domingo, 13 de junho de 2010

Noivas de St.º António



Não sei se por influência ( e se assim foi, só por associação de ideias como é óbvio) da carga simbólica do dia, principalmente as manias casamenteiras do seu santo patrono, dou comigo a pensar sobre alguns pares interessantes da cena política actual.
E assim surgem-me:
Sócrates e Coelho e por consequencia a política de austeridade de cortes salariais e de aumento de impostos.
Mário Soares e Fernando Nobre (vá-se lá saber porquê!!!).
Vasco Prurido Valente e Cavaco Silva. Para se perceber é preciso ler a croniqueta que o primeiro hoje esborrata no público.
Cavaco Silva e Bagão Félix por causa da posição do primeiro, sobre casamentos.
Francisco Louçã e Manuel Alegre e uma alegre esquerda que se cansa de o proclamar e tarda em o confirmar.
Um tal de Brito e de novo Manuel Alegre. Serodios amores?
Coisas leves…de domingo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ah Camões, grande Camões…



A propósito da pesada insustentabilidade de que falou hoje sua excelência e pensando no peso da sua própria insustentabilidade, considero que insustentável é verificar que os responsáveis pela crise, aqueles que tomaram e tomam medidas nas quais ela assenta, aqueles que dela beneficiam e aqueles que a projectam para os seus já confessáveis fins, continuam descaradamente a perorar sobre ela e a ofender as suas vitimas.
Insustentável é constatar a hipocrisia de falar em diminuição de remunerações dos detentores de cargos políticos ao mesmo tempo que aumentam o valor das ajudas de custo, de representação e outras manigâncias.
Insustentável é ver que os culpados são medalhados neste dia nosso e de Camões.
Insustentável é este cheiro a naftalina, este desfilar constante de canalhas que de Portugal só gostam da possibilidade crescente de explorar para enriquecer desumanamente.
Insustentável é verificar que cada vez mais ajoelhamos quando nos devíamos erguer e tratamos por excelência aqueles que deviam ser tratados com desprezo.
Insustentável é sim sr. presidente.
Neste 10 de Junho, resguardo-me na ideia de que tu Camões, tu que resististe ao teu tempo e aos tempos de depois, resististes aos liceus e aos tecnocratas da língua, aos que procuraram transformar a tua épica poesia, em coisa de métricas e sílabas … sim resguardo-me na ideia de que tu sejas capaz de os mandar com eloquência para o sítio de onde eles são.
De Portugal, não são.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O espelho quebrado da Srª Merkel



Circula por aí, ou mais apropriadamente por aqui, já que o meio difusor é a net, um vídeo onde aparece Sócrates a mascar a língua inglesa - naquele seu jeito para línguas no qual no espanhol é expoente - e enquanto isso, ou seja enquanto ele masca, uma plateia de ilustres senhores da europa - de onde se destaca a Sr.ª Merkel - riem, por isso, à bandeirada.
A quem se dá ao ridículo não se reza pela alma, poderá passar a dizer-se, no entanto, de que se riem os comparsas dele?
Saberão porventura falar a língua de Camões?
Eu estou-me borrifando para as tristes figuras de Sócrates, agora não sou imune ao desrespeito pelo meu país e pela sua cultura.
E a risota pegada destes senhores é um acto de desrespeito.
Fale a língua de Camões Sr. Primeiro Ministro, respeite-a e exija que a respeitem.
Assim como é um desrespeito, grosseiro e agressivo, a Sr-ª Merkel descaradamente sugerir / ditar regras a países soberanos, aconselhando-os a tomarem determinadas medidas e afirmando que as que tomou para o seu país deviam constituir-se como exemplo a seguir.
Que cuide a Sr.ª Merkel mas é dos exemplos que o povo do seu país parece demonstrar querer seguir e que apontam para lhe dar por terminado o reinado.
O espelho da Sr.ª Merkel está partido - também pudera - e por isso ela não se enxerga e só vê o ridículo dos outros.
Para além do mais, seria de todo conveniente, que a Chanceler Alemã não sugerisse o exemplo alemão como exemplo a seguir.
Quanto mais não seja por uma questão de melindre...ou de exemplos.

terça-feira, 8 de junho de 2010

A crise vai acabar



Claro que também tenho o direito à adivinhação, era o que faltava que ele me fosse cerceado, logo a mim que sou tão dado às questões próprias da magia.
E mesmo que não fosse e a afirmação fosse sarcástica, não é o espectáculo diário que nos é dado: a projecção e ribalta de tanto adivinhador?
Anotai pois esta minha afirmação, adivinhação:
A crise vai acabar.
Quando os direitos dos trabalhadores forem completamente excomungados do texto constitucional e da legislação, quando despedir for mais fácil do que trocar de operadora de telemóvel, quando não existirem direitos sociais e estar desempregado passe a ser uma condição facilitadora da escravatura.
Quando a função pública se limitar à função repressora do estado e tudo o mais estiver entregue à lógica gananciosa do lucro.
Quando quem não tiver dinheiro para os cuidados de saúde morrer às portas dos hospitais e nas escolas só entrarem os filhos daqueles que tenham dinheiro para pagar as propinas, mesmo que burros…
Quando… e esse tempo não está assim tão distante.
Então acabará a crise.
O que sobra então?
Um perigoso e triste mundo de homens e mulheres alienados.
Não homens e não mulheres.
Gente, simplesmente.
E ricos, cada vez mais ricos, mais balofos e vazios.
Cada vez mais: NINGUÉM.

