ou nada têm que hoje povoam o mundo.
São muitos os que dizem que estamos em pleno apogeu da queda do Capitalismo e do paradigma teórico que permitiu a sua aparição e êxito.
Foi-se refinando a individualização do homem. O seu isolamento em si era condição. Alguém disse que nunca o homem esteve tão só como neste tempo em que o aglomeraram em cidades e mega cidades.
As invenções tecnológicas contribuíam na mesma direcção.
Até os saberes foram fragmentados. Especialização, diziam.
Mas o homem, mesmo fragilizado por este processo, é um ser inteligente. Reagiu, reage e vai reagir.
Creio que cada vez com mais dinâmica.
É forte a turbulência.
Quando os homens, todos os homens, em todo o mundo, tomarem plena consciência que é possível um novo rumo e que eles podem ser senhores do seu destino:
Então, aí estará o homem novo.

PC1 - Da cartola saiu um coelho. Igual ao outro (o coelho filósofo) e aos outros. Apelou hoje, sem corar, que é preciso moderação por parte dos Sindicatos nas suas reivindicações. Quem comprou semelhante ovo de páscoa?

PC2 . O apelo do regresso à política a que de certa forma hoje dou continuidade, que ontem aqui fiz, foi também objecto de tratamento de outro blogue. Tive disso conhecimento no Público de hoje. Para que conste.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

É preciso voltar à política




Em Democracia é através dela que se Governa.
O que tem acontecido é que tem interessado a quem dela se serviu para chegar ao poder, que dela se digam agora «cobras e lagartos» para se perpetuar no poder.
E esclareça-se que o perpetuar no poder não tem a leitura simples que fazemos da expressão.
Perpetuar no poder é hoje ser ministro das obras públicas e amanhã administrador da CP, da Refer ou Lusoponte.
Perpetuar no poder é fazer escola na jota e com restos de cueiro ainda agarrados ao dito cujo ser nomeado administrador de uma grande empresa pública (ou privada porque nos negócios não há pudor e há favores a pagar).
Perpetuar no poder e passar a ter o descaramento para justificar os milhões embolsados como prémio por atingir objectivos e os trabalhadores da mesma empresa não poderem ser aumentados por causa do deficit, da crise, dos gregos, dos ratings.
Importa pois denegrir a política.
Vender a ideia que os políticos (o que não é a mesma coisa de entendidos em política) são todos iguais.
Querem é «mamar».
E vão mamando.
Uns, directamente na teta mãe e outros nas tetas secundárias.
Alternando-se só nas tetas, porque mamam sempre.
E têm nomes. Todos os conhecemos de ginjeira.
Agora o PS, amanhã PS com o CDS, depois PSD, depois PSD e CDS, e depois PSD e PS.
Há mais de trinta anos!
De facto são todos iguais.
Se do todos, excluirmos outros.
Façamos pois um esforço e voltemos à política. Procuremos analisar percursos, propostas, acções e escolhamos em consciência e não por arrastamentos provocados por modas.
O país precisa de nós.
Não para nos sacar mais impostos, impor-nos baixos salários, reduzir direitos.
Esse é o contributo que há trinta anos nos pedem.
O País precisa de nós mas para dizer: BASTA.
Não acham que foi comovente este encontro de hoje entre Sócrates e Coelho?
Assim à laia de «não nos podemos esquecer que estamos juntos nisto»
Por mim, há muito que BASTA.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Luta Continua



