terça-feira, 7 de agosto de 2012

BURROS

 


Na Antena 1, ouvi hoje Mafalda Lopes da Costa , sobre a expressão : «a pensar morreu um burro».
Sem conseguir perceber porquê e muitos menos porque carga de águas (talvez me repita…burrice), a imagem do burro renitente entre saciar a sede ou a fome acompanha-me desde manhã, (acompanha-me, salvo seja…embora a companhia de um burro (de quatro patas) até possa ser simpática).
E inspirado na indecisão fatal do dito cujo, dou por mim a pensar na melhor forma de transferir um burro de um curral para outro.
Isto a propósito de outras coisas recentes.
Ou seja, de outras burrices…
Mas é simples.
Provoca-se grande estardalhaço no curral onde está o burro, abrem-se  as portas desse curral e espera-se que o burro saia, se dirija à manga que está em frente e por aqui siga até ao próximo curral.
E se o burro, teimoso como sabemos, mesmo assim não se mexer?
Simples.
Acenamos com uma vistosa cenoura.
E se o burro, porque é burro, mesmo assim não quiser ir ?
Simples.
Damos-lhe um enxerto de porrada.
Que alternativas tem então o burro, já que nem sequer tem a possibilidade de fazer como o outro, o que ficou a pensar…?
Simples.
Espetar um par de coices (dois) um em cada curral e ir à sua.
Isto, não fosse a burrice…

segunda-feira, 30 de julho de 2012

CULTURAS…

 

Nas ruas da minha cidade, surgiram recentemente slogans , pinchados a vermelho, nos quais se  realça a cultura e se trata esta como condição “quase natural” inerente à própria cidade - entenda-se, esta cidade - e se condena a política de destruição “cultural” seguida pela maioria que ocupa o poder na Câmara Municipal.
São apelos e condenações em relação aos quais não tenho reservas de maior em subscrever, até porque se torna óbvio serem oriundas do mesmo espaço “cultural” que partilho.
No entanto, considero importante, por um lado esclarecer que «definição»  de cultura está em uso e por outro, qual a importância estratégica da segmentação  na critica à atividade da Câmara.
Todos conhecemos  inúmeras definições para o conceito de cultura.  Existirão, segundo apurado por estudiosos da temática, mais de centena e meia.
Em qual deles se enquadra o apelo?
Facilitando, reduzam-se as possibilidades a dois campos distintos (velha discussão académica).Um, em que aceitamos cultura, como conjunto de ideias, comportamentos, símbolos, práticas sociais (Cfr. Tylor) numa perspectiva muito próxima à Sociologia  e outro, em que entendemos cultura como forma elevada de manifestação  artística.
No primeiro campo, todos nos englobamos, no segundo, só alguns (mais, menos…de acordo e por razões que podem ficar para uma abordagem sequente). E nestes, uns integram-se como produtores e outros como consumidores, sendo certo que se podem acumular funções.
Não vejo mal ao mundo na partilha dos pressupostos dos dois campos.
O que me parece importante é, insinuando-se como «campo» dos dinamizadores dos protestos, o campo da produção e usufruição da cultura, procurar saber as razões da primazia para esta abordagem.
A cidade definha, mas não só culturalmente.
Definha política, económica e socialmente.
Os cidadãos  parecem cada vez mais alienados e as ruas e praças são a expressão dessa alienação.
Antes a cidade impunha-se, respeitava-se e dava-se ao respeito. Agora, são cada vez menos os que a respeitam porque cada vez menos ela se dá a respeitar.
Grafites em monumentos, mobiliário urbano destruído, lixo, ervas, estacionamento e trânsito caótico, noite como espaço (só) para o álcool e para as mais bizarras afirmações.
Isto, fazendo uma abordagem muito sintetizada do estado caótico a que conduziu a atual governação autárquica a nossa cidade.
Apetecia também perguntar aos «culturalistas» onde integram o usufruto, conservação e valorização patrimonial no seu conceito de cultura?
Numa altura em que aproxima (esperamos) o fim desta ruinosa gestão e que era importante estar a preparar e consolidar alternativa, creio que seria importante uma estratégia mais cuidada.
E, na minha opinião, ela devia passar por uma definição mais abrangente de  temas.
Quem não tem trabalho nem dinheiro que chegue para pagar a renda ou o empréstimo, quem conta os cêntimos para comprar o pão da manhã, quem deixou de tomar café (nos cafés), de frequentar as esplanadas, quem deixou de comprar o jornal, quem deixou a partilha de jantares com os amigos (porque não tem dinheiro) tem de momento, outras prioridades.
Convenhamos.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Sem consenso e sem senso

