terça-feira, 21 de novembro de 2017

Governo Regional

À semelhança do que já havia feito nas Grandes Opções do Plano para 2017, o Governo volta a incluir nas GOP 2018 a intenção da criação de “um novo modelo territorial assente em cinco zonas de planeamento e desenvolvimento territorial, correspondentes às áreas de intervenção das CCDRs.
Preconiza uma forma que denomina de democratização do funcionamento destas e esboça proposta para um Colégio Eleitoral a quem competirá a eleição do organismo executivo.
 Em 2017, ficou-se pelo plano e para 2018 planeia-se de novo.
Aguardamos.
Anoto no entanto que tal proposta não corresponde nem se aproxima à adiada regionalização administrativa do país que a Constituição consagra.
A concretizar-se, será mais uma peça, das várias que nos últimos anos têm sido criadas a retalho e para cujo processo não se vislumbra enquadramento constitucional.
Extinguiram-se os Governos Civis mas os distritos continuam a existir (pelo menos para fins de administração eleitoral); Criaram-se CIM (s) e estas são um misto associativo com institucional; extinguiram-se freguesias e criaram-se uniões de freguesia (sem que se perceba com que fundamentação legal; as regiões em que se suportam as CCDRs (meros arranjos administrativos de descentralização do poder central) têm a dimensão geográfica que os arranjos comunitários impõem (o Alentejo – para esses fins - inclui municípios ribatejanos).
O que agora planeiam, o que será? Como se chamará? Governo Regional?
Quantos membros? Como se vota? A quem se submetem os eleitos? Que competências? Que meios?
Sabendo – com base no esboço da proposta – quem constituirá o Colégio Eleitoral, teríamos no Alentejo – o Alentejo natural, de 47 municípios, sem municípios ribatejanos; a situação seguinte:
Eleitos em Câmaras Municipais
265
Eleitos em Assembleias Municipais (eleição direta)
795
Presidentes de Junta de Freguesia (membros de Assembleias Municipais)
230
Total de membros do Colégio Eleitoral da Região Alentejo
1290

Que, com base nos resultados eleitorais das últimas autárquicas (2017) teria a composição política seguinte:
Partido / Coligação / Grupos de Cidadãos
N.º de eleitos (Colégio Eleitoral)
Partido Socialista
610 (47.3%)
PCP / PEV
412 (31,9%)
PSD
123 (9,5%)
CDS
11 (0,9%)
PSD / CDS
34 (2,6%)
MT
2 (0,02%)
BE
5 (0,04%)
Grupo de Cidadãos
93 (7,2%)

Admitindo que o órgão a eleger (Junta Regional) seja composto por cinco elementos e admitindo uma transposição direta do sentido de voto, ou seja cada partido, coligação ou grupo de cidadão (hipótese meramente teórica, dada a heterogeneidade dos grupos) vota em candidatos politicamente sustentados em candidaturas assim elaboradas, a composição seria (aplicando o método de Hondt):
Três eleitos para o PS que incluem o Presidente e dois eleitos pelo PCP / PEV.
Admitindo cenário em que PSD, CDS e afins se unem em torno de uma candidatura, o resultado seria idêntico (distribuição).
Numa situação em que os eleitos em Grupos de Cidadãos decidissem votar todos em candidatura apresentada pelo PSD e CDS, verificar-se-ia uma alteração na composição, perdendo o PS um eleito que passaria a ser da coligação PSD/CDS e Grupos de Cidadãos.
Outras hipóteses meramente especulativas:
Todos os eleitos em Grupos de Cidadãos votam em candidatura do PS - mantêm-se a distribuição do cenário 1 (3 PS+ 2 PCP/ PEV).
Todos os eleitos em Grupos de Cidadãos votam em candidatura do PCP/PEV  - não produz alterações na distribuição do cenário 1.
Por fim, só uma nota para fazer referência ao facto de os cenários serem construídos com base numa transposição «mecânica» dos sentidos de voto. Alterações – facilmente consideradas expectáveis, que podem derivar de abstenção p.e.- podem alterar a distribuição, sendo que (da aplicação das regras do método de Hondt) a haver alterações, é em relação ao PCP/PEV que mais se coloca o risco de poder não conseguir eleger o 2º membro (exceto no cenário meramente especulativo – G. Cidadãos a votar em candidatura PCP/PEV.

21.11.2017

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Sugestão

Há por aí um alcunhador, ele próprio auto alcunhado, a quem me atrevo a sugerir que ponha alcunha.

Em tempos, considerando que Guterres falaria muito, criou a alcunha de picareta falante e atribui-lha.
Pois agora que temos figura pública, ao pé de quem Guterres até passa por reservado de falas, julgo oportuno que se alcunhe.

Se nos mantivermos nas ferramentas, sugiro martelo pneumático falante. Mais tecnológico e mais consentâneo.
Se optarmos por outro campo, sugiro metralhadora falante. Mais bélico mas de igual forma adequado.

Eu sei que ele usa outra…

Simples sugestões. 