Foi linda a Festa.
Porque o povo encheu a Praça. E porque também foi afirmação e luta.
Mesmo depois de tudo ou até mesmo por causa de tudo é tão bom saborear cada trago desta doce Liberdade.
Agora continuamos. Nas lutas que nos esperam.
Na duradoura resistência de quem sabe que é justo o que pretende.
Já meti de novo os pés ao caminho.
Reinicio a minha viagem, percurso saltitante entre o presente, as memórias presentes e que não é mais que uma desculpa para me afastar das coisas da cidade.
Criticável esta minha atitude, mas não suporto mais hipocrisias, desresponsabilizações, lavagens pilateanas de mãos.
Pois que lá fiquem os carrascos e a plebe que os mimou e trouxe ao colo.
Sei que também ficam os que não tiveram culpa (muitos, muitos mil) mas esses sabem que mesmo com este aparente alheamento, ( e agastamento - evidente) eu farei o que puder…
E (re) inicio a viagem retendo, preocupado, preocupantes traços do declínio.
O rossio para onde, em tempos recentes, afluiu tanta esperança e tanta afirmação, virou parque de diversões decadentes e em manifesto fora de prazo para consumo.
A vala de água suja que fronteia o monte alentejano não é o que todos ficaram a pensar, pois não?
É que ela provem de uns tubos que saem das caravanas do circo…
Os jornais falam da incerteza em relação ao Projecto da Embraer - parece que haverá hoje uma reunião decisiva em Bruxelas - mas os vendedores de ilusões excelentes já por aqui ganharam as eleições acenando com os empregos e o desenvolvimento que gerariam.
E se alguma coisa agora correr mal?
Devolvem o voto ao povo?
Terão ao menos estatura para tal?
Não creio!
Mudando de linha.
Quando há um texto atrás dizia, que alguns que gostariam de estar connosco na Praça para comemorar Abril, não o poderiam já fazer, estava longe de pensar que o Albino seria um deles.
Soube hoje. Seca e inesperadamente.
Adeus Camarada.

sábado, 24 de abril de 2010

Vá camarada, mais um passo.


O casario branco que avistava era de facto Casa Branca.
Feito o transbordo e aproveitando por dias o funcionamento desta linha, que estupidamente vai fechar por um ano, estou de regresso.
Não tarda nada, aí estou.
Pelo tempo necessário para ir convosco à Praça de onde nos quiseram correr.
Não vou cumprir nenhum ritual. Vou à Festa.
Alguns já lá não estarão.
Não podem.
Mas nó vamos lembrá-los.
Eles merecem.
E estarei na Praça, sem melancolia.
È só mais um passo, de todos os outros dados antes e de todos os que ainda falta percorrer.
Dado com muita alegria e com os olhos no futuro.
Por isso, por hoje:
VIVA A LIBERDADE!
VIVA O 25 de ABRIL.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

ABRIL


Alheio-me por completo desta minha viagem.
Olho pela janela e não me consigo situar.Avisto ao longe uma aldeia. É cada vez mais nitido o seu casario branco. Será? Já? Hum...não sei.
E este alheamento fica a dever-se ao facto de por formas várias, que tecnologicamente estão a nosso dispor, ir recebendo notícias. E estas serem de forma a nela me concentrar.
Lá, na cidade, continua tudo como antes.
Os senhores da cidade não têm Abril como prioridade.
Mas a cidade não lhes corresponderá.
Espero lá estar, na Praça, para lho demonstrar.
Espero também encontrar-te lá, amigo. Tenho para mim a certeza que sim.
Quero falar-te do teu texto.
Claro que me identifico com o que dizes, mas...
Mas para mim Abril, é também memória,
E não sei, tal como tu também não sabes, se os entusiasmos então vividos são irrepetíveis,
Sei também que muitos dos que cantaram os hinos que recordamos, desafinam hoje as melodias que então cantavam. Mas eu recordo estas.
As solidariedades que afirmas que então pareciam não ter fim, não têm mesmo. Tal como ontem, hoje as proclamamos.
Não menosprezes os hinos, as bandeiras, as canções, a memória. São as nossas iconografias. São a parte que nos cabe, neste percurso inacabado.
Deixa-me lembrar o sonho.
Quero saboreá-lo, para o repetir, ou pelo menos deixar a receita para os meus filhos.
Deixa-me ficar com a poesia dos tempos poéticos.
Deixa-me lembrar que quando cantávamos: “Esta terra é hoje nossa”, ela o foi de facto.
Dizes que Abril é futuro.
Claro que sim.
Desde o segundo primeiro.
Sempre foi futuro porque fechou as portas do passado.
Mas é memória.
Não te esqueças amigo.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Exercício



