sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

APARIÇÃO

Coisa estranha. Falar de objectividade com base na subjetividade.

Assim como falar do real tendo por base o surreal.

Que falas podem resultar daqui?

Enigmáticas. Só pode.

Mas…

Cada vez mais me remeto para aí.

Para esse campo do não objectivo.

Estou farto do é assim porque é assim.

Do sempre foi assim.

Do sempre assim será.

Do objectivo, objectivamente.

Há uma espécie de aparição que me diz

Para mandar à merda as convenções

Objectivas.

Coisa estranha esta, que me foi enviada por: O d´a Porta Nova

O «espojinho»

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O que fazer com este blog?

 

Reli “Estrangeiro de mim” que aqui postei, creio que em Agosto de 2013 e reformulei, passado este tempo, curto, as mesmas dúvidas.

A elas, junto a de hoje: “O que fazer com este blog?”

Parei de por aqui ir pondo os meus escritos numa manifestação silenciosa de solidariedade para com outros que como eu, vão ou iam usando este meio, e que foram vitimas das armadilhas que os de sempre já lhe associaram.

Aquilo que imaginei como uma possibilidade, uma nova possibilidade para a liberdade, não é mais do que mais um instrumento para a sua negação.

É a vida. Dizem os que sempre assim disseram.

É confrangedor abrir hoje um blog e mais ainda, sendo mesmo terrífico, abrir os comentários.

À bisbilhotice não me apeteceu aderir, por mais que me digam que as redes são sociais.

Optei então por este «espojinho» e procurei fazer dele um espaço que defini por várias vezes, como o espaço dos meus gritos mudos.

Um pouco à minha maneira, pensei em não voltar aqui.

Simplesmente.

Mas, por outro lado, senti a sua falta.

Por isto, interrogo-me: “O que fazer com este blog?”

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Bananas

 

Roam-se de inveja, seus incapazes. Seus 10 milhões, e mais uns bons poses, de incompetentes. Vós sois uns bananas.

Então um punhadinho de portugueses consegue aumentar as suas fortunas em 11,1% qualquer coisinha como 7,5 mil milhões de euros – num só ano…num anito - e vós estais desempregados?

Que vergonha.

Ainda por cima, quando muitos de vós…muitos?...a maioria! até se ajeitou, ajeita e se disponibiliza para ajeitar, votando nos rapazes deles e tudo…!

Francamente…

Desempregados, com salários de retalho, preparados para emigrar, com dividas por pagar… pefff….

Façam como eles.

Trabalhem.

Sejam competentes.

Seus invejosos.

Bananas…

É o que vos sois.

Trabalhadores competentes os amorinzinhos pois claro.

Bananas.

Ah e a propósito, o velho garanhão que só pagando iludia a sua condição (de garanhão, claro) ….parece que foi corrido.

E ele foi  corrido de lá, lá para onde tinha ido com o voto (de bananas de lá) que muitos querem de novo lá (bananas).

E o problema de tantas bananas, são as bananadas que provocam….

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

CULTURANDO

 

Em memória do Queimado

Agendei, e preguiçosamente tenho adiado, a leitura de uma entrevista a Elisio Estanque.

De uma percepção rápida – daquelas que resultam das apressadas e enviesadas leituras- extraio a ideia que algumas das ideias por ele expostas, me seriam agora de grande utilidade. Consequências da preguiça.

Julgo ter ele dito “que em Portugal todos nós estamos muito convencidos que sabemos tudo”. Mais coisa, menos coisa.

Pois, integrado nessa «mania», quando falamos de cultura, logo surge uma mole de entendedores, de discursos fáceis, tão elaborados e requi(e)ntados que afastam do tema qualquer incauto (ou qualquer outro) que sobre ele – o tema - pensasse ter algo a dizer.

Não tem não senhor, a cultura não está ao acesso de qualquer um. Dirão em coro os entendidos e excluindo qualquer veleidade de outros procurarem tal estatuto.

Utilizando a moda, poder-se-á dizer que a cultura é no entendimento deles, um produto gourmet.

