Perguntam muitos.
Depois dos protestos, depois das ruas cheias. Depois da coragem finalmente assumida. Depois dos gritos que deixaram de ser mudos.
O que fazer agora?
Agora que as «compreensões» vão seguir o seu rumo normal e voltam ao plano das acções que deram origem aos protestos.
Agora que os «especialistas» encartados - polítólogos, politicos sem ólogo, outras coisas com ólogo resfaltados, procuram amenizar as ondas de choque dos protestos.
Aos que pela primeira vez vieram para a rua, aos trabalhadores sem trabalho, às novas gerações de escravos sem salários, respondo que não ficará em vão o vosso protesto.
Eu e muitos outros mil, vamos dar-lhes continuidade já no próximo sábado.
E acredito, sempre acreditei.
Um dia a coisa muda.
Tal como eu tive o prazer indescritível de ver a festa de um povo a libertar-se, acredito que vocês irão viver a festa da esperança a construir-se.
Haverá um dia essa alegria.
Acreditem.
E participem na sua construção.
Há anos que muitos de nós fazem desse processo uma condição de vida.
Talvez , também por isso, lá tenham estado, com vocês, tantos cotas.
E também pela vossa generosidade, pelo vosso apelo tão simples e tão sincero.
E tão justo.
Por isso, agora, vamos continuar a construir a esperança.
segunda-feira, 14 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
Eu tive um sonho
Eu tive um sonho.
Todos temos sonhos, não é verdade?
Nesse sonho:
Vivia numa pequena cidade do sul. Uma cidade nova encostada às muralhas de uma velha cidade.
Casario branco, rasteiro, ruas limpas e cuidadas .
No centro, becos, ruelas, praças fervilhando de gente - muitos visitantes - esplanadas plenas de cor.
E muita luz, muito sol.
E grandes monumentos a lembrarem-nos outros tempos, antes de nós - ou antes do sonho.
Na cidade nova, as casas tinham pequenos quintais e jardins.
Espantosamente - pequenos jardins e até pequenos hortejos - não lajes e cimento.
Nesse sonho, nessa manhã, a vizinha do lado tinha vindo pedir-nos hortelã e bem fresca a levou para a sopa da panela.
À tarde, num passeio pelos arrabaldes, visitámos um centro de interpretação do mundo rural. Deambulando pelos campos bem tratados, trocámos umas palavras de circunstância com o homem que olhava pelas ovelhas. Apanhámos uns espargos e fomos até ao monte. Traça antiga, barrinha azul em todo o casario, rua empedrada e limpa. Ali funcionam uma padaria, uma leitaria e queijaria. Comprámos pão quente e leite fresco.
Em volta do centro de interpretação funcionam outras unidades de exploração agrícola, modernas e bem geridas. Algumas são cooperativas, outras empresas familiares.
Há pleno emprego, para os de cá e para muitos que têm vindo para cá.
Na aldeia há escola, centro de actividades infantis, posto médico com médico. Um pequeno Centro Cultural - cinema de qualidade uma vez por semana .
Quatro vezes por dia, um moderno mini autocarro liga a aldeia à cidade.
De forma tão inexplicável como inexplicável é a razão para o sonho, este acaba.
E:
Procuro conferir coincidências. Encontro uma:
vivo numa pequena cidade do sul…
Ruas descuidadas e sujas.
Ambiente sombrio. Monumentos que como chorando, largam pedaços de si sobre quem os contempla. Ninguém tem o direito de contemplar a sua decadência…
Casas abandonadas. Cada vez menos gente. E os filhos dos que ficam - os que ainda resistem - a partir para outras cidades à procura dos seus sonhos
Quintais cobertos de cimento e lajes.
E os campos envolventes abandonados, cercados de arames.
E as noticias dos jornais amedrontando. «O Mundo não tem capacidade para produzir alimentos para todos».
Este «mundo» não tem não.
Mas o mundo que sonhei, esse tem.
Todos temos sonhos, não é verdade?
Nesse sonho:
Vivia numa pequena cidade do sul. Uma cidade nova encostada às muralhas de uma velha cidade.
Casario branco, rasteiro, ruas limpas e cuidadas .
No centro, becos, ruelas, praças fervilhando de gente - muitos visitantes - esplanadas plenas de cor.
E muita luz, muito sol.
E grandes monumentos a lembrarem-nos outros tempos, antes de nós - ou antes do sonho.