Aqui sentado, apreciando a paisagem através deste comboio em movimento, vendo que lá fora chove… de novo a chover, nesta Primavera molhada! proponho um desafio.
Imaginemos Portugal.
Há trinta e seis anos atrás, precisamente a 22 de Abri de 1974.
Uns, podem fazer esse exercício sem recurso à imaginação. Outros terão mesmo que se esforçar, para imaginar.
Não proponho nenhum exercício «negro», vereis que é uma reflexão…
Aos que tais recordações ainda causam dor, peço e sei que obtenho a vossa compreensão.
Dou para já o exemplo e inicio essa tenebrosa viagem de regresso a um tenebroso tempo.
Terei que o fazer na mais completa intimidade. Estamos no tempo em que as paredes têm ouvidos.
Há bufos, pides, policias, lambe botas, graxistas e toda uma sub espécie humana ansiosa por mostrar serviço.
E do seu «serviço» resultam sempre torturas, humilhações, prisões.
Decorre em Africa uma guerra para onde são enviados todos os que tenham mais ou aproximadamente 20 anos, sejam do sexo masculino, andem, mesmo que coxos e vejam, mesmo que míopes.
Nem todos regressam. E muitos, embora regressados estão marcados, física e psicologicamente para sempre.
Dizer ao patrão que acha justo mais salário, significa, no mínimo, despedimento e mais fome a acrescentar em casa.
FOME. Sim Fome, não escassez alimentar. Mas fome dura e cruel.
Uma fome que, no campo, arrastava os homem, durante a noite, para rabiscar azeitona, apanhar pequenas tiras de cortiça caídas durante o carrego. Roubar, berravam os vampiros. E mandavam a GNR espancar, prender, humilhar.
E havia homens e mulheres presos. Sem culpa formada, sem julgamento e sem prazo. Haviam tido a coragem de denunciar, de propor aos outros homens e mulheres que se levantasse e se erguessem contra a tirania e os monstros.
E na prisão eram torturados. E alguns assassinados.
Comunistas. Berravam os vampiros.
Querem pôr em causa a ordem e perturbar a paz no rebanho do senhor.
E a paz e a ordem no rebanho do senhor eram a censura, a repressão, a negação das mais elementares liberdades, a fome, a guerra, as prisões e as torturas.
Dou por terminado o exercício proposto e pergunto:
Os que, de entre nós, por vezes desanimam e afirmam que não há nada a fazer, que não vamos lá, imaginam como se sentiria o seu camarada nas masmorras fascistas a 22 de Abril do ano de 1974?
E no entanto três dias depois eles e todos estavam na rua, em liberdade, a cantar liberdade.
Aos outros. Aos que em determinado momento optaram convenientemente por colocar cravo vermelho na lapela e agoram assobiam para o lado e procuram esquecer, afirmamos a nossa vontade de juntar mais anos ,muitos mais a esta festa permanente da liberdade conquistada, mesmo perante a boçal neutralidade que proclamam.
Aos que estavam e estão do outro lado da barricada, afirmamos: podeis ter recuperado, o susto poderá ter passado, mas não voltaste e não voltareis a ser senhores.
Trinta e seis anos deste saboroso sabor a liberdade, alguns deles de sabor tão intenso, só podem fazer com que estejamos eternamente gratos a quem teve a coragem de iniciar o caminho.
Gratos e responsabilizados. Temos um testemunho para entregar.
Bem hajam.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

MANIFESTO


Por mero acaso e ainda reflectindo, sobre a citação ontem publicada no Público: “A viagem pode ser uma das formas mais satisfatórias de introspecção” Lawrence Durrel, que acho muito a propósito dos propósitos desta viagem, encontrei, quando depois de mais um desentorpecimento de pernas ao longo das carruagens, voltei ao meu lugar, um texto policopiado e que por me sentir identificado com o seu sentido, passo a transcrever:

