terça-feira, 11 de maio de 2010

GRAFICO



Aqui só chega papa e por aí?
Abençoados lares com televisão por cabo e coragem para usar os que não projectem papa.
O país parou para papar. E por três dias seguidos como se espera de uma boda de renome.
Não mais deficit, nem desemprego, nem impossibilidades de satisfazer os empréstimos bancários, nem meses muito compridos para salários muito curtos. Só papa.
Pobre homem que se vê forçado a pedir que o deixem dormir.
Por mim…faça favor.
O que me preocupa é o sono dos que deviam estar acordados.
Quantos gritarão nestes dias, para as multidões paradas acenando bandeiras: vão mas é trabalhar malandros, como fazem quando nos manifestamos?
Os funcionários públicos que vão ter ponte forçada agora não são malandros?
Entretanto Brown demitiu-se.
A bolsa que ontem estava farta, hoje está com azia.
Os impostos ontem não subiam.
Hoje sobem.
O 13.º mês já está destinado.
A crise ontem era internacional.
Hoje é nacional.
Ao palácio onde mora agora um dos responsáveis pela crise, afluíram outros e juntos fizeram queixinhas dos responsáveis de agora.
Se em matéria criminal se diz que o criminoso volta sempre o local do crime nesta -com grande similitude - gostam de estar juntinhos.
Hoje foi possível sabermos, com referencia por distrito, as percentagens de católicos em cada um deles. Dizem que em Évora 83% - é obra.
Mas já que gostam tanto de dados porque não nos apresentam quadro com:
Ano
Valor do deficit das contas públicas.
Valor do saldo (exportações - importações)
Nome do Ministro das Finanças
Partido no poder.
Período de referencia: 1974 -2009.
Se possível em gráfico.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Mistura



O texto de hoje é um pouco como esta minha viagem, uma mistura de assuntos.
É que a viagem começou por ser ferroviária, passou para rodoviária e creio que ainda passará por ser fluvial.
Em pleno século xxi assim é. De Évora a Lisboa.
Mas não é sobre a viagem, o assunto, ou como já disse, os assuntos.
Na hierarquização confesso-me confuso. Atribuo primazia ao benfica campeão ou à visita do papa que amanhã se inicia.
Pelo meio a nuvem…mas estejam os fiéis (porque é tão frequentemente nome de cão???) descansados. Há um plano b.
Também empolgantes são as noticias dos espectaculares resultados (os melhores de sempre…faz-me lembrar o braga) do jogo de ricos a que chamam bolsa. Bolsou depois da míngua da semana passada.
Procurei noticias da renania mas só me davam das filipinas, porque será? Falo de eleições.
Na renania, ah… alemanha, parece que a direita levou tau tau a sério, passemos para outros temas… por exemplo…eleições nas filipinas, logo ali…
Na grécia, logo aqui, durante uma entrevista de sua excelência o senhor ministro da educação os professores ocuparam o canal de televisão e só à bastonada foram expulsos, sabiam ??? Claro, a nossa comunicação social é livre e plural, não repararam na notinha de roda pé?
Privilegiados dizem os entendidos. Não sabem fazer sacrifícios pelo seu país. Em portugal é a mesma coisa.
Julgava ter o capítulo do cenoura raquítica encerrado. Mas o homem não resiste. Antes da partida - para mais um sacrifício pelo seu país - insiste em mandar os recados de sempre : sacrificai-vos vós (que somos nós), diz ele.
Que grande mistura.
Parece, não parece?

domingo, 9 de maio de 2010

Bandeira Vermelha



Compreendo.
É normal.
Temos a visita do papa.
A nuvem.
O deficit e a grécia.
A turbulência nas bolsas.
O benfica campeão.
Que importância noticiosa pode ter uma efeméride tão simples como…
a que comemora a derrota do nazi fascismo e o fim (na Europa) da 2ª Guerra Mundial.
O fim de uma guerra que semeou destruição e morte. Milhões de mortes.
Inclino-me perante a memória das vitimas.
E procuro juntar o meu contributo ao contributo de tantos outros que insistem em lutar pela paz.
Hoje festejo a paz.
Se sair para a rua com uma bandeira vermelha ninguém me vai julgar doido.
Talvez aproveite.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Gravadores



Vou cuidar bastante da adjectivação e relatar só os factos e destes só parte.
Não vá o diabo tecê-las e sei dos riscos.
Um deputado, um senhor deputado, mete ao bolso dois gravadores que não são seus.
Acção directa, afirma.
Os seus parceiros aplaudem-no e elegem-no para mais uma comissãozinha.
Fim do relato.
Pronto. Fim do relato.
Esperavam que comentasse???
Livra!.
Assim de forma enviesada assalta-me o alerta, que há muito e repetidamente anda a ser feito sobre o crescimento de um fenómeno social que o Prof. Boaventura Sousa Santos denominou de fascismo social.
Atentemos seriamente nos seus desenvolvimentos

