Trarão estas chuvas o prenúncio de um abril prestes a renovar-se?
Assim o desejamos.
Mas cuidado.
Alguém, maldosamente e de novo , plantou erva daninha.
domingo, 26 de abril de 2015
Abril , águas mil
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Do mal, o menos
Parece ser o princípio filosófico mais partilhado, aquele que se consubstancia na repisada frase: «do mal, o menos».
Se alguém nos conta que o fulano tal caiu da escada e partiu uma perna, logo consolamos, dizendo: do mal, o menos, podia ter partido as duas.
Ou: - olha! Do mal, o menos, na carteira só tinha alguns euros, cento e pouco, por sorte não tinha lá os documentos, que uso separado, noutra carteira.
A tua mulher ficou desempregada? Olha! Do mal, o menos, imagina que trabalhavas na mesma empresa e eras também despedido.
E de tanto repetir e levar à letra, habituámo-nos – habituaram-se alguns, parece que a grande maioria – a fazer escolhas com base no mal, o menos.
E o que lhe sobra é sempre mais mal.
Há quarenta anos, em todas as eleições vota-se PS (olha! Do mal, o menos) ou vota-se PSD (olha! Do mal o menos), ou vota-se PS, ou vota-se PSD, ou…
E andamos há quarenta anos a acrescentar mal, ao mal menos, anterior.
E é o que se vê.
Admitindo que haverá eleições este ano – coisa que agora não parece – já sabemos:
Olha! Do mal, o menos.
Arre.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
FMI
Lagard avisa a Grécia: adiar pagamentos não faz parte da história do fmi.
Pois não.
O que faz parte da historia do fmi é rasto de miséria que deixa espalhado pelo mundo.
E também...
As recambolescas prisões dos seus dirigentes máximos. Ontem foi mais um.
Tudo bons rapazes.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Salada pouco primaveril
Um pouco assim...como a primavera
Tudologia
Deixando subjacente uma certa ironia, confrontaram-me há dias com a insinuação, se não haveria alguma incoerência da parte de quem tanto critica uma certa «tudologia» , instalada nos media, e entretanto usa a profusão de assuntos arrastados para este «espojinho».
Não creio.
Os tudólogos e as tudólogas, falam de tudo, afirmando claramente saber de tudo.
Por aqui, falo sobre tudo o que me desperte emoções e expresso, quase sempre, dúvidas para as razões dos acontecimentos.
Creio estarmos na presença de dimensões diferentes. Diria: perfeitamente antagónicas.
Mas agradeço a insinuação. Estimula a autocrítica.
Sobreformados
Temo que possamos estar na presença de uma nova patologia: os sobreformados.
Os sobreformados corresponderão a indivíduos que, apresentam curriculum ao metro, onde constam formações das mais diversas, ministradas pelas mais diversas escolas, dos mais diversos lugares.
De tal forma extensa, que por vezes nos interrogamos, se não será escasso ou mesmo nulo, o tempo que dedicam ou pensam dedicar para pôr em prática tão rica formação?
Um problema a acompanhar.
Ou talvez não.
Porque o que parece ser um sintoma de uma nova patologia, pode ser a expressão de uma coisa mais velha – a cunhice – acompanhada com alguns problemas de má consciência ou uma vã tentativa de atirar areia (aos nossos olhos).
Candidatos, à la carte
Há-os para todos os gostos. Professores de tudo – o papa dos tudólogos, intelectuais reformados, reformados intelectuais, moralistas, moldistas, primos e afilhados.
De tal forma se anunciam – com ruído – que ficamos sem saber se não haverá antes, outras eleições e essas determinantes para o nosso dia a dia.
Gostaria muito – se tal pudesse ser possível – que o atual inquilino da casa para onde querem ir estes – esclarecesse, se vai ou não haver, eleições para a Assembleia da República e gostaria ainda mais que, nesse esclarecimento, pudesse abster-se – como é dever – de dizer o que é que gostaria e não gostaria que os portugueses fizessem com o seu voto.
Se não o fizer, procure ao menos saber, o que é que milhares de portugueses que lhe deram o voto, gostariam de fazer hoje – a esse voto que lhe deram.
Temperos
Ouvi uma estória, daquelas estórias que ouvimos em meninos e vá-se lá saber a razão para não a esquecermos, que um médico de aldeia – certamente por não gostar de pepino – aconselhava aos seus e às suas pacientes uma receita para a salada do dito cujo.
Ditava: Escolhem-se dois pepinos – frescos (acabados de colher na horta) – descascam-se, lavam-se muito bem em água corrente, picam-se em pequenos cubos, temperam-se de sal, azeite, vinagre e orégãos e deixa-se a marinar de um dia para o outro.
No outro dia, deitamos fora o preparado.
Dizia ele, ser esta a melhor salada de pepino.
Pois faça o mesmo a esta salada - que não é de pepino – e que aqui deixei.
terça-feira, 14 de abril de 2015
Mar nostrum
Dei por mim, um dia, deslumbrado ,mergulhando os pés no mediterrâneo.
Oh, mar nostrun, finalmente...
