segunda-feira, 18 de maio de 2020


Estardalhaço

Há os que gostam de estardalhaços por ignorância e os que gostam deles para fazer crescer a ignorância.

Uns e outros constituem-se como factos preocupantes.

O resultado do estardalhaço é sempre um estardalhaço maior.
Uma maior ignorância.

Em torno da pandemia têm sido muitos os estardalhaços.
Aqui no burgo, porque a Câmara não desinfectava as ruas, os agitadores de estardalhaços, «os intelectuais de rede» utilizando todo o requinte do seu linguarejar heróico (e quanto mais anónimo mais heróico) bradavam para a incúria, a atitude criminosa, a vergonhosa atitude dos edis.
De nada valeu a edilidade argumentar que tal procedimento não estava a ser recomendado pelas autoridades de saúde.
O estardalhaço é a negação do esclarecimento.
Sabemos agora, afirmado pela DGS – Direcção Geral de Saúde – que para além de não haver nenhuma utilidade na pulverização das ruas, podem resultar desta, efeitos contrários ao proclamado.
Outro estardalhaço e este de dimensões bem maiores, tem a ver com a Festa do Avante. Seguindo o democrático exemplo que nos vem da Hungria[1] em que o ditador governa por decreto – em nome, diz ele, da saúde pública – queriam alguns  dos heróicos intelectuais de rede que a Festa do Avante fosse desde já proibida por decreto.
Um desses, que aqui já designei de croniqueiro, em croniquice recente, vem apelar ao fim do medo, que não podemos tolher-nos, pois os números não são assim tão «negativos».
Não podemos não. E muito menos temer uma Festa que é uma Festa de Liberdade – Uma Terra de sonhos nas palavras do poeta.
O que os organizadores da Festa sempre disseram e repetem é que “se as condições o permitirem, eles realizarão a Festa”.
Creio que a generalidade dos portugueses desejará que a Festa se realize, pois isso significará que as condições o permitem, ou seja, que em setembro não estaremos confrontados com números da pandemia que nos deixem preocupados.
Disse o Sr. Presidente – o afável – que o vírus não ganha caracterísiticas diferentes por força da diferença dos organizadores de determinados eventos.
Estou em crer que está certo. Alguns responsáveis é que fazem comentários diferentes por força da diferença dos promotores.
Hoje mesmo (e relacionando-se o tema com outros estardalhaços), a OMS emite comunicado em que afirma não conseguir provar que o vírus se propague através das superfícies e reafirma que a forma de propagação é o contacto íntimo e as gotículas expelidas.

A investigação, que conduz ao conhecimento científico,  é um processo dinâmico, caracterizado por uma constante preocupação  em aproximar-se do real, em «conhecer a verdade».

E sempre que atinge determinado estádio, fez uma aproximação, não uma conclusão em definitivo.
Esperemos que nos tragam, os cientistas e investigadores, cada vez mais aproximações ao real.

Por aqui vamos-nos confrontado com os que parecem gostar do contrário ou seja, do estardalhaço.



[1] Neste país da União Europeia já foram presos dezenas de cidadãos por publicações em Facebook

quinta-feira, 14 de maio de 2020


«Caixas»

Está identificado o caminho para uma sociedade sem liberdades.

Os ensinamentos recentes trazem-no à evidência.

Partindo dos factos brutais e dramáticos com que a pandemia nos faz confrontar todos os dias, podem - os que a ela aspiram (a sociedade subjugada) - no futuro, partindo de situação real ou inventada, condicionar a democracia e aplicar-lhe, no momento oportuno, o golpe final.

E muitos de nós vamos olhando para o lado e outros dizem-me para não exagerar.

Mas estaremos atentos?

Entre máscaras e confinamentos, não vislumbrámos nada?

E os jornalistas, ou melhor, os que escrevem nos jornais, que gostam tanto de «caixas», não se apercebem que estão encaixotados?