Na cidade nova, as casas tinham pequenos quintais e jardins.
Espantosamente - pequenos jardins e até pequenos hortejos - não lajes e cimento.
Nesse sonho, nessa manhã, a vizinha do lado tinha vindo pedir-nos hortelã e bem fresca a levou para a sopa da panela.
À tarde, num passeio pelos arrabaldes, visitámos um centro de interpretação do mundo rural. Deambulando pelos campos bem tratados, trocámos umas palavras de circunstância com o homem que olhava pelas ovelhas. Apanhámos uns espargos e fomos até ao monte. Traça antiga, barrinha azul em todo o casario, rua empedrada e limpa. Ali funcionam uma padaria, uma leitaria e queijaria. Comprámos pão quente e leite fresco.
Em volta do centro de interpretação funcionam outras unidades de exploração agrícola, modernas e bem geridas. Algumas são cooperativas, outras empresas familiares.
Há pleno emprego, para os de cá e para muitos que têm vindo para cá.
Na aldeia há escola, centro de actividades infantis, posto médico com médico. Um pequeno Centro Cultural - cinema de qualidade uma vez por semana .
Quatro vezes por dia, um moderno mini autocarro liga a aldeia à cidade.
De forma tão inexplicável como inexplicável é a razão para o sonho, este acaba.
E:
Procuro conferir coincidências. Encontro uma:
vivo numa pequena cidade do sul…
Ruas descuidadas e sujas.
Ambiente sombrio. Monumentos que como chorando, largam pedaços de si sobre quem os contempla. Ninguém tem o direito de contemplar a sua decadência…
Casas abandonadas. Cada vez menos gente. E os filhos dos que ficam - os que ainda resistem - a partir para outras cidades à procura dos seus sonhos
Quintais cobertos de cimento e lajes.
E os campos envolventes abandonados, cercados de arames.
E as noticias dos jornais amedrontando. «O Mundo não tem capacidade para produzir alimentos para todos».
Este «mundo» não tem não.
Mas o mundo que sonhei, esse tem.
terça-feira, 1 de março de 2011
CCCG
CCCG
Eis Março.
Prenuncia-se a Primavera.
Os dias estão cheios de sol e há uns bafejos solarengos que nos aquecem os ossos e preparam a nossa desibernação .
Preparamos as máscaras e as patifarias carnavalescas.
Depositamos casacões e mesmo tremendo de frio vestimos apressadamente trapinhos mais frescos.
…
Talvez passe a ser assim.
Talvez passe a escrever sobre o tempo.
O sol, as andorinhas.
Talvez me dedique aos meus hobbies e escreva sobre poejos, hortelã da ribeira, cardos, cogumelos e espargos.
Talvez.
Mas é assim aqui. Noutros sítios não
E também sabemos que mesmo aqui ainda virá chuva e dias sem sol solarengo.
Sabemos que é sempre assim - assim tem sido - esta sucessão .
E assim sendo e mesmo inseguro , vou continuar a falar por força dos impulsos que me vão impelindo para os mais diversos sítios e coisas.
Por força deste espojinho, que serena mas decididamente me vai movendo.
Que os abrigos em que nos protegemos das tempestades não se transformem nas nossas próprias masmorras.
Adiante
Num primeiro impulso confronto-me com a violência da afirmação patética proferida por Kadafi em que afirma, delirando, que o povo o ama e ele fará tudo para proteger o povo.
E o povo, mesmo sob as rajadas (de amor?) clama pela sua saída. Outros, muitos, atropelam-se nas fronteiras para procurar abrigos de paz.
E enquanto homens, mulheres e crianças são chacinados por lutarem pelo direito a poder serem seres, por aqui discutem-se as consequências no aumento do petróleo e nos incumprimentos das metas para reduzir os déficites.
E tinha eu pensado em escrever sobre tempo…porque receava escrever sobre…legalidade e legitimidade ( a propósito de uma sentença que condena um bloguer ).
Coisas dos impulsos.
Mas penso voltar à questão da legalidade e da legitimidade.
Mas com CCCG (com cautelas e caldos de galinha).
A partir de agora, sempre
CCCG
Eis Março.
Prenuncia-se a Primavera.
Os dias estão cheios de sol e há uns bafejos solarengos que nos aquecem os ossos e preparam a nossa desibernação .
