Por agora não vou falar mais sobre a Grécia. Esta já tem quem, sobre ela se preocupe.
Hoje vou dedicar-me a questões do espirito.
Por vezes, naquele palavrar de fazer tempo, estabeleço acesas discussões em torno dos conceitos de agnóstico e ateu.
Identifico-me como agnóstico, ao que se contrapõem ateístas convictos.
É verdade que me inclino para o que se define como ateu agnóstico, porque parto do princípio que não há uma divindade sobre nós e sobre tudo, mas por outro lado, não sou muito dado a excluir qualquer campo, do campo das possibilidades.
As «coisas» podem existir sobre formas variadas.
E se não há, que não há, uma ou mais divindades, porque se têm digladiado os homens, em seu ou seus nomes, quase desde a sua existência?
Respondem-me logo prontos os ateus: trata-se de lutas pelo poder e não lutas religiosas.
Está bem!
Será?
Mas deixemos «estas pequenas coisas».
A carga de espiritualidade que associo ao escrito de hoje deriva das palavras do Papa Francisco. Disse ele, recentemente: «Quando o capital se converte em ídolo e dirige as ações dos seres humanos, quando a avidez pelo dinheiro tutela todo o sistema económico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o em escravo, destrói a fraternidade inter-humana, coloca povo contra povo, e como vimos, até põe em risco esta nossa casa comum» e exortou os «fiéis» a agirem no sentido de: «Colocar a economia ao serviço dos povos; Unir os nossos povos no caminho da paz e da justiça» e «defender a mãe Terra».
Quando das missas de domingo saírem homens e mulheres empenhados e empenhadas em agir de acordo com estes princípios, quando em Fátima, Santiago, Lourdes eles forem bandeiras, quando nos governos e nos parlamentos os cristãos respeitarem estes princípios e agirem de acordo com eles, quando nas cimeiras europeias os cristãos respeitarem estes valores, então…
Ver-me-ei confrontado com o meu paradigma e desde já me inclino para o mudar. Quando isso acontecer passarei a ser um teísta agnóstico.
terça-feira, 14 de julho de 2015
Agnostico me confesso
terça-feira, 7 de julho de 2015
O QUE EU FIQUEI A SABER SOBRE A GRÉCIA
Há males que vêm por bem, dizem os que praticam o mal ou aqueles que querem que as vítimas dele a ele se submetam.
E foi assim, graças aos males dos gregos, que fiquei a saber do drama que vivem: - que lhes cortaram os salários e as pensões, que têm que emigrar para procurar trabalho, que não suportam os elevados valores dos impostos, que têm cada vez mais desempregados.
Inclusive, fiquei a saber que nos talhos, optam pelas carnes mais baratas, que compram os peixes mais baratos e que os salários deles cada vez são mais curtos e os meses mais compridos.
Imaginem, fiquei a saber, que os Gregos não podem levantar mais de 60 euros por dia nas caixas multibanco!
Imaginem! (ainda há pouco eu, livremente, pude levantar 10).
Coitados dos gregos, o que lhes aconteceu…e creio que tudo isto aconteceu num espaço de cinco meses. Coitados.
Não fossem os diligentes, livres e sempre bem-intencionados repórteres que os diversos órgãos de comunicação situacional enviaram para o terreno e de nada disto teríamos tomado conhecimento.
Estes homens e mulheres, têm prestado um serviço inestimável e é até com pena que vemos o quanto os seus semblantes estão carregados de preocupação quando nos dão tão tristes notícias.
Um deles, que não está na Grécia, mas que pulula (e polui) entre Bruxelas e Estrasburgo, ontem, num direto, com um rosto de perfeito alucinado e roxo de raiva «informou-nos»: - A Grécia nunca pagou um cêntimo. E repetiu. E repetiu.
Não há notícias de que esteja internado, coitado.
O que ele deve sofrer.
Ainda bem que vivemos em Portugal. Portugal não é a Grécia.
Bem hajam todos. Os senhores jornalistas. Os patrões dos senhores jornalistas. Os patrões dos patrões dos senhores jornalistas.
Aos encarregados de negócios do Eurogrupo, sempre tão diligentes, obedientes e disponíveis, um obrigado especial.
