domingo, 10 de novembro de 2013

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VIRGULAS

 

Para os que lhe dão tanta importância assim como para os que as consideram imprescindíveis e para todos os outros que as consideram elemento marcante para a análise dos textos sim para todos elaborei este texto e solicito que usem a vosso belo prazer as vírgulas que inicialmente vos disponibilizei porque quanto muito agora e neste texto utilizarei não vírgulas mas pontos e pronto ponto.

Gosto muito ou deverei procurar melhor sinónimo para substituir gosto e para dizer que gosto de palavras e gosto delas no seu contexto e na sua significância mas numa significância de sentidos ou seja gosto das palavras percebidas… gosto que percebam o sentido que lhes quero atribuir… que percebam os tempos e os ritmos e que percebam que estes não são marcados por vírgulas mas antes por significâncias.

Claro que gostar de palavras não pode significar que agarre nestas e destoadamente as largue por aqui e por ali… podeis crer que não eu nunca faria isso às palavras de que tanto gosto mas tomai nota que também não as usarei cadenciadas ou estropiadas sob regras esquizofrénicas de entalamentos entre vírgulas.

Para vós meus amigos puristas adeptos confessos das regras dediquei este amontoado de palavras e a vós peço que useis as vírgulas iniciais e ordenamente procurem um sentido para as palavras que aqui deixo solicitando no entanto encarecidamente que não alterem o sentido que lhes quis dar.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

PRISMAS

 

O expresso, habituou, quem se habitou a tal, a ver os acontecimentos sob um determinado prisma.

Confesso que nunca fui adepto, nem da perspectiva, nem sequer do tique, que uma determinada intelectualidade, mesmo a autodenominada intelectualidade de esquerda, e os seus séquitos, lhe cultivaram.

Tempos houve em que passear sob o braço aquele volumoso monte de papel atribuía estatuto.

Agradecido, reafirmo que não, nunca fui na onda.

Pois, vem agora o expresso encubar a Praça do Giraldo a propósito do seu XL aniversário.

Bem escolhido, o XL.

Por aqui sabemos que o tamanho tem uma relação duvidosa com a qualidade, pesem embora as mais diversas e ordinárias brejeirices.

A exposição com que o Expresso comemora o aniversário, na minha opinião, é esteticamente pobre e o conteúdo, um mero destaque (tipo slogan), de alguns acontecimentos marcantes da história recente de Portugal (1973 – 2013).

O 25 de Abril tem ali o mesmo destaque (se não menos) que tem a vitória da AD.

O importante, foram os acontecimentos que negaram Abril. A esses é dado realce.

A vitória da AD, o fim da Reforma Agrária, a vitória de Cavaco, O Euro, são tudo acontecimentos de destaque e são todos acontecimentos de negação de Abril.

Podem contrapor os «expressistas»: mas foram factos e como tal…

Claro que foram factos, mas sobre eles conhecemos hoje, como sempre conhecemos, o «prisma» sob o qual o Expresso os enquadrava.

Num desses prismas, creio que num dos cubos invertidos, uma fotografia mostra campos abandonados e máquinas decrépitas e merece o título de «o fim da Reforma Agrária».

Sob o prisma do Expresso, esse fim parece ter ocorrido por falência, como se não tivesse havido quem tudo tivesse feito para que ele tivesse ocorrido.

Um pouco como, «isso falhou».

O prisma do Expresso assim trata o acontecimento.

O acontecimento consistiu num fim determinado por uma política criminosa, por uma guerra sem olhar a meios, pela repressão e assassinato.

Muitos desses acontecimentos  - verdadeiros atos de guerra – com  centenas de soldados da GNR, veículos blindados, cavalaria, armas automáticas, cercos de povoações inteiras, invasão e ocupação bélica de cidades – Évora testemunha-o –, agressões, mortes (Caravela e Casquinha) barbárie…isso não foram acontecimentos.

Acontecimento, para o expresso, só foi, a consequência disso.

E isso não trata o Expresso.

