segunda-feira, 24 de maio de 2010

Os gansos até nem têm culpa



Dizem os gansos, de forma melodiosa e pretensamente sábia, talvez no êxtase de mais um tango, que não é aconselhável acrescentar uma crise social à crise financeira.
Mas não é com a crise financeira que têm acrescentado mais crise à crise social?
Não tem sido sob o seu manto que se tem retirado salário, direitos e garantias aos trabalhadores, criando ou amplificando a profunda crise em que se encontram milhares de famílias portuguesas?
Não é sob o pretexto da crise que alguns dos velhos gansos da direita portuguesa a que se juntam uns patinhos marrecos do PS, vêm desescrupolosamente afirmar que se está perder uma boa oportunidade para se baixar os salários?
Não reguem com gasolina o fogo!
Vocês sabem que os trabalhadores portugueses ganham em média 55% do salário da zona euro!
E que os gestores portugueses ganham em média:
+ 32% que os gestores Norte Americanos;
+ 22,5% que os Franceses;
+ 55% que os Finlandeses;
+ 56,5% que os Suecos.
(Fonte: Manuel António Pina, Jornal de Noticias de 24.10.2009)
Dizem logo os gansinhos: ganham o que as empresas decidem! Pois, também os outros.
E os trabalhadores ? Quem decide os seus vencimentos?
Continuai com o tango.
Que eu vou acrescentar protesto ao protesto de muitos mil, na certeza que não estarei a crescentar crise social à crise, mas sim a combater a crise.
Combatendo as vossas desgraçadas políticas.
Dia 29 em Lisboa.

domingo, 23 de maio de 2010

Coisas leves



Para desintoxicar e porque gosto.
Vou experimentar aos fins de semana, uma abordagem um pouco mais «leve».
Daí que talvez escreva sobre gastronomia ou essa coisa que em mim consiste em misturar produtos na perspectiva de apaladar um produto final.
E para misturar produtos, nada como abordar primeiro os próprios produtos.
Os supermercados facilitam essa tarefa. Quase sempre estão descritos, indicam as proveniências, e ultimamente até o meio e forma de criação - no caso dos peixes, se de captura ou de aquacultura.
Para a sua escolha tenho um padrão muito subordinado a um leque que muitos designam por dieta mediterrânica, mas não cristalizo aí os gostos e prefiro, sempre que a preferência é possível, que sejam resultado de criação «artesanal».
Só quem já provou um frango do campo pode compreender as diferenças com os frangos de supermercado. Na cor, na textura e acima de tudo no sabor.
E agrião dos ribeiros, quantos conhecem a diferença para com os molhos supermercadizados?
E as beldroegas? E os espargos? as túberas? E os cagarrinhos ou cardos? O achigã ou a boga e a carpa como esta se come na Jerumenha?
Uso muito e profusamente as chamadas ervas aromáticas. Coentros, poejo, salsa, hortelã e hortelã da ribeira.
Já experimentaram temperar uma salada de tomate com uma boa mão cheia de orégãos?
Experimentem por estes dias os que são de cá, e os outros que não sendo, se por cá passarem e se o tempo estiver quente - o que é bem previsível - um refrescante gaspacho acompanhado com uns jaquizinhos fritos : nada mais que água fria que se tempera com azeite, alho pisado, vinagre e sal à qual se acrescenta cebola (nova) picada, pepino cortado miudamente em cubos, tomate (de salada) de igual forma, umas rodelas de linguiça ou pedacinhos de presunto gordo e sopas de pão ..ah e acompanha-se a sopa assim obtida com os jaquizinhos fritos.
É saboroso, refrescante e muito económico.
Nos dias que correm, com o Governo a ir-nos ao bolso, pode ser uma boa solução
Bom apetite.
Coisas de domingo…

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Haverá ou não vida para lá de...



É intenso o cheiro a bafio.
Os homens sem alma que rezam ao deus dos milhões (cifrões) espezinhando milhões (pessoas) tudo dominam.
Um qualquer dos seus boçais representantes arvora-se em previsor do futuro, constrói o cenário que lhe interessa no presente e logo nos entra casa a dentro sob a capa de grande «pensador».
Grande pensador é de facto. Pensa a cada momento em engordar desmesuradamente o seu espólio à custa seja do que for.
Estes são homens sem valores e os seus pensamentos têm o valor correspondente a si próprios.
Quantos pensadores de facto, intelectuais no profundo significado da designação, investigadores, homens e mulheres - alguns deles tão jovens - não produzirão em cada dia que passa conhecimento e não darão contributo para que a vida de cada um de nós - até a dos boçais senhores - possa ser um pouco melhor?
Consultei (e recomendo) o site: www.cienciapt.net e decidi dar relevo a três factos:

Mais de 300 jovens concorrem ao 18.º Concurso Jovens Cientistas e Investigadores 2010. Têm entre 15 a 20 anos e provêem de 57 Escolas Secundárias.

