segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Heroi

Pela televisao fico a saber que se iniciou hoje o julgamento de um assassino que ficou celebre por matar duas mulheres e disparar contra outras duas visando o mesmo fim.
As mulheres gravemente feridas são respetivamente a ex mulher e a filha. Segundo o relato, a filha foi alvejada pelas costas.
Na mesma peça, são dadas a conhecer as peripécias da fuga- mais de um mês- como bicho por montes e vales.
A quando da captura, alguns populares mirones, inromperam em palmas. Por momentos pensei que aplaudissem a policia, pela captura, mas não.
Aplaudiam o assassino.
Uma mulher, apresta-se a explicar: Ele é um herói. Conseguiu andar fugido mais de um mes e eram centenas os policias que o procuravam.
Abstenho-me de qualquer apreciação.
Tratem-me por cobarde por favor.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Extrema fartura

Falamos hoje da Grecia, como se esta nos fosse muito familiar, tipo tu cá tu lá.
Tudo sabemos.
Uns dizem dela que nela se vive como retrata a fábula da cigarra.
Outros preconizam que o povo que a habita muito em breve vai ter de dar o dito por nao dito.
Onde foram buscar esta abominável ideia de nos virem dizer que seguimos caminhos que são caminhos errados?
Gregos.
Nos vemo-nos gregos para vos perceber.
O sentido do vosso voto foi logo por aqui chamado de extremista.
Extrema esquerda, batizaram.
Pois eu, que também não quero ficar para trás nesta onda de gregologia, julgo que o sentido de voto dos gregos foi no sentido da...extrema fartura.
Fartura de serem humilhados.
Fartura de verem todo e qualquer um, pequeninos mas em bicos de pé, ditarem o que os gregos deviam e não deviam fazer.
Fartura. Extrema fartura.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Número

Numero

Eu sou um numero com nove digitos.
111 222 333 .
Eu sou isto e nada mais.
Antes pediam-nos o número do b.i., agora pedem-nos o fiscal.
A propria semantica sofreu expressivas alterações.
Primeiro, identidade, depois cidadania (quando ?), algum tempo: contribuinte.
Agora, simplesmente, fiscal.
Acho-lhe ate muitas parecenças com: chip.
Sabem o que comemos, por onde andamos, o que fazemos.
Tudo hoje são números.

Já quantificaram, inclusive, quanto vale uma vida.
Agora sao deuses.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Ja passou

Pronto...já passou.
O joelho ainda sangra, o choro continua convulsivo, sabemos que ainda dói...mas dizemos...pronto já passou.
Nao passou nada.
E tudo indica que outras quedas se vao dar...
A roda esta quebrada. Os peneus vazios. A corrente está sempre a saltar.
E a velha insiste.
Assim, vai tudo estatelar-se.
Ai vai...vai.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Jornalistas

Quando menino, sim, eu também fui menino – por pouco tempo é certo, mas fui, retomando: quando em menino e mesmo sem me perguntarem, eu dizia que quando fosse grande, eu queria ser jornalista.

Hoje agradeço não se ter concretizado este meu sonho.

Estaria agora a vasculhar despachos das centrais de produção de «coisas» publicáveis.

Mortes por estrangulamento, por asfixia, por degolação – as formas mais sanguinárias e terríveis. Estaria a hierarquizar as «coisas» para publicar por força do número de mortos.

Estaria a reproduzir os discursos da conformidade e da submissão aos ditames do patrão dono do jornal e dono da economia do meu país.

Estaria à porta da prisão de Évora – dias, semanas e meses a fio e ao frio, à espera das visitas de Sócrates.

Estaria a fazer perguntas patetas a patetas que falam sobre tudo.

Poderia ser que um dia, num acesso de lucidez ainda possível eu noticiasse a morte da estupidez.

Ou, não sendo tão utópico, noticiasse a existência de, uma grande pandemia a provocar milhares, milhões de mortes de estupidez.

Mas não…noticiaria como ontem vi noticiado: «bombista suicida (?!) é a moeda para troca com refém japonês», ou «Em Nova Iorque (por causa de um forte nevão) as pessoas preparam-se para o fim do mundo».

Ou difundiria até à exaustão que a carne nos talhos está imprópria para consumo.

Ou…

O meu sonho não se concretizou (e, por isso, eu sinto-me feliz).

Mas concretizou-se para muitos.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Contadores de contos negros

O Primeiro Ministro de Portugal que até há pouco desempenhou as funções de Chefe de Secretaria da Troika, alerta os portugueses, os gregos, os espanhóis, os italianos e quiçá o mundo inteiro, para o facto de muitas das promessas do Siryza mais não serem do que contos para meninos. Abençoados meninos gregos que agora parecem ter, quem lhes conte, contos para meninos. Por aqui, os meninos, por enquanto, só conhecem os contos negros, de desemprego dos seus pais, dos avós a quem cortaram as pensões, das escolas que fecharam. Pode ser que os meninos gregos queiram partilhar com os meninos de Portugal, os contos de meninos que agora lhes contam. É que eles estavam, como os meninos daqui, fartos dos contadores de contos negros.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Batismos

Contam-se por aqui as mais diversas estórias sobre nomes, não só sobre nomes dados às coisas, mas também sobre os nomes dados a pessoas. E não estamos a falar de alcunhas. Falamos de nomes. Uma delas é referente a Prantiana. Tal nome teria derivado de uma má audição de um padre quando, em resposta à pergunta que havia feito ao pai da criança, ouviu: «Olhe...prante-lhe Ana. E Prantiana ficou. Recentemente, por razões que agora não vem a propósito, prantaram o nome de extrema esquerda ao partido que acaba de ganhar as eleições na Grécia. Pois agora, assim fica. Extrema Esquerda.