segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Catalão me sinto

De uma leitura breve de uma síntese histórica sobre a Catalunha, ressalta uma sequência de alianças, tratados, casamentos, períodos de independência, lutas, repressão, reis, rainhas, ditadores assassinos.
Não será pois dentro dessa densidade histórica e na história, porque não a conheço, que encontro os fundamentos para a minha simpatia com o processo em curso de independência Catalã.

A primeira razão residirá nas minhas convicções republicanas e na confrontação com o absurdo de em pleno sec. XXI aqui na moderna europa, subsistirem monarquias que têm homens e mulheres que dizem que são reis porque são filhos de reis e que os seus filhos serão reis porque e que…)

Que lata tem o partido do galego ao afirmar que o processo na Catalunha não pode ser levado a sério porque a Espanha não é o Sudão…
Não é mesmo?!

Outra razão reside na minha permanente recusa em aceitar a imposição e a tirania. O galego, há pouco tempo, defendeu a realização do referendo golpista que os golpistas levaram adiante na Venezuela. Defendia que era preciso dar a voz ao povo (na expetativa de o povo dar alento aos amigos golpistas do galego).

O referendo (farsa) realizou-se e hoje nem os seus cabecilhas querem falar de tamanho fiasco.
Na Catalunha, as autoridades nacionais (sim, a Catalunha é uma nação e tal está consagrado na própria Constituição espanhola) convocaram um referendo para perguntar aos Catalães se querem ou não continuar espanhóis.

E eis o galego, vociferando.
Referendo na Catalunha, não senhor. Os catalães não têm o direito de decidir o seu futuro.
E envia milhares de polícias que ocupam as cidades, agride milhares de pessoas (mais de 800 feridos), prende dirigentes, destrói locais de voto, apreende os boletins de voto, ameaça todos os envolvidos no processo.

E agora até  ameaça com prisão e execução dando como exemplo o que o um seu antecessor mandou fazer.

Como resposta ao clamor popular e à reação tímida que aqui e ali, alguns dirigentes na europa manifestaram face à brutal repressão, articulou os seus apaniguados para uma manifestação em Barcelona.

Nessa manifestação, que os organizadores proclamaram de unidade e diálogo, aplaudiram-se os polícias que agrediram os Catalães (até aos helicópteros da polícia enviaram saudações) e exigiram a prisão de todos os organizadores e apoiantes do referendo.
Bela manifestação de vontade de dialogar…

Não deixa de ser curioso, que o principal orador nessa manifestação tenha sido um Peruano (Llosa) habitualmente nesses lados das barricadas.
E falam de um milhão (perdão: 950 000 – os media é que depois falaram de 1 milhão) … e outros de 350 mil.
Não sei quantos foram, não estive lá.


E ao invés de agora se porem (o galego e os seus amigos) a contar manifestantes, porque não se dispuseram a contar votos?

terça-feira, 26 de setembro de 2017

O voto é a arma do povo
Ah pois…

A questão é procurar saber como usa o povo a arma.

Por vezes, tantas vezes, nem sequer a usa.

Outra, muitas vezes, usa-a para dar tiros nos próprios pés.

Em alguns casos, usa-a para cometer suicídio.

Mas, mesmo sabendo de usos erróneos e já que temos mesmo de falar de armas, mais vale um povo armado que um povo desarmado.

No Reino Unido querem agora alguns que o povo seja de novo chamado a disparar. (abrir link)

Ah pois, porque quando o povo não dispara no sentido que alguns querem, não vale. Tem de disparar de novo e outra vez de novo até acertarem.

Talvez para evitar estas perdas de tempo e o desperdício em munições, o nosso vizinho Mariano não quer deixar os catalães votar.

Não votam,não votam e não votam. Era o que faltava.

Confisquem as armas, prendam os dirigentes, se não resultar, prendam o povo. (abrir link)

O povo não pode votar.
Não sabe.

Ah pois…

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

CASSETES
Sempre do mesmo

Julgo saber que, pelo menos em tempos idos (não muito idos) se lecionava retórica nos cursos de direito.

Todos somos testemunhas dos excelentes resultados obtidos com tal formação por alguns. Para exemplificar, lembramos-nos logo do super ministro das decisões irrevogáveis.

O homem era (ainda será certamente) um verdadeiro artista nas entoações, nos ênfases. Com ele, os discursos ganhavam contornos de eloquência, de limpidez. De tal forma que todos acreditámos que a decisão irrevogável era garantidamente irrevogável.

