quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

VALORES


Repito a ideia que venho perseguido de há um tempo a esta parte e que consiste na constatação de que há um patamar novo na forma de condicionar ideias, através dos órgãos de comunicação social.

Se antes a questão consistia em fazê-lo, mesmo que alternadamente, em torno dos «valores» de um centro (centrão) ideológico, no qual assentavam os pilares do arco governativo, agora que se procedeu a algumas alterações (pontuais) nesse tipo de estrutura, os «valores» difundidos já não incluem «parte» desse anterior centrão e excluem mesmo, de forma por vezes até grosseira, o PS e o Governo.

Do PCP e do Bloco, quando difundem, fazem-no sempre na perspetiva de isso poder ser útil ao objetivo central e este consiste em criar as condições que minem a estabilidade do Governo.
E fazem-no não porque não gostem do PS (gostavam e muito, até há pouco) mas porque não gostam nada da mudança em curso.

O PS bom é o PS igual ao PSD e ao CDS. O PS do centrão e da submissão aos ditames dos chefes da U.E.

Em ciência não há neutralidade axiológica mas há a obrigação de o investigador identificar com clareza o seu ponto de partida para a análise.

Talvez fosse útil colocar aos donos dos órgãos da comunicação social imposição de semelhante valor. Ninguém esperaria que mudassem mas exigir-se-ia que se assumissem.
Talvez assim, o que nos impinge como noticia, se tornasse claro que mais não é do que, opinião ou vontade. 

Primeiro foi a ressonância do falso discurso do ganhámos. Depois o eco do discurso do governo ilegítimo, depois o barulho do orçamento, agora a vontade de ver os juros da dívida subir.

Bons patriotas estes senhores donos disto.

Uma nota final sobre a questão dos juros. Fico por vezes com a ideia da ansiedade com que alguns esperam pela abertura dos mercados (de dívida secundária) para «noticiarem»: «juros da dívida sobem».

Fizeram-no ontem (às 08:45, hora de Portugal) e «noticiaram» logo. Só que…ontem os juros baixaram.

Os especialistas nestas matérias sabem e conhecem os mecanismos e sabem que, com base em metodologias diferentes se podem obter resultados não coincidentes.

Veja-se por exemplo:

Hoje, a Bloomberg e a Reuters anunciavam os valores seguintes : dívida a 10 anos – juros de 3,640; dívida a 5 anos – juros de 2,615 e dívida a 2 anos – juros 1,309.
Também hoje, os valores apresentados pela Six International  Information  eram, respetivamente: 3,442 (menos 0,198); 2,534 (menos 0,181) e 0,846 (menos 0,463).

Com base em:
Económico.sapo.pt/noticias/juros-da-divida-sobem-em quase-todos-os-prazos_242797.html   e
www.jornaldenegocios.pt/cotacoes/divida

Peanutes diria alguém.

Mas o que importa é a formatação e não a informação.

Os valores que se lixem…

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

ALENTEJO?


O INE, através do seu Portal, dá a conhecer mais uma edição de «O Alentejo em números».
Com todo o respeito, quero deixar claro que esse Alentejo, assim retratado, não existe.

O Alentejo retratado pelo INE (condicionado pela lei) é o Alentejo das tecnocracias, artificial, destinado a Bruxelas e aos seus ditames.

O Alentejo é grande, mas não é tão grande como o pintam. Nele não se inclui Santarém ou Rio Maior, Almeirim e Constança.

Não tem por isso 733370 habitantes mas sim, neste momento, um pouco menos de 500000.
Não tem a área que indicam, as cidades e vilas são em menor número.

O Alentejo que retratam não é o Alentejo que conhecemos todos, mas sim um Alentejo artificial que é urgente desconstruir.

Quando os estudos nos são apresentados de forma isolada por cada uma das NUTs III, ainda conseguimos fazer as devidas correções, agora – como é o caso – a informação nos aparece agregada a toda a NUTs II, o que nos é apresentado, não corresponde.

Obviamente que não se trata de um erro do INE e muito menos de uma opção própria, trata-se isso sim, de um erro – melhor: de uma aberração – legislativa.

O Alentejo ao Alentejo.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Ventania


Assim como se espalhadas pelo vento…

Pena
Herr Shauble tem pena dos portugueses.
Os portugueses de há muito que sabem que o que tem penas são as galinhas.
E outros pássaros, passarinhos e até passarões.
Cuide-se Shauble e cuide ele do seu Deutsche  Bank (a coisa está preta, não está, caro Herr?) e deixe os portugueses cuidarem de si próprios.