Preparamos as máscaras e as patifarias carnavalescas.
Depositamos casacões e mesmo tremendo de frio vestimos apressadamente trapinhos mais frescos.
…
Talvez passe a ser assim.
Talvez passe a escrever sobre o tempo.
O sol, as andorinhas.
Talvez me dedique aos meus hobbies e escreva sobre poejos, hortelã da ribeira, cardos, cogumelos e espargos.
Talvez.
Mas é assim aqui. Noutros sítios não
E também sabemos que mesmo aqui ainda virá chuva e dias sem sol solarengo.
Sabemos que é sempre assim - assim tem sido - esta sucessão .
E assim sendo e mesmo inseguro , vou continuar a falar por força dos impulsos que me vão impelindo para os mais diversos sítios e coisas.
Por força deste espojinho, que serena mas decididamente me vai movendo.
Que os abrigos em que nos protegemos das tempestades não se transformem nas nossas próprias masmorras.
Adiante
Num primeiro impulso confronto-me com a violência da afirmação patética proferida por Kadafi em que afirma, delirando, que o povo o ama e ele fará tudo para proteger o povo.
E o povo, mesmo sob as rajadas (de amor?) clama pela sua saída. Outros, muitos, atropelam-se nas fronteiras para procurar abrigos de paz.
E enquanto homens, mulheres e crianças são chacinados por lutarem pelo direito a poder serem seres, por aqui discutem-se as consequências no aumento do petróleo e nos incumprimentos das metas para reduzir os déficites.
E tinha eu pensado em escrever sobre tempo…porque receava escrever sobre…legalidade e legitimidade ( a propósito de uma sentença que condena um bloguer ).
Coisas dos impulsos.
Mas penso voltar à questão da legalidade e da legitimidade.
Mas com CCCG (com cautelas e caldos de galinha).
A partir de agora, sempre
CCCG
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Democracia,
Política
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Comparações essenciais e acidentes
Antes de mais importa reter que uso sempre do maior cuidado no uso da comparação.
É uma técnica possível em ciência (e também nas ciências sociais) que requer todos os cuidados e deve-se garantir antes de mais, que não se compare o não comparável.
Assim e disso prevenido, vou cingir as comparações a que quero proceder, ao domínio da essência, desprezando os contextos.
No Magreb, na Península Arábica e no Médio Oriente decorrem nestes dias de alvorecer de esperanças, dinâmicos, corajosos e épicos movimentos populares.
Precisando «geografismos» porque têm sido usados de formas tão diferentes e até erróneas e esclarecendo «posicionamentos», informo que tenho presente os acontecimentos em Tunísia, Argélia, Egipto, Bahrein, Iémen e obviamente, Líbia. Outros também, mas porque ainda embrionários, não dou agora o mesmo destaque.
As comparações então (exclusivamente na essência):
Todos os ditadores afirmaram nos momentos críticos que sem eles seria o caos.
O que fizeram (fazem) por aqui, governantes e políticos em estágio (ou de licença sabática) para a governação?
Afirmam que precisam de maiorias absolutas e estáveis, para poder governar, porque senão o país cai no caos.
Os ditadores agarraram-se que nem lapas ao poder, enquanto viveram ou os deixaram, durante vinte, trinta, quarenta anos.
Ocidentalmente, nesta lusitana praia, embora não seja desprezível o tempo (alguns já levam bem mais de uma dúzia de anos), preferem perpetuar as políticas, mudando sempre que necessário de actores.
Nas ditaduras, reprime-se, mata-se, prende-se .
Ocidentalmente, neutraliza-se, cerca-se económica e socialmente, amedronta-se. Ah… e também se prende, também se dão umas boas pauladas, também se produzem sentenças amedrontadoras para a liberdade de expressão, delimitam-se os «galinheiros» onde podemos protestar.
Nas ditaduras semeiam a fome e cultivam a opulência dos agentes do regime.
Ocidentalmente, choram lágrimas de crocodilo pelos pobres e indigentes que as politicas que praticam, produzem aos milhões.
Por isso, na essência, existem essenciais concordâncias.
E como o contrário de essência é o acidente, estes por vezes ocorrem sem que deles se consigam aperceber antecipadamente.
D.E ((depois do escrito). Tudo o que aqui escrevi é legal não é? É que uma pessoa já não sabe.
Correm por aí noticias arrepiantes sobre liberdade de expressão na blogosfera.
