quarta-feira, 29 de abril de 2015

Explicações

Vocês conseguem imaginar que a meio de uma canção o seu intérprete pare e passe a explicar o poema ou a melodia?
Ou que um determinado romance passe a incluir guião explicativo, talvez narrado a viva voz pelo autor?
Ou que o quadro exposto temha pormenorizada memoria descritiva?0
Ou que o escultor descreva, com pormenor e rigor, cada rasgo, cada traço a que procedeu na pedra?
Se nao conseguimos imaginar, porque imaginamos que determinada exposição possa ter visita guiada e explicativa?
Pode ser grande o disparate, mas desculpem-me.
Não gosto de normalização.
Permitam-me que a visite. Desfrute.
E a interprete.
Só condicionado pelo imaginario que ela em mim provoque .

terça-feira, 28 de abril de 2015

Cravos


Para vocês, caros amigos, aí por essas terras do sul, do mais profundo sul, onde a terra treme e liberta lume das suas entranhas.
Aí, nesse sul que sendo tão distante esteve sempre tão perto de nós.
Ao ponto de fazermos do vosso cantor, nosso companheiro, e da vossa luta o nosso grito de solidariedade.
Nesse Chile agora sem tirano, mas que ainda sofre.
Aí, quero fazer chegar a cor dos nossos cravos de Abril e um abraço.
E dizer-vos o quanto estamos preocupados com a forma como Abril é maltratado.
Tão maltratado, que não se ficam - os seus adversários – só pela ação prática. A eles, não lhes basta destruir conquistas e anular direitos. O ódio leva-os para o campo do simbólico. Para o plano do que habita em nós e nos move.
Vejam o que fizeram aos cravos este ano.
Passos Coelho, no dia em que anunciou o casamento de conveniência, para continuar a destruir o que de Abril resta, pôs cravo vermelho na lapela.
E
Sobre a prisão de Évora – onde se encontra o homem que abriu o caminho que Passos e Portas agora prosseguem – choveram cravos vermelhos.
Pobres cravos.
Em tempos, cantávamos uma canção, que creio não me enganar, era da autoria de Barata Moura e José Jorge Letria e que tinha umas estrofes assim; «cravo vermelho ao peito a muitos fica bem e sobretudo dá jeito a certos filhos da mãe.
Se quiserem, podem ouvi-la através do you tube.
De Évora e dos amigos que aqui fizeram recebam abraços revolucionários.
Preocupados pela agressividade que a natureza está a usar para convosco

domingo, 26 de abril de 2015

Abril , águas mil

Trarão estas chuvas o prenúncio de um abril prestes a renovar-se?
Assim o desejamos.
Mas cuidado.
Alguém, maldosamente e de novo , plantou erva daninha.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Do mal, o menos

Parece ser o princípio filosófico mais partilhado, aquele que se consubstancia na repisada frase: «do mal, o menos».

Se alguém nos conta que o fulano tal caiu da escada e partiu uma perna, logo consolamos, dizendo: do mal, o menos, podia ter partido as duas.

Ou: - olha! Do mal, o menos, na carteira só tinha alguns euros, cento e pouco, por sorte não tinha lá os documentos, que uso separado, noutra carteira.

A tua mulher ficou desempregada? Olha! Do mal, o menos, imagina que trabalhavas na mesma empresa e eras também despedido.

E de tanto repetir e levar à letra, habituámo-nos – habituaram-se alguns, parece que a grande maioria – a fazer escolhas com base no mal, o menos.

E o que lhe sobra é sempre mais mal.

Há quarenta anos, em todas as eleições vota-se PS (olha! Do mal, o menos) ou vota-se PSD (olha! Do mal o menos), ou vota-se PS, ou vota-se PSD, ou…

E andamos há quarenta anos a acrescentar mal, ao mal menos, anterior.

E é o que se vê.

Admitindo que haverá eleições este ano – coisa que agora não parece – já sabemos:

Olha! Do mal, o menos.

Arre.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

FMI

Lagard avisa a Grécia: adiar pagamentos não faz parte da história do fmi.

Pois não.
O que faz parte da historia do fmi é rasto de miséria que deixa espalhado pelo mundo.

E também...