Serão capazes de imaginar, por um breve momento que seja, como seria a sua profissão e a sua vida, numa sociedade sem liberdades?

Uns, poucos, seriam arautos do regime e protegidos deste, enquanto lhe cantassem loas.

Os outros, a grande maioria, aqueles que não tenho dúvidas, são pessoas que gostam tanto da liberdade quanto eu, teriam certamente uma vida muito negra.

Como todos nós.

Apre.

quarta-feira, 13 de maio de 2020


O croniqueiro 

Creio que todos nós acreditamos que as preocupações com a Festa do Avante são unicamente assentes em razões de ordem em protecção à saúde e não em outras.

Sim e também acreditamos em duendes, no pai natal, nas qualidades democráticas de bolsonaro.

Um personagem com lugar croniqueiro em jornal nacional, ouvindo o seu eco, falava de clamor contra as comemorações do 1º de Maio e do efeito que este iria causar ao PCP e à realização da Festa do Avante e antecipou que esta iria ser proibida.

Apressadinho, esqueceu-se de muitas variáveis...

A primeira das quais prende-se com o facto – o simples facto – que a atividade dos partidos – enquadrada Constituição -  não está condicionada a decretos do tipo agora pode, agora não pode.

Não existirão muitas dúvidas, que a vontade subjacente ao croniqueiro, era que nunca pudesse.
Agora, por causa da pandemia, depois por causa da gripe, depois por causa de, sabe-se lá...qualquer coisa.

E é interessante verificar que a preocupação croniqueira, começou com as Comemorações do 25 de Abril, continuou com o 1º de Maio e centra-se agora na Festa do Avante.

Julga-se o croniqueiro, o juiz dos comportamentos. Ele sim age responsavelmente. Todos os outros são irresponsáveis.
Pois cuide de ser responsável que os outros, os que comemoram Abril, o 1º de Maio e que irão à Festa do Avante sabem e de há muito, cuidar de si e dos outros.

E é  por o saberem que comemoram Abril (o que lhe faz urticaria), comemoram Maio (o que lhe causa dor) e que se unem em Festa na Festa do Avante (o que lhe repugna).

Pois que trate da urticaria, da dor e da repulsa.

Que nós participaremos responsavelmente no processo de salvaguarda da saúde e do bem estar dos portugueses ao mesmo tempo que – também por isso – participamos no processo de defesa e salvaguarda do Portugal de Abril.

quarta-feira, 6 de maio de 2020


Cercas

Cerquem tudo. Cerquem a ideologia. Cerquem a esperança. Cerquem a fé.

Cerquem tudo.

E teremos um mundo cercado. 

Como nas cidades na idade média e em outras idades parvas, quando se recolhiam para dentro de muros, os que dentro dos muros tinham direito a ser recolhidos.
Fora de muros, ficavam os outros.
Cerquem Maio, o primeiro e cerquem a esperança.
Cerquem Maio, o de Fátima e cerquem a fé.
E vejam o que vos resta, seus analistas ajuizados.
E questionem, se puderem e forem capazes, a sensatez dos vossos juízos.

