segunda-feira, 17 de setembro de 2012

MUDAR DE RUMO

A propósito das manifestações de 15 de setembro, todos o sabemos,  ainda vão correr muitos bit(s). O sentido de uso de muitos desses bit(s) começou a insinuar-se no próprio dia dos acontecimentos.
Retenho-me, para já, em considerações sobre «uma» leitura.
Assisti, curioso, ao esforço de um jornalista, que em perfeita descoordenação com o que havia ouvido dos entrevistados por si, insistia em concluir que aquela manifestação era a «condenação clara dos políticos, de todos os políticos».
Estou perfeitamente convencido que por aqui, muitos vão seguir. É caminho conveniente, acima de tudo, extremamente conveniente para os responsáveis da situação. 
É certo que no calor das coisas podem ocorrer lapsos  e que os jornalistas também os podem cometer. Retenho  a informação enfática de uma jornalista que a propósito da manifestação de Lisboa afirmava que se falava na presença de  500 mil pessoas e ela alvitrava que haviam mesmo fontes que falavam em meio milhão.
Numa outra passagem, e durante um debate, alguém utilizou o conceito de anomia e em nota de rodapé o mesmo foi transposto para anemia.
Mas não creio que a «condenação dos políticos» de que já falei se integre no grupo dos lapsos e reafirmo que considero que se trata de clara estratégia.
Mas julgo que o que importa agora e o que provavelmente importará a todos os que participaram no protesto é procurar saber o que se vai seguir.
Portas, oportunista como sempre, joga no sentido de fazer passar em exclusivo para o seu parceiro de Governo o ónus da questão.
O PSD, evidentemente, não vai querer ficar com as culpas.
Vai daqui resultar um divórcio amigável? Um Governo PSD com o beneplácito parlamentar do CDS.
Quanto tempo duraria?
Outro cenário, com enquadramento teórico na estratégia de «condenação dos políticos» e já  insinuado por alguns «conselheiros» passaria por constituir um Governo de tecnocratas a que eles chamam pomposamente de «Salvação Nacional».
Uma outra possibilidade - Passos já a admitiu - são pequenas operações de cosmética  para retirar a carga inflamatória da proposta sobre a TSU e salvar assim, no essencial, os propósitos de destruição de direitos, em curso.
Mudar de rumo, que foi o sentido claro dos protestos de sábado, isso tentam evitar a todo o custo.
Dar a voz ao povo - mesmo sabendo que o povo, no voto, é frequentemente dado a dar-lhes o que querem - é ideia que os assusta.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O QUE QUER O DITO CUJO?

 

Nestes turbilhados dias  em que nada parece já ser suficiente para me causar admiração, procuro no rasto das coisas, um fio de entendimento, algo que me ajude a perceber o que está a acontecer.
O óbvio, todos sabemos, ou seja, estamos perante uma revanche recalcada e uma tentativa bruta de uma última estocada nos direitos democráticos e sociais que ainda restavam.
Sabemos e sentimos.
O que não sei e procuro descortinar é o porquê desta aparente insana teimosia do homem em esticar a corda?
Os correligionários, com medo dos destroços, avisam-no.
Os ratos, oportunistas como sempre, anunciam ir saltar.
Os que têm tanta culpa como eles, com pouco mais de ano e meio de jejum, já sentem  um apetite impetuoso e uma oportunidade de o saciarem (antes mesmo do que esperavam).
Mas mesmo assim, o dito cujo insiste e com aquela cara de …ameaça com mais.
Cheira-me a esturro. Deve esperar borrasca, para procurar demonstrar que sem ele, nos espera o caos.
O homem provoca, para que a gente reaja.
Espera ver montras partidas, carros incendiados e outras cenas semelhantes para, nesse contexto, pôr o seu boné de policia e salvar o país.
Não descuro mesmo que tenha ensaiado algumas cenas reais.
Quem já alguma vez leu o 18 de Brumário (K. Marx) conhece a estratégia.
A ser este o cenário (que parece desejar e fomentar) teria oportunidade para:
Dar grandes enxertos de porrada nos que contestam nas ruas a sua política criminosa;
Desfazer-se de empecilhos;
Calar correligionários;
Descansar sua excelência.
Manietar os tribunais.
Ou seja, uma suspensão da democracia, não temporária, como dizia a velha…senhora, mas permanente.
Por mim quero acreditar, que depois de uma borrada o povo não volta a fazer outra - pelo menos num espaço de tempo tão curto .
Se numa primeira borrada lhe deram o voto que não se caia numa segunda borrada de se lhe dar o pretexto.
Por muita vontade que às vezes (legitimamente) nos percorre por dentro…

Vamos pois encher as praças e ruas deste país com a força dos nossos protestos e sem dar razão a quem quer construir pretextos.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

UMA QUESTÃO DE LEGITIMIDADE

 

Já por aqui rebusquei, em tempos, qualquer coisa em torno dos conceitos de legal e de legitimidade.
Dando de desbarato as questões de ordem legal, porque estas são sempre a expressão dos dominantes, volto agora, em exclusivo, às questões da legitimidade.

