Estou convictamente convencido (não sei mesmo se não deveria acentuar o grau) que o conjunto de cinzentões que governa o país e a europa, julga que por aqui, somos todos um grupo de patetas.
Ou em alternativa (solução para que me inclino mais) os patetas são o grupo de cinzentões e nós, apenas uma imensa mole de marias que vão com as outras.
As conversadas (longas e entediantes) sobre os mercados e a forma como procuraram explicar a gula e a especulação desenfreada destes, é só um dos sintomas da patetice.
Nervosos, agitados, perturbados, por causa da chuva, por causa do sol, por causa das inundações, por causa dos fogos, porque corriam rumores que os príncipes não casavam, ou que casavam na coxixina, tudo foi aduzido.
Só não compreendo é como, numa situação tão prolongada de «nervosismos» os ditos cujos não foram levados a uma loucurazinha. Sei lá…
E ninguém pergunta quem são? De onde vêem e de onde vem o dinheiro?
E ninguém pergunta o destino da usura?
Convenhamos que para anti depressivos é uma verba já muito alta…
E também ninguém pergunta, porque carga de águas temos que estar nas mãos destes nervosos mercados?
Devemos biliões???
Quem os pediu emprestados em nosso nome?
Onde os gastou?
Perguntaram-nos alguma coisa?
Agora encenam outro jogo.
Todos os dias atiram barro à parede para verem qual cola melhor.
Como a toque de uma batuta, cadenciadamente, bombásticamente, vão «anunciando» as medidas que a «troika» se prepara para impor.
A par dessa preparação, preparam o acompanhamento. Que consiste em afirmar que é inevitável viver pior.
Que é inevitável viver de cabeça baixa.
Que é inevitável levar uns tautauzinhos (quais meninos mal comportados) de tudo o que se julga impante nesta europa.
E que é inevitável «unir» o gato da vizinha, o doberman vadio, o peixe do aquário, o elefante e a formiga, o rato e o saca rabos e tudo no mesmo saco.
E o senhor presidente dá-lhe a ênfase de estado. É preciso que o próximo governo tenha o apoio maioritário do Parlamento, diz.
Claro. Se não, não é possível termos governo não é verdade?
Que saibamos, o governo tem que submeter e ver aprovado o seu programa na AR, não é verdade?
Ou já não é verdade porque a «troika» assim o determinou?
Ontem vi «48» um filme / documentário impressionante.
Só espero que as marias vão com os outros não sejam cúmplices de um regresso a um tempo, tão triste, tão cinzento e tão violento como aquele que é ali tratado.
Se quisermos, somos capazes.
Ou então (se surtir mais efeito) e remoendo-me:
We can.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
Não há outro caminho
Agora, depois do tempo de todas as misturas, avançamos para o 1.º de Maio com a confiança de quem sabe que afrouxar não é solução e com a apreensão que resulta desta ampla orquestração contra os direitos de quem trabalha.
A Páscoa é por aqui , só por si, tradicionalmente, um período de confluência de padrões religiosamente distintos e mesclados com hábitos pagãos.
Não se comemora de igual forma em Évora e em Castelo de Vide, por exemplo.
Em muitos locais desta pátria grande (O Alentejo), a Festa é a segunda-feira, o dia de ir para o campo comer o borrego.
A Páscoa (dor e lamento), cinge-se ao interior dos Templos.
A Festa ganha o colorido dos campos.
Quis o calendário que à «Festa» se juntasse este ano a Festa da Liberdade.
E foi com toda esta mescla que comemorámos.
Com cravos de liberdade nascidos em campos de tradição.
Este ano menos viçosos por causa das preocupações…
Mas eis Maio.
Já aí está à nossa espera.
À espera das cores vivas com que vamos enfeitar a luta.
Não há outro caminho.
A Páscoa é por aqui , só por si, tradicionalmente, um período de confluência de padrões religiosamente distintos e mesclados com hábitos pagãos.
Não se comemora de igual forma em Évora e em Castelo de Vide, por exemplo.
Em muitos locais desta pátria grande (O Alentejo), a Festa é a segunda-feira, o dia de ir para o campo comer o borrego.
A Páscoa (dor e lamento), cinge-se ao interior dos Templos.
