Mandemo-los antes ...
Tendo em conta as grandes alhadas em que nos têm metido, desleixei a ideia que sempre tive, de ao domingo, escarafunchar por aqui qualquer coisa, «coisas leves…de domingo» e que por norma pudesse andar em torno da gastronomia e em sentido mais amplo se inserisse numa determinada perspectiva de regresso ao campo.
E assim, enjoado do congresso comício e não suportando mais a indelicadeza com que os seus grandes figurões me entram casa a dentro, eis que me apetece falar de coisas leves.
Leves e doces.
Se ainda não experimentaram, experimentem passar pela Vidigueira e comprem laranjas, são simplesmente magnificas. Só mais um dos néctares que saem destas terras solarengas…
Por estas terras, que também são de vinho, organizam-se umas iniciativas engraçadas: O Festival Pão e Laranjas (que me deu o acesso às ditas) e em Vila de Frades um Festival de Vinho, com vinho novo a provar-se nas enormes talhas de barro de inúmeras adegas de pequenos produtores da terra.
Experimentem, mas agora, só já no próximo ano.
E experimentem também por agora, que elas estão tenras, novas e saborosas, um bom prato de favas estufadas (com enchidos e os fortes aromas do coentro espigado).
Numa caçarola fritam-se umas tiras de toucinho salgado, rodelas de linguiça e de chouriço de sangue (de Estremoz e de porco preto).
Completada a fritura, retire e reserve as carnes. No pingo quente da fritura deite as favas (obviamente descascadas e desolhadas) tape a caçarola e vá revolvendo (de preferência com movimentos certos e sem destapar).
Coloque a «boneca», um molho de cheiros que consistem num abundante ramo de coentros espigados, ramos de hortelã enrolados em folhas de alhos , envolvendo sempre.
Tempere de sal e deite água a ferver (mais água se gostar delas caldosas, menos água se gostar delas mais secas - é o meu caso).
Deixe estufar bem.
Acompanhe com uma abundante salada de alface cortada em juliana.
Envolva ou coma à parte os enchidos fritos.
Complemente com um queijo fresco de cabra.
E, inevitável, acompanhe com um bom tinto alentejano e com amigos.
Amanhã, já sabemos.
O mesmo de hoje e de ontem.
Até que gente troque as voltas ao diabo.
domingo, 10 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
A algazarra dos culpados
Por vezes vociferam, gritam, berram, atribuindo as culpas aos outros. Sempre aos outros .Só que uns e outros assim fazem.
E permanece sempre a dúvida. Quem são os outros?
Quem são os culpados?
Outras vezes, em cândidas figuras, afirmam em sintonia: «agora não é tempo para apurar culpas».
E de uma ou de outra forma, uns e outros e todos os acólitos de uns e outros, enchem jornais, revistas, televisões, rádios, com doutas dicas sobre o «assunto»: A crise isto, os rattings aqueloutro, o PIB assado, o resgate aquilo e assim por diante.
E são ou foram: ministros das finanças alternadamente entre si no últimos 30 anos. E são ou foram governadores do Banco de Portugal e são ou foram administradores de bancos e são ou foram primeiros ministros, e são ou foram presidentes.
Mas clamam agora que é preciso um governo de salvação nacional.
Por mim, penso que é urgente um povo de salvação nacional que tome nas suas mãos os destinos do País e corra e penalize estes culpados que ainda por cima são uns gralhadores.
E quando falo em penalizar, faço-o no sentido exacto do termo: é preciso penalizar os responsáveis e apurar da licitude de todas as suas acções.
Quem autorizou os desmandos?
Quem foi incompetente?
Quem autorizou as mordomias?
Quem autorizou o desrespeito continuado pelos orçamentos e quem inflacionou as receitas que incluía nestes, para justificar a sumptuosidade das despesas?
Quem autorizou a contratação de milhares de «rapazes» como forma de pagamento pela «dedicação»?
Quem vos disse que o «estado» era vossa propriedade?
Porque gritam ainda assim?
Porque sabem que é da gritaria que nasce a confusão e que na confusão escapam os culpados.
As vítimas ou saem dos seus silêncios cúmplices (evidentemente as que ainda não o fizeram) ou vão permitir a fuga dos culpados.
E depois estes regressam, qual heróis ansiados, e continuam,
A algazarra e os desmandos.