Para mim, tenho o defeito de a considerar sempre na perspectiva sociológica e considera-la como o conjunto das formas de agir e pensar que são marcas distintivas de um povo, de uma etnia ou grupo.

Outros, complicam-na para lhe dar «charme»… Misturam com economia, com planeamento, com marketing, misturam água, mexem (deveria falar de mix…) e elaboram estudos com curvas de oferta e procura, e fazem planos que chamam de estratégicos e outros de promoção.

Pois façam.

Soube há dias da morte de um velho (utilizando no termo todo o respeito que certas culturas lhe atribuem) que conheci e a quem ouvi muitas histórias. Gostava da maneira eloquente que punha nelas e a forma como nos transportava para o interior dos enredos que contava, fazendo-nos por vezes sentir como personagens desses mesmos enredos.

Há tempos que não frequentava a Praça. A sua Praça.

Era ali o seu mundo. O espaço da sua construção narrativa. Foi ali que me contou os episódios rocambolescos ocorridos em tempos idos entre mouros e judeus ou outros de tempos também idos mas há menos tempo e passados nos campos das suas memórias lá para os lados de Redondo.

A Porta Nova (a quem fui buscar o pseudónimo) foi obra necessária para suavizar as escaramuças entre os já falados mouros e judeus, que ocorriam ali para os lados da Praça que então era rossio, contou-me.

Ter tomado conhecimento, numa noticia simples de necrologia publicada num jornal local, que o Queimado havia partido, reavivou o episódio em que ele, julgando tratar-se de uma entrevista a publicar em jornal, se disponibilizou par ser meu entrevistado, num trabalho de pesquisa que então desenvolvia.

Foi já há algum tempo. Ainda no tempo das cassetes. Espero encontrar a gravação que então fiz.

Porque, senhores da cultura, as memórias deste homem e de muitos outros homens como ele, com quem nos cruzamos e sobre os quais alguns de vós emprestam ar emproado, são depositários de uma memória e de uma oralidade de fortíssima carga cultural.

Não basta citar e tantas vezes mal, porque por aqui, também quando morre um velho, é uma biblioteca que arde.

Mas ao contrário do que ocorria no Mali e aos fulas (que se perdia quando morria um deles), aqui, se quisermos e se perdermos a sobranceria, podemos encontrar formas de salvar essas bibliotecas.

O D´a Porta Nova

domingo, 17 de novembro de 2013

Sai uma água com gás, por favor

(ou como alternativa, uma boa alternativa…um chazinho – infusão, claro – de erva de s. roberto)

Está na moda a gastronomia. E essa moda passa muito mais pela vertente da culinária, do que propriamente pela dimensão mais alargada da gastronomia.

Arreda-se a vertente cultural, da mesma forma que se arreda de outras áreas.

Cultura pode estragar o prato. Pois este confecciona-se com muita altivez e em total desprezo pelas condições sociais e económicas, assim como em perfeita negação com tradições e padrões culturais.

A culinária da moda, a que despreza a cultura e nega a gastronomia, carrega-nos de exotismos e transporta-nos para cenários irreais.

Usa-se ouro na confecção de pratos, vacas massajadas com cerveja, trufas de preços astronómicos, hambúrgueres absurdos.

Não há, ou há muito pouco, quem fale e promova a gastronomia. Que a encare e respeite como a arte de confeccionar verdadeiras iguarias com os produtos de que se dispõe e de os trazer à mesa de todos com a elegância que merecem. Regados com os bons vinhos da terra e entoados com as canções ecoadas por gerações.

Saberão os master chefes qual é o sabor do agrião selvagem? Saberão distinguir uma trufa de uma túbera? Saberão ao que sabe uma fêvera de um porco alentejano engordado a bolota com sobremesa de abóbora?

Ao que sabe uma lasca de toucinho salgado sobre uma fatia de pão recheado com uma fatia de alho regada com um tinto emborcado ao balcão de uma taberna entoada com cante alentejano numa tarde princípio de noite numa aldeia por aqui perdida?