A Festa ganha o colorido dos campos.
Quis o calendário que à «Festa» se juntasse este ano a Festa da Liberdade.
E foi com toda esta mescla que comemorámos.
Com cravos de liberdade nascidos em campos de tradição.
Este ano menos viçosos por causa das preocupações…
Mas eis Maio.
Já aí está à nossa espera.
À espera das cores vivas com que vamos enfeitar a luta.
Não há outro caminho.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Irra.
Experimentei todas as formas.
A sério e de semblante carregado, de forma aligeirada, por vezes ironicamente (no que não é de certeza o meu campo favorito), optei por deixar andar, omiti, mudei de assunto vezes sem conta, mas nenhuma destas estratégias resultou.
O problema subsiste.
Ganhou hoje de novo honras de 1ª página.
«Os mercados continuam muito nervosos».
As taxas de juro atingiram novo recorde.
Depois do novo recorde ontem obtido.
E os jornalistas nada mais têm a escolher para título do que a expressão já useira e referente ao equilíbrio emocional e psíquico dos ditos mercados: «Os mercados continuam nervosos».
E nada parece acalmá-los.
E não há um. Um que seja. Que titule: « A usura continua».
Ou:
«Continua o roubo descarado».
E a par dele, desse frenesim de loucura, finlandeses, turcos, marroquinos, alemães, luxemburgueses, franceses e todos os restantes fregueses, vão ditando postas de pescada:
Os portugueses têm de …
É preciso que os portugueses aprendam a…
Vão ter que ter juízo.
Oposição e oposição à oposição têm que se unir…
Vão ter que aprender a poupar.
Vão ter que aprender a viver sem comer (e nós que estamos avisados sobre o burro do espanhol)…
E os portugueses…
Que têm na mão uma oportunidade soberana de os mandar comer um cão…
Preparam-se para engolir toda esta cachorrada…
Irra.
A sério e de semblante carregado, de forma aligeirada, por vezes ironicamente (no que não é de certeza o meu campo favorito), optei por deixar andar, omiti, mudei de assunto vezes sem conta, mas nenhuma destas estratégias resultou.
O problema subsiste.
Ganhou hoje de novo honras de 1ª página.
«Os mercados continuam muito nervosos».
As taxas de juro atingiram novo recorde.
Depois do novo recorde ontem obtido.
E os jornalistas nada mais têm a escolher para título do que a expressão já useira e referente ao equilíbrio emocional e psíquico dos ditos mercados: «Os mercados continuam nervosos».
E nada parece acalmá-los.
E não há um. Um que seja. Que titule: « A usura continua».
Ou:
«Continua o roubo descarado».
E a par dele, desse frenesim de loucura, finlandeses, turcos, marroquinos, alemães, luxemburgueses, franceses e todos os restantes fregueses, vão ditando postas de pescada:
Os portugueses têm de …
É preciso que os portugueses aprendam a…
Vão ter que ter juízo.
Oposição e oposição à oposição têm que se unir…
Vão ter que aprender a poupar.
Vão ter que aprender a viver sem comer (e nós que estamos avisados sobre o burro do espanhol)…
E os portugueses…
Que têm na mão uma oportunidade soberana de os mandar comer um cão…
Preparam-se para engolir toda esta cachorrada…
Irra.
domingo, 17 de abril de 2011
Uma receita para a Finlandia
A vós que aí no norte, frio e distante, ou pelo menos a parte de vós - parte expressiva, diga-se - que optaram por votar na extrema direita, xenófoba e racista, como todas as extremas direitas e que por mal dos nossos pecados, nos escolheram como alvos preferenciais, digo-vos que por aqui esteve um dia lindo.
Cheio de sol.
É Abril em Portugal, sabeis?
Ficai pois com o vosso dinheiro e a vossa boçalidade que nós ficamos com o nosso sol.
E a todos vós - também muitos - que nos queiram visitar, como amigos, vos digo: sois bem vindos e partilhemo-lo - o sol.
E eu talvez vos receba com uma sopa:
Um pouco de azeite num tacho, dois dentes de alho picados finamente, quando estes tiverem loiros junta-se um molho de espinafres cortados grosseiramente e junta-se sal, Passados poucos minutos, estando os espinafres estufados, juntamos coentros e poejos picados e alguma água a ferver. Escalfam-se ovos e pronto.
