quinta-feira, 7 de julho de 2011

Um primeiro passo

Vai ser cambaleante, certamente.

Pode até nem fazer sentido.

Mas estou a experimentar novas formas de edição que julgo resolverão alguns dos problemas que me afectavam.

Aproveito para pôr em tabela a salgalhada em que se traduziu o post anterior e  que foi consequência de procurar pôr em texto o que não era texto.

Partido % Votos Mandatos % Mand. Mand. Proporcionais
PSD 38,65 108 46,96 89
PS 28,06 74 32,1 65
CDS 11,7 24 10,43 27
PCP/ CDU 7,91 16 6,96 18
BE 5,17 8 3,45 12
MRPP 1,12 0 0 3
PAN 1,04 0 0 2
MPT 0.41 0 0 1

Neste quadro fica bem patente a discrepância entre a percentagem de votos e a percentagem de mandatos, com evidente beneficio dos partidos mais votados.

PROPORCIONALIDADES DESPROPORCIONADAS

Informação prévia:

O «espojinho» atravessou nestes dias, o período mais longo de inactividade desde o seu aparecimento. Aos amigos que me acompanham , devo uma explicação, mas não a tenho. Talvez porque cheira a férias, talvez por desalento com o sentido de voto de tantos que sendo tão vítimas quanto eu optaram por votar nos carrascos, talvez á procura de um rumo…
Talvez.
Mas caminhar é uma luta constante contra o cansaço e por vezes este julga que ganhou a batalha…
Adiante pois porque o caminho é para percorrer.

Proporcionalidades desproporcionadas.

Não tenho a menor intenção de questionar a legalidade do «sistema» mas a mesma garantia não posso dar sobre a sua legitimidade.
Habituámo-nos a citar Churchil, a enaltecer as qualidades do método de atribuição dos mandatos (Hondt), a aceitar polidamente distorções de representatividade e tendo sido assim e há tanto tempo que assim é, que não questionamos e quando alguns o fazem, surgem logo argumentos contrários de todo o tipo e estranhamente, de sítios impensáveis.
Mas porque agora andam por aí uns «papões» falando em nome do povo e enchendo o peito sob o peso da ampla maioria, decidi abordar o assunto e para tal necessitarei de mais que um «post».
A ampla maioria de que falam representa pouco mais de 50 % de 58% dos eleitores.
Mais de quatro milhões de portugueses não podem aqui ser contabilizados.
A ampla maioria representa aproximadamente 25%, um em cada quatro dos cidadãos eleitores.
Legal? Obviamente. Mas não fica mal precisarmos o dado.
Artificializando círculos - quando se recusam regiões - obtêm-se preciosas distorções.
Chamando nulos a votos que são votos activos também damos um contributo - Cavaco Silva livrou-se de uma 2ª volta (em que as coisa lhe poderiam correr mal) graça aos votos nulos.
No quadro* seguinte, parto das premissas seguintes:
+Só existência de um circulo no contexto nacional;
+Contabilização de votos brancos e nulos para atribuição de mandatos (obviamente, para o caso, não mandatos - ou seja, os mandatos que resultam destes votos, não serão preenchidos por ninguém);
+Os restos, ou sejam os votos em partidos que não conseguem mandatos não serão aproveitados por ninguém.
Da hipotética situação resultante, fica claro que os 230 mandatos não serão totalmente atribuídos, mas também fica claro que a % de mandatos de cada um, corresponde à % de votos de cada um.

PSD obtém 38,65% dos votos, que se traduzem em 108 mandatos, ou seja a 46,96% destes.
Uma proporcionalidade não desproporcionada, corresponderia a 89 mandatos.

PSD obtém 28,06% dos votos, que se traduzem em 74 mandatos, ou seja a 32,17% destes.
… corresponderia a 65 mandatos.

CDS obtém 11,7% dos votos, que se traduzem em 24 mandatos, ou seja a 46,96% destes.
… corresponderia a 27 mandatos.

PCP / CDU obtém 7,91% dos votos, que se traduzem em 16 mandatos, ou seja a 6,96% destes.
…corresponderia a 18 mandatos.

BE obtém 5,17% dos votos, que se traduzem em 8 mandatos, ou seja a 3,48% destes.
… corresponderia a 12 mandatos.

MRPP obtém 1,12% dos votos, que se traduzem em 0 mandatos, ou seja a 0% destes.
… corresponderia a 3 mandatos.

PAN obtém 1,04% dos votos, que se traduzem em 0 mandatos, ou seja a 0% destes.
…corresponderia a 2 mandatos.