domingo, 6 de junho de 2010

Dose para cavalo



A preguiça já vai longa e apesar de ser domingo, aqui estou.
Não foi por acaso que criei um «rubrica» que denominei de «coisas leves» de domingo. Procurarei encaixar aí este pequeno texto.
Mas o que procuro acima de tudo é desintoxicar-me de selecção.
Por favor não me façam deixar de gostar de futebol, que até é um desporto bonito. Mas eu estou farto de vocês.
Joguem e ganhem, ou não… mas eu não quero saber por nada, dos vossos afazeres, gostos e depravações.
Tristes figuras a dos jornalistas… e eu que sonhei ser jornalista…que têm que fazer estes acompanhamentos, não sei se estes já apuraram, quantas das vedetas ressonam e quantos salpicam a tampa da sanita quando fazem xixi, mas vão apurar certamente.
Por ser um texto «leve» e porque também nele o futebol é dominante, abstenho-me de me pronunciar sobre a última reacionarice do novel coelho.
Se quer despedimento sem justa causa, pois que o haja por antecipação e que ele seja o primeiro objecto de tal media.
Vou para a minha mini com tremoços.
Porque hoje é domingo.
A sugestão gastronómica?
Migas de tomate com qualquer coisa.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Tragédia e efemérides



Até quando esta impunidade? Até quando?
Como é possível um bando de terroristas a mando de um estado, atacar em pleno mar e em águas internacionais um navio e matar indiscriminadamente os seus tripulantes?
Já nada basta a estes sanguinários?
E por aqui, por estas bandas de cá deste mar nostrun os nossos governos dizem que condenam e coisa e tal, chamam embaixadores, pedem mais provas (os corpos das vitimas?)
È música a que os criminosos estão habituados,
Não podemos lavar as mãos de um problema criado por nós.
Quem inventou a terra prometida na terra palestiniana de sempre?
Temos pelo menos o direito de exigir a estes facínoras que lavem a boca antes de nos virem dizer que lamentam , mas que foi necessário.
O que é necessário é pôr fim ao bloqueio a Gaza, aos colonatos e à ocupação de uma pátria que não é sua.
É uma tragédia que ensombra as efemérides deste 1 de Junho que gostaria de comemorar convosco;
A primeira, é do foro pessoal, mas como considero ter constituído também um acto libertador, partilho assim, a alegria do meu terceiro aniversário sem tabaco,.
Comemoramos também, mesmo que as crianças da casa só já o sejam aos nossos olhos - mas existem todos os outros milhões de crianças em todo o mundo - o Dia da Criança,
Por último e anotem esta efeméride:1 de Junho de 2010 é o 1.º dia sem Constâncio. Foram 10 longos anos! O homem foi embora e vai mudar de ares depois de 10 anos da sua lengalenga: aumentar os impostos, diminuir os salários, aumentar os impostos, diminuir o salários, aumentar os impostos, diminuir os salários…
Raios partam o homem que não só não sabia dizer mais nada como nunca lhe deu para inverter as coisas.
Dir-me-ão não mudou nada. Eu sei.
Mas já não havia pachorra.
Eu sei que vai continuar com a mesma lengalenga, mas está um pouco mais longe.
Livra.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

QUANTOS MIL ?



O Público, no dia seguinte à manifestação, num esforço para, com tanto de patético como de ridículo, procurar contestar a presença de 300 mil, socorreu-se da figura de observadores.
Ainda esperei que por força da protecção das fonte, tais observadores não fossem sequer referenciados, mas foram-no…
Deu o jornal tal importância a esta questão do número que logo na 1ª página nos referia que segundo eles, observadores por si citados, os manifestantes seriam menos, muito menos. .
E assim, para o jornal, esta passava a ser a questão central: se 300, 280 ou mesmo 200 mil.
Do leque dos observadores (que se limitavam a dois) constavam uma tal de brites que foi apresentada como ex. funcionária da CGTP e especialista em contagens de manifestações.
Sim! Assim nos foi apresentada.
Estou a falar do Público, não estou a falar de um qualquer pasquim.
Uma peça deste género, apesar do sobreaviso permanente que mantenho, não esperava.
Não esperava e confesso que ao invés de revolta, senti uma enorme vontade largar uma sonora gargalhada.
Meus senhores enxerguem-se e cuidem-se.
Excesso de ridículo, mata.
E hoje dois dias passados, silêncio.
Como se fosse possível calar o grito de BASTA que milhares, muitos milhares, 300 mil, gritaram em Lisboa.
E que ecoou por todo o país.
E que teve a força não só de um clamoroso protesto, mas também de uma majestosa participação cívica em defesa da democracia ameaçada.
Não acrescentámos crise à crise.
Acrescentámos confiança à luta para mudar o rumo.
Estes 300 mil multiplicam-se por muitos e o seu grito percorreu o país de lés a lés.
E não o conseguem silenciar, por mais que se esforcem.
A luta continua.