terça-feira, 5 de maio de 2020


Proibir

Dou por mim a interrogar-me sobre as causas para a apetência natural, que nestes dias tem tido expressões diversas, pelo uso da palavra e do ato de proibir.
No âmbito da Administração Pública e das forças policiais são mais que evidentes essas expressões de apetência e até um certo gostinho pelo uso.
Do confinamento como dever cívico ao confinamento obrigatório está a proibição que alguns querem fazer à livre circulação.
Se a coisa pega, o voto como dever cívico passa a obrigatório (assunto que até é de interessante discussão) num abrir e fechar de olhos.
Mas não se cinge às forças policiais e à administração pública. Veja-se o entusiasmo e até a exaltação de certos pivôs com que pronunciam o verbo e fazem questão de generalizar, para depois, quase em surdina, referirem a excepções.
A partir de amanhã o uso da máscara passa a ser obrigatório – um exemplo – quase gritado e em tom de meter medo ao susto, para depois referirem, na surdina a que aludi, ...«nos transportes públicos, em espaços públicos e fechados».
Nas forças policiais podemos aceitar que hajam razões assentes em defeitos de formação, no dever de obediência sem questionar e até mesmo numa determinada herança genética.
Agora o que não se compreende é que essa apetência venha de jornalistas, que precisam da liberdade como o motorista precisa de ter carta de condução.
Na resposta à pandemia, começámos bem. Interiorizámos comportamentos e agimos responsavelmente, mas estamos a descambar e a praticar e a permitir que se pratiquem atos inqualificáveis de violação da liberdade de cada um de nós.
Que nunca, mas mesmo nunca, estas apetências e práticas me empurrem para atitudes que em alguma forma ou conteúdo se possam assemelhar a atitudes que renego.
A liberdade é um valor supremo.
Alguns e algumas deram a vida por ela.

sábado, 25 de abril de 2020

25 de Abril
Confinado

Está a ser estranha a festa pá.
Confinados em casa.
Com cantos isolados e desafinados em algumas janelas e as ruas quase sem ninguém.
É preciso que assim seja, dizem-nos.
E acreditamos e não temos alternativa a não acreditar.
A tragédia tem expressões imensas.

Tem outro sabor a liberdade quando se festeja assim. Há o não sei quê de uma sensação estranha, uma certa maneira de lhe dar mais valor.
Sabemos melhor, de forma dura, o valor da sua ausência.

Mesmo que as razões, para este confinamento,sejam as mais bem fundamentadas do mundo.

E é também estranho a sensação que se vai tendo de que existem os que se começam a habituar e até a gostar.
Se saio à rua para comprar pão, apanhar sol, desentorpecer as pernas e as ideias, há sempre um que mostra um olharzinho de repreensão escondido atrás de uma máscara, por detrás de uma cortina
ou através da janela do carro em que se desloca. Ou que denuncia o comerciante que tem seis pessoas na loja quando só devia ter cinco.
E que julga que é sempre o outro que o vai infectar.
E que brada para que todos fiquem em casa.
Como se todos o pudessem fazer...
E quem faria o pão que ele come?

Não voltámos aos bufos, pois não?!

Confinados, porque tem de ser, mas livres.
Os que querem que nos habituemos a não ser livres...que vão àquele sitio.

VIVA A LIBERDADE



terça-feira, 21 de abril de 2020

Noticias

Uma das muitas estações de televisão a que se seguiram as outras (a tal ponto assim é sempre que nem sei porque carga de águas, não há só uma) passava insistentemente (as outra imitaram, obviamente) em nota de roda pé "ULTIMA HORA - Cavaco Silva não vai às comemorações do 25 de Abril...ULTIMA HORA...."
Mas qual é a novidade?
Sim qual?
Sobre o mesmo tema, um articulista vociferava, com mais coisa menos coisa,: «com esta decisão, fica demonstrado que o que se pretende é demonstrar poder. Nós podemos, vocês não", referindo-se à decisão do Parlamento.
Assim do tipo de conclusão enlatada, ou seja, como se o Parlamento estivesse a decidir uma sardinhada ou uma patuscada com amigos».
Como se o ato solene a que se propõe não fosse o ato evocativo (e de afirmação) dos valores da democracia e da liberdade. O ato fundador do país que somos.
E o ato que reafirma não querer voltar ao que fomos.
Mas compreendo. Nestas e em atitudes similares o que se expressa para além do ódio que em alguns é visceral pelos valores de Abril é também o ódio ao Parlamento (aos políticos...).
Se existisse um chefe era tudo mais fácil, não é verdade?
Mas não, não existe chefe.
Existem democracia, liberdade e submissão à vontade popular.
E são estas as questões que fazem cócegas em certas barriguinhas.

