segunda-feira, 11 de abril de 2016

Silêncios

Silêncios

E tantas vozes…

Nomes
Saiu de cena, recentemente e pela porta pequena, um personagem que marcou – negativamente – a história recente do país.
As marcas que deixou ficam gravadas a betão e perpetuam o nome de amigos e colaboradores próximos enlameados nas mais diversas lamas.
É uma perda de tempo lembrá-lo.
Se este apontamento aqui trago é para falar de nomes e no caso das pessoas, só os uso em relação àquelas que fazem por merecer essa condição.
Nunca usei nome para me referir á personagem.
E não tenho a menor intenção de o fazer em relação ao substituto, até porque ele próprio não deve gostar muito do seu próprio nome, já que faz questão de usar sempre cognome.
Chamar-lhe-ei, já que recuso o uso do cognome, afilhado.
E tal designação ocorre em contexto bem português e com significado preciso: «aquele que é apadrinhado por alguém».
Nada mais.
Pois o afilhado, frenético, na ânsia de ganhar agora, o que o eleitorado não lhe deu, todos os dias aparece a falar de qualquer coisa. Mas é mesmo de qualquer coisa, porque das coisas sobre as quais deveria falar, fecha-se em copas.
Nada diz sobre a grosseira e malcriada intromissão do homem das dragagens e da reprografia (onde imprime as notas) nos assuntos internos de exclusiva soberania nacional.
Nada diz sobre as criminosas fugas aos impostos de que se tem somente pequena perceção neste levantar de véu através dos papéis do panamá.
É traço do seu frenesim Julgar que foi eleito para governar.
O convite ao homem das dragagens se outra coisa não configura (submissão) configura pelo menos uma perceção confusa sobre o Conselho de Estado. Trata-se de um Conselho de Estado ou de um Conselho de Chefe de Estado?

quinta-feira, 10 de março de 2016

Coroação

Coroação

O rei foi coroado.
Há festa nas ruas e luz nas nossas vidas.
E almas (de todos os credos).
Todos. Todos. Todos. Gostam do rei.
Não é verdade?!
Quem se atreverá a não gostar de homem tão gentil e fraterno?!
Se houver, merece ser chicoteado.
O rei assinará o édito.

Lembrete

Quando em eleições internas do PCP uma determinada eleição atingia valores próximos da unanimidade, ou quando num dos países do chamado leste se escolhia por plesbicito e elevadas percentagens o seu Chefe de Estado, abundavam as anedotas e os ditos sarcásticos.
Os que o faziam, parece agora, que perderam, todo o sentido de humor.
O PSD só tem um candidato e parece reunir unanimidade.
O CDS só tem uma candidata e parece reunir unanimidade.
O PR (eleito há pouco, com 52% dos 50 e pouco que foram votar) projetam-no agora como o senhor desejado e amado por todos (tipo, grande líder do povo).
O mundo está mesmo virado do avesso e a coerência está extinta ou em vias de extinção.

Tipo raposa

Todos conhecemos a estória. As raposas gostam muito de uvas.
Passeando uma raposa sob alta latada e não conseguindo chegar aos cachos de uva, comentava para si, numa tentativa de justificação, não tem importância, as uvas ainda estão verdes», mas deu um brusco salto, quando persentiu que alguma coisa caíra lá do cimo. Azar da raposa, tratava-se de uma simples parra.
Pois assim parece Passos Coelho. Não há dia (agora) que não diga que bem, enfim, temos um Governo (e a custo, aceita, legítimo) e ele até aceita que dure o tempo da legislatura. Mas de imediato dá um pulo brusco sempre que lhe parece que uma parra caiu ou está para cair.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Ufa

Sobre o que vai

Adeus ó vai-te embora...
Saudades...so do futuro.

Sobre o que vem

O tal com nome de esquentador, presidente da comissão liquidataria, afirmou que este (agora)é o homem certo no lugar certo.
Se não fosse...quem nos iria indicar?

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Évora Comercial


Anda por aqui grande azáfama discursiva em torno da construção ou não construção de um Centro Comercial, ou de dois.

É uma discussão, como não podia deixar de ser, quase sempre pautada por razões de ordem ideológica e quase sempre destituída de argumentação plausível.

As decisões sobre abrir ou não abrir, abrir um ou dois, assim como as decisões de abrir ou não abrir uma mercearia no meu bairro, são – desde que respeitados os condicionalismos legais – decisão e problema para os investidores.