É tão simples.
Por aqui ainda há quem dê valor às coisas simples.
Cheio de sol.
É Abril em Portugal, sabeis?
Ficai pois com o vosso dinheiro e a vossa boçalidade que nós ficamos com o nosso sol.
E a todos vós - também muitos - que nos queiram visitar, como amigos, vos digo: sois bem vindos e partilhemo-lo - o sol.
E eu talvez vos receba com uma sopa:
Um pouco de azeite num tacho, dois dentes de alho picados finamente, quando estes tiverem loiros junta-se um molho de espinafres cortados grosseiramente e junta-se sal, Passados poucos minutos, estando os espinafres estufados, juntamos coentros e poejos picados e alguma água a ferver. Escalfam-se ovos e pronto.
É tão simples.
Por aqui ainda há quem dê valor às coisas simples.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Ai Abril...
Parece que muitos - a maioria, para também fazer uso desta entidade mítica - perderam a memória, a capacidade de indignação e acima de tudo a de interrogação.
Dizer hoje que Portugal não precisa de ajuda e dois dias depois afirmar que a ajuda que Portugal precisa não é só para seis meses mas para muito mais tempo, não envergonha o seu autor, não indigna a maioria e não conduz à curiosidade dos seus concidadãos.
Fazer de uma candidatura uma batalha de honra (segundo o conceito do próprio) contra os malefícios do partidarismo e passados alguns dias aceitar convite para integrar essa mesma partidocracia, não envergonha o próprio, não indigna a maioria e não conduz à curiosidade dos cidadãos.
Outros exemplos, imensos outros, poderiam aqui ser trazidos.
Há mesmo casos em que de tão recorrentes, muitos de nós aprendemos a interpretar os ditos nos exactos termos dos seus contrários.
Alguns afirmam - enveredando pela perspectiva moralista - que este estado de coisas é o retrato da condição e «estatura moral» do país. Em boa medida é verdade, mas a questão vai para além disso.
O que está a acontecer insere-se numa estratégia geral de descredibilização da democracia, procurando e em boa medida conseguindo, o alheamento e a culpabilização «cega» da política por todos os males.
Tudo se consubstancia na máxima das massas «são todos iguais».
E sob essa cobertura, vai ficando claro em cada dia que passa - para os que ainda não perderam as faculdades de memória, dignidade e capacidade de interrogação - que o governo de Portugal - e da Europa, acrescente-se - é o governo do capital.
São os bancos que ditam, decidem, arrecadam, arruínam famílias e países.
O dinheiro deixou de ser um factor de produção e passou a ser um instrumento de mera comercialização assente na mais descarada especulação.
A um gerente - supra sumo da inteligência «capital» - pagam-se somas escandalosas.
A um investigador que contribui com a sua inteligência, a sua dedicação e o seu trabalho para procurar encontrar soluções para os seus iguais, com merecido destaque para os que trabalham nas áreas da saúde, mitiga-se o que se lhe paga.
Pobres coitados dos gestores de meia tigela que dentro dos seus b emes e empanturrados nos tavares se julgam o supra sumo da sociedade.
Admitamos que em certa medida o são.
Desta sociedade decadente e medíocre.
Mas reconheçamos - os que ainda têm as faculdades já descritas - que homens com H são os outros.
Mas voltando à questão da natureza do poder político.
Se dúvidas existissem, bastava estar atento, aos últimos dias e às melhores prestações dos agentes nacionais do governo do capital.
Reunião de banqueiros - quais múmias -, recados de banqueiros seguidos à risca pelos seus diligentes empregados no governo, entrevistas a banqueiros - quais múmias - chegada do homens do FMI - qual Força de Intervenção - discursos dos pseudo especialistas empregados dos banqueiros, agachamentos dos outros que nem empregados são dos banqueiros. E a religião metida ao barulho, como sempre.
E o povo - as massas - as vítimas - compreendendo que a situação está difícil. Que é preciso salvar o País. Que o Sr. Presidente tem razão e que é preciso que todos se unam.
