domingo, 27 de dezembro de 2009

TENDAS




Agora, que estamos de volta ao mundo real, dei por mim, também de novo, a pensar a nossa cidade.
E discorrendo, conclui (da mesma forma apressada com que vemos quase todos a concluir) que, aqui onde tudo só tem valor histórico e patrimonial se levar uma datação e classificação romana (qualquer pontezeca com 200 anos é romana) há mais influência cultural árabe do que aquela que muitos querem admitir.
Tal discorrencia vem a propósito das tendas montadas na cidade nesta época natalícia.
Para patinagem, artesanato, circo, solidariedadesinhas ou caridadezinhas não se vislumbram hoje as diferenças e para outros fins.
E neste, os outros fins, inclui-se uma tenda para lançar uma fábrica e garantir os votos para a reeleição e uma outra tenda para ver passar os comboios.
Convenhamos que o futuro de Évora está nas tendas. Ou nas calendas…
Poucas praças da cidade lhe escaparam.
Só não tivemos tenda para o complexo desportivo (sim, havemos de ter um, um complexo desportivo) mas temos cerca (tem piada…também construída dias antes das eleições autárquicas), uma cerca toda catita, em chapa ondulada, muito bonita.
Aguardamos pela tenda da Acrópole onde serão expostas as lajes graníticas que alisarão a colina.
Sim porque somos uma cidade de planície, nada de colinas. E esta (a tenda) será montada de forma a tapar as vistas do miradouro do Jardim Diana não vá daqui avistar-se a cidade que se desmorona
Vamos voltar à tenda…

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Coisas do entre o ser e o dizer




Não estava mesmo nada a contar em passar por aqui, hoje. No entanto cá estou.
Talvez esta mudança se deva a uma necessidade de afirmação, talvez.
E necessito afirmar-vos que, de facto, não fui hoje a nenhum supermercado ou hiper. E estou bem, muito obrigado.
E Belmiro e os outros iros, esbirros será mais apropriado, também.
E tenho para mim, que mesmo a esta hora, as filas serão intermináveis. Faltava ainda qualquer coisinha…
Sobre este tema, o Público de hoje traz interessante reportagem de Paulo Moura e através desta apresenta-nos Marisa, Ana, Filomena, Raquel e Marília (nomes obviamente fictícios) e conta-nos um pouco das suas vidas, dos seus problemas, dos seus projectos, dos seus contratos a prazo, das ameaças perante a hipótese da greve…
Como seria interessante conseguir que aqueles que hoje atafulharam os hipermercados, pensassem pelo menos um pouquinho, enquanto esperam na fila para pagar, na Marisa, na Ana, na Filomena e em todos os outros. É que também é véspera de Natal para eles.
Também hoje ficámos a saber que a Igreja (católica) já recolheu as assinaturas necessárias para solicitar um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo e que um seu mediático Bispo considera provocação aos sentimentos e consciência cristã que legalmente se abra tal possibilidade.
E eu que esperava que a Igreja dos desamparados, dos pobres, dos desempregados, dos sem abrigo, a Igreja dos homens de bem, solidários, amigos do próximo, manifestasse a sua revolta contra as tiranias e a exploração vejo que a revolta se centra na opção sexual de cada um.
Esperava?
Mas há homens e mulheres que dentro da Igreja esperam e trabalham e praticam assim e para esse fim.
Bem hajam.
E revejam o título deste post p.f.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Coisas de hoje




Talvez pelo temporal. Talvez pelo Natal. Talvez pela boas maneiras ou talvez pela hipocrisia Suas Excelências os Sr.(s) Presidente e Primeiro trocaram votos de Boas Festas.
Não há razão para duvidarmos que serão boas, as festas…as suas.
Mas nós apesar de vós, uns por convicção e outros por tradição também vamos fazer por isso.
Também vamos procurar que, ao menos por uns dias, as nossas festas sejam boas.
Haverá umas couvitas com mais ou menos bacalhau e outros acepipes, uns nativos, outros importados, um tinto ou similar, reencontro de famílias e certamente muita esperança.
Façamos pois deste Natal um momento assim…apesar de tudo.
A todos os que costumam ler estes meus escritos desabafos, desejo um Bom Natal, seja o que for que tal signifique para cada um.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Afinal é Natal



Pelo que nos mostram as televisões a coisa hoje foi animada em S. Bento.
Confesso que tenho cada vez menos paciência para suportar aquele ar cândido, aquela voz melosa, aquele penteado de ausência de pente, aquele estilo de virgem imaculada, aquele acusar todos de tudo pois não se tem a mínima culpa de nada.
Paciência.
Pacientemente ele espera a oportunidade para ir procurar o conforto que precisa como de pão para a boca: a maioria absoluta, a forma única de não ser contrariado.
E por cá, e por todas estas terras dos seus domínios, fustigadas agora por chuvas, frios, vento fortes e neve, 523680 - só dados oficiais - dos seus compatriotas não têm emprego.
E quantos tendo ocupação não têm o rendimento suficiente para uma subsistência digna. Quantas barracas e quantas vidas miseráveis.
E é Natal, sem Pai Natal mas com Menino Jesus.
E à porta de um majestoso templo sai impante, reluzidio , um vistoso Bispo. E os presentes inclinam-se e beijam-lhe a mão e o motorista abre-lhe porta do majestoso carro e sua Iminência parte. São horas de jantar… talvez uma canja de cristas de galo.
E os 523680 desempregados o que irão jantar?
Que presentes vão comprara par os seus filhos?
Afinal é Natal.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Consumidores de todo o mundo uni-vos