Se “dá” ou não “dá” para dois é questão que, quem investe, não vai descurar com toda a certeza.

Sobre os impactos que tal ou tais aberturas poderão provocar no comércio de base familiar são questões que estes agentes económicos terão de ponderar e tomar medidas para evitar ou minimizar eventuais consequências negativas.

Não parece que a inexistência de tais empreendimentos, tenha até agora, de alguma forma, contribuído para a vitalidade do comércio de base familiar.

Para esta discussão também quero dar o meu contributo.

O «universo» de eventuais clientes (no caso, com base em estudo associado ao empreendimento cuja construção se iniciou a sul) é de cerca de 300 mil pessoas. Aproximadamente o dobro da população do extinto Distrito de Évora e menos um pouco, do conjunto da população do Alentejo.

Sobre tal número, importa ter claro que não há uma territorialização de origens definida de forma estanque. Francisco Xavier Fragoso, Alcaide de Badajoz, disse. «Badajoz é também núcleo comercial importante do Alentejo e esta construção pode afetar o número de portugueses que visita Badajoz» ao que posso acrescentar que também (a construção) poderá afetar, trazendo a Évora, cidadãos de Badajoz.

E os 300 mil, possíveis clientes, a existirem dois centros comerciais, ao repartirem-se, não passarão a ser 150 mil para cada lado, mas sim, continuarão a ser 300 mil que repartirão destinos.

O Fórum Almada, afirma no seu sitio na internet, ter 18 milhões de visitas por ano. Não vamos extrair daqui, que todos os portugueses e uma parte dos espanhóis, visitam anualmente tal espaço.

A visita a Centros Comerciais e as compras, são atividades sociais e por isso, as dinâmicas que eventualmente ocorram em consequência da construção  e entrada em funcionamento de novos espaços, só podem ser entendidas na base das dinâmicas sociais e não por força de réguas, esquadros e máquinas de calcular.

Viseu (cidade), tem aproximadamente o mesmo número de habitantes e tem em funcionamento dois Centros Comerciais (12 salas de cinema).

A área de influência é maior? Sim. Mas também é maior a concorrência de outros centros urbanos próximos.

Deixando opinião, que mais não pretende ser que opinião e não me constituindo como adepto muito fervoroso de Centros Comerciais, julgo que investimentos e criação de postos de trabalho são bem-vindos num território sedento de tal.

Continuarei a ir ao comércio tradicional à procura do nosso pão, do nosso vinho, enchidos e queijos, frequentarei a loja do meu bairro e tomarei café nos cafés da cidade e irei ao Centro Comercial ao cinema e talvez para jantar, para poder estar até mais tarde em conversa com os amigos sem ter de olhar para a cara de enfadonho do dono do restaurante que após as sobremesas servidas à pressa anseia que a gente pague e se vá embora.

Fontes: www.economico.sapo.pt e www.tribunadoalentejo.pt , respetivamente a 25.11 e 29.11

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Nação Valente

Nação valente?

Um dia…um dia…talvez tenhamos sido, mas agora nem nação, somos.

E nem sabemos como, mas não somos. E valente, ainda menos.

Alguém (talvez D. Sebastião, irritado e degastado com tanto nevoeiro), um dia, uma noite (não sabemos) entregou a alguém (que não conhecemos) as chaves do país (era de esperar que esta mania tonta de dar chaves a torto e a direito a toda a gente iria dar mau resultado) e agora aqui estamos.

Primeiro, ansiosos que eles aprovassem o nosso orçamento, depois que não irritassem os «mercados», e agora, temerosos, sob a ameaça de «procedimento por anulação das reformas» e de calças na mão com um Plano B que eles vão impor como A.

Entretanto vamos brincando ao faz de conta. Fazemos de conta que elegemos deputados, que escolhemos governo e que ratificamos presidentes.

Pois assim sendo, abaixo o 1.º de Dezembro. Eles tinham razão, onde já se viu ter um dia para comemorar uma nação restaurada que já não existe?!.

Mas procedimentos contra a estupidez dos senhores sem rosto, donos disto tudo (do Atlântico aos Urais) ninguém se lembra de instituir.

Será possível que sejam tão estúpidos que não vejam que a borrasca está a rebentar um pouco por todo o lado?

De um lado serão (estão) pseudo nacionalistas fascizóides a aproveitar o descontentamento (por força da humilhação imposta), de outro serão (estão) os povos nas suas justas manifestações de dignidade e a condimentar a situação derivada, a repugnante ganância dos agiotas.

