Pela televisao fico a saber que se iniciou hoje o julgamento de um assassino que ficou celebre por matar duas mulheres e disparar contra outras duas visando o mesmo fim.
As mulheres gravemente feridas são respetivamente a ex mulher e a filha. Segundo o relato, a filha foi alvejada pelas costas.
Na mesma peça, são dadas a conhecer as peripécias da fuga- mais de um mês- como bicho por montes e vales.
A quando da captura, alguns populares mirones, inromperam em palmas. Por momentos pensei que aplaudissem a policia, pela captura, mas não.
Aplaudiam o assassino.
Uma mulher, apresta-se a explicar: Ele é um herói. Conseguiu andar fugido mais de um mes e eram centenas os policias que o procuravam.
Abstenho-me de qualquer apreciação.
Tratem-me por cobarde por favor.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Heroi
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Extrema fartura
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Número
Eu sou um numero com nove digitos.
111 222 333 .
Eu sou isto e nada mais.
Antes pediam-nos o número do b.i., agora pedem-nos o fiscal.
A propria semantica sofreu expressivas alterações.
Primeiro, identidade, depois cidadania (quando ?), algum tempo: contribuinte.
Agora, simplesmente, fiscal.
Acho-lhe ate muitas parecenças com: chip.
Sabem o que comemos, por onde andamos, o que fazemos.
Tudo hoje são números.
Já quantificaram, inclusive, quanto vale uma vida.
Agora sao deuses.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Ja passou
Pronto...já passou.
O joelho ainda sangra, o choro continua convulsivo, sabemos que ainda dói...mas dizemos...pronto já passou.
Nao passou nada.
E tudo indica que outras quedas se vao dar...
A roda esta quebrada. Os peneus vazios. A corrente está sempre a saltar.
E a velha insiste.
Assim, vai tudo estatelar-se.
Ai vai...vai.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Jornalistas
Quando menino, sim, eu também fui menino – por pouco tempo é certo, mas fui, retomando: quando em menino e mesmo sem me perguntarem, eu dizia que quando fosse grande, eu queria ser jornalista.
Hoje agradeço não se ter concretizado este meu sonho.
Estaria agora a vasculhar despachos das centrais de produção de «coisas» publicáveis.
Mortes por estrangulamento, por asfixia, por degolação – as formas mais sanguinárias e terríveis. Estaria a hierarquizar as «coisas» para publicar por força do número de mortos.
Estaria a reproduzir os discursos da conformidade e da submissão aos ditames do patrão dono do jornal e dono da economia do meu país.
Estaria à porta da prisão de Évora – dias, semanas e meses a fio e ao frio, à espera das visitas de Sócrates.
Estaria a fazer perguntas patetas a patetas que falam sobre tudo.
Poderia ser que um dia, num acesso de lucidez ainda possível eu noticiasse a morte da estupidez.
Ou, não sendo tão utópico, noticiasse a existência de, uma grande pandemia a provocar milhares, milhões de mortes de estupidez.
Mas não…noticiaria como ontem vi noticiado: «bombista suicida (?!) é a moeda para troca com refém japonês», ou «Em Nova Iorque (por causa de um forte nevão) as pessoas preparam-se para o fim do mundo».
Ou difundiria até à exaustão que a carne nos talhos está imprópria para consumo.
Ou…
O meu sonho não se concretizou (e, por isso, eu sinto-me feliz).
Mas concretizou-se para muitos.