Enquanto hoje nos impingem berloques vários em forma de coração, bombons afrodisíacos, jantares apimentados, serranos romantismos (sem lua porque está enublado), frases de partir coração, toques de telemóvel de fazer chorar as pedras da calçada, chegam-nos também as noticias, às bancas de jornais e via on-line, que milhares de Italianos - principalmente Italianas, - se manifestaram em muitas cidades, em nome da dignidade da condição humana .
Disseram a Berlusconi que a Itália não se revê nos seus deboches.
Festejaram o amor.
Bela forma de antecipadamente comemorar valentim.
E Berlusconi - essa coisa - terá percebido?
Não creio. Essa «coisa» tem do amor o entendimento que sabemos.
Não fosse a «coisa» tão execrável e até apeteceria dizer:
«Pobre coitado, só comprando pode ter um abraço».
Permitam-me que hoje me sinta Italiano (não querem que sejamos europeus?) e enojado por ter à frente dos destinos deste belo País uma criatura tão miserável.
Visitarei um dia (assim desejo) Roma, Florença, Veneza, Verona…e espero que nesse dia, já não paire sobre o amor (entendido e praticado na sua plenitude,) uma figura tão repugnante.
Viva o amor (não o dos berloques…).
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Amor Feliz

Sou da geração de Abril.
Aprendi a viver a liberdade quando esta dava também os seus primeiros passos.
Aprendi pois por isso, por força deste privilégio de que nem todos puderam usufruir, que os homens são iguais perante si.
Em direitos, em oportunidades e em responsabilidades.
Assim caldeado, aflige-me constatar que, se por um lado faço parte da geração privilegiada, faço por outro lado parte, daqueles que com tristeza constatam, que estamos a viver um retrocesso civilizacional.
Para além de outros, muitos, são indicadores que fundamentam esta constatação, os crescentes casos de violência por força do género, essencialmente sobre as mulheres, a que se convencionou (não sei se bem) designar por violência doméstica.
Se actualizados os números, são, ao momento, 14 as mulheres assassinadas este ano, por maridos, companheiros ou namorados, ou ex cada uma destas situações.
Crescem (segundo a edição de hoje do «Público») as queixas contra menores por violência sexual.
Todos conhecemos, situações na juventude ou mesmo ainda na adolescência, de violência (quase sempre) dos namorados sobre as raparigas.
Por amor, dizem todos. Independentemente das idades.
Há para este drama, as mais diversas teorias de intervenção No entanto, julgo que quase todas apontam para a parte final do problema, ou seja, para a necessidade de uma maior protecção policial e por uma maior repressão aos criminosos.
Serão importantes, mas insuficientes.
Julgo que o problema tem uma dimensão cultural que não pode ser desprezada.
Quando tanto se fala e parece que pouco se faz, de educação sexual nos programas escolares, poderia ser contributo importante, que na matéria se incluísse a temática da igualdade do género.
Onde pudesse ficar claro que amar é, não possuir, mas partilhar. É a simbiose de duas vontades, livres.
As “telenovelcas” de trazer por casa que têm arrastado fornadas de adolescentes para comportamentos padronizados, têm contribuído para tudo, menos para a difusão de um conceito de amor livre.
E livre, porque são livres os pares. Não porque seja desregrado.
Quando todos perceberem a diferença (mesmo no capítulo do prazer físico) entre amor partilhado e «amor» suportado porque imposto, então estaremos muito próximos de um amor feliz.
Este texto é um mero desabafo de indignação e uma vibrante condenação, face aos crimes bárbaros praticados por pessoas com quem se partilhou casa, filhos e vidas….
segunda-feira, 8 de março de 2010
Dia da Mulher

Faz sentido, por muitas e actuais razões que se comemore o Dia da Mulher.
Dizem-nos alguns que os princípios a ele subjacentes devem estar presente todos os dias e não apenas a 8 de Março.
É verdade, mas também é verdade que os princípios subjacentes à liberdade devem estar presentes todos os dias e tal não invalida a nossa Festa (de homens e mulheres) a 25 de Abril de cada ano.
E de igual forma no 1.º de Maio - a Festa e luta de homens e mulheres pela dignidade no trabalho.
Porque ser mulher ainda significa mais descriminação e mais baixos salários, mais desemprego e menos oportunidades, faz todo o sentido este dia que lhes é dedicado e ao qual estão associadas muitas lutas de gerações de homens e mulheres no combate à descriminação e pela dignidade.
Aos que, homens ou mulheres, fazem deste 8 de Março mais um dia de luta um fraterno abraço e a reafirmação de que, tal como nas greves, nas manifestações e em todas as lutas, fazemos juntos também esta caminhada.
Aos que, homens e mulheres, trocam flores sem sentido, frases patetas e marialvices diversas a propósito (assim julgam) do dia da mulher remetemos também uma saudação na esperança e com o objectivo de contribuir para poderem perceber, mais cedo que tarde, que este é um Dia de Luta.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Mulheres

Hoje vou escrever no feminino.
Hoje em que nos dizem que é o Dia Internacional dos Direitos Humanos.
E também o dia em que um homem que alimenta a guerra receberá o Nobel da Paz.
Poderia também ser o Dia Internacional da Hipocrisia.
Por razões muito diferentes entre si, as mulheres têm lugar de destaque na imprensa de hoje. Tão diferentes que a umas me apetece tratá-las deferentemente.
É o caso de Aminatu Haidar em luta pelo direito ao regresso à sua casa Saraui. Esta activista pelo direito à auto determinação do povo do Sara Ocidental está a cumprir hoje, o seu 25.º dia de greve de fome. Conta com a solidariedade de muitos e com a hipocrisia de mais.
Em Portugal a AR aprovou um voto de solidariedade com os votos do PCP e BE e a abstenção de todos os outros.
Esse voto já originou aliás uma reprimenda do Real Reino de Marrocos.
Também hoje - Dia Internacional dos Direitos Humanos, friso - tomámos conhecimento da 28.ª vítima mortal de violência doméstica em Portugal - uma mulher de 40 anos. Segundo a PSP a vítima apresentou durante o corrente ano sucessivas queixas por maus tratos - nada puderam fazer porque não houve flagrante delito. Agora aconteceu o delito flagrante.
Soubemos também que as pensões de alimentos por pagar dispararam (que verbo mais a despropósito) este ano e complementa-nos o Público esta informação com o relato de mulheres que se assumem como tal e não viram costas.
E é neste contexto que tomamos também conhecimento que uma fulana, saltarilha política com saltos entre PS, PSD e CDS, ar enfastiador de tia de cascais, deputada agora não sei por quem, malcriada e muito, deu ontem triste e deplorável espectáculo no nosso Parlamento.
Deste calibre, estou em condições de apresentar uma série de sugestões de nomes para futuros candidatos a deputados.
Há por aí uns ambientes em que rápidamente se fazem recrutamentos do género. Parece no entanto é que tal oferta deve ser dirigida a PS; PSD e CDS, dada a experiência de acolhimento.
Para a tia saltitona de cascais vai o meu desprezo.
Para todas as Mulheres dignas do M e no caso para Aminatu Haidar vai a minha solidariedade.