segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Por mim, se puder, vou a todas

Reflexões (breves) em torno do conceito de unidade


Perante uma ofensiva tão brutal, como a que está em curso sob batuta da direita no Governo e empurrada pela direita na Europa, seria expectável que aqueles que são as vítimas e são muitos, cerrassem fileiras e deixassem para depois as naturais divergências.


A guerra aos trabalhadores, com principal intensidade contra os funcionários públicos, aos pensionistas e a todos os jovens que não sejam filhos de papás, só pode ter o aplauso daqueles que se preparam para com ela, como seu resultado,  encher ainda mais os bolsos, aos seus acólitos e cães de fila que se contentam com sobras e a uma massa disforme de tolos que aplaudem a ida do chicote sem conseguirem perceber que na vinda vão levar com ele.
E se assim é, interrogo-me sobre a intensidade com que alguns sectores dos que estão do lado certo da barricada e na luta, colocam nas divergências que sempre partilharam.
E interrogo-me sobre o conceito de unidade.
Para além da sua aplicação na matemática, na física e em outras ciências, concentro-me em duas das suas definições que mais se enquadram na abordagem social, uma:

  • Que define unidade como caracter do que é uno, do que forma um todo orgânico,  e outra:
  • Que a define como a conformidade de sentimentos, de opiniões, de objectivos a alcançar.

Temo que parte importante no campo dos lutadores esteja subordinada à primeira em detrimento da segunda e que isso seja a expressão de uma perigosa deriva sectária que parece em curso.

Por mim, opto pelo conceito que encarna a conformidade.

Tenho consciência plena de que a luta é dura, prolongada, que exige persistência, firmeza de princípios e ideológicos e que tal não se compagina com uns ou outros rasgos repentistas  e mais ou menos mediáticos, no entanto, não estou com disposição para perguntar ao meu companheiro que chegou agora à trincheira se está para ficar ou se só está de passagem e com muito menos disposição estou, para o deixar lá sozinho enquanto discuto princípios, na caserna.

Se ali estamos, lutemos, que a luta é dura.
Por mim, se puder, vou a todas.

A todas as lutas que tenham como objectivo derrotar esta asquerosa política de direita.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Caros amigos, reencaminhem por favor

Peço aos meus amigos que me leem e nos quais não se incluem aqueles a quem me dirijo, o favor de procurarem fazer chegar a estes, os ditos seguintes:

Para os homens e mulheres, que arrastam penosamente esta condição.
Para todos os que já não vislumbram para além do quadro de miséria (material e moral) para onde os empurraram.
Para os empertigados, que qual jogo de futebol, cantaram vitória quando se anunciava a sua própria desgraça.
Para os que agora estão atónitos, talvez cegos pela sua própria ingenuidade.
Para os mal intencionados e invejosos.

Eis o resultado das vossas ações. Eis o Governo do PSD e do CDS no seu melhor.

Para o caso de já não conseguirem reparar, são os mesmos que vos falaram de velhinhos desprotegidos, de pensões de miséria, da injustiça de baixos salários.

Podem continuar a entreter-se com joguinhos reles tipo: «isto só  toca os privilegiados da função pública, pois cheguem-lhe…»
Não vale a pena sequer lembrar-vos Brecht pois não sabem quem foi e muito menos o que disse.
Não vale a pena chamar-vos à razão porque esta é algo que também desconhecem.
Só me dirijo a vós para vos dizer:
Vocês não serão mais olhados por mim como vítimas.

Vós sois culpados.

Continuem pois no vosso pequeno mundo de invejinhas estúpidas consumindo-se na miséria que vos definha.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Mãe, tenho fome. Dorme que isso passa…filho.

 

Não aconselho a ninguém a leitura dos comentários que são feitos nas edições on-line dos jornais. São de uma pobreza franciscana, malcriados, mal escritos e de certa forma representativos da saúde social (e mental) dos portugueses.
Na taberna da aldeia onde cresci, o nível era bem mais elevado.
Muitos cobardes utilizam o anonimato para se imaginarem grandes.
Mas não passam de grandes m…

E foi por não ter seguido o conselho, que agora escrevo o que escrevo e foi ainda e principalmente por ter sentido tanto ressabiamento em relação aos funcionários públicos.