Evidentemente que este vai ser apenas mais um pequeno grito (quase) mudo. Mas como acredito que será da soma dos pequenos gritos (quase) mudos que um dia troará o grande grito da revolta e da mudança.
Insisto.
A propósito das posições da APED (os grandes senhores dos hipermercados e afins), quero ressalvar a posição que segundo parece – e segundo parece porque esta não teve ressonância mediática – foi tomada pelo responsável pela Companhia Portuguesa de Hipermercados (Jumbo e Pão de Açúcar) que assumiu que a proposta da semana de trabalho de 60 horas (escravatura moderna prevista do Código de Trabalho e defendida pela APED) no seu grupo não seria aplicada já que querem honrar o seu estatuto de empresa de responsabilidade social.
Que pena não terem um estabelecimento perto da minha residência, mas ganharam um cliente.
Independentemente das voltas e reviravoltas que este assunto tem merecido por parte de todos os actores envolvidos (acabámos de ouvir que a greve foi desconvocada), mantenho a posição que já aqui manifestei: para resfriar patrões negreiros, cuja concepção sobre o trabalho derivará concerteza do seu passado colonizador, não fazer compras a 24 e 31 de Dezembro é uma boa medida, tão fácil de concretizar e sem custos.
Sobre o papel dos patrões e empresários na economia é tema a que me apetece voltar.
Quase sempre avaliados como motor, importará verificar se não estaremos na presença de pistões gripados.
É que já cansa tanta boçalidade por parte destes senhores. A produção e a intervenção no processo económico são resultados de uma interacção humana complexa, que importa conhecer e acima de tudo é preciso saber – friso: SABER – estimular.
Será por causa desta boçalidade que os campos do Alentejo são agora propriedade de proprietários espanhóis e os sectores chave da economia portuguesa passam paulatinamente para empresários brasileiros, angolanos e outros?

Nota: A ausência de alguns dias do blogue leva-me a que só agora possa dirigir os parabéns a Aminatu.
A luta vale a pena.
Sempre.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Um dia... quando quizermos




Ai quando um dia descobrirmos a força que temos.
Quando tomarmos consciência que o cão que nos morde os tornozelos até se mija quando lhe fizermos frente e lhe batermos o pé.
Quando aqueles que nos cercam contra as cercas tiverem que as saltar eles próprios.
Quando não seguirmos mais em rebanho e cada um de nós for livre.
Quando …
Dirão os que nos oprimem: quando as galinhas tiverem dentes. Arrogantes e convencidos como sempre.
Pois…Mas um dia… e muitos de nós já vivemos esse dia.
Lembram-se?
Saímos para a rua a cantar somos livres e vocês os que pensam que esses dias só acontecem quando as galinhas tiverem dentes, fugiram para a então ainda franquista espanha.
Porquê? Não gostaram da Festa?
Temos agora em mãos uma boa oportunidade de dar um sinal, um pequeno sinal, de querer contrariar o rebanho.
Na véspera de Natal os trabalhadores da distribuição (Super e Hipermercados) anunciam fazer greve contra horários desumanos de 60 horas semanais.
Dizem os patrões: só estamos a adaptar o contrato à lei. É verdade, adaptam-no ao Código de Trabalho - a lei proposta pelo Governo da Esquerda e dos mais desfavorecidos. A lei do PS.
Também dizem, hipócritas. Tal greve também prejudica os consumidores.
Pois vão para o, ou seja, queria dizer: não se preocupem connosco… havemos de consumir qualquer coisita…já estamos habituados.
Mas na véspera de Natal não precisamos dos vossos altruístas serviços.
Só está nas nossas mãos…

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

VIOLENCIAS





"Um rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprimem." Bertold Brecht.

O «coisa» foi agredido, com violência dizem alguns. Que coisa se terá passado para que tal coisa tivesse acontecido ao «coisa».
E essa coisa, pode ter sido o acumular de muitas coisas ou simplesmente uma coisa que até deu jeito.
Coitado do «coisa»…
Foi coisa arrepiante ver algumas manchetes: «Violência Constitucional», por exemplo, e penso que pode ter sido erro de tradução ou …a não ser que a coisa da agressão, tivesse sido um belo e duro exemplar da …Constituição.
Quantas vítimas do «coisa» não terão, pelo menos por breves momentos, sentido justiçados?
E que coisas se seguirão agora?
Ali estão a passar-se coisas esquisitas.
A História não pode servir para julgar o presente, mas serve para alertar os presentes de trajectos semelhantes no passado.
Outras coisas e outros «coisas».