Obrigado a todos.
Em Portugal, graças a vós, não se passa nada disto.
Nem por sombras.
Bem hajam.
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Concílio
A continuarmos assim, trovejará. Raios e coriscos cairão dos céus.
-Já lhe disseste que o esperamos?
Já. Respondeu Hermes.
Atena e o seu mano Ares entretinham-se enquanto esperavam com um jogo de tabuleiro, com peças em tamanho real, em que se digladiavam dois poderosos exércitos.
O jogo havia sido criado e pensado por Hefesto. Atena ganhava sempre ao irmão, mas antes de dar o golpe final, recomendava-lhe: - nada de gritaria.
Ao fundo da sala, Dionísio bebia mais um copo e rabujava para Zeus: - não sejas impertinente…é só um aperitivo.
Entretanto entrou Artemis carregando um veado.
Apolo continuava concentrado procurando garantir que não faltaria luz durante a reunião.
Hera assentou-se entre Zeus e Afrodite e esta zangada, levantou-se e foi a uma das janelas observar a cidade, lá em baixo, ao fundo.
Num pequeno pátio interior Deméter cuidava das roseiras. Podava, debastava, regava.
Abram a porta, venho encharcado e estou com frio, berrou à porta Póseidon.
Finalmente, exclamaram quase em uníssono os restantes.
Não me irritem! Não me irritem!
Zeus ordenou-lhe que deixasse ficar o tridente no tridenteiro que estava à entrada e que tinha sido encomenda sua a Hefesto.
Contrariado, assim fez.
Podemos começar? Perguntou Zeus assim a modos de ordenar.
E começaram. As opiniões dividiam-se, uns achavam que o que estava a acontecer se devia ao facto de eles terem sido esquecidos e de já ninguém os temer e outros, a maioria, entendiam que fossem quais fossem as causas, ninguém tinha o direito de tratar assim a terra onde tinham construído o seu Olimpo.
Ares propôs-se ir ele tratar o assunto: com dois ou três berros fica o assunto resolvido.
Hera propôs um audacioso plano militar.
Zeus era da opinião de enviar Hermes.
Dionísio, esse bebia mais um copo enquanto olhava para Afrodite que se mantinha à janela.
Esta voltou-se, linda e serena e todos se calaram. Dionísio deitou fora o copo. E Afrodite disse: podemos ir, já não fazemos nada aqui, eles já resolveram e estão na rua a festejar.
Zeus exclamou: são danados estes gregos.
À saída, Póseidon, desajeitado, bateu com o tridente no chão.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Esquentadores
O eurocrata, com nome de esquentador, afirmou: -se os gregos votarem não, a posição negocial fica dramaticamente fraca.
Também me parece.
A posição que sairia enfraquecida é a dele e a daqueles que ele representa.
Quem dera a nós, a todos os povos subjugados da eurocracia, que os gregos nos dessem este presente.
Esperemos.
E não parece que somos só nós a fazê-lo. A senhora Merkel , esta por razões opostas às nossas– cuidadosa – aguarda.
É que se esquentar muito a água, um banho quente, pode tornar-se num perigoso escaldão.
Ontem, um outro eurocrata cujo nome é ilegível e cuja opinião é execrável, manifestou o seu profundo desejo de contribuir para instalar no governo grego um eurocrata e liquidar o Syriza.
Esta foi a situação que teve até 25 de janeiro do ano em curso.
Os seus problemas com a democracia são tão profundos, que lhes fazem estalar o verniz em tão pouco tempo.
Foram os eurocratas que tanto deseja, que conduziram a Grécia para a situação em que esta se encontra.
Também ontem, parece (sim, parece) ter saído um relatório sobre a divida grega, elaborado pelo FMI.
A pesporrência dos senhores do dinheiro já é tanta, que já nem cuidam da linguagem e assim, saem por vezes algumas «verdades», inoportunas (para eles).
Porque não dão eco a esse relatório?
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Amigos de Félix
Bagão Félix disse que o povo grego está a ser usado pelo Syriza.
À distância, parece que Félix tem razão.
O Syriza, que recebeu a confiança do povo grego em eleições recentes, considerou não estar mandatado para assinar a capitulação que lhe querem impor e vai daí, decidiu usar o povo grego e convocou um referendo para que este se pronuncie.
