segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Um sério problema

Confesso que num primeiro impulso pensei em abordar a questão na base da ironia. E essa base residia no facto de parecer não fazer sentido falar-se e fazerem-se em Portugal eleições, quando se verifica que é «bruxelas» que dita as regras e as consequências do seu não cumprimento.

Quando esta abstrata figura, «bruxelas»,até com o IVA das nossas bicas se mete, creio que se justifica que a ironia passe para uma preocupação muito séria.

Em Portugal, os que passaram a vida a acusar outros de falta de patriotismo, assinaram de caras o que não conhecemos, mas cujas consequências são a mais grosseira perda de autonomia.

À luz do direito, tais compromissos, assumidos por aqueles em quem confiámos para garantir e fazer garantir a Constituição e o seu princípio central de soberania nacional, deveriam constituir-se como atos de traição à pátria e como tal, julgados.

E esses, têm nome. São os que assinaram Maastricht, Lisboa e outros tratados (atentados) à soberania nacional.

Mas não só não são julgados como ainda se arvoram em agentes dos usurpadores da nossa soberania. É ouvi-los clamar que não nos resta outro caminho que não seja o de cumprir, rigorosa e cegamente, o que «bruxelas» impõe.

Miguel de Vasconcelos, ao pé destes, foi um pobre infeliz. Não se estranha pois que tivessem acabado com o feriado do 1.º de dezembro.

Outros, com bocas mais pequeninas e culpas só assentes na estupidez que patenteiam, esganiçam: «pediram? pois agora paguem! e cumpram as regras».

Não se interrogam sequer sobre quem pediu e para que pediu e muito menos sabem que há mais mundo para além deste clube de bruxelas e que nesse mundo, todos os dias e a todas as horas se processam operações de dívidas públicas. E também não sabem que, todos os países, têm dívidas públicas e que os EUA têm uma das maiores do mundo.

No entretanto…energúmenos suecos, de rosto tapado, juntam-se em manada e atacam crianças filhas de refugiados.

Em paragens próximas confiscam os bens miseráveis dos refugiados lembrando práticas nazis em que nem os dentes (de ouro) das vítimas escapavam.

E «bruxelas» não age, não ameaça.

Sobre isto nada tem para fazer cumprir, o que é aliás isto ao pé do IVA da bica dos portugueses?

Jorge Sampaio disse que estamos prestes a ter um problema muito grave.
Não estamos prestes. Estamos perante um problema muito grave.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Contributos para um dicionário de europees

Contributos para um dicionário de europeês

Economeira – Ciência oculta que nasceu da implosão da economia  a cujos destroços associaram os ditames financeiros.

Divida – Sistema central da economeira através do qual se procede à moderna delapidação dos patrimónios dos povos.

União Europeia – Processo nascido de uma sucessão de medidas clandestinas lesivas da independência e soberanias nacionais.

Porreiro Pá – Grito de guerra proferido no final de uma das cimeiras clandestinas na qual se usurparam independências e soberanias.

Euro – Mito moderno sem o qual a vida não é possível. Moeda da economeira através da qual a Alemanha está a conseguir tudo o que tentou através das guerras e não conseguiu com estas.

Comissão Europeia – Grupo de ativistas da economeira que ninguém conhece de lado nenhum mas que põem e dispõem em todo o lado.

Governos nacionais – Delegados submetidos aos ditames da Comissão Europeia.

Parlamento Europeu – Coisa gigantesca com complexos de inferioridade.

Fundos Europeus – Fabulosa encenação para entretenimento e ilusão das vítimas da economeira.

Construção Europeia – Processo iniciado com base num projeto menos mau, mas que com o decorrer do tempo foi sofrendo alterações, o que, associado às escolhas dos empreiteiros, deu lugar a uma «coisa» prestes a implodir.

Democracia – Sistema anterior à construção europeia e com base no qual, os cidadãos escolhiam através do voto os seus governantes. Na atualidade, continuam alguns simulacros, mas os governantes escolhido têm de se subordinar ao «poder do escritório» de Bruxelas.

