Compreendo que tenham lido dívidas...
Nunca fui muito dado a regatear preços.
Já me alertaram que em determinados contextos e culturas este meu «princípio» pode mesmo ser mal interpretado. A ser assim e acredito que seja, se forçado assim farei, mas penso que «regatearei» mal.
Alertaram-me também que, se partir de mim o estabelecimento do preço, ou seja se eu disser: «por isso dou-lhe tanto…» não será depois uma atitude digna da minha parte se não consumar o negócio .
Vem esta nota a propósito da situação decorrente dos negócios da dívida pública portuguesa e a voracidade dos mercados (jarrões que não carecem de explicação dada a profusão de uso).
Queixa-se o Sr. Ministro das Findanças, perdão, das Finanças, que os mercados estão a praticar taxas muito elevadas (6,67 verificados ontem), mas não foi ele próprio que afirmou que o país não suportará taxas acima dos 7%?
Então, para o que o Sr. Ministro se mostrou disponível para pagar ainda existe uma margem para os agiotas, ou seja ainda podem vir buscar mais 0,33%.
Foi ele que estabeleceu o preço, porque se queixa?
Razões de queixa temos nós, os que pagamos.
Uma outra questão merecedora das minhas dúvidas prende-se com o Candidato que é Presidente, mas que não é Candidato e aqui estas, as dúvidas surgem em turbilhão:
Disse-nos (ou mandou dizer) que se não fossem os seus avisos a «situação» estaria muito pior.
Sabendo quão negra está a «situação» fica por esclarecer, o que conseguiu evitar?
Diz-nos (ou mandou dizer) depois da aprovação do Orçamento (instrumento que todos afirmam penalizar trabalhadores e a população desfavorecida) que na sua discussão na especialidade se deve procurar distribuir equitativamente os sacrifícios.
Referir-se-á à distribuição equitativa pelos mesmos de sempre não é verdade?
Sabendo-se que acumula pensão com vencimento e preocupado (como mandou dizer que está) com os mais desfavorecidos, porque não tomou a iniciativa de prescindir ou do salário ou da pensão?.
Não é verdade que o Sr. Candidato que é Presidente, mas que não é Candidato, foi Ministro das Finanças e do Plano entre 1980 e 1981 ; Presidente do Conselho Nacional do Plano em 1981; 1.º Ministro de Portugal entre 1985 e 1995; Presidente da República há quase 5 anos a que quer acrescentar-lhe mais 5?
Tem portanto na bagagem 17 anos de actividade política ao mais alto nível.
Não tem culpas no cartório? Será que sou eu que as tenho?
Afirma abnegar a «política» (ou manda afirmar) e nós interrogamo-nos o que seria se gostasse?
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
INDIGNAÇÃO
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Ao longo da minha infância e adolescência, ouvi vezes sem conta o desabafo lastimoso de um familiar próximo que dizia, perante a dor de uma perda: «o meu chorar é seco. Já verti todas as lágrimas».
Revivi agora esta triste memória quando me confronto com uma certa incapacidade que começo a sentir, de me indignar e pergunto-me se, não terei já perdido ou secado a indignação.
Perante a avalanche de medidas penalizadoras para os trabalhadores e os desfavorecidos (e volta de novo a política económica e financeira e o orçamento) confrontamo-nos com uma outra de noticias sobre mordomias que nem sequer conhecíamos.
Publicita o «Público» (relemos por parecer incrível) que o total das remunerações em 2009 dos 12 membros do CA da REN foi de 3,152 milhões de euros. Se tivesse sido equitativa essa distribuição, cada uma dessas preciosidades arrecadou 262 667 Euros.
Numa outra, tomamos conhecimento que os quadros superiores da REFER suspensos (?) no âmbito do processo «Face Oculta» continuam a receber por inteiro todas as suas mordomias. A um deles foi necessário enviar a Policia para que restituísse a viatura de «serviço».
Ficámos também a saber que a administração da PT pretende pagar antecipadamente um dividendo excepcional que permitirá aos 15 maiores accionistas (95% do capital) pouparem 260 milhões de euros (que o Estado deixa de arrecadar).
É esta PT a do interesse estratégico para Portugal, lembramo-nos.
Anuncia-se pela enésima vez que vão acabar as acumulações de pensões e salários públicos, mas a verdade é que elas continuam escandalosamente (Não é Sr. Presidente, desinteressado da política???)