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Grécia


(foto da 1ª página do Público de 05.05.2010)
Sempre tivemos, por força da cultura, uma forte ligação à Grécia, mas ultimamente, mais do que desejávamos, ela tem sido ainda mais forte, amargamente.
De Sócrates aos ratings (porque não taxas?) um pouco de tudo associamos no presente ou por herança cultural da antiguidade, a este país.
Esperamos ficar por aqui.
O que está a acontecer neste nosso parceiro na europa e berço da nossa civilização é demasiado sério.
Os gregos estão a ser as primeiras vítimas do apogeu dos ataques aos direitos sociais de quem trabalha, que estão em curso há anos, um pouco por todo o mundo. Ali atingiram agora um nível nunca antes visto.
Coloquemos as nossas barbas de molho, pois as primeiras cenas deste filme que lá está em exibição há muito que aqui foram rodadas.
A tragédia ontem atingiu dimensões gritantes. Três pessoas foram mortas. Três pessoas duplamente vítimas das barbaridades de homens sem escrúpulos. Homens que em majestosos gabinetes, de olhos ramelosos e gulosos, miram o decote da «secretária», enquanto agendam mais um almoço e decidem o destino de povos inteiros.
Continuai assim suas bestas em forma de gente. Hoje são precisos oito mil policias, marinha, força aérea, exército, sis e outros para proteger o papa, amanhã quantos serão precisos para proteger os vossos bunkers?
Uma escrevedora de trazer por cá perguntava sob cândida capa, a propósito das trágicas mortes de Atenas: manifestantes ou terroristas?
Três vítimas. Três vidas humanas perdidas às mãos dos terroristas de Frankfurt, Wall Street e outras paragens fabricadoras de colossais riquezas à força de descomunais misérias.
É esta a resposta para esta escrevedora de meia tigela.
Há muito que especialistas (são todos aqueles que dominam determinados assuntos e a quem os «media» nunca perguntam nada) alertam para o perigo de uma explosão social em Portugal que pode assumir proporções nunca antes vistas neste país de brandos costumes, mas quem se devia importar, assobia para o lado e segue em frente.
De vez em quando arranjam um alarido para desviar as atenções e para poderem continuar.
Outras, arranjam um entretenimento. Uma visita de um papa por exemplo.
Até um dia.
Não como ameaça.
Mas como uma grande preocupação

terça-feira, 4 de maio de 2010

Um país ajoelhado



Apesar dos solavancos - projectamos TGV mas ainda temos linhas neste estado - consegui concluir as palavras cruzadas e agora cruzo os olhos para a paisagem que me projecta a janela.
E penso igualmente no papa, não que me tenha tornado seu seguidor, mas porque se aproxima a sua visita a Portugal e daí derivarem implicações várias na minha e na vida de todos os portugueses.
Tolerâncias de ponto, cidades bloqueadas, oito mil polícias na protecção de sua santidade, mobiliário urbano tirado, impedimentos de estacionamento, mobílias novas, palcos gigantescos e isto se só falar das coisas grandes…
Num país cujo o Governo nos disse que não tinha meios para aumentar os salários, que enche a boca a toda a hora a falar de crise, que nos aterroriza com o deficit, que nos ofende com a questão da produtividade.
Num pais com 700000 desempregados e dois milhões de pobres.
Num país cuja Constituição assegura a sua condição laica.
E nesse mesmo país, SESPR (Presidente da República) agenda passar todo o tempo de estada de sua santidade, de joelhos…já que não pretende faltar a uma missazinha sequer…
Somos um país ajoelhado.
Ajoelhamos perante o papa, ajoelhamos perante as agências especuladoras internacionais, ajoelhamos perante o Presidente Checo…
Aos governantes, alguns políticos - com destaque para as recentes crias saídas da cartola - empresários, economistas (alguns dos seus gurus) e toda a restante vassalagem do capital financeiro, ficar-lhes-ia bem um pouco de decoro ( e alguma coerência), mas como sabemos, é coisa que não cultivam e assim é vê-los nesse seu ajoelhar colectivo como se assim conseguissem purgar todos (ou até mesmo, algum) os seus pecados.
Mas o que dói é verificar que muitos dos esquecidos da igreja do papa que vem de visita, também ajoelham e acham bem, mas estes certamente pensando que assim poderão acalmar o deus que tem sido tão impiedoso para consigo.
Com todo o respeito do mundo para com os católicos crentes e que como eu querem um mundo melhor para os homens:
papa não, muito obrigado.

domingo, 2 de maio de 2010

Para os galaritos emproados




S (M/O)S aos Maria vai com as outras

Aos meus amigos, que vão lendo os meus desabafos, peço hoje mais um favor, remetam este S(M/O)S para os endereços de Maria vai com as outras que conheçam.
Todos conhecemos um número expressivo destas espécimes.
Reenviem-lhes então o texto seguinte:
“Para ti que pavoneias os teus ray ban enrodilhados nos teus cabelos talvez não lavados mas suficientemente pegajosos de gel, que julgas deslumbrar pelo lagarto do teu polo, que gastaste uma pipa de massa nuns sapatos de vela onde surfam os teus mal cheirosos e que consegues conviver com o fedor que libertam os teus sovacos besuntados com boss na simbiose gorjitada com a água de colónia lacoste, para ti, sim para ti, que não tens onde cair morto, mas que passaste impante, olhando de soslaio e sobranceiramente pelos que estavam na praça, estes num assomo de coragem e dignidade a pugnar por um mundo melhor para todos, deixa-me dizer-te, também te incluímos nas nossas reivindicações.
Achas estranho?
Nós não.
Não passas de um pobre coitado.
Se quiseres fazer alguma coisa por ti, ainda estás a tempo.