sábado, 21 de novembro de 2009

Terra



Do outro lado do mar, mas o mesmo latifundio


Por breves momentos e de forma tímida o Alentejo sedento está molhando os lábios.
Hoje está a chover.
Pouco e segundo os especialistas, por pouco tempo.
Ainda não é agora que a terra vai matar a sede.
Mas também o que vem regar, a chuva?
A terra…mas ela é já tão grande!
Regará as cercas, os arames farpados, os domínios senhoriais de senhores feudais que quase sempre foram senhores desta terra.
Regará o latifúndio e o lago para turista ver. Regará as tabuletas que ameaçadoramente proclamam: “Aqui é propriedade privada. É proibido apanhar espargos, cardos e caganitas de coelho”.
E a terra continuará sem produzir. Sem cumprir a sua função social.
Somente e como sempre, exclusivamente como símbolo de domínio.
Há muita terra neste texto. Tanta como a que está entregue a si mesmo nas lonjuras desta minha pátria alentejana.

1 comentários:

Zé Morgado disse...

Caríssimo Espojinho,

Aqui vai uma referência a outro espojinho

http://atentainquietude.blogspot.com/2009/05/o-espojinho.html

alentejano abraço

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