Somos tantos, os que gostariam de ser usados desta forma.
Mas os usos e costumes dos amigos de Félix são bem diferentes.
Prometem o que não querem cumprir na expetativa de obter o voto e, depois deste obtido, fazem o que sempre foi sua intenção fazerem, o contrário do que prometeram.
Aliás em matéria de usos (e costumes) são bem elucidativas passagens recentes dos amigos de Félix.
Em Espanha, Rajoy, acossado pelo povo, impõe legislação para o amordaçar. O povo espanhol estava a fazer demasiado uso da liberdade e este é uso que o povo não pode ter, por ofender os costumes dos amigos de Félix.
Este mesmo Rajoy – amigo de Félix – a braços com vergonhosas acusações de corrupção e com o povo nas ruas (e nas urnas) a protestar contra si, entende que na Grécia é preciso é substituir o Governo (que o povo grego escolheu) quanto antes, por outro… que capitule. Uma qualquer «samarra» serve…para Rajoy.
Os amigos de Félix por cá, fogem do referendo como o diabo foge da dita cuja, mas isso não os inibe de assinarem com a dita cuja, tudo o que figurões sem rosto, sem escrúpulos e sem vergonha lhes impõem que eles assinem.
Cá estará o povo – não usado (no critério de Félix) – para suportar.
Outro amigo de Félix entretém-se, aritmeticamente a falar de povos como quem fala de galinhas no galinheiro… «tínhamos 19, mas veio o lobo e agora temos 18).
A Félix e aos amigos recomendava-se que pelo menos estivessem calados.
Estão abaixadinhos, submissos, dizendo amém a tudo e largando postas de pescada (ou será cherne?).
IRRA.
terça-feira, 30 de junho de 2015
Pobres de espirito
O maltês acercou-se do monte para pedir esmola.
O senhor do monte, das terras que a vista não alcança e das gentes que por lá sobrevivem, virou-se para o caseiro e disse-lhe: - sobrou um casqueiro da açorda de antes de ontem, vai dá-lo a esse desgraçado.
Patrão…hoje dá-lhe o casqueiro, amanhã ele rouba-lhe um porco…!
Faz o que te digo.
Contrariado. Assim fez.
Sob este mote se passavam as coisas no tempo em que se chamavam malteses aos que nem sabiam que havia no mundo um país cujos originários usam tal denominação.
E assim se passam as coisas no tempo em que já não há malteses mas aonde continuam a sobrar os pobres.
Os senhores de tudo aí estão caridosos e os pobres de tudo aí estão cada vez mais pobres de espirito.
Ouvi um dia e recordarei para sempre: - «Ah pobres d´um cabrão que são pobres em tudo».
Os pobres de tudo continuam mesquinhos, invejosos. E continuam lacaios. Sabujos.
Quando ao igual a si retiram direitos, regozija-se , exclamando: bem feito!
E o outro fica mais pobre, mais igual a ele.
Incapazes de agir, os pobres de tudo invejam os que têm um pouco mais – por muito pouco que seja – na esperança que ele se encontre como ele se encontra: miserável.
Quem já leu Marx (18 de Brumário) sabe o papel nefasto que estes miseráveis podem desempenhar.
São muitas as situações em que se encaixariam estas considerações, mas elas são escritas pensando nos miseráveis que largam «postas de pescada» sobre a Grécia.
É uma dor de alma vê-los ajoelhados, babadinhos, lacaios, sabujos chamando todos os impropérios a um povo que não conhecem, a uma terra aonde nunca foram, sobre uma situação que nem sabem descrever.
E neste coro, aos miseráveis até se juntam outros que tais, que usam gravata, têm carro com motorista e julgam que têm voto na matéria.
Mas não têm nada. São simplesmente miseráveis e pobres de espirito.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Palavras estranhas
A propósito da TAP um diz-se aliviado.
Sobre a Grécia o outro diz-se apertado.
Convenhamos que estamos na presença de uma conversa...estranha.
E em maré de coisas...estranhas, faço um desafio: querem apostar comigo um dracma em como vai haver acordo...com a Grécia?
Olha que perdem.