Juros
Desapareceram as notícias sobre taxas de juros.
Quando subiram, a culpa era do OE (que ainda não é) e não dos maus resultados da economia em 2015 (que já foram).
Agora que baixam, a que se deve?

Mariano
Este vizinho, atolado até ao mais empertigado cabelo, em escandaleiras de toda a ordem, também está preocupado e assusta os espanhóis: «estão a ver o que se passa em Portugal?».
Mas o que se terá passado em Portugal que tanto o assusta?

Produto novo
Consta que Portas será o novo comentador de Portugal. Talvez SIC, Talvez TVI.
Que produto, vão produzir agora?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Abjectividade



Obviamente que descuro o sublinhado que o corretor ortográfico usa para chamar a atenção de erro.

Sou recorrente neste tipo de erros.

E o título assim escrito relaciona-se com muito do que se passa na comunicação dita social.
A acompanhar a nova situação política há uma situação nova que finalmente traz para a claridade aquilo que existindo, estava um tanto ou quanto obscuro, ou seja, não há comunicação social livre, ou até mesmo só tendencialmente livre, mas sim, só um conjunto de serviços informativos formatados pela ideologia dominante.

Factos

Depois das eleições foram caixa-de-ressonância dos patéticos discursos da ilegitimidade da solução democrática encontrada para formar governo.

Depois, de novo, alinharam no papão europeu de não aprovação do orçamento. Sempre de cócoras no papel de aluno subserviente e queixinhas.

Agora agitam as bandeiras do irrealismo das metas.

Aterrorizam com a subida vertiginosa (nas palavras deles) das taxas de juro da dívida.

Ficamos a saber pelos seus importantes alertas que esses valores estavam hoje (às 09.45, porque às 09:46 os valores já podiam ser outros) ao nível de …2013. 2013?

Paralelamente, sabemos que em subida se encontram os valores dos juros de…Alemanha e França (Ai o irrealista OE Português os males que traz à Europa…)

E também sabemos que descem em Espanha; Itália e…Grécia.

Ah pois…

Os investidores querem lá saber dos pormenores (zinhos) das nacionalidades em Espanha, da não existência de Governo, dos problemas (zinhos) de Itália e da Grécia.

O irrealista OE do Estado Português esse sim, pode desequilibrar toda a Europa e pelos vistos é até responsável pela situação grave que se passa no Deutche Bank.

Realista era ele contemplar como definitivo o que nos disseram que era temporário. Manter a sobretaxa, os cortes nos salários e nas pensões e medidas «estruturais» semelhantes. Isso sim é realismo.

Mas os órgãos de informação do regime apresentam outros traços interessantes.

Na greve da função pública recente, aceitaram, divulgaram e não piaram sobre as percentagens de adesão divulgadas pelos sindicados.

Num tempo muito recente…

Divulgam também com fulgor todas as posições de BE e PCP que sejam contrárias ao PS no Governo.

Interessante…



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

SELOS de GARANTIA



Muitos de nós. Mas mesmo muitos. Temos uma fé inquebrantável (e a redundância não é mero exercício) em determinados selos de garantia.

Apostos eles e nada mais há para dizer e muito menos para duvidar, quer se trate de produtos, ou mesmo ideias.

Alguns exemplos:

Verdades cientificamente provadas:

Foi (é) quase sempre o arremate final em muitas discussões, quase sempre expressa assim: «desculpa lá! Mas isso está cientificamente provado».
E assim chegados, não há mais espaço para questionar, para procurar saber como foi o «processo científico» e muito menos para contra argumentar.
A ciência ao serviço de dogmas e a anular-se enquanto tal.

É verdade! Deu na televisão.

Pronto. Deu na televisão é verdade. Passou a ser real. Mesmo que algum tempo depois, em nota pequena, se tenha admitido o “erro”, o facto, só porque foi objeto de cobertura televisiva passou a real, mesmo que tenha sido só mera e grosseira encenação.
Por mim, inclino-me muito mais para partir de constatação contrária, ou seja…se “deu” na televisão convém ter alguma reserva…

A Europa não deixa.

Este é o mais recente dos dogmas. Se queremos diminuir o iva das bicas, se se deve taxar a 13 ou a 23 as ervilhanas ou alcagoitas, se … surge logo a questão derradeira: «Não pode ser! A europa não deixa! E se alguém argumenta: «então saímos da europa» é pronta a resposta: «Não pode ser…a europa não deixa».

Porra!
Não está cientificamente provado.
Não deu na televisão
E a europa não deixa.