E

Investigadores do Instituto de Medicina Molecular mostram como determinados medicamentos anti virais inibem a entrada do vírus VIH 1 nos glóbulos.

E

Seminário : Empreendorismo Internacional nas PME: os desafios da globalização.

Apenas três “pequenos exemplos. Três exemplos de que há mais vida para além das finanças.(dinheiro).
São estes homens, mulheres e jovens que por formas diversas e contributos diversificados têm a dimensão de grandes homens.
Mas a estes quase ninguém presta atenção.
Eu sei que parece estranho que hoje, quando se concretiza mais um assalto aos nossos salários e às nossas condições de vida, parece estranho que venha falar de conhecimento e de ciência.
Mas não é.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O MUNDO MUDOU



Assim como não quer a coisa, de uma forma totalmente inesperada: o mundo mudou.
E mudou tão repentinamente - mais repentinamente que as mudanças de rumo da nuvem islandesa - que o primeiro ministro de Portugal foi apanhado de surpresa e forçado, por essa forma, a fazer hoje, o que ontem jurava a pés juntos não ter a menor intenção de fazer.
No entanto, só ficámos a saber que mudou mas nada nos foi dito sobre as mudanças verificadas.
Fazem todos (os que dominam os meios para tal - leia-se comunicação social) um ruído tão intenso e permanente que falta tempo para procurar perceber as mudanças e menos ainda procurar perceber-lhes as causas.
Ontem foi a falência de um banco de dois irmãos americanos, depois madof, no dia seguinte a turbulência foi provocada pelas medidas aprovadas no Congresso (EUA) sobre a protecção para a saúde, as bolsas caem, as bolsas sobem, as bolsas tremem e agora estão em chamas (já não em sentido figurado, mas real, pois hoje é o que está a acontecer em Banguecoque).
Ontem a crise era à escala planetária e devia-se ao imobiliário, depois passou para a escala europeia e deve-se aos ataques especulativos ao euro, agora parece cingir-se a economias localizadas e tem origem orçamental.
É curioso constatar que os EUA (antes origem) agora parecem não existir sequer nesta geografia da crise.
De facto, concordo que se verificou uma mudança.
Mudou a aceleração e o ritmo dos ataques às condições sociais dos trabalhadores.
Nunca como agora foram desferidos ataques tão violentos e destruídas tantas regalias sociais.
Por força disso, agora existe um mar de gente disponível para a escravatura e um oceano de homens e mulheres que temem pelo seu futuro.
Esta foi a mudança.
Agora o trabalho é um factor de produção ao preço da uva mijona e disponível para quando e nas quantidades que forem necessárias.
E pelo tempo que for necessário.
E para ela, esta mudança, o primeiro ministro de Portugal deu um importante contributo.
Falando ainda de mudança.
Verificado que está, que efectivamente o mundo mudou, é legítimo supor que o sentido de voto dos portugueses também tenha mudado, não acha senhor primeiro ministro?
E esta previsível mudança não lhe sugere nenhuma medida?
O seu parceiro coelho está ansioso que seja um pouco mais tarde.
Não tem pressa, o senhor está a trabalhar para ele.
Pelo contrário, os trabalhadores portugueses têm muita pressa na mudança.
Mas uma mudança efectiva de rumo.

A bem de Portugal.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Yn espaniol nos entendiemos… ou en doitchland?




Yeu oje intiendo devir ablar in espaniol.
Hai aprendido a ablar assim como vosotros nuestros hermanos siempre qui em Badagoz estive quirendo comprar caramielos.
Nom sei porque trouxe simpre os caramielos errados…
Nom sei tambiem porque carga di águas aquele fulano quis ontem ablar espaniol.
Estaria gozando com nosotros???
Né.
Imajino o fulano a ablar doitchland com a Merkl. Ih.Ih.
Diebe ser mais ou mienos assim:
Hielo Merkl, como wie gehti eis ihneme?
Buena? mui biem.
Mais impuestos e mienos salários si não nada feito???
Veri wel, ou sieja, assim será.
Ahora já tiengo com quiem dançar, in portugallo y es un bielo mutchacho.
Mui pariecido comigo.
Y como são buenos os tangos.
Nom??? Yeu disse tangos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

