terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Um dia... quando quizermos




Ai quando um dia descobrirmos a força que temos.
Quando tomarmos consciência que o cão que nos morde os tornozelos até se mija quando lhe fizermos frente e lhe batermos o pé.
Quando aqueles que nos cercam contra as cercas tiverem que as saltar eles próprios.
Quando não seguirmos mais em rebanho e cada um de nós for livre.
Quando …
Dirão os que nos oprimem: quando as galinhas tiverem dentes. Arrogantes e convencidos como sempre.
Pois…Mas um dia… e muitos de nós já vivemos esse dia.
Lembram-se?
Saímos para a rua a cantar somos livres e vocês os que pensam que esses dias só acontecem quando as galinhas tiverem dentes, fugiram para a então ainda franquista espanha.
Porquê? Não gostaram da Festa?
Temos agora em mãos uma boa oportunidade de dar um sinal, um pequeno sinal, de querer contrariar o rebanho.
Na véspera de Natal os trabalhadores da distribuição (Super e Hipermercados) anunciam fazer greve contra horários desumanos de 60 horas semanais.
Dizem os patrões: só estamos a adaptar o contrato à lei. É verdade, adaptam-no ao Código de Trabalho - a lei proposta pelo Governo da Esquerda e dos mais desfavorecidos. A lei do PS.
Também dizem, hipócritas. Tal greve também prejudica os consumidores.
Pois vão para o, ou seja, queria dizer: não se preocupem connosco… havemos de consumir qualquer coisita…já estamos habituados.
Mas na véspera de Natal não precisamos dos vossos altruístas serviços.
Só está nas nossas mãos…

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

VIOLENCIAS





"Um rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprimem." Bertold Brecht.

O «coisa» foi agredido, com violência dizem alguns. Que coisa se terá passado para que tal coisa tivesse acontecido ao «coisa».
E essa coisa, pode ter sido o acumular de muitas coisas ou simplesmente uma coisa que até deu jeito.
Coitado do «coisa»…
Foi coisa arrepiante ver algumas manchetes: «Violência Constitucional», por exemplo, e penso que pode ter sido erro de tradução ou …a não ser que a coisa da agressão, tivesse sido um belo e duro exemplar da …Constituição.
Quantas vítimas do «coisa» não terão, pelo menos por breves momentos, sentido justiçados?
E que coisas se seguirão agora?
Ali estão a passar-se coisas esquisitas.
A História não pode servir para julgar o presente, mas serve para alertar os presentes de trajectos semelhantes no passado.
Outras coisas e outros «coisas».

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Mulheres




Hoje vou escrever no feminino.
Hoje em que nos dizem que é o Dia Internacional dos Direitos Humanos.
E também o dia em que um homem que alimenta a guerra receberá o Nobel da Paz.
Poderia também ser o Dia Internacional da Hipocrisia.
Por razões muito diferentes entre si, as mulheres têm lugar de destaque na imprensa de hoje. Tão diferentes que a umas me apetece tratá-las deferentemente.
É o caso de Aminatu Haidar em luta pelo direito ao regresso à sua casa Saraui. Esta activista pelo direito à auto determinação do povo do Sara Ocidental está a cumprir hoje, o seu 25.º dia de greve de fome. Conta com a solidariedade de muitos e com a hipocrisia de mais.
Em Portugal a AR aprovou um voto de solidariedade com os votos do PCP e BE e a abstenção de todos os outros.
Esse voto já originou aliás uma reprimenda do Real Reino de Marrocos.
Também hoje - Dia Internacional dos Direitos Humanos, friso - tomámos conhecimento da 28.ª vítima mortal de violência doméstica em Portugal - uma mulher de 40 anos. Segundo a PSP a vítima apresentou durante o corrente ano sucessivas queixas por maus tratos - nada puderam fazer porque não houve flagrante delito. Agora aconteceu o delito flagrante.
Soubemos também que as pensões de alimentos por pagar dispararam (que verbo mais a despropósito) este ano e complementa-nos o Público esta informação com o relato de mulheres que se assumem como tal e não viram costas.
E é neste contexto que tomamos também conhecimento que uma fulana, saltarilha política com saltos entre PS, PSD e CDS, ar enfastiador de tia de cascais, deputada agora não sei por quem, malcriada e muito, deu ontem triste e deplorável espectáculo no nosso Parlamento.
Deste calibre, estou em condições de apresentar uma série de sugestões de nomes para futuros candidatos a deputados.
Há por aí uns ambientes em que rápidamente se fazem recrutamentos do género. Parece no entanto é que tal oferta deve ser dirigida a PS; PSD e CDS, dada a experiência de acolhimento.
Para a tia saltitona de cascais vai o meu desprezo.
Para todas as Mulheres dignas do M e no caso para Aminatu Haidar vai a minha solidariedade.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