 

(A propósito da ausência, só me apraz…com todo o respeito dizer…é a vida…de um espojinho)

Sofarando (surf de sofá) e fazendo projetar na linha do limitado horizonte (em sentido objectivo e não figurado), as diferentes imagens da caixinha maldita, dou por mim a pensar  nesta homogeneidade (aparente? real?) de comportamentos e formas de pensar.
Eu fujo dela a sete pés, é um facto,  e depois exilo-me em “travels”  com as suas viagens de sonho e nos canais “food” (hei-de ser um cheff, vocês vão ver), mas depois fico sem conversa (pelo menos, a conversa estandardizada)  e vingo-me nos tremoços, quando a pretexto de uma cervejola, discuto com amigos a situação no mundo.
Eu não posso estar sempre a contraria-los, caramba…
E o refúgio nos tremoços é uma boa opção porque estar sempre contra, cansa e cansa-nos…

Falaram muito em primavera árabe e eu sempre torci o nariz. Um amigo meu, useiro em adjetivações rápidas, chamou-me mesmo sectário e acusou-me de não saber ler o que se estava a passar…
Confesso que ainda hoje, estou a procurar soletrar as primeiras palavras procurando descortinar o que se passa  no Egito, na Líbia, no Iraque, no Afeganistão (usando da mesma liberdade criativa para definir espacialmente “árabe”).

Mas primavera? Aquela primavera que vivemos colorida de cravos vermelhos e ondas de liberdade?
Dou de barato, um leve cheirinho de alecrim na Tunísia.
Porque de resto, não são muito agradáveis os cheiros  que recebemos vindos desta primavera árabe.

Uma outra hegemonia (consenso) decorre em torno do conceito de terrorismo.
Uma bomba que mata israelitas é uma bomba terrorista. Ou as que explodem a uma cadência diária ceifando centenas de vidas  em Bagdade.
Mas uma bomba que explode em Damasco é uma bomba libertadora. Um ato de coragem. Assim como as que explodiam em Trípoli …
Tenho para mim, que se tratam sempre, de atos criminosos.

Mais localmente, constrói-se  agora  a ideia, à qual  procuram dar o estatuto de hegemónica,  que a decisão do Tribunal Constitucional, de ter considerado inconstitucional  o roubo dos subsídios de férias e de natal, é uma decisão grave, perigosa, que ameaça o futuro do país e outras desgraças idênticas.
E eu, de novo perplexo.
Violar a Constituição não é grave o que é grave é o Tribunal que tem como função protege-la , exercer - mesmo que titubeante - essa função .
E perigosamente vejo este conceito a ganhar sorrateiramente caminho para figurar naquele espaço das verdade indesmentíveis.
No mesmo espaço onde está a crise que ninguém discute.
Onde está o argumento de gastámos de mais e agora temos que fazer sacrifícios.
No mesmo espaço onde está a Troika

São tão enfadonhos, tão medíocres e tão alienantes os consensos

Ai como nos aproximamos da aceitação de que os fins justificam os meios…
E eu que pensei que a ideia de suspender a democracia tinha sido um mero lapso de linguagem.

Ela não só está já suspensa como suspeito se aproxima rapidamente da aniquilação.

