segunda-feira, 24 de setembro de 2012

E depois do adeus?

 

Os escribas encartados e os analistas de alcofa andam extremamente atarefados - procuram a todo o custo espalhar a ideia de que a tempestade passou.
De facto, este Outono teve pressa em se anunciar e forçou-nos a recebe-lo com umas valentes caqueiradas de água, mas não são estas tempestades  que os preocupam, ou melhor, que os preocupam a eles e aos respectivos patrões.
As tempestades inquietantes (para eles)  são os mares de gente que encheram as ruas e praças das nossas cidades, são os protestos diários onde um qualquer deles ponha os pés, são a determinação e convicção demonstradas . É a lucidez expressa nos comentários e no construir de slogans.
Eles querem convencer-se (nos) que já passou.
Que bastam uns pequenos retoques de cosmética e uma retórica retirada das ajudas sentimentais (entre os parceiros da coligação está tudo bem, afiançam, afinal continuam a viver sob o mesmo tecto…) para que tudo volte à normalidade.
E a dar-lhes razão corre sôfrego o PS - assim.. (como?) - já não apresentam moção de censura e mais aquele eterno e entediante servidor que teima em falar como dirigente sindical e que é e sempre foi um refinado traidor dos trabalhadores
Por pouco tempo estiveram (estiveram mesmo?) do lado certo da barricada.
Pois agora e neste contexto o que se vai seguir?
Do lado de cá da barricada, como se vão desenrolar as coisas, como vão agir os diversos atores?
Espero que nas ruas nos continuemos a encontrar com os homens e mulheres honestamente socialistas.
Espero que outros abandonem a postura  de se  «pôr  em bicos de pés» que têm assumido por estes dias. Que todos se convençam que ninguém é dono de ninguém e que para terem estado os que estiveram, muitos dos que lá estiveram, já tinham estado em  muitas outras.
A luta não nasceu agora.
Agora só ganhou uma dimensão como ainda não tinha tido até aqui.
Por isso, meus senhores, não vos embriagueis.
De alguns ouvi, o que só a embriaguez pode provocar: que estes protestos foram protestos contra os políticos - Ai como os políticos responsáveis pelo estado das coisas gostam de ouvir isto…
E outros, no mesmo sentido de pensamento, afirmar que é preciso tirar os partidos das lutas.
Tão de esquerda, tão de esquerda que eles são…só que usam argumentos fascistas.
Nos protestos devem participar os partidos - que sempre protestaram - os partidos que entendam (mais vale tarde que nunca) protestar, os militantes destes partidos e dos outros (porque se sentem traídos), os homens e mulheres sem partido. O povo.
E este não merece, que agora estraguemos tudo.
Nestes últimos dias dissemos adeus não só a um governo , mas acima de tudo a uma política podre e velha de mais de trinta anos.
Mas quando é que uns e outros se vão mesmo embora?
Ah, a propósito, eu no sábado dia 29, vou estar de novo na rua.
Pelos mesmos objectivos!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

MUDAR DE RUMO

A propósito das manifestações de 15 de setembro, todos o sabemos,  ainda vão correr muitos bit(s). O sentido de uso de muitos desses bit(s) começou a insinuar-se no próprio dia dos acontecimentos.
Retenho-me, para já, em considerações sobre «uma» leitura.
Assisti, curioso, ao esforço de um jornalista, que em perfeita descoordenação com o que havia ouvido dos entrevistados por si, insistia em concluir que aquela manifestação era a «condenação clara dos políticos, de todos os políticos».
Estou perfeitamente convencido que por aqui, muitos vão seguir. É caminho conveniente, acima de tudo, extremamente conveniente para os responsáveis da situação. 
É certo que no calor das coisas podem ocorrer lapsos  e que os jornalistas também os podem cometer. Retenho  a informação enfática de uma jornalista que a propósito da manifestação de Lisboa afirmava que se falava na presença de  500 mil pessoas e ela alvitrava que haviam mesmo fontes que falavam em meio milhão.
Numa outra passagem, e durante um debate, alguém utilizou o conceito de anomia e em nota de rodapé o mesmo foi transposto para anemia.
Mas não creio que a «condenação dos políticos» de que já falei se integre no grupo dos lapsos e reafirmo que considero que se trata de clara estratégia.
Mas julgo que o que importa agora e o que provavelmente importará a todos os que participaram no protesto é procurar saber o que se vai seguir.
Portas, oportunista como sempre, joga no sentido de fazer passar em exclusivo para o seu parceiro de Governo o ónus da questão.
O PSD, evidentemente, não vai querer ficar com as culpas.
Vai daqui resultar um divórcio amigável? Um Governo PSD com o beneplácito parlamentar do CDS.
Quanto tempo duraria?
Outro cenário, com enquadramento teórico na estratégia de «condenação dos políticos» e já  insinuado por alguns «conselheiros» passaria por constituir um Governo de tecnocratas a que eles chamam pomposamente de «Salvação Nacional».
Uma outra possibilidade - Passos já a admitiu - são pequenas operações de cosmética  para retirar a carga inflamatória da proposta sobre a TSU e salvar assim, no essencial, os propósitos de destruição de direitos, em curso.
Mudar de rumo, que foi o sentido claro dos protestos de sábado, isso tentam evitar a todo o custo.
Dar a voz ao povo - mesmo sabendo que o povo, no voto, é frequentemente dado a dar-lhes o que querem - é ideia que os assusta.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O QUE QUER O DITO CUJO?