DESCUBRA AS DIFERENÇS



Os últimos dias vieram acentuar um traço cultural distintivo, um gosto enraizado em gerações, uma prática que os jornais se têm encarregue de expandir e que consiste no gosto pelo jogo de procura de diferenças entre duas fotografias ou outras imagens, aparentemente iguais.
E tal ocorre por força do que nos projectam as posições assumidas pelo PS e pelo PSD.
Que diferenças existem entre eles?
Façamos um exercício:
Ambos peroravam até há um tempo recente, não quererem aumentar os impostos.
Ambos acordaram agora aumentarem-nos.
Ambos defendem a continuação da mesma politica económica que alternadamente têm conduzido e que nos conduziram à situação actual.
Ambos ajoelham perante os ditames financeiristas oriundos do governo sombra (mas governo de facto) europeu.
Ambos sacrificam o desenvolvimento em nome de um pretenso combate ao deficit.
Ambos falam da necessidade de uma maior flexibilização do mercado de trabalho e ambos estão a pensar assim na facilitação dos despedimentos.
Ambos partilham do mesmo princípio no que concerne aos salários: quanto mais baixos estes forem mais altos serão os lucros dos empresários, seus promotores.
Não existem então diferenças?
Não sejamos injustos.
PS está à esquerda de D.
Ah e…ambos gostariam de apoiar a reeleição de Cavaco…
Por falar no… em Cavaco. Afirmou este que há sempre um momento em que alguém tem de pagar a factura.
Nós já sabíamos senhor professor…são sempre os mesmos.
E é à mesma este, que se prepara para vir hoje falar (já falou mas disse o que já sabíamos) solenemente ao país sobre… o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Os problemas sociais, o desemprego, os pobres, os salários esclavagistas, os impostos asfixiantes, são assuntos para depois.
Para Janeiro de 2011 quando precisar do nosso voto para ser reeleito.
Sem querer, introduzi uma terceira imagem.
E não descubro as diferenças.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Arre...



Não tenho estado distraído nem parti como peregrino, simplesmente afazeres cívicos impediram-me de, nos últimos dias, tecer aqui os meus comentários, e que dias…
O papa dominou e todos acompanhámos livre ou forçadamente até ao mais ínfimo pormenor as questões logísticas e cénicas que lhe foram associadas.
E sob esse sagrado manto impuseram-nos mais impostos e mais dificuldades.
Homens que se dizem de palavra (pela minha parte há muito -sempre - soube que não eram de fiar) aproveitaram esses oportunos momentos para fazer o que ontem juravam não terem intenções de fazer.
Uns, hipocritamente, pedem desculpa.
Outros, arrogantemente, dizem que não devem desculpas.
Ambos, acabam por estar certos.
Culpados são aqueles que acreditaram neles.
Assim como todos aqueles que toleram passivamente estas medidas, afirmando discordar mas…compreendendo… a crise… e coisa e tal.
Uma coisa simples todos sabemos.
Quando se tratou de assegurar tachinhos, assessoriaszinhas de todo o tipo, para os primos, primos dos primos, sobrinhos dos afilhados e…quando todos comiam à mesa do orçamento eu não fui chamado para decidir e não decidiria dessa forma, obviamente.
Mas agora que a manta está curta sou chamado e em nome do sagrado interesse da pátria.
A pagar mais imposto pelo pão, pelo leite, pela carne (pela cocacola não contribuirei… ora toma-te esperteza saloia) , a pagar mais irs a ter menos condições de vida.
Para isto sou chamado e a toda a hora.
Mas creio assistir-me ainda o direito de fazer duas simples perguntas:
1. Porquê estas medidas se, a fazer fé nas declarações do Sr. PM e passo a citar; “Portugal foi dos primeiros países a sair da condição de recessão técnica” e “Foi também um dos países que melhor resistiu à crise” ?
2. Porque não é suficiente - para resolver o desequilíbrio orçamental - suspender as medidas extraordinárias de apoio às empresas decididas em 2009 e que foram apresentadas para o valor do défice entretanto verificado?
Uma outra pergunta, esta dirigida a SESPR:
1. Diz Vexa que a visita do papa veio ajudar a combater a crise. Pode dar um exemplo senhor ilustre professor ?
Deixo as perguntas, para uma pequena informação: Gordon Brown vai para o FMI.
Xiça, que é demais.