Eurocentrês – Corrente filosófica em torno da qual se constrói a ideia que a Europa é a União Europeia e que não há vida para além dela. Nos outros países do mundo anseia-se desesperadamente para que um dia os deixem fazer parte deste mundo maravilhoso. Os seguidores do eurocentrês que já uniformizaram a economeira, preparam-se para uniformizar outras áreas. Côr da pele; dos olhos, altura, formas de andar; língua e cultura, gastronomia e outras.

E por aqui, vamos cantando e rindo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Presidenciais, claro

Ila (i)ções

Pululam os analistas fabricando teses a propósito do descalabro eleitoral do candidato Edgar Silva que foi apresentado e apoiado pelo PCP.

Fabricam eles que, tendo sido assim, o «peso» do PCP no acordo que conduziu à formação do governo atual, se torna bastante mais reduzido.

Há mais vontade de fabricar – e fabricar nesse sentido – do que em analisar.

Começo pelo óbvio: o resultado de Edgar Silva é desastroso. E sendo-o, não compreendo os discursos redondos e até deselegantes por parte de dirigentes do PCP ao invés de darem a mão à palmatória e reconhecerem o óbvio.

Por outro lado, ao terem proposto e apoiado é também óbvio que deram o flanco para este tipo de fabricações.

Mas, sobre a fabricação.
Sugiro que se analisem então as eleições presidenciais na sua relação com as eleições legislativas, porque é isso que estão a fazer com Edgar Silva e o PCP.

Assim:
A candidatura de Marcelo, na sua relação com os partidos que o apoiaram PSD e PP sai beneficiada em mais 324121 votos.
Consegue fidelizar o eleitorado do PSD e CDS e acrescenta-lhe mais 15%.
(Como se tivesse sido assim...)

As candidaturas de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, no conjunto (e considerando que ambas foram apoiadas pelo PS) perdem em relação a este (PS), 490296 votos.
Só conseguem fidelizar 72% do eleitorado do PS.

Marisa perde em relação ao Bloco, 81571 votos.
Fideliza 85,2% do eleitorado do Bloco.

Edgar perde, em relação à CDU, 263074 votos.
Só fideliza 41% do eleitorado da CDU.

Estes são os números e as relações óbvias.

Procurar passar a ideia que só Edgar não consegui fidelizar o eleitorado da CDU e que isso se traduz numa perda da influência da CDU é mera fabricação de desejo.

Analisemos as Presidenciais enquanto tal, ou seja, enquanto Presidenciais e, por mim, creio que há um universo de factos que lhe estão associados e que devem merecer toda a atenção analítica.
Desde que se faça com o mínimo de isenção exigível.
E esse mínimo de exigência não implica a abdicação do nosso entendimento e ideia de partida, antes pelo contrário. Todos metemos um pouco de nós na análise.
Não partilho nem existe neutralidade axiológica.

Por mim, declaro, que simpatizei com a candidatura de Edgar Silva.
Tal facto não me dá o direito à distorção.
Os outros, os que nutrem outras simpatias de partida – que nem sequer têm o cuidado de identificar – também não têm o direito de distorcer.

Às Presidenciais o que é das Presidenciais.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Surpresas


Se há coisas pelas quais as eleições presidenciais de ontem podem ficar marcadas, não será pela existência de grandes surpresas.

Algumas, houve, no entanto.

A eleição de Marcelo à primeira volta não é surpresa.
Os resultados de Maria de Belém, não são surpresa.

Meia surpresa podem ser os resultados de Marisa (apesar dos quase 100 mil votos a menos face ao resultado obtido em Outubro de 2015 pelo Bloco) e surpresa inteira e grande a baixa votação de Edgar Silva.

Confesso que esperava que Edgar Silva, até como resultado da sua postura de certa forma nova e não encaixável no padrão dominante no PCP, tivesse uma votação que não se desviasse muito da votação que considerava consolidada e esta situa-se próxima dos 400 000 votos.

Mas não, Edgar Silva teve menos de metade dessa votação.