E eu não sou dos que uso do anonimato (que tecnicamente todos sabemos não existir) para chamar nomes, difamar e ofender, mas…posso pôr os meus pontos de vista ou não?
Por suspeitar de algumas respostas no sentido do não, vou pois cuidar de cautelas e caldos de galinha nesta ocidental, lusitana e democrática pátria…
É uma técnica possível em ciência (e também nas ciências sociais) que requer todos os cuidados e deve-se garantir antes de mais, que não se compare o não comparável.
Assim e disso prevenido, vou cingir as comparações a que quero proceder, ao domínio da essência, desprezando os contextos.
No Magreb, na Península Arábica e no Médio Oriente decorrem nestes dias de alvorecer de esperanças, dinâmicos, corajosos e épicos movimentos populares.
Precisando «geografismos» porque têm sido usados de formas tão diferentes e até erróneas e esclarecendo «posicionamentos», informo que tenho presente os acontecimentos em Tunísia, Argélia, Egipto, Bahrein, Iémen e obviamente, Líbia. Outros também, mas porque ainda embrionários, não dou agora o mesmo destaque.
As comparações então (exclusivamente na essência):
Todos os ditadores afirmaram nos momentos críticos que sem eles seria o caos.
O que fizeram (fazem) por aqui, governantes e políticos em estágio (ou de licença sabática) para a governação?
Afirmam que precisam de maiorias absolutas e estáveis, para poder governar, porque senão o país cai no caos.
Os ditadores agarraram-se que nem lapas ao poder, enquanto viveram ou os deixaram, durante vinte, trinta, quarenta anos.
Ocidentalmente, nesta lusitana praia, embora não seja desprezível o tempo (alguns já levam bem mais de uma dúzia de anos), preferem perpetuar as políticas, mudando sempre que necessário de actores.
Nas ditaduras, reprime-se, mata-se, prende-se .
Ocidentalmente, neutraliza-se, cerca-se económica e socialmente, amedronta-se. Ah… e também se prende, também se dão umas boas pauladas, também se produzem sentenças amedrontadoras para a liberdade de expressão, delimitam-se os «galinheiros» onde podemos protestar.
Nas ditaduras semeiam a fome e cultivam a opulência dos agentes do regime.
Ocidentalmente, choram lágrimas de crocodilo pelos pobres e indigentes que as politicas que praticam, produzem aos milhões.
Por isso, na essência, existem essenciais concordâncias.
E como o contrário de essência é o acidente, estes por vezes ocorrem sem que deles se consigam aperceber antecipadamente.
D.E ((depois do escrito). Tudo o que aqui escrevi é legal não é? É que uma pessoa já não sabe.
Correm por aí noticias arrepiantes sobre liberdade de expressão na blogosfera.
E eu não sou dos que uso do anonimato (que tecnicamente todos sabemos não existir) para chamar nomes, difamar e ofender, mas…posso pôr os meus pontos de vista ou não?
Por suspeitar de algumas respostas no sentido do não, vou pois cuidar de cautelas e caldos de galinha nesta ocidental, lusitana e democrática pátria…
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Uma simples pergunta...
Confesso que não me sinto muito seguro para falar do assunto.
Já houve muito boa gente, bem informada, que avisou solenemente, ou mesmo ameaçou severamente, que não se deve falar de tal coisa.
É perigoso falar de tal.
São conhecidos os humores instáveis.
Qualquer coisa os irrita.
Pode ser que hoje, que parece haver uma acalmia breve, não venha grande mal ao mundo se eu falar de tal coisa.
Pode ser.
E eu também só quero fazer uma pergunta.
Uma pergunta muito simples.
Alguém acredita? Alguém acredita mesmo nas tretas que nos vão impingindo sobre a irritabilidade dos mercados?
Repare-se:
Compram a 1 e vendem a sete.
Não pagam impostos sobre os lucros (até parece não terem lucros).
O comprador faz o preço (até sete estamos dispostos a pagar, lembram-se?).
Ninguém conhece os ditos (são simplesmente… os mercados) e por isso não podem ser, nem moral nem criminalmente acusados de usura.
Porque haveriam então de estar zangados os ditos mercados?
Dizem-nos que os irrita a perspectiva de aumento do deficit.
Se não houvesse deficit não precisaríamos de recorrer aos seus serviços nos volumes que os satisfaçam
Dizem-nos que os irrita o aumento da divida externa.
