sábado, 27 de março de 2010

Dicionários



De forma a permitir uma familiarização mais rápida com determinados conceitos e tendo por adquirido que cada ciência desenvolve no seu âmbito uma linguagem própria, existem por isso diversos dicionários temáticos.
Não é propriamente sobre eles que me quero pronunciar, mas sobre a necessidade de rapidamente alguém poder contribuir para resolver grave lacuna que impera sobre o discurso dito económico e que baralha a percepção.
Gostaria muito de ver previamente clarificados os próprios conceitos de:
Economia;
Finanças
Especulação financeira
Julgo existir aqui uma grande miscelânea de entendimentos, que pode conduzir à apreciação e valorização do supérfluo e à subestimação do essencial.
Confesso que ler jornais ditos económicos é por vezes tarefa agradável. Não sei explicar, mas que é divertido, isso é.
A adaptação da linguagem económica a outras áreas do conhecimento é interessante.
Por esta razão, comecei por falar de dicionários, porque penso que para o caso, têm que ser abertas sub temáticas:
Por exemplo:
De ordem geográfica:
PIIGS – (referem-se, e maldosamente, a): Portugal, Irlanda; Itália; Grécia e Espanha.
BRIC – (referem-se, e aqui elogiosamente, a:): Brasil; Rússia; Índia e China.
RTS – (referem-se a:) Bolsa (aquele jogo tipo monopólio) da Rússia.
Changhai Composite - (idem) da China
Hang Seng – (idem) de Hong Kong
E muitas outras, Dow Jones; PSI (espectáculo, é a de Portugal)

Convém reter esta informação, porque sou levado a supor que ela vai ser mais útil no futuro (próximo) do que saber que países ficam na Península Ibérica, ou qual a capital da Mauritânia.
Nas ciências ocultas incluem-se expressões do tipo:
Mercados sem paciência;
Mercados obrigam lideres;
E isto, porque ninguém sabe o que são… «mercados», se coisa abstracta, se real, se com forma de gente ou de bicho.
É um pouco como «crise».
É omnipresente (em termos de distribuição geográfica) e omnipotente - embora as suas vítimas sejam sempre as mesmas - e por isso parece ter estatuto de deus.
Um estranho deus que dizem querer banir(todos afirmam querer combater a crise), mas que lhe é sempre de grande uilidade.
Estranho e diabólico pacto.
Aguardo os contributos

terça-feira, 23 de março de 2010

Um cento



Conforme havia anunciado hoje vou abrir as portas para coscuvilhar um pouco das intimidades do «espojinho»
Atinge-se assim o 100 texto publicado.
O que começou por ser uma coisa experimental, desenquadrada dos picos de moda e que tinha como razão a necessidade de, de alguma forma me pronunciar sobre as minhas (e de muitos) apoquentações, constitui-se agora como mais um factor para dúvidas, ou mesmo para a dúvida essencial: que fazer?
Confesso que este é um exercício mais exigente do que o que havia imaginado e acima de tudo pesa pelo solidão e pelo silêncio que impõe, embora saiba que é crescente o número dos que ouvem o ruído dos meus silêncios.
Alguns números: 900 visitas de mais de 26 países. 320 visitantes (sei que alguns de forma muito fugaz).
Não esperava.
Para os que o têm seguido, decerto se aperceberam que se subordina a uma orientação mais determinada por reacções emotivas do que propriamente por uma determinada temática, embora pesem temas políticos, económicos e os enquadrados numa determinada perspectiva das ciências sociais.
Quem sabe o que é e já viu um espojinho, sabe que é difícil prever-lhes rumo e duração.
Aproveito este texto para prestar uma informação

Simplex

Em 2008 alteraram regras várias sobre as cartas de condução e publicaram legislação para o efeito. Foi simples, pois já se trabalhava simplex.
Tão simplex que eu, que não me considero propriamente um fora da lei, me apercebi hoje que já há algum tempo sou um …
Além de não me considerar tal, tenho ainda boa opinião (veia narcisista) sobre o meu nível de informação geral.
Mas pelos vistos não foi suficiente.
Para ajudar algum amigo tão incauto como eu informo (isto é serviço público) que as cartas de condução (B) devem ser renovadas quando perfazemos 50 anos (depois aos, 60; 70 e depois de 2 em dois anos) independentemente da validade que tenha na carta actual.
Se perfez 50 antes de 1 de Janeiro de 2008 então só renova quando completar os 60.
Se deixar passar dois anos sobre a data em que deveria proceder à renovação… inscreva-se numa escola de condução e candidata-se à obtenção do título. ..
Não teria sido muito dificilex terem informado, não é?
Mas sabemos que a informação não é amiga, prejudica, porque…informa e cidadão informado é cidadão avisado.
E disto anda o poder (e vizinhos) avisado.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Qual é a coisa qual é ela?