Confronto-me agora com a dúvida se não será lecionada nos cursos de comunicação social uma cadeira sobre a arte da omissão.

A dúvida ressalta (pela enésima vez e pelas enésimas razões) sobre uma análise (para os que saibam a fronteira entre análise jornalística e informação, apelo a eventual correção) publicada na edição impressa do Público de hoje.

O tema: eleições na Alemanha.

Para além de em determinada passagem (que cito em seguida) ter ficado demonstrado que demografia não é garantidamente matéria lecionada nos cursos de comunicação social (ou então a jornalista em questão teve dificuldades de perceção). Veja-se o que escreve: Houve também um choque, a entrada forte no Parlamento da Alternativa para a Alemanha (AfD), que capitalizou com medos e descontentamentos vários, sobretudo com a entrada no país de mais de 800 milhões de refugiados, fl irtando com polémicas e retórica de extrema-direita — chegou a 13,3% dos votos”[1]

Ficámos a saber que o Die Linke, (5.º partido mais votado), foi pura e simplesmente omitido (rasurado) quer do articulado, quer mesmo da infografia que ILUSTRA o texto.

Na análise de outra analista ficámos a saber que esta nada aprendeu com a derrocada dos arcos governativos em Portugal, pois por sua douta sentença exclui o Die Linke do espaço governativo.

Omite a articulista que o Die Linke que ela afasta, obtém 18,8% no Estado de Berlim sendo a 2ª força atrás da CDU (tendo esta pouco mais de 20%); 17,2% em Brandenburgo (3.º lugar) e 17,8% na Pomerania Ocidental (3.º lugar) e que participa nos governos dos estados de Berlim; Brandenburgo e Turingia[2].

Omite que o Die Linke que ela nem sequer refere, subiu de 8,2% e 64 deputados (em 2013), para 9,2% e 69 deputados (em 2017).

Uma simples sequência de omissões das muitas omissões emitidas (com arte, diga-se).
Que nada mais são que expressão de vontades próprias.



[1] Público, 25.09.17 Pg (s) 2 e 3
[2] Com a valiosa contribuição da Wikipédia. 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

As falsas notícias começam a ser tema.
Já li, sobre o assunto, interessantes artigos escritos por conceituados especialistas na matéria.
Em inglês, como convém (não tem expressividade cientifica dizer em português, dizem-nos alguns) designam-se por “fake news”.
Em alguns meios académicos, em sequência, já falam de “pós verdade”
Rapidamente surgiram os especialistas no tema.
Ainda bem, acrescento desde já, pois num tempo recente, não existiam “falsas noticias” e os que as procuravam desmascarar eram olhados de soslaio.
Dei, o meu contributo, como se pode verificar nesta amostra de exemplos:

É evidente que me sinto reconfortado ao verificar que tem amplitude mediática a denúncia das “fake news”:


Acalento a esperança que o debate que agora parece ganhar amplitude, possa contribuir para que em grande escala, as pessoas comecem a perceber que o que tinham como noticia (informação certa) em muitas situações mais não são que construções que visam determinados fins (bem maliciosos, na generalidade).

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Geografias
Hoje deixámos de ser europeus

A Europa pode ser um continente (será?) pequeno, mas é grande em significações.

Conforme a data, ele (o continente) pode variar no conjunto de países que o compõem (uns, integrá-lo-ão antes de 1989 (muro de Berlim), outros após essa data).

A Turquia, será europeia, consoante os ventos de levante.

A Rússia (parte dela) depende, os Urais são muito inconstantes na sua localização (esperemos que não).

As posições políticas dominantes sempre definiram a composição e esta, como sabemos, variou muito nos últimos anos por força do «desaparecimento» (é assim que é usual ouvirmos) da europa do leste.

E eis que de novo regressam à Europa, países que antes não tinham esse estatuto.

Resolvida a questão do «leste», com muita frequência ouvimos falar da europa como o conjunto de países integrantes da U.E.

O Bréxit vem mexer de novo nas fronteiras. O Reino Unido deixará em breve de ser europa…
E hoje, o homem com nome de esquentador, apresentou ao mundo uma nova configuração conforme noticia que se pode consultar através do link seguinte:http://www.jn.pt/mundo/interior/juncker-esquece-se-de-portugaleuropa-vai-da-espanha-a-bulgaria-8767425.html.

