terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Carnaval

Coitado. Que justificação vai agora o homem apresentar?
Os alemães estão furiosos.
Um dia de folia?!!!
Mas ja ninguém respeita o chefe de secretaria?
Ele disse que não era feriado.
O povo saiu à rua foliando.
Mas estão gregos ou quê?
Qualquer dia tambem nao sabem votar, nao?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Latoeiros

Porque o que não lhes falta...é lata.

Atarantados com várias coisas, entre as quais e principalmente com as portas abertas na Grécia, vão descuidando no verniz e deixam à mostra a sua real natureza.
Verdadeiros latoeiros sem desprimor para os que são de facto.
É que estes de que falo usam de outra lata.
Aquela lata que em linguagem corrente também tem a denominação de descaramento.
Na ânsia de tudo governamentalizarem, ou dito de outra forma, na ansia de adaptarem a governação ao seus padrões ideológicos, procuraram impor ( entre muitas outras coisas) o regime de 40 horas de trabalho semanal as autarquias locais.
Usaram para o efeito poderes que não dispõem.
Confrontados dentro do seu proprio espaço ideológico e de novo importunados com a lei fundamental (essa chatice a que chamam constituição) vêm agora querer aplicar a proibição de as autarquias "em crise" poderem praticar as 35 horas.
Ou seja, foram os seus correligionários que conduziram muitas dessas autarquias às situações de descalabro financeiro, eles trataram de tratar dos seus rapazes ( entretanto corridos pelo voto popular) e nomearam-nos diretores regionais de qualquer coisa e para as populações e para os trabalhadores sobra o odioso da coisa.
Taxas e impostos no maximo. Horarios de trabalho dilatados.
Vao-se catar.
A vossa lata já enjoa.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Heroi

Pela televisao fico a saber que se iniciou hoje o julgamento de um assassino que ficou celebre por matar duas mulheres e disparar contra outras duas visando o mesmo fim.
As mulheres gravemente feridas são respetivamente a ex mulher e a filha. Segundo o relato, a filha foi alvejada pelas costas.
Na mesma peça, são dadas a conhecer as peripécias da fuga- mais de um mês- como bicho por montes e vales.
A quando da captura, alguns populares mirones, inromperam em palmas. Por momentos pensei que aplaudissem a policia, pela captura, mas não.
Aplaudiam o assassino.
Uma mulher, apresta-se a explicar: Ele é um herói. Conseguiu andar fugido mais de um mes e eram centenas os policias que o procuravam.
Abstenho-me de qualquer apreciação.
Tratem-me por cobarde por favor.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Extrema fartura

Falamos hoje da Grecia, como se esta nos fosse muito familiar, tipo tu cá tu lá.
Tudo sabemos.
Uns dizem dela que nela se vive como retrata a fábula da cigarra.
Outros preconizam que o povo que a habita muito em breve vai ter de dar o dito por nao dito.
Onde foram buscar esta abominável ideia de nos virem dizer que seguimos caminhos que são caminhos errados?
Gregos.
Nos vemo-nos gregos para vos perceber.
O sentido do vosso voto foi logo por aqui chamado de extremista.
Extrema esquerda, batizaram.
Pois eu, que também não quero ficar para trás nesta onda de gregologia, julgo que o sentido de voto dos gregos foi no sentido da...extrema fartura.
Fartura de serem humilhados.
Fartura de verem todo e qualquer um, pequeninos mas em bicos de pé, ditarem o que os gregos deviam e não deviam fazer.
Fartura. Extrema fartura.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Número

Numero

Eu sou um numero com nove digitos.
111 222 333 .
Eu sou isto e nada mais.
Antes pediam-nos o número do b.i., agora pedem-nos o fiscal.
A propria semantica sofreu expressivas alterações.
Primeiro, identidade, depois cidadania (quando ?), algum tempo: contribuinte.
Agora, simplesmente, fiscal.
Acho-lhe ate muitas parecenças com: chip.
Sabem o que comemos, por onde andamos, o que fazemos.
Tudo hoje são números.

Já quantificaram, inclusive, quanto vale uma vida.
Agora sao deuses.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Ja passou

Pronto...já passou.
O joelho ainda sangra, o choro continua convulsivo, sabemos que ainda dói...mas dizemos...pronto já passou.
Nao passou nada.
E tudo indica que outras quedas se vao dar...
A roda esta quebrada. Os peneus vazios. A corrente está sempre a saltar.
E a velha insiste.
Assim, vai tudo estatelar-se.
Ai vai...vai.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Jornalistas

Quando menino, sim, eu também fui menino – por pouco tempo é certo, mas fui, retomando: quando em menino e mesmo sem me perguntarem, eu dizia que quando fosse grande, eu queria ser jornalista.

Hoje agradeço não se ter concretizado este meu sonho.

Estaria agora a vasculhar despachos das centrais de produção de «coisas» publicáveis.

Mortes por estrangulamento, por asfixia, por degolação – as formas mais sanguinárias e terríveis. Estaria a hierarquizar as «coisas» para publicar por força do número de mortos.

Estaria a reproduzir os discursos da conformidade e da submissão aos ditames do patrão dono do jornal e dono da economia do meu país.

Estaria à porta da prisão de Évora – dias, semanas e meses a fio e ao frio, à espera das visitas de Sócrates.

Estaria a fazer perguntas patetas a patetas que falam sobre tudo.

Poderia ser que um dia, num acesso de lucidez ainda possível eu noticiasse a morte da estupidez.

Ou, não sendo tão utópico, noticiasse a existência de, uma grande pandemia a provocar milhares, milhões de mortes de estupidez.

Mas não…noticiaria como ontem vi noticiado: «bombista suicida (?!) é a moeda para troca com refém japonês», ou «Em Nova Iorque (por causa de um forte nevão) as pessoas preparam-se para o fim do mundo».

Ou difundiria até à exaustão que a carne nos talhos está imprópria para consumo.

Ou…

O meu sonho não se concretizou (e, por isso, eu sinto-me feliz).

Mas concretizou-se para muitos.