As recambolescas prisões dos seus dirigentes máximos. Ontem foi mais um.
Tudo bons rapazes.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Salada pouco primaveril

Um pouco assim...como a primavera

Tudologia

Deixando subjacente uma certa ironia, confrontaram-me há dias com a insinuação, se não haveria alguma incoerência da parte de quem tanto critica uma certa «tudologia» , instalada nos media, e entretanto usa a profusão de assuntos arrastados para este «espojinho».
Não creio.
Os tudólogos e as tudólogas, falam de tudo, afirmando claramente saber de tudo.
Por aqui, falo sobre tudo o que me desperte emoções e expresso, quase sempre, dúvidas para as razões dos acontecimentos.
Creio estarmos na presença de dimensões diferentes. Diria: perfeitamente antagónicas.
Mas agradeço a insinuação. Estimula a autocrítica.

Sobreformados
Temo que possamos estar na presença de uma nova patologia: os sobreformados.
Os sobreformados corresponderão a indivíduos que, apresentam curriculum ao metro, onde constam formações das mais diversas, ministradas pelas mais diversas escolas, dos mais diversos lugares.
De tal forma extensa, que por vezes nos interrogamos, se não será escasso ou mesmo nulo, o tempo que dedicam ou pensam dedicar para pôr em prática tão rica formação?
Um problema a acompanhar.
Ou talvez não.
Porque o que parece ser um sintoma de uma nova patologia, pode ser a expressão de uma coisa mais velha – a cunhice – acompanhada com alguns problemas de má consciência ou uma vã tentativa de atirar areia (aos nossos olhos).

Candidatos, à la carte

Há-os para todos os gostos. Professores de tudo – o papa dos tudólogos, intelectuais reformados, reformados intelectuais, moralistas, moldistas, primos e afilhados.
De tal forma se anunciam – com ruído – que ficamos sem saber se não haverá antes, outras eleições e essas determinantes para o nosso dia a dia.
Gostaria muito – se tal pudesse ser possível – que o atual inquilino da casa para onde querem ir estes – esclarecesse, se vai ou não haver, eleições para a Assembleia da República e gostaria ainda mais que, nesse esclarecimento, pudesse abster-se – como é dever – de dizer o que é que gostaria e não gostaria que os portugueses fizessem com o seu voto.

Se não o fizer, procure ao menos saber, o que é que milhares de portugueses que lhe deram o voto, gostariam de fazer hoje – a esse voto que lhe deram.

Temperos

Ouvi uma estória, daquelas estórias que ouvimos em meninos e vá-se lá saber a razão para não a esquecermos, que um médico de aldeia – certamente por não gostar de pepino – aconselhava aos seus e às suas pacientes uma receita para a salada do dito cujo.
Ditava: Escolhem-se dois pepinos – frescos (acabados de colher na horta) – descascam-se, lavam-se muito bem em água corrente, picam-se em pequenos cubos, temperam-se de sal, azeite, vinagre e orégãos e deixa-se a marinar de um dia para o outro.
No outro dia, deitamos fora o preparado.
Dizia ele, ser esta a melhor salada de pepino.
Pois faça o mesmo a esta salada - que não é de pepino – e que aqui deixei.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Mar nostrum

Dei por mim, um dia, deslumbrado ,mergulhando os pés no mediterrâneo.
Oh, mar nostrun, finalmente...
Senti, naquele momento (que hoje sei...patético) o principio da minha iniciatica viagem, atraves da qual iria percorrer todo o mundo dos meus sonhos,  todo o mundo, banhado por aquele mar nostrum.
Alexandria estava à distancia de mais um passo. Tripoli era perto. Muito perto. Petra estava ao alvance do meu olhar.
Que mar!
Areias enegrecidas. Suaves ondas.
Calidas águas.
Hoje, distante delas,  só tenho presente dor.
Mais cem, duzentos, nao sei já quantos.
Mais tantos no fundo do mar.
O mar nostrum, nada mais é que o mar das nossas vergonhas.
Parece que vejo nele, distante, refletidas as caras dos desesperados, que põem pés às águas, lá da outra banda, à procura de vida e nelas encontram a morte.
O mar nostrun não liga o mundo nostrun.
Desespera-vos
Envergonha-nos.