E permanece sempre a dúvida. Quem são os outros?
Quem são os culpados?
Outras vezes, em cândidas figuras, afirmam em sintonia: «agora não é tempo para apurar culpas».
E de uma ou de outra forma, uns e outros e todos os acólitos de uns e outros, enchem jornais, revistas, televisões, rádios, com doutas dicas sobre o «assunto»: A crise isto, os rattings aqueloutro, o PIB assado, o resgate aquilo e assim por diante.
E são ou foram: ministros das finanças alternadamente entre si no últimos 30 anos. E são ou foram governadores do Banco de Portugal e são ou foram administradores de bancos e são ou foram primeiros ministros, e são ou foram presidentes.
Mas clamam agora que é preciso um governo de salvação nacional.
Por mim, penso que é urgente um povo de salvação nacional que tome nas suas mãos os destinos do País e corra e penalize estes culpados que ainda por cima são uns gralhadores.
E quando falo em penalizar, faço-o no sentido exacto do termo: é preciso penalizar os responsáveis e apurar da licitude de todas as suas acções.
Quem autorizou os desmandos?
Quem foi incompetente?
Quem autorizou as mordomias?
Quem autorizou o desrespeito continuado pelos orçamentos e quem inflacionou as receitas que incluía nestes, para justificar a sumptuosidade das despesas?
Quem autorizou a contratação de milhares de «rapazes» como forma de pagamento pela «dedicação»?
Quem vos disse que o «estado» era vossa propriedade?
Porque gritam ainda assim?
Porque sabem que é da gritaria que nasce a confusão e que na confusão escapam os culpados.
As vítimas ou saem dos seus silêncios cúmplices (evidentemente as que ainda não o fizeram) ou vão permitir a fuga dos culpados.
E depois estes regressam, qual heróis ansiados, e continuam,
A algazarra e os desmandos.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Um sério problema
Por vezes há quem não goste da frieza de algumas abordagens.
De uma certa frustração que está subjacente em muitas delas, de uma espécie de falta de esperança que se projecta.
Compreendo.
Mas sentem-se (em silêncio) numa sala de espera de um hospital, abstraiam-se do jornal que abstraídamente folheiam na paragem do autocarro e oiçam as vozes ao lado, oiçam, oiçam, mas sem o filtro «cultural» que habitualmente usam.
Oiçam e sintam.
E encontrarão os ecos de um povo perdido. Sem dinheiro para as rendas, sem dinheiro para os remédios, sem emprego.
Um povo cansado. Sem forças para articular o mais leve esboço para interrogação.
Ansioso que chegue a noite, quando todas as exigências amainam e então enterrar-se no velho sofá e saber da vida dos que vivem bem e sem aqueles sufocos.
Dir-me-ão: mas há os que dizem não, que participam nas associações, nos sindicatos, nas lutas.
É verdade. Nós sabemos. Nós estamos nesse campo.
Mas o problema subsiste.
A 5 de Junho estaremos todos em condições de saber escolher?
Recordemos Marx, recordemos o seu conceito de alienação e preocupemo-nos.
Agora que JS demonstrou uma vez mais que o que diz deve ser entendido nos seus contrários e que obediente cumpriu, rapidamente, as exigências dos seus patrões.
Agora que o seu colega se esforça para dizer aos patrões que é muito mais diligente e obediente.
Agora que o medo se vai instalar de forma ainda mais negra e que «todos» irão falar de salvações nacionais.
Agora em que cada vez mais fica claro que a fome, a miséria, o medo, não são componentes para uma tomada de consciência social, mas sim para o seu contrário.
Agora, em que é preciso cortar caminho, preocupa-me a séria possibilidade de retomar aquele que nos conduziu até esta situação.
Dir-me-ão: trabalha para que isso não aconteça.
Assim o faço. Assim o fazemos tantos.
Mas os problemas (e todos os problemas têm soluções - todos) resolvem-se, conhecendo-os e intervindo com base nesse conhecimento, para a sua resolução.
Ignorá-los nunca foi solução.
E nós, para além da «crise» e do FMI, temos pela frente sérios problemas.
De uma certa frustração que está subjacente em muitas delas, de uma espécie de falta de esperança que se projecta.
Compreendo.
Mas sentem-se (em silêncio) numa sala de espera de um hospital, abstraiam-se do jornal que abstraídamente folheiam na paragem do autocarro e oiçam as vozes ao lado, oiçam, oiçam, mas sem o filtro «cultural» que habitualmente usam.
