terça-feira, 10 de novembro de 2015

Viva a...

A esperança.

Quero falar disso em breve.

Mas hoje quero só dizer, em voz alta:
CAIU O GOVERNO DA DIREITA EXTREMA.
VIVA A DEMOCRACIA.

O resto...vem depois

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Piadolas...


Não fosse tratar-se, na maioria dos casos, de graves manifestações de arrogância antidemocrática e, muitas das «tiradas» de desespero que preenchem o nosso dia a dia a propósito do apoio da esquerda a um governo de iniciativa do PS, constituir-se-iam como divertidíssimas anedotas.

Há de tudo.

Dos mais trauliteiros, aos que utilizam linguagem mais soft , aos que se armam em intelectuais e procuram fazer das suas opiniões conclusões cientificas irrefutáveis.

Há os «simples» comentadores; os institucionais, os «desinteressados – de todos os tipos.

Eis algumas (das tiradas), a que acrescento anotações:
«Programa de esquerda provavelmente vai irritar os credores» Anotação: Quais? Quem? E Porquê? E quais são as medidas da irritabilidade? E o que podemos fazer para evitar tamanha desgraça?

«Juros da dívida (hoje) em máximos de julho». Anotação: Mas em julho os «credores» já sabiam que íamos ter um Governo de Esquerda? E é também o «nosso governo de esquerda» que provoca igual medida em Espanha; Itália; Irlanda e em outros, pois tal não é dito, mas os juros destes, também estão a subir?

«Governo de esquerda é ilegítimo» Anotação: Porquê, porque só são legítimos, os de direita?

«Quem ganha deve governar» Anotação: Mas as eleições eram para a governação? Não me lembro de ter visto nenhuma listagem de candidatos a ministros, mas lembro-me que eram distribuídas, por todos os concorrentes, listas de candidatos a deputados. Era engano?

«O dito cujo vai proceder à auscultação de um conjunto de individualidades para saber se é exequível economicamente o programa do governo de esquerda» Anotação : Mas não é a Assembleia da República que tem essa competência constitucional?

Para que é que houve eleições para a Assembleia da República?
A tradição e os especialistas resolviam e tudo ficava bem em …

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Filhos de voto incognito



Quem nos intoxicou com números (uns reais, outros inventados) agora não gosta de números.
Preferem remeter-se para o discurso panfletário.
Este tem mais eco.
E menos engasgos.

Por isso, sinto-me na necessidade de trazer de novo alguns números.
As eleições recentes (pese embora toda a poluição sonora) foram eleições para a Assembleia da República e traduziram-se na eleição de 230 deputados.

Consultada a página da AR, ficamos a saber da distribuição desses 230 deputados pelos diferentes Grupos Parlamentares:
PPD/PSD – 89; PS-86; BE-19; CDS- 18; PCP- 15; PEV- 2 e PAN-1

Obviamente estes deputados foram eleitos, ou sejam houve eleitores que votaram. Quantos votos custaram?

Cada um dos 102 eleitos nas listas do PPD/PSD/CDS/PP/PAF (que arrecadou 1 993 921 votos) foi eleito com 19548 votos); O PPD/PSD concorreu sozinho em alguns círculos (81054 votos) e elegeu mais 5 deputados (a 16211 votos cada).
Cada um dos 86 deputados do PS (que arrecadou 1 747 685 votos) custou 20322 votos.
Os deputados do BE (550 892 votos) custaram 28 994 cada.
Os do PCP/PEV/CDU (445 890 votos) custaram 26234 cada.
O deputado do PAN custou todos os votos do PAN ou seja 75140.

O facto de haver coligações eleitorais e depois estas decomporem-se em grupos parlamentares distintos (os casos da PaF e da CDU), aconselha, por razões de seriedade intelectual, a fazer corresponder os seus deputados por eleitores e verificar assim qual o seu peso real.

Multiplicando o n.º de deputados pelo «custo» em votos (conforme o custo em votos de cada coligação) obtemos a situação seguinte:

PSD/ PPD- 1 723 107 Votos (89 deputados) e CDS/PP – 351 868 votos (18 deputados).
PCP – 393 512 votos (15 deputados) e PEV – 52468 votos (2 deputados).

O que determina o ranking seguinte:

1.º PS (1 747 685);
2.º PSD/PPD (1 723 107);
3.º BE (550 892);
4.º PCP (393 512);
5.º CDS/PP (351 868).
6.º PAN (75140).