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Ubiquidade

Depois de almoço tento aproveitar uns breves instantes antes de voltar para o emprego.
Vou para a sala.
Antes de me sentar, desligo o rádio (ele lá estava).
Ligo a televisão e ei-lo, ele ali está.
Desligo.
Levanto-me e vou embora.
Tem sido assim, com uma enorme frequência.
Ele surge.
Eu desligo.
Confesso que neste campeonato, tenho perdido quase sempre.
Se salto da um, para a dois, ele parece acompanhar. Se mudo entre radio e televisão, ele faz o mesmo.
Ganho pontos quando se trata de internet ou jornal impresso, mas ganho por pouco. Globalmente perco e por muito.
Mas mesmo perdendo, insisto,
Sempre que ele surge, desligo.
Eu tenho direito à minha intimidade.
O homem, frenético, está em todo o lado. Principalmente onde haja desgraça. Parece um repórter de sensacionalismos.
Nós sabemos o quanto se sente chocado.
Nós também nos sentimos.
Sabemos que a dor é muita e que lhe compete dar uma palavra de conforto.
Nós também sentimos dor e procuramos dar o conforto possível.
Mas há muitas dores e muitos desconfortos a afetar muitos portugueses.
Vai ele usar de igual tratamento?
Por muito frenético que seja, não pode, nem lhe exigimos.
Perante a dor, as perdas, muitas, sendo a de vidas humanas irreparáveis, para além do conforto, do abraço e das palavras amigas é preciso agir já.
E agir já não é só apontar o dedo, mas usar todos os dedos para contribuir para encontrar soluções.
A alguns, parece sobrar o tempo para apontar o dedo e faltar-lhe para agir.
Outros, anónimos, vão arranjando tempo para agir.
Gostei de saber que agricultores alentejanos (a braços com uma seca terrível) reúnem fardos de palha (que lhes podem vir a faltar para alimentar o seu gado) e enviam para onde não há agora nada para dar de comer ao gado.
Gostei de saber que os pescadores de sardinha (a quem querem tirar o direito ao trabalho) enviaram para as zonas afetadas uma tonelada desses peixes.
Gostei de saber das ações da Cruz Vermelha Portuguesa que reúnem alimentos.
Dos médicos que desconvocaram a greve.
Estes (e muitos outros) são os confortos que devem ser dados de imediato após os confortos e as palavras de consolação.

O dedo deve apontar agora nessa direção.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Coisas sem nexo explícito

Os e as caniches
Acho os caniches insuportáveis.
Ladram, ladram, ladram por tudo e por nada. Julgo que ladram mesmo aos seus próprios rabos.
Como guardas, são inúteis, pois ladram por tudo e por nada o que faz com que não os levemos a sério, mesmo quando, eventualmente possa ser sério e como companhia são insuportáveis, por força do desassossego.
Se algum proprietário (não será anti animal falar de proprietário?) ler este desabafo, não leve a sério, ele até pode ser uma parábola….
Os velhos
Já por aqui contei estórias de velhos.
O nosso espaço de memórias de infância está repleto delas, quase sempre com o velho a assumir o papel de …velhaco.
Para lá caminhamos…para lá caminhamos.
Esta estória conta que, em tempos não muito idos, haviam na aldeia, na nossa aldeia imaginária, dois velhos. Um, cara de pau, mau como as cobras (ei-las de novo em maus papéis) e um outro, todo larachas, bonacheirão.
Como se sabe, cabe aos velhos, nessa nossa aldeia imaginada, o papel de chefes de aldeia.
As pessoas na aldeia, já não suportavam o velho velhaco (antes até tinham engraçado com ele e bastante…) e suspiravam pelo novo velho, o bonacheirão.
Passaram-se muitos anos assim, até que um dia, o velho velhaco foi embora da aldeia, ao que parece amuado e zangado com as pessoas.
E assim, de forma mais que esperada e desejada pelas pessoas da aldeia (não todas…não todas) o velho mais novo, bonacheirão, passou a ser o chefe.
As pessoas (quase todas) viviam encantadas…
Só que com o correr dos dias, as pessoas da aldeia colocavam os seus problemas ao novo chefe velho e ele falava.
Colocavam de novo e ele falava.
Falava. Falava e nada fazia.
Arranjava sempre maneira de culpar alguém. Ele não tinha nenhuma culpa.
Ele estava ali para falar, nada mais.
E para dizer que a culpa é dos outros.
E as pessoas da aldeia (ainda poucas) das muitas (mas não todas) que tinham ansiado pelo novo chefe velho começaram a ficar descontentes.
Diziam: «mas afinal este velho novo é até muito parecido com o outro chefe velho que se foi embora».

«Pudera - disse alguém que escutou – ele são primos».

terça-feira, 10 de outubro de 2017

GERINGONÇA

Sabem alguns a irritação que me causa esta aberrante denominação.

Uso-a hoje (com pouca ou nenhuma vontade de o voltar a fazer) porque verifico que mesmo entre os que pensam como eu (para a generalidade dos assuntos) se vulgarizou o uso desta aberração.