E vimos empresas públicas com estruturas tão densas, tão densas, que se fica com a curiosidade de saber como se articulam administradores, directores, gestores, directores de departamento, chefes de divisão, assessores, secretárias e motoristas.
E vemos agiotas dizerem que a culpa é do RSI.
E vemos estúpidos dizerem que a culpa é dos desempregados.
E vemos beatos retirarem o abono de família às famílias.
Ignorantes a aplaudirem o corte nos salários da função pública.
E vemo-los juntos, alienados, proclamarem que agora vão votar no empregado dos banqueiros.
Por isso, questiono-me por vezes: ainda mantenho a minha capacidade de indignação?.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
O Pior
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
ANIVERSARIO

Faz hoje um ano que este espojinho se anunciou.
Sabendo ao que vinha não sabia no entanto como viria e quanto tempo se demoraria.
Deambulou, com maior ou menor intensidade, pela sua cidade, pelo seu país e pelo mundo.
Ao sabor de impulsos emocionais e norteado por imperativos morais foi expondo os seus pontos de vista.
E em silêncio, num silêncio cúmplice que se pressente, foi ganhando simpatias e partilhando amizades.
Albergou 194 textos.
1974 (lindo número se o associarmos a uma data) visitas.
2968 páginas visitadas.
560 visitantes de 30 países dos quais se destacam: Portugal (naturalmente), Espanha; Brasil , Venezuela.
Em Portugal, teve visitas oriundas de 43 localidades com destaques para: Évora; Lisboa; Porto; Portalegre; Funchal; Barreiro; Braga; Setúbal e Almada.
Quis, por vezes, assentar. Tornar-se temático, incidir só sobre a sua cidade, mas o turbilhão de acontecimentos impôs-lhe outras opções.
E assim parece que vai continuar a ser.
E mesmo hoje, no seu aniversário, não pode deixar de emitir uma nota, um pequeno comentário:
No dia em que, no 2.º acto da peça encenada em torno do orçamento, os actores saíram de cena anunciando a ruptura, o serviço noticioso da RTP, de certo inspirado na mesma senda melodramática, apresentava-nos os mais tenebrosos cenários. Para os fundamentar recorreu a gráficos, gravações, declarações e a todo a panóplia de instrumentos usados em filmes de terror.
Interessante foi ver a apresentação das contas com as perdas verificadas nesse dia no joguinho da bolsa. Este joguinho, como jogo que é, tem perdas e tem ganhos, é conforme está o vento e mesmo quando muda continua a ser conforme está o vento. Mas naquele dia perderam-se milhões porque não houve acordo.
Só que, no dia seguinte, o vento estava de ganhos. Expressivos disseram, e fiquei curioso por saber a que se deviam e esperei para ver à noite o noticiário da RTP.
Até hoje, aguardo.
Adiante pois, porque hoje o espojinho faz anos.
Tenham um bom fim de semana e continuem preocupados: o país vai ter orçamento.
Aos amigos que têm acompanhado este ano de desabafos, um abraço.
Nós acreditamos e lutamos por melhores dias.
Haverá um dia essa alegria.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
POIS...

Pobres homens do Teatro, para além de todas as sacanices e gravilhices a que têm estado sujeitos, são ainda agora alvo de concorrência desleal na prática da sua actividade.
Aguentem amigos, em muitas outras áreas isso já vinha acontecendo…
Mas têm que admitir que têm concorrentes de peso.
Como actor, aquele fulaninho do Brasil - o que foi barbaramente atingido por uma bolinha de papel - não está nada mal pois não? - Talvez uma melhor coordenação dos tempos, mas caramba o homem não se apercebeu logo da agressão, teve que receber a dica pelo ponto - via telemóvel.
Como encenadores, os homens do PS e os do outro PS com D, são magníficos. O ambiente e a envolvência que criaram em torno do Orçamento é digna dos grandes criadores.
Suspense até ao fim.
Uma carga dramática impressionante.
A bolsa deu um trambolhão.
O gráfico da divida pública subiu vertiginosamente.
Mas, deixando por agora o teatro e voltando ao real, uma pergunta se me impôe: se o que é preciso é ter um orçamento, um qualquer, mesmo um mau orçamento, (dizem) porque não um que:
Não roube salários e pensões.
Não agrave com impostos as precárias condições de vida;
Promova o investimento e o emprego.
Porque não???