Por isso. Porra não.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Um sério problema

Confesso que num primeiro impulso pensei em abordar a questão na base da ironia. E essa base residia no facto de parecer não fazer sentido falar-se e fazerem-se em Portugal eleições, quando se verifica que é «bruxelas» que dita as regras e as consequências do seu não cumprimento.

Quando esta abstrata figura, «bruxelas»,até com o IVA das nossas bicas se mete, creio que se justifica que a ironia passe para uma preocupação muito séria.

Em Portugal, os que passaram a vida a acusar outros de falta de patriotismo, assinaram de caras o que não conhecemos, mas cujas consequências são a mais grosseira perda de autonomia.

À luz do direito, tais compromissos, assumidos por aqueles em quem confiámos para garantir e fazer garantir a Constituição e o seu princípio central de soberania nacional, deveriam constituir-se como atos de traição à pátria e como tal, julgados.

E esses, têm nome. São os que assinaram Maastricht, Lisboa e outros tratados (atentados) à soberania nacional.

Mas não só não são julgados como ainda se arvoram em agentes dos usurpadores da nossa soberania. É ouvi-los clamar que não nos resta outro caminho que não seja o de cumprir, rigorosa e cegamente, o que «bruxelas» impõe.

Miguel de Vasconcelos, ao pé destes, foi um pobre infeliz. Não se estranha pois que tivessem acabado com o feriado do 1.º de dezembro.

Outros, com bocas mais pequeninas e culpas só assentes na estupidez que patenteiam, esganiçam: «pediram? pois agora paguem! e cumpram as regras».

Não se interrogam sequer sobre quem pediu e para que pediu e muito menos sabem que há mais mundo para além deste clube de bruxelas e que nesse mundo, todos os dias e a todas as horas se processam operações de dívidas públicas. E também não sabem que, todos os países, têm dívidas públicas e que os EUA têm uma das maiores do mundo.

No entretanto…energúmenos suecos, de rosto tapado, juntam-se em manada e atacam crianças filhas de refugiados.

Em paragens próximas confiscam os bens miseráveis dos refugiados lembrando práticas nazis em que nem os dentes (de ouro) das vítimas escapavam.

E «bruxelas» não age, não ameaça.

Sobre isto nada tem para fazer cumprir, o que é aliás isto ao pé do IVA da bica dos portugueses?

Jorge Sampaio disse que estamos prestes a ter um problema muito grave.
Não estamos prestes. Estamos perante um problema muito grave.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Contributos para um dicionário de europees

Contributos para um dicionário de europeês

Economeira – Ciência oculta que nasceu da implosão da economia  a cujos destroços associaram os ditames financeiros.

Divida – Sistema central da economeira através do qual se procede à moderna delapidação dos patrimónios dos povos.

União Europeia – Processo nascido de uma sucessão de medidas clandestinas lesivas da independência e soberanias nacionais.

Porreiro Pá – Grito de guerra proferido no final de uma das cimeiras clandestinas na qual se usurparam independências e soberanias.

Euro – Mito moderno sem o qual a vida não é possível. Moeda da economeira através da qual a Alemanha está a conseguir tudo o que tentou através das guerras e não conseguiu com estas.

Comissão Europeia – Grupo de ativistas da economeira que ninguém conhece de lado nenhum mas que põem e dispõem em todo o lado.

Governos nacionais – Delegados submetidos aos ditames da Comissão Europeia.

Parlamento Europeu – Coisa gigantesca com complexos de inferioridade.

Fundos Europeus – Fabulosa encenação para entretenimento e ilusão das vítimas da economeira.

Construção Europeia – Processo iniciado com base num projeto menos mau, mas que com o decorrer do tempo foi sofrendo alterações, o que, associado às escolhas dos empreiteiros, deu lugar a uma «coisa» prestes a implodir.

Democracia – Sistema anterior à construção europeia e com base no qual, os cidadãos escolhiam através do voto os seus governantes. Na atualidade, continuam alguns simulacros, mas os governantes escolhido têm de se subordinar ao «poder do escritório» de Bruxelas.

Eurocentrês – Corrente filosófica em torno da qual se constrói a ideia que a Europa é a União Europeia e que não há vida para além dela. Nos outros países do mundo anseia-se desesperadamente para que um dia os deixem fazer parte deste mundo maravilhoso. Os seguidores do eurocentrês que já uniformizaram a economeira, preparam-se para uniformizar outras áreas. Côr da pele; dos olhos, altura, formas de andar; língua e cultura, gastronomia e outras.

E por aqui, vamos cantando e rindo.