MPT obtém 0,41% dos votos, que se traduzem em 0 mandatos, ou seja a 0% destes.
Uma proporcionalidade não desproporcionada, corresponderia a 1 mandato.
Teríamos assim um Parlamento com 217 mandatos (-13 do que o legalmente estabelecido) e muito mais representativo daquilo que foi a expressão do voto.
O não preenchimento de 13 lugares corresponderia de igual forma a esse sentido de voto na medida que resulta da soma de votos nulos, brancos e de votos em partidos que não conseguem eleger mandatos. Não parece legítima (embora seja legal) a apropriação por outros destes mandatos
Não se distorcia a maioria de mandatos no Parlamento que PSD e CDS obtiveram nas urnas.
O Parlamento teria uma representatividade mais próxima da realidade sociológica.
Respeitar-se-ia (nos planos formal e ético) o sentido de voto dos que optam por dar um sentido «nulo» aos seus votos.

Sabemos no entanto que pretendem , PSD e CDS, namorando já nesse sentido o aplicador de passadeiras (PS), proceder a alterações à Lei Eleitoral.
Mais distorções à representatividade são de esperar.
Para eles, a democracia é aquela coisa formal e chata através da qual «legalizam» os seus mandatos.

Nota*. Por problemas técnicos e incapacidades próprias tive que reformular este «post» e passar para texto o que era tabela.
Vou procurar resolver estas dificuldades mesmo que tal implique a eventual alteração de morada do «espojinho». Vou ver…

segunda-feira, 20 de junho de 2011

V(M)IRAGEM

Volto ao assunto
Insistem alguns, que virámos à direita a 5 de Junho e, aduzem em favor dessa tese que basta ver a composição da Assembleia em que a maioria dos seus mandatos é de partidos de direita (do PSD e do CDS).
Olhando por este prisma, nada mais haveria a dizer .
Mas a questão é uma alegada viragem à direita do sentido de voto dos eleitores portugueses e aí sou de opinião que outros factores têm de ser ponderados.
Primeiro, o que já tinha afirmado: ter-se verificado um êxito não desprezível da estratégia da direita de esvaziar de conteúdo os conceitos. (São inúmeros os exemplos e o caso Fernando Nobre não é inocente e não é tiro no pé).
Segundo, porque a ter-se verificado um movimento com essas características, estaríamos na presença de um rodopio em torno da direita e não de uma viragem, ou seja não se vira para onde se está.
Terceiro, sou de opinião que a vitória do PSD é mais a expressão da vontade «quase obsessiva » de uma massa muito grande de eleitorado de se livrar de Sócrates e entender que a melhor forma era votando PSD.
Quarto, não me apetece segurar no arquinho do Sr. Portas (salvo seja) e não o considero um vencedor.
Quinto, com esta argumentação simplificada da viragem à direita estamos a contribuir muito significativamente para a estratégia do PS que agora aposta tudo para se assumir como partido de esquerda, melhor, como sendo a própria esquerda.
Por mim, não estou disponível para branqueamentos.
Adiante.
Pretendo em breve abordar a questão da representatividade do voto e das distorções à proporcionalidade e dessa forma dar mais um contributo, assim julgo, em favor da tese que defendo.
Por agora, sigo expectante o desabrochar de inúmeros movimentos espontâneos de protesto social que ocorrem um pouco por todo o lado. Grécia; Espanha, por aqui, em Itália, para falarmos só do nosso cantinho europeu.
E regozijo-me por verificar a solidez analítica dos porta vozes que confronto com a total incapacidade dos dirigentes das democracias formais (formatadas) em perceber o que está a acontecer.
E se um dia os policias se cansam e percebem que mesmo tendo o emprego em risco não é possível mais não passar para o lado certo das barricadas?
A democracia é também participação sabiam?

A este propósito:
Sabia Sr. Presidente?

Após o Sr. Presidente ter afirmado que os que não votassem não tinham o direito a criticar - coisa absurda - pensei em escrever a SE, mas desisti da ideia por não gostar de perder tempo. No entanto, deixo aqui duas ideias principais que havia pensado em lhe transmitir:
_ Queria solicitar-lhe, muito respeitosamente que não se intitulasse presidente de todos os portugueses, mas que se limitasse à condição (honrosa) de Presidente da República Portuguesa.
_E, lembrar-lhe que mais de metade dos portugueses não votaram nele (não votaram em ninguém) e que por esse facto ninguém tem o direito de lhes diminuir os direitos da sua cidadania).