Sou de opinião, que as razões para tal devem ser procuradas, não tanto no candidato (mas também) mas principalmente no Partido que o propôs.
O candidato foi um bom candidato (os resultados obtidos na Madeira assim o atestam) e a sua candidatura uma decisão acertada do PCP.
Então o que não correu bem?
Essa é uma discussão a travar noutro espaço.

A análise dos resultados,  evidencia-nos que os resultados para eleições presidenciais são quase sempre inferiores aos resultados para outras eleições que ocorrem no mesmo período ou em períodos próximos:

A exceção ocorre em 2006, em que a candidatura de Jerónimo de Sousa obtém mais votos que os obtidos pela CDU nas legislativas de 2005.

Francisco Lopes em 2011 só obtém 68,1 % dos votos (-140 931) que a CDU obtém nas legislativas do mesmo ano.

António Abreu em 2001 só obtém 58,6% dos votos (-156669) que a CDU obtém nas legislativas seguintes, em 2002.

E agora Edgar Silva, obtém 41% dos votos (-263074) dos obtidos pela CDU em outubro passado.

É uma diferença muito grande que não pode ser explicada pela tendência.
Existirão outras razões.

Nota: Afirmei aqui que estava convicto que iria haver uma 2ª volta. Enganei-me. Por pouco, mas enganei-me. A saqueta funcionou. Misturou-se água e escolheu-se um presidente.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Contrastesaridades

Primeira

A política mudou. Mas mudou mesmo. Já não são dominantes aquelas figuras sinistras, com meia cara de gozo e outra meia cara de prazer pelo mal feito, que anunciavam, com a cadência de relógio, cortes, cortes, cortes. Nos salários, nas pensões, nas prestações sociais, evidentemente.
Mas na comunicação social tudo continua como antes. Os DDT(s) perderam os cães de fila (muitos, mas não todos) que tinham atiçado para o poder, mas não perderam o poder de dispor dos media.
Para a reportagem ou apontamento sem importância vão surgindo umas caretas novas, mas para o comentário, o douto comentário, o comentário dos comentadores especializados em especialização, mantêm-se os mesmos anafados de há 30 ou 40 anos, com os discursos redondos das inevitabilidades, dos mercados, da europa e do raio que os parta.
Não vai dar bom resultado, esta coisa.

Segunda

O trabalho destes doutos foi deveras eloquente nas diatribes a que chamam análises, após o debate entre nove candidatos à Presidência da República.
O professor – o afilhado – foi magnânimo, espetacular, de uma inteligência superior. O professor – o afilhado – soube gerir o silêncio.
Não, ele não estava a fugir às questões, estava a gerir o silêncio.
E é com esse silêncio que quer fugir ao seu passado – deixemos o passado mais longínquo, o passado das suas conversas com o padrinho no qual parece ter ido buscar inspiração para as suas conversas em família, concentremo-nos no passado recente – quando elogiava Cavaco, abraçava Salgado, dava cobertura a Passos e Portas. Quando dizia que era verde o que logo a seguir afirmava ser azul.
Com um passado destes, só lhe resta mesmo gerir o silêncio.

Terceira

O TC – o mesmo TC que considerou como inconstitucionais os cortes de salários dos funcionários públicos, mas que arrematou, proclamando:« bem, mas os que já foram feitos…já foram» e que logo em seguida permitiu que os mesmos fossem repostos em versão mais ligth vem agora proclamar como inconstitucional o corte das subvenções vitalícias e proclamar o direito às «vítimas» a receberem os «devidos» retroativos.
Os argumentos são verdadeiras pérolas de linguagem antissocial.
Alguns dos coitados viram-se na contingência de pedir ajuda às famílias. E …não é juridicamente correto defraudar justas expectativas.
Aos funcionários públicos a quem cortaram os salários não lhes foi perguntado se tinham famílias a quem pudessem recorrer.
Os salários dos trabalhadores, contratualmente definidos e estabelecidos por lei, não se constituem como uma garantia jurídica intocável. Aqui não há justas expectativas.
Irra.