SALA DE VISITAS




A nossa sala de visitas virou parque de diversões.
Tendas de gelo e sem gelo preenchem agora o nobre espaço em nome do que afirmam ser a dinamização do comércio local.
Com uma lotação de 40 pessoas para a patinagem, as filas são contínuas.
Estará ganha a aposta, dirão aqueles para quem vale tudo.
Aguardamos pelas barraquinhas de farturas, pipocas e outros complementos, assim como estamos ansiosos por renovadas diversões, carrinhos de choque, carroceis e afins.
É a nossa sala de visitas no seu melhor. Se há quem tenha cães de loiça e leões jubosos em pó de pedra nas salas das suas casas porque não parques de diversão na sala de visitas na cidade que lhes entregaram para governar?
Mas os que agora transformaram a praça para estes fins são os mesmos que há pouco vociferavam contra a sua utilização como sala de espectáculos e que chegaram mesmo a transferir para praças «secundárias» as festas da Liberdade.
Quando há uns anos se fizeram obras que visavam devolver a praça aos cidadãos, o jornal agora oficial desenvolveu uma feroz campanha - quase arruaceira - do tipo que ninguém ouse tocar nas pedras sagradas. Marcou mesmo um levantamento popular (frustrado como se viu) e agora escreve candidamente pela pena do jornalista António Rafael:..“o que não estávamos de modo nenhum à espera é que o gelo fizesse a sua aparição, e logo no espaço nobre da cidade, ou seja na Praça do Giraldo” diz e nós acrescentamos - não deslumbrados como AR, mas estupefactos - também nós não esperávamos…
ou até talvez não…
dos governantes desta cidade já tudo (de negativo) esperamos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Há outro caminho




Dizem os jornais de hoje que há fortes probabilidades do sr. cenoura raquítica ser um próximo vice presidente do BCE. Haja deus, que me perdoe Saramago. Que vá e não volte.
Não é que não suporte ideias e projectos diferentes, acontece é que me aborrece profundamente a pesporrência dos que consideram ser a sua opinião, a verdade única, o caminho a seguir, sob risco da calamidade se assim não for.
E existe outro caminho. Pode haver quem não o queira seguir. Mas existe.
O Sr. Pier Carlo Padoan, Economista Chefe da OCDE. traça em entrevista ao Diário Económico de hoje, os parâmetros de um outro caminho possível para a economia portuguesa.
Diz o Sr. Pier que o problema não reside nos salários do Estado, mas na produtividade.
E a produtividade, que se traduz na relação estabelecida entre o Produto Interno Bruto e as pessoas empregadas ou horas trabalhadas é determinada por um conjunto de factores, entre os quais da melhoria das competências da mão de obra, dos progressos tecnológicos e de novas formas de organização.
Se falamos de produtividade do trabalho na Administração Pública será aconselhável começar por abordar que item?
Competências da mão de obra? Alguém conhece um plano de formação elaborado não para responder a planeamentos financiados mas para responder às necessidades detectadas?
Progressos tecnológicos? Alguém conhece algo para além de magalhães?
Novas formas de organização? Numa administração esclerosada, assente na doutrina burocrática do chefe omnipotente?
É necessário falar a sério quando se quiser tratar de assuntos sérios.
O estado da nossa economia, o desemprego, as contas públicas, o deficit, são assuntos sérios.
Tratem-nos seriamente.