Se assim fosse, de que viveriam então os ditos mercados?
Dizem-nos que os irrita a instabilidade política (temos que ter o orçamento de sócrates, passos e cavaco e temos de ter cavaco).
E depois de desgraçadamente termos tudo isto porque continuam irritados?
Se os irrita a instabilidade porque paga menos o Egipto?
Se os irrita a insegurança porque paga menos a Colômbia?
Não sei se a Bélgica tem divida externa nem sei se recorre a financiamentos externos, mas se sim , nem quero imaginar, coitados, o que vão ter de pagar de juros. É que há mais de seis meses que não consegue formar governo…
Posto isto e na perspectiva de não chatear os mercados digo:
VÂO BUGIAR
Já houve muito boa gente, bem informada, que avisou solenemente, ou mesmo ameaçou severamente, que não se deve falar de tal coisa.
É perigoso falar de tal.
São conhecidos os humores instáveis.
Qualquer coisa os irrita.
Pode ser que hoje, que parece haver uma acalmia breve, não venha grande mal ao mundo se eu falar de tal coisa.
Pode ser.
E eu também só quero fazer uma pergunta.
Uma pergunta muito simples.
Alguém acredita? Alguém acredita mesmo nas tretas que nos vão impingindo sobre a irritabilidade dos mercados?
Repare-se:
Compram a 1 e vendem a sete.
Não pagam impostos sobre os lucros (até parece não terem lucros).
O comprador faz o preço (até sete estamos dispostos a pagar, lembram-se?).
Ninguém conhece os ditos (são simplesmente… os mercados) e por isso não podem ser, nem moral nem criminalmente acusados de usura.
Porque haveriam então de estar zangados os ditos mercados?
Dizem-nos que os irrita a perspectiva de aumento do deficit.
Se não houvesse deficit não precisaríamos de recorrer aos seus serviços nos volumes que os satisfaçam
Dizem-nos que os irrita o aumento da divida externa.
Se assim fosse, de que viveriam então os ditos mercados?
Dizem-nos que os irrita a instabilidade política (temos que ter o orçamento de sócrates, passos e cavaco e temos de ter cavaco).
E depois de desgraçadamente termos tudo isto porque continuam irritados?
Se os irrita a instabilidade porque paga menos o Egipto?
Se os irrita a insegurança porque paga menos a Colômbia?
Não sei se a Bélgica tem divida externa nem sei se recorre a financiamentos externos, mas se sim , nem quero imaginar, coitados, o que vão ter de pagar de juros. É que há mais de seis meses que não consegue formar governo…
Posto isto e na perspectiva de não chatear os mercados digo:
VÂO BUGIAR
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
RODAS PARADAS DE UMA ENGRENAGEM CADUCA
Tão frios como os dias que fazem por estes dias são as noticias, que se expressam quase sempre em números, que se referem às pessoas sem trabalho.
Seiscentos e dezassete mil (números oficiais), duzentos e quarenta e sete mil (desde a crise) mais não sei quantos mil que em período homólogo, sessenta e não sei quantos mil são detentores de um curso superior…
Mas muitos mil são os dias de angústia, de desespero, de sonhos adiados.
Homens, mulheres e sobretudo jovens que iniciam cada dia na permanente esperança de um dia diferente e que o terminam sob a triste amargura de mais um dia falhado.
E ao longo de meses, de anos. Assim é.
«Rodas paradas de uma engrenagem caduca» como escreveu Soeiro.
Até quando? Porquê? É isto inevitável?
A estas acrescentam outras, muitas outras interrogações.
Têm tempo, muito tempo, para interrogar.
E para interrogar acima de tudo a ausência de respostas.
E os dias passam.
E os sonhos adiam-se. Só não se adia o presente.
Adia-se a vida.
Distribuem-se uns flyers no centro comercial, impingem-se tvs por satélite, repõem-se pacotes de farinha nas prateleiras de supermercado, vendem-se seguros a quem se afoga na insegurança.
Arrastam-se. Mais um dia.
Há rendas por pagar.
E contribuições para a segurança social, para o irs, para o IVA por causa de um recibo verde de 30 euros.
E depois ainda há que aturar um energúmeno qualquer que lhes berra: « vão trabalhar malandros» ou enojar-se com a escrita de um escrevedor de jornais pançudo, que esborratou que a culpa da situação é dos direitos laborais e sociais que os seus pais desfrutam.