Quarta

Voltaram os discursos da desgraça. Os mercados estão zangados. A europa não vai permitir. Os juros vão subir. A Srª Merkel vai zangar-se. Vamos ser como a Grécia.
Tudo isto porque o governo devolve o que o governo anterior roubou.
Passos, sem corar por um momento que seja, insurge-se contra o que define de aumentos trimestrais para os funcionários públicos.
O mesmo Passos, que tirou e que nas últimas eleições (há pouco mais de três meses), afirmou a existência de condições para devolver.
É preciso lata. Muita lata.

Quinta (que não é apropriadamente uma contrastesaridade – seja lá isto o que for)

Como provavelmente não escreverei antes das eleições de domingo (não sei) e porque não preciso de contar até 100 e gosto de eleições (o professor, suporta-as) quero deixar aqui expressa convicção que até há pouco, não tinha.
É minha convicção que o professor vai ter que continuar a contar…talvez até mil ou mesmo mil vezes isso ao cubo e que iremos ter uma segunda volta.
Tenho 50% de possibilidade de acertar.

Saquetas

- Viste? Viste? Esses, os que estão ao teu lado. Também levam daquelas saquetas de que te falo.
-Que saquetas?
-Não vês?! Caramba, as prateleiras estão cheias! Vou levar também!
-Ai, ai, ai. De novo?! Ainda estamos a pagar a bimbi, o bmw, as férias do Brasil de há dois anos. O cartão de crédito já pifou. O crédito salário está a rebentar.
-Quero lá saber, não somos menos do que os colegas e vizinhos e se eles têm, nós temos que ter!
E o decidido está decidido, vou levar uma saqueta, diz que é só misturar água, mexer com colher de chá e sai um presidente comentador…
É fácil!
Nem tem a chatice de termos de pensar!
E fazemos como fazem os nossos vizinhos e colegas.

-Alguns não fazem….
Ora.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Em vias de extinção


Estão definhando, os blogues.

Alguns dos que seguia já fecharam portas.
Em alguns casos, tal definhamento pode ter resultado de se terem julgado, em determinados momentos, órgãos de comunicação social.
Sem que tal, lhes ficasse mal, digo já.
Realçavam a contagem de visitas e os leitores on line a cada momento, publicavam (em nome de uma pretensa isenção) todo o tipo de comentário ordinário, procuravam estar «em cima» do acontecimento.
Por aqui, na cidade, chegou mesmo a haver, em surdina, uma batalha pelas «audiências».
Alguns conseguiram, de forma muito positiva, desempenhar esse papel de órgão de comunicação social. Através deles erámos informados de factos e ocorrências e isso, numa cidade pequena como aquela em que vivemos, assumiu grande importância.
Com o seu encerramento, voltámos ao mesmo de antes. Folheia-se no café ou no barbeiro a folha local. Passamos pelo placard da Praça.
O «espojinho» esse, em verdade, nunca foi um blogue.
É o meu cantinho partilhado com amigos.
Não quis ser mais. Não quer ser mais.
Vou vendo, a cada momento, o que fazer dele. Se lhe dou o rumo que agora é dominante ou se também nisso, remarei contra a maré?
Veremos.
Mas sou de opinião que há um espaço, virtual, para um blogue informativo sobre a cidade. Espaço onde não caibam a ordinarice o os heróis da treta.
Onde haja informação, ideias, debates.

 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Utopias


O velho coordena os movimentos com os movimentos do sol. Levanta-se quando este nasce, deita-se, quando ele se deita.
Este movimento é para ele inquestionável. Todos os dias, da sua longa vida, testemunham tal. Ele sabe que há quem diga que não é assim, mas esses, estão errados. A realidade sobrepõe-se.
Um dia destes, ao comer a torrada, pela manhã e estando sozinho na cozinha reparou na torradeira. Quem teria tido ideia tão interessante?
Coisas...mas logo concluiu que a realidade se sobrepõe e assim sendo, não tem nada que se pôr a magicar tais coisas.
A realidade é a torradeira.
A que junta o telefone, a televisão e outras modernices…reais.
Ai como devem ser infelizes as pessoas que se moem pensando nos porquês das coisas ou pior ainda, sonhando em mudar as coisas.
Pensa.
As coisas são o que são.
A realidade sobrepõe-se.
Pensa e não vai além disto.

