Há muitas «páscoas» em cada um de nós.
E também algumas confusões.
Tanto assim é, que por vezes chamamos «páscoa» ao que é «quaresma» e chegamos mesmo ao ponto de chamarmos à «sexta-feira santa – o dia de hoje», sexta-feira de páscoa.
A «páscoa» que é judaica e cristã, é uma festa.
Para os cristãos, é a festa da ressurreição de Cristo e esta ocorre no domingo.
Só depois se inicia a Páscoa. Que vai até ao Domingo de Pentecostes (50 dias).
E é nesse inicio – segunda-feira – que concentro a razão para este escrito.
Acaba o jejum quaresmal. Pode-se comer livremente.
Carne (de borrego – o sacrificado), pão com ou sem fermento e vinho.
É a Festa.
Claro que para muitos de nós (onde me incluo, naturalmente) esta festa é simplesmente festa e não lhe associamos qualquer carga mítica. Creio que a haver alguma, ela será pagã e que festejamos o fim do inverno e o início da primavera. Os campos já se cobrem de flores – por isso também a festa das flores.
E comemos no campo com amigos o farnel – comer o borrego ao campo como dizemos – onde para além do borrego assado no forno não pode faltar o pão (com fermento) e o vinho.
A cada um a sua páscoa.
Os que a comemoram com raízes que veem desde ainda de antes de Cristo.
Os que a comemoram festejando nela o fim da Quaresma e a Ressurreição de Cristo.
Os que a comemoram festejando o fim do inverno e o início da primavera.
Comemoremos. Sejamos felizes. Se quisermos.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Pascoas
quinta-feira, 2 de abril de 2015
A essência
Ainda gaiato, na pequena terreola onde nasci, depois de bebericar água no pequeno fontanário e ao virar-me rápido para dar continuidade à brincadeira, dei de caras com um homem, de pele negra.
Fugi desalmadamente até casa.
Aí, indagado sobre a razão do pânico, respondi: está um turra ali ao pé do fontanário.
Naqueles tempos, encontros com outros, diferentes de nós, eram um acaso e encontros com pessoas de pele negra, quando todos (padre, sacristão, regedor, professor, gnr e outros influentes e mandantes) nos diziam que quando crescêssemos tínhamos de ir para Angola combater os turras (pretos), constituía-se como facto muito estranho e …medonho.
O turra que eu teria de combater quando crescesse mais um bocadinho, estava ali, ao pé do fontanário.
Sabemos hoje, e nessa altura alguns também o sabiam, que aqueles a quem o regime fascista teimava em impingir como turrras (terroristas) eram guerrilheiros na justa luta pela libertação da sua pátria.
Este pequeno episódio vem a propósito da definição atual para terrorista. Parece pouco ter mudado.
Continua a ser usado ao sabor das ondas. Das ondas dominantes.
Cedo resolvi os meus traumas de infância. E dessa forma aprendi a distinguir as enormes diferenças entre guerrilheiros (em luta contra a opressão) e terroristas (que difundem o terror).
Os primeiros, são heróis. Os segundos, o contrário disso.
Por isso, não me falem em terroristas de esquerda, extrema-esquerda, direita, ou extrema-direita. São terroristas. Ponto.
Difundem o terror e o terror não liberta, subjuga
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Centro Comercial
Por aqui, nesta cidade património da humanidade (e em outras, provavelmente, mas agora o caso em apreço é esta) entretemo-nos amiúde na discussão sobre Centros Comerciais.
São traços dessa discussão:
Os CC são sinónimos de modernidade e trazem progresso às cidades (criam emprego);
Os CC asfixiam o pequeno comércio das zonas envolventes à sua implantação (destroem emprego).
Mais coisa, menos coisa, a discussão tem estes enquadramentos.
Aqui começou, no tempo em que a cidade parou e quase morreu, a construção duma coisa dessas. Está para ali a Sul, construção desnudada, inestética, enlatada em vedação ervosa.
O que fazer ao mamarracho?
Entretanto, parece que seguindo orientação baseada em mal menor, a autarquia com a nova gestão saída das últimas eleições, pôs à discussão proposta para uma nova localização para um novo «coiso» daqueles. Agora a Norte e mais próximo do Centro Histórico.
Teremos outro mamarracho em breve?