Partilhar este uso é, para além de alimentar o ego de quem criou a aberração, uma forma de partilhar o “filme” montado e produzido pela direita ressentida e ressabiada com a derrota em outubro de 2015.

O governo só tem um motor e esse é o motor do partido que o constitui. Todas as outras peças são de igual origem.

Se anda [1] deve-se a esse facto, ou seja, o veículo tem motor e peças PS.

Se outra analogia mecânica tem de ser feita digamos que os apoios parlamentares dados para aprovação dos OE, por parte do PCP, PEV e BE, se constituem como constituintes do combustível que precisa para se deslocar. Nada mais.

Em novembro de 2015 abordei aqui o entendimento que tinha sobre este tema. Relembro-o, porque parece útil
https://espojinho.blogspot.pt/2015/11/apontamentos-para-memoria-futura.html



Reafirmo que o Governo é um Governo do PS e não um Governo das esquerdas.

A repartição das flores e dos espinhos que resultem da governação quando a mesma for objeto de avaliação pelo voto, depende de se saber atempadamente proceder a esta clarificação que não tem nada de mecânica (e muito menos de ressabiamento de colunistas de serviço) e tem tudo de ideológica.

Faça-se quanto antes e ponha-se a dita cuja à porta do seu criador.




[1] (bem ou mal, ou sempre bem ou sempre mal, são apreciações que não cabem neste registo)
Eurodespedidas

Schau  ble  - Assim separado o nome porque gosto do som (carregando no a) que resulta da leitura da primeira parte. A segunda parte, gosto do som que origina (carregando no é) só na perspectiva onomatopeica, ble…ble…ble.

Lá seguem então as despedidas:

Au revoir; adiós; addio; goodbye (ainda faz sentido?); vaarwel (sentido e doloroso por parte do amigo holandês); AVTÍO e em Catalão (porque pode vir a ser necessário habituarem-se): adéu.

E em Português:

Adeus ó vai-te embora, não voltes, porque não deixas saudades
DE[i] (Depois de Escrito). Podes levar o Paulinho e a Maria? Tão contentinhos que iam ficar…



[i] Não faz sentido nenhum estar para aqui armado em poliglota ah agora e tal até usa expressão em latim. Pois não sei latim e então chamo a isto: Depois de Escrito.
O tradutor do Google é um grande amigalhaço…se é. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Catalão me sinto

De uma leitura breve de uma síntese histórica sobre a Catalunha, ressalta uma sequência de alianças, tratados, casamentos, períodos de independência, lutas, repressão, reis, rainhas, ditadores assassinos.
Não será pois dentro dessa densidade histórica e na história, porque não a conheço, que encontro os fundamentos para a minha simpatia com o processo em curso de independência Catalã.

A primeira razão residirá nas minhas convicções republicanas e na confrontação com o absurdo de em pleno sec. XXI aqui na moderna europa, subsistirem monarquias que têm homens e mulheres que dizem que são reis porque são filhos de reis e que os seus filhos serão reis porque e que…)

Que lata tem o partido do galego ao afirmar que o processo na Catalunha não pode ser levado a sério porque a Espanha não é o Sudão…
Não é mesmo?!

Outra razão reside na minha permanente recusa em aceitar a imposição e a tirania. O galego, há pouco tempo, defendeu a realização do referendo golpista que os golpistas levaram adiante na Venezuela. Defendia que era preciso dar a voz ao povo (na expetativa de o povo dar alento aos amigos golpistas do galego).

O referendo (farsa) realizou-se e hoje nem os seus cabecilhas querem falar de tamanho fiasco.
Na Catalunha, as autoridades nacionais (sim, a Catalunha é uma nação e tal está consagrado na própria Constituição espanhola) convocaram um referendo para perguntar aos Catalães se querem ou não continuar espanhóis.

E eis o galego, vociferando.
Referendo na Catalunha, não senhor. Os catalães não têm o direito de decidir o seu futuro.
E envia milhares de polícias que ocupam as cidades, agride milhares de pessoas (mais de 800 feridos), prende dirigentes, destrói locais de voto, apreende os boletins de voto, ameaça todos os envolvidos no processo.

E agora até  ameaça com prisão e execução dando como exemplo o que o um seu antecessor mandou fazer.

Como resposta ao clamor popular e à reação tímida que aqui e ali, alguns dirigentes na europa manifestaram face à brutal repressão, articulou os seus apaniguados para uma manifestação em Barcelona.

Nessa manifestação, que os organizadores proclamaram de unidade e diálogo, aplaudiram-se os polícias que agrediram os Catalães (até aos helicópteros da polícia enviaram saudações) e exigiram a prisão de todos os organizadores e apoiantes do referendo.
Bela manifestação de vontade de dialogar…

Não deixa de ser curioso, que o principal orador nessa manifestação tenha sido um Peruano (Llosa) habitualmente nesses lados das barricadas.
E falam de um milhão (perdão: 950 000 – os media é que depois falaram de 1 milhão) … e outros de 350 mil.
Não sei quantos foram, não estive lá.


E ao invés de agora se porem (o galego e os seus amigos) a contar manifestantes, porque não se dispuseram a contar votos?