Bom regresso ao teu mundo, velho.
Por aqui, neste princípio de ano, muitos sonham com um mundo novo.
A sério.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Soltas de fim de ano

Mais uma divida

A acrescer a todas as derivadas pela ação dele e dos amigos dele (Portas) ficamos hoje a saber, pela boca de Passos (quem melhor do que ele para falar das dividas que nós temos que pagar) que o pais tem mais uma  divida e pasme-se, precisamente para com Portas.
Para esta, se ao contrário não me obrigarem, desde já declaro que vou ferrar o calote.

O moralista

O que se pode esperar de um pregador?! Que pregue.
Pois bem prega este pregador produzido pela tvi.
Diz ele que os gastos que os outros candidatos afirmam ir fazer com as respetivas campanhas são imorais face à situação em que se encontra o país e muitos dos que nele habitam (nao todos...não todos).
Imoral é ele que faz parte e é apoiado pelos que conduziram a essa situação.
Imoral é ele que disfarçado de comentador construiu (recebendo generosamente) a sua campanha ao longo dos ultimos anos.

Televisão

O que havemos de esperar das próximas eleições presidenciais que não seja a eleição do homem da quinta.
Por mim ja espero os diretos da teresa.
Pois então à frente da nação...um produto da televisão.

Amargo e doce

À doce perspetiva (graças à Constituição) de no ano que se aproxima nos vermos livres daquela coisa, outra coisa se anuncia que transforma o doce em amargo.

2016

Ha pelo menos um postigo aberto. Pequenino.
Mas por onde entra uma ligeira brisa que empura pela porta dos cantos o bafio.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Sinal de trânsito

É urgente a criação de um novo sinal de trânsito.
Na categoria dos sinais de aviso de perigo.
O novo sinal a criar deve incluir toda a tecnologia possivel.
Importa é que avise convenientemente:
Perigo Banco a 150 metros.
Perigo Banco a 100 metros.
Perigo Banco a 50 metros.
Para quem não se tenha mesmo assim apercebido ou quem por força maior tenha que passar a menos de 50 metros, devem ser asseguradas medidas de proteção especiais nas quais as máscaras de gás são indispensáveis, bem como transporte blindado para carteira e outros bens móveis que o pobre cidadão descuidado tenha consigo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O velho


Recordo de nos tempos de menino a estórias terem sempre um velho.

Não acrescentavam nada sobre o dito.
O velho era o velho. Mau para os meninos. Feio. Punidor de toda e qualquer má ação dos meninos.
Recordo os avisos: «não te portas bem, chamo o velho».
E só a breve invocação servia para acalmar a mais feia das birras ou o amuo mais persistente.
Ao crescer, esquecíamos o velho.
Hoje, que quase já tenho idade para ser velho em algumas estórias, sei finalmente quem é o velho.
O velho mau e feio.
O velho que tem atormentado as nossas vidas.
O velho que ao invés de punir as nossas más ações, pune-nos sempre que denunciamos as más ações dele e dos seus amigos.
Hoje sei quem é o velho mau.
Alguém o chamou para as estórias dos últimos (muitos) anos, mas hoje quase todos perguntam:

-Mas quando é que o velho vai embora?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Mundanices

BPN, BPP, BES, Oliveira e Costa, João Rendeiro, Dias Loureiro, Miguel Macedo, Duarte Lima -  são meras mundanices.
Caso sério, mas mesmo sério , é o caso José Sócrates.
Esse sim.
Mas o que fez?
Não sabem?
Como nao sabem?
Fez.
Pronto.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Neologia

Há fases…há fases…e agora ando numa de neologia.
Mais três pequenos contributos:

Internot
Quando se perde o acesso à internet. O que ocorre em determinados ambientes, por causas indeterminadas.