Mas em certa medida alguns deles merecem.
Muitos julgaram-se imunes.
Outros superiores e hoje são o que sempre foram… vitimas.

Assim como julgo que merecem hoje, todos os sacanas que votaram no PSD e no CDS (e passam agora com os outros as passinhas do Algarve)  porque (desculpavam-se antecipadamente),  diziam, não havia alternativas!!!

Para mim são tão culpados os atores como os mentores.
Somos todos crescidos e todos sabíamos o que nos esperava.

Não havia alternativa e votaram Cavaco ( o esbanjador construtor de auto estradas, desmantelador da frota pesqueira e da agricultura e atual defensor acérrimo da produção nacional).

Não havia alternativa e votaram Portas e Coelho.

Não havia alternativa e votaram Jardim.

E ainda há quem os queira fazer passar por vítimas e desculpar os seus atos. Votaram ? Assumam!

São tão sacanas como os sacanas que vos e nos lixam.

Mãe, estes gajos traíram-me!
Já devias estar habituado meu filho. Toma uma alkastzer que isso não te passa.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

MEDOS

 

São inúmeros os medos dos homens. Medo de aranhas, de répteis, de  andar de avião, de carro, de comboio, a pé, medo dos outros homens - principalmente daqueles que são estranhos aos seus olhos, medo do medo.
E assim sendo, muitos sabem usar  de forma muito eficaz esses medos e exacerbam-nos, conduzindo os comportamentos a verdadeiras e alienantes fobias.
Há na história dos homens inúmeros exemplos dos resultados trágicos do uso por parte de alguns, do medo dos outros.
Na atualidade, a projeção desses medos alienantes, ocorre mais ao nível económico. A crise, a crise, a crise…
E há reluzentes e redondas figuras, que festejam os resultados que obtêm por força dos medos que incutiram.
Recentemente, nas terra de um senhor espalhador do medo, parte expressiva do povo de lá, optou por escolher de novo esse senhor (do medo).
Há empregos por segurar (nas autarquias, nas empresas públicas, nas empresas dos amigos do senhor do medo), pequenas regalias a garantir.
Existem as vozes silenciadas, os jornais amordaçados.
Existe todo o espetáculo folclórico com que se procura disfarçar (o medo).
E depois, existem as demagogas e revoltantes expressões: «o povo decidiu…».
Alienado, o povo não decide. Aceita subjugado.
Mas por aqui, não é muito diferente.
Primeiro, tiram tudo e depois dizem temer tumultos.
Assustam-nos com as imagens da Grécia.
Quando aqui e exceptuando as imagens de violência gratuita das quais fizeram imensas cópias, o que acontece é que há povo que não teme e não se deixa alienar pelos medos.
Outros, atirando barro à parede, afirmam: «em 2012 precisamos dos vossos subsídio de férias e de natal, por inteiro».
Logo de seguida, um daqueles pensadores grandes em tamanho lateral, atenua um pouquinho, dizendo: «precisamos pelo menos de umas “”parcelitas”».
Um outro, talvez enraivecido por ter perdido para outra aberrante figura, o honorífico título de professor, proclama afiando a sua sábia pera: « daqui a 30, 50 ou 100 anos Portugal pode não existir».
Pode não ser o professor, mas quer o título de “advinhador” oficial do reino e só há duas possibilidades, ou sim ou não.
Eu por mim desejo, que antes, muito antes desses prazos, o meu país deixe de ser um país de medos.
E para vencer os medos, sabemos que temos cada um, algo a fazer.
E todos sabemos a boa sensação que se obtém quando o conseguimos.
Não podemos é continuar a desculpar eternamente os que  não se libertam dos medos… às vezes só com base em mesquinhos e egoístas interesses…

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Só para alguns

Aos homens e mulheres que julgam o mundo e agem como se o mesmo se situa-se nas envolventes sujas dos seus umbigos, não são dirigidas estas palavras que agora escrevo.