O Chefe até já diz: que lixem as eleições…

terça-feira, 26 de junho de 2012

À espera de um espojinho

 

Quem já viu um dia um espojinho - sim, eles veem-se - sabe bem da sua imprevisibilidade.
Basta uma tarde quente, bem quente, naquelas tardes em que tudo parece estar quieto - como agora se registam - e sem saber como, nem porquê, eis que se forma um espojinho, por vezes bem inho, noutras já bastante irrequieto, levantando poeiras e pastos.
E depois podem passar-se semanas, meses e nada.
Este espojinho, não foge à regra.
Desde Maio que não se apresenta.
Talvez para não perturbar as fogueiras populares de António, João e Pedro.
Quem sabe para não empoeirar as sardinhas sobre as brasas.
Ou só, simplesmente por preguiça.
Entretanto, na Grécia com engendraria e outras artes tudo voltou à «normalidade» tão «normal» que os fascistas lá  estão à espreita.
Em Espanha que não, mas que sim.
Itália, nem pensar, mas talvez sim.
Portugal, Irlanda já há muito que sim.
Chipre, sim.
E de todos estes sins, resultam milhões no desemprego, falências, misérias.
E os fascistas à espreita.
Em todas as esquinas desta Europa caduca.
E nós - aquele imenso nós que não abarca nós -  vamos gozando o sol…rezando para mais uma vitoriazinha da seleção e procurando aguentar a passagem do mau tempo.
E os fascistas à espreita.

Que passe por aqui um espojinho, daqueles já grandinhos, que escancare portas e janelas e tire dos abrigos os nós abrigados e os traga para as ruas para dizer não a esta  imundice de sins canalhas  e que corra com os fascistas que estão expectantes nas nossas esquinas.

É a minha esperança nestes dias quentes…

Que venha esse espojinho.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Até quando?

 

Até quando vamos continuar a ouvir baboseiras?
Até quando vamos ter que continuar a crer nestas patacoadas enroladas em papel pardo pseudo académico?
Quem são estes ? Que currículo?
A culpa do desemprego é do salário alto dos trabalhadores???
Dizem e olhamos-lhes para as fronhas e compreendemos.
Como humanista,  não me regozija a falta de saúde mesmo de adversários, mas é óbvio que se pode estar na presença  de casos de saúde mental muito débil.

Basta ver as “curvas” sobre o comportamento do emprego e a dos salários.  Enquanto sobe a linha do desemprego, baixa a dos salários.
Devia ser ao contrário, a crer nas patacoadas.
Mas não é.
Sobe o desemprego ao mesmo tempo que baixam os salários.
Ainda pensei construir gráfico…
Mas é uma perda de tempo, não acham?

De tão desvairados, acontece fugir-lhe a boca para a verdade:

A essência da crise consiste em baixar os salários e destruir direitos.
Quando estes desideratos estiverem atingidos, acabará a crise.

Ou então,  quando gregos, troianos, lusos, gauleses e todos os outros, correrem (a sério) com os troicanos, esta espécie de gente que invadiu e destrói a Europa

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Que seja deles, o Olimpo

 

Andam alvoraçadíssimos  e convenhamos que o caso não é para menos.
Quando julgavam que tudo seria assim eternamente, uns quantos acontecimentos alteram-lhes a ordem natural das coisas.
Primeiro e de novo a Grécia, depois aquele contratempo Francês, agora nem na sacro catedral alemã se escapam.
Irra.
Berlusconi já se havia ido, Sarkozy foi-se, Merkel já tem as barbas, perdão, o buço, de molho.
O mordomo português deles em Bruxelas ataranta-se.
Anda tudo tão confuso que aqui ou ali até já se insinuam coisas do domínio não real, coisas dos espíritos, talvez.
Fiquei hoje a saber - através da leitura da crónica de Rui Tavares no Público - que o avião em que seguia Hollande, para o jantar com Sr.ª Alemã, foi atingido por um raio, o que implicou regresso à base para troca de aparelho.
Das duas uma, ou “alguém” não anotou bem a data de passagem de testemunho e “julgava” que o ocupante do dito avião ainda era o senhor antigo que frequentemente fazia aquele trajeto ou então, “alguém” quis dizer a Hollande : também tu …Hollande???.
Em Portugal, os discípulos cábulas  nem conseguem perceber que os seus mestres de cátedra estão de malas feitas e insistem, esganiçados mas esganando-nos, que sim, que sim, que é assim porque tem que ser assim.
Aquele, o das feiras, o dos velhinhos, o dos submarinos, proclama: nós sim, somos honrados, cumprimos os nossos compromissos, agora os outros… os gregos (perdão, eu não disse os gregos…pois não?)…