Trocomilhões
Não se trata de um novo jogo de ilusões, mas sim um termo referente a situações muito em uso nos últimos tempos. Quem vive dos rendimentos do trabalho «vê-se e deseja-se» para recuperar trocos (veja-se sobretaxa; cortes salariais e outros que tais) e quando consegue recuperar parte, ou só mesmo quando se anuncia essa recuperação, «ai daqui d´el rei» que é a desgraça do país, em simultâneo, no mesmo país,  de um momento para o outro, um banco tal, de um fulano tal, por razões tais, precisa de um milhões ou até mesmo de milhares de milhões e ei-los de mão beijada.

Lucros meus, prejuízos teus
Designação moderna de atividade bancária. Os lucros, as brutais alcavalas e outras manigâncias lucrosas, são produto do senhor dono do banco. Os buracos daí resultantes – prejuízos de milhares de milhão – são tapados com o dinheiro dos contribuintes.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Neologismo

Mercado
Antes, um termo simpático, que nos transportava para espaços físicos onde se vendiam produtos que imaginávamos vindos diretamente do produtor. Neles, vendiam-se batatas, peixe, laranjas, galos, galinhas e afins.

Mercado – Hoje, um termo horrível, referente a algo tenebroso, com mau feitio, instável, que nos tira o sono, o emprego e a vida. Dizem que neles se vende o que não há. Vende-se dinheiro que não se sabe de onde veio, compra-se dívidas que não se sabe quem contraiu. Ficam instáveis porque chove e porque não chove. Irados porque aqui ou na Grécia não se votou como queriam.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Em política...



Vou deitar fora apontamentos, obras, recortes e tudo o mais que ao longo do tempo tenha recolhido e que seja referente a ciência política.
Nos últimos tempos, os conceitos mudaram.
E outros entraram no léxico.
Dos emergentes, relembro o conceito de hábito, também usado como tradição e que serviu de base a uma diatribe recente que consistiu em procurar desrespeitar resultados eleitorais por força da não existência de um hábito ou tradição que permitisse o envolvimento de determinados partidos em processos de solução governativa.
Emergente é também (e asfixiante, acrescente-se) o uso de comentadores que não só substituem a análise política (de base científica), como se transformam eles próprios nos fazedores da política.
É fácil fazer um comentador. Não pode é o comentador comentar o que não é comentável.
O exemplo mais conhecido de comentador fazedor é o do dito professor. Comenta, comenta e agora quer colher.
Sobre os fazedores de comentadores, teríamos que dedicar mais tempo…
Um conceito agora desconceituado é o conceito de ditadura. Associamos a ditadura (imagine-se) falta de liberdade, inexistência de possibilidades de construção de alternativas e outros acepipes.
À luz do conceito, era impensável conceber eleições (plebiscitos, talvez). Pois então não é que na Venezuela (que vivia sob feroz ditadura segundo os comentadores) a oposição ganhou as eleições?!
E a Arábia Saudita amiga dos libertadores que foram entregar sob a forma de chumbo a democracia à ditadura Síria?!
Há que rever o conceito, rapidamente.
Um outro conceito a precisar de reparação é o conceito de regime semipresidencial. E esta reparação ficará e muito condicionada ao contexto que seja presente. Vai depender do semi e vai depender do presidente. Será um conceito dotado de…diga-se alguma plasticidade.
Recordo contributo importante dado por um apresentador de notícias (produções) em que, eloquentemente, procedeu a comparações várias entre o nosso semipresidencialismo e o semipresidencialismo de Espanha.

Sim. E fê-lo muito eloquentemente, conseguindo inclusive, através da comparação (eloquente) argumentar tenazmente a favor da tradição.

A nova Ciência Política é deslumbrante…

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Trump ou Trampa?

Os que me conhecem, conhecem as minhas dificuldades no uso da lingua inglesa (que me querem apresentar como universal e culta).
A minha ultima "calinada" foi confundir Trump com Trampa.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Ninho de cucos

A análise serena dos acontecimentos que se sucederam às eleições legislativas é trabalho de casa que se recomenda.
Aqui, lanço alguns “bitaites”.