Para todos os trabalhadores sem trabalho e para todos os que estão em situações laborais vegetativas uma palavra de solidariedade activa.
Não são os meus direitos que vos retiram o trabalho.
Quem vos retira o trabalho são os mesmos que me retiram os direitos.
Encontramo-nos por aí.
Na luta.
Seiscentos e dezassete mil (números oficiais), duzentos e quarenta e sete mil (desde a crise) mais não sei quantos mil que em período homólogo, sessenta e não sei quantos mil são detentores de um curso superior…
Mas muitos mil são os dias de angústia, de desespero, de sonhos adiados.
Homens, mulheres e sobretudo jovens que iniciam cada dia na permanente esperança de um dia diferente e que o terminam sob a triste amargura de mais um dia falhado.
E ao longo de meses, de anos. Assim é.
«Rodas paradas de uma engrenagem caduca» como escreveu Soeiro.
Até quando? Porquê? É isto inevitável?
A estas acrescentam outras, muitas outras interrogações.
Têm tempo, muito tempo, para interrogar.
E para interrogar acima de tudo a ausência de respostas.
E os dias passam.
E os sonhos adiam-se. Só não se adia o presente.
Adia-se a vida.
Distribuem-se uns flyers no centro comercial, impingem-se tvs por satélite, repõem-se pacotes de farinha nas prateleiras de supermercado, vendem-se seguros a quem se afoga na insegurança.
Arrastam-se. Mais um dia.
Há rendas por pagar.
E contribuições para a segurança social, para o irs, para o IVA por causa de um recibo verde de 30 euros.
E depois ainda há que aturar um energúmeno qualquer que lhes berra: « vão trabalhar malandros» ou enojar-se com a escrita de um escrevedor de jornais pançudo, que esborratou que a culpa da situação é dos direitos laborais e sociais que os seus pais desfrutam.
Para todos os trabalhadores sem trabalho e para todos os que estão em situações laborais vegetativas uma palavra de solidariedade activa.
Não são os meus direitos que vos retiram o trabalho.
Quem vos retira o trabalho são os mesmos que me retiram os direitos.
Encontramo-nos por aí.
Na luta.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
VIVA O AMOR
Enquanto hoje nos impingem berloques vários em forma de coração, bombons afrodisíacos, jantares apimentados, serranos romantismos (sem lua porque está enublado), frases de partir coração, toques de telemóvel de fazer chorar as pedras da calçada, chegam-nos também as noticias, às bancas de jornais e via on-line, que milhares de Italianos - principalmente Italianas, - se manifestaram em muitas cidades, em nome da dignidade da condição humana .
Disseram a Berlusconi que a Itália não se revê nos seus deboches.
Festejaram o amor.
Bela forma de antecipadamente comemorar valentim.
E Berlusconi - essa coisa - terá percebido?
Não creio. Essa «coisa» tem do amor o entendimento que sabemos.
Não fosse a «coisa» tão execrável e até apeteceria dizer:
«Pobre coitado, só comprando pode ter um abraço».
Permitam-me que hoje me sinta Italiano (não querem que sejamos europeus?) e enojado por ter à frente dos destinos deste belo País uma criatura tão miserável.
Visitarei um dia (assim desejo) Roma, Florença, Veneza, Verona…e espero que nesse dia, já não paire sobre o amor (entendido e praticado na sua plenitude,) uma figura tão repugnante.
Viva o amor (não o dos berloques…).
Disseram a Berlusconi que a Itália não se revê nos seus deboches.
Festejaram o amor.
Bela forma de antecipadamente comemorar valentim.
E Berlusconi - essa coisa - terá percebido?
Não creio. Essa «coisa» tem do amor o entendimento que sabemos.
Não fosse a «coisa» tão execrável e até apeteceria dizer:
«Pobre coitado, só comprando pode ter um abraço».
Permitam-me que hoje me sinta Italiano (não querem que sejamos europeus?) e enojado por ter à frente dos destinos deste belo País uma criatura tão miserável.
Visitarei um dia (assim desejo) Roma, Florença, Veneza, Verona…e espero que nesse dia, já não paire sobre o amor (entendido e praticado na sua plenitude,) uma figura tão repugnante.
Viva o amor (não o dos berloques…).