Escrito assim, sem paragens e sem pressas, da mesma forma  como se come e como se bebe. “Gerúndiando”.  - escrevendo…comendo…bebendo…ouvindo (porque por defeito próprio, não pode ser: cantando), mas às vezes: arranhando.

Sendo madrasta a vida, os alentejanos aprenderam a dar-lhe a volta. E inventaram sopas de tomate, de beldroegas e açordas. Fizeram migas com pão e espargos. Inventaram caldos a que chamaram sopas da panela e juntaram cardo com feijão e poejos.

Ficai pois masters com os melhores do mundo que nós por aqui ficamos com os melhores da terra.

Vou beber um tintinho da Vidigueira que já vai longa a seca.

O D’ a Cozinha do Pobre

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Já não nos atuamos porquê?

 

Poderia simplesmente ter perguntado: «já não nos tratamos por tu, porquê?».

Por razões para as quais o mais certo é não haver uma razão, optei pelo uso de desusado verbo.

Mas o que importa – como sempre – nas questões que para aqui trago, é a essência e no caso, a essência, é o facto de ser hoje quase raro o tratamento por tu entre nós, que partilhamos ideais e formas de ver e interpretar o mundo. Que partilhamos vontades e percursos na ação para a sua transformação num mundo mais justo, mais solidário, mais humano. Ou seja, partilhamos partido.

Se é verdade, que sobre o uso, no meu caso concreto, sempre usei de alguma reserva (nuns casos por deferência, noutros precisamente pelo seu contrário) não é menos verdade que o seu uso era entre nós, generalizado e assumia-se como a forma de partilha, de elo.

O que poderá significar a perda deste uso?

No domingo passado, no comício evocativo do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, em mais de uma situação (aliás em muitas situações) confirmei esta alteração.

Em algumas situações, presenciei mesmo, aquele alheamento que em nós não existia, face à dificuldade do outro, por exemplo na mobilidade de um de nós já mais velho e com dificuldades físicas ou no apoio a outros, que já noite e numa cidade que não conheciam, não encontravam o autocarro para o regresso.

Senti mesmo a desconfiança, quando procurava agir, não como ajuda, mas como solidariedade.

O que é que se está a passar?

Não me respondam por favor que são os sinais do tempo, que a sociedade está toda ela assim, fechada em si e egoísta.

E não me respondam assim, porque se a resposta for essa, ainda agrava mais a minha preocupação.

Pois não somos nós, aqueles que se afirmam dispostos a todos os sacrifícios para mudar a sociedade? Não foi esse o exemplo de vida do Homem que fomos evocar no domingo passado em Lisboa?

Então?!

Transformamos ou rendemos-nos?

 

O D´a Porta Nova

domingo, 10 de novembro de 2013

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VIRGULAS

 

Para os que lhe dão tanta importância assim como para os que as consideram imprescindíveis e para todos os outros que as consideram elemento marcante para a análise dos textos sim para todos elaborei este texto e solicito que usem a vosso belo prazer as vírgulas que inicialmente vos disponibilizei porque quanto muito agora e neste texto utilizarei não vírgulas mas pontos e pronto ponto.

Gosto muito ou deverei procurar melhor sinónimo para substituir gosto e para dizer que gosto de palavras e gosto delas no seu contexto e na sua significância mas numa significância de sentidos ou seja gosto das palavras percebidas… gosto que percebam o sentido que lhes quero atribuir… que percebam os tempos e os ritmos e que percebam que estes não são marcados por vírgulas mas antes por significâncias.

Claro que gostar de palavras não pode significar que agarre nestas e destoadamente as largue por aqui e por ali… podeis crer que não eu nunca faria isso às palavras de que tanto gosto mas tomai nota que também não as usarei cadenciadas ou estropiadas sob regras esquizofrénicas de entalamentos entre vírgulas.

Para vós meus amigos puristas adeptos confessos das regras dediquei este amontoado de palavras e a vós peço que useis as vírgulas iniciais e ordenamente procurem um sentido para as palavras que aqui deixo solicitando no entanto encarecidamente que não alterem o sentido que lhes quis dar.