Oiçam e sintam.
E encontrarão os ecos de um povo perdido. Sem dinheiro para as rendas, sem dinheiro para os remédios, sem emprego.
Um povo cansado. Sem forças para articular o mais leve esboço para interrogação.
Ansioso que chegue a noite, quando todas as exigências amainam e então enterrar-se no velho sofá e saber da vida dos que vivem bem e sem aqueles sufocos.
Dir-me-ão: mas há os que dizem não, que participam nas associações, nos sindicatos, nas lutas.
É verdade. Nós sabemos. Nós estamos nesse campo.
Mas o problema subsiste.
A 5 de Junho estaremos todos em condições de saber escolher?
Recordemos Marx, recordemos o seu conceito de alienação e preocupemo-nos.
Agora que JS demonstrou uma vez mais que o que diz deve ser entendido nos seus contrários e que obediente cumpriu, rapidamente, as exigências dos seus patrões.
Agora que o seu colega se esforça para dizer aos patrões que é muito mais diligente e obediente.
Agora que o medo se vai instalar de forma ainda mais negra e que «todos» irão falar de salvações nacionais.
Agora em que cada vez mais fica claro que a fome, a miséria, o medo, não são componentes para uma tomada de consciência social, mas sim para o seu contrário.
Agora, em que é preciso cortar caminho, preocupa-me a séria possibilidade de retomar aquele que nos conduziu até esta situação.
Dir-me-ão: trabalha para que isso não aconteça.
Assim o faço. Assim o fazemos tantos.
Mas os problemas (e todos os problemas têm soluções - todos) resolvem-se, conhecendo-os e intervindo com base nesse conhecimento, para a sua resolução.
Ignorá-los nunca foi solução.
E nós, para além da «crise» e do FMI, temos pela frente sérios problemas.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Abril Esperanças mil
Abril, o mês mais bonito de todos os meses inventados pelos homens, o mês que celebra um povo que se levanta do chão e aprende a liberdade, o mês da festa e dos cravos, começou cinzento e sob nuvens carregadas de preocupações.
A crise com que nos fustigam continua a produzir mais desigualdade, mais desemprego, mais dificuldades.
E os que fartos, têm provocado a crise que nos afecta a nós, prometem mais dificuldades - para os mesmos - e jogam grotesca e escandalosamente o jogo da hipocrisia e do empurra. Uns renegando o FMI e aplicando as medidas que este imporia e outros ansiosos que este venha - para ficar com as culpas - das medidas que eles anseiam tomar.
E o povo alheado, alienado, atira pedras nos campos de futebol, delicia-se com enredos telenovelescos, chora as dores virtuais alheias e prepara-se para alinhar o seu voto naquele que posicionarem (outros - os interessados) como vencedor.
Fala-se da crise como se fosse coisa da natureza, qual sismo ou maremoto avassalador.
Não tem culpados.
Mas tem vítimas. Muitas vítimas.
E tantas destas, não interrogam. Aceitam.
Participam no jogo cénico da desculpabilização e preparam-se para uma vez mais juntar o seu voto ao voto dos culpados.
Parece que gostam de beneficiar o infractor (adaptando a linguagem ao futebol - o tema por excelência) e condoídos aceitam os cândidos cânticos dos que lhe acenam com uma maioria que designam de salvação nacional e que tem tudo de último refúgio de conluiados e dos grandes culpados pela crise.
Uma maioria que tem tudo da malograda União Nacional quem em bons tempos o bonito mês de Abril aniquilou.
Por mais voltas que se possam dar, este é o cenário que se perfila.
Há no entanto alguns que acreditam, que lutam - como antes outros o fizeram para que Abril fosse possível - e que apontam um outro rumo.
Um rumo de esperança em Abril.
Pode ser.
Pode ser que voltem a florir cravos vermelhos.
Pode ser que voltem os dias de sol.
E que felizes nos abracemos sobre a memória destes dias cinzentos e tristonhos.
Abril é o mais bonito dos meses.
A crise com que nos fustigam continua a produzir mais desigualdade, mais desemprego, mais dificuldades.