Eu, geoconservador me confesso, continuo a considerar como Europa o que no link seguinte nos é apresentado: https://pt.wikipedia.org/wiki/Europa   


Constituída pelos países constantes da lista que a Wikipédia nos apresenta: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_Estados_soberanos_e_territ%C3%B3rios_dependentes_da_Europa

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Viragem à direita

Tenho esta tendência crónica de quase nunca estar integrado em maiorias  e de quase sempre discordar do que me é apresentado como amplamente consensual.
Dirá a maioria que se trata de uma patologia.
Pois.
Reafirmado o inúmeras vezes afirmado e assumindo-o, entendo por quase desnecessário dizer que não gosto do PR actual (do anterior nem me quero lembrar).
Não gosto do estilo frenético. Não gosto da presença obsessiva.
Também não gostava enquanto professor (corrijo: O Professor), ou seja (tivesse sido) o professor dos professores.
Sei que a maioria gostava do Professor e que gosta do PR.
Que lhes faça bom proveito.
Vem este escrito a propósito de o PR ter afirmado recentemente que, quando vira à direita, a direita nem repara.
Mas é perfeitamente compreensível.
Por um lado, porque não liga nem precisa, o pisca.
Por outro, porque não se trata de uma viragem propriamente dita, mas simplesmente de uma «adaptação» de tráfego à faixa mais à direita, da faixa direita onde circula.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Lembras-te?

Há muito tempo, que não passava por aqui.
Desde março deste ano.
Não passava. Pronto. Sem explicações.
Mas, episódios pequenos, daqueles a que por vezes ninguém dá importância, mas aos quais eu dou - vá-se lá saber porquê - fizeram com que sentisse a necessidade de aqui voltar.
Na Festa - do Avante, claro - um amigo tentou lembrar-me de uma afirmação minha a propósito das eleições autárquicas de 2013.
Lembras-te de teres dito que não era possível a CDU ganhar as eleições (Em Évora)?
Claro que não me lembrei.
Lembrei sim, que julgo ter dito o contrário.
Mas, como ter dito uma coisa, ou ter dito o contrário não me parece questão relevante (para o momento) resolvi não contrariar o meu amigo.
Mas,logo que  me foi possível, consultei o «espojinho», mas nada encontrei sobre o assunto onde pudesse aferir uma ou outra afirmação.
Não faz mal, até porque não tenho pretensões a seguir a carreira de adivinho, mas fez bem porque voltei ao «espojinho» de quem já tinha saudades.
Mas, caro amigo, poderei provar-te que a minha opinião sobre o resultado não era a que afirmaste.
Prevenindo situações futuras e porque se aproximam novas eleições autárquicas, deixo aqui registado: sou de opinião que a CDU vai de novo ganhar as eleições para a Câmara Municipal, porque...merece.
Um abraço caro amigo.

quarta-feira, 15 de março de 2017

A verdade e as suas construções


A História estará repleta de episódios de construção de verdades. Sempre se soube que, para atingir um determinado fim, importava que primeiro, se criassem as condições para a sua ocorrência.

Em linguagem corrente, designar-se-á por «criar o ambiente».

Para intervir no Iraque, «criou-se o ambiente» e inventaram-se armas de destruição maciça, para os serviços secretos Franceses matarem Kadhafi, tiveram primeiro que criar as condições «ambientais» e assim, de igual forma, em muitos outros sítios e em muitas outras situações.

Atualmente o processo é um pouco mais refinado. Se antes consistia no «bombardeamento» da mentira, que se queria fazer massificar como verdade, hoje consiste na pulverização (continuando a usar linguagem bélica, talvez um processo semelhante às bombas de fragmentação) de inúmeras mentiras de forma a criar a confusão generalizada.

O resultado é uma opinião pública desorientada, sem qualquer interesse em apurar a verdade e assumindo que esta – a verdade - é a que for mais bem construída e mais difundida. A verdade (que não sabe o que é) não interessa ao cidadão comum.

Confesso que já dei por mim a pensar se serão reais algumas das personagens. Vejam-se o loiro americano e o loiro holandês. Tão parecidos em tudo, com traços e posses inumanas. São gente? A mim parecem robots.

E as massas  – nunca fez tanto sentido, este termo – passeiam-se alheadamente por entre esta fragmentação, perdendo continuadamente a sua capacidade critica e a sua sensibilidade social e humana.

É incrível ouvir expressões do tipo: «eu não quero saber. Vou votar para castigar» - no caso, o voto era no robot loiro holandês».

Mas castigar quem? Diga-se que há uma grande carga de masoquismo nesta atitude anunciada.
Se não consegue espetar o prego, castigue e dê com o martelo nos seus dedos.

Vamos aguardar para ver quem sai castigado das eleições holandeses de hoje.

Pressente-se que se começam erguer, de entre a poeira causada pelas bombas de fragmentação, homens e mulheres que ainda dão valor à verdade e que gostam dela a corresponder o mais possível ao real.
Aguardemos.

terça-feira, 14 de março de 2017

A insustentável leveza das consciências pesadas


O episódio em torno de uma pretensa conferência, numa faculdade portuguesa, promovida por alguém que vangloria Salazar, virou assunto, politicamente correto e amplamente divulgado.
Bradou-se contra o ignóbil crime de violação da liberdade de expressão dos organizadores.
Os comentaristas de cartilha dedicaram-lhe extensas linhas e profundas análises, sob eruditos títulos, alguns deles de subtil carga irónica, tipo: “assim se vê a democracia do pc” ou “tolerância dia sim, dia não”.
A estes juntaram-se alguns políticos.
Ou seja, a tolerância que defendem, tem de incluir o direito de os outros fazerem a apologia da eliminação da liberdade do direito à livre expressão. Tipo, oferecer a outra face depois da agressão, coisa que nem os proprietários intelectuais da expressão, fazem ou fizeram uso.
Entretanto, ficou hoje a saber-se que o Parlamento Europeu, aplicou aquilo que define como severas medidas disciplinares, contra o eurodeputado polaco que proferiu uma série de idiotices sobre as mulheres.
Mas porquê, porque não se interrogam os mesmos analistas de cartilha? As medidas do PE não são violadoras da liberdade de expressão do eurodeputado?
Claro que a proibição da apologia do fim da liberdade de expressão e a punição ao eurodeputado são medidas que se integram na mais elementar ação pela dignidade humana e pelo pleno exercício da liberdade de expressão.
Assumir a liberdade de expressão como um princípio absoluto, pode ser um importante contributo para o fim da própria liberdade de expressão.
A liberdade de expressão pode e deve ser condicionada pelo respeito absoluto pela vida e dignidade humana.
O facto de cada um de nós ser hoje (os que o são) homens livres, não nos dá ou dará o direito de sobre um próximo, perorarmos a belo prazer, atentando contra a dignidade a honra dele.
Os homens são livres quando respeitam a liberdade dos outros homens.
Não são livres, os que defendem o fim da liberdade (como bem geral e de uso responsável por todos) e os que consideram que entre homens e mulheres, os primeiros devem ter a primazia porque são seres mais inteligentes.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Mulheres

Talvez porque a primavera se anuncia com uns dias quentes e cheios de sol.

Talvez porque para tal me deu na real gana.
Talvez por saudades.

Saio, talvez só por uns momentos, da longa hibernação a que me sujeitei.
Espero que o «espojinho» ainda esteja ativo.

Para escrever sobre mulheres.

Há dois dias distribuíram-se flores nas ruas das cidades. Mas não eram cravos.
Os homens preenchiam longas filas nas floristas.
As mulheres encheram os restaurantes ao fim do dia. Muitas saíram para a rua com cuidadoso esmero. Sobrancelhas, lábios, unhas, tudo muito bem produzido.
Vestiram as suas melhores e mais vistosas roupas.
Algumas.
Outras, foram para as fábricas trabalhar ao lado dos homens para desempenharem as mesmas funções e serem remuneradas por um salário inferior.
Ou saíram de casa às cinco da manhã, deixando os seus filhos sozinhos ou ao cuidado de avós velhos, para irem tratar das lides das casas e dos filhos de outras mulheres.
Outras, deslocaram-se para mais uma entrevista ou ao centro de (des)emprego à procura do trabalho que lhe falta.
Ou ficaram em casa, cuidando dos filhos e gerindo o quase nada para que chegue a quase todos.
E estas, que também gostam de flores, talvez ao fim do dia, alguém se lembre.
Talvez lhe baste um abraço cúmplice, do filho que regressa da escola ou do marido, companheiro e amigo regressando a casa.
Assim costuma ser nos outros dias, quando não são dias da mulher.
No dia das mulheres, as mulheres não passam todas, a ser mulheres iguais.
No dia da mulher, há mulheres que, tal como nos outros dias, vivem de superficialidades, arranjarão o cabelo, as unhas e as sobrancelhas. Irão jantar fora, com outras como elas.
Algumas enviarão sorrisos aos seus maridos que discursam e que falam da destreza das mulheres…quando em compras nos supermercados ou no papel exemplar de fadas do lar.
As mulheres de Temer e de Trump são mulheres.
Mas estas e todas as outras iguais, não são as mulheres que se evocam no 8 de Março.
Por isso, quando de novo vos oferecerem flores na rua ou quando marcarem novos jantares de mulheres para 8 de Março, não se distraiam.
Há mulheres e mulheres.

E a diferença não se atenuará, com quotas.

…porque será que tenho a sensação que andamos distraídos?!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O mundo do faz de conta


Vivemos no mundo de faz de conta e faz de conta que acreditamos.

Todos sabiam (fez até mesmo questão que assim fosse, que todos soubessem) mas …, fizeram questão de fazer de conta e…votaram (ou não) em Trump.

De que importaram as boçalidades, as provocações mais grosseiras à dignidade das mulheres, as declarações inumanas sobre negros, mexicanos, a tudo o que fosse diferente, se as mulheres, os negros, os mexicanos votaram nele? (ou não).

De que importa sabermos que os media nos mentem todos os dias, a todas as horas?

Sabemos, pois não somos estúpidos, que é mentira que em Alepo os Sírios bombardeiam durante dias seguidos um edifício onde estão 100 crianças (só 100 inocentes crianças, separadas dos familiares, mais ninguém) mas fazemos de conta que não sabemos, que é mentira.

Porque bombardeiam os Sírios um edifício onde só estão crianças?

Porque o bombardeiam e ele (o edifício) não colapsa?

Porquê, apesar da ferocidade dos ataques, ainda continuam 100 crianças, no edifício que os sírios continuam a bombardear?

Porquê, tendo passado dias, semanas, meses, a bombardear edifícios (com 100 inocentes crianças) hospitais (onde estavam velhos e crianças) escolas (onde estavam velhos e crianças), os Sírios derrotam os rebeldes (sim, em Alepo, são rebeldes e em Mossul os mesmos são EI)?

A toda a hora, com diretos que não sabemos de onde, somos nós os bombardeados.

Bombardeados com mentiras que sabemos que são mentiras, mas fazemos de conta que não sabemos.

Este mundo de faz de conta, já é perigoso.

Mas fazemos de conta que não sabemos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

É obra...


Há dias, um blogue do burgo, sob venenosa insinuação – que não fica nada bem aos pergaminhos ditos revolucionários dos seus autores – afirmava que o Alentejo tinha perdido, nos últimos 40 anos, metade da sua população.

Os 40 anos a que se referia, eram os 40 anos do Poder Local Democrático, balizados entre as primeiras eleições autárquicas (12/12/1976) e a presente data.

À afirmação, acrescentava: «é obra».
Insinuação tão primária e tão sem sentido.

Mas, concentremo-nos na afirmação.

A operação censitária mais próxima do início do intervalo, é a realizada em 1970. Nela, segundo o INE apurou, o Alentejo tinha então, 531191 residentes.

Em 2011, de novo por operação censitária, o INE apurou 509849. Portanto, menos 21342 (-4,01%).

A vontade de fazerem a insinuação foi tão grande que perdeu a noção do ridículo.

A perda de efetivos que o Alentejo regista a partir dos anos 90 é um problema grave. Não tem é (felizmente) a gravidade catastrófica que o bloguista lhe quis colar.

Se quiserem analisar a dinâmica demográfica recente (para além das perdas iniciadas em 90) podem analisar o êxodo dos anos 60 (e nem mesmo aqui atingiu as proporções que referem), assim como o crescimento muito positivo verificado nos anos 80 (precisamente a década de implantação do Poder Local Democrático).

Mas façam-no com rigor analítico.

Sem insinuações rasteirinhas.

domingo, 27 de novembro de 2016

Não, não morreram

Nem o comandante, nem o sonho.

Morreu o homem.

A Revolução Cubana preencheu o meu imaginario desde o tempo que me foi permitido imaginar.
E esse tempo começou quando comecei com muitos outros a trilhar os caminhos que a liberdade nos apontou.
Começou quando começou a liberdade.
Quando ficámos a saber que podiamos pensar o futuro a cores
Começou com a Reforma Agraria, com o tomar partido, com os movimentos de alfabetização de adultos, com as jornadas de trabalho voluntário.
E continuou mesmo quando a leste implodiram parte dele.
Quando aqui, com bastoes e mortes, destruiam pedra a pedra cada uma das coisas bonitas que haviamos construido.
E continua, nestes tempos de novo negros.
E vislumbra-se nos pequenos vislumbres de esperança.
Em vida, muitos quiseram matar Fidel.
Agora que morreu, querem matar-lhe o sonho.
Nao creio que o consigam.
Eu partilho-o
E sei que muitos outros, muitos, muitos mil, tambem partilham o sonho de Fidel.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Não fosse tanta a dor dos que sofrem...

E apeteceria ironizar.

Na guerra que quase todos foram fazer na Síria não há bons e maus.
Só maus.

Ou não será assim?!
Pelos vistos não é e há mesmo, bons e maus.

Maus, são os Sírios e os que os apoiam.
Bons, são todos os outros com exceção dos primeiros.

Se as «notícias» falam do objetivo de reconquistar Mossul (Iraque) tudo decorre em perfeita harmonia, quase tipo guerra de Raul Solnado, onde não há vítimas civis, hospitais bombardeados, crianças a sair de destroços. As baixas são sempre altas patentes do exército islâmico.

Se, pelo contrário, o «teatro das operações» - o que eles gostam desta definição- se centra em Alepo, então é um rol de desgraças. Ninguém disse até hoje quantos hospitais terão existido nesta cidade, mas seriam muitos certamente já que quase diariamente a aviação russa e síria destroem um. Dos bombardeamentos destes, resultam sempre e exclusivamente vítimas civis e em grande número crianças e velhos.

Infelizmente, o que contamos diariamente são mortes, muitas mortes.
E porquê e para quê?
Imensos e imorais interesses estão por detrás desta mortandade.
Geopolítica, dirão os analistas.
Canalhices, digo eu.

Nunca fui à Síria (e lamento não ter tido essa oportunidade) assim como não fui e também lamento, ao Iraque, à Líbia, ao Líbano, à Palestina, mas sei pelo que li e pelo que me deram a ver, que ali, nas redondezas e berço da nossa Antiguidade, existiam cidades bonitas, marcas civilizacionais deslumbrantes e povos como os povos de que fazemos parte.

Há uns tempos, quando dos seus diretos de Paris, era para mim impensável vir a dizer qualquer palavra elogiosa ao jornalista Paulo Dentinho (por muito alinhamento com o «sistema») mas, depois da entrevista que tantos viram, digo-lhe obrigado de forma sentida, por ele ter conseguido mostrar um pouco dessa terra, por instantes, por breves instantes, sem estar manchada de sangue, bombardeada, destruída e por ter contribuído para perceber (pela isenção que demonstrou) uma parte dos porquês e dos para quê.

sábado, 19 de novembro de 2016

Sonho de uma noite de outono

Sonhei que, numa bela manhã deste sereno Outono, nem um cliente, nem um sequer, entrava em qualquer uma das lojas deste grupo que se prepara para mudar a sede social para a Holanda.
E durante todo o dia assim continuou a ser.
Nada.
Nada houve nesse dia para registar a não ser o registo da magnífica tomada de posição coletiva dos consumidores portugueses.
Louco. Sonho louco. Apressam-se a dizer.
Retribuo dizendo: loucos, comportam-se como loucos ou pior…
Ao burro, para comer erva seca, puseram óculos verdes para ele a ver verde.
A nós, nem precisam de nos pôr óculos, mas se tal se tornar necessário, eles farão uma «promoção» e todos compraremos os óculos.
Mas são todos iguais, dizem-me alguns com um ratinho na consciência. Pois deixariam de ser, pelo menos este deixaria de ser e bastava o meu sonho concretizar-se, por um dia, só um dia.
Querem adivinhar se todos continuariam a ser iguais depois desse dia?
Experimentem.
Por um dia só que seja.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O comboio passante


Está viva a discussão sobre os malefícios da passagem do comboio no traçado proposto pela Infraestruturas de Portugal, no troço entre Évora (estação) e Évora Norte.

Este troço faz parte do Corredor Internacional Sul que visa ligar o Porto de Sines a Espanha e está integrado no Plano de Investimentos em Infraestruturas Ferrovia 2020.