 

Nestes turbilhados dias  em que nada parece já ser suficiente para me causar admiração, procuro no rasto das coisas, um fio de entendimento, algo que me ajude a perceber o que está a acontecer.
O óbvio, todos sabemos, ou seja, estamos perante uma revanche recalcada e uma tentativa bruta de uma última estocada nos direitos democráticos e sociais que ainda restavam.
Sabemos e sentimos.
O que não sei e procuro descortinar é o porquê desta aparente insana teimosia do homem em esticar a corda?
Os correligionários, com medo dos destroços, avisam-no.
Os ratos, oportunistas como sempre, anunciam ir saltar.
Os que têm tanta culpa como eles, com pouco mais de ano e meio de jejum, já sentem  um apetite impetuoso e uma oportunidade de o saciarem (antes mesmo do que esperavam).
Mas mesmo assim, o dito cujo insiste e com aquela cara de …ameaça com mais.
Cheira-me a esturro. Deve esperar borrasca, para procurar demonstrar que sem ele, nos espera o caos.
O homem provoca, para que a gente reaja.
Espera ver montras partidas, carros incendiados e outras cenas semelhantes para, nesse contexto, pôr o seu boné de policia e salvar o país.
Não descuro mesmo que tenha ensaiado algumas cenas reais.
Quem já alguma vez leu o 18 de Brumário (K. Marx) conhece a estratégia.
A ser este o cenário (que parece desejar e fomentar) teria oportunidade para:
Dar grandes enxertos de porrada nos que contestam nas ruas a sua política criminosa;
Desfazer-se de empecilhos;
Calar correligionários;
Descansar sua excelência.
Manietar os tribunais.
Ou seja, uma suspensão da democracia, não temporária, como dizia a velha…senhora, mas permanente.
Por mim quero acreditar, que depois de uma borrada o povo não volta a fazer outra - pelo menos num espaço de tempo tão curto .
Se numa primeira borrada lhe deram o voto que não se caia numa segunda borrada de se lhe dar o pretexto.
Por muita vontade que às vezes (legitimamente) nos percorre por dentro…

Vamos pois encher as praças e ruas deste país com a força dos nossos protestos e sem dar razão a quem quer construir pretextos.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

UMA QUESTÃO DE LEGITIMIDADE

 

Já por aqui rebusquei, em tempos, qualquer coisa em torno dos conceitos de legal e de legitimidade.
Dando de desbarato as questões de ordem legal, porque estas são sempre a expressão dos dominantes, volto agora, em exclusivo, às questões da legitimidade.

Por exemplo, será legítimo e até mesmo expectável,  que quando um homem diz uma coisa hoje e o seu contrário logo de seguida,  logo seja chamado de mentiroso.
Será no entanto legítimo que, quando esse homem ocupa cargos públicos e os ocupa  porque prometeu a quem o escolheu, determinadas coisas e depois faz precisamente o contrário, chamar-lhe exatamente o mesmo, ou seja, mentiroso?

Há aqui, claramente, um questão de legitimidade em aberto.

Para o mentiroso (este, o fino) legítimo é mentir.
Chamarem-lhe mentiroso, é obviamente, ilegítimo.

 

Num outro exemplo, hipotético claro, será legítimo  dar um pontapé num carro desse homem ou até mesmo uma bofetada  no dito cujo, por força das mentiras que prega e dos danos que causa?
Não, obviamente que não, gritarão em uníssono os legitimistas. Tal comportamento é mesmo um crime, dirão.
Mas não é crime que esse homem tome medidas que tiram o pão da boca dos filhos do homem que pontapeou o carro ?
Criminosa será, para os legitimistas,  a atitude do homem  desesperado (que pontapeia) e não as do canalha (mentiroso e desumano) .