domingo, 6 de dezembro de 2009

DEMOCRACIA




O processo pelo qual cada um de nós toma determinadas decisões, assume comportamentos e se posiciona socialmente, sempre me intrigou.
Existem para o efeito campos diversos que procuram explicar essas razões (ou a razão) e centralizar em si as explicações. O económico, o cultural, o geográfico, o religioso.
Existem respostas simplistas do tipo: é a condição económica que determina a nossa forma de ser.
É evidente que muitos dos nossos comportamento são marcados pela nossa condição económica mas não são necessariamente (só) esses que me intrigam.
Por exemplo, intriga-me o facto de, conhecedores da «natureza» da «coisa», através do voto, os Italianos terem recolocado na chefia do seu Governo, a «coisa».
Assim como me intriga que, os Suiços, através do voto, tenham decidido acabar com a proliferação dos minaretes nas mesquitas. Segundo parece, existem ao todo, em toda a Suíça a módica quantia de quatro minaretes.
Tal como me intriga que, os Portugueses, conhecedores (e vitimas) de quatro anos de arrogância maioritária, tenham decidido prolongar por mais quatro a chantagem e arrogância minoritária.
Dir-me-ão, os que gostam de respostas simplistas: é o resultado da expressão democrática.
Claro que sim. Mas não deixam de ser aberrações só por isso e muito menos por isso, deixarão de ser razão para eu me deixar de intrigar.
Abespinham-se por vezes alguns, quando confrontados com os seus comportamentos incoerentes (acabam de votar Sócrates e engalfinham-se em duras criticas à sua politica) afirmando: lá vêm vocês com a lengalenga do voto…
Pois, mas sendo a democracia o pior de todos os sistemas, com excepção de todos os outros (Churchil), é também através do voto que nós mudamos as coisas… ou que lhe damos continuidade.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

FMI



Portugal vai emprestar ao FMI – Fundo Monetário Internacional mil milhões de euros. Assim transcrevem os jornais em pequenas notas.
Simultaneamente divulgam também, que o mesmo FMI apresenta como receitas para a economia portuguesa: contenção na função pública, cortes nas transferências sociais e aumento do IVA.
Se não o fizer, não controlará o deficit e a dívida pública chegará aos 100% do PIB.
Não percebo a preocupação. Disto temos cá. Até já o haviam dito.
Aliás são sempre os mesmos e sempre as mesmas receitas mesmo quando se prova à evidência a sua falência.
Lula da Silva, Presidente do Brasil, em entrevista ao Diário Económico traz-nos exemplos de uma economia que seguiu o caminho contrário e cresce.
Diz-nos ele que cresceu significativamente o n.º dos que integram uma classe média, com rendimentos e poder de compra. Que só este ano criou 1 milhão de empregos e que são milhões os que passaram o limiar da pobreza – apesar de reconhecer que ainda há milhões que não o fizeram – e que dessa forma também contribuem para o aumento do consumo e da procura interna.
Diz-nos também que a sua aposta foi no sentido da inclusão social, do investimento e na melhor distribuição da riqueza e que sempre lutou contra a ideia que o Estado representa burocracia e entrave ao crescimento económico.
A falta de regulação está na origem da catástrofe. Mas, os que sempre negaram o Estado, vieram a correr para a sua protecção logo que a bolha rebentou na expectativa de salvar a pele.
É bom saber que há exemplos concretos, mesmo que discutíveis, de outro caminho para a economia. Mais do mesmo já enjoa.
Apesar de tudo, o capitalismo sempre prezou a inovação, pelo menos de fachada, mas agora nem isso está a saber fazer.
Ah. Dizem os especialistas, que o Brasil é a par da China, uma grande economia emergente e que pode ser considerada a quinta potência económica do mundo.
As medidas que se precisam são drásticas mas noutro sentido… mandar às urtigas os «ensinamentos» do FMI.