Manifesto da Indignação
Ao Sr. Presidente da Câmara de Évora

Porquê o esquecimento?
Porquê este silêncio sobre o aniversário da Liberdade?
Esqueceste-vos que foi a liberdade que permitiu a vossa eleição e que sem liberdade não há eleições?
Já nem o cravo rubro quereis pôr na lapela?
Pois ficai sabendo que nós não esquecemos.
Que amámos e amamos a liberdade como condição de dignidade e de vida.
Que não há cansaço, nem ritualização, nem rotinas.
Que em cada comemoração, renovamos Abril e fortalecemos a liberdade.
Podeis só anunciar na véspera os vossos festejos, porque os nossos, esses estão de há muito agendados nos nossos corações.
Podeis estar certos que a Praça será do povo e que nela voltaremos a ostentar, como símbolo, os nossos cravos vermelhos e entoar em coro, como hino, a grândola vila morena.
Nós vamos comemorar de certeza.
Nós não traímos Abril.
Estamos fartos dos vossos churrascos e festanças pimbas.
E tomai nota deste protesto.
É livre, porque é de Abril.
E é um grito de revolta.
Um Manifesto de Indignação.
Estamos cansados do seu cansaço. Cansou-se V.ª Ex.ª, da vida democrática e optou pela naftalina dos que preferem a obscuridade.
Em contrapartida não se cansou da demagogia e das promessas eternamente repetidas.
Preside a uma cidade que definha, que perdeu o orgulho e que se arrasta sem rumo.
Concebe cultura como um negócio.
Planeamento é só um instrumento de estratégias eleitoralistas.
Ordenamento é em função de entendimentos enviesados e vai-se fazendo por medida e a pedido.
O Desenvolvimento, anunciou V.ª Ex.ª, levantou voo.
Gestão, só de expectativas.
Modernidade: Inovações alheias e Comboios de Alta Velocidade que por imperativos geográficos por aqui têm de passar.
Évora indigna-se, por enquanto em surdina, com a sua actuação Sr. Presidente.
Mas nós, os que subscrevemos este manifesto, estamos certos que em breve, dela sairão e proclamarão decisivamente a sua indignação.

Eu subscrevo

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Viagens



Desisto. Ainda procurei acompanhar o fio da meada, mas não fui capaz.
Como cantava Fernando Tordo há uns anos: “Talvez a Júlia ainda vá casar com o irmão dela…”. Não quero mais procurar saber o que se passou. Telenovelas…continuai caras amigas.
Recosto-me. A viagem ainda agora começou, mas já não tenho posição, já me dói o corpo todo.
Como compreendo o sofrimento de SESPRP. Foi certamente penosa a viagem.
De Praga a Estrasburgo mais ou menos 600 Kms, desta a Barcelona, mais de 1000.
Com carro cómodo e seguro, ar condicionado, motoristas, logística para as refeições, batedores de polícia, liberdade de circular ultrapassando os limites…
Foi grande o sofrimento.
O país parou para acompanhar a epopeia que terminou ontem a bordo do falcom em Barcelona.
Descansemos.
SESPR já está a salvo e seguro a descansar no palácio.
São conhecidas, não do grande público, porque não fazem manchete, as peripécias das longas viagens dos emigrantes portugueses. Noites e dias seguidos para evitar passar as férias na estrada, uma sandes comida ao volante, paragens breves para necessidades, cigarros atrás de cigarros para tentar manter os olhos abertos e tantas vezes… o acidente.
Viagens…
E assim dou por mim a pensar em como são frágeis os castelos blindados onde se acoitavam as técnicas até há pouco infalíveis.
Um vulcãozito, dizem que até nem muito bravo, manso mesmo (ufa, posso dizer manso?) e provoca todo este alarido.
Da Islândia, ultimamente…
E surge assim do nada.
Como do nada surgiram as aeronaves que derrubaram as torres (as reais que levaram consigo as vidas e as simbólicas da soberba e arrogância).
Como um parafuso na pista ceifa vidas e quase destrói os sonhos supersónicos e uma placa de isolamento faz implodir sonhos espaciais.
Do nada, surgem tufões, maremotos, terramotos que ceifam centenas de milhares de vidas.
O mar engole cidades ou acolhe os seus destroços trazidos nas enxurradas. E vidas.
Face a isto, os que podem e sabem devem parar para pensar sobre o fim das nossas certezas técnicas, sobre as consequência e acima de tudo , pensarem num novo caminho a percorrer.
Necessariamente mais interrogativo e menos convencido
Julgo mesmo que são estimulantes os desafios que se colocam aos que assim queiram proceder.
Mas por favor…
Não me venham fazer discursos formatados sobre o futuro, apresentando-o com um horizonte temporal sempre em números redondos (antes era 2000...agora 2050) e definindo-lhe contornos, tendências, actores e protagonistas.
Como pode, quem não sabe perceber o presente, vir-nos falar do futuro?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