Pois os gregos vão de novo a eleições e são estas que agora, assustam e de que maneira, os passarões e assustados, proclamam desgraças e chovem as ameaças das mais diversas penalidades.
Todos ameaçam os gregos - só falta o Papa, que talvez ainda não se tenha metido diretamente à bulha por razões de ordem ecuménica.


Pois por mim, se os gregos se aguentarem à bronca, demonstram uma coragem que só honra a pátria dos nossos saberes.
E a ser assim, que seja deles, dos homens e mulheres livres da Grécia, o Olimpo .

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Coisas gregas

Anda por aqui e por aí uma conversada danada sobre as “anormalidades gregas”.

Caos, irresponsabilidade e suicídio coletivo são só alguns dos adjetivos usados pelos useiros e costumeiros comentadores e secundados pelos chefes políticos ainda em serviço.

Nada que não se previsse, passado o atónito, viria a soberba.

Barroso (que parece adivinhar o curto prazo da sua comissão de serviço) proclama que não há alternativa e que o caminho do desastre é para prosseguir e ameaça (ameaça, ameaça, ameaça): –“ pois se os gregos não se sabem comportar (votando como ele e os patrões dele querem) pois então, pois então…vão ter que sair do euro!”

Que chatice…mas pelos vistos, quem o vai fazer, são os próprios gregos e por decisão soberana do seu povo…

Um semanário português (de referencia, como eles gostam de se intitular) na senda de procurar ridicularizar a expressão democraticamente tomada pelo povo grego, afirma: “…na Grécia, a taxa de abstenção foi superior à % do Partido mais votado”.

Pois foi.!

E em Portugal?

Na últimas eleições legislativas (2011) O PSD (o partido mais votado) obteve:38,63% e a taxa de abstenção foi de : 41,93%.

Na Grécia votaram 65% dos eleitores e em Portugal 58,07%.

Quando compararem, comparem. Mesmo que estejam ressabiados com os resultados…

E falem também nas ardilosas engenharias que constroem para salvaguardar os interesses instalados. O que gostam mesmo é que as «coisas» saltitem de um para outro, e desse mesmo para o outro e sempre assim, dentro do que chamam o arco do poder. E para o efeito, vale tudo, na Grécia, inventaram um bónus de… 50 deputados para o vencedor, mas nem mesmo assim, se safaram agora.

Atente-se no quadro de resultados:


Formação Política(*)

% votos obtida

Mandatos atribuídos
Mandatos que seriam proporcionais aos votos
KKE (Comunistas) 8,48 26 25
Syriza (Esquerda Radical) 16,78 52 50
Dinnar (Esquerda Democrática) 6,1 19 18
PASOK 13,8 41 41
Nova Democracia (direita) 18,5 108 56
Direita nacionalista 10,6 33 32
AD (Neonazis) 6,97 21 21

* mantive a definição “original”. 

Com a engenharia do “arco” o partido mais votado tem um bónus quase igual ao nº de mandatos atribuídos pelo voto.

Os partidos  (que podem eleger, pois estão estabelecidos mínimos) obtém 82% dos votos e 100% dos mandatos.

Mas mesmo assim…

O que estarão já a engendrar os engendreiros…?