Há aqui claramente uma questão de legitimidade em aberto.

E perante elas, opto pela legitimidade que advém do carácter, de quem se move erguido.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

GRANDES TIRADAS

 

Inspirados, creio, nas lufadas de saber que sopram das universidades por aqui abertas por esta semana, falo de Castelo de Vide e Évora, foram produzidas também por aqui,  duas grandes tiradas (as de cortiça já acabaram) a que humildemente me sinto no dever de dar o meu contributo para o seu relevo (estou a referir-me ao relevo devido às tiradas…)

Primeira Tirada

O Professor (qual professor? O Professor) com aquele ar cândido de quem transpira por todos os poros inteligência de pacote, atirou: «Há aqui lugar para a agricultura» e logo virou manchete.
Sábia frase.

Pois então não é que aqui na imensidão destes campos do Alentejo, há lugar para a Agricultura..

Há pois há, ouvi logo a muitos, basta ver. Mas o que não há é agricultura.
E o Professor até é amigalhaço e correligionário dos homens donos desses lugares onde há lugar para a agricultora, mas onde não há agricultura.

Segunda tirada

Um dinâmico deputado, da mesma área do Professor, passou uma noite num serviço de urgência básica de uma pequena cidade aqui próxima e concluiu «Em média afluem ao serviço, no período entre as 00 e as 07 duas pessoas para serem atendidas».
Terá o Sr. Deputado de rever o conceito de média - e cuidado com a definição de «rever» (não vá o sr. deputado apresentar para esse fim alguma proposta de lei… e como têm a maioria…) - e depois deverá também estudar métodos e técnicas de constituição de amostras.
Mas mesmo tendo em conta esta «média de duas pessoas», não explicou o sr.  deputado  a medida que sugere para os cuidados médicos que merecem, mesmo estas «médias» baixas.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

OUTRA VEZ?

 

Pejados de bons exemplos, dos quais se podem destacar: Afeganistão, onde ainda hoje foram decapitados 15 homens e duas mulheres por heresia (???); Iraque onde ainda hoje parece não ter havido carnificina; Líbia onde ainda hoje se seguem as peugadas do Iraque , trazendo à liça só intervenções recentes e assumidas e inspirados nos exemplos internos oriundos da Arábia Saudita, Turquia e Israel, os convencidos senhores do mundo, falam da possibilidade de intervirem diretamente na Síria, por receio do arsenal químico que esta ameaça (?) usar.
Outra vez???
Irra.
A história repete-se e no caso só ganha novos interpretes.
E um desses novos intérpretes - dando já o Nobel da Paz como caso perdido - é precisamente um homem em que muitos depositaram esperanças recentes - Holland - o homem das esquerdas (?) francesas.
Irra.
Que o povo custa a aprender.

Aprenderá?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Terras de doutores

 


De uma assentada, duas Universidades por aqui nesta terra de gente sábia, mas iletrada.
Nestas terras onde ainda se tiram as penas aos frangos que se comem e sabe-se a cor dos porcos que deram as fêveras que vão para a brasa e onde não se  conhecem ainda as sopas rápidas e muito menos os cursos de bastar misturar água mexer e já está.
Pois é precisamente por aqui que vão abrir duas universidades
Logo duas.
Uma em Castelo de Vide e outra em Évora.
Quantos doutores vão sair dali?
Na primeira delas, julgo estar integrado mestrado à bolonhesa, já que dura uma semana inteira.
Não consultei o programa do curso mas estou em crer que haverá uma cadeira sobre «Canudos instantâneos»  na segunda, uma mera licenciatura (também bolonhesa) e uma forte componente geográfica já que dedicam especial atenção aos caminhos.
Afirmam reitor, pró reitores e outros ores desta segunda universidade que há outro caminho.
Mas se é isso que têm para ensinar, podiam arrumar já o estojo e dar de frosques.
Porque, que há outro caminho (sendo eles a ensinar-nos) todos sabemos,  e esse é aquele que nos trouxe até aqui, a este pântano onde nos encontramos.


Ai doutores… doutores, estamos fadados com estes doutores.


E o ênfase que eles gostam de dar a isto dos doutores…já vem pelo menos do tempo do outro, o das bandas da Santa Comba.
Às vezes até lhe acrescentam professor…professor doutor.