Estou ansioso de voltar a ver a Praça, sem tais prismas.

O D´a Porta Nova

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O espojinho fez (faz) anos

 

A 29 de outubro de 2009 publiquei o primeiro texto numa atitude que então defini como sendo um pouco contra senso (dada a pouca empatia com blogues, outros produtos similares da altura e inovações posteriores).

Decorreram quatro anos. Publiquei entretanto, a um ritmo que sabemos muito variável, quase mais quatro centenas de outros textos.

Com focagens das mais variadas, mas sempre com um mesmo enquadramento.

Algumas coisas mudaram. Pouco.

Trinta mil visitas de página, alguns artigos lidos por mais de 2000 pessoas (Alqueva, p.e. pub a 8.06.2010), são algumas das expressões quantitativas a realçar.

Para mim, continua a ser o que sempre quis que fosse.

Um espaço – um outro – onde registo as revoltas e estados de alma. Um espaço onde quero fazer ecoar os meus gritos mudos.

Na cidade, abriram-se recentemente janelas que não duvido, varrerão o mofo entranhado de 12 anos.

No país, continuamos amargurados por uma política de gente sem escrúpulos e com sede de vingança contra tudo o que lhes cheire a Abril.

No mundo…no mundo são poucos os vislumbres de esperança.

Pois, então.

Cá vamos.

domingo, 3 de novembro de 2013

ONDAS

 

Não há – melhor dito, quase não há – terra, terreola, vila e vilarejo que não tenha um parque de feiras e exposições.

Por vezes, recheados com os pomposamente chamados pavilhões multi uso, outras, simplesmente, meros recintos aramados.

Não será certamente, por mera influência destes novos espaços, mas a verdade é que, paralelamente a este crescimento «logístico» ocorre o definhamento das feiras.

Muitos – e preocupantemente, muitos destes com responsabilidades na gestão autárquica – dominados por uma produção de discurso homogeneizado, esquecem os valores identitários da cultura e importam soluções tipo sopa de pacote.

A Feira de S. Francisco em Redondo era bonita e atraía quando preenchia as ruas da vila desordenadamente. Agora, cercada e aramada, perdeu áurea.

A Cozinha dos Ganhões, uma primeira referência no capítulo das feiras ou mostras gastronómicas, virou mais do mesmo. Uma coisa sem raiz, sem memória, sem futuro.

Nas feiras tem que se cheirar a fritos de massa – porra frita, burrinhol, farturas - , o cheiro do frango assado tem que ser misturado com o cheiro do polvo assado na brasa. Tem que haver pó e ruas augadas.

As conversas têm de ser sussurradas porque os carrinhos, os carroceis, as rodas e outras ilusões difundem a música e os anúncios de forma estridente.

Tem de haver quinquilharias, deslumbrantes relógios que vão marcar por curto tempo os nossos dias que queremos longos, ladainhas, «abra o olho, são cinco euros», botas, sapatos, cintos, gravatas, gelados de máquina, tudo em organizada convivência anárquica.

O que fizeram às feiras, foi destrui-las.

Modernizar não significa descaracterizar.

No sábado visitei a Feira dos Santos em Borba.

Deixou de ser dos Santos (aqui, com a ajuda de Passos) e passou a ser dos Finados.

Uma Feira, mais uma, finada.

Segundo ouvi, passou a ter uma distribuição espacial policêntrica.

Só consegui encontrar parte.

Com sorte, ainda consegui comprar figos, passas de abrunho e pouco mais.

Salvem as feiras.

D’a Sopa de Pedra

sábado, 2 de novembro de 2013

Os meus demónios

Sentei à minha mesa

Os meus demónios interiores

Falei-lhes com franqueza

Dos meus piores temores

Agradeço, obviamente, a Jorge Palma, a introdução que me permite falar dos meus…

Dos meus fantasmas, obviamente.

Juntei-os à minha mesa e nada me disseram.

Não sei porque carga de águas tenho por obrigação voltar a juntá-los.

Fico quase com a sensação que vou ter que elaborar um guião.