E vai daí,o povo - as massas - preparadinho para homologar mais um governo do capital, estando só indeciso se o há-de fazer com o cõnsul geral que lá tem estado se escolhe o outro cônsul geral.
E..
O general diz fanfarrão que assim não tinha feito a revolução.
Ah, pois não. Mas ela tinha-se feito muito bem sem ele.
Mas
Ai Abril….
Ai Abril.
Dizer hoje que Portugal não precisa de ajuda e dois dias depois afirmar que a ajuda que Portugal precisa não é só para seis meses mas para muito mais tempo, não envergonha o seu autor, não indigna a maioria e não conduz à curiosidade dos seus concidadãos.
Fazer de uma candidatura uma batalha de honra (segundo o conceito do próprio) contra os malefícios do partidarismo e passados alguns dias aceitar convite para integrar essa mesma partidocracia, não envergonha o próprio, não indigna a maioria e não conduz à curiosidade dos cidadãos.
Outros exemplos, imensos outros, poderiam aqui ser trazidos.
Há mesmo casos em que de tão recorrentes, muitos de nós aprendemos a interpretar os ditos nos exactos termos dos seus contrários.
Alguns afirmam - enveredando pela perspectiva moralista - que este estado de coisas é o retrato da condição e «estatura moral» do país. Em boa medida é verdade, mas a questão vai para além disso.
O que está a acontecer insere-se numa estratégia geral de descredibilização da democracia, procurando e em boa medida conseguindo, o alheamento e a culpabilização «cega» da política por todos os males.
Tudo se consubstancia na máxima das massas «são todos iguais».
E sob essa cobertura, vai ficando claro em cada dia que passa - para os que ainda não perderam as faculdades de memória, dignidade e capacidade de interrogação - que o governo de Portugal - e da Europa, acrescente-se - é o governo do capital.
São os bancos que ditam, decidem, arrecadam, arruínam famílias e países.
O dinheiro deixou de ser um factor de produção e passou a ser um instrumento de mera comercialização assente na mais descarada especulação.
A um gerente - supra sumo da inteligência «capital» - pagam-se somas escandalosas.
A um investigador que contribui com a sua inteligência, a sua dedicação e o seu trabalho para procurar encontrar soluções para os seus iguais, com merecido destaque para os que trabalham nas áreas da saúde, mitiga-se o que se lhe paga.
Pobres coitados dos gestores de meia tigela que dentro dos seus b emes e empanturrados nos tavares se julgam o supra sumo da sociedade.
Admitamos que em certa medida o são.
Desta sociedade decadente e medíocre.
Mas reconheçamos - os que ainda têm as faculdades já descritas - que homens com H são os outros.
Mas voltando à questão da natureza do poder político.
Se dúvidas existissem, bastava estar atento, aos últimos dias e às melhores prestações dos agentes nacionais do governo do capital.
Reunião de banqueiros - quais múmias -, recados de banqueiros seguidos à risca pelos seus diligentes empregados no governo, entrevistas a banqueiros - quais múmias - chegada do homens do FMI - qual Força de Intervenção - discursos dos pseudo especialistas empregados dos banqueiros, agachamentos dos outros que nem empregados são dos banqueiros. E a religião metida ao barulho, como sempre.
E o povo - as massas - as vítimas - compreendendo que a situação está difícil. Que é preciso salvar o País. Que o Sr. Presidente tem razão e que é preciso que todos se unam.
E vai daí,o povo - as massas - preparadinho para homologar mais um governo do capital, estando só indeciso se o há-de fazer com o cõnsul geral que lá tem estado se escolhe o outro cônsul geral.
E..
O general diz fanfarrão que assim não tinha feito a revolução.
Ah, pois não. Mas ela tinha-se feito muito bem sem ele.
Mas
Ai Abril….
Ai Abril.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Há muito, muito tempo...
Nem sempre assim foi, mas de uns tempos a esta parte, as segundas-feiras passaram a ser, dias de readaptação difícil.
Com o normal andar do relógio, os sintomas vão atenuando.
Mas enquanto dura, tem os efeitos de uma ressaca.
E foi durante esse período que dei por mim a recuar no tempo. A reviver momentos e a desatar memórias de um tempo distante, muito distante.