A bem da nação (democrática)

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Patrão

A crise tem as costas largas e grandes coberturas.
De tal ordem que ninguém se atreve a questionar a própria coisa, ou seja o que é a crise, quais as suas causas e quem são os seus responsáveis?
Da Islândia chega-nos (encapotada) a noticia de que o ex - primeiro -ministro responde em tribunal pelo crime de má gestão da coisa pública.
Em Portugal, os responsáveis passam a gestores de excelência excelentemente pagos ou pela coisa pública ou pelas coisas privadas beneficiárias da coisa pública.
Mas são tão largas as costas da crise que por causa dela e com ela se abocanham direitos e se questiona a própria democracia.
Abespinham-se alguns porque são muito elevados os custos com o funcionamento das instituições democráticas. Proclamam que há municípios e freguesias a mais, deputados a mais, ministérios a mais e tudo o mais, principalmente quando o mais é o resultado da(mesmo que distorcida) representatividade popular.
Belmiro o patrão diz que 100 deputados chegavam. Julgo mesmo que com 2 ele resolveria o problema. Um do PSD, outro do CDS e ele seria o Presidente. Vitalício, para evitar chatices. Em caso de empate ou de desempate ele desempataria.
Muitos dos que acham excessivos os custos com as instituições democráticas, achariam adequados os custos com o funcionamento dos organismos de controlo próprios dos regimes antidemocráticos, como por exemplo policia politica, corpos policiais e paramilitares de repressão, cadeias, informadores e muitos outros.
Belmiro anda exuberante. Fala ao país antes do escolhido (por si e ratificado pelos outros). E publicamente traça orientações.
Imagino as que traça em privado.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Dinâmicas dos sentidos de voto

Teimam muitos, por vezes mesmo sob pretensa cobertura académica, em procurar interpretar resultados eleitorais, consubstanciando as apreciações a imaginadas transferências de sentidos de voto - à boa maneira das transferências em futebol.
Dizem agora, que o voto virou à direita. E pronto.
Ora se PSD e CDS tiveram mais votos que PS; CDU e BE, logo…
Antes, votantes do BE e do PS, votaram agora PSD ou CDS, afirmam.
Não têm o mais elementar indicador lógico de que tal se tenha processado assim. Mas afirmam.
Não questionam.
Por exemplo:
Estratégia de esvaziamento de sentido à dicotomia esquerda, direita:
Sabemos que PSD e CDS se esforçaram por esvaziar conteúdos ideológicos e transmitir a ideia que Esquerda e Direita eram artificialismos e que as questões com que Portugal se defrontava eram bem mais importantes do que «esta pequena questão».
Recordemos que o PSD se esganiçou para fazer passar esta mensagem e para afirmar a sua «vertente» social democrata. Acrescentemos-lhe o facto de Portas ter passeado cravo vermelho na lapela. Concentremo-nos ainda no facto de que ambos fizeram passar a ideia de que o importante era derrubar Sócrates (insinuando que poderiam participar num futuro governo até com outros - desde que não com Sócrates..
E interroguemo-nos: Não terá tido êxito esta estratégia?
E se sim, é legítimo concluir que os que se deixaram arrastar para ela, consubstanciaram uma «viragem à direita»?

Dinâmicas de sentidos de voto
Pode alguém afirmar com rigor qual o trajecto do sentido de voto mais verificado entre os eleitores?
Do PS para o PSD? Do BE para o PS, Do PS para a abstenção; do PSD para o CDS, Da abstenção para o PSD? Da CDU para o PS? Do PS para a CDU?
O único dado que parece ser objectivamente quantificado é o que se traduz no voto contra Sócrates.
E o voto contra Sócrates pode ser enquadrado no sentido de viragem à direita que alguns analistas, comentadores e dirigentes partidários agora parecem identificar?
Agora, ninguém parece afirmar que o que aconteceu foi a dura penalização do Governo de Sócrates e da política de direita que sempre seguiu.
E Sócrates até sai de mãos lavadas.
Ele bem tentou evitar esta «viragem à direita»…

Podem outros subestimar a importância de uma análise objectiva a estes factores. Por mim e cuidando-me com uma ensinamento do menino Carlinhos (quando este afirma que o que é preciso é publicidade…) atormenta-me a ideia que vamos sedimentando na direita de que o eleitorado votou à direita.
Portas, esperto como é, já fala em alterar a lei do aborto, facilitar os despedimentos - incluindo na FP - alterar a Constituição?