Dirijo-as sim, aos homens e mulheres que se esforçam por andarem “eretos”, mesmo aos que, distraídos ou mal intencionados, acabaram por tomar atitudes, contrárias a si e a nós.

Dirijo-as aos homens , mulheres e jovens sem trabalho e aos muitos outros que só o têm enquanto factor de exploração.

Dirijo-as aos jovens desesperados a quem fecham o presente.

Dirijo-as aos que ainda têm trabalho e o veem cada vez com menos direitos.

Dirijo-as aos que nada têm e que por isso a pouco aspiram.

E consistem numa mensagem simples:

Apesar de tudo e acima de tudo, por causa do tudo que foi referido, amanhã estarei nas ruas de Lisboa, na Manifestação convocada pela CGTP/IN.

Acredito que não é o conformismo o caminho. Acredito que há outro caminho.

E sei que é andando que ele se faz.

Aos que não acreditam, se conformam, que julgam que o melhor é optarem pelo “salve-se quem puder, apresento o meu pesar.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

São as economias, estúpidos

Apesar do uso profuso da frase, em citações a propósito e a despropósito, em títulos, subtítulos e corpo de artigos de jornal, de dar nome a blogs e a grupos de reflexão e apesar também dos sentidos divergentes que se lhes podem associar, julgo-me também no direito ao uso da famosa frase que se diz criada por James Carville e usada com êxito por Bill Clinton.

Bush pai, não insinuo que a ele se dirigisse, percebeu bem o sentido.

Mas muitos ainda hoje e já passaram quase 20 anos (data de 1992, diz-se) não perceberam.

E confundem finanças com economia. E admiram-se (quais inocentes virgens) que se preveja uma forte  recessão na economia para o ano que já espreita (a somar à que se regista no ano em curso).

As medidas aplicadas (austeridade + austeridade + cortes nas prestações sociais + baixos salários é = a recessão.

A recessão provoca falências, desemprego, quebra de receitas fiscais, quebras no investimento + recessão.

Mais recessão aumenta o défice e reforça a necessidade de dependência externa.

Mais dependência externa significa uma crescente e insaciável necessidade de financiamento.

E abreviando a história… o fim é a bancarrota.

Assim se estuda em Portugal, em Inglaterra, nos EUA e estamos em crer que também no… Canadá.

Há mais economia para além da cegueira financeira e para além … da estupidez.

domingo, 18 de setembro de 2011

Mais do mesmo ou sinais de mudança?

Os islandeses bateram o pé e aplicaram no seu país o contrário das receitas que os senhores do dinheiro lhes queriam aplicar.

Depois da bancarrota, sentaram no banco dos réus os responsáveis e trataram de equilibrar as finanças do seu país.

Os alemães em todas as eleições regionais até agora realizadas – depois deste 2.º mandato da senhora – votam, penalizando o partido desta, enquanto esta continua ocupada, armada em senhora da Europa.

Em Chipre, também se desalinha.

Na Dinamarca, travam-se a fundo (nas eleições recentes) caminhos perigosos de aliança de direita e extrema direita.

Até na Bélgica parece que vão ter finalmente governo.

Em Itália suspira-se pelo fim do pesadelo e há bons indicadores que ele irá acontecer.

Nestes casos e em outros, nas mudanças de rumo em curso, têm forte participação os comunistas e outras formações de esquerda real. Mesmo acautelados para as diferenças de tonalidade que o vermelho ganha por força da «geografia», não deixam de ser sinais de esperança…

Será que a Europa vai finalmente perder o cheiro e a cor a bafio que a tem afectado nos últimos tempos?

Por aqui nesta  jangada de pedra andamos sempre ao contrário…nós já e os vizinhos a prepararem-se.

Triste fado flamenco.

E a agravar as coisas… o cheiro nauseabundo que continua vir do jardim.