Portugal preparava-se para escolher o seu Presidente da República.
Estávamos então em Janeiro de 2011.
O candidato presidente virou presidente sem que antes nos tivesse pregado um susto, um grande susto. Ameaçou ele: «se houver uma 2ª volta» é a desgraça que se abate sobre o país, os mercados ficarão nervosos, as taxas de juro (usura) subirão e o resgate da dívida pública tornar-se-á inevitável.
O povo ouviu o professoral conselho e respeitou-o.
E como sabemos, decorrido este longo, longo tempo…
Nessas eleições havia também um candidato que se irritava quando o acusavam de ser conivente com a política do governo. Que não senhor, que ele estava lá sentado mas até votava distraído, que a ele ninguém o calava e que ele era a esquerda em pessoa.
Passado este longo, longo tempo, no comício congresso onde foi vedeta (como gosta) este candidato, vai para onde sempre esteve.
Havia um outro candidato. Homem integro como nenhum outro à face da terra, altruísta e com um grande valor intrínseco: era um homem sem partido e fora da “miserável” partidocracia .
Passado este longo, longo tempo, este candidato é candidato de um partido, para fazer parte da partidocracia e apresentado como trunfo pelo PSD.
Pelo menos as minhas ressacas só dão para embirrar com as segundas feiras. Um destes dias posso explicar o que julgo serem as causas.
Mas há para quem, as mesmas parecem dar para embirrar com o carácter e com a coerência (para referir só estes dois valores).
Pois há muito, muito tempo que este e outros homens semelhantes nos vêm cantando cantigas de embalar .
Mas também há muito, muito tempo (desdo que tenho consciência de mim) que conheço outros.
Outros Homens e Mulheres.
Íntegros.
Com o normal andar do relógio, os sintomas vão atenuando.
Mas enquanto dura, tem os efeitos de uma ressaca.
E foi durante esse período que dei por mim a recuar no tempo. A reviver momentos e a desatar memórias de um tempo distante, muito distante.
Portugal preparava-se para escolher o seu Presidente da República.
Estávamos então em Janeiro de 2011.
O candidato presidente virou presidente sem que antes nos tivesse pregado um susto, um grande susto. Ameaçou ele: «se houver uma 2ª volta» é a desgraça que se abate sobre o país, os mercados ficarão nervosos, as taxas de juro (usura) subirão e o resgate da dívida pública tornar-se-á inevitável.
O povo ouviu o professoral conselho e respeitou-o.
E como sabemos, decorrido este longo, longo tempo…
Nessas eleições havia também um candidato que se irritava quando o acusavam de ser conivente com a política do governo. Que não senhor, que ele estava lá sentado mas até votava distraído, que a ele ninguém o calava e que ele era a esquerda em pessoa.
Passado este longo, longo tempo, no comício congresso onde foi vedeta (como gosta) este candidato, vai para onde sempre esteve.
Havia um outro candidato. Homem integro como nenhum outro à face da terra, altruísta e com um grande valor intrínseco: era um homem sem partido e fora da “miserável” partidocracia .
Passado este longo, longo tempo, este candidato é candidato de um partido, para fazer parte da partidocracia e apresentado como trunfo pelo PSD.
Pelo menos as minhas ressacas só dão para embirrar com as segundas feiras. Um destes dias posso explicar o que julgo serem as causas.
Mas há para quem, as mesmas parecem dar para embirrar com o carácter e com a coerência (para referir só estes dois valores).
Pois há muito, muito tempo que este e outros homens semelhantes nos vêm cantando cantigas de embalar .
Mas também há muito, muito tempo (desdo que tenho consciência de mim) que conheço outros.
Outros Homens e Mulheres.
Íntegros.
domingo, 10 de abril de 2011
Não os mandemos à fava
Mandemo-los antes ...
Tendo em conta as grandes alhadas em que nos têm metido, desleixei a ideia que sempre tive, de ao domingo, escarafunchar por aqui qualquer coisa, «coisas leves…de domingo» e que por norma pudesse andar em torno da gastronomia e em sentido mais amplo se inserisse numa determinada perspectiva de regresso ao campo.