NUVENS



Felizmente viajo de comboio.
Não há indicadores que este tipo de locomoção possa vir a ser afectado pelas nuvens vulcânicas provenientes da Islândia.
Em cada dia que passa, há sempre um episódio para lembrar ao homem arrogante da modernidade a falibilidade das suas técnicas.
Espero que não seja o caso e que esta máquina que nos desloca, uma velhinha máquina ainda a diesel, tenha a solidez técnica suficiente para não nos pregar nenhuma partida.
Julgo que a mesma esperança terão os interessados em ver (para que não se oiçam) destruídas as famosas gravações ocultas.
A TSF anunciava hà pouco que elas haviam sido destruídas.
Não haverá mesmo uma gravaçãozinha, mesmo que pirata?
Ficará sempre a dúvida, que juntamos às outras, essas bem mais inquietantes.
Estamos todos na expectativa dos procedimentos técnicos adequados a outras temáticas.
No caso Figo por exemplo.
No Free Port por exemplo.
Na compra da TVI por exemplo.
Nos projectos da Guarda, por exemplo.
No canudo, por exemplo.
A cadência deste pouca terra, pouca terra, empurrou-me para esta cadência de por exemplo, por exemplo.
Ainda graças ao rádio acompanha-me agora a preocupação sobre a incerteza que paira sobre o regresso de S.E.S.P.R.P que se encontra de visita a Praga.
As nuvens são ameaçadoras. Convém cautela.
Mas como quase todas as coisas têm um lado bom, não sendo possível o seu regresso hoje, terá assim S.E.S.P.R.P. mais tempo para defender com maior vivacidade o grande assunto de estado, que debateu com o seu homólogo:
O Santo António é português.
Pronto.
E já que estamos em maré de S.E.S.P.R.P. vi num relance que fiz sobre o jornal do vizinho do lado que o APDRQNEDP (sua Majestade) afirma que os custos com o funcionamento da PRP (Presidência da República Portuguesa) são cinco vezes superiores aos custos com o funcionamento com a Casa Real Espanhola.
Bela comparação. Para os lados de Borba há uma expressão que se adequa, mas que não reproduzo.
Mas este PR, bem ou mal, sou de opinião que muito mal, foi o resultado da escolha dos Portugueses e foram os portugueses que lhe definiram as funções.
O candidato ao reino que já não existe em que qualidade o é?

PC (Pós Comunicação)

SIGLAS:

S.E.S.P.R.P. : Sua Excelência Senhor Presidente da República Portuguesa.
A.P.D.R.Q.N.E.D.P. : Auto Proclamado Descendente do Reino Que Não Existe de Portugal .

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Rebanhos


Iniciada mais uma viagem imaginada, acomodo-me no imaginário banco de comboio e contemplo, vagarosamente a paisagem.
É plana. E agora, nesta Primavera timidamente anunciada, é verde, muito verde.
A sua planura permite que a vista se projecte até a um horizonte que acompanha sempre, com uma distância teimosamente permanente, a minha viagem.
É o caldo natural para a divagação.
Ao longe, por entre o montado avisto um rebanho. De ovelhas brancas, um branco sujo encaracolado, algumas, poucas, são castanhas, poucas crias porque a Páscoa foi recente, um pastor e um cão.
Quantas? Quatrocentas? Quinhentas? Menos?
Mas muitas.
Alinhadas, dóceis, ritmo cadenciado, silenciosas. Algum desalinhamento momentâneo é prontamente resolvido com um simples latido do cão.
Analogias com o comportamento humano são frequentes. A igreja nisso se tem empenhado.
Rebanho e pastor. Adoram.
Adoram e fazem questão que os homens sejam alinhados, dóceis, que sigam a ritmos cadenciados e silenciosos ao som dos seus latidos.
Mas contrariamente ao que avisto no rebanho por entre o montado, no rebanho humano há fome.
Também só avisto, por entre o montado, as personagens que descrevi.
No rebanho humano, avisto alguns, gananciosos que querem para si toda a pastagem.
Por entre o montado, o cão só de vez em quando solta um latido.
No rebanho humano, os cães são da mesma espécie humana e são ferozes.
Porque teima a igreja na analogia?
Porque teima o homem em ser dócil, alinhado, ritmar os seus passos cadenciados por força do rosnar dos cães bestas?
O homem é por natureza um ser livre.
Falta libertar-se.