Por exemplo, será legítimo e até mesmo expectável,  que quando um homem diz uma coisa hoje e o seu contrário logo de seguida,  logo seja chamado de mentiroso.
Será no entanto legítimo que, quando esse homem ocupa cargos públicos e os ocupa  porque prometeu a quem o escolheu, determinadas coisas e depois faz precisamente o contrário, chamar-lhe exatamente o mesmo, ou seja, mentiroso?

Há aqui, claramente, um questão de legitimidade em aberto.

Para o mentiroso (este, o fino) legítimo é mentir.
Chamarem-lhe mentiroso, é obviamente, ilegítimo.

 

Num outro exemplo, hipotético claro, será legítimo  dar um pontapé num carro desse homem ou até mesmo uma bofetada  no dito cujo, por força das mentiras que prega e dos danos que causa?
Não, obviamente que não, gritarão em uníssono os legitimistas. Tal comportamento é mesmo um crime, dirão.
Mas não é crime que esse homem tome medidas que tiram o pão da boca dos filhos do homem que pontapeou o carro ?
Criminosa será, para os legitimistas,  a atitude do homem  desesperado (que pontapeia) e não as do canalha (mentiroso e desumano) .

Há aqui claramente uma questão de legitimidade em aberto.

E perante elas, opto pela legitimidade que advém do carácter, de quem se move erguido.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

GRANDES TIRADAS

 

Inspirados, creio, nas lufadas de saber que sopram das universidades por aqui abertas por esta semana, falo de Castelo de Vide e Évora, foram produzidas também por aqui,  duas grandes tiradas (as de cortiça já acabaram) a que humildemente me sinto no dever de dar o meu contributo para o seu relevo (estou a referir-me ao relevo devido às tiradas…)

Primeira Tirada

O Professor (qual professor? O Professor) com aquele ar cândido de quem transpira por todos os poros inteligência de pacote, atirou: «Há aqui lugar para a agricultura» e logo virou manchete.
Sábia frase.

Pois então não é que aqui na imensidão destes campos do Alentejo, há lugar para a Agricultura..

Há pois há, ouvi logo a muitos, basta ver. Mas o que não há é agricultura.
E o Professor até é amigalhaço e correligionário dos homens donos desses lugares onde há lugar para a agricultora, mas onde não há agricultura.

Segunda tirada

Um dinâmico deputado, da mesma área do Professor, passou uma noite num serviço de urgência básica de uma pequena cidade aqui próxima e concluiu «Em média afluem ao serviço, no período entre as 00 e as 07 duas pessoas para serem atendidas».
Terá o Sr. Deputado de rever o conceito de média - e cuidado com a definição de «rever» (não vá o sr. deputado apresentar para esse fim alguma proposta de lei… e como têm a maioria…) - e depois deverá também estudar métodos e técnicas de constituição de amostras.
Mas mesmo tendo em conta esta «média de duas pessoas», não explicou o sr.  deputado  a medida que sugere para os cuidados médicos que merecem, mesmo estas «médias» baixas.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

OUTRA VEZ?

 

Pejados de bons exemplos, dos quais se podem destacar: Afeganistão, onde ainda hoje foram decapitados 15 homens e duas mulheres por heresia (???); Iraque onde ainda hoje parece não ter havido carnificina; Líbia onde ainda hoje se seguem as peugadas do Iraque , trazendo à liça só intervenções recentes e assumidas e inspirados nos exemplos internos oriundos da Arábia Saudita, Turquia e Israel, os convencidos senhores do mundo, falam da possibilidade de intervirem diretamente na Síria, por receio do arsenal químico que esta ameaça (?) usar.
Outra vez???
Irra.
A história repete-se e no caso só ganha novos interpretes.
E um desses novos intérpretes - dando já o Nobel da Paz como caso perdido - é precisamente um homem em que muitos depositaram esperanças recentes - Holland - o homem das esquerdas (?) francesas.
Irra.
Que o povo custa a aprender.