Que afirmando uma coisa a nega. Que diz tratar de alhos, mas só fala de bugalhos.
Que se dá ares de entendedora em ciências diversas e que se aloja no seio de uma que destrói.
Que fala em ciclos e em depressões.
Que uma vezes parece dominar as ciências médicas e logo de seguida dá ares de entendida em meteorologia.
Que tem estrelas sem luz própria, mas que brilham (como em nenhuma outra área se conhecem) com grande intensidade (por reflexo dos holofotes).
Posso, procurar dar uma ajudinha … é muito dada a, inevitabilidades…
E mais ainda, a certezas gerais e absolutas.
Estranha ciência…
Os seus gurus, passam muito do seu tempo em palestras, são muito bem pagos e ninguém, incluindo muitos deles, sabem muito bem o que fazem.
São convencidos e repetitivos, mas muito coerentes:
Os seus ensinamentos - construções teóricas de grande densidade - giram em torno de três questões centrais:
Aumentar impostos
Diminuir os salários
Flexibilizar o emprego (destruir).

A ordem de aplicação é aleatória, com excepções pontuais provocadas pelo clima.
Os gurus endeusam-se, julgam-se insubstituíveis e protegem a espécie, embora se tivessem já registado aqui algumas excepções, mas sempre para defender… a espécie e o seu habitat.
São muito dados às questões transcendentais.
As crises vem de nenhures, não têm pai nem mãe.
O mercado é uma divindade que nenhum sabe definir mas que invocam por tudo e por nada.
Sobre este, é habitual ouvirmos: hoje está muito volátil, ou (usando por vezes o plural) hoje estão muito nervosos e identificam rapidamente uma causa para o nervosismo.
Abrem em alta, abrem em baixa, são de marés.
O que é conhecida, sobejamente e tristemente conhecida, é a mole imensa das vítimas destes brincalhões.
Qual é então a coisa?

sábado, 20 de março de 2010

Esquerda, Direita



«não é só uma questão de saber onde se sentam, é acima de tudo uma questão de saber como se comportam»

Para breve, quando completar o 100.º texto (ou post?) prometo uma análise introspectiva ao espojinho.
Dispensados estarão os psicanalistas (com todo o respeito por todos os que se movem neste campo), mas convocados estão todos os amigos que, em silêncio, e por vezes com dúvidas, têm acompanhado estes gritos mudos.
Tenho a certeza que alguns, perante a ambiguidade que a síntese obriga, já se terão interrogado sobre a verdadeira natureza deste escrevedor, já que por vezes, parece que ressaltam dúvidas sobre o verdadeiro sentido de alguns textos.
Garanto-vos - é mesmo só aparente.
Resulta muito da minha preocupação com o plano das ideias - com a teoria - esse instrumento prático indispensável no pensamento marxista.
Podeis ir por aqui com segurança para a percepção do que procuro dizer.
E é por aí que sigo.
Declarações recentes, vindas do interior do PS, parecem responder a dúvidas que aqui já havia expressado e que em suma se consubstanciavam na expressiva apatia ou mesmo concordância com que todos, neste partido que se empertiga de esquerda, aceitavam e mesmo apadrinhavam, tão vergonhosa política de direita.
Tendes de ser pragmático - parece que oiço alguns. Já não existem esquerda e direita e por isso,,, nós somos pragmáticos.
Mas, existem. Esquerda e direita. E o PS de Sócrates (e de outros) é de direita.
Mas o que diferencia, em um entender, esquerda e direita?
A primeira pelos valores humanitárias que defende, por entender a economia como meio para o bem estar e felicidade de todos, por defender o diálogo e a sã convivência de culturas, por acreditar na paz e no diálogo como meio para a resolução de divergências e conflitos, por entender a cultura como traço distintivo dos povos, por respeitar o ambiente.
A segunda por incentivar ao individualismo e ao salve-se quem puder, por colocar a economia ao serviço de alguns - poucos - em detrimento de todos os outros, por ser arrogante e não poucas vezes xenófoba e racista, por considerar a via belicista como caminho par a resolução dos conflitos, por entender a cultura nas suas perspectivas bacocas, não como identidade, mas mais como produto que importa impingir - para neutralizar as vontades próprias.
Porque acredito que há esquerda e direita.
Porque vejo, sinto e me revolto contra esta política que é de direita.
Eu sou, naturalmente de esquerda. Convictamente e procurando que ideologicamente fundamentado.
E acredito que muitos (ou alguns) no interior do PS também o são.
Espero (amos) mais sinais.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Coisas soltas… ou talvez não

Hoje, sem imagem...soltou-se!

Tiros nos pés

Dando uso à linguagem bélica que tanto gostam de usar alguns fazedores de noticias e de opinião, assistimos nos últimos dias a uso com muita profusão da expressão: «o PSD deu um tiro no pé » - a propósito da não menos famosa «lei da rolha» e constatamos que o tiroteio promete continuar e que muitos pés vão ser atingidos. Narciso Miranda promete revelações sobre as recentes expulsões a que o PS procedeu muito recentemente. Acrescento da minha autoria: «Quem tem telhados de vidro…».
Ontem já aqui havia alertado para esta possibilidade.