E os que fartos, têm provocado a crise que nos afecta a nós, prometem mais dificuldades - para os mesmos - e jogam grotesca e escandalosamente o jogo da hipocrisia e do empurra. Uns renegando o FMI e aplicando as medidas que este imporia e outros ansiosos que este venha - para ficar com as culpas - das medidas que eles anseiam tomar.
E o povo alheado, alienado, atira pedras nos campos de futebol, delicia-se com enredos telenovelescos, chora as dores virtuais alheias e prepara-se para alinhar o seu voto naquele que posicionarem (outros - os interessados) como vencedor.
Fala-se da crise como se fosse coisa da natureza, qual sismo ou maremoto avassalador.
Não tem culpados.
Mas tem vítimas. Muitas vítimas.
E tantas destas, não interrogam. Aceitam.
Participam no jogo cénico da desculpabilização e preparam-se para uma vez mais juntar o seu voto ao voto dos culpados.
Parece que gostam de beneficiar o infractor (adaptando a linguagem ao futebol - o tema por excelência) e condoídos aceitam os cândidos cânticos dos que lhe acenam com uma maioria que designam de salvação nacional e que tem tudo de último refúgio de conluiados e dos grandes culpados pela crise.
Uma maioria que tem tudo da malograda União Nacional quem em bons tempos o bonito mês de Abril aniquilou.
Por mais voltas que se possam dar, este é o cenário que se perfila.
Há no entanto alguns que acreditam, que lutam - como antes outros o fizeram para que Abril fosse possível - e que apontam um outro rumo.
Um rumo de esperança em Abril.
Pode ser.
Pode ser que voltem a florir cravos vermelhos.
Pode ser que voltem os dias de sol.
E que felizes nos abracemos sobre a memória destes dias cinzentos e tristonhos.
Abril é o mais bonito dos meses.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Democráticas formalidades (3)
Dando continuidade ao processo cénico conducente ao cumprimento da formalidade de convocar eleições, anuncia-se para hoje «importante» reunião do Conselho de Estado.
O Diário Económico anuncia este facto e articula: «…e das eleições antecipadas, terá obrigatoriamente que sair um governo maioritário, se possível, com mais que dois partidos».
Nem mais, faltando só acrescentar, digo eu, qual a obrigatoriedade de voto para cumprir a premissa.
Por mim, julgo que ponderam a possibilidade seguinte: PCP; BE e PEV. Não creio que seja outra.
Mas mesmo falando de embustes, seria aconselhável alguma parcimónia.
Em primeiro lugar, as eleições destinam-se a eleger deputados, que por sua vez se constituem em assembleia, à qual, o líder do partido mais votado, fica incumbido de apresentar um programa.
Será então primeiro ministro aquele que vir o programa apresentado ter a aprovação maioritária da assembleia.
Logo, será sempre um governo maioritário, aquele que sair das próximas eleições.
Mas sabemos o que querem dizer.
O que querem é uma maioria obediente. De ámen sempre pronto. Que esteja tolhida (pelo jogo de interesses) na sua acção.
Ou seja, o contrário do que deve ser uma assembleia.
Que deve ser representativa, interveniente, fiscalizadora da acção dos governos. Que represente a cada momento o sentir e a vontade daqueles que neles votaram.
Se querem uma maioria de maiorias asfixiantes e obediente, para quê as eleições?
A maioria que querem impor nas próximas eleições já existe actualmente. PS; PSD e CDS já têm essa ampla maioria.
Assumam-na já e poupem-nos.
Ou então calem-se e criem as condições para o povo poder decidir se não em consciência, pelo menos com o mínimo de dignidade.
O Diário Económico anuncia este facto e articula: «…e das eleições antecipadas, terá obrigatoriamente que sair um governo maioritário, se possível, com mais que dois partidos».
Nem mais, faltando só acrescentar, digo eu, qual a obrigatoriedade de voto para cumprir a premissa.
Por mim, julgo que ponderam a possibilidade seguinte: PCP; BE e PEV. Não creio que seja outra.
Mas mesmo falando de embustes, seria aconselhável alguma parcimónia.
Em primeiro lugar, as eleições destinam-se a eleger deputados, que por sua vez se constituem em assembleia, à qual, o líder do partido mais votado, fica incumbido de apresentar um programa.
Será então primeiro ministro aquele que vir o programa apresentado ter a aprovação maioritária da assembleia.
Logo, será sempre um governo maioritário, aquele que sair das próximas eleições.