Admito que o articulista goste de sardinhada.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Despudor (s) despudorado (s)

Escrevia a cronista que, as exigências de aumentos salariais para a Função Pública ( de 1% em 2021) eram expressão sem pudor e comportamento inaceitável por parte de partidos (alguns) e sindicatos.
Não creio que se tenha interrogado, enquanto dedilhava, por um segundo sequer, sobre o pudor com que fazia tal afirmação.
Se a crise é de finanças públicas, então com todo o pudor, chamam-se os funcionários públicos a suportar os seus custos.
Se a crise é orçamental (regras face ao deficit) de novo são chamados os mesmos.
Se é sanitária (pandemia) idem.
É uma perspectiva discursiva destinada a ter êxito. Principalmente se o espera  (o êxito) de quem odeia o «público» porque ama o lucro privado, de quem não gosta de se interrogar e vê sempre nos outros as culpas, de quem está contra porque está contra, porque a vedeta dele está contra.
Sem pudor, poderia resumir muito facilmente, o universo daqueles onde tal discurso tem êxito, entre ressabiados e estúpidos.
Provavelmente, a cronista, nessa noite, saiu à janela para aplaudir os profissionais de saúde pelo seu importante papel na luta contra a pandemia.
Nada me leva a crer que não tenha incluído, nessa sua homenagem, para além dos médicos, os enfermeiros, auxiliares, técnicos de diagnóstico, tripulantes de ambulância, bombeiros, guardas republicanos, policias.
Creio, que terá passado também por essa sua tão nobre atitude,  a vontade de incluir investigadores (das mais diversas áreas), os homens e as mulheres que asseguram a limpeza (dos hospitais, das vias públicas, dos sanitários), os que fazem as refeições nos hospitais, os que tratam as águas que correm pelas nossas torneiras, que recolhem os lixos, tratam dos esgotos, lavam batas e desinfestam equipamentos e instalações.
Lembrou-se garantidamente de todos...
Todos funcionários públicos.
E com essa lembrança, veio a inspiração para considerar despudorada a justa reivindicação de aumentos salariais que há mais de uma década são negados aos funcionários públicos.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

LOUCURA

Estou farto de loucuras alheias e decidi que se é para tratar de loucuras, trato da minha própria loucura.
É insuportável a cacofonia dos discursos dos especialistas.
Já se conhecia esta propensão para a especialidade dos especialistas em outros assuntos e tempos, veja-se - reveja-se, pelo menos por parte dos que ainda dão uso à memória -os especialistas em economia e finanças que fizeram carreira na hoje denominada crise. Mas agora a profusão e diversidade é maior.
Há especialistas sobre uso ou não uso de máscaras. Sobre distâncias a manter face ao outro. Sobre sabões (azuis, brancos, líquidos) versus gel e percentagens de álcool.
Sobre curvas epidemiológicas (em pico e em planalto). Sobe duração e ondas.
Sobre efeitos na economia (um dos artigos de um estudo de especialistas referia que pode produzir uma recessão de 0,7% a 20% do PIB) - Podia ter concluído, o estudo especialista,  ser a recessão esperada de 1 a 21 de 20 a 40, sei lá...podia).
Pode haver uma segunda onda. Dizem. Pode. E uma terceira, e uma quarta e uma quinta. Pode.
Pode não ser possível termos férias no verão e a necessidade de as adiar para o inverno. Pode. Também podemos ter que as adiar para o ano, ou para o outro. Podemos.
Oitenta por cento da população mundial pode estar ou ter sido contaminada. Pode. Ou até mesmo cem por cento (ou até mais).
Escrevia alguém, no Público de ontem, sobre cidades e sob eloquente título "As cidades mortas". E foi a fartar vilanagem, desde «cidades mortas», a «cidades cemitério», a «cidades após bomba de neutrões».
Admitindo a loucura - estou a falar da minha - então o que nos preocupa? Para quê esta canseira toda dos especialistas em especialidades? para quê a profusão dos «pode»?
Se tudo morreu?!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020