Uma pergunta, uma simples pergunta.
Adiante.
Não tendo saído fumos, nem brancos, nem negros, das reuniões dos com e sem D, saiu pelo menos algum que indicia quem são os homens dos «mercados».
Bancos de França e da Alemanha e os seus porta vozes , o senhorinho e a senhorinha, querem dar tautau aos seus embaixadores locais pois temem poder haver aqui alguma interrupção no fluxo da usura que estão a praticar.
Começam a ter nome e rosto os ditos «mercados». Mesmo que ainda só os nomes dos seus ponta de lança sejam por agora conhecidos.
Termino com algumas dados sobre «Economia»:
Lucro da Jerónimo Martins cresce mais que o previsto;
Lucro da GALP sobe 18,4% e bate estimativas;
Lucros do BCP aumentam 22%
Liga dos Clubes teve lucro de 180 milhões.
Pois…
domingo, 24 de outubro de 2010
ABSURDO ?
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O Parlamento Europeu , instituiu em 1985, pelas razões que sabemos mas que por agora opto por «deixar para lá», o denominado Prémio Sakharov, para premiar, disseram , pessoas ou organizações que se tenham destacado em acções de defesa dos direitos humanos e da liberdade.
Honrando excepções (Mandela - 1988; Mães da Praça de Maio - 1992 e alguma outras) os galardoados são-no sempre ou quase sempre, escolhidos por força de uma estratégia e de interesses políticos dominantes.
Os que julgam que ganharam a história (e que esta acabou, lembram-se?) a procurarem escrevê-la com os seus próprios caracteres de preconceito, sobranceria , ódio.
Pensando em torno disto e do próprio Nobel e pensando na barbárie e nas milhares de vitimas do canalha ataque ao Iraque (violações, tortura, humilhações de todo o tipo, assassinato de mais de 80 mil homens, mulheres e crianças) pensei em nomes para o próximo laureado com Sakharov:
Busch - O mandante primeiro, o cobarde mentiroso que mandou (resguardado) a matança.
Obama - O mandante das boas falas e da continuidade das mesmas praticas.
Sadam - O ditador (os comunistas iraquianos e o povo iraquiano são os únicos que poderiam usar esta designação por doloroso conhecimento de causa) que acabou por ser vitima.
O prémio honrando-se!
É negro o sarcasmo? É!
Como são negros e horríveis os relatos que nos chegam do que foi feito no Iraque.
Um abraço para os homens e mulheres da minha mítica mesopotâmia, que um dia, tal como nós, hão-de ser livres.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Verdade, verdadinha
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Qualquer um de nós, possuirá os registos mais diversos sobre as afirmações das verdades.
Dos mais beatos: «deus sabe que o que estou a dizer é verdade», aos científicos: «é verdade, não há duvida, está cientificamente provado», aos ontológicos «é verdade, isto foi sempre assim»; aos ditatoriais. «claro que é verdade e não admito que duvidem da minha palavra».
Entretanto, surgiram nos últimos tempos, no léxico econofinanceiro dominante, novas versões.
Mesmo no plano semântico as verdades destes senhores passaram a ter uma outra significação e uma amplitude que se dirá…quase mítica.
Ou seja, não só é verdade, como é inevitável, inadiável, imutável. Em suma…Sagrado!
Quem assim não pensa, não sabe o que diz.
Só há este caminho para a economia, dizem.
Mesmo o mais caloiro do econofinanceiro, acabadinho de sair da faculdade onde venerou o econofinanceiro sénior, proclama: «É assim, não há volta a dar».
Encontramos no entanto, econofinanceiros de dois tipos:
Um, implacável, que assevera que os danos sociais provocados são meros danos colaterais, necessários ao sucesso da «medida» e outro, mais sensível, que toma as mesmas posições mas que afirma ter dores em tudo o que é sitio por as ter tomado.
E falam-nos de entidades intangíveis. Algumas tenebrosas, sendo a mais tenebrosa de todas a que eles denominam de “mercados” e que parece ter um apetite insaciável.
A discussão paradigmática aceitável cinge-se em aplicar um ou dois por cento sobre a taxa de iva e em saber se a margarina e o leite com chocolate passam da taxa reduzida para a taxa máxima.
Toda e qualquer outra ideia é inaceitável, impraticável, utópica.
Não tem enquadramento na verdade dominante da esplendorosa «nova ciência» econofinanceira.
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