Vamos continuar a alimentar-lhe o seu egozinho?
Se com três deputados a mais ele parece ter ganho o país…(o sol, a lua e tudo o mais)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Pois, pois, jota belmiro

Tal como suspeitava e temia, eles aí estão. Impantes.
Presidente, maioria, governo, troika.
Nem em sonhos o outro sonhou tanto.
E estão porque alguém lhes abriu as portas e porque muitos, contra natura, assim o quiseram.
Agora vamos ter tempo para saber o que contêm todas as versões do pacto de rendição.
Vamos saber o que vamos acrescentar aos cortes salariais.
Vamos saber quantos mais de nós iremos para o desemprego.
Vamos tomar ainda mais consciência de que é necessário pôr duas embalagens de leite, em vez de uma, nos carrinhos do banco alimentar.
Vamo-nos render à caridadezinha depois de vermos destruído o estado social.
E vamos ver socialistas ferrenhos socratianos até ontem, dizerem mal de sócrates e defender «uma viragem à esquerda». (são sempre de esquerda os socialistas quando são empurrados para fora da esfera do poder).
E vamos ver muitos votantes chorar baba e ranho amaldiçoando os seus pecados (que logo em outra oportunidade estão dispostos a voltar a cometer).
E vamos ver a continuação do filme trágico que temos visto temendo pelo seu epílogo.
Os grandes e gananciosos senhores conseguiram que as vitimas das suas ganancias votassem nos rapazes que eles escolheram para mandar.
E eles vão mandar neles.
E nós vamos contribuir para a renovação das frotas de ferraris e de iates.
E tantos que entre nós, deram o seu voto e até a sua alegria e palmas para que assim fosse.
Devem-se ter imaginado «grandes» juntando os seus votos aos votos dos «grandes».
Agora
AGUENTEM (os)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Notas de campanha

Soltas e (creio)que únicas


Preparação
Passos Coelho atirando no sitio do pé onde já tinha um buraco provocado pelo último tiro, vem colocar na ordem do dia a necessidade da nomeação de um comissário para negociar com a troika de lá. Paralelamente assistimos incrédulos à defesa por parte da oligarquia europeia da ideia de entregar a uma agência privada a gestão das privatizações e a própria cobrança de impostos na Grécia.
Complementarmente Passos grita que está preparado para cumprir o acordo assinado entre as troikas (de cá e de lá). Considero oportuna uma pequena correcção: ele não está preparado ele foi preparado para tal.
Está ainda preparado para, distraindo os que parecem gostar de andar distraídos, ver ratificada a sua escolha e assumir ele próprio as funções de comissário da troika (de lá).
Para lixar os de cá - não tenham dúvidas.

Duelo
Num país com gente tão atenta às mundanices televisivas e similares é incrível que não se repare no duelo televisivo entre Sócrates e Passos. Hoje afirmo eu depois tu comentas, amanhã comento eu o que tu disseres. E nada dizem.
Porque assinaram, eles são duas das peças da troika de cá.

A terceira peça.
E que peça…
Esturra o dinheiro dos contribuintes em dispensáveis submarinos e nada tem a ver com o assunto.
Participa nos governos e nada tem a ver com eles.
Assina a capitulação (com as outras duas peças) e não tem nada a ver com o assunto.
Ele não ofende. De ele, não vêm insultos, ele é um apóstolo eugenizado.
Ele não é de esquerda, nem de direita…
Como são perigosos os homens de direita que se dizem nem de esquerda nem de direita…
Saberão do que falo muitas das cabeças pensantes que se deixam ir nesta cantiga?
Não creio. Infelizmente.

O futuro
Começa às 20,00 de domingo.
Aí começaremos a saber em pormenores angustiantes o que nos espera.
Até lá, a troika de cá (para os que teimam em andar distraídos, reforço: PS; PSD e CDS) tudo farão (se for necessário, fazem o pino - a cola da peruca é de boa qualidade - ou põem cravo vermelho na lapela) para que os portugueses se distraiam e não conheçam o que eles conhecem e assinaram.
E que distraídos eles parecem andar…os portugueses.

Convite
A todos os que vieram a Évora ao comicio de Sócrates, vindos dos lados de Lisboa, emigrantes paquistaneses, indianos e africanos e a todos os outros, quero deixar um convite muito sincero: visitem Évora, por vossa iniativa. Vão ver uma cidade linda, acolhedora e que recebe bem todos os povos do mundo.
Verão que a Praça do Giraldo é majestosa sem aquela amontoado de ferros e tubos.
Verão ainda que há nela uma fonte, onde nos juntamos aos fins de tarde. Reparararm nela?
Verão uma Praça de gente e não reconhecerão a praça cenário de 20000 euros construida e preenchida por vós.


Um apelo
Para todos os que teimam em se distrair.
Para todos os que não querem «chatices» e andam aqui como marias que vão com todos.
Para todos os que cómoda e cobardemente insistem em dizer «eu quero lá saber… eles são todos a mesma coisa…»
Para todos eles, eu faço um apelo: Não me moam.
Não venham na segunda feira chorar lágrimas de crocodilo.
Já não há pachorra para aturar a vossa irresponsabilidade.