Mas sabemos o que querem dizer.
O que querem é uma maioria obediente. De ámen sempre pronto. Que esteja tolhida (pelo jogo de interesses) na sua acção.
Ou seja, o contrário do que deve ser uma assembleia.
Que deve ser representativa, interveniente, fiscalizadora da acção dos governos. Que represente a cada momento o sentir e a vontade daqueles que neles votaram.
Se querem uma maioria de maiorias asfixiantes e obediente, para quê as eleições?
A maioria que querem impor nas próximas eleições já existe actualmente. PS; PSD e CDS já têm essa ampla maioria.
Assumam-na já e poupem-nos.
Ou então calem-se e criem as condições para o povo poder decidir se não em consciência, pelo menos com o mínimo de dignidade.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Democráticas formalidades (2)
O voto é, no plano formal, o instrumento democrático por excelência.
E porque assim é, constitui-se hoje como a expressão suprema do embuste.
Quer se analise no processo de construção, quer se analise na produção de efeitos fácil é constatar que ele é cada vez mais uma expressão banal e vazia de sentido.
E para o embuste, tanto contribuem aqueles que dele precisam para «legitimar» as políticas como aqueles que o usam de forma leviana.
Basta de considerar os utilizadores do voto numa perspectiva de condescendência e numa permanente desculpabilização.
Quem dele (voto) faz mau uso, tem que ser, no plano social, responsabilizado pelos seus actos.
Só assim a democracia fará sentido.
Só assim o voto não será um instrumento do embuste.
Mas a conversada que vai grossa na praça, só serve para verificar que faz cada vez mais sentido falar de embuste.
Diz-se que SE exige que o próximo governo tenha suporte numa sólida maioria absoluta.
Os senadores e os bem instalados enchem a boca (nos intervalos em que esta está vazia para digestão) com a afirmação da necessidade sagrada de uma maioria absoluta.
Um padre com boa carreira, sorridente, expressa que gostaria de uma maioria ps, psd, cds.
Os patrões e os seus empregados dilectos, falam no mesmo sentido, divergindo apenas, pontualmente, nas pontas.
Paulo Rangel diz hoje que Merkel ficaria muito contente por ver o PSD no Governo (compreendemos…sempre seria uma vitória num land já que para as suas bandas…)
Pois o que fica claro é que o que pretendem é simplesmente e rapidamente ultrapassar este pequeno embaraço (eleições) e considerando que não podem (para já ) dispensar esta formalidade, que da mesma resulte o ámen necessário a que tudo continue na mesma.
Assim será, concluem. Não há razões para perder o sono.
Até que numa serena e limpa madrugada possam ser despertados com a angústia de um novo «e depois do adeus».
E porque assim é, constitui-se hoje como a expressão suprema do embuste.
Quer se analise no processo de construção, quer se analise na produção de efeitos fácil é constatar que ele é cada vez mais uma expressão banal e vazia de sentido.
E para o embuste, tanto contribuem aqueles que dele precisam para «legitimar» as políticas como aqueles que o usam de forma leviana.
Basta de considerar os utilizadores do voto numa perspectiva de condescendência e numa permanente desculpabilização.
Quem dele (voto) faz mau uso, tem que ser, no plano social, responsabilizado pelos seus actos.
Só assim a democracia fará sentido.
Só assim o voto não será um instrumento do embuste.
Mas a conversada que vai grossa na praça, só serve para verificar que faz cada vez mais sentido falar de embuste.
Diz-se que SE exige que o próximo governo tenha suporte numa sólida maioria absoluta.
Os senadores e os bem instalados enchem a boca (nos intervalos em que esta está vazia para digestão) com a afirmação da necessidade sagrada de uma maioria absoluta.
Um padre com boa carreira, sorridente, expressa que gostaria de uma maioria ps, psd, cds.
Os patrões e os seus empregados dilectos, falam no mesmo sentido, divergindo apenas, pontualmente, nas pontas.
Paulo Rangel diz hoje que Merkel ficaria muito contente por ver o PSD no Governo (compreendemos…sempre seria uma vitória num land já que para as suas bandas…)
Pois o que fica claro é que o que pretendem é simplesmente e rapidamente ultrapassar este pequeno embaraço (eleições) e considerando que não podem (para já ) dispensar esta formalidade, que da mesma resulte o ámen necessário a que tudo continue na mesma.