Coisa agora em moda, quando nos querem distrair.

Esperei que o D´a Porta Nova me falasse da nova governação da minha cidade mas dele só fiquei a saber que preciso de aguardar…

Cuidado. Enquanto aguardamos, alguém se movimenta.

Esperei que o D´o Jardim de Diana me falasse dos planos maquiavélicos (coitado… de Maquiavel) com que a direita fascistóide quer destruir Abril…

Esperei até que, e já em desespero de causa, o D´a Sopa do Pobre, me trouxesse uma sugestão…uma só que fosse…sei lá…com coentros e ovos à mistura, mas …

Nada. Nada me trouxeram.

Os meus fantasmas nada me trouxeram.

Pois, sendo assim.

Assina: O Espojinho.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Eles andam aí…

Sim.

Cada vez mais perigosos…e descarados.

Quem por aqui passa, sabe que por mais que uma vez, se chamou a atenção para o facto de estar em marcha um processo de perda continuada dos valores democráticos e consequentemente, em construção, um sistema ditatorial.

Nessas chamadas de atenção referimos que os contornos dessa ditadura não seriam observáveis à luz da comparação com as práticas conhecidas e associadas à ditadura do nosso passado recente.

Não precisarão de chicote, prisões, torturas, denuncias.

Citámos Boaventura Sousa Santos e falámos daquilo que este define como fascismo social.

PSD e CDS coligados no governo estão profundamente empenhados nesse processo. Os ataques quase frenéticos que vêm fazendo à Constituição, os desafios e afrontas diários e o eco de que precisam fazer reunir (declarações de António Barreto, por exemplo) são a clara expressão dessa vontade.

A Constituição é só um dos últimos obstáculos que têm de ultrapassar…

Maioria já têm, governo já têm, presidente já têm, comunicação social amestrada já têm e os magnatas das finanças já têm tudo isto.

E nós, cada vez menos direitos…

E eles até nos podem manter o direito de expressão…desde que nos expressemos dentro das ordens estabelecidas… nada de perturbação da ordem pública!

E esta, pode ser a ideia aqui desabafada, mas o que é um facto é que ela começa a ser partilhada por muitos.

Exclusivamente por razões associadas ao espectro ideológico de partida, refiro as tomadas de posição recentes de Jorge Miranda e Freitas do Amaral. O primeiro considerou impróprios de um estado de direito os ataques dirigidos à Constituição e ao Tribunal Constitucional e o segundo alertou que, a continuarmos assim, qualquer dia estamos em ditadura.

Atentemos…

D´o Jardim de Diana

sábado, 26 de outubro de 2013

OUTONICES…

 

A chuva tem andado por aqui. Por vezes forte.

É outono, diz-nos ou procura lembrar-nos.

E esse não sei quê de outono sente-se também na forma como vamos enfrentando as agruras da vida.

Aviso vermelho para mau tempo – orçamento para 2014 – chuva forte de redução de salários, ventos ciclónicos de impostos a varrerem o país de lés a lés, demissão das funções sociais do estado, tudo isto acompanhado de trovoadas de tiques fascistóides.

E os meteorologistas de serviço, protegidos das agruras, anunciam como medidas de precaução: mais chuva, mais ventos, mais tempestades.

Um pensador a metro, que tem pensado em tudo desde que julga que pensa, que é pago em produtos de mercaria, anuncia com a pompa que lhe é habitual: «É inevitável: temos que rever a Constituição».

Claro.

Aproveitando a temática meteorológica lhe digo: «Vá pró raio que o parta!»

Por mim, aproveito o outono, asso no forno uns marmelos e umas batatinhas doces, vou procurar um sitio no campo que não esteja aramado e apanho nas terras leves os primeiros espargos.

Convido os amigos. Bebemos um tintinho e retemperamos forças.

Amanhã, ainda por cima, transformam – gente sem rosto – os dias curtos em dias ainda mais curtos e fazem com que anoiteça mais cedo.

Para que seja de novo primavera temos que passar por isto.

D´a Mesa do Pobre