BREXIT

A pouco mais de uma hora de os Britânicos (ou deverei dizer Ingleses) deixarem a U.E.(ou deverei dizer Eurolândia), confrontado com noticias de que uns festejam e outros lamentam , resgato da memória, o texto que aqui publiquei em 2016, antes do Referendo:

https://espojinho.blogspot.com/2016/06/texto-para-deposito.html


O engraçado da questão é que na torrente de noticias (ou encenações aparentadas) ainda nenhuma referiu a existência de uma verdadeira preocupação em apurar as razões que estiveram na base do sucesso do Brexit.
Para quê?

Siga o baile.

domingo, 13 de outubro de 2019


De novo ( e outras vezes se reptirá) sobre os resultados das eleições de 6 de outubro



Escrevia-se há dias (numa coisa chamada de semanário) que a CDU havia perdido 25% do seu eleitorado.

Assim , em modos de melhor entender a coisa, em cada 4 eleitores que em 2015 haviam votado na CDU, só três o voltaram a fazer em 2019.

Mais coisa, menos coisa, a coisa está certa.

Assim como também está certo que houve menos 287639 eleitores e menos 96615 inscritos.

Na distribuição, saem a ganhar o PS (+124489 votantes), o PAN (+92106) e os pequenos partidos que com pouco + de 1% dos votos chegaram agora ao Parlamento.

E a perder, para além da CDU, a familia da defunta PAF, que perde qualquer coisa como uns simples 436605 votos e BE que perde 57371.

Ditou o célebre sistema de círculos que da roda saíssem perdas sem correspondencia proporcional, de menos 22 deputados da família PAF, menos 5 para CDU e o BE não perdesse nenhum eleito.

Por enquanto ando à roda dos números.

Em matéria de menos, há muitos menos a referir.

Quero ainda voltar, pelo menos, à questão da proporcionalidade e ao que sobre ela está consagrado na Constituição da República Portuguesa.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Uma reflexão (primeira) em torno dos resultados das eleições legislativas de 6 de outubro, no Círculo Eleitoral de Évora

Inevitavelmente, começo por anotar o arcaísmo (e desajustamento a todos os níveis) do denominado «Distrito de Évora».
Os distritos já não existem (ressuscitam-nos para efeitos da administração eleitoral) e dessa forma continuamos a não discutir questões tão importantes como sejam a organização territorial (Região e Município: as formas constitucionais) e a forma de garantir uma maior aproximação à proporcionalidade. 
Pretendo, posteriormente, abordar a questão da proporcionalidade, mas deixo para já uma nota: se, a organização eleitoral compreendesse a Região Alentejo (considerando esta, para não complicar cálculos, como o somatório dos círculos eleitorais de Évora, Beja e Portalegre) estaríamos confrontados com uma distribuição de deputados com alterações à agora verificada.
Das eleições de 6 de outubro resultou, neste território, a eleição de 6 deputados pelo PS e 2 pelo PCP/PEV. Considerando a Região, a distribuição seria 4 deputados para o PS, 2 para o PCP/PEV, 1 PSD e outro BE.
Cingindo-me ao que me propus – uma abordagem aos resultados verificados no círculo eleitoral de Évora – realça-se que a diminuição é uma ocorrência generalizada: diminui o nº de inscritos (-4562), de votantes (-10591) de votos nos partidos (de maior expressão): (PS:-2974, PSD: - 4803, PCP/PEV: -4587, BE: - 688.
Em percentagem: PS:- 9,38%, PSD: -23,69%, PCP/PEV: -24,71%, BE: -9,4%.
A outra tendência é a diminuição da concentração dos votos nos partidos referidos, passando de 92% em 2015 para 87,5% em 2019.
Votos brancos e nulos (indicador que alguns gostam de por vezes dar realce) aumentam de 2,95% em 2015, para 3,7% em 2019.
Pelo que se pode concluir serem a abstenção e a dispersão (embrionária, mas com expressão) as notas dominantes a extrair da análise aos resultados eleitorais no círculo eleitoral de Évora.
Só como curiosidade referir as exceções seguintes (no que concerne à diminuição de votos obtidos pelos partidos de maior expressão): O PS não diminui nos Municípios de Montemor-o-Novo (+110), em Vendas Novas (+ 45) e o BE não diminui em Mora (+4) e Arraiolos (+4).
As perdas percentuais mais significativas ocorrem, para o PS, em Mourão (-27,40%), Reguengos de Monsaraz (-21.38%) e Portel (-16,47%).
Para o PSD, em Portel (-40%), em Alandroal (-39,64%) e Vila Viços (32,65%).
Para o PCP/PEV, em Alandroal (-34,87%), Reguengos de Monsaraz (34,87%) e Estremoz (-32,93%).
Para o BE, em Mourão (-31,65%), Vendas Novas (-21,54%) e Alandroal (-20,91%).