A não ser assim, haverá na AR um conjunto de deputados filhos de voto incógnito.

domingo, 1 de novembro de 2015

Feira de Alvito

Hoje fui um pouco mais para sul.
Mais para o sul do sul aonde estou.
Fui dar asas à tradição.
Sim.
Há tradições boas e tradições más.
Falemos disso noutra altura. Hoje é domingo.
A tradição boa que queria partilhar foi uma visita à Feira de Alvito.
Feira dos Santos. Feira de frutos secos.
O céu estava carregado. Parecia que a qualquer momento a borrasca se instalaria ali, montando também banca na feira.
Mas não.
Nao montou, nem choveu.
E havia por ali o que é tradição haver nas feiras.
Vendedores, compradores, olhadores.
Torrao branco, farturas (ou borrinhol, porra frita), sapatos, botas, sacos, perfumes, tachos e panelas e nesta (feira) batatas doces assadas e por assar, nozes, amendoas em miolo ou protegidas na casca, figos em passa.
E romas.
E havia ciganos passeando em grupo com grandes bordoes.
E talvez por nao sei quê lembrei-me de uma cantiga de Paulo Colaço , Moda da Faca.
Nao vi na feira trauliteiros.
Eles só lá vão quando tem material para vender...
Banha da cobra.
Na feira de Alvito, desta vez nao havia.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Hábitos


Habituaram-se de tal forma a formas e a discursos que hoje julgam que essas formas e esses discursos, não só são o real como sendo-o, são imutáveis.
E fabricaram e formaram e usaram para os fins mais diversos essas formas e esses discursos.
Surgem hoje notícias elucidativas. Parece que um célebre economista que escreveu em 2010 um artigo arrasador sobre a economia portuguesa, afinal não visava mais do que ganhar umas centenas de milhar com a dívida portuguesa, o que parece ter conseguido.
No léxico desta construção começaram por entrar chavões do tipo fim da história, fim das classes, fim das ideologias. Substituíram a economia por jogos , largaram o investimento produtivo por cenários de casino.
Não havia mais esquerda, nem mais direita.
Até a geografia foi moldada. A Europa, deixou de ser o Continente que está ente o Atlântico e os Urais e passou a ser o Casino cuja sede se situa em Berlim.
Por aqui e não só, passou a instituir-se um arco destinado aos assuntos da governação. Fora do arco, os extremistas cuja única função era testar a estabilidade do arco de forma a permitir a este corrigir eventuais pequenas fendas.
Às eleições, que são para eleger deputados, passaram a chamar eleições para primeiro-ministro (a fazer fé em alguns discursos, passar-se-ia em breve a designar este por Presidente. Presidente do Conselho).
E destas formas e destes discursos fizeram tradição.
Mas um dia…
As pessoas fartas destas tradições e acima de tudo das nefastas consequências delas resultantes, fizeram das ruas os seus palcos, das lutas a sua forma de resistência e do voto a forma de principiar o fim das tradições.
E votaram para deputados e agora parece que estes não querem o Presidente que o Presidente quer impor.
Votaram para um Presidente da Assembleia que não é o Presidente que a tradição queria.
E preparam-se para formar um Governo sem arco, mas com alicerces na esperança.
E é um desatino.
Dizem que ganharam (com um voto se ganha diz a velha senhora) e que por isso devem governar. Sim ganharam, mas as eleições eram para eleger deputados. Ao ouvi-los até se pode pensar que alguém lhe está a querer tirar deputados. Ganharam e têm por isso um maior número de deputados.
As eleições eram para eleger deputados, meus senhores.
Não chegam para continuar a tradição? Temos pena (coisa que só pode mesmo ser usada com ironia). Mas é a democracia.

De repente voltou a haver esquerda e direita.
E Parlamento. E necessidade de entendimentos. E Política ao invés de tradição.
Afinal a história continua.
Mas como em muitos outros momentos, não vai ser fácil o percurso.
Basta ver a «multidão» dos que nem sequer querem permitir os primeiros passos.
E dizem que o fazem em nomes dos superiores interesses do país.
E nós acreditamos. Só que desse país não fazem parte a generalidade dos portugueses.
Os superiores interesses de que falam, são os deles.

(por hábito, não fazia escritos tão longos…)

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Evidências

Parece que estamos a viver tempos de evidências.
Ja aqui me referi ao que afirmou - sendo tal uma evidencia- não ser catavento.
Quase de seguida um outro afirma não se arrepender nem de uma linha do que disse.
Outra evidência.
A par destas, uma outra ressalta.
Em matéria de arrependimentos serão milhares os que se arrepedem neste momento, não de uma linha, mas de duas, com as quais fizeram uma cruz num quadradinho à frente do nome dele.
Evidências.

O catavento


O homem do bigode (o empregado do DDT), que se diz sindicalista, afirma que não é catavento.

Disse que preferia a continuação do governo de direita a um governo do PS com o apoio da esquerda.

Disse e mantém, porque não é catavento.

O sindicalista quer que continuem os cortes de salários, nas pensões, nas prestações sociais, nos direitos dos trabalhadores.
Porque não é catavento.

Mas quem teria dito ao sujeito que ele era tal coisa?

O catavento até tem alguma utilidade, indica-nos a direção do vento.

Como é que ele podia ser um catavento? Claro que não!
Ele não indica a direção do vento.
Ele segue o vento que tem sido dominante, soprando há quase quarenta anos do quadrante da direita e do patronato mais desumano.
Ele é coerente.
É hoje, o que sempre foi.
Os que julgam que ele é ou foi outra coisa, que se cuidem.

Catavento, não é não senhor!