Aprenderá?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Terras de doutores

 


De uma assentada, duas Universidades por aqui nesta terra de gente sábia, mas iletrada.
Nestas terras onde ainda se tiram as penas aos frangos que se comem e sabe-se a cor dos porcos que deram as fêveras que vão para a brasa e onde não se  conhecem ainda as sopas rápidas e muito menos os cursos de bastar misturar água mexer e já está.
Pois é precisamente por aqui que vão abrir duas universidades
Logo duas.
Uma em Castelo de Vide e outra em Évora.
Quantos doutores vão sair dali?
Na primeira delas, julgo estar integrado mestrado à bolonhesa, já que dura uma semana inteira.
Não consultei o programa do curso mas estou em crer que haverá uma cadeira sobre «Canudos instantâneos»  na segunda, uma mera licenciatura (também bolonhesa) e uma forte componente geográfica já que dedicam especial atenção aos caminhos.
Afirmam reitor, pró reitores e outros ores desta segunda universidade que há outro caminho.
Mas se é isso que têm para ensinar, podiam arrumar já o estojo e dar de frosques.
Porque, que há outro caminho (sendo eles a ensinar-nos) todos sabemos,  e esse é aquele que nos trouxe até aqui, a este pântano onde nos encontramos.


Ai doutores… doutores, estamos fadados com estes doutores.


E o ênfase que eles gostam de dar a isto dos doutores…já vem pelo menos do tempo do outro, o das bandas da Santa Comba.
Às vezes até lhe acrescentam professor…professor doutor.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Coisas pequenas e pequenas coisas


Há e muitos que fazem grandes discursos em torno das coisas pequenas. São os que não querem moengas e que se cansam perante as coisas grandes.
E os que fazem grandes discursos sobre as coisas pequenas e que não querem moengas sobre as coisas grandes, são tão pequenos, como pequenos são os instigadores dos seus discursos.
Porque são distraídos e tendem à burrice, para o caso de algum ou alguma estar a ler(???) estas linhas, esclareço que o tamanho a que me refiro é o tamanho do carácter e o carácter é aquilo que diferencia os homens e as mulheres daquelas coisas semelhantes, mas pequenas.
Já não suporto ouvir esta gentalha pequena, às vezes armada em gente que se diz com algumas preocupações de esquerda (confesso que não sei o que é) desenrolar as ladainhas tipo: «desemprego…, desemprego…precisei de alguém que me ajudasse lá na quinta e ninguém quis ir lá fazer umas horas…» ou  «porque carga de águas é que se deve estar a pagar subsídio a malandros…» ou…
Se mais atentos, se mais intervenientes, se conseguissem um dia libertar-se das lianas que os arrastam para a selva, talvez um dia fizessem outro tipo de interrogações e exercessem dignamente as condições de cidadãos.
Deixo-os com um pequeno leque de outras coisas «pequenas» com que se podem entreter:
Quantos serão os telemóveis de serviço, pagos por nós, que estarão neste momento em «serviço» no Algarve?  Imaginemos perto de 30 000 (sim e sem exagero algum) chefes de divisão, de departamento, assessores de tudo e mais alguma coisa, operacionais de todo o tipo de operações nesta função pública onde cabe tudo e que sempre foi «casa de campo» para os amigalhaços de sempre. Custos? Contando os tais 30 mil, com um gasto médio mensal de 30 (para não me chamarem exagerado) teremos cerca de 900 000.
Quantos subsídios sociais davam para pagar?
E, quanto custam as mordomias armadas (não vou falar de submarinos, tanques, aviões e metralhadoras) - eu prometi falar de coisas pequenas -  expressas nas sumptuosas messes, nos motoristas privados com viatura para todo o serviço - levar filhos, netos, enteados à escola, as esposas ao cabeleireiro, as criadas às compras, os cães ao veterinário - os gabinetes pessoais de generais  e outros que tais no e fora do ativo?
Custos? - estimando de novo por baixo - mais um milhãozinho?
Dava para pagar quantos subsídios de desemprego?
E, quantas casas, palácios e palacetes propriedades do Estado estão abandonados ou sub sub aproveitados e quantas casas, palácios e palacetes estão arrendados, pagando por isso, o Estado,  chorudas rendas?
Porque muitos zeros baralham, fiquemos de novo pelo cálculo de outro milhãozinho.
Quantos «abonos de família» daria para pagar?
Convém lembrar que estes milhoezinhos estimados, o são, por mês.
Acho que por agora, chega de «pequenas coisas» não acham?
Mas há mais…muitas mais coisas pequenas.