E porquê a necessidade de o aproximar do Centro Histórico? É para que os velhotes e as velhotas que o habitam possam frequentar esses portentos de modernidade?
O que é que a aproximação ao Centro Histórico vai trazer de positivo a este? Visitantes?! Talvez no tempo das promoções passem a incluir no preço de uma lacoste uma visita ao Museu, ou à Capela dos Ossos
Por vezes formulamos opinião e defendemo-la esganiçadamente, sem nunca termos o cuidado de responder a simples perguntas. Por exemplo: quando vamos ao vasco da gama vamos também visitar o Castelo de S. Jorge? Ou os Jerónimos?
Estou em crer que muitos não o fariam mesmo que estes estivessem logo ali a seguir à loja da zara. Passavam ao lado como fazem em relação às lojas que não lhe interessam.
Por isso, ( e certo que vou voltar a este tema), estou-me nas tintas para a localização do CC.
Interessa-me sim o Centro Histórico. Este sim, tem trazido a Évora centenas de milhares de visitantes, levou Évora ao mundo, contribui para a criação de centenas de empregos e de forma sustentada.
Estou certo que não é intenção matar a galinha de ovos de oiro, mas se não é, não a asfixiem porque isso pode ocorrer – mesmo sem ser essa a intenção.
Se querem abrir lojas, há muitos espaços vazios dentro do CH. Reabilitem-nos e todos ganham.
segunda-feira, 30 de março de 2015
Aparição
Deveria antes fazer uso de denominação mais adequada e titular, reaparição.
Esclareço que não quero atribuir, até por manifesta impossibilidade, um qualquer sentido profético, religioso ou literário, ao título.
Aparição porque simplesmente por aqui se reaparece depois de mais um interregno – longo – de um mês.
Até parece que a vontade de escrever está diretamente relacionada com o salário, ou seja, só aparece quando este – cada vez mais magro e anémico – ainda vai aparecendo.
Mas não nos podemos esquecer que isto é um espojinho…
Por outro lado, interrogando-me, também cheguei a outra conclusão: o espojinho apareceu de uma necessidade sentida de dar voz aos meus desabafos mudos e estes, os desabafos, eram provocados por factos que me espantavam e agora, cada vez menos, me confronto com factos que me espantem.
Lista VIP? Sim e então?
Esquecimentos de obrigações contributivas? Sim e então?
Cofres cheios e milhões de portugueses de barriga vazia? Sim e então?
Um árbitro a apitar sempre a favor da mesma equipa não disfarçando sequer que faz parte dessa mesma equipa? Sim e então?
Esquecimentos dos CEOs dos factos praticados por esses mesmos CEOs (s) ? Sim e então?
Dinheiro que aparece a rodos sempre que há falcatrua num banco e que falta quando é preciso comprar medicamentos para salvar vidas? Sim e então?
Mas porque raio não há agora à solta um fantasma nesta Europa velha?
Mas não haverá mesmo?!
terça-feira, 3 de março de 2015
Lições
Sobre a divida sobre a qual aqui falei ontem.
Para que nao haja confusão...
Dois parâmetros a considerar:
1) Pode ter havido esquecimento.
2) Vou notifica-lo.
Tão simples
segunda-feira, 2 de março de 2015
Dívidas
Aqui há uns tempos, um marmanjo conseguiu, por via de um "simples" assumir de fiador num empréstimo que ele ia contrair, fanar-me uns euros que bastante falta me fazem.
Ate hoje, nada.
Fiquei agora a saber que afinal o culpado sou eu.
Tenho sido incompetente.
Não desenvolvi todas as diligências, todos os trâmites processuais adequados para fazer cobrar a divida.
Ah ..pois...nem mais.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Pecadores
Jean-Claud Juncker confessou os seus pecados. Reconheceu que atentaram contra a dignidade dos povos grego, português e até irlandês.
Agora so falta o papa dizer-lhe quantas ave marias e quantos padres nossos.
E pronto. Fica assim.
Entretanto a contabilista portuguesa vai prestar contas ao chefe e vem de lá ufante com as festinhas recebidas.
Linda menina, disse-lhe ele. Voces sao a prova de que isto pode funcionar...
Por isso, o pecado, mora aqui.
Não só ofendem a nossa dignidade (como confessam) como ainda os rapazes que aqui estão de serviço são elogiados pela colaboração.
E vai ficar assim ate quando?