PSD e CDS optaram por uma postura trauliteira e por uma total incontinência verbal.
A uma ordinarice seguia-se outra ordinarice maior. Tudo valeu.
Vindo do CDS compreende-se. Ao complexo de inferioridade juntaram a sua matriz de extrema-direita.
Já no PSD, não se compreende. Esperava-se mais lisura.
O que aconteceu, principalmente depois da «irreversibilidade» de Portas, foi a transformação do PSD na caixa de eco de Portas.

Portas usou para com o PSD a estratégia do cuco.

È legítimo hoje considerar que, se houve uma inversão no PS, esta se deve à radicalização de direita que ocorreu no PSD e não tanto a um desejo de aproximação à esquerda.
Por outro lado, no PS, os que, usando também linguagem com pouca lisura, se manifestaram contra o acordo com os partidos de esquerda, deixaram ficar claro que o PS, deixou de ser o seu «ninho».
Há pois, nos dias de hoje, partindo dos pressupostos que não vão haver alterações de rumo, um conjunto muito significativo de cidadãos que não se revêm nos partidos onde até agora participaram.

Pode ocorrer num futuro muito próximo um ajustamento.
Espaço para que ele ocorra existe.

Por isso, convém projetar o futuro, com os olhos postos no presente (sem talas) e não concluir que ele será a projeção do passado.
Alguns devem ter aprendido com os resultados das últimas eleições que projetar o passado não dá bom resultado.
Quando se aperceberam, o arco tinha caído.

O mesmo, deve ser considerado para as eleições presidenciais que se avizinham.
Os revanchistas esperam que elas sejam a 2ª volta das eleições legislativas.
Não lhes ficaria mal alguma cautela…

Depois não gritem.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Revisão Constitucional


Proposta

As eleições deixarão de ser para a Assembleia da Republica e passam a ser eleições para chefe. O partido mais votado (se for o PSD) designa o chefe.
Esse chefe escolhe os deputados (metade e mais dez, não vá o diabo tecê-las). Os restantes serão distribuídos pelos outros, que para o efeito, apresentarão as listas para prévia aprovação do chefe.
O chefe escolhe o governo.
Em situação alguma os deputados podem censurar e muito menos apresentar moção de censura ao governo escolhido pelo chefe.
Se por alguma razão o partido mais votado não for o PSD, o ato eleitoral repetir-se-á as vezes necessárias até se conseguir esse desiderato.
O chefe, assim democraticamente eleito, apresenta cumprimentos e apresenta os ministros ao outro chefe (no caso deste ser do PSD) no prazo que o chefe entenda.

Fundamento

Desta forma, pretende-se acabar com o regabofe, a ilegitimidade, a golpada, o descaramento, a heresia, a grotesca traição à tradição que está presente no entendimento entre O PS; BE; PCP e PEV que, só porque têm uma larga maioria de deputados, se julgam no direito a formar governo. Era o que faltava!

Adenda

É que os homens (do PSD e do seu apêndice) berraram tanto: ganhámos! ganhámos! Que se convenceram de tal forma que ganharam e ainda não tiveram tempo para contabilizar as baixas: em número de deputados e em número de votos.
A mim, parece-me que foram os únicos a perder…ah…parece que o MRPP também perdeu!

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Eureka

No sentido que lhe foi dado por Arquimedes...

A solução está nas cagarras e nos sábios. Ou... nas sabias cagarras.
Os que elegeram mais deputados não os têm em número suficiente para dar suporte ao desgoverno e este não passa na Assembleia?
Pois então fica - custe o que custar - assim o determinam os sabios e as cagarras.
Se não for esse, arranja-se outro! Igual- claro.
A Constituição determina...
Chega! Basta! Nem mais uma vez tal alusão.
A solução é a que ditarem os sábios e as cagarras.
Mas a estabilidade...
Chega! Basta! Nem mais uma vez tal alusão!
Até porque a estabilidade é a estabilidade da estabilidade não é a estabilidade.
Perceberam?
Por isso basta. Não quero mais tal alusão!
A solução...

BASTA.

sábado, 14 de novembro de 2015

Em nome de Deus

Que Deus é este ?
Seja quando é invocado para a barbarie em Paris ou em Bagdad?
Não pode haver Deus quando há barbarie.