Neste caldeirão a ferver faltam poucos ingredientes.
Dos estúpidos não rezará a história, mas nesta, terão de ser de novo heróis, os povos valentes.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

BOMBONS


Daqueles quase esféricos, pequenos, cobertos de pratas coloridas, com recheio, com que por vezes nos brindam quando nos servem a bica.

Austeridade de direita e austeridade de esquerda

Leitão Amaro disse na AR que a austeridade de esquerda é maior e pior.
Mas claro que é! Por isso é que ele a divide entre austeridade de esquerda e austeridade de direita.
Como a que acompanha este OE (que ele designa como de esquerda) não penaliza mais, como habitualmente ocorria, salários e pensões e abre pequenos rasgos de possibilidade de recuperação de rendimentos aos trabalhadores, então, para Leitão Amaro é má e pior.
Que no próximo, a austeridade, nesta perspetiva, seja ainda maior e pior.

Sinceridade

Durão Barroso afirmou: “agora não sou da política e o meu nível de sinceridade está sempre a aumentar”.
Confesso-me com alguma disponibilidade para acreditar neste fabuloso assomo de sinceridade a começar por fingir que acredito na condição em que ele se diz agora.
Mas, vamos ter que esperar muitos anos, muitos mesmo, para que o homem possa atingir um patamar de sinceridade mínimo.
Mas deveria iniciar processo semelhante no que diz respeito a ter vergonha na cara.

O incendiário, de novo

Pronunciando-se sobre o acordo de Governo, teceu ele (o que agora não está na política e quando esteve não era sincero) duras críticas porque ele envolve a esquerda radical anti europa.
Pró europa, tal como ele, são os proto fascistas húngaros, os amigos do Brexit, os que culpam os estrangeiros das culpas que cometem, os que confiscam os bens a quem procura um abrigo.
Para ele, os que defendem uma Europa dos povos, de respeito e partilha, uma Europa promotora da Paz e garantia de liberdade e democracia, esses são radicais.
Viva o radicalismo que não mata e não mente.

FMI

Cheira-lhe de novo a sangue.
Depois dos povos da europa vítimas da chamada crise da dívida, eis que se perfilam novas vítimas: os povos dos países produtores de petróleo.
Já anunciaram: haverá dinheiro…em troca de austeridade (daquela austeridade que o Leitão português gosta).

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Planeamento


Uns afirmam que planear é desenhar o futuro que se deseja alcançar, outros, associando-lhe um sem número de outros complementos (sendo o complemento ” estratégico” o mais usual, presentemente) entendem-no como instrumento de ação e uso corrente.

Muitos, fazem dele o seu ganha-pão e outros, um objetivo.

É sobre o planeamento como objetivo que quero dedicar este apontamento.

Todos conhecemos. Planos que dão lugar a planos e planeamentos que dão lugar a nada a não ser a mais planeamento.

Está agora na berra a temática da reabilitação urbana.

Todo o processo conducente a ela tem que obedecer:
A uma Estratégia Integrada de Desenvolvimento Territorial (um plano);
Um Plano de Mobilidade Urbana Sustentável;
A um Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano;
À definição de ARU- Área de Reabilitação Urbana (com plano);
A uma ORU – Operação de Reabilitação Urbana que têm de ser acompanhada por um Programa Estratégico (um plano).
À Elaboração de Planos de Por menor, que podem ser de Salvaguarda.
Aos respetivos projetos de obra.

Entretanto, nada.

Nem uma pedra mudou de sítio ou foi colocada no sitio onde falta, nem um canteiro viu arbustos, quanto mais uma casa reabilitada ou uma praça reutilizada.

A panóplia de instrumentos de planeamento e as discussões teóricas em torno dele, se a alguma coisa conduzem, é à inação.

Neste e noutros casos, planear é a melhor forma de não fazer.

A um plano, seguir-se-ão os planos necessários, para que nada aconteça, a não ser a produção de planos. 

E as cidades, principalmente os seus Centros Históricos, definharão.

E nos seus velórios encontraremos os planeadores, os decisores das câmaras que decidem sobre os planeadores e sobre os planeamentos e muitos outros intelectuais e especialistas.

E, com um requiem em tom de fundo, projetarão sobre as ruínas da cidade que foi, um power-point com a imagem da cidade do futuro que estão a planear para a cidade de que se despedem.