Senti, naquele momento (que hoje sei...patético) o principio da minha iniciatica viagem, atraves da qual iria percorrer todo o mundo dos meus sonhos, todo o mundo, banhado por aquele mar nostrum.
Alexandria estava à distancia de mais um passo. Tripoli era perto. Muito perto. Petra estava ao alvance do meu olhar.
Que mar!
Areias enegrecidas. Suaves ondas.
Calidas águas.
Hoje, distante delas, só tenho presente dor.
Mais cem, duzentos, nao sei já quantos.
Mais tantos no fundo do mar.
O mar nostrum, nada mais é que o mar das nossas vergonhas.
Parece que vejo nele, distante, refletidas as caras dos desesperados, que põem pés às águas, lá da outra banda, à procura de vida e nelas encontram a morte.
O mar nostrun não liga o mundo nostrun.
Desespera-vos
Envergonha-nos.
domingo, 12 de abril de 2015
Banalidades de domingo
Primeira
Sentado no sofá, dormitando entre o folhear do jornal, ouço as sirenes dos carros de policia. É tanta a insistência que me levanto e vou à janela.
Na avenida, decorre uma prova de atletismo.Agora um, depois outro e lá mais atrás vem um outro.
As sirenes essas não se calam.
Será que funcionam como estimulante para os atletas?
Lembro-me de uma vez, em férias, guiando mas sem destino, decido visitar Silves. Nunca tinha ido a Silves. Saio do IP e ala direito a Silves. Ouço uma sirene e pelo retrovisor vejo uma moto da policia. Em enorme algazarra manda encostar.
Encosto. Espero. Espero. Espero.
Passam dez, talvez quinze ciclistas.
Espero.Espero.
Retomo o caminho.
Volta a moto.A algazarra. Volto a ser mandado encostar.
Encosto. Espero. Espero.
Retomo.Quase de imediato volta a moto. Sem saber de onde. Volto a encostar
Espero. Espero.
Faço inversão de marcha. Volta a moto. Ainda temi que, mesmo em sentido contrario, tivesse que encostar.
Não. Segui e fui para o litoral.
Ainda não fui a Silves.
Segunda
A alta gastronomia tratara de trufas. Brancas e negras.
Por aqui trato de tuberas. Saídas dos campos mais arenosos, brancas e saborosas.
Bem descascadas, cuidadosamente descascadas para evitar desperdícios. Bem lavadas para não se encontrar areia. Cortam-se em rodelas bem finas e salteiam-se em azeite onde já se frigiu cebola picada e salsa. Cobrem-se com ovos batidos (no caso, ovos de perua), tempera-se de sal e pimenta preta moida na altura.
Acompanha-se com vinho tinto e amigos.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
ARAME
"O redimensionamento das unidades de exploração agrícola que tenham dimensão excessiva do ponto de vista dos objectivos da política agrícola será regulado por lei, que deverá prever, em caso de expropriação, o direito do proprietário à correspondente indemnização e à reserva de área suficiente para a viabilidade e a racionalidade da sua própria exploração.
As terras expropriadas serão entregues a título de propriedade ou de posse, nos termos da lei, a pequenos agricultores, de preferência integrados em unidades de exploração familiar, a cooperativas de trabalhadores rurais ou de pequenos agricultores ou a outras formas de exploração por trabalhadores, sem prejuízo da estipulação de um período probatório da efectividade e da racionalidade da respectiva exploração antes da outorga da propriedade plena."
O transcrito, não foi extraído de um qualquer programa de partido político ou de um qualquer trabalho de investigador com a atenção focada na estrutura fundiária, mas sim e tão simplesmente, da Constituição da República Portuguesa, que um sem número de agentes, jura solenemente cumprir e um deles, jura, mesmo, cumprir e fazer cumprir.
Poderá alguém indicar uma medida, uma só que seja, que tenha sido tomada no sentido de dar aplicação ao preceito constitucional? (artigo 94.º - eliminação dos latifúndios).
Alguns virão questionar o conceito, ou seja questionarão o que é o latifúndio? – 300 hectares; 500, mil?
Eu sugiro um método simples: meça-se o latifúndio em quilómetros de arame farpado e estabeleça-se a proporção dos mesmos com as funções sociais extraída das terras aramadas.
Um pequeno percurso pelos domínios que os senhores das terras ainda não conseguiram aramar – estradas nacionais e algumas municipais – e ficará visível:
Campos áridos, cobertos de mato e silvas, mas aramados.
Cursos de água (rios, ribeiras e ribeiros) devidamente emparedados em arame e em alguns casos, até os seus leitos são aramados.
Monumentos nacionais emparedados a arame (Anta do Zambujeiro; Menir dos Almendres; Castelo de Valongo).
Aldeias inteiras, cercadas de arame.
Percursos livres durante séculos, agora aramados. (Percurso entre Valverde e Évora, por St.º Antonico).
Por vezes, olhamos atónitos. O que querem proteger os senhores destas terras? A única coisa visível com valor é a cerca que os envolve.
Pois então se alguém quiser saber o que é o latifúndio resolva a equação:
Quilómetros de arame / benefícios sociais da terra =