E assim, enjoado do congresso comício e não suportando mais a indelicadeza com que os seus grandes figurões me entram casa a dentro, eis que me apetece falar de coisas leves.
Leves e doces.
Se ainda não experimentaram, experimentem passar pela Vidigueira e comprem laranjas, são simplesmente magnificas. Só mais um dos néctares que saem destas terras solarengas…
Por estas terras, que também são de vinho, organizam-se umas iniciativas engraçadas: O Festival Pão e Laranjas (que me deu o acesso às ditas) e em Vila de Frades um Festival de Vinho, com vinho novo a provar-se nas enormes talhas de barro de inúmeras adegas de pequenos produtores da terra.
Experimentem, mas agora, só já no próximo ano.
E experimentem também por agora, que elas estão tenras, novas e saborosas, um bom prato de favas estufadas (com enchidos e os fortes aromas do coentro espigado).
Numa caçarola fritam-se umas tiras de toucinho salgado, rodelas de linguiça e de chouriço de sangue (de Estremoz e de porco preto).
Completada a fritura, retire e reserve as carnes. No pingo quente da fritura deite as favas (obviamente descascadas e desolhadas) tape a caçarola e vá revolvendo (de preferência com movimentos certos e sem destapar).
Coloque a «boneca», um molho de cheiros que consistem num abundante ramo de coentros espigados, ramos de hortelã enrolados em folhas de alhos , envolvendo sempre.
Tempere de sal e deite água a ferver (mais água se gostar delas caldosas, menos água se gostar delas mais secas - é o meu caso).
Deixe estufar bem.
Acompanhe com uma abundante salada de alface cortada em juliana.
Envolva ou coma à parte os enchidos fritos.
Complemente com um queijo fresco de cabra.
E, inevitável, acompanhe com um bom tinto alentejano e com amigos.
Amanhã, já sabemos.
O mesmo de hoje e de ontem.
Até que gente troque as voltas ao diabo.
Tendo em conta as grandes alhadas em que nos têm metido, desleixei a ideia que sempre tive, de ao domingo, escarafunchar por aqui qualquer coisa, «coisas leves…de domingo» e que por norma pudesse andar em torno da gastronomia e em sentido mais amplo se inserisse numa determinada perspectiva de regresso ao campo.
E assim, enjoado do congresso comício e não suportando mais a indelicadeza com que os seus grandes figurões me entram casa a dentro, eis que me apetece falar de coisas leves.
Leves e doces.
Se ainda não experimentaram, experimentem passar pela Vidigueira e comprem laranjas, são simplesmente magnificas. Só mais um dos néctares que saem destas terras solarengas…
Por estas terras, que também são de vinho, organizam-se umas iniciativas engraçadas: O Festival Pão e Laranjas (que me deu o acesso às ditas) e em Vila de Frades um Festival de Vinho, com vinho novo a provar-se nas enormes talhas de barro de inúmeras adegas de pequenos produtores da terra.
Experimentem, mas agora, só já no próximo ano.
E experimentem também por agora, que elas estão tenras, novas e saborosas, um bom prato de favas estufadas (com enchidos e os fortes aromas do coentro espigado).
Numa caçarola fritam-se umas tiras de toucinho salgado, rodelas de linguiça e de chouriço de sangue (de Estremoz e de porco preto).
Completada a fritura, retire e reserve as carnes. No pingo quente da fritura deite as favas (obviamente descascadas e desolhadas) tape a caçarola e vá revolvendo (de preferência com movimentos certos e sem destapar).
Coloque a «boneca», um molho de cheiros que consistem num abundante ramo de coentros espigados, ramos de hortelã enrolados em folhas de alhos , envolvendo sempre.
Tempere de sal e deite água a ferver (mais água se gostar delas caldosas, menos água se gostar delas mais secas - é o meu caso).
Deixe estufar bem.
Acompanhe com uma abundante salada de alface cortada em juliana.
Envolva ou coma à parte os enchidos fritos.
Complemente com um queijo fresco de cabra.
E, inevitável, acompanhe com um bom tinto alentejano e com amigos.
Amanhã, já sabemos.
O mesmo de hoje e de ontem.
Até que gente troque as voltas ao diabo.