PS entrou numa deriva à direita

Afirma João Cravinho no mesmo dia em que Paulo Pedroso afirma que se sente feliz por não ser deputado com este PEC. Falta saber se sente feliz com este PS que o produziu.

Uma questão de abrandamento

Estupefacto li: «Desemprego abranda mas atinge valor mais elevado de sempre» se não tivesse abrandado não o teria atingido?

Uma simples questão semântica?

As primeiras e últimas eleições livres na Alemanha do Leste (18 de Março de 1990). Fugiu-lhes a boca para a verdade?

quarta-feira, 17 de março de 2010

Partidos


Para quem tem seguido estes textos, envoltos neste espojinho que por aqui sopra desde os finais de Outubro do ano passado, não é novidade a minha curiosidade sobre os processos de formação de opinião.
E por isso, volto de novo ao tema.
É actual a controvérsia sobre a liberdade garantida pelos partidos aos seus militantes. A este propósito caiu que nem sopa no mel a deliberação do ultimo congresso do PSD que alguns (carentes de manobra de diversão) denominaram de lei da rolha. Considero que a adesão a um partido, implica a alienação de parte da liberdade individual, o acto de adesão livre deve pressupor esse facto. Não é expectável que a adesão a um partido possa englobar a livre decisão de votar em quem entender. Quem o queira fazer tem duas possibilidades: não aderir ou demitir-se caso já tenha aderido.
Este entendimento não pressupõe nem engloba a aceitação de comportamentos tipo ditatorial, mesmo que estes ocorram no seio dos conclaves partidários. A liberdade de participação deve estar garantida nas fases de discussão, preparação e tomada de uma decisão mas não se deve perder a noção de que a construção de uma «ideia colectiva» implica o abandono de «ideias individuais».
Assim e dando a dimensão menor à questão da lei da rolha - todos os partidos - de uma ou de outra forma a aplicam, centro a minha preocupação num outro facto, esse sim, a que atribuo importância crucial: como é possível aceitar, militar e defender um partido que na sua actividade prática tudo faz contra elementares direitos de muitos dos seus apoiantes?
De forma mais directa: como é possível aceitar, militar e defender um partido que por força da sua actuação governamental nos força à greve, às manifestações e a outras formas de luta?
É que esta contradição não é só a negação da liberdade individual, mas mais do que isso, é a violentação da nossa condição social.
Dizem-me que os partidos são hoje interclassistas, não ideológicos e como tal enquadradores destas contradições . Se assim é, para que servem?
Evidentemente que quem difunde estas ideias (e têm-no feito com muita eficácia e eficiência) se situa num quadro de referências políticas e ideológicas de muita proximidade, que alguém designou como o «centrão»,.
Os partidos, embora alguns publicamente o neguem, são construções ideológicas de matrizes diferenciadas.
Abreviando concluo: o que há é muito boa gente (pelo menos na hora do voto) que ainda não percebeu ou se deixou iludir, ou já não tem capacidade de discernir, que aqueles a quem dá o seu voto, o vão usar contra si.
Eis o desgraçado resultado.

terça-feira, 16 de março de 2010

Ouvimos e não queremos acreditar



Depois de um bonito jogo de futebol, ainda sentado no sofá e de rompante, como se no último minuto dos descontos um penalti viesse alterar o rumo de um apuramento, o pivot do jornal televisivo anuncia-nos que a PT atribuiu um milhão de euros de prémio ao seu ex executivo Sr. Rui Soares e a REN 250 mil euros ao Sr. Penedos. isto um pouco antes de sermos esclarecidos que com o PEC, os rendimentos superiores a 500€ mensais serão tributados anualmente, em matéria de IRS, em mais de 100€, podendo chegar aos 700€.
Estamos a falar de rendimentos e salários (a maioria dos quais vão ser objecto de congelamento) que abrangem um universo bastante abrangente dos trabalhadores e famílias dos portugueses.
Perante o escândalo, nem importa muito procurar identificar a natureza das empresas citadas, ou seja se o seu estatuto é público ou privado.
O que é público é a gritante brutalidade das medidas.
A que século correspondem estas atitudes?
Que gestores são estes? De que rasgos de génio são dotados para merecerem (???) estas principescas mordomias?
Uma coisa sabemos, quem decide e quem aceita, não tem um pingo de vergonha.
Os trabalhadores sem trabalho, os jovens explorados a prazo, os que auferem salários de miséria, os pensionistas sem dinheiro para os medicamentos são ofendidos por esta gente.
E são estes e outros similares que aplaudem o PEC, que agridem a dignidade dos funcionários públicos (não a dos rapazes nomeados), que culpam os desempregados pelo desemprego, que vão cortar nas paupérrimas contribuições sociais dos mais desfavorecidos.
Tenham (pelo menos) vergonha porque outros atributos éticos e morais não nos atrevemos a pedir-vos.