Assim será, concluem. Não há razões para perder o sono.
Até que numa serena e limpa madrugada possam ser despertados com a angústia de um novo «e depois do adeus».
terça-feira, 29 de março de 2011
Democráticas formalidades (1)
A democracia é cada vez mais um embuste, mas um embuste ainda necessário e melhor que todos os outros embustes até agora conhecidos.
A analogia à celebre frase de Churchil é óbvia.
Mas há uma outra carga. Embuste significa a intenção de fazer passar por real o que se sabe ser falso.
A questão a saber é, até quando vai ser possível a aceitação deste facto?
Até quando vai o embuste ser considerado necessário?
Até quando vamos aceitar participar na farsa?
Os episódios da nossa vida política recente são bastante elucidativos (sobre os embustes), concentremo-nos em alguns:
1. A crise (financeira).
A crise é o somatório de um conjunto de problemas associados à dificuldade de pagamento da nossa dívida soberana. Para pagar a dívida temos que contrair mais dívida e quem empresta o dinheiro, quer que, cada vez paguemos mais por ele.
Um dos factores (para só falar no mais recente) que mais contribuiu para o volume da dívida, foi o que resultou da «nacionalização» do BPN. O BPN era um banco privado, mal gerido pelos vistos e bem aproveitado por alguns (poucos). Os lucros (chorudos) foram privados. Os prejuízos (volumosos) são agora dolorosamente pagos por cada um de nós
Alguma vez esta decisão, assim como muitas outras que levaram à contracção de tantos mil milhões, foi colocada para decisão democrática por parte de cada um de nós? Algum dos partidos (que uma vez no poder contraiem dívida em nosso nome) colocou tal hipótese nas promessas e nas campanhas eleitorais?
Quando votámos e quando escolheram (os que assim votaram) o PS e Sócrates, sabíamos que o PS e Sócrates iriam tomar estas decisões?
A questão é que os que pedem o nosso voto, se estão borrifando para explicar o que quer que seja do que pretendem fazer depois de ganhar, e muitos de nós (uma perigosa maioria de nós) se está borrifando para o que quer que seja.
Muitos definem o seu voto com mais leviandade do que na escolha de uma camisa.
Votam como quem aposta numa corrida de cavalos: «Qual é o cavalo que vai à frente?».
Pois este é só um dos embustes.
Pretendo voltar a outros.
A analogia à celebre frase de Churchil é óbvia.
Mas há uma outra carga. Embuste significa a intenção de fazer passar por real o que se sabe ser falso.
A questão a saber é, até quando vai ser possível a aceitação deste facto?
Até quando vai o embuste ser considerado necessário?
Até quando vamos aceitar participar na farsa?
Os episódios da nossa vida política recente são bastante elucidativos (sobre os embustes), concentremo-nos em alguns:
1. A crise (financeira).
A crise é o somatório de um conjunto de problemas associados à dificuldade de pagamento da nossa dívida soberana. Para pagar a dívida temos que contrair mais dívida e quem empresta o dinheiro, quer que, cada vez paguemos mais por ele.
Um dos factores (para só falar no mais recente) que mais contribuiu para o volume da dívida, foi o que resultou da «nacionalização» do BPN. O BPN era um banco privado, mal gerido pelos vistos e bem aproveitado por alguns (poucos). Os lucros (chorudos) foram privados. Os prejuízos (volumosos) são agora dolorosamente pagos por cada um de nós
Alguma vez esta decisão, assim como muitas outras que levaram à contracção de tantos mil milhões, foi colocada para decisão democrática por parte de cada um de nós? Algum dos partidos (que uma vez no poder contraiem dívida em nosso nome) colocou tal hipótese nas promessas e nas campanhas eleitorais?
Quando votámos e quando escolheram (os que assim votaram) o PS e Sócrates, sabíamos que o PS e Sócrates iriam tomar estas decisões?
A questão é que os que pedem o nosso voto, se estão borrifando para explicar o que quer que seja do que pretendem fazer depois de ganhar, e muitos de nós (uma perigosa maioria de nós) se está borrifando para o que quer que seja.
Muitos definem o seu voto com mais leviandade do que na escolha de uma camisa.
Votam como quem aposta numa corrida de cavalos: «Qual é o cavalo que vai à frente?».
Pois este é só um dos embustes.
Pretendo voltar a outros.