Outros números, causas e outras leituras, remeto para posterior abordagem.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Vou voltar.

Aqui sinto que há um abrigo para as palavras que escrevo. Um sitio onde as reencontro e me confronto.
E gosto.
Um sitio que me garante a privacidade que prezo.
Quando comecei, já lá vão uns aninhos, despontavam em forças as redes sociais, o Facebook e outras ferramentas da moderna coscuvilhice.
O espojinho é para mim a antítese.
O sitio onde as palavras redemoinham sobre si e onde depois pairam, sossegadas, disponíveis para as poder reencontrar.
Gostava e continuo a gostar.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Gaspachos

Porque lá fora, impiedoso, o sol fustiga,volto aqui.
E, a crer no que se anuncia, os próximos dias serão de calores um pouco acima dos máximos que alguns dias por ano se verificam.
Dizem os de barba rija: «já estamos habituados...» e correm a pôr os pezinhos de molho ou a bater uma soneca sobre esteira fresca.
Não se admirem pois que apareça por aqui mais vezes.
Sair não é boa ideia.
O asfalto derrete-se.
Uma mão na chapa do carro e é queimadura garantida.
As bermas das estradas, que deviam estar limpas mas muitas não estão, com matos tão secos e altos, assustam quando pensamos em fogos.
A água aquece de tal forma que se torna impropria.
A cidade não tem sombras e não tem bebedouros.
Claro que tem hotéis, frescos, com piscinas frescas e drinks frescos.

E é sempre a mesma coisa.
Por isso volto ao «espojinho»
Onde desabafo.

E para os que estão como eu e são muitos, deixo como sugestão para suprir a preguiça com que se preparam para enfrentar a preparação do jantar, que façam um gaspacho ou dois...

Gaspacho um (não digo «alentejano»para não ferir susceptibilidades aos puristas):
Ingredientes:
Meio pepino cortado em cubos pequenos
Meio tomate (com grau de maturação de salada) igualmente em cubos
Algum pimento verde (não muito) com igual tratamento
Meio alho pisado em sal.
Três dedos de linguiça em cubos
Azeite (uma colher de sopa por pessoa)
Um quarto de uma cebola pequena picada
Vinagre
Orégão a gosto.
Preparação
Numa tigela envolva os cubos de pepino, tomate, cebola e pimentão verde com o alho pisado, acrescente o azeite, os cubos de linguiça e ponha muitas pedras de gelo, acrescente água conforme o número de comensais. Ponha vinagre a gosto ( o gaspacho é um prato avinagrado), rectifique de sal e ponha cubos de pão duro.
Tem de estar muito fresco.

Se tiver uns jaquinzinhos fritos...