O custo total estimado é de 626,1 milhões de euros e projeta-se a conclusão (traçado Évora /Fronteira – Caia) para o 4º trimestre de 2019.

Acreditando, em 2020, os eborenses poderão ir de comboio a Badajoz comprar caramelos.
Poderão mesmo?

Poucas são as vozes que anunciam a vertente de passageiros. Só se fala de carga e de carga passante entre Sines e Espanha.

Pois a ser assim, os benefícios para a cidade e para a região poderão cingir-se a…ver passar os comboios.

15 por dia, segundo declarações de responsáveis da IP,  com 750 metros de comprimento (ena) e carregadinhos e rápidos.  O plano já citado, refere que serão 51 comboios (uma pequena diferença).

Se não tem passageiros nem plataforma de carga para servir Évora e a região pois que vá passar longe.

Claro que o interesse não será a compra de caramelos (evidente ironia) mas sim a importância estratégica que o comboio poderá ter para a cidade e para a região.

Olhando só na perspetiva turística, ressalto duas possibilidades:

As praias do litoral alentejano passariam a ser as praias de fim de semana para muitos milhares de espanhóis que poderiam usar o comboio em detrimento do automóvel e acrescentar assim rapidez, comodidade e segurança na deslocação.

Muitos alentejanos, principalmente da raia, fariam o mesmo.

Cidades Património da Humanidade (Évora; Elvas; Mérida; Cáceres) passariam a estar ligadas por comboio, tornar-se-iam mais próximas e disso resultariam dinâmicas acrescidas de procura.

A existirem benefícios, sou de opinião que há lugar para a discussão e para a aceitação de medidas que possam ser de mitigação para os problemas que um projeto deste tipo acarreta.
Se não existirem e sabendo que eles existem para o país, pois que o «país» não sacrifique Évora e estude e aplique um traçado que se afaste da cidade e afaste esta dos inconvenientes de comboios passantes.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O que Marx não disse...

 

Ou talvez tenha dito

 

Ele disse que o capitalismo acabaria por implodir minado pelas suas contradições internas.

O que são então as explosões que estão a ocorrer pelo mundo fora?

Para os analistas de alcofa, devotos de uma sebenta rançosa, são meros percalços de caminho, que o «sistema» depressa corrigirá.

Corrigirá de facto?

Algum dia quererão eles (os ditos) procurar saber o que se passa realmente?

Não creio e não anotei a mais pequena tendência para tal.

A pergunta mais honesta que se ouviu (a propósito da Trumpada) foi: «Como foi possível?»

Mas creio que subjacente, não estava a dúvida, mas sim a estupefação.

Pois fiquem sabendo que as explosões que se ouvem podem não ser mais que o culminar do processo de implosão da engrenagem.

Vocês, os analistas, ainda vão continuar com os vossos doutos saberes.

Tão doutos que nem se apercebem que quase só vocês se convencem da sua «bondade».

Mas

Marx parece ter esquecido de alertar para a gravidade dos danos colaterais.

E não o tendo feito, os desempregados, os sem direitos, as mulheres, os negros e todo um vasto leque de «desesperados» que votando Trump,  contribuíram para mais uma deflagração interna, irão também ser vitimas – senão as primeiras – dos nefastos efeitos da explosão.

Mas será que não disse, que não alertou mesmo?

Uma releitura (sim, porque toda a gente leu Marx – se não, não citavam, não é verdade?) de 0 “18 de Brumário”, talvez se aconselhe.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Bebam mais uma que pago eu


Soeiro Pereira Gomes dedicou «Esteiros» aos filhos dos homens que nunca foram meninos.

Com as salvaguardas por mais que evidentes, dedico este escrito de hoje aos boémios revolucionários que acordaram tarde para a revolução e que se entretêm dizendo mal dos que a fizeram.

Estes boémios revolucionários fazem quartel-general ali para os lados do Palácio do Barrocal, mais propriamente na esplanada que fica no seu átrio. Regam abundantemente as suas teorias e ao invés de pokemons caçam temas fraturantes.

Extinção de comandos, uso de pesticidas que queimam ervas, abundancia de ervas (por não uso do pesticida), cidade suja, grupos desportivos com dinheiros públicos.

São só alguns exemplos. Uns de natureza mais abrangente, outros bem locais.

Salta à evidência que estes boémios revolucionários estão em campanha eleitoral. E fazem-na, com a arte do que sabem fazer: dizer mal (principalmente de comunistas).

Agora é de novo o comboio. Que faz barulho, que corta a cidade. Que faz tremer as casas.
Évora não merece que o comboio aqui passe causando todos estes danos. Comboios nos centros de cidades só em cidades que em nada se podem comparar a Évora, como sejam Madrid, Barcelona, Lisboa, Porto, sei lá quantas mais.

Pois eu quero o comboio. Com medidas para atenuar ou eliminar consequências negativas (atrito, som, atravessamento da linha).

E quero o comboio «completo», ou seja, que por aqui não circulem só comboios de mercadorias, mas e também de passageiros e neste último caso com paragem e possibilidade de embarque e desembarque.

Porque eu quero ver passar (e parar) os comboios.

E vocês, boémios revolucionários, bebam mais uma que pago eu.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Regresso


O «espojinho» regressa e por agora vai focar-se (não em exclusivo) à cidade.

Sabe que é tema “arenoso”, mas assume os riscos.
O que agora por aqui é tema central, é o estado de limpeza (ou da sua ausência) de praças e ruas.
Nos borrões blogueiros do burgo estampam-se escritos que expressam as raivas e as frustrações diversas.
Num ou noutro caso, genuínas expressões de descontentamento.

E é no campo destas últimas que o «espojinho» se centrará, quer para as questões da higiene pública, quer para outras áreas.

A cidade está de facto suja. Os matagais abundam. As sarjetas cheiram mal.

As causas para tal situação serão várias. A autarquia centra-as exclusivamente na escassez de recursos humanos.
Tal escassez pode ser causa principal, mas outras razões existirão.

No que à autarquia diz respeito (no que concerne aos recursos humanos) poderá começar por avaliar gestão (p.e. : grandes equipas, ou áreas específicas sob responsabilidade de equipas mais reduzidas?), planeamento (p.e. horários, dias de descanso, férias), capacidade de motivação e  o moral (não se entenda como “ a moral”).

Os recursos técnicos (máquinas) obviamente que estão condicionados pela escassez de recursos financeiros, mas devem ser priorizados investimentos nesta área.

Algumas questões “pequenas”:

Os contentores subterrâneos são solução ou são problema? Em sua volta é uma verdadeira imundice.
Os caixotes da Gesamb  para a recolha selecionada não são uma aberração?
Os oleões deveriam imediatamente ser retirados e a Gesamb obrigada a reparar as zonas encharcadas de óleos que as circundam.
De certeza que não há uma viatura com problemas de estanquicidade? O rasto que fica nas ruas parece indicar a existência de problemas a esse nível.
Há fiscalização (na hora de fecho de restaurante e bares) quando arrastam sacos de plástico rotos deixando atrás de si um rasto de sujidade?
Se há, que penalizações foram aplicadas aos donos dos restaurantes e bares sitos na Alcárcova de Baixo (e limítrofes), na Praça Joaquim António de Aguiar, na Rua Nova?
O relvado da Praça Joaquim António de Aguiar virou parque canino? – Se sim, indiquem-no para evitar que as crianças brinquem naquele espaço que julgam verde e limpo.
Quantos proprietários de cães já foram autuados por força da conspurcação que deixam com os passeios noturnos que fazem?
Experimentam o período entre as 20 e as 22 na denominada estrada das piscinas.
Que medidas tomaram para controlar a praga de pombos?
O horário de recolha no CH é o melhor? Pelo menos nas zonas de bares e esplanadas deveria ser alterado.

A cidade está suja.
É preciso agir.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Autuações

As sanções nada mais são que revanche.
E assim sendo, não percebo as caras de pau, para não usar outra expressão, de Passos e Luis.
No mínimo parecem não ter vergonha alguma na cara.
Caladinhos, talvez alguns se esquecessem, mas assim?

A atitude deles, fez lembrar uma estória antiga, passada na minha terra.

Um soldado da GNR, zeloso e sempre disponível para apresentar serviço, ao ver que o pai se aproximava de bicicleta, logo se pôs impante à sua frente e mandou parar e apresentar documentos.
O velho, incrédulo, cumpriu.
O guarda, circundou, circundou e finalmente exclamou: Vou ter de o autuar, a luz da frente está fundida.
O velho balbuciou: mas é dia e bem claro e foste tu que me emprestaste a bicicleta.
O guarda ripostou no tom habitual com que os guardas ripostavam naquele tempo:
Nada de conversa. Está autuado.