Gaspacho dois (não digo «andaluz» pelas mesmas razões
Ingredientes:
Dois tomates  maduros (Com grau de maturação para sopa) pelados e sem grainhas.
Meio pimentão verde.
Meio alho pisado com sal
Orégão a gosto.
Azeite (uma colher por pessoa)
Uma mão cheia de pepino picado em cubos muito pequenos.
Sal
Vinagre
Alguma gotas de molho inglês (heresia das heresias)
Gelo.
Modo de preparação:
Num liquidificador ponha tudo menos o pepino picado.
Escolha a textura a gosto (espessa- não precisa de água - mais liquida - acrescente água)
Depois de liquidificado acrescente os cubinhos de pepino e coma com uns cubinhos de pão alentejano bem endurecido..
Fresco. Muito fresco

Tanto um como outro dão para duas a três pessoas.

Bom apetite

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Smart Cities


Smart  Cities

Podem-se acrescentar outras definições.
Em inglês, como convém para dar um ar, digamos…erudito.
Podemos falar de cidades sustentáveis. Verdes. Ecológicas. Inclusivas.
Mas permita-se um comentário menos in.
As cidades, que deveriam ser gente, têm sido construção e automóveis.
Falamos muito de mobilidades suaves e descarbonizadas e desprezamos a mais suave e descarbonizada delas, andar a pé.
Permitam-me uma pequena novela:
Faço o percurso entre casa e o emprego a pé.
Num terço do trajeto o passeio tem a largura do lancil e espaço para um dos pés.
No outro terço, o passeio já é mais largo e por isso está pejado de automóveis que forçam a minha mobilidade pela via que lhes é reservada.
O piso dos passeios, onde há passeios com piso, é irregular e de pedras bicudas.
No piso (macio e liso) para os automóveis, onde tenho que seguir no terço do trajeto como disse, quando chove faz-se um lençol de água que em chuvadas mais intensas chega a ter a altura do lancil.
Escusado é dizer o estado em que fico.
Escaldado…queria escrever molhado, opto por me proteger colocando entre mim e as ondas de água projetada, o guarda-chuva, levando com a que cai do céu.
No trajeto, acabado o primeiro terço – o melhorzinho dos três em que dividi esta novela – atravesso uma bifurcação (?) e tenho de me munir de todos os cuidados. A visibilidade é nula e as velocidades altíssimas. Há um sinal limitador de velocidade – 30 kms mas creio que se esqueceram do 1 à esquerda do 3.
Atravesso mais duas vias que entroncam na via principal onde sigo. Numa, não tenho problemas, mas na outra que é um acesso a uma escola de gente com dinheiro para pôr lá os meninos e as meninas e para comprar grandes bólides, é correr para não ser passado a ferro.
E resmungam-me. Já dei por mim a pensar se um dia tenho uma cãibra a meio…ui…
Depois desta destemida e aventurosa travessia, tenho pela frente um passeio largo, qual oásis, que circunda um grande e moderno edifício sede de serviços públicos onde funcionam os serviços de planeamento e ordenamento do território.
Este largo passeio, já protegido em escassos metros por pilaretes metálicos, é, para mal dos meus pecados e dos meus companheiros de infortúnio, zona de estacionamento em massa e de atravessamento para estacionamento improvisado nas traseiras do edifício, para funcionários e utentes (e os utentes, por vezes, têm fardas e carros com pirilampos e dísticos de psp e gnr)
Garanto que se houvesse ao longo do percurso um banquinho para descansar, chegado aqui ou passado daqui, me sentaria a descansar um pouco. Se houvesse uma sombra…se houvesse um bebedouro…
Finalmente, estou na cidade velha. Aqui não se pode construir de forma moderna nem abrir vias modernas (para automóveis), cirando por entre pessoas por debaixo dos arcos. Até pode chover…o sol até pode estar impiedoso…
Aqui é a cidade velha.
Não havia, no tempo velho em que a construíram, smart cities.
A propósito, ou não, expresso aqui a esperança, que um dia, os que pensam as cidades, pensem que elas também são para as pessoas.
Parece-me.
E que andar a pé pode não ser piroso e de pobrezinho.

Horas e oras


Horas e oras…

Sabemos que os rios correm para o mar (mesmo que por vezes se juntem a outros rios ou descansem num qualquer lago) e por o sabermos, não duvido que aquele que agora contemplo esteja a seguir esse destino, mas não parece.

Tão calmo. Tão sereno.

São quase impercetíveis os murmúrios das suas águas.
Talvez porque o mar já esteja perto e ele não tenha pressa.
Talvez porque todo o seu trajeto foi feito devagar, calmamente na planície.
Talvez…porque é assim. É a natureza.
Quem criou o mundo teve falhas grandes e uma delas foi a criação do homem mas era um arquiteto paisagista de primeira ordem.
Ali, naquele sitio tão perto e aonde nunca tinha ido, tenho claramente essa perceção.
Oiço com perfeita nitidez as seis badaladas do relógio da Igreja.
Pouco depois, segundos talvez, oiço com menos nitidez, vindas do outro lado do rio, da igreja que se destaca no triangular casario branco, sete badaladas.
São sete horas em Salúncar e são seis em Alcoutim. Uma hora de diferença inventada pelos homens.
Umas breves remadas e os de cá chegam lá e os de lá vêm cá.

A obra da natureza está ali, imponente e bela.
A obra dos homens, troca-lhes as horas.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Uma gata no banho




terça-feira, 17 de abril de 2018


Tempo

Alguns, zangam-se e dizem que ele é rápido.
Que mal começamos e já se vislumbra o fim.
E zangados, queixam-se, vociferam. 
Passou tão rápido.
Ainda ontem…

Mas dispõem dele…
Quem não se queixa do tempo são os que já não podem dispor dele.

Por mim, resolvo não me queixar do tempo.
Mas queixo-me do que não se faz com ele
Ou do que se faz e não devíamos fazer.

segunda-feira, 16 de abril de 2018


Latoeiros

Sem ofensa para os que ainda usam a lata como matéria para o seu trabalho

Aquelas três figuras que basta olhar para elas para nos inteirarmos da confiança que nos merecem, mandaram sobre a Síria uma chuva de misseis.
Já tinham feito o mesmo em muitos outros sítios. Em alguns, ali bem perto, usando dos mesmos argumentos.
Se lhes desse para corar já não teriam rosto.
Veja-se agora a desfaçatez:

(clique)


Macron, já havia afirmado que não tinha declarado guerra à Siria.
Pois não, não declarou, nem para isso lhes sobrou uma réstia de vergonha.
Pura e simplesmente deu ordem para disparar.

sábado, 14 de abril de 2018


Pensar mói

E por vezes faz doer. Falo por mim.
Sei, também por experiência própria, que adquirir pensamento alheio -feitinho a preceito para tal fim – é mais fácil e não dói.
Por exemplo:
Pensamento fresco acabadinho de ser posto à nossa disposição: «Os EUA, o Reino Unido e a França fizeram muito bem em bombardear a Síria. Assad precisava de uma lição depois de ter lançado bombas químicas sobre populações inocentes».
Fácil. Todos vamos pensar assim. Vamos comentar assim e pronto é assim.
E se não fôr…?
E porquê bombardear na véspera da ida dos inspetores para investigar o propagandeado bombardeamento?
E que mandato tinha este trio de incendiários para bombardear um país soberano?
E?
Uff que canseira e ainda por cima é sábado.
Ide vestir o fato de treino adidas e ide comprar uns peixinhos de alguidar  ao super da moda.
Aonde esteja mais gente e aonde se esteja mais tempo em filas.
Dará para ver outros modelos (de fatos de treino) e para usar o pensamento adquirido (em grande promoção, diga-se) e para  empanturrarem o ego ao verificar que o doutor silva, aquele vizinho do audi que é chefe ou qualquer coisa ainda mais que chefe na repartição de finanças também pensa assim.